26- A EVOLUÇÃO

Prolegômenos
17 de setembro de 2018 Pamam

A palavra evolução é proveniente do latim evolutio. Ela representa o desenvolvimento gradual e progressivo dos seres, que são a essência de Deus, os quais vão adquirindo aos poucos a Força, a Energia e a Luz, que são as propriedades de Deus, para que nessa aquisição possam ser criados e desenvolvidos os órgãos mentais do criptoscópio, do intelecto e da consciência e os atributos individuais e relacionais que formam as suas qualidades intrínsecas, além de outros predicados, cuja evolução humana se encontra demonstrada por intermédio de um processo demonstrado nos vinte termos da evolução, constante do site pamam.com.br, em que a finalidade é se alcançar a onipotência, a onipresença e a onisciência. Pode-se constatar que aqui já se encontra todo o processo da evolução.

Sob outros aspectos que não os acima, o assunto relativo à evolução já foi devidamente abordado por vários estudiosos que pesquisaram e desenvolveram os seus conhecimentos e as suas experiências, mas nenhum deles chegou a concluir a existência das propriedades de Deus, por intermédio das quais os seres evoluem. No entanto, todas as conclusões a que chegaram são válidas e pertinentes, por isso vale aqui a reprodução dos seus sentimentos e dos seus pensamentos, para que assim a existência da evolução possa ser bem ratificada e, também, possam ser acrescentados maiores esclarecimentos.

Sócrates dizia que lhe parecia não poder se viver melhor que diligenciando se fazer tudo cada vez melhor, nem mais ditosamente que sentindo se tornar melhor. E isso é evolução!

Aristóteles distingue uma alma vegetativa, própria das plantas; uma alma sensitiva, própria dos animais; e uma alma racional, própria do ser humano, que reúne em si também as funções características das duas almas precedentes. Logicamente que ele desconhecia a gênese dos seres, em que a evolução começa a partir dos seres atômicos, mais propriamente a partir dos seres hidrogênios, daí partir direto para a alma vegetativa.

Heráclito, o Obscuro, não consegue encontrar nada estático no Universo, no espírito ou na alma. Nada é, tudo se transforma; condição alguma permanece inalterada, nem mesmo por um instante; tudo está constantemente deixando de ser o que era e se transformando no que virá a ser. A alteração da luta dos contrários cria a essência, a significação e a harmonia da vida e da mudança, os contrários em choque são os fios de tear da vida, que agem em sentidos opostos, tecendo a invisível unidade e a secreta harmonia do todo.

Abu-l-Hasan Ali al-Masudi, um árabe de Bagdá, viajou pela Síria, Palestina, Arábia, Zanzibar, Pérsia, Ásia Central, Índia e Ceilão. Afirmou mesmo que chegara até ao mar da China. Al-Masudi passou em revista a geografia, biologia, história, costumes, religião, ciência, saperologia e literatura de todas as terras, da China à França. Era o Plínio e o Heródoto do mundo muçulmano. Era um tanto cético em matéria de credos e seitas. No último ano de sua vida resumiu as suas opiniões sobre ciência, História e Saperologia, em uma obra intitulada de Livro de Informações, na qual sugeriu uma evolução “dos minerais às plantas, destas aos animais e dos animais ao ser humano”. Estes pontos de vista o colocaram em situação difícil em relação aos conservadores de Bagdá, pois foi forçado, como ele mesmo diz, “a deixar a cidade em que nasci e cresci”. Mudou para o Cairo, mas sentiu a separação. “Constitui característica do nosso tempo separar e dispersar tudo… Deus faz uma nação prosperar pelo amor do lar; é sinal de equidade moral ser afeiçoado ao local do nascimento; é um indício de linhagem nobre se desgostar da separação da lareira ancestral e do lar”, escreveu ele. Morreu no Cairo, em 956, após dez anos de exílio.

O que nos restou da biologia muçulmana do século IX, sendo esse período escasso, é o que nos legou Othman Amr al-Jahiz, desencarnado em 869, que propôs uma teoria da evolução como a de al-Masudi: a vida evoluíra “do mineral ao vegetal e deste ao animal e do animal ao ser humano”. O poeta místico Jalal ud-din aceitou a teoria e, simplesmente, acrescentou que, se isso aconteceu no passado, então na próxima fase os homens se tornarão anjos — o que se nota o afetamento do sobrenaturalismo no poeta — e depois, finalmente, Deus.

Tomás de Aquino também afirma a existência de uma alma nas plantas, a alma vegetativa, que se alimenta, cresce e se reproduz; e nos animais, a alma sensitiva, que mais do que a alma vegetativa, sente e se move; e a alma racional, que diz respeito ao ser humano. Que o corpo não pode existir sem a alma.

Buchner, em sua obra Força e Matéria, publicada em 1885, cinco anos antes dos trabalhos publicados por Darwin, com uma coragem impressionante, que lhe atraiu de todos os recantos do mundo os mais violentos ataques, afirmou que aqueles que raciocinam com mais profundidade já quase não duvidam mais hoje em dia de que o ser humano descende dos animais irracionais.

Farias Brito afirma que a forma ancestral primitiva resultou da matéria inorgânica, para isto foi necessário apenas que a Terra chegasse a certas e determinadas condições de sua evolução cosmogônica. Que a condição natural do espírito é a união com Deus, daí o esforço para se libertar do corpo, o que equivale a dizer, para se aproximar de Deus; e esta libertação é a mais nobre aspiração do homem, nisto precisamente constituiu a missão de Jesus, o Cristo, e é deste modo, ao mesmo tempo e nas mesmas condições, que a Saperologia se resolve na verdadeira religião, e que também a verdadeira religião se resolve historicamente no autêntico cristianismo, o qual, deve-se acrescentar, deve ser racionalista.

Farias Brito também afirma que Descartes fazia da alma privilégio exclusivo do ser humano. Que segundo Descartes só o ser humano tem alma, e todas as outras coisas são inertes, mesmo os animais. Que vem Spinoza e diz que todo o corpo tem alma, mas que isso não rebaixa a natureza humana, porquanto se é certo, por um lado, que todo o corpo tem alma, também é certo, por outro lado, que os corpos formam uma escala crescente de complicação e perfeição, em sua composição, daí as inúmeras distinções, daí uma escala ascendente de perfeição para a alma, desde a alma grosseira dos mais simples agregados materiais, até a alma do ser humano, que tenta desvendar os segredos da natureza e decifrar os enigmas do mundo.

Farias Brito ainda afirma que a evolução é a palavra mágica que tudo explica, pois na lei da evolução está a decifração do enigma do mundo. Que como em evolução tudo se explica, em evolução tudo se resolve, desde a queda dos corpos até as mais altas operações do espírito.

E novamente vem Farias Brito afirmar que, estudando a lei da evolução, Spencer submete a exame todas as formas da existência, desde a nebulosa que se condensa para dar lugar à formação dos mundos que giram no espaço, até as manifestações superiores da vida moral e psíquica, olvidando assim da ética, desde a pedra que cai até o espírito que tenta explicar a gênese do mundo. Que no planeta as forças inorgânicas, olvidando agora da energia, transformam-se em organismos, que tudo isto é difícil de explicar e ainda mais de provar, porém, em todo caso, compreende-se que a força, olvidando novamente da energia, transforme-se em consciência, forme-se o sentimento e o pensamento, a vida psíquica. Que Spencer, porém, não recua ante nenhuma consequência, sabendo levar até o fim o seu princípio, dizendo que muitas pessoas não o ouvirão sem espanto afirmar que as forças ditas mentais, olvidando ainda da energia, entram na mesma generalização, entretanto não é possível a isto escapar. Que Spencer não precisa a ideia de que as mesmas formas se hão de reproduzir, de que os mesmos tipos se repetirão, apenas explica que à evolução sucede a dissolução, e que, por esta, os diferentes elementos do cosmo voltarão ao estado primitivo, mas não diz que a evolução seguirá a mesma marcha, que cada nebulosa formará o mesmo mundo; antes parece mais em harmonia com os seus princípios que a natureza se decomponha em uma variedade infinita de mundos, podendo haver nos mundos que se sucedem todas as combinações imagináveis. Que assim é para supor que cada sistema, dissolvendo-se, entre em combinação com outros elementos espalhados no cosmos, ao mesmo tempo em que grande parte de seus elementos próprios poderão entrar em combinação com sistemas estranhos, verificando-se assim uma espécie de circulação perpétua na substância cósmica, em toda a extensão do espaço infinito. E que, deste modo, não haverá repetição, mas reprodução de mundos que se sucederão indefinidamente, permanecendo no Todo a mesma quantidade de força, e de energia, deve-se acrescentar, desenvolvendo-se em uma infinita variedade de combinações.

Por fim, vem Farias Brito afirmar que a questão da criação, no dizer de Haeckel, é o maior e o mais difícil entre todos os enigmas, mas que tudo, porém, pode-se resolver muito facilmente e quase que se pode dizer, por uma simples penada, uma vez adotada a fórmula da evolução, que é a chave para a solução do problema, pois tudo se forma e tudo se deve explicar por intermédio da evolução, de onde se explica também a variedade das coisas, ao que diz ser simples, lógico e racional, só restando admirar que se tenha levado tanto tempo para se chegar ao conhecimento de algo tão claro, resultando daí uma nova arte, uma nova religião, a religião verdadeira, a que está sendo agora revelada em sua natureza pelo Racionalismo Cristão.

Huberto Rohden diz que não nega que os animais irracionais possuam algo parecido com a Inteligência humana, no seu estágio evolutivo inferior, que os cães, cavalos, símios, elefantes e outros animais, podem “aprender” algo surpreendente, sob a direção do ser humano, mas quando deixados a si mesmos, não continuam a aperfeiçoar tais habilidades, pelo contrário, recaem invariavelmente ao nível primitivo, o que prova que aquilo que o ser humano lhes ensinou artificialmente não lhes era conatural, não encontrou base em uma faculdade preexistente e latente na natureza desses animais, mas que não passava de um elemento alheio e heterogêneo adicionado de fora e não nascido de dentro.

Huberto Rohden diz também que a única realidade de Deus e do mundo divino era, e continua a ser, de suprema importância para uma humanidade em evolução que, em sua imensa maioria, considera o mundo físico-mental como o único mundo real. A conversão de um materialista à verdade integral só pode ser feita por etapas, passo a passo, e o primeiro passo consiste em se convencer da realidade do mundo espiritual e da irrealidade do mundo material. Só mais tarde, muito mais tarde, quando o materialista, ou ex-materialista, estiver plenamente identificado com essa primeira etapa evolutiva, é que ele pode arriscar mais um passo, pode saber que o mundo material não é, a bem dizer, um puro nada e uma irrealidade absoluta, como lhe fez crer o asceta semiespiritual, mas que este mundo material possui uma realidade relativa, derivada, emprestada, heterônima.

Will Durant diz que até certo ponto o materialista tem razão, o que ele quer, na exaltação da matéria, é expressar a sua fé que não há ruptura de continuidade no desenvolvimento. Saperólogos descendem dos macacos, macacos descendem de protozoários, protozoários derivam de substâncias inorgânicas, e estas saem dos mais simples átomos. Mas que só podemos crer nisto se admitindo que compondo a matéria julgada inerte exista um princípio de vida, um poder que compete à evolução.

Will Durant diz também que a sensibilidade cresce com a mobilidade. Que as plantas, como têm o poder de transformar a matéria inorgânica em alimento, não se movem, exceto verticalmente com a penetração das raízes e a projeção dos troncos, mas pagam esta simplicidade de vida com o sacrifício de muito de seu poder de reação direta. Que as plantas que se movem viram animais, e nelas se desenvolve esse mágico e doloroso órgão da aventura e do controle, denominado de sistema nervoso. Que nos seres mais inferiores, não existe sistema nervoso; a sensibilidade ou a irritabilidade, como certos biologistas nervosos querem, está generalizada, aparecendo imparcialmente em todos os tecidos do organismo. Que nestes degraus mais baixos da escala, certa especialização se inicia no volvox e em outros protozoários gregários, as células externas mostram uma irritabilidade especial, enquanto as células internas, ou reprodutoras, permanecem indiferentes aos estímulos de fora. Que se passarmos a um grau acima na escala, a especialização da sensibilidade aumenta; na actínia, ou urtiga do mar, certas células nervosas, projetadas da periferia do organismo, ligam-se por meio de uma rede de nervos circulante pela aba da “umbela”; a especialização diferencia aqui as células nervosas em duas classes: “órgãos térmicos” sensíveis e tecido condutor neural. Que isto constitui a primeira aparição de um sistema nervoso, o instrumento potencial do espírito.

E continua dizendo que nos platelmintos, grupo de vermes, duas das células nervosas são maiores que as outras e servem como gânglio central, ou cérebro das outras células do sistema, achando que a localização desse gânglio perto da boca dá origem à cabeça, e que a cabeça se desenvolve para proteger a boca, assim como o corpo se desenvolve ao redor do estômago para proteger e ajudar no processo de digestão. Que na minhoca a linha-nervo apresenta um nódulo em cada segmento do corpo, e deste estágio até ao ser humano o sistema nervoso é segmentado, isto é, dividido em gânglios correspondentes às vértebras da espinha dorsal. Que na minhoca há independência entre os gânglios, de modo que um pedaço de minhoca reage do mesmo modo que o verme inteiro. Que com o crescer da complexidade estrutural e funcional das espécies mais elevadas na escala evolutiva, a necessidade de conexão e coordenação também cresce, e embora os gânglios espinais continuem a servir como centros para reflexos locais, o número de fibras que passam destes centros para os gânglios cerebrais localizados na cabeça aumenta, e um sistema nervoso central aparece, capaz de sentir e governar o corpo. E, olvidando da energia, arremata indagando: se não fosse a vida uma força atuante e remodeladora, como haveria evolução?

Bose espantou a Sociedade Inglesa Para o Fomento da Ciência, demonstrando aos seus membros a minuciosa semelhança entre o sistema circulatório da planta e do ser humano, e a suscetibilidade da seiva aos estimulantes e venenos. Já Edward Tangl descobriu na planta delicados fios de protoplasma de célula a célula, análogo às fibrilas nervosas dos animais.

Adísia de Sá, uma jornalista cearense, bastante letrada, afirma que a Terra, outrora considerada o centro do Universo, sabe-se hoje que não passa de um planeta entre inúmeros outros existentes. Que o ser humano, tido como supremo ser da criação, é apenas um elemento de um grande processo evolutivo, um descendente de espécie inferior, parente de tudo quanto existe.

R. Jolivet diz que o primeiro princípio da evolução, inicialmente, é a ideia ou forma, que é o ser vivo, com todas as potências de transformação que se incluem nesta ideia ou forma. Os fatores externos, mecânicos químicos, intervêm de maneira mais ou menos eficaz como condições determinantes da potência evolutiva.

Referindo-se diretamente à evolução espiritual, Luiz de Souza diz que caso a evolução se processasse isoladamente, tendo em vista apenas o indivíduo, seria admissível deixá-lo para trás a se unir com outros também tardios, mas o caso é que a evolução se faz por grandes grupos, em que os mais adiantados precisam zelar pela evolução dos mais atrasados do seu grupo, dentro de certo limite de tolerância. Que ultrapassado este limite, o que se dá, realmente, é a transferência do renitente retrógrado para outro grupo mais atrasado, em épocas próprias. Que os que dão à consagração dos seus propósitos um sentido real e puro, evidentemente estão marchando na vanguarda do espiritualismo.

Luiz de Souza diz também que a evolução é processada por camadas humanas, tornando-se necessário que os integrantes menos cuidadosos de cada camada se apresentem no sentido do desenvolvimento espiritual, para não terem os mais aplicados de esperar, embora em meio ameno, pelo progresso dos retardatários, até o ponto de serem estes banidos e descerem os pirrônicos, caso a outra camada de menor evolução não se esforce por acompanhar aos demais de sua classe. Que os maledicentes guardem este aviso, na certeza de que todas as ações dos seres humanos não escapam à percepção espiritual e quem mal faz para si o faz.

Luiz de Souza diz ainda que o símbolo da evolução é uma espiral que nasce de um ponto, que é o ponto de deslocamento do ser da Fonte Original, e se desenvolve em curvas que se abrem, à medida que se elevam, ganhando em altitude e latitude, até atingir a cota final. Que em face desse sistema instituído pela Grandeza Total, é que na vida, como lei, todos obedecem ao princípio inviolável da renovação constante, pois se a evolução está sempre em marcha, logicamente a posição de hoje há de ser a que se seguiu à ocupada ontem. Entendendo-se que esse “hoje” e “ontem” não se referem ao limitado lapso de vinte e quatro horas.

E quase sem esgotar o seu repertório, vem Luiz de Souza dizer que a vida material encerra, na realidade, um forte poder de ilusão. Que a energia vital que o espírito transmite ao corpo material faz com que se tenha a impressão de que este seja realmente o próprio ser humano. Que nessa imagem é que se aloja a ilusão que inspira a romaria aos cemitérios. Que os romeiros do dia de finados são seres humanos embalados pelos sonhos da ilusão. Que o ser humano, na sua primeira fase evolutiva, passa por esse crivo das ilusões, e só pode se libertar, definitivamente, do engodo, quando estiver apto a seguir, na sua marcha ascendente, pelo caminho da espiritualidade. Que, antes disso, qualquer explicação mais avançada lhe parece absurda, e prefere ficar com as suas ilusões. Que também ocorre que no estado primário da evolução, o ser humano, geralmente, é bastante pretensioso e pensa que sabe muito, não sendo de boa prática, por isso, levar-se o conhecimento real das coisas, abertamente, aos que não estão preparados para recebê-lo, para evitar situações desconcertantes.

Por fim, vem Luiz de Souza dizer que bem racionalmente compreendidas as leis da evolução, chega-se à conclusão de que os seres humanos, na marcha da vida, tendem, forçosamente, a se aproximar uns dos outros, porque a meta é a união total. Que as desigualdades desaparecerão com a evolução, por serem, como são, condições passageiras, de características primárias, que terão de fenecer. E que assim se chega ao resultado de que o ser humano, quanto mais evolui, mais se livra das normas divergentes, dos obstáculos divisórios e das separações inibidoras.

O Dr. Pinheiro Guedes afirma que a evolução da alma humana em uma encarnação termina com a volta do espírito humano para Deus, do qual é uma partícula em ação neste e em outros planetas, porque o ser parcelado parte de um ponto e volta a esse mesmo ponto, para Deus.

Felino Alves de Jesus diz que vários saperólogos escritores tenham, talvez muito tempo antes de Darwin, tentado demonstrar a doutrina de provirem as espécies superiores de seres orgânicos de espécies inferiores, não tendo dúvida de que foi ele quem apresentou, realmente, uma solução que calou no espírito de muitos sábios a respeito da matéria. Que em seus livros Darwin procurou, com notável originalidade, demonstrar que os seres orgânicos, sob a ação de várias leis e princípios, foram sujeitos, lenta e paulatinamente, desde a sua fase primordial, e talvez durante milhares e milhares de séculos, a modificações sucessivas, transformando-se de umas espécies em outras. E que o próprio ser humano passou por todas essas transformações, segundo o que expõe Darwin em seu livro Descendência do Homem e a Seleção da Espécie.

Felino Alves de Jesus diz também que Haeckel, em sua obra Antropologia e História da Criação Natural, aceitando e defendendo a doutrina de Darwin, estabeleceu a teoria do transformismo monístico, ou da unidade da obra da natureza, que se referindo à gênese do ser humano chegou à conclusão de que o estado unicelular, pelo qual este começa a vida individual, permite-lhe afirmar serem os mais antigos antepassados da nossa humanidade e do reino animal, procedentes de simples células. Entretanto, indaga: como surgiram essas células no começo do mundo orgânico? Eis-nos, pois, chegados ao protoplasma, origem das moneras, diz Haeckel.

Antônio Cottas diz que as “crianças gênios” hão de surgir sempre, pois são espíritos de certa evolução e que não tendo cumprido os seus deveres, reencarnaram, trazendo bagagem espiritual proveitosa, que por vezes os pais não estão preparados para receberem esses gênios, e concorrem para o seu avassalamento.

Antônio Cottas diz também que a vida construtiva, sadia, evolucionária, não se funda em aparências, mas na realidade do que somos, sentimos e pensamos, e o princípio fundamental do aperfeiçoamento humano está no respeito próprio e não no alheio.

Olga B. C. de Almeida afirma que se a evolução cultural do homem, ou, mais particularmente, técnica, faz-se em ritmo cada vez mais acelerado, o mesmo não sucede com a sua evolução biológica, como também com a evolução moral.

José Amorim diz que se fala muito em evolução das espécies, mas somente dentro do sentido material. No entanto, esse fenômeno natural da vida se dá graças à programação que lentamente se vai estabelecendo no campo energético, forçando, assim, o surgimento de novas formas para atender a novas necessidades criadas ou programadas. Que sem o fator “vontade”, já potencializada na força, acrescente-se a energia, iniciantes, aquela que aciona ainda um átomo, jamais uma espécie poderia ensejar o surgimento de outra.

José Amorim diz também que a nossa imaginação vai delineando o processo que conduziu uma espécie a outra, até o aparecimento do ser humano, pois não pode existir forma alguma no plano material que não tenha a sua matriz no plano astral, na forma energética, que esse outro agente, como diz o Dr. Pinheiro Guedes, é o perispírito, parte do fluido universal selecionado e pertencente a cada esfera ou mundo, e por via do qual o espírito se incorpora, consubstancia-se órgão por órgão, molécula a molécula, com seu corpo material, a cuja organização, a cuja constituição e feitura ele assiste e preside, semelhante ao pedreiro que amassa o barro, prepara a argamassa, escolhe e afeiçoa o material com que faz o muro e constrói o edifício.

José Amorim diz ainda, trocando aqui a expressão força, utilizada pelo autor, pela expressão ser, que todo o ser, mesmo aquele que aciona um átomo, é impulsionado para frente, sempre para frente. Que o impulso no ser mais elementar, deve corresponder a um anseio, parecendo que assim como no plano material há troca de células proporcionada pela alimentação, no corpo fluídico, mesmo no ser mais elementar, deve haver também troca de elementos fluídicos, determinada essa troca pelo anseio, que é a polarização, que atrai as correntes ou os elementos afins contidos nas forças, e energias, acrescente-se, cósmicas, cujo toque aumenta o poder da memória retentiva, e a memória retentiva aumentada favorece à evolução, que se processa com a formação pela força e energia de novo receptáculo, que esteja agora em conformidade com as novas necessidades, pois é em virtude da necessidade, sempre em crescimento no corpo fluídico, que as espécies vão gerando novas formas, melhor adaptadas às condições evolutivas. Que o processo de evolução, então, deve ser procurado no corpo fluídico, onde o anseio estabelece a troca de elementos fluídicos, cria a força e a energia correspondentes à necessidade renovada e aumentada, que se reflete no corpo gerado. Que assim viemos dos corpúsculos ao mamífero, surgindo o reino animal, com a sua grandiosa variedade de espécies, formando a parte mais fina do laboratório por onde o ser se depura e emerge à luz do raciocínio, que caracteriza o ser humano.

Os autores Nilton Figueiredo de Almeida e Célia Caccavo F. de Almeida, afirmando que a natureza não dá saltos e que a evolução é paulatina, revelam que existia até pouco tempo, no antigo Congo Belga, uma tribo de seres humanos semisselvagens, cuja coluna vertebral se prolongava por mais ou menos 25 centímetros, evidenciando assim a remanescência de cauda animal. E que também a própria forma do ser humano moderno difere muito da dos seus ancestrais, na medida em que o próprio planeta foi se implantando.

Fernando Faria afirma que o homem encarnado surgiu neste mundo como resultado da evolução dos animais que o precederam.

Não existe a mínima sombra de dúvida que o ser humano provém das espécies inferiores mais ínfimas, mais propriamente do átomo. No site pamam.com.br, encontra-se devidamente demonstrada toda a formação da matéria, em que os seres saltam da Essência do Ser Total e passam a adquirir os seus corpos fluídicos, por intermédio da aquisição das Propriedades do Ser Total, inicialmente apenas através das propriedades da Força e da Energia, principiando a configurar o criptoscópio e o intelecto, em seus aspectos extremamente rudimentares, com a formação dos primeiros elementos da natureza.

A partir daí, a evolução começa a se processar normalmente, com os seres atômicos se tornando cada vez mais complexos, diversificando-se conforme demonstra a tabela periódica, quando então passam a formar os diversos seres moleculares componentes da matéria inorgânica. O próximo passo então passa a ser a formação da matéria orgânica. Formada a matéria orgânica, cria-se a condição ideal para que se possam surgir no cenário da evolução os primeiros seres celulares. Os seres celulares que absorveram e assimilaram o ferro dão origem ao reino vegetal, quando dão nascimento às algas, ponto de partida, tronco de onde saíram todas as plantas, que hoje se estendem em uma variedade incomensurável por sobre a Terra, envolvendo-a em um manto de verdura. Os seres celulares que não absorveram e não assimilaram o ferro passam a formar uma pequena porção de matéria glutinosa, um glomérulo: amibo, citode, monera; que empregando os processos mais simples, formam e fazem vir à tona outros tipos de seres ainda mais complexos, como os seres orgânicos e os seres aparelhantes, os quais possibilitam as condições apropriadas para a formação de todos os tipos de corpos materiais dos animais. É para isso que se esforça e trabalha a natureza, por intermédio das propriedades da Força e da Energia, porque a essência, o ser, deve reunir as condições de existência para o poder e para a ação, tanto para perceber e captar como para compreender e criar.

Quando os seres, em sua evolução, já assumiram todos os tipos de forma animal, torna-se evidente que eles também já desenvolveram os seus órgãos mentais denominados de criptoscópio e de intelecto em níveis adequados a essas categorias, adquirindo a todos os conhecimentos e a todas as experiências correspondentes à categoria animal irracional.

Assim, eles se encontram aptos a galgar um novo degrau na escala evolutiva, aptos, pois, ao desenvolvimento de um novo órgão mental, o qual se denomina de consciência, por intermédio do qual eles podem coordenar aos seus outros dois órgãos mentais: o criptoscópio e o intelecto; com a aquisição do raciocínio. Surge então o ser humano nos seus primórdios, em que um dos principais fatores que o caracterizam é o livre arbítrio.

Para quem detém um mínimo de raciocínio requerido para viver bem adaptado aos dias de hoje, pode facilmente constatar que a grande maioria dos animais irracionais se alimenta e repele os resíduos, ingere água e também repele as impurezas, pois possui o corpo material praticamente igual ao único animal racional, no caso o ser humano, pois todos têm em comum cabeça, tronco e membros, como um todo, além de cérebro, pelos, olhos, ouvidos e orelhas, nariz, boca, dentes, língua, pescoço, coração, pulmões, rins, fígado, intestino, pele, aparelhos digestivos e reprodutores, e tudo o mais que um ser considerado como sendo animal deve possuir em seu corpo material, inclusive com as reproduções das espécies se dando de forma exatamente igual, através da relação sexual e da gestação. A grosso modo apenas com uma grande diferença: a forma.

E digo a grosso modo porque o corpo material do animal irracional é extremamente rude e grosseiro, enquanto que o corpo material do animal racional nos dias de hoje é delicado e angelical, pelo menos em sua grande maioria, notadamente desenvolvido em relação ao cérebro. Além do mais, a formação da consciência com a aquisição do raciocínio possibilita ao ser humano poder formar o seu corpo de luz de maneira cada vez mais crescente, já que ele passou a adquirir cada vez mais parcelas da propriedade da Luz, quando então passou a receber a denominação de espírito.

É incrível como ainda existe nos dias de hoje seres humanos tão ignorantes, com mentes tão atrasadas, que não possam compreender o fantástico processo da evolução dos seres, em todo o esplendor da natureza!

Mas nem sempre os seres humanos foram assim.

No planeta Terra a história dos seres humanos começa com as primeiras manifestações da inteligência propriamente dita, através dos rudimentos do raciocínio humano, com a produção dos primeiros sentimentos e pensamentos, lá pelos tempos bem primitivos, quando os primeiros homens apareceram neste mundo, os quais aparentavam uma forma ainda muito rude e deveras grosseira, embora bem superior à forma dos irracionais, pois os seus corpos fluídicos, agora sendo também denominados de perispíritos, haviam acabado de receber uma grande transformação, ao permitir a encarnação como sendo animal racional, já que eles estavam principiando a adquirir os seus corpos de luz, como também principiando a adquirir o livre arbítrio.

Mas como surgiram neste mundo os primeiros animais racionais, quer dizer, os primeiros seres humanos?

É sabido que os animais irracionais vão ascendendo no grande e infalível processo que se chama evolução, em que os seus corpos fluídicos vão adquirindo cada vez mais parcelas das propriedades da Força e da Energia, ocorrendo, por conseguinte, as modificações das formas dos seus corpos materiais. Nos seus últimos estágios, eles alcançam a ordem dos primatas, quando então se encontram aptos a ascender ao ser humano, mas sem deixarem ainda de pertencer a esta ordem da cadeia animal.

Segundo a Zoologia, os primatas pertencem a uma ordem de mamíferos que compreende o homem e os animais irracionais que mais se lhe assemelham. No entanto, para alguns autores eles pertencem a uma série na classe dos mamíferos, que compreende animais caracterizados por patas pentadátilas, que têm cinco dedos ou cinco divisões em forma de dedo, polegar e indicadores livres, de ordinário oponíveis, dedos terminados por unhas chatas, testículos extra-abdominais e hábitos arborícolas. Como se pode constatar, somos ainda tão atrasados, que ainda possuímos patas, só que por serem mais evoluídas, por serem bem mais sofisticadas, convencionamos denominá-las de mãos e pés. No entanto, com o decorrer do tempo, iremos abandonar a essa classe animal, e ascender a outros corpos mais evoluídos, próprios ao estágio seguinte da evolução humana.

Assim, na qualidade de primata, o ser humano descende diretamente dos grandes macacos anatomicamente semelhantes a ele, tais como o chimpanzé, o orangotango, o gorila e o gibão, que por sua vez descendem de um ancestral ainda mais primitivo comum a todos eles, o qual já foi extinto. Tudo isso em inteira conformidade com a teoria evolucionista preconizada por Charles Darwin e por outros cientistas anteriores e posteriores ao grande autor da obra A Origem das Espécies, incluindo também os cientistas da atualidade.

Calcula-se que na evolução dos primatas, o ramo que posteriormente daria origem ao ser humano se tenha desmembrado do dos macacos há cerca de vinte e três milhões de anos, no período Neogeno, da era do Cenozoico, do éon Fanerozoico. No entanto, este tempo é apenas estimado, pois não se pode atualmente determinar com a máxima precisão quando realmente ocorreu o fato.

Segundo um artigo publicado no jornal A Razão, cujo autor vai me desculpar pelo fato de eu não me recordar do seu nome, tanto o ser humano como os demais mamíferos logicamente que também são provenientes de espécies inferiores, cujos ancestrais comuns seriam ainda espécies de mamíferos bem mais primitivos, os quais descenderam de algumas espécies de répteis, estes de uma série de anfíbios, e estes dos peixes primitivos, para não se chegar até ao átomo.

E isso se explica ao compararmos a anatomia do ser humano com a dos demais seres vertebrados, em que essa genealogia puramente animal do homem é inteiramente confirmada. E não somente essa genealogia, mas também pelas intrigantes etapas pelas quais passa o embrião até a formação plena do seu corpo durante a gestação, em total concordância com as observações científicas.

Na gestação, segundo H. G. Wells, começa como se devesse ser um peixe, com a existência de brânquias e guelras, além de serem o coração e os rins semelhantes aos do peixe, de onde segue por fases que lembram o anfíbio e o réptil, e recapitula, finalmente, as estruturas dos mamíferos inferiores, tendo cauda por algum tempo. Não começa como um homem, mesmo no seu desenvolvimento individual, pois a sua humanidade é conseguida em luta. Em uma porção de pequenas coisas que não lhe são de nenhuma vantagem e utilidade, como nos pelos e na direção desses pelos em suas pernas, lembra e repete o macaco.

Nós apenas podemos enxergar verdadeiramente as coisas, os fatos e os fenômenos da natureza através da luz astral proveniente dos nossos espíritos, a qual vai permitindo que ela se torne cada vez mais verdadeira à medida que formos evoluindo. De qualquer maneira, como nos encontramos atualmente encarnados neste mundo material, somos providos de olhos provenientes da matéria, os quais nos permitem enxergar apenas as coisas, os fatos e os fenômenos da natureza em seus aspectos materiais, desde que ainda sejam iluminados por luzes artificiais, como a do Sol, a das lâmpadas, a das fogueiras, etc., o que nos permite uma visão não real de tudo aquilo que conseguimos enxergar. É por isso que existe a mediunidade de vidência, por intermédio da qual os médiuns podem ver os corpos fluídicos ou perispíritos dos desencarnados, além dos seus corpos de luz.

Então, com base naquilo que os nossos olhos permitem enxergar, eu vou mostrar as feições fisionômicas que caracterizavam os nossos ancestrais. Não se faz necessário que seja rigorosamente da maneira apresentada, uma vez que os seus surgimentos remontam de um tempo por demais remoto, que se estende a milhões e milhões de anos atrás, daí não ser possível atualmente retratar com fidedignidade, com o rigor exato, as suas feições fisionômicas. De qualquer maneira, se não atende com a fidedignidade exigida, com o rigor exato do acontecido, fica bem aproximado da realidade, aliás, por demais aproximado, o que supre com clareza um dos objetivos desta obra.

E como o surgimento dos primeiros seres humanos se origina de um tempo por demais remoto, que se estende a milhões e milhões de anos atrás, mas não mais do que vinte e três milhões, não é possível também precisar atualmente com exatidão quando surgiram os primeiros homens na Terra, assim como não é possível precisar atualmente quando ocorreram as suas mudanças fisionômicas, as quais nos revelam as fisionomias que hoje se nos são apresentadas.

As figuras postas abaixo nos dão uma ideia bem apropriada da fisionomia dos primeiros seres humanos que surgiram no planeta Terra, as suas posteriores mudanças ocorridas no decorrer do tempo, até a fisionomia que atualmente nos é apresentada.

O Australopithecus é o primeiro dos animais considerado como realmente dotado de raciocínio, apesar de muito rudimentar, por isso eles foram considerados como sendo os primeiros seres humanos a encarnar no planeta. Vale ressaltar que os seus corpos fluídicos já podem ser denominados de perispíritos, uma vez que eles já podem receber a denominação de espíritos, com os seus criptoscópios e os seus intelectos passando a produzir os primeiros sinais dos sentimentos e dos pensamentos humanos, respectivamente. E como eles já iniciaram a desenvolver os seus corpos de luz, passando a evoluir também por intermédio da propriedade da Luz, começa-se a iniciar o desenvolvimento do órgão mental da consciência. Assim, foram eles os primeiros a adquirir o livre arbítrio. Os pesquisadores consideram a existência de nove espécies repartidas entre três gêneros: Australopithecus, Paranthropus e Kenyanthropus; todos com hábitos de vida um tanto quanto parecidos, já que as suas fisionomias não diferiam muito acentuadamente dos primatas ancestrais, ou seja, dos macacos.

Em sua evolução constante, adquirindo cada vez mais parcelas das propriedades da Força, da Energia e da Luz, os seus perispíritos foram lentamente se modificando, juntamente com os seus corpos de luz, exigindo nas encarnações posteriores a formação de um corpo material mais condizente com os seus estágios evolutivos. Surgem então as duas primeiras espécies atribuídas ao gênero Homo: Homo habilis e Homo rudolfensis. Ambos tinham a dentadura mais delicada e a face mais plana do que o Australopithecus. Com os seus criptoscópios e os seus intelectos mais desenvolvidos, passaram a obter maiores conhecimentos e a adquirir maiores experiências humanos, consolidando-se mais acentuadamente o poder de criação, pois eles são os inventores das primeiras técnicas de se talhar a pedra. No entanto, as suas filiações ao gênero Homo são contestadas por alguns, negando-lhes assim o estatuto de serem homens. Mas tal contestação não procede, porque para ser homem, ou seja, para se tornar um ser humano, basta apenas a aquisição do raciocínio, por conseguinte, a aquisição do corpo de luz, por onde começa a se formar o órgão mental da consciência, ao evoluir também por intermédio da propriedade da Luz. E isto já aconteceu bem antes, quando na condição de Australopithecus, por isso não se lhes pode negar, por hipótese alguma, a condição de seres humanos, pois não se pode exigir da espécie humana, em suas condições primitivas, as mesmas características que os aproximem dos homens da atualidade. Além do mais, a palavra Homo é um prefixo grego que significa semelhante, não exatamente igual, e todos eles eram semelhantes, pois possuíam perispíritos e corpos de luz, mesmo que rudimentares, apesar de apresentarem fisionomias mais rudes e mais grosseiras.

Posteriormente, sempre adquirindo cada vez mais parcelas das propriedades da Força, da Energia e da Luz, os seres humanos alteram novamente as suas fisionomias, quando então passam a ser denominados de Homo erectus e Homo ergaster. Nestas condições, nenhum pesquisador duvida de que se trata realmente dos verdadeiros homens, já que parece haver um consenso entre todos eles. E isto se explica em virtude das suas silhuetas serem totalmente eretas, em plena ascenção à silhueta dos dias de hoje. Ambos podem ser considerados como sendo os primeiros seres humanos a dominar o fogo, a adquirir uma bipedia semelhante à nossa, a se libertar da vida exclusivamente arborícola, cuja libertação os induziu a produzir instrumentos de pedra, bifaces, com os quais puderam mais facilmente esquartejar a caça, como também a construir as primeiras habitações resistentes ao frio e às intempéries.

A evolução dos seres humanos continua a sua marcha ascendente, constante, lenta, mas inexorável em relação ao progresso. Surge então o Homo neanderthalensis, mais conhecido como o Homem de Neandertal. Assim, enquanto há quem o considere uma espécie diferente, outros, atendendo às diferenças mínimas relativamente a nós, atribuem-lhe o estatuto de subespécie, designando-lhe de Homo sapiens neanderthalensis, sendo a nossa Homo sapiens sapiens. Mas tais considerações não são relevantes.

Por fim, os seres humanos desembocam em nossa espécie atual, o Homo sapiens, o qual se caracteriza por apresentar um esqueleto mais leve, com tamanho médio de 1,70 metros, queixo proeminente e crânio redondo, com as arcadas supraciliares proeminentes desaparecendo ao longo do processo evolutivo, enquanto a face e os dentes foram diminuindo de tamanho. Uma das formas do Homo sapiens é o Homem de Cro-Magnon, assim denominado devido à primeira descoberta desses fósseis se ter verificado naquela localidade francesa, em 1868. Ao se espalhar por todo o planeta, o Homo sapiens passou a gerar as inúmeras raças que existem, as quais surgiram a partir de variações biológicas, como a cor da pele e do cabelo, assim como também o formato do crânio e do nariz. Essas e outras tantas características resultaram de adaptações biológicas ao meio ambiente, por parte de grupos que permaneceram isolados em determinadas regiões durante certo tempo. A pele escura, por exemplo, resultou de uma defesa adaptativa contra o Sol dos trópicos, e o estreitamento das narinas funcionou como proteção ao ar frio das regiões temperadas e frias.

Outra questão muito debatida entre paleontólogos e arqueólogos tem sido a da origem do ser humano nas Américas. A velha hipótese do autoctonismo, segundo a qual os primitivos homens das Américas procederiam do próprio solo, já foi descartada definitivamente por pesquisas recentes. Afirma-se hoje que os primeiros habitantes das Américas foram originários do Velho Mundo, ou seja, da Eurásia, e todos pertenciam à espécie do Homo sapiens. As discordâncias entre os cientistas persistem quando se trata de saber quando chegaram às Américas os seus primitivos povoadores.

Nos tempos primitivos, como é de se conceber, os seres humanos não haviam ainda criado a escrita para o registro das suas observações acerca das coisas, dos fatos e dos fenômenos da natureza. Por isso, esse período é denominado pelos estudiosos de pré-história, pois o que se conhece ao seu respeito se baseia apenas nos objetos que restaram dessa época tão atrasada. No entanto, mesmo na considerada pré-história surgiram civilizações muito adiantadas, que dominaram totalmente a escrita, como mais abaixo veremos.

Os estudiosos e especialistas no assunto dividem a pré-história em três idades:

  1. A Idade da Pedra;
    1. A Idade da Pedra Lascada, ou Paleolítico;
    2. A Idade da Pedra Polida, ou Neolítico.
  2. A Idade do Bronze;
  3. A Idade do Ferro.

O período correspondente à Idade da Pedra Lascada, ou Paleolítico, é a etapa mais antiga da pré-história, portanto, a mais antiga da evolução do ser humano, sendo também a mais extensa, a qual remonta há milhões de anos e não se sabe ao certo quando terminou, dando início ao período da Idade da Pedra Polida, ou Neolítico. No entanto, os seres humanos que viveram nessa idade, em que todos nós logicamente estamos incluídos, assim como também estamos incluídos nas idades anteriores e posteriores, foram se diferenciando cada vez mais dos seus antepassados, tanto em relação aos seus aspectos fisionômicos, como em relação aos seus desenvolvimentos mentais, estes com os aprimoramentos dos seus criptoscópios, dos seus intelectos e das suas consciências, o que possibilitou a aquisição cada vez mais de conhecimentos e experiências, o que permitiu o aperfeiçoamento dos seus instrumentos relativos aos utensílios domésticos e armas, assim como as suas técnicas e os seus meios de subsistência. Como o ser humano de hoje é um animal social, o início desta atividade remonta desses períodos, quando esses homens passaram a desenvolver as suas vidas em sociedade, adquirindo atitudes e hábitos sociais, como a vida familiar, a vida em grupos, a participação coletiva, o aperfeiçoamento das artes, a fabricação dos artesanatos, fazendo agasalhos, construindo casas e abrigos, utilizando o fogo e inventando os meios de comunicação e transporte.

Pode-se constatar nesses períodos os sinais evidentes das diferenciações processadas entre esses seres humanos primitivos, em relação aos mais e aos menos evoluídos, pois já existia a hierarquia de mando entre eles, com aqueles mais evoluídos comandando os menos evoluídos, para que assim pudesse haver principalmente uma divisão equitativa entre eles dos produtos da caça e da pesca. Tal fato explica a evolução espiritual com a existência de vários Mundos de Luz, com aqueles mais evoluídos ascendendo aos mais elevados, diferenciando-se dos demais.

Os progressos culturais eram constantes, os quais podem ser constatados pela comunicação e pela vida em sociedade. A linguagem se fez necessária para a convivência em grupos sociais. Embora de início ela se baseasse apenas em gestos, sinais e desenhos, mas passou logo em seguida a se basear também na voz.

As pinturas rupestres, relativas a pinturas e desenhos, têm os seus registros confirmados nos interiores das cavernas, dos abrigos rochosos e até mesmo ao ar livre. São artes desses períodos e outros, também denominadas de arte parietal, as quais são encontradas em todo o planeta, apesar de serem mais abundantes na Europa. No Brasil, há vestígios de arte rupestre em Santa Catarina, na Bahia e no Piauí, ao que tudo indica sejam de períodos mais recentes. As pinturas geralmente representavam as figuras de animais como cavalos, mamutes e bisontes, além de figuras humanas, em que a caça, as danças, os rituais ou os guerreiros eram a tônica, nas quais tentavam obter a terceira dimensão aproveitando os acidentes naturais dos tetos e das paredes das cavernas, como também aplicando linhas de sombreado e braços de diferentes grossuras. Além das pinturas rupestres a arte também fazia esculturas em marfim, osso, pedra e argila.

Foi por intermédio das pinturas rupestres, quando não havia ainda a escrita, que os estudiosos dos tempos antigos, denominados de arqueólogos, puderam investigar os vários aspectos de como viviam os seres humanos dessa época, o que faziam no cotidiano, do que se alimentavam e, principalmente, a localização das regiões onde habitavam.

Sempre na escala ascendente das trilhas gloriosas da evolução, aperfeiçoando-se cada vez mais, sempre e sempre, adquirindo maiores conhecimentos e maiores experiências, com os seus criptoscópios e os seus intelectos cada vez mais desenvolvidos, já razoavelmente coordenados pela consciência, os seres humanos ingressam na Idade dos Metais.

No entanto, entre o Neolítico e a Idade dos Metais, mais especificamente a Idade do Bronze, há um período que se situa cronologicamente entre ambos, uma espécie de protótipo da idade seguinte, por isso denominado de Calcolítico, um dos períodos da proto-história, em que os seres humanos formaram algumas sociedades que apresentaram manifestações culturais diferenciadas durante esse período. Foi nesse período que se iniciou a utilização do estanho e do cobre, pois estes foram os primeiros metais que os seres humanos utilizaram após o período Neolítico, logicamente que antes da Idade do Bronze, já que eles são as matérias-primas do metal que caracteriza esta Idade.

O estanho é um metal branco, muito brilhante, dúctil e maleável, mas pouco tenaz e mais duro do que o chumbo. Conhecido desde os tempos pré-históricos é um dos metais mais moles, um dos menos elásticos e sem qualquer sonoridade. A sua textura é cristalina e por isso quando se dobra uma barra deste metal se ouve um rangido especial, que a sabedoria popular denomina de o grito do estanho, devido ao quebramento dos cristais rudimentares encerrados na massa metálica. Ele pode ser liberado por processos naturais e atividades humanas, mas geralmente é extraído a partir da cassiterita. A cassiterita é a principal fonte para a obtenção do estanho, já que ela provém principalmente de depósitos aluviais ou de depósitos tipo plácer, que é um depósito natural por concentração, normalmente nas curvas de rios, que contêm os grãos resistentes à erosão. O estanho serve para certos utensílios da economia doméstica e outros, inclusive para ligas metálicas como o bronze.

O cobre é um metal de coloração vermelha levemente amarelada, com um brilho ligeiramente opaco, que se caracteriza por ser macio, maleável e dúctil. É encontrado na natureza principalmente na forma de calcopirita, que é o sulfeto de cobre e ferro cristalizado no sistema tetragonal, cuja formação costuma ocorrer em filões, ocorrendo também como constituinte original das rochas ígneas, em diques pegmatíticos, nos depósitos metamórficos de contato e disseminada nas rochas xistosas. E digo principalmente porque existem outros, mas em tais formas citadas apresentam um teor mais elevado do metal, além de ser um dos metais que podem ser encontrados na forma elementar, por isso é um dos mais antigos de que se tem conhecimento, daí o fato dele ter antecedido a Idade do Bronze. Serve para a utilização em diversos utensílios, inclusive para ligas metálicas, tais como: cobre e estanho formam o bronze; cobre e zinco formam o latão; cobre e ouro formam o ouro 18 quilates; etc.

Foi assim que os seres humanos pré-históricos adquiriram conhecimentos e experiências o suficiente para o desenvolvimento das técnicas para derreter e moldar o cobre de todas as maneiras. Para tanto, utilizavam moldes de pedra ou de barro para colocar o cobre derretido e produzir vários tipos de armamentos, tais como facas, espadas e lanças, além de ferramentas e utensílios de todos os tipos, utilizados para as suas diversas atividades.

Como se pode facilmente constatar, a utilização do estanho e do cobre, relativa ao período Calcolítico, antecedeu obrigatoriamente à Idade do Bronze, uma vez que esses dois elementos são os propiciadores da iniciação desta Idade. Embora para muitos estudiosos o período Calcolítico seja desconsiderado e a Idade do Bronze tenha substituído diretamente o período Neolítico, o qual é popularmente conhecido como sendo a Idade da Pedra Polida.

Assim, quando os seres humanos conseguem desenvolver a liga metálica resultante da mistura entre o estanho e o cobre, denominada de bronze, conseguem então ultrapassar o período Calcolítico, quando ingressam definitivamente na chamada Idade do Bronze, que é o período no qual ocorreu logicamente o desenvolvimento dessa liga metálica.

Os historiadores classificam a Idade do Bronze, em última análise, como sendo realmente derivada das “Idades do Homem”, ou seja, as fases da existência humana no planeta Terra, em seus períodos evolutivos, segundo a mitologia grega, na qual a Idade do Ouro e a Idade da Prata são classificadas pelos historiadores modernos como sendo míticas, mas tanto a Idade do Bronze como a Idade do Ferro são concebidas como sendo verdadeiramente históricas.

Todo esse período é caracterizado pela plena adoção do bronze em muitas regiões do planeta, embora os locais e as épocas da sua introdução e o desenvolvimento da sua tecnologia não sejam universalmente síncronos, como mais adiante será devidamente explanado e justificado. A tecnologia do bronze desenvolvida pelo ser humano requer um conjunto de técnicas de produção. Em primeiro lugar o estanho deve ser extraído por intermédio da cassiterita e fundido separadamente, em seguida ele é adicionado ao cobre derretido para fazer a liga de bronze.

Estima-se que a Idade do Bronze foi um período de uso intenso de metais e de redes de desenvolvimento do comércio e o início da prática da agricultura intensiva durante todo o ano. Foi nesse período que os seres humanos desenvolveram um sistema de escrita, inventaram a roda do oleiro, criaram um governo centralizado e códigos de leis, estabeleceram impérios, introduziram a estratificação social, adotaram a escravidão e iniciaram as guerras organizadas. Parece que também constituíram as bases para a Astronomia e a Matemática.

Mas a evolução de todos os seres, assim como a dos seres humanos é progressiva, não estaciona em nenhum dos seus estágios. Apesar de todo o desenvolvimento proporcionado pela Idade do Bronze, os seres humanos teriam que progredir ainda mais, aliás, muito mais. Em decorrência, eles adentraram ao período denominado de Idade do Ferro, o qual é o último dos três principais períodos no Sistema Três Idades, utilizado para classificar as sociedades pré-históricas, mas que ninguém sabe ao certo quando iniciou.

Deduz-se que ocorreu uma escassez do cobre e do estanho, em virtude dos conhecimentos e das experiências em relação às pesquisas do solo não serem ainda tão desenvolvidos naquela época. Então os seres humanos intensificaram a busca de novas provisões que pudessem substituir ao bronze a contento. Deduz-se novamente que esse foi o método adotado para a obtenção do ferro na pré-história.

Não é muito difícil se obter o ferro metálico, notadamente a partir de um mineral denominado de limonita. A limonita é um termo aplicado a um grupo de óxidos de ferro hidratados, amorfos e de cores amareladas ou acastanhadas, formados a partir da oxidação de minerais que contêm o ferro, podendo também ocorrer como precipitado em lagos e pântanos. Assim, o ferro metálico é fabricado desde a mais remota antiguidade, pois existem meios relativamente fáceis para a sua obtenção.

Os primeiros fornos para a produção de ferro eram de barro, com uma abertura na parte superior para a fumaça poder sair e outra na parte inferior para o ar poder entrar. Os seres humanos dessa época, então, enchiam o forno com camadas alternadas de lenha e de minério de ferro. Quando a combustão ocorria a contento, eles obtinham certa quantidade de ferro, o qual é também denominado de lupa. Como esse ferro não chegava a se fundir completamente e se apresentava sob a forma de bolas, com porções de minério aderidas, eram separadas depois, aquecendo o material novamente ao rubro e o forjando com o malho. Os pedaços de minério que ainda se encontravam relativamente puros eram quebradiços e se desprendiam, enquanto a massa de ferro metálico que era maleável se tornava compacta e coerente pela forjadura.

O ferro forjado podia ser carburado. A carburação servia para transformar o ferro, que era macio, em um aço mais duro, a qual era feita se mantendo o ferro forjado em brasas de carvão por algum tempo. Logicamente que os ferreiros da Idade do Ferro eram sabedores de que o ferro repetidamente reforjado e carburado produzia um metal de melhor qualidade.

Produzido a partir do minério, o ferro era geralmente duro e resistente. Mas nem sempre, por isso os ferreiros procuraram descobrir uma maneira que o tornasse sempre duro e resistente, no que lograram o intento, pois acabaram descobrindo que a adição do carvão vegetal ao ferro, em quantidade adequada, endurecia-o e o tornava mais resistente. Assim os seres humanos dessa época passaram a produzir o que hoje se denomina comumente de superfície do aço.

A Idade dos Metais marca o início de um grande progresso alcançado pelos seres humanos em sua evolução constante rumo aos conhecimentos e as experiências, com eles adquirindo cada vez mais poderes para nortear as suas ações neste mundo. E não somente a Idade dos Metais, como também nesse período o domínio da escrita, que mais ainda do que tais descobertas foi fundamental para se alcançar tanto progresso.

A grande importância de se ressaltar todo esse progresso humano repousa no fato de possibilitar o surgimento das grandes sociedades que se formaram nessa época, com o florescimento e o desenvolvimento das ciências em suas várias especialidades, com a divisão do trabalho se revestindo do fator preponderante para o aumento cada vez maior do progresso.

No entanto, as sociedades que alcançaram uma maior tecnologia em relação as demais passaram a querer o domínio pleno sobre tudo e sobre todos, com base na força bruta, fato lastimável que sempre ocorreu em todos os tempos, somente contido nos dias de hoje, em que as guerras pelas conquistas territoriais cessaram quase que completamente. Desta maneira, surgiram as primeiras guerras conquistadoras e o processo de dominação de uma sociedade por outra, notadamente por aquelas que se utilizavam do ferro para fabricar os seus armamentos, em que levavam nítida vantagem sobre aquelas que ainda se utilizavam do bronze na fabricação das suas armas, uma vez que aquele metal é muito mais duro e muito mais resistente do que este.

Pode-se constatar, então, que contando com a utilização dos metais, com o grande avanço da escrita, o qual proporcionou um enorme desenvolvimento das ciências especializadas, que por sua vez proporcionaram grandes conquistas nos ramos dos conhecimentos e das experiências, os seres humanos consolidaram as primeiras grandes civilizações do Mundo Antigo, que influenciaram tanto na expansão como no desaparecimento de várias delas, pela razão de haverem sempre dado ênfase ao aspecto material da vida, esquecendo-se de dar ênfase ao seu aspecto fundamental, o qual deve nortear a vida de todos os seres humanos, denominado simplesmente de espiritualidade.

E dentre as várias civilizações que foram extintas pela falta de espiritualidade, que por isso foram completamente obliteradas da face do planeta Terra, pela total impossibilidade de se poder reverter os quadros completamente materializados que apresentavam em suas vidas cotidianas, vamos encontrar os seus vestígios na Grécia Antiga, quando Hesíodo, em sua obra Os Trabalhos e os Dias, menciona as cinco idades dos homens: a Idade do Ouro, a época em que Cronos era rei dos deuses; A Idade da Prata, criada pelos deuses do Olimpo e destruída por Zeus, porque eles não queriam adorar aos deuses; a Idade do Bronze, criada por Zeus quando se usavam instrumentos de bronze e ainda não se conhecia o ferro; a Idade dos Heróis, de homens chamados de semideuses; e a Idade do Ferro, que continuava até aos dias do próprio Hesíodo.

Podem todos considerar como sendo de natureza mítica o apresentado, mas não importa, pois o importante é que não deixa de transparecer os vestígios de outras civilizações extintas, pelo simples fato de Hesíodo mencionar corretamente que além das idades dos metais acima mencionadas, descobriram posteriormente o ouro e a prata, o que caracteriza a existência de grandes civilizações que foram ricas e opulentas. Além do mais, ele também ignorava os conhecimentos acerca da verdade, daí confundir os espíritos obsessores quedados no astral inferior com deuses, que foram os responsáveis pelas destruições de várias civilizações. Por isso, ele está absolutamente correto quando se refere a uma civilização extinta.

No infalível processo da evolução, os seres humanos sempre atingiram o zênite de várias civilizações com os grandes avanços dos conhecimentos e das experiências alcançados, mas sempre esbarraram na etapa final do progresso, quando não conseguiam alcançar a verdade e a sabedoria, em seu conjunto, promovendo a congregação entre ambas e, por conseguinte, alcançando a razão, único meio de se promover a espiritualização da nossa humanidade.

Assim, totalmente materializados, os seres humanos dispersos em inúmeras crenças sobrenaturais, que não podiam de modo algum provê-los dos atributos superiores e positivos, os quais dizem respeito à moral e a ética, respectivamente, para que assim pudessem alcançar a educação, eles degeneravam nas mais diversas orgias e bacanais, com o luxo desenfreado fazendo parte daquilo que eles mais almejavam em alcançar, o que formava o ambiente fluídico propício para que o astral inferior viesse a promover as extinções de cada uma dessas civilizações, sem deixarem quaisquer vestígios de suas existências para as que surgissem posteriormente.

Com o surgimento de uma nova civilização começava tudo novo, quer dizer, os seres humanos começavam a reencarnar nas mais primitivas condições, a fim de que eles promovessem o progresso assentados em novas bases. Mas como já estavam bastante desenvolvidos, desenvolvimento este alcançado em inúmeras encarnações passadas, inclusive em outras civilizações, o progresso se dava de maneira mais acelerada. Daí o fato deles ingressarem rapidamente na Idade dos Metais em cada uma dessas civilizações e desenvolverem de forma um tanto quanto mais dinâmica as suas culturas. Por isso, muitos ainda consideram a Idade dos Metais como sendo proveniente desta nossa civilização, no que estão completamente equivocados.

E como muitos historiadores consideram as Idades dos Metais como sendo provenientes desta nossa civilização atual, desconsiderando completamente as existências de civilizações anteriores, por absoluta ignorância acerca da vida espiritual, eles fazem mil e uma conjecturas em relação ao surgimento dos metais.

Começam por dizer que a Idade do Ferro se refere ao período em que ocorreu a metalurgia do ferro, o que é lógico. Que este metal é superior ao bronze em relação à dureza e abundância de jazidas. Que a Idade do Ferro, sendo caracterizada pela utilização do ferro como metal, teve essa utilização importada do Oriente, através da emigração de tribos indo-europeias, mais precisamente os celtas, que a partir de 1.200 a. C. começaram a chegar a Europa Ocidental, com o seu período alcançando até a época romana, e na Escandinávia até a época dos vikings, por volta do ano 1.000 d. C.

Que em outras regiões europeias o início da Idade do Ferro foi bastante posterior, não tendo se desenvolvido na Europa Central até ao século VIII a. C., e até ao século VI a. C. no norte da Europa. Que na África o primeiro exponente conhecido da utilização do ferro pela fundição e forja se dá na cultura Nok, na atual Nigéria, por volta do século XI a. C.; porém, acreditam que o ferro meteorítico, que é uma liga de ferro com níquel, já fosse utilizado por diversos povos antigos milhares de anos antes da Idade do Ferro, já que sendo nativo no seu estado metálico, não necessitava da extração e da fusão do mineral.

Que ainda na Idade do Bronze, um crescente número de objetos de ferro fundido, distinguíveis do ferro meteorítico pela falta de níquel, começou a aparecer por toda a Anatólia, Mesopotâmia, subcontinente indiano, Levante, Mediterrâneo e Egito, em que algumas fontes propõem que o ferro fosse um subproduto casual do refino do cobre, sem um processo reproduzível pela metalurgia da época.

Que a mais antiga produção sistemática do ferro, assim como também a sua utilização, começa na Anatólia. Que existe ainda uma suposição que a produção africana do ferro teve início mais ou menos ao mesmo tempo, possivelmente até antes que na Anatólia, porém descobertas recentes sugerem que o trabalho do ferro aparece na Anatólia desde 2.000 a. C. Que a atual pesquisa arqueológica no vale do Ganges atesta a produção do ferro desde 1.800 a. C. Que desde 1.200 a. C. o ferro era amplamente utilizado no Oriente Médio, porém sem suplantar em nenhum momento o do bronze.

Que já foi sugerido que a falta de estanho fosse o motivo do colapso da Idade do Bronze, com a interrupção do comércio no Mediterrâneo por volta de 1.300 a. C., que levaram à busca de metais alternativos. Que existem evidências nessa época que vários objetos de bronze foram reciclados e transformados em armas. Que com o uso mais difundido do ferro, foi desenvolvida a tecnologia necessária para fazer um aço maleável, fazendo com que os preços baixassem. Que como resultado, quando houve estanho disponível novamente, o ferro já havia ganhado a preferência na produção de armas e ferramentas, sendo barato o suficiente para substituir o bronze. Que o ferro sendo um material mais resistente e ainda mais leve, trazia vantagens tecnológicas para as populações que o adotavam.

E que trabalhos arqueológicos mais recentes mudaram não somente a cronologia, mas também as causas da transição do bronze para o ferro. Que além do ferro estar sendo produzido na Índia desde 1.800 a. C., vários sítios africanos possuem artefatos de ferro desde pelo menos 1.200 a. C., opondo-se a ideia de que houve uma descoberta única do ferro que depois se difundiu pelo mundo.

Todo esse embaraço revelado pelos estudiosos do assunto, apenas evidenciam mais ainda o fato acima exposto de que com o surgimento de uma nova civilização começava tudo de novo, com os seres humanos reencarnando nas mais primitivas condições, a fim de que promovessem o progresso assentados em novas bases. No entanto, como é evidente de que eles se encontravam em estágios já bem mais desenvolvidos, estágios esses conquistados nas próprias civilizações já extintas, esse progresso se dava de maneira muito mais acelerada. Daí a razão deles haverem ingressado rapidamente na Idade dos Metais, nesta civilização, nas diferentes regiões povoadas, desenvolvendo de forma um tanto quanto mais dinâmica as suas culturas.

E o embaraço dos estudiosos do assunto ainda não se encerra por aqui, pois eles ainda fazem muitas outras conjecturas a respeito do assunto, senão vejamos:

Eles dizem que na Caldeia e na Assíria o ferro era utilizado desde pelo menos 4.000 anos a. C. Que um dos primeiros artefatos de ferro conhecidos é uma adaga, com lâmina de ferro encontrada em uma tumba Hatita, na Anatólia, datada de 2.500 a. C. Que a utilização de armas de ferro se difundiu rapidamente e substituiu o bronze por todo o Oriente Próximo, no começo do primeiro milênio a. C.

Que o desenvolvimento da fundição do ferro já foi atribuído aos Hititas, acreditando-se que eles mantiveram o monopólio da metalurgia do ferro e que o seu império havia se baseado nesta vantagem tecnológica. Que, no entanto, essa teoria não é mais aceita pela maioria dos estudiosos, já que não existe qualquer evidência arqueológica desse monopólio. Que enquanto existem objetos de ferro na Idade do Bronze na Anatólia, o número é comparável aos objetos de ferro encontrados no Egito e em outros locais no mesmo período, em que somente um pequeno número destes objetos é arma.

Que no Egito Antigo a Idade do Bronze começa no período protodinástico, cerca de 3.150 a. C., com a Idade do Bronze arcaica desse povo, conhecida como a Época Tinita, seguindo imediatamente a unificação do Baixo e do Alto Egito, cerca de 3.100 a. C. Que é geralmente considerado abrangendo a primeira e a segunda dinastias, com duração a partir do período protodinástico do Egito, até cerca de 2.686 a. C., ou o início do Império Antigo.

E que com a primeira dinastia a capital se mudou de Abidos para Mênfis, com um Egito unificado governado por um rei-deus. Que Abidos permaneceu como sendo a maior terra santa no sul. Que as marcas da antiga civilização egípcia, tais como a arte, a arquitetura e muitos aspectos do credo, apenas tomaram forma durante o período protodinástico. Que Mênfis, no início da Idade do Bronze, era a maior cidade da época.

A data de adoção da Idade do Bronze e da Idade do Ferro varia segundo as diferentes culturas. Na Alemanha, os historiadores diferenciam uma Idade do Ferro entre pré-romana e outra romana, a cultura de Jastorf. Em Portugal, então parte da Hispânia, a Idade do Ferro é essencialmente dominada pela ocupação do território pelo Império Romano, em que alguns fazem depender da divisão do período em Idade do Ferro I e Idade do Ferro II, como fez Armando Coelho, em sua obra intitulada Cultura Castreja. Na Ásia Central, que compreende o Afeganistão, o Irã e outros, a Idade do Bronze chega por volta de 2000 a. C. Na China, a Idade do Bronze se deu na Dinastia Shang, pois, segundo a tradição chinesa, começou em 1766 e acabou em 1122 a. C. No mar Egeu se estabeleceu uma área de intenso comércio do cobre, principalmente em Chipre, onde existiam minas desse metal, vindo o estanho das ilhas britânicas; com isso, iniciou-se o desenvolvimento da navegação, e graças a esse grande comércio surgiu o império minoico, substituído mais tarde pelo grego micênico. Na Europa Central, a Idade do Bronze se iniciou a partir de 1800 a 1600 a. C., seguido do período de 1600 a 1200 a. C., caracterizado pelo enterramento de cadáveres em túmulos, prática que demonstrava um alto grau de estratificação social. E no norte da Europa, a Idade do Bronze se inicia entre 2000 a 1700 a. C., quando nesse período surgiu o comércio de âmbar, com muitos petróglifos representando divindades e vida cotidiana, além de armas e joias.

Mas o embaraço atual dos estudiosos em relação aos períodos das Idades dos Metais pode plenamente se justificar pelo fato das civilizações anteriores terem sido extintas pelos espíritos obsessores quedados no astral inferior, sem que houvessem deixado marcas das suas existências, portanto, sendo assim obliteradas da face da Terra. Além do mais, as técnicas desenvolvidas pelos seres humanos só nos permitem determinar com precisão a idade dos organismos mortos até setenta mil anos, pois acima disso as técnicas não são muito precisas e nos dão apenas uma ideia aproximada. Senão vejamos:

Em 1947, o químico Willard Libby conseguiu realizar uma descoberta que mudaria em parte a história da Arqueologia, pois a partir dessa descoberta se tornou possível determinar a idade exata dos materiais orgânicos antigos, inclusive fósseis. Para que se tenha uma ideia mais precisa dessa descoberta de Willard Libby, é preciso primeiro saber a diferença que existe entre Carbono 14 e Carbono 12. Este é aquele encontrado na composição do diamante, do grafite e do aço, ou seja, de substâncias inorgânicas. Aquele está presente em tecidos vivos de animais, de plantas e do homem, já que é um isótopo radioativo instável, que decai a um ritmo lento a partir da morte do organismo vivo, recebendo esta numeração porque apresenta massa atômica 14, cuja forma apresenta dois nêutrons a mais no seu núcleo que o seu isótopo estável apresentado como Carbono 12.

As pesquisas de Willard Libby revelaram que a quantidade de Carbono 14 dos tecidos orgânicos mortos diminui a um ritmo constante com o passar do tempo. Este fato enseja que a medição dos valores do isótopo radioativo em um material orgânico qualquer, ou mesmo um fóssil, dê-nos uma avaliação bastante exata dos anos decorridos a partir da sua morte. No entanto, a técnica do Carbono 14 para se avaliar com exatidão os anos decorridos dessa morte só se aplica aos materiais orgânicos e fósseis que tenham no máximo setenta mil anos de idade, pois, como dito, a quantidade de C 14 diminui gradativamente com o passar do tempo, impossibilitando determinar a idade após esse período. Assim, a partir da morte de um ser vivo a quantidade de Carbono 14 existente no tecido orgânico se dividirá pela metade a cada 5.730 anos, o que os estudiosos denominam de meia vida do carbono.

Esta técnica desenvolvida por Willard Libby pode ser aplicada à madeira, sedimentos orgânicos, ossos, conchas marinhas e outros materiais. Sabendo-se agora a finalidade do Carbono 14 em achados arqueológicos, podemos saber também que a idade das múmias encontradas nas diversas escavações nunca mais foi um mistério para os seres humanos, após a grande descoberta de Willard Libby.

No entanto, como se pode facilmente constatar, sem qualquer sombra de dúvida, essa técnica desenvolvida por Willard Libby se aplica apenas ao intervalo de tempo decorrido de setenta mil anos para cá, já que não se entende aos tempos anteriores, considerados como sendo ainda mais remotos em suas existências, por isso não consegue alcançar as civilizações que nos antecederam, no máximo talvez a mais próxima desta nossa que se extinguiu através de um dilúvio, já que não podemos saber ao certo quando ela se extinguiu e quando teve início esta nossa, pois que a catástrofe não deixou vestígios materiais da sua existência.

Mas os seres humanos vão adquirindo uma enorme capacidade à medida que vão ascendendo no infalível processo da evolução, ao adquirirem cada vez mais parcelas das propriedades da Força, da Energia e da Luz, desenvolvendo cada vez mais os seus órgãos mentais, que são denominados de criptoscópio, de intelecto e de consciência, para que assim possam obter sempre mais conhecimentos e também criar sempre novas experiências, tudo em nome do progresso.

Hoje sabemos, aproximadamente, há quantos bilhões de anos surgiram as primeiras formas de vida na Terra, ou mesmo há quantos milhões e milhões de anos os dinossauros se extinguiram. E foi justamente o progresso humano quem possibilitou a realização da descoberta do método para se calcular todo esse tempo transcorrido, desde os primeiros sinais de vida mais evoluída no planeta. Mas como se pode calcular a idade de um fóssil acima de setenta mil anos?

Como vimos acima, em fósseis com até setenta mil anos de idade são examinados sinais de um elemento existente nos seres vivos denominado de Carbono 14, o qual vai diminuindo constantemente depois que eles morrem, sempre na mesma velocidade. No entanto, em fósseis ainda mais antigos não existe qualquer vestígio do Carbono 14, daí a necessidade de se analisar as camadas dos solos onde eles estão para se ter uma ideia sobre o período em que tais seres viveram.

Os fósseis são preservados em rochas sedimentares, formadas pelo acúmulo de fragmentos de outras rochas, que são os sedimentos, em uma depressão do relevo. Esses sedimentos podem ser trazidos tanto pela água como pelo vento. Assim, quanto mais profunda for uma camada de rocha, mais antiga ela será. Dessa maneira, analisando a profundidade de uma camada de rocha com a ajuda de aparelhos e cálculos complexos, os cientistas determinam a idade aproximada das rochas e dos fósseis.

Considerando o assunto sobre evolução desenvolvido o suficiente para que se tenha uma boa base de esclarecimentos a respeito, fica aqui a esperança de que o mesmo sirva de alavanca para o crescimento espiritual do caro leitor.

 

Continue lendo sobre o assunto:

Prolegômenos

28- AS GRANDES ERAS

Não se pode esperar que todos os seres humanos venham a estar preparados para apreender em seus corpos mentais a verdade e a sabedoria, que estando unidas, irmanadas, congregadas,...

Leia mais »
A Era da Sabedoria

02- A SUMÉRIA

A História não contém nenhum registro de uma atividade veritológica ou saperológica sumeriana. Por ser um povo de natureza mística, vamos encontrar o rei Ur-engur proclamando o seu código...

Leia mais »
Romae