27- AS CIVILIZAÇÕES EXTINTAS

Prolegômenos
18 de setembro de 2018 Pamam

Civilização é um conceito proveniente da História, que com base na evolução dos seres humanos procura conhecer os diversos estágios por que passam as sociedades que compõem o agrupamento humano, tanto das mais atrasadas como das mais adiantadas, que se caracterizam pelas suas fixações ao solo mediante a construção de cidades, daí a palavra ser proveniente do latim civita, que significa cidade, e civile, que significa o seu habitante, em que nesse contexto são avaliados todos os fatores que identificam as suas culturas, assim como o desenvolvimento das ciências, das artes, da política, da economia, dos credos, da moral, da ética, dos costumes, da indústria, do comércio, da agricultura e tudo o mais que diga respeito ao progresso alcançado pelos seres humanos que nelas viveram como encarnados.

Os historiadores denominam de civilizações antigas aquelas que, em virtude dos feitos provenientes das suas culturas, passaram a ser estudadas por eles e pelos arqueólogos, após os seus desaparecimentos. São os principais exemplos dessas civilizações as seguintes: Civilização Acádia, Civilização Assíria, Civilização Asteca, Civilização Babilônica, Civilização Caldeia, Civilização Cananeia, Civilização Cartaginense, Civilização Celta, Civilização Minoica, Civilização Edomita, Civilização Etrusca, Civilização Fenícia, Civilização Germânica, Civilização Grega e Civilização Hitita.

Uma prova incontestável da existência das várias civilizações que existiram, é que muitas chegaram à escrita, há milhares e milhares de anos atrás, desenvolvendo as suas ciências e as suas tecnologias extraordinariamente. No entanto, a história escrita nesta nossa civilização atual é considerada pelos historiadores como tendo apenas quatro mil anos de idade, aproximadamente, em contrapartida aos milhares e milhares de anos da existência de outras civilizações, e durante metade desse período o centro dos negócios humanos, ao que se sabe, foi o Oriente Próximo.

Aristóteles admitiu que várias civilizações se formaram com grandes invenções e luxos, mas que todas foram destruídas e obliteradas da memória humana. Por isso, ele afirma que incontáveis nações e civilizações apareceram e desapareceram, em consequência de súbitas catástrofes ou da lenta marcha do tempo, periodicamente, sem que fossem perceptíveis para nós, demonstrando um notável senso de tempo geológico.

É por isso que Bacon disse que a história é uma sucessão de naufrágios, que tudo aquilo que se salvou do passado é muito menos daquilo que se perdeu. E Lucrécio nos conta o desenvolvimento da civilização em um elegante resumo, ao nos dizer que a História é um desfile de estados e civilizações que se erguem, prosperam, decaem e morrem; mas, ao seu turno, transmitem a herança de costumes, moral, ética e artes, tais “Como corredores que entregam a outros o archote da vida”.

E das civilizações extintas temos como herança muito pouco da moral e da ética, uma vez que elas, amplamente entregues à materialidade, desvirtuaram totalmente o controle animal da reprodução da espécie, pois enquanto os animais irracionais somente se unem para a fecundação em épocas próprias, herdamos dessas civilizações extintas, por atavismo psíquico, os seus desregramentos e bacanais, com reflexos profundos nos dias atuais, por isso sofremos, até hoje, os efeitos da estimulação orgânica, que nos leva à desvirtuação do sexo e aos mais condenáveis hábitos de depravação, quando já se sabe que o prazer sexual é uma retribuição da Providência Divina para o tremendo encargo que os homens e as mulheres assumem ao constituírem uma família. Além do mais, em função desse prazer proporcionado, serve também para incentivar a procriação, facilitando a encarnação de muitos e muitos espíritos. Por isso, aqueles espíritos mais evoluídos que se esforçam para vencer ou dominar a ação perniciosa desse hábito hereditário e vicioso da constante solicitação recíproca do sexo avulso, ou fora do casamento, ou fora da união estável, ambos previstos em lei, combatendo a esse ato de puro materialismo, concorrem para renovar o princípio espiritual de superiorização dos costumes e de elevação moral das práticas humanas.

Herdamos também dessas civilizações extintas a tendência que muitos demonstram para o homossexualismo. Ora, o espírito é uma partícula do Ser Total, que em sua evolução vai adquirindo parcelas das propriedades da Força, da Energia e da Luz, por isso se pode concluir facilmente que ele não tem sexo, já que este é um órgão do corpo material. Assim, um espírito que venha encarnando continuamente em um corpo masculino e é determinado a fazê-lo em um corpo feminino, ou vice-versa, poderá denunciar certa influência da condição passada, mas sem que esta venha a ser a causa predisponente do homossexualismo, pois que a mesma resulta de alguma anormalidade orgânica, hormônio do sexo feminino em maior quantidade que o masculino, ou o contrário, vício adquirido na infância ou juventude, ou mesmo o atavismo psíquico. Sob o ponto de vista exclusivamente médico, existe tratamento e cura para a anormalidade orgânica. Mas para o vício adquirido na infância ou juventude e para o atavismo psíquico somente a força de vontade do ser humano pode debelar tal anomalia. E digo anomalia porque nós, seres humanos, aliás, qualquer animal, não têm opções sexuais, como muitos desvirtuados propalam por aí, mas sim apenas uma e somente uma opção sexual: o sexo oposto; como jamais poderia ser diferente.

Herdamos ainda dessas civilizações extintas o apego exacerbado ao sobrenatural, com a preponderância dos credos e das suas seitas em suas culturas, em que as adorações aos deuses e a outras entidades sobrenaturais, que não passavam de espíritos obsessores quedados no astral inferior, por conseguinte, os cultos, as preces, as propiciações, as reverências, os dobramentos de colunas, o revirar dos olhos, os ajoelhamentos, e tudo o mais do gênero, contribuíram decisivamente para o agravamento da situação precária do ambiente terreno, como hoje em dia podemos constatar claramente todo esse sobrenaturalismo exacerbado.

Assim, as produções dos sentimentos inferiores e dos pensamentos negativos ensejaram a que nós, os seres humanos que formávamos a essas civilizações, produzíssemos também as mais baixas vibrações magnéticas, radiações elétricas e radiovibrações eletromagnéticas, tornando a atmosfera do planeta, que é a sua aura, demasiadamente suja, pesada, grosseira, deletéria, doentia, formando o ambiente propício para as ações dos espíritos obsessores, que assim conseguiram agir no sentido de extinguir a essas civilizações, obliterando-as da face da Terra, tendo o processo civilizatório que reiniciar por diversas vezes.

Por mais que os estudiosos se esforcem em seus estudos, investigando e pesquisando a parcela do Saber denominada de História, eles nada sabem a respeito das civilizações passadas que foram extintas e obliteradas da face da Terra, com a grande maioria desses estudiosos procurando se omitir acerca do assunto, senão a sua totalidade. É por isso que os historiadores dividem o passado da nossa humanidade em Pré-história e História, cujo termo tanto é indevido como inapropriado, pois que o termo correto é o passado desta nossa civilização, e não da nossa humanidade, uma vez que o passado desta nossa civilização se inicia logo após a civilização anterior haver sido extinta e obliterada da face da Terra, reiniciando-se um novo processo civilizatório, enquanto que o passado da nossa humanidade se inicia a partir do momento em que todos nós adquirimos o raciocínio e a faculdade do livre arbítrio, abandonando a classe primata irracional, com todos habitando o mesmo Mundo de Luz, quando então passamos a encarnar neste planeta como hominídeos, ou seja, pertencente à família dos primatas, de gênero único Homo, a que pertence o homem e os seus ancestrais.

Vejamos, pois, o contexto desses dois períodos que os historiadores, equivocadamente, consideram ser da nossa humanidade, quando, na realidade, eles se referem diretamente a esta nossa última civilização, que são os seguintes:

  1. PRÉ-HISTÓRIA: corresponde ao tempo que compreende o período anterior à escrita, que em conformidade com os historiadores foi inventada na Mesopotâmia por volta de 4.000 a.C., sendo caracterizada pela vida nômade e pelas atividades da caça e da pesca, quando então surge a agricultura e a pecuária, tornando sedentários os seres humanos do período pré-histórico, levando-os à construção das primeiras cidades. Neste contexto, os historiadores passam a dividir a Pré-história em três períodos:
    1. Paleolítico: período considerado como sendo a Idade da Pedra Lascada, quando então o fogo foi descoberto. Para os historiadores, o paleolítico se refere ao período da Pré-história que começou há cerca de 2,5 milhões de anos, quando os antepassados do homem começaram a produzir os primeiros artefatos em pedra lascada, destacando-se de todos os outros animais, o qual durou até cerca de 10.000 a.C., quando houve a denominada Revolução Neolítica, em que a agricultura passou a ser cultivada, tornando o homem não mais dependente apenas da caça e da pesca;
    2. Neolítico: período considerado como sendo a Idade da Pedra Polida, quando ocorreu a denominada Revolução Agrícola, através da seleção e da adaptação dos vegetais para suprir as necessidades agrícolas, sendo domesticados os animais;
    3. Idade dos Metais: início da utilização e fundição dos metais na fabricação de instrumentos, sendo este o último período da Pré-história o qual demarca o conjunto de transformações que dão início ao aparecimento das primeiras civilizações da Antiguidade, no Egito e na Mesopotâmia.
  2. HISTÓRIA: corresponde ao tempo que compreende o período posterior à escrita, portanto, de 4.000 anos para cá, sendo dividida em quatro períodos:
    1. Idade Antiga: os historiadores consideram a Idade Antiga como sendo o período que corresponde a 4.000 a.C. até 476 d.C., quando ocorre a queda do Império Romano do Ocidente. Ela é estudada levando em consideração a sua estreita relação com o Oriente Próximo, onde floresceram as primeiras civilizações, sobretudo no denominado Crescente Fértil, região relativa aos atuais Estados da Palestina, Israel, Jordânia, Kuwait, Líbano e Chipre, bem como partes da Síria, Iraque e Egito, o sudeste da Turquia e o sudoeste do Irã, cuja expressão foi criada por James Henry Breasted, arqueólogo da Universidade de Chicago, em referência ao fato de o arco formado pelas diferentes zonas se assemelhar a uma lua crescente, cuja região, detentora de muitas possibilidades agrícolas, atraiu os primeiro habitantes do Egito, da Palestina, da Mesopotâmia, do Irã e da Fenícia. A Antiguidade abrange também as denominadas civilizações clássicas, assim consideradas as nações grega e romana;
    2. Idade Média: os historiadores consideram que a Idade Média compreende o período de 476 d.C. até 1453, quando ocorre a conquista de Constantinopla pelos turcos otomanos e, em decorrência, a queda do Império Romano do Oriente, sendo estudada principalmente em relação às três culturas em confronto situadas em torno da bacia do Mar Mediterrâneo e caracterizada, sobretudo, pelo modo de produção feudal em algumas regiões da Europa;
    3. Idade Moderna: os historiadores consideram que a Idade Moderna compreende o período de 1453 até 1789, por ocasião da Revolução Francesa, cujo período compreende a invenção da imprensa, os descobrimentos marítimos e o Renascimento, caracterizando-se pelo surgimento do modo de produção capitalista;
    4. Idade Contemporânea: os historiadores consideram que a Idade Contemporânea compreende o período de 1789 até aos dias atuais, cujo período envolve conceitos bastante diferentes e o grande avanço da tecnologia, assim como os conflitos armados de grandes proporções. Engloba a Nova Ordem Mundial, cujo termo tem sido utilizado para se referir a um novo período no pensamento político, bem como ao novo equilíbrio mundial de poder, com maior centralização desse poder, além de outras. E engloba o pensamento de fim da história, uma teoria iniciada no século XIX por Hegel e, posteriormente, retomada no final do século XX, no contexto da historiografia — palavra polissêmica que designa não apenas o registro escrito da História, a memória estabelecida pela nossa própria humanidade, através da escrita do seu próprio passado, mas também a ciência da História — e das ciências sociais, no geral.

Não se deve dar o menor crédito a essa hipótese estapafúrdia na qual os historiadores consideram o período de 2,5 milhões a 4 mil anos como sendo o correspondente à Pré-história, porque não se deve aceitar a suposição infundada e descabida de que o homem passou mais de 2,5 milhões de anos produzindo utensílios e artefatos em pedra lascada, posteriormente em pedra polida, a seguir em metais, para somente depois conhecer a escrita e, em apenas 4.000 anos, progredir tanto que conseguiu dominar o mundo e ir à Lua. Nota-se aqui claramente a falta de um senso lógico temporal em relação à evolução do homem na Terra.

Além do mais eu não posso concordar com essa cronologia fornecida pelos historiadores, pois que após a encarnação de Jesus, o Cristo, nós passamos pela Idade da Fé e pela Idade das Trevas, quando somente depois, e aí sim, passamos pela Renascença, pela Idade Moderna e pela Idade Contemporânea, não exatamente nos períodos citados pelos historiadores. Mas o que interessa neste tópico são as civilizações extintas.

Há que se desprender o esforço devido para que se possa compreender profundamente o homem em sua natureza espiritual, por conseguinte, o processo da evolução do espírito, para que então se possa determinar com a devida precisão o progresso de que ele pode ser capaz de auferir neste mundo, tanto em relação ao passado como em relação ao futuro. Aqueles que possuem o raciocínio um tanto mais profundo e um senso de lógica mais apurado, apenas se expressam para confessar as suas ignorâncias e as suas curiosidades em relação ao fato, como foi o caso de Voltaire, que assim se expressou:

Eu queria saber quais foram os passos que o homem deu na passagem da barbárie para a civilização”.

O termo binomial Homo sapiens é atribuído a Carl Linnaeus, em 1758, enquanto que os termos binomiais para as outras espécies de Homo começaram a ser cunhados na segunda metade do século XIX, como Homo neanderthalensis, em 1864, e Homo Erectus, em 1892, pois é sabido que nas ciências biológicas e, em particular, na Antropologia e na Paleontologia, o nome comum para todos os membros do gênero Homo é humano, que o termo homo empregado é de origem latina, no sentido original de ser humano, ou mesmo homem, e que o termo humano vem do latim humanus, um cognato adjetivo para homo. Em suas investigações, os estudiosos acreditam que os primeiros Homo sapiens surgiram na África por volta de 250.000 anos atrás.

Aceitando-se a hipótese de que os primeiros Homo sapiens tenham surgido na África por volta de 250.000 anos atrás, então sob o ponto de vista da Geologia, mais propriamente na escala de tempo geológico, vamos encontrar o Homo Sapiens na época do Pleistoceno, do período Neogeno, da era Cenozoica, do éon Fanerozoico, que está compreendida entre 2 milhões e 11,5 mil anos atrás, mais especificamente no final do período Pleistoceno Médio, que compreende 781 mil a 126 mil anos atrás, e em todo o período do Pleistoceno Superior, que compreende 126 mil a 11 mil e quinhentos anos atrás.

Ao alcançarmos a condição evolutiva de Homo Sapiens, nós, os seres humanos que compomos a nossa humanidade, conseguimos formar várias civilizações que alcançaram graus muito elevados de progresso, mas sempre medrando nos âmbitos do materialismo e do sobrenaturalismo, sem que conseguíssemos nos espiritualizar, principalmente porque essas nossas civilizações não reuniam ainda as mínimas condições de estabelecer em nosso seio o embrião do instituto do Cristo, que é o Racionalismo Cristão, para que assim nós pudéssemos formar o nosso próprio Cristo.

Como essas nossas civilizações sempre medraram nos âmbitos do materialismo e do sobrenaturalismo exacerbados, como podemos comprovar a tudo isso inclusive nos dias de hoje, por herança atávica, os seres humanos então formaram os ambientes fluídicos favoráveis para as ações dos espíritos obsessores quedados no astral inferior, os quais, em função desses ambientes fluídicos para eles favoráveis, conseguiram manipular de uma tal maneira aos seres infra-humanos, que essas manipulações acarretaram nos desastres que extinguiram e obliteraram da face da Terra a essas civilizações, uma vez não existem os desastres naturais, como se fossem próprios da natureza, sendo todos eles provocados pelos espíritos obsessores, já que a natureza não trabalha contra os seres humanos, o que é lógico e evidente.

E aqui a História deve se valer da Geologia para determinar o final da última das nossas civilizações que foram extintas e obliteradas da face da Terra, quando na escala de tempo geológico, após a última catástrofe ocorrida, que ocorreu à época do Holoceno, do período Neogeno, da era do Cenozoico, do éon Fanerozoico, que se iniciou há cerca de 11,5 mil anos e se estende até aos dias atuais.

Esta época do Holoceno se divide em cronozonas baseadas nas flutuações climáticas, sabendo-se que uma cronozona é um intervalo de tempo que tem início com um dado evento identificável e que termina com um outro evento, em que nos registros fósseis tais eventos identificáveis estão geralmente associados ao desaparecimento, ou extinção, de uma ou mais espécies, com a aparição e a ampla distribuição de outras espécies no registro geológico, deste modo as cronozonas são utilizadas nas várias disciplinas relacionadas com a Geologia, notadamente na estratigrafia — estudo dos estratos ou camadas de rochas —, em que é utilizada a datação relativa através da geocronologia, que utiliza um conjunto de métodos de datação para determinar a idade das rochas, dos fósseis, dos sedimentos e dos diferentes eventos da história deste nosso mundo-escola, que é a Terra.

Para alguns estudiosos, a época do Holoceno se inicia com o fim da última era glacial principal, denominada também de Idade do Gelo. A época é informalmente denominada de Antropoceno, uma vez que o prefixo antro significa grupo de pessoas, no caso o agrupamento humano, pela suposição equivocada de abranger todo o período das civilizações, quando se sabe que antes desta civilização existiram muitas outras que foram extintas e obliteradas da face da Terra, por não haverem se espiritualizado, por conseguinte, haverem degenerado na mais extrema materialidade, dando vazão ao luxo e a riqueza, com estes gerando as maiores depravações, dando origem aos bacanais e as orgias, além da apelação para o sobrenaturalismo exacerbado, apesar disto tudo não ser a causa por que essa denominação não é reconhecida pela Comissão Internacional sobre Estratigrafia da União Internacional de Ciências Geológicas, mas que deveria ser a causa considerada.

Podemos concluir, então, que esta nossa atual e definitiva civilização teve o seu início na época do Holoceno, com todos os seres humanos começando novamente da barbárie, uma vez que o nosso processo civilizatório estava tendo um novo início, como que partindo do zero, a partir de 11.500 anos a.C., aproximadamente, através do período paleolítico da pré-história. Mas como os seres humanos já haviam passado por outros processos civilizatórios, o progresso desta nossa civilização ocorreu de modo bem mais rápido que as demais do passado, daí a razão pela qual conseguimos chegar ao domínio da escrita em poucos milênios, por conseguinte, ao domínio tecnológico que até hoje conseguimos conquistar. Em razão disso, não se deve jamais duvidar da existência das outras civilizações do passado.

Até a cultura popular influencia o gênio de alguns escritores que também falam de determinadas civilizações tidas como lendárias, que supostamente foram esquecidas pelo tempo, das quais não existem provas materiais, em que o padrão comum nestes casos é de uma civilização acumulada de riqueza e prosperidade que eventualmente é destruída por uma catástrofe. Dentre estas civilizações tidas como lendárias se destacam as seguintes: Agharta, Atlântida, Avalon, Ciméria, Eldorado, Lemúria e Shangri-La, entre as quais a da Atlântida possui realmente comprovações da sua existência.

Com relação ao recente desenterro de algumas civilizações extintas, para economizar algum tempo, eu vou me reportar apenas a da Suméria, em virtude de a exumação dessa civilização esquecida haver se tornado um dos marcos da arqueologia, mas, evidentemente, sem esquecer a da famosa Atlântida.

Se para os romanos e os judeus a civilização sumeriana era desconhecida, o fato é que desconhecida ela era também para os gregos, já que nem mesmo Heródoto a menciona. Berósio, historiador babilônico de 250 a.C., entreviu a Suméria sob um véu de lendas, descrevendo-lhe o povo como sendo uma raça de monstros, chefiada por Oanes, vindo do golfo pérsico, o qual introduziu a agricultura, a metalurgia e a escrita, dizendo também que todas as coisas que melhoram a vida foram introduzidas na Suméria por Oanes, e que desde esse tempo nenhuma outra invenção apareceu.

Mas em 1850, Hincks admitiu que a escrita cuneiforme, ou em forma de cunha, que é uma peça de ferro ou de madeira em forma de diedro, sendo este uma figura geométrica formada pelo encontro de duas faces ou dois planos, proviera de um povo de língua não semita, ao qual Oppert deu o nome de sumérios. Por esse tempo, Rawlinson encontrou nas ruínas da Babilônia tabletas com o vocabulário da língua sumeriana, com tradução interlinear, que se encontra entre linhas, em velho babilônio. Em 1854, dois ingleses descobriram os sítios de Ur, Eridu e Uruk, e então exploradores franceses revelaram os remanescentes de Lagash, com tabletas em que vinha a história dos reis sumerianos. Há pouco tempo, um norte-americano, prof. Woolley, e outros, exumaram a cidade de Ur, em que os sumérios alcançaram alta civilização há mais de 6.500 anos. Com a continuidade dos trabalhos, é de se esperar que a exumação da civilização sumeriana se aproxime, em proporções, da egípcia, que é muito opulenta em achados.

Quando a civilização sumeriana chegou a certo ponto, calculado em aproximadamente 2.300 a.C., os seus historiadores procuraram reconstruir o passado da raça, com relação a qual os seus poetas compuseram as histórias da Criação, através de um primitivo Éden e de um terrível dilúvio que os engoliu como castigo dos pecados. Essas histórias passaram para a tradição hebraica e se tornaram parte do credo católico, contadas fabulosamente em citações bíblicas. Mas tudo indica que essas histórias tenham uma origem de verdade, não da maneira fabulosa e mentirosa como se encontram postas na Bíblia, pois, em 1929, o prof. Woolley, escavando nas ruínas de Ur, descobriu uma camada aluvial, em considerável profundidade de três metros, que ele interpretou como sendo o depósito de uma enchente do Eufrates, que mais tarde evoluiu para dilúvio, encontrando, abaixo dessa camada, os remanescentes de uma cultura pré-diluviana, descrita pelos poetas como sendo a Idade de Ouro.

Ainda mais universal é a história do dilúvio, pois dificilmente um povo antigo não o via em seu corpo de lendas, mas que não são lendas, e poucas montanhas da Ásia não foram o ancoradouro de algum Noé. E aqui vale repetir o que afirmou o Dr. Melo de Morais, cuja afirmativa se encontra no tópico 24.08- Considerações sobre a minha encarnação passada, quando o médico e historiador assim se expressou:

“Paira nos anais do mundo e na história dos primeiros povoadores da Europa que Luso, antes da vinda de Cristo, mil e quinhentos anos, deu o seu nome ao reino lusitano; e contam as tradições que Tabul, quinto filho de Jafé, neto de Noé, navegando, com os recursos de então, pelo Mediterrâneo, atravessou o estreito (hoje Gibraltar) e veio à parte mais ocidental da Europa e, em um sítio ameno e delicioso, fundou, com os seus poucos companheiros, a primeira povoação da península, a que chamou, por corruptela, Setúbal (ajuntamento de Tubal). Por muitos anos governou Tabul esses lugares (Pelos anos da criação do mundo, 1800, e 136 depois do dilúvio, 2208 antes da vinda de Nosso Jesus Cristo) [grifo meu]”.

O Oceano Pacífico amortalha as ruínas de pelo menos uma das civilizações perdidas, pois, segundo os pesquisadores, a gigantesca estatuária da Ilha de Páscoa, a tradição polinésia da existência de poderosas nações que em tempo remotíssimo se formaram no Samoa e no Taiti e a capacidade artística e a sensibilidade poética dos seus atuais habitantes, indicam as glórias de uma civilização passada extinta, mas que hoje, infelizmente, mostram-nos um povo que não está se erguendo para a civilização, mas que dela decaiu para um estado inferior.

Já a Atlântida era um continente em que a sua menção reconhecida remonta a Platão, que em suas obras se refere diretamente a ela. Segundo Platão, a Atlântida era uma potência naval que conquistou muitas terras na Europa Ocidental e África há milhares de anos antes da época de Solon, que após uma tentativa fracassada de invadir Atenas afundou no oceano em um único dia e noite de infortúnio.

No oceano Atlântico, da Islândia ao Polo Sul, a elevação central marítima dá apoio a afirmativa de Platão referente a uma civilização florescida em um continente situado entre a Europa e a Ásia, a famosa e lendária Atlântida, que de súbito foi tragada por uma subversão geológica. Não devemos esquecer que Platão posteriormente encarnou como Jesus, tendo alcançado a condição do Cristo, e como esse espírito pertence à humanidade que a nossa segue na esteira evolutiva do Universo, então ele é o Cristo dessa humanidade.

Schliemann, o ressuscitador de Troia, admitia que a Atlântida fosse a ligação entre as culturas da Europa e do Iucatã, e que dela proviera a civilização egípcia. Enquanto que muitos estudiosos das civilizações admitem a possibilidade de que a própria América fosse parte da Atlântida, e que alguma cultura anterior à cultura maia estivesse em contato com a Europa e a África, em tempos anteriores.

No entanto, o certo é que não se pode mencionar o fato da existência da Atlântida ignorando o que Platão escreveu sobre ela, pois ele é a principal fonte que se pode confiar sobre a existência real da Atlântida, uma vez que antes dele, no seu tempo, ou mesmo posteriormente, ninguém mais descreveu o continente extinto.

Mas, antes de tudo, todos devem ser cientes de que, embora fosse genuinamente um saperólogo, tendo sido o primeiro ratiólogo a encarnar neste mundo, pois que muito se referiu à razão, em função do seu estágio evolutivo se encontrar muito acima do estágio evolutivo em que nos encontramos, o fato mais prazeroso neste mundo para Platão era ouvir a verdade, apesar dos seus amigos dizerem que para ele o mais importante, neste mundo, era dizer a verdade. Assim, Platão age no sentido de que Timeu declare que gostaria muito de ouvir um resumo do diálogo da noite anterior sobre o Estado ideal, o qual se refere à sua obra intitulada de A República, quando então a Atlântida entra no contexto e se inicia o célebre diálogo:

HERMÓCRATES — Realmente, como afirmou Timeu, não faltará empenho de nossa parte, Sócrates, bem como não dispomos da mais ínfima desculpa para nos negarmos a fazer como dizes. A propósito, ontem, logo depois de te deixarmos e nos dirigirmos aos nossos aposentos na casa de Crítias, onde estamos hospedados, e já durante esse percurso,, examinávamos esses mesmos assuntos. Foi quando Crítias trouxe à baila uma história que remonta à tradição antiga. Assim, Crítias, peço-te que repitas a ele essa história agora, de modo que ele possa nos ajudar a decidir se é ou não pertinente ao tema que nos foi destinado.

CRÍTIAS — Decerto eu o farei, desde que o nosso terceiro parceiro, Timeu, também o aprove.

TIMEU — Não há dúvida de que aprovo.

CRÍTIAS — Então escuta, Sócrates, uma história que, a despeito de ser considerada estranha, é, no entanto, inteiramente verdadeira, segundo declarou em uma ocasião Solon, o mais sábio do sete sábios. Solon era — como ele próprio diz aqui e ali amiúde em seus poemas — um parente e amigo muito chegado de nosso bisavô Drópides. Ora, Drópides contou ao nosso avô Crítias, o que o velho, por seu turno, contou a nós, que as proezas desta cidade na antiguidade, cujo registro desaparecera ao longo do tempo e por conta do aniquilamento dos seres humanos, foram grandiosas e extraordinárias, dessas proezas, seria apropriado te narrar a mais grandiosa, em parte a título de pagamento do nosso débito de gratidão contigo, e, em parte, como um canto, por assim dizer, de justo e verdadeiro louvor à deusa neste dia de festival.

SÓCRATES — Magnífico! Mas qual foi essa proeza narrada por Crítias segundo o relato de Solon, cujo registro não foi verbalmente preservado, embora haja realmente sido realizada por esta cidade nos tempos antigos?

CRÍTIAS — Eu contarei a ti. Trata-se de uma velha história ouvida por mim de um homem que não era jovem, pois realmente Crítias naquela época, conforme a sua própria informação, estava para completar noventa anos, enquanto eu tinha por volta de dez. Aconteceu de ser o dia da apresentação dos moços no decorrer das Apatúrias. Nessa oportunidade, ocorria também uma habitual cerimônia dedicada às crianças, na qual os nossos pais organizavam competições de recitação de poemas. Assim, como várias composições de diversos poetas eram recitadas, os versos de Solon eram cantados por muitas de nós, crianças, visto que os seus poemas constituíam naquela época uma novidade. Sucedeu que um dos membros de nossa fratria, fosse porque realmente assim pensava naquele tempo, ou porque se decidira a cumprimentar Crítias, declarou que, segundo o seu parecer, não era só Solon o mais sábio em tudo mais, como também na poesia se destacava como sendo o mais nobre dos poetas. E o velho — lembro-me muito bem da cena — ficou contente com o cumprimento, passando a dizer sorridente: “Sim, Aminandro, pena que ele encarou a poesia como uma diversão, não se devotando a ela com o empenho de outros poetas, pena que não terminou a história que nos trouxe do Egito, sendo forçado a abandoná-la, ao retornar, devido aos conflitos entre as facções e outros males com os quais se defrontou aqui, se não fosse assim, nem sequer Hesíodo ou Homero e qualquer outro poeta teria granjeado mais fama do que ele”.

SÓCRATES — E qual era essa história, Crítias?

CRÍTIAS — Trata-se da história de um feito estupendo, realmente digno de ser estimado como sendo o mais extraordinário de todos os feitos empreendidos por esta cidade, ainda que o seu registro tenha estado desaparecido até o presente por conta do transcorrer do tempo e da destruição dos seus autores.

ANAXIMANDRO — Conta-nos desde o início qual foi essa história ouvida e colhida por Solon, de quem ele a ouviu e garantiu que é verdadeira.

CRÍTIAS — No Egito, na região do delta, em que a corrente do Nilo se divide em duas no vértice do delta, há uma província chamada de Saítico, cuja cidade principal é Saís, residência do rei Amasis. Dizem que quem fundou essa cidade é uma deusa cujo nome egípcio é Neith e, em grego, Atena. O povo dessa cidade demonstra muita amizade por Atenas e afirma ter de alguma forma parentesco conosco. O testemunho de Solon é que quando visitou essa cidade, foi acolhido e aclamado com elevada estima por esse povo. Ademais, quando teve a oportunidade de fazer perguntas aos seus sacerdotes, detentores do maior saber antigo relativo à sua história primitiva, descobriu que tanto ele próprio quanto qualquer outro grego ignoram tudo — estaríamos autorizados a afirmá-lo — acerca desses assuntos, sendo que em certa ocasião, no desejo de levá-los a discursar sobre a antiguidade, tentou abordar para eles a mais antiga de nossas tradições, a que se refere a Foroneu, que se diz ter sido o primeiro ser humano, e que se refere a Níobe. E ele prosseguiu relatando o mito de Deucalião e Pirra e de sua sobrevivência ao dilúvio, passando a fornecer a genealogia dos seus descendentes; e, realizando a contagem dos anos decorridos que encerraram os acontecimentos narrados, tentou efetuar o cômputo dos períodos de tempo. Foi quando um dos sacerdotes, um homem muito idoso, disse: “Ó Solon, Solon, vós gregos sois sempre crianças… não há essa coisa de um grego antigo”. Ao ouvir tal observação, ele indagou: “O que queres dizer com isso?”, ao que o sacerdote respondeu: “Sois jovens em vossas almas, todos vós. Vossas almas não possuem uma só crença transmitida pela tradição antiga, bem como nenhum conhecimento tornado velho pelo tempo, disso a causa sendo a seguinte: houve e continuará havendo múltiplas e diversas destruições da humanidade, das quais as maiores são pela ação do fogo e da água, enquanto as menores através de outros meios incontáveis (grifo meu). De fato, a história que se costuma contar em teu país, bem como no nosso, de que uma vez Faetonte, filho de Hélio, preparou a biga do seu pai, mas incapaz de dirigi-la pela rota tomada por seu pai, provocou a incineração de tudo que existia na Terra, sendo ele próprio destruído por um raio — essa história, tal como relatada, apresenta o perfil de um mito. Entretanto, a verdade nela encerrada aponta para um desvio dos corpos celestes que giram em torno da Terra, causando uma destruição de que há sobre a Terra através de colossais incêndios recorrentes a longos intervalos. Nessas ocasiões, todos os habitantes das montanhas e das regiões elevadas e secas perecem mais que os que habitam nas proximidades dos rios e do mar. O Nilo, que é o nosso salvador em outras circunstâncias, também nos salva dessa dificuldade elevando as suas águas. Por outro lado, na ocasião em que os deuses purificam a Terra mediante um dilúvio, todos os vaqueiros e pastores que se encontram nas montanhas são salvos, ao passo que aqueles que vivem nas cidades, na tua terra, são colhidos pelos rios e lançados ao mar. Em nosso país, nem nessa ocasião e nem em qualquer outra, a água se precipita do alto sobre os nossos campos, ocorrendo o contrário, ou seja, a sua propensão natural é sempre subir partindo de baixo. A consequência disso é ser o que é aqui preservado, considerado como sendo o mais antigo. A verdade é que em todos os lugares nos quais não há excessivo calor ou frio para impossibilitá-lo, há sempre uma raça humana que continua existindo, em um contingente populacional ora maior, ora menor. E no caso da ocorrência de qualquer evento grandioso ou importante, ou que de um modo ou outro merece destaque, não importa se em teu país, no nosso, ou em qualquer outro lugar de que temos notícia, terá sido registrado desde a antiguidade e aqui preservado em nossos templos. Em vosso caso, diferentemente, tal como no de outros povos, tão logo conquistais as letras e todos os demais recursos exigidos pelas cidades, volta a acontecer, após o usual lapso de tempo, o dilúvio que vem do céu, o qual vos atinge como uma praga, deixando para trás somente vosso povo iletrado e inculto; o resultado é vos tornardes novamente jovens, totalmente ignorantes dos acontecimentos ocorridos nos tempos antigos nesta terra ou na vossa. É certo que as genealogias que apresentaste há pouco, Solon, que dizem respeito ao povo de teu país constituem pouco mais do que contos infantis, pois, para começar, recorda-te de um dilúvio, quando foram muitos que ocorreram antes; em segundo lugar, ignoras o fato de que a mais nobre e melhor das raças humanas nasceu na terra que atualmente habitas, tendo sido dela que se originaram tanto tu quanto a tua cidade, graças a alguma modesta semente que aconteceu de restar dessa raça. A ti passou despercebido porque no arco de diversas gerações ocorreu o perecimento de sobreviventes que não detinham a capacidade de se expressarem através da escrita. Na verdade, Solon, houve uma época que antecedeu aos mais destrutivos dos dilúvios, na qual o Estado que é atualmente Atenas não apenas manifestava excelência na guerra, como se destacava igualmente em todos os aspectos pela suprema excelência das suas leis na administração. Comenta-se que no seu seio eram criadas as mais esplêndidas obras de arte e, por outro lado, possuía a mais admirável forma de governo de todas as nações sob o céu de que há ouvimos falar”.

Ao ouvir isso, Solon declarou estar maravilhado e impelido por incontida ansiedade, pediu insistentemente ao sacerdote que lhe fizesse um relato sequencial e detalhado dos fatos relativos a esses cidadãos da antiguidade. A isso o sacerdote respondeu: “Não relutarei em te fazer esse relato, Solon. Não, eu o farei, seja para teu benefício, seja para o de sua cidade, embora, sobretudo, em honra da deusa que adotou para ti tanto a tua terra quanto a nossa, tendo-as fundado, delas cuidado e as educado. Principiou pela tua durante um milênio, ao receber de Gaia e Hefaístos a semente e vós, depois que se ocupou da nossa. Quanto à duração de nossa civilização, conforme registrado em nossas escrituras sagradas, é de oito milênios. Relatarei a ti sumariamente certas leis e os mais admiráveis feitos referentes aos cidadãos que viviam então há nove milênios atrás. No que toca a um relato completo, sequencial e minucioso, faremos isso mais tarde, na medida de nosso ócio, consultando as próprias escrituras.

A fim de ter uma noção de suas leis deves observar as nossas leis atuais, pois notarás a existência aqui hoje de muitos exemplos que existiam então em nossa cidade. Perceberás, em primeiro lugar, como a classe sacerdotal é separada do resto; em seguida, a classe dos artífices, da qual cada tipo executa o seu trabalho independentemente dos outros, sem haver mistura; também os pastores, caçadores e agricultores se mantêm distintos e independentes. Ademais, como certamente deves ter notado, a classe militar aqui é mantida separada de todas as demais, obrigada por determinação legal a se dedicar, exclusivamente, à atividade de preparo e treinamento para a guerra. Há, além disso, uma característica do ponto de vista de suas armas, que é o emprego de escudos e lanças; de fato, fomos o primeiro povo da Ásia a adotar essas armas por instrução da deusa, tal como ela primeiramente instruiu a vós, que sois habitantes de outras regiões. Por outro lado, no que tange ao saber, certamente percebeste a lei aqui pertinente, segundo a qual muita atenção tem sido dedicada desde o início a ele; em nosso estudo da ordem do Universo descobrimos todos os efeitos produzidos pelas causas divinas na vida humana, incluindo a divinação e a medicina que visa a saúde, além do domínio de todas as outras disciplinas correlatas. Desse modo, quando, naquela época, a deusa vos supriu, anteriormente a quaisquer outros povos, de todo esse sistema ordenado e regular, fundou o teu Estado vos instalando, conforme a sua escolha, no lugar em que nascestes por perceber nele um clima temperado, e como isso daria origem a homens de sumo saber. Assim sucedeu que a deusa, que era ela própria a um tempo amante da guerra e amante da sabedoria, selecionou uma região com maior probabilidade de gerar homens maximamente semelhantes a ela própria, sendo essa a sua primeira fundação. E ali passastes a viver com base em leis como essas… na verdade leis ainda melhores, com o que superastes todos os povos na prática de todas as virtudes, como era de se esperar daqueles que eram descendente e latentes de deuses. As realizações de teu Estado são, de fato, múltiplas e grandiosas, revelando-se, como aqui são registradas, maravilhas. Todavia, há uma delas que sobressai entre todas devido à sua grandeza e excelência. É relatado em nossos registros como em uma certa época o teu Estado deteve a marcha de um exército poderoso, o qual partindo de um longínquo ponto no Oceano Atlântico, avançava insolentemente com o objetivo de atacar de uma só vez a Europa inteira e a Ásia. Naquela época, esse oceano era navegável, diante do estreito que vós chamais de Colunas de Heracles, havia uma ilha maior do que a Líbia e a Ásia juntas, e era possível aos viajantes daquela época alcançar outras ilhas por meio de uma travessia. Dessas ilhas se podia atingir todo o continente do outro lado, o qual circundava todo aquele verdadeiro mar. Com efeito, tudo que temos aqui dentro do estreito a que nos referimos parece não passar de um porto que possui em entrada estreita, ao passo que o que se situa lá é um autêntico oceano, e a terra que o circunda de ponta a ponta poderia verdadeira e corretamente ser chamada de um continente. Ora, nessa ilha da Atlântida havia uma confederação de reis detentores de um grande e extraordinário poder, que era soberano não só em toda a ilha, como também em diversas das outras ilhas e em partes do continente; além disso, esse seu poder alcançava inclusive o interior do estreito, sobre a Líbia até o Egito, e sobre a Europa até a Tirrênia. Sucedeu desse poder congregado em um único bloco tentar em uma certa oportunidade submeter mediante um só ataque violento tanto o teu país, o nosso, quanto a totalidade do território do estreito. Foi então, Solon, que o poder de teu Estado se fez visível, através da virtude e força, para todo o mundo, pois se destacou, sobremaneira, entre todos por seu ardor e poder em todas as artes bélicas; e, atuando em parte como líder dos gregos, em parte tendo que combater sozinho, quando foi abandonado por todos os aliados, depois de afrontar os perigos mais extremos e letais, derrotou os invasores, podendo erigir o seu monumento da vitória. A consequência disso foi ter salvado da escravidão todos aqueles que jamais antes a haviam experimentado, e todo o restante de nós, habitantes dentro dos limites de Heracles, o teu Estado não relutou em nobremente libertar.

Contudo, posteriormente ocorreram violentíssimos terremotos e dilúvios… e um dia e uma noite terríveis sobrevieram, quando todo o contingente de teus guerreiros foi tragado pela terra, e a ilha da Atlântida, de maneira semelhante, foi engolida pelo mar e desapareceu. Em decorrência disso, naquela região o oceano se tornou, inclusive, não navegável e inexplorável, o que se explica por ter sido obstruído por uma camada de lama e uma profundidade rasa, a qual foi formada pela ilha à medida que afundou”.

Acabaste de ouvir, Sócrates, em uma versão bastante concisa, a história que relatou o velho Crítias do que ouvira de Solon…

Tendo sido esse o propósito de tudo que venho afirmando, Sócrates, estou pronto agora para narrar a minha história, não apenas em uma versão concisa, mas com todos os detalhes, tal como a ouvi. Transportaremos para o domínio do fato o Estado e os seus cidadãos que para nós descreveste ontem como se fosse uma fábula. Na realidade, suporemos que esse Estado corresponde ao nosso antigo Estado e diremos que os cidadãos por ti imaginados são, não verdade, os nossos próprios ancestrais, aos que se referiu o sacerdote. A correspondência entre eles se revelará em todos os aspectos e o nosso canto não será desafinado se asseverarmos que os cidadãos de teu Estado são os próprios homens que viveram naquela era.

… O resultado dessa forma de pensar e da preservação de sua natureza divina foi toda a sua riqueza crescer até atingir a grandeza que indicamos anteriormente. Quando, porém, a porção da divindade neles encerrada principiou a se enfraquecer devido à mistura frequente com uma grande medida de mortalidade, ao mesmo tempo que a natureza humana gradualmente ganhava ascendência, então finalmente eles se viram destituídos de sua decência ao se tornarem incapazes de suportar o fardo de suas posses, e, aos olhos daquele que possui o dom da visão, tornaram-se disformes; de fato, haviam perdido a mais bela de suas posses procedente da mais preciosa de suas partes; todavia, aos olhos dos que não possuem o dom da percepção do que é a vida verdadeiramente venturosa, foi quando, sobretudo, pareceram ser supremamente belos e abençoados, repletos como estavam de um desejo ilícito por posses e por poder. Mas Zeus, o deus dos deuses, aquele que reina pela lei, posto que possui o dom de perceber tais situações com clareza, observou essa nobre raça se espojando nesse estado abjeto e desejou castigá-la com o objetivo de a tornar mais cuidadosa e harmoniosa. Assim, convocou e reuniu todos os deuses em sua morada, aquela a que honram maximamente, pois situada no centro do Universo, e contemplou todas as coisas que participam do vir a ser; e os tendo reunido, assim ele falou…

E assim termina o diálogo de Crítias, sem que Platão jamais chegasse a continuar a frase, no que deixou esses escritos parados e dado início a escrever As Leis. No entanto, não procede o fato de que o restante do diálogo tenha sido perdido, como alguns estudiosos chegaram a supor, pois o fato é que simplesmente não foi continuado. Por quê?  É de se supor que Platão não tinha todas as informações necessárias para continuar com o diálogo, pois nem sequer ele tinha conhecimento sobre as Grandes Eras, as quais regulam a evolução humana nesta nossa última e definitiva civilização, como veremos no tópico seguinte em maiores detalhes, quanto mais os motivos que desencadearam as extinções das diversas civilizações que existiram no passado.

Em conformidade com o diálogo, os seres humanos eram destruídos de tempos em tempos por catástrofes da natureza, ora através do fogo, ora através da água. Que a oito mil anos atrás teria nascido o povo ateniense, e que somente cem anos depois é que foram criados os saítas, portanto, os egípcios tinham vindo depois. Mas como explicar que os gregos tivessem menos tradição do que os egípcios? A resposta é que a grande catástrofe que submergiu a Atlântida destruiu os antigos atenienses, mas não afetou a terra dos Faraós, por isso no Egito estavam as fontes da história dos gregos.

Assim, quando o elemento humano sublevou o outro, impotentes para suportar a prosperidade, degeneraram. Os que percebiam isso, também compreenderam que se tinham tornado maus e perdido o mais precioso dos bens. E os que eram incapazes de perceber o que torna a vida na verdade feliz, julgavam que tinham atingido o ápice da virtude e da felicidade, no tempo em que os devorara a paixão de aumentar a riqueza e o poder, tais como os sacerdotes, os empresários e os políticos dos tempos atuais, assim como outros da mesma estirpe.

A Atlântida e o passado inglorioso das várias civilizações que fracassaram no contexto da evolução humana, deve se constituir em uma prova incontestável de que se faz valer a lei da evolução acima de tudo e de todos, que somente através de um estudo profundo no pensamento saperológico, tendo como fonte o sentimento veritológico, pode resolver o problema.

Não é recomendável procurar a Atlântida no fundo do oceano ou no golfo de Cádis, pois ela nunca será achada, já que é obra do Astral Superior, que agiu sobre o planeta Terra com vistas à emersão de uma nova civilização, após o astral inferior haver destruído a essa civilização, para que não houvesse mais perda de tempo na evolução dos seres humanos.

Devemos nos lembrar de que Platão afirmou de que houve e continuará havendo múltiplas e diversas destruições da nossa humanidade, mais propriamente das civilizações que decaíram para um estado de degradação, das quais as maiores são pela ação do fogo e da água, enquanto as menores são através de outros meios incontáveis. Por aqui já se pode compreender a razão pela qual Jeová, o deus bíblico, quer destruir a nossa humanidade através do fogo, como já foi dito reiteradas vezes em outros tópicos anteriores.

Mas de que maneira se inicia todo o processo civilizatório novamente? O próprio Platão nos responde, quando afirma a eclosão de colossais incêndios recorrentes a longos intervalos, em que nessas ocasiões todos os habitantes das montanhas e das regiões elevadas e secas perecem mais do que os que habitam nas proximidades dos rios e do mar; por outro lado, quando eclodem os dilúvios, todos os habitantes que se encontram nas montanhas são salvos, enquanto que aqueles que vivem nas cidades são colhidos pelos rios e lançados ao mar.

Por isso, aqueles que se esforçam inutilmente em busca de provas não estão atentando para o que de mais valioso e profundo existe naquilo que Platão nos legou, que é justamente a busca da verdade, a fonte da sabedoria, as quais unidas e irmanadas nos fazem chegar à razão, que no futuro deverá proporcionar aos seres humanos na Terra a formação de um Estado Mundial, que é o Estado Ideal para esta nossa última e definitiva civilização, uma vez que todos os seres humanos já estarão esclarecidos acerca da espiritualidade, com os segredos da vida e os enigmas do Universo estando desvendados pelo Racionalismo Cristão.

Perdidos nos labirintos formados pela inexistência de provas materiais acerca da existência da Atlântida, uma vez que o seu desaparecimento foi obra do Astral Superior, alguns estudiosos do assunto disputam acirradamente se a afirmativa de Platão é proveniente das memórias de eventos antigos, como a erupção de Thera ou a Guerra de Troia, enquanto outros insistem que ele teve inspiração em acontecimentos contemporâneos, como a destruição de Heliqueen, em 373 a.C, ou mesmo a fracassada invasão ateniense da Sicília, em 415 a.C.

A existência da Atlântida foi amplamente discutida por toda a antiguidade clássica, no entanto ela é geralmente rejeitada e até parodiada por autores atuais, que ignoram a grandeza de Platão e não atentam para o preceito da evolução. Mas, apesar disso, Alan Cameron afirma o seguinte:

Só nos tempos modernos é que as pessoas começaram a levar a sério a história da Atlântida; pois ninguém o fez na antiguidade”.

Embora seja pouco conhecida durante a Idade Média, a história da Atlântida foi redescoberta pelos humanistas na Idade Moderna, pois a descrição de Platão inspirou trabalhos de vários escritores da Renascença, como Francis Bacon, em sua obra Nova Atlântida. E a Atlântida ainda inspira a literatura, a ficção científica, o cinema e até os gibis, pois o seu nome se tornou uma referência para toda e qualquer suposição sobre as avançadas civilizações que existiram no passado, que foram extintas e obliteradas da face da Terra.

Por ignorarem as existências do astral inferior e do Astral Superior, muitos estudiosos formularam hipóteses acerca do desaparecimento da Atlântida, considerando a ocorrência de um desastre natural, saindo da linha de raciocínio acertada de Platão, através da qual os atlantes foram extintos pelo astral inferior e de que ela desapareceu em face das ações exercidas pelo Astral Superior. Segundo Roger Paranhos, em sua obra Akhenaton – A Revolução Espiritual do Antigo Egito, o continente da Atlântida foi destruído por um cometa, sendo tal hipótese corroborada por outra, a qual diz respeito ao Cometa Clóvis, em que uma explosão aérea ou um impacto de um ou mais objetos do espaço sobre a Terra, ocorrido entre 13.000 e 11.000 anos atrás, desencadeou um período glacial conhecido por Dryas Recente e possa ter atingido o continente perdido e o submergido.

Muitos acreditam que os atlantes teriam sido vítimas das suas ambições de conquistar o mundo, acabando por serem dizimados pelos atenienses, o que não procede, pois tanto a Grécia, incluindo o macedônico Alexandre, o Grande, como Roma, praticamente conquistaram o mundo, e não foram dizimados por nenhum povo. Outros acreditam em uma versão completamente diferente, idealizada por Diodoro da Sicília, segundo a qual os atlantes seriam vizinhos dos líbios e teriam sido atacados e destruídos pelas amazonas. Mais uma versão especula que o povo que habitava a Atlântida era muito mais evoluído que os outros povos da época e, ao prever a destruição iminente, teria emigrado para a África, sendo os antigos egípcios descendentes dos atlantes.

A Atlântida se tornou um mito e se incorporou na cultura popular do século XX, tornando-se uma lenda e ensejando mil e uma fantasias que povoaram os filmes, as histórias em quadrinhos e os desenhos animados, que a retratam como sendo uma cidade submersa, povoada por sereias e outros tipos de seres subaquáticos.

Fora isso tudo, o assunto acerca da existência ou não da Atlântida tem originado as mais diferentes interpretações provenientes da imaginação humana, das mais céticas às mais fantasiosas. Senão vejamos:

A primeira interpretação diz respeito aos autores mais céticos, pois segundo eles se trata de uma metáfora — figura de retórica em que, neste caso, tem a conotação de não se poder admitir a existência da Atlântida pelo fato dela não corresponder a uma realidade que seja considerada como procedente, e que só por analogia se pode admitir a esta realidade — referente a uma catástrofe global, que pode ser identificada ou não com o dilúvio, que teria sido assimilada pelas tradições orais de diversos povos e configurada segundo as suas particularidades culturais próprias. Consideram também que a narrativa se insere em uma data da mitologia que pretendia explicar as transformações geográficas e geológicas devidas às transgressões marinhas.

A segunda interpretação é defendida pelo brasileiro Arysio Nunes dos Santos, segundo a qual a Atlântida seria nada mais do que o nome grego para uma civilização ancestral, que teria sido descrita com diferentes nomes nas mais diversas culturas. Para Arysio Nunes dos Santos, a Atlântida supostamente real ficaria na Indonésia, em que diversos povos do mundo, como os gregos, os egípcios, os hindus e mesmo os índios tupis, seriam descendentes dos atlantes. Ainda, segundo esta interpretação, diversas descobertas científicas como a criação do alfabeto, das técnicas agrícolas, da pecuária e do cavalo seriam herdadas dos atlantes.

A terceira interpretação é oriunda de alguns pesquisadores que supõem que a Atlântida, nome derivado do titã Atlas, é uma releitura grega da antiga cidade, também extinta, de Tântalis, nome derivado do rei de Sípilo, Tântalo. Assim, a lenda de Tântalo seria essencialmente a mesma de Tântalis, sendo Tântalo uma releitura lídia — a Lídia era o nome de uma região na porção ocidental da antiga Ásia Menor — de Atlas. A Atlântida, então, segunda esta versão, nada mais seria que a versão grega da antiga capital da Lídia, Tântalis, conhecida também como Sípilo, de Sipylus, que se localizava nas terras de Arzawa, situada na costa ocidental da Anatólia. Segundo escritos antigos e autores clássicos, a cidade antiga de Tântalis sucumbiu devido a um grande terremoto que despedaçou o monte Sipylus, afundando, após isso, nas águas que brotaram de Yarikkaya, uma ravina profunda, transformando-se no lago Saloe. Durante o século XX, o lago Saloe, último vestígio de Tântalis, foi esvaziado sem cerimônia para abrir mais espaço para a agricultura.

A quarta interpretação remonta à década de 1960, quando o professor Charles Hapgood, tentando entender como ocorreram as eras glaciais, propôs uma hipótese de que o gelo que se acumula nas calotas polares provocaria um peso suficiente para que o polo terrestre se deslocasse sobre a superfície da Terra, carregando outro continente para o polo e causando uma era glacial nesse lugar. Segundo esta hipótese, uma parte dos Estados Unidos da América já teria se tornado o polo norte e a Antártida já teria se localizado mais acima no Oceano Atlântico, entre a Argentina e a África.

Valendo-se desta quarta interpretação, o polêmico jornalista britânico Graham Hancock propôs que o continente perdido da Atlântida seria nada mais do que a Antártida antes do último período glacial, quando estaria mais alta, no Oceano Atlântico, e as cidades atlântidas, por sua vez, estariam embaixo de grossa camada de gelo, tornando impossível a sua investigação arqueológica. Esta hipótese seria ainda confirmada por um mapa, o Mapa dos Antigos Reis dos Mares, elaborado por Piri Reis, no século XVI, baseado em mapas antigos, que mostra um estranho formato para a América do Sul, que seria não a América do Sul, mas sim a Antártida na sua localização não polar, com tal hipótese sendo aceita por alguns, porém não pelos estudiosos atuais. Estes afirmam que o peso dos polos não seria suficientemente grande para fazer mover os continentes na superfície da Terra, e, ainda, descobriram que o mapa de Piri Reis é realmente o mapa da América do Sul, porém, tendo como referência a cidade do Cairo, o que deu um formato diferente ao continente. E ainda fotos de satélites tiradas a partir da cidade do Cairo, comprovam que o formato da América do Sul, vista do Cairo, é como o mostrado no mapa. Outro problema encontrado com esse mapa é que sem o gelo a Antártida teria um formato diferente do que o mostrado, já que o nível da água subiria e deixaria aquele continente com várias ilhas.

Por fim, existem diversas correntes de estudiosos sobre onde se situaria a Atlântida e sobre quem seriam os seus habitantes, senão vejamos:

A hipótese que postula Atlântida, Lamúria e Mu como continentes perdidos, ocupados por diferentes raças humanas, ainda encontra bastante aceitação popular, sobretudo no meio esotérico, o que não se deve confundir com os antigos continentes que, de acordo com a teoria da tectônica de placas existiram durante a história geológica da Terra, como a Pangeia e o Sahul.

Alguns estudiosos sugerem que a Atlântida seria uma ilha sobre a Dorsal Oceânica, que no caso de não ser hoje parte dos Açores, da Madeira, das Canárias ou do Cabo Verde, teria sido destruída por movimentos bruscos da crosta terrestre naquele local. Esta corrente se baseia em supostas coincidências, como a construção de templos em forma de pirâmide na América, semelhantes às pirâmides do Egito, fato que poderia ser explicado com a existência de um povo no meio do oceano, que separa estas civilizações, suficientemente avançado, tecnologicamente, para navegar até a África e a América para disseminar os seus conhecimentos. Esta posição geográfica explicaria a ausência concreta de vestígios arqueológicos sobre este povo. No Google Earth se pode encontrar em 31°30’39.44” N 24°29’13.84” um esqueleto que se supõe poderia ser a Atlântida a 700 km a sudoeste da Ilha da Madeira.

Imagens de satélite das ilhas de Santorini servem de base para a formação de uma corrente como um dos muitos locais cogitados como sendo a localização do extinto continente da Atlântida.

Alguns estudiosos das obras de Platão formulam uma hipótese de que o continente da Atlântida seria na realidade a própria América, e o seu povo culturalmente avançado e coberto de riquezas seria o povo Chavin, da Cordilheira dos Andes, ou os olmecas, da América Central, cujo uso de ouro e pedras preciosas é confirmado pelos registros arqueológicos. Terremotos comuns nestas regiões poderiam ter dado fim a estas culturas, ou pelo menos abalado de forma violenta por um período de tempo. Através de diversos estudos, alguns investigadores chegaram à conclusão de que Tiwanaku, localizada no planalto boliviano, seria a antiga Atlântida. Esta civilização teria existido de 17.000 a 12.000 a.C, em uma época em que a região era navegável. Foram encontrados portos de embarcações em Tiwanaku, faltando ainda escavar 97,5% do local.

Para alguns arqueólogos e historiadores, a Atlântida poderia ser uma mitificação da cultura minoica, que floresceu na ilha de Creta até ao final do século XVI a.C. Os ancestrais dos gregos, os micênicos, tiveram contato com essa civilização cultural e tecnologicamente muito avançada no início do seu desenvolvimento na península Balcânica. Os micênicos aprenderam com os minoicos a arquitetura, a navegação e o cultivo de oliveiras, elementos vitais da cultura helênica posterior. No entanto, dois fortes terremotos e maremotos no mar Egeu solaparam as cidades e os portos minoicos, desta maneira a civilização de Creta rapidamente desapareceu. Assim, eles consideram possível que as histórias sobre este povo tenham ganhado proporções míticas ao longo dos séculos, culminando com o conto de Platão.

Uma formulação considerada por alguns como sendo moderna da história da Atlântida e dos atlantes foi elaborada por Helena Petrovna Blavatsky, fundadora da Teosofia. Na sua principal obra intitulada de A Doutrina Secreta, a autora considera que descreve em detalhes a raça atlante, o seu continente e as suas culturas, religiões e ciências.

Existem ainda alguns cientistas que remetem a localização da Atlântida para um local sob a superfície da Antártica.

A localização mais recente foi sugerida pela imagem obtida com o Google Earth por um engenheiro aeronáutico e publicada no tabloide The Sun, mostrando contornos que poderão indicar a construção de edifícios em uma vasta extensão com dimensões comparáveis ao País de Gales e situada no Oceano Atlântico, em uma área conhecida como o abismo plano da Ilha da Madeira. Richard Freund, um arqueólogo da Universidade de Hartford, em Connecticut, diz que um tsunami inundou a antiga cidade. Apesar das suposições do engenheiro, a região se assemelha muito às considerações de Crítias sobre o Quadrilátero, pela sua grandeza e as suas ramificações. Há também uma pequena geometria circular à frente dessa gigantesca estrutura, dividida em quatro seções pelas ramificações que se cruzam, conforme as menções sobre os canais que envolviam a cidade, referidos no livro de Platão.

 

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