24.07- A comprovação de quem eu fui na encarnação passada

Prolegômenos
13 de setembro de 2018 Pamam

Já foi dito reiteradas vezes que eu encarnei como cientista, que de cientista passei para o estágio evolutivo de saperólogo, utilizando o Discurso do Método e Meditações da 1ª Filosofia, elaborado por Descartes, e que, posteriormente, passei para o estágio evolutivo de ratiólogo. Esse método elaborado por Descartes consiste no seguinte:

  1. Nunca devo aceitar uma coisa como realmente verdadeira, sem antes conhecê-la como tal, isto é, devo cuidadosamente evitar pré-julgamentos e incluir nos meus julgamentos somente aquilo que se apresente para a minha mente, com tal claridade e precisão, que eu não tenha ocasião de pô-la em dúvida;
  2. Dividir cada dificuldade examinada em tantas partes quantas forem necessárias, para resolvê-la da melhor maneira possível;
  3. Conduzir os pensamentos de uma maneira ordenada, começando dos objetos mais simples e os elevando, gradualmente, como por degraus, para o conhecimento das coisas mais complexas. E sempre supondo uma ordem entre as coisas, que mesmo não proceda naturalmente uma da outra;
  4. Fazer enumerações completas e revisões tão gerais, que possa me certificar de que não omiti nada.

E assim eu procedi, utilizando-me desse método, em que a comprovação de quem eu fui na encarnação se refere a uma das suas partes, que se encontra originalmente no site pamam.com.br, na categoria intitulada de O Método. No entanto, como neste site de A Filosofia da Administração, em sua categoria Prolegômenos, eu estou explanando o capítulo que diz respeito à reencarnação, torna-se recomendável que eu venha aqui adiantar o assunto, compilando textualmente o que lá se encontra.

SITUANDO PRIMEIRO A QUEM IRÁ SE INTEIRAR DO TEOR DA REVELAÇÃO

O simples fato de alguém revelar a própria identidade de sua encarnação passada é motivo de inúmeras interpretações por parte daqueles que se inteiram dessa revelação. E cada uma dessas interpretações, em contrapartida revelada a esse alguém, é o espelho, o retrato e a semelhança da consciência, dos sentimentos, dos pensamentos, e, portanto, do grau de evolução de cada um dos interpretantes.

Dessa forma, o obtuso, o egoísta, o de má fé, o incrédulo em relação a tudo o que de bom, útil, proveitoso e verdadeiro ele veja no semelhante, irá manifestar a sua interpretação tentando ridicularizar e distorcer o fato, que é natural e sério por natureza, levando-o para o vazio e o nada da sua compreensão, sem se aperceber de que tal manifestação é inteiramente destituída de fundamentos, portanto, de raciocínio. Irá dar o seu parecer desrespeitoso, banal, limitadíssimo ao próprio universo do seu “eu”, sem a mínima noção da verdade contida no dito popular de que “cada um dá o que tem”, revertendo, portanto, para si próprio, todas a mazelas e vociferações. Para uma criatura desse quilate, infelizmente, só a escola do adestramento da vida, na qual não faltam lições, seja de que natureza for, tem as condições de impor coisas naturais e sérias, pois quanto mais azeda for a criatura, tanto mais amargo será o seu remédio. A dose é proporcional ao seu amargor, e ilimitada na sua intensidade.

Existem também os seres humanos que se encontram posicionados em uma faixa intermediária de evolução. Destas, a maioria não é carne nem peixe. São “Maria vai com as outras”. Pois qualquer um que se lhes apareça com ares de líder, mesmo que os elementos que formem essa liderança sejam falsos, bizarros e sem transparência, basta apenas esse qualquer um se constituir de uma personalidade relativamente forte, para dominá-los, conduzi-los e lhes incutir qualquer excremento de pensamentos digeridos por sua mente suja e doentia.

A minoria, entretanto, já possui, embora não perceba, relativa luz e acentuada vontade de se esclarecer e aprender cada vez mais sobre a verdadeira vida, que é a vida espiritual. Para esses, revelações de tal natureza, embora não se afinem totalmente com o seu “eu”, também não são repelidas. Ficam como que vagando em suas mentes, como se estivessem à espera de algo que lhes desse sentido, que lhes desse lógica, algo como se fossem peças de um quebra-cabeças também à espera de serem colocadas em suas verdadeiras posições. E, se tentarem, com certeza conseguirão colocar cada peça dos seus quebra-cabeças nos seus respectivos lugares, bastando, para isso: vontade, ânimo resoluto e, principalmente, convicção naquilo que querem almejar. Esses, mais cedo ou mais tarde, conseguirão interpretar com correção tudo o que lhes for revelado, seja o que for, tenha a natureza que tiver.

Para aqueles, entretanto, a maioria que não é carne nem peixe, apenas uma barreira os impede de interpretar os fatos que lhes são revelados: a fraqueza em seguir o raciocínio dos outros, ao invés de se utilizarem do próprio raciocínio. Vencendo a essa barreira, poderão sair do grupo da maioria e ingressar no grupo da minoria, ou seja, daqueles que mais cedo ou mais tarde conseguirão conquistar a verdade.

Por fim, e para o próprio bem da nossa humanidade, existem os seres humanos já mais espiritualizados, já mais desenvolvidos, inteligentes, investigadores, pesquisadores e detentores de atributos notadamente elevados e positivos. Para esses, quaisquer fatos que lhes sejam revelados e que tragam em seu contexto algo de sério, útil e de objetivos nobres, é motivo imediato de investigações, indagações, meditações e pesquisas profundas e intermitentes até o seu final, até a sua conclusão. Estes já possuem, cada um, tanto o seu criptoscópio como o seu intelecto desenvolvidos, assim como a consciência. O criptoscópio nada mais é do que o órgão espiritual criado e desenvolvido por intermédio da propriedade da Força, que após determinado grau de evolução, transforma-se em um instrumento que possibilita observar algo que por sua natureza não é visível, que possibilita analisar tudo o que é abstrato aos olhos da matéria, de acordo com o grande médico e veritólogo Dr. Pinheiro Guedes. O intelecto nada mais é do que o órgão espiritual criado e desenvolvido por intermédio da propriedade da Energia, que após determinado grau de evolução, transforma-se em um instrumento que possibilita analisar e interpretar fatos, isento da influência da matéria, dos sentimentos inferiores, das opiniões alheias e do ambiente fluídico em que o ser humano se encontra. E a consciência coordena o criptoscópio e o intelecto. Para esses, mostrarei os fundamentos de dois novos tratados, com base nos seus criptoscópios e nos seus intelectos. Sim, mostrarei os primeiros fundamentos da Veritologia, o tratado da verdade, o qual deverá ser unido, irmanado, congregado, com a Filosofia, dando origem a um novo tratado, denominado de Ratiologia, o tratado da razão, para o bem da nossa humanidade. Esses, repito, conseguirão interpretar com clareza o que adiante lhes devo expor.

O QUE REALMENTE IMPORTA É O PRESENTE

Antes de mais nada, é de absoluta necessidade que cada um fique ciente de que cada ser humano é o que é, ou seja, que o seu passado bom ou mau, quer se refira a encarnações passadas ou não, não denigre e nem valoriza o seu valor presente, caso este esteja esteado em uma conduta de vida sã e imbuído dos mais elevados ideais. Principalmente, estando visíveis e definidos o esforço, a luta e a dedicação em prol da conquista desses ideais.

Assim, fica desde já claro e evidente que, para mim, não existe a mínima importância se na minha encarnação passada, ou se até no passado desta minha encarnação, eu fui bom ou mau, famoso ou anônimo, inteligente ou obtuso, intelectual ou rude, poderoso ou frágil, e até, para a satisfação de todos, devo incluir, rico ou pobre, homem ou mulher, feio ou bonito.

Para mim, o importante, o fundamental, o essencial, portanto, é eu saber quem na realidade eu sou no momento em que me encontro a escrever estas páginas, que considero de alta relevância e do mais profundo conteúdo científico. Para mim, o que de fato interessa e importa, é a minha autoavaliação consciente, independente e isenta de quaisquer elementos que possam interferir nesse conceito, sejam eles quais forem, venham de onde vierem, tenham a natureza que tiverem, exceto, é claro, as influências intuitivas do Astral Superior.

Dessa forma, ajuizando-me como de forma correta, para mim, eu devo me ajuizar, jamais me sentirei nem me julgarei mais ou menos importante a quem quer que seja, tenha os atributos que tiver, pois tenho a convicção plena e absoluta de que todos nós, sem nenhuma exceção, como partículas que somos da Inteligência Universal, chegaremos a nos confundir com o Todo, sem a mínima distinção que seja, por mais irrisória e irrelevante que nos pareça essa distinção. Mas eu tenho o meu próprio valor, que foi adquirido com honra e um tremendo esforço.

Assim, na realidade, o fato que neste momento exponho, reveste-se de importância maior para mim, creio, e não para o leitor, pois, para este, o fundamental é a comprovação científica de que já não existem mais barreiras entre os mundos material e espiritual, e que tudo pode conseguir a mente e a força de vontade humanas; pedindo, entretanto, que releve alguma pretensão encontrada em me servir de exemplo ou modelo de tal, que não procede. Para mim, além do fundamental da comprovação científica de interesse de todos, outros fatos e outros elementos se interligam. Coisas alheias a estas páginas, que descreverei em páginas outras.

Poderá, então, o leitor concluir que são os aspectos científicos e esclarecedores da nossa humanidade, as duas únicas forças que me levam a escrever estas verdades. E é a força da ciência verdadeira, portanto, da sabedoria, tão acentuada em meu íntimo, como também é a vontade de esclarecer a nossa  humanidade tão intensa em meu espírito, que sem o mínimo receio que seja, por mais ínfimo que seja esse mínimo, sujeito-me às interpretações mais escabrosas, levianas, infundadas e ridículas que por certo virão. E, certamente, virão daqueles seres humanos cujo grau de evolução citei no início destas páginas.

Porém, outro tipo de leitor por mim também já citado no mesmo espaço, ponderará. Poderá não concordar com aquilo que o seu raciocínio e a sua razão não aceitam. Tudo bem. Mas, pelo menos, e isso eu espero desse leitor, dará as razões que o levam a discordar de tudo o que ora lhe é exposto. Mas de forma verdadeira, honesta e ciente das minhas reais intenções. Respeitando os meus pensamentos, da mesma forma como eu respeito os pensamentos dele. Embora, como evidente poderá se tornar, não concordemos um com o pensamento do outro, o que não nos impede, e até nos impulsiona a debater, a discutir, a trocar ideias, conceitos ou mesmo opiniões, até concluirmos; ou, se não, a continuarmos cada qual com o mesmo ponto de vista anterior. E esse mesmo leitor, por seus atributos de inteligência, justiça, ponderação e influências outras de boa natureza, jamais observará a minha intenção, que, aliás, desta forma absolutamente não está exposta, como uma maneira de saciar algum sentimento inferior, que de tal natureza declaro, veementemente, não possuir; e, por conseguinte, enganar e iludir aqueles que são imbuídos da boa-fé. Tal ação é repelida, combatida e adversária minha em todos os níveis e intensidades.

PARA AQUELES QUE SE ACHAM AQUILO QUE AINDA NÃO SÃO

Aquele que por mais inteligência, senso de justiça, ponderação e isento de influências se considere dotado, mas que embora assim se considerando, ainda não o seja; e mesmo que também se considere esclarecido, mas que embora também assim se considerando, ainda não seja um estudioso e conhecedor da verdadeira vida, que é a vida espiritual. Para este, algo mais tenho que mostrar, para que não fique, nem de leve, a mínima dúvida dos objetivos e dos reais motivos que me levam a revelar este fato. Para este, tenho a obrigação verdadeira de fechar os falsos caminhos que levem o seu raciocínio a um lugar onde não resida a verdade sobre a essência, ou seja, do teor do aqui revelado, cujos elementos que o explicam e justificam devem ser os alvos das análises.

Para este eu mostro e lhe fecho os falsos caminhos, afirmando-lhe o seguinte: que todo o nosso acervo, todo o nosso patrimônio e toda a nossa riqueza, que traduz o tesouro da nossa inteligência e dos nossos atributos espirituais, é conquista individual e obtida, única e exclusivamente, à custa do próprio esforço, luta, estudo, sofrimento e raciocínio de cada um, sendo, portanto, intransferível, inalienável, eterno e característico a cada um de nós.

Por outro lado, todas as nossas fraquezas, todos os nossos débitos e todas as nossas imperfeições, que traduzem o montante do que devemos resgatar, são faltas individuais e cometidas em contrapartida à conquista posta logo acima, pelo mau uso do livre arbítrio, transgressões às leis espaciais, aos princípios temporais e aos preceitos universais, e satisfações de desejos materializados e intemperados de cada um, sendo também, portanto, intransferíveis e inalienáveis, mas provisórios e relativos a cada um de nós os seus resgates.

Em sendo assim, que atestado de insanidade, ignorância, má interpretação e até sentimento de cobiça não exibiria um ser humano qualquer que, sem o mínimo fundamento, revelasse ser ou desejasse ser uma outra pessoa? Além do mais, eu não revelo ser ou desejo ser uma outra pessoa, apenas afirmo ser eu mesmo, só que na encarnação passada era chamado de Ruy Barbosa, e, nesta, sou chamado de Marcos Valente Serra.

Fazer cortesia com o chapéu dos outros?

Em que engodo e em que trapalhada não se meteria alguém que se julgasse detentor de atributos que não fossem realmente seus, sem ter também a mínima noção das propriedades íntimas e particulares desses atributos, portanto, sem distingui-los na sua superioridade ou na sua inferioridade?

Não! Mil vezes não! Da mesma forma como com toda a força existente em meu espírito, repilo o desejo de possuir o atributo inferior de propriedade de uma determinada criatura, seja ela quem seja, da mesma forma também repilo o desejo de possuir o atributo de amor ao próximo de propriedade de Jesus, o Cristo, por exemplo.

O menos avisado, de início, concordará com aquilo que repilo em primeiro lugar, mas, além de discordar, também se espantará ao máximo com aquilo que repilo posteriormente. É que não encaro o fato pelo prisma desse leitor. Encaro pelo prisma de não poder jamais desejar atributos que não sejam meus, que não tenham sido conquistados com honra, esforço, luta, estudo, sofrimento, vontade posta em ação e, principalmente, raciocínio. Muito raciocínio!

Com relação ao que repilo em primeiro lugar: o que foi que me proporcionou incorporar ao meu acervo espiritual, algo de tão inferior que eu não fiz por merecer? E com relação ao que repilo em segundo lugar, o que foi que me proporcionou receber algo de tão maravilhoso que de igual modo eu também não fiz por merecer?

Ora, que tolice e que coisa mais sem sentido é essa de desejar e até tentar se apropriar de algo que não é seu, principalmente se o aqui tratado diz respeito fundamentalmente às coisas reais e verdadeiras, que são aquelas inerentes ao espírito; e não falsas e ilusórias, que são aquelas relativas à matéria.

É assim como o fato deve ser analisado, embora tenhamos a obrigação de observar os atos das criaturas inferiores em evolução para combatê-los; e, de forma contrária, os de Jesus, o Cristo, e outros espíritos superiores em evolução, para segui-los, divulgá-los e semeá-los nas mentes daqueles menos aptos e mais renitentes.

Dessa forma, com base no acima exposto, que é do meu “eu”; e, portanto, real e verdadeiro, indago: por que raios eu iria cometer a essa tolice e praticar um ato sem sentido de tentar me apropriar de atributos que não são realmente meus?

A CONFIRMAÇÃO DA MINHA REENCARNAÇÃO NÃO FOI OBRA DO ACASO

Não existe o acaso na natureza. Se as coisas acontecessem sem ordem, método e disciplina o Universo seria uma balbúrdia, uma desordem geral. Imperaria o imprevisto, o inesperado, o absurdo. A injustiça seria a mãe-natureza, pois tudo derivaria do nada, ou seja, haveria o efeito sem a causa.

Não haveria algo que viesse a justificar a existência do forte e do fraco, seria obra do acaso. Não haveria também algo que justificasse o não aniquilamento do fraco pelo forte, seria também obra do acaso.

Mas seria também por acaso que existiriam os perfeitos no físico a se exibirem em cinemas, televisões e revistas; e os aleijões a se arrastarem pela terra, tal qual répteis sorrateiros, a mendigarem pela própria sobrevivência material, observando nos olhos dos seus semelhantes e sentindo no âmago da própria alma o desprezo e a indiferença pela sua dor? Que existiriam os ricos de bens e dinheiro a se banquetearem em suas mansões luxuosas; e os pobres a arderem de dor vendo impotentes os seus filhos com os olhos suplicantes a lhes implorar algo com que lhes amenizem a fome? Que existiriam os políticos demagogos, corruptos e venais, rindo e abraçando aos ingênuos eleitores, tal qual bicho derivado do cruzamento da hiena com o tamanduá; e o operário brioso, sério, operoso, a levar toda a sua escassa renda, fruto de sua árdua labuta, para o seu honrado lar, e assim prover os seus do mínimo necessário que a dignidade humana aceita? Que existiriam os verdadeiros homens a desempenhar o seu papel de chefe de família e do lar, protegendo e amando a fiel companheira, servindo de exemplo e conselheiro da prole, e, por sua vez, as verdadeiras mulheres a desempenhar o seu papel de rainha do lar, honrando e amando ao amado companheiro, educando e cuidando também da prole?

Seria, caro leitor, por acaso?

Não! Absolutamente não! Porque existe uma Inteligência Universal, sapiente e perfeitíssima, que a tudo incita, transforma e evoluciona no mais alto grau de equilíbrio e harmonia, que estabeleceu tanto as leis espaciais, como os princípios temporais e os preceitos universais, estando tudo isso em prol da justiça e, também, do esclarecimento da nossa humanidade.

E foi em prol da justiça — da justiça para comigo mesmo e para com o Todo — que eu comparava a minha insignificância, a minha ignorância, o meu passado pueril e tenebroso, com os mais sublimes e elevados ideais em prol do esclarecimento da nossa humanidade, que se me apresentavam tal qual um dilúvio a arrastar de forma inapelável das profundezas do não-sou, do não-sei e do não-fui, tudo que não fosse em defesa da justiça.

Convenhamos. Sejamos justos. Eu estava em conformidade com as leis espaciais, os princípios temporais e os preceitos universais! Mas precisava, necessitava de algum elemento, de algum dado, que pudesse equilibrar os pratos da balança da minha comparação. Algo que justificasse ou que substituísse os elementos por mim comparados. A justificativa era, de certa forma, mais ilógica, mais ilusória, ou mesmo falsa, e menos esperada, pois um “zé ninguém” como eu não poderia encontrar uma justificativa para uma transformação tão radical. A substituição, por outro lado, se revestia de uma maior lógica, mais real, ou mesmo verdadeira, e mais esperada, uma vez que eu deveria possuir algo em mim que me diferenciasse, pelo menos um pouco, de umzé ninguém”. Mas, por mais que eu me esforçasse, eu nada conseguia: o elemento teria que vir de fora.

E seria, caro leitor, por acaso? Seria por acaso que esse elemento, necessariamente vindo de fora, se me aparecesse tal qual a fada-madrinha da Cinderela, que lhe transformou toda a aparência com vestidos de seda, sapatinhos de cristal, joias preciosas, carruagem de luxo, que antes era jerimum, e pajens, que antes eram camundongos?

Não! Não seria por acaso que esse elemento vindo de fora me apareceria. E não seria por acaso que esse elemento vindo de fora, ao me aparecer, calasse de forma tão profunda e marcante em meu espírito.

Como não foi por acaso que um dos meus irmãos, que também é militante do Racionalismo Cristão e preside as suas sessões públicas, e que por isso também luta pela Grande Causa da nossa humanidade…

Não seria por acaso que ele, sem razão alguma, apenas se manifestando de forma simples, inesperada, sem nenhum sentido e sem nenhuma justificação, ligasse de Campinas, São Paulo, para mim, e de repente me dissesse:

— Marcos, eu li em algum lugar uma comunicação de Ruy Barbosa afirmando que iria reencarnar!

ALERTANDO AO LEITOR SOBRE O ABSTRATO

Observar o abstrato. Perscrutar o invisível. Investigar minuciosamente aquilo que os olhos da matéria não veem. Penetrar nos já totalmente desvendados, mas não já totalmente difundidos segredos da vida e enigmas do Universo. Isso tudo não é tarefa para qualquer um não.

É preciso bagagem, mas muita bagagem espiritual, só conseguida ao termo de muitas encarnações, com estudo, sofrimento e, principalmente, muito raciocínio. É preciso equilíbrio de atributos, para que os mais desenvolvidos não sejam apagados por aqueles ainda em fase inicial de desenvolvimento, sendo esta a causa principal de não possuirmos atualmente cientistas humanos, ou seja, especialistas verdadeiros em ciências humanas, pois todos são desconhecedores da Espiritologia, a ciência das ciências: a única que pode, daqui para frente, através dos seus desdobramentos, resolver os problemas da vida. É preciso sentimento, e muito sentimento, para não nos limitarmos ao puramente físico, à matéria enganadora e ilusória, que atrofia o nosso raciocínio, tolda a nossa visão, prende a ela a nossa imaginação, sufoca a nossa inteligência: acaba com a nossa razão.

É preciso que nos conscientizemos que em toda a história da nossa humanidade sempre houve, há e sempre haverá grandes homens, grandes benfeitores deste mundo-escola; e todos eles, sempre dedicam as suas vidas em favor dos semelhantes. E que também é preciso saber separar o joio do trigo, como Jesus, o Cristo, assim o afirmou, ou seja, saber distinguir esses verdadeiros grandes homens, dos falsos e enganadores, principalmente atentando para o fato de que estes últimos só visam o interesse próprio. Assim, separado o joio do trigo, o falso do verdadeiro, devemos nos fartar amplamente de tudo o que este último — o verdadeiro — contém, pois é manancial límpido, cristalino, transparente, que brota espontâneo e natural dos planos mais elevados do Universo: fonte inesgotável de todo o saber.

Nunca é demais alertar ao leitor menos atento, para que ele sempre se situe no contexto do que ora aqui é exposto. Pois, caso contrário, caso ele veja todos os fatos aqui abordados apenas com os olhos materiais, com o seu raciocínio limitado apenas ao aspecto da matéria, caso infelizmente isto venha a ocorrer, ele verá daqui para frente que são tantas as coincidências, que são tantas as obras do acaso e que são tantos os fatos que possibilitaram as suas existências, que ao chegarmos a um determinado ponto, quanto mais evidências se lhe forem apresentando, mais cético ele irá se tornando. E exclamará:

— Esse autor é um autêntico Dr. Argumento!

Pobre infeliz, obtuso e limitadíssimo leitor. Não se apercebeu ainda de que há muito já se consagrou, perante a tudo, como o inesperado Dr. Acaso, ou até a um outro título, que por sinal considero até mais avançado e apropriado, o título de Dr. Coincidência.

Por isso, é necessário que tenhamos a visão real de tudo aquilo que observamos. É necessário pensarmos com responsabilidade, seriedade e, principalmente, elevação moral com tudo aquilo que nos vem ao intelecto. Caso contrário, poderá ainda outro leitor menos avisado, com características semelhantes às do anterior, não aceitar nada daquilo que lhe vem aos olhos, sem a mínima noção do porquê dos fatos. E precipitadamente, lastimavelmente, irracionalmente, exclamar:

— Esse autor explica, mas não justifica!

Ora, convenhamos, não existe a lógica para a idiotice, para a basbaquice, para uma criatura jaula como essa. O que por si se explica, justificado está. O que não se explica é aquilo que não se pode justificar. E o atraso mental dessa criatura, embora ela não saiba, explica-se pelo baixíssimo grau de evolução espiritual, e a sua falta de lógica se justifica como decorrência; o que prova que aquilo que por si se explica, também por si se justifica.

Não existem caminhos para o nada. Qualquer caminho que se entenda por caminho deve nos levar a algum lugar por nós almejado. Se seguirmos por algo que entendemos por caminho e que, ao chegarmos a um determinado ponto, achamos por bem retornar, em virtude do mesmo não nos levar aonde nós almejávamos chegar; esse algo que entendíamos como caminho deixa imediatamente de sê-lo e passa a se tornar um atraso, um contratempo, uma armadilha, que nos impede de seguir normalmente pelo nosso verdadeiro caminho, que é aquele que nos leva ao nosso lugar almejado e aspirado de chegada.

E isso é o que acontece com aquele que enxerga o caminho apenas com os olhos da cara. Esses olhos físicos, olhos da matéria, portanto, para a matéria, só caminhos afins podem nos mostrar. E todos esses caminhos, e isso qualquer um pode e deve saber, só nos conduz ao ilusório, ao efêmero, portanto, ao nada. Ora, concluamos: os nossos olhos materiais não podem, jamais, nos indicar caminhos, e sim, armadilhas, atrasos em nossa evolução e contratempos consertados com muitos sofrimentos dolorosos.

Não podem nos indicar caminhos porque o nosso verdadeiro caminho é para a Luz. Para o Todo. Para a Inteligência Universal. Para Deus. E para seguirmos em linha reta pelo nosso caminho, o verdadeiro, devemos nos guiar pelos olhos da nossa luz astral, da nossa razão, da nossa consciência, que coordena o nosso criptoscópio e o nosso intelecto, instrumentos exclusivos do espírito, desenvolvidos em rigorosa proporção ao respectivo grau de evolução, único meio de nos conduzirmos com acerto e precisão.

São com esses olhos, caríssimo leitor, que eu estou solicitando que veja e observe o que aqui explano. E é em busca desses belos olhos, únicos reais e verdadeiros, que ainda tento identificar outro tipo de leitor. Não o leitor de olhos puramente materiais, mas o romântico, o da mente fantástica e sonhadora: o literata. Este ainda pode exclamar: esse autor poderia ganhar um prêmio literário pela sua fértil imaginação!

Que vão às favas todos os prêmios literários existentes no mundo! Não me interessa, em nenhuma hipótese, prêmios, fama, dinheiro, ou seja lá o que for, ou o que seja, venha de onde vier, por qualquer obra minha publicada. Interessa-me muitíssimo, e isto sim, é o raciocínio claro, sério, profundo e responsável do caríssimo leitor, que de bom grado gostaria eu de exigir no lugar de todos os prêmios, dinheiro e fama.  Caso pudesse!

Deste ponto para frente, é relevantemente necessário que o leitor tenha noções da verdadeira vida espiritual: científica, elevada e séria. Que também se esforce para expor os frutos do seu raciocínio à própria razão, estando esta mais desenvolvida e equilibrada. Que tenha convicção nas afirmativas dos grandes homens que colaboraram para o esclarecimento da nossa humanidade, e até nas deste próprio autor, caso o caríssimo leitor o julgue merecedor de tal crédito.

Caso contrário, sem a mínima cerimônia, e a bem da verdade, recomendo ao mesmo parar imediatamente a leitura, pois, desta maneira, nada de útil, bom e proveitoso poderá captar para o seu espírito tão ansioso por luz. Pelo contrário, só obterá conflitos internos, choques de opiniões e o desenvolvimento próprio de renitências.

COMO SURGEM OS NOSSOS TALENTOS ADORMECIDOS

Quem promete, deve. E conforme o prometido, devo expor todos os fatos e reunir todos os elementos que justifiquem plenamente o que ora por estas páginas revelo. Espero que daqui para frente não vá o leitor confundir esses fatos e esses elementos com coincidências e obras do acaso, que reafirmo não existirem, a não ser na mente de alguns.

Pois bem. Qualquer criatura humana entendida na vida, e como entendida na vida considero todas as criaturas de padrão normal, alfabetizadas, inteligentes e de relativa experiência de vida — e nesse rol eu incluo o caríssimo leitor —, deve saber que inúmeros foram os casos ocorridos em que uma determinada pessoa… assim como que de repente, de um momento para o outro, subitamente, sem que ao menos esperássemos, de surpresa, sem que algo visível proporcionasse, sem causa aparente, sem que enxerguemos uma justificativa, de uma forma quase que inexplicável; revela-nos uma vocação concreta, um talento, uma arte, uma facilidade de realizar determinadas coisas que antes era impossível. E todos ao verem os efeitos dessa transformação, exclamam:

— Foi um estalo!

Mas até hoje, nenhum cientista das ciências materiais, nenhum cientista das ciências humanas, nenhum sacerdote, ou seja lá quem for, conseguiu dar uma explicação racional, lógica e coerente para o fato. A maioria foge do templo valiosíssimo da razão e apela para o bizarro, para o sobrenatural, para o ilógico, quando afirma:

— Foi o dedo de Deus!

Se Deus tem dedo, foi com o dedo da mão ou o dedo do pé? Se é lógico que foi com o dedo da mão, qual deles? Ah! É porque está em sentido figurado e eu não entendi? E alguém entende frase em sentido figurado? Por que, então, não acabar com a idiotice e a cretinice de falar em sentido figurado e falar sério e direto? Etc., etc.

Na verdade, esse fato tem explicação, como explicação tem tudo aquilo que nos cerca e nos rodeia neste mundo material deletério, fonte de inúmeros pensamentos doentios, pervertidos e viciados, daqueles que teimam em se manter na ignorância e no gozo ilusório da matéria. Mas tal tipo de explicação só pode partir daqueles cujos pensamentos emitidos ultrapassam esta atmosfera deletéria e não se misturam com os emitidos por aquela fonte de pensamentos doentios e outros mais.

E a explicação, a bem da verdade, é que quando o espírito se encontra em seu Mundo de Luz, portanto, antes de encarnar, ele estuda, planeja, detalha, analisa, pondera, traça, consulta e se utiliza de todos os recursos de que dispõe para aproveitar ao máximo daquele período no qual vai temporariamente permanecer enclausurado. E por ocasião dessas deliberações, ele emprega todo o esforço possível para debelar os sentimentos inferiores e os pensamentos negativos do seu espírito, no menor período possível. São esses, portanto, os caminhos do espírito: utilizar-se do limite máximo da força de vontade e do esforço de que é capaz, para, assim, no menor período de tempo possível, debelar todos os sentimentos inferiores e pensamentos negativos possíveis, para aproveitar o maior período de tempo possível e, por conseguinte, adquirir, fortalecer e aprimorar a todos os atributos individuais superiores e relacionais positivos possíveis. É a luta incessante e sem trégua que todos os espíritos travam, sem que haja uma única exceção, em busca da evolução, do conhecimento, da experiência, da Luz.

Dessa forma, o espírito decide o que deve ser debelado de inferior e negativo, o que deve ser conquistado de superior e positivo. Define os seus ideais. Traça a sua missão.

É sabido nos estudos científicos espirituais, e até no mundo material em que vivemos, sendo que este possui uma conotação diferente, por ser de forma análoga, que para vencermos um obstáculo, um inimigo, entendendo-se por inimigo tudo aquilo que nos torne imperfeitos, é preciso que o enfrentemos, que sintamos a sua força, o seu poder, para, devidamente preparados, podermos enfrentá-lo, dominá-lo e vencê-lo.

É por ocasião dessa luta, dessa batalha, que o espírito emprega todas as armas de que dispõe e que julgou necessário trazer do seu Mundo de Luz. Nesta ocasião, ele enfrenta o inimigo por inteiro nos seus próprios domínios. A luta é mortal. É vencer ou perder. Não há meio termo.

Se perde, sucumbe. Sofre avarias ou acumula débitos. Retorna para o seu Mundo de Luz vencido, humilhado, sem haver cumprido com a sua missão, por conseguinte, o seu dever e as suas obrigações naturais. Mas, de qualquer forma, geralmente disposto a retornar para uma nova luta.

Se vence, fortalece-se. Torna-se imbatível nos territórios que conquistou. Surgem-lhe os ideais, os objetivos a serem alcançados. Ele caminha rápido, sem maiores interrupções, pois o caminho está quase livre. Cumpre com a sua missão, com o seu dever, com as suas obrigações naturais.

É esta a única e verdadeira explicação para o fato. O espírito quando não demonstra os seus atributos, é porque algo de mais proveitoso e útil está demonstrando para consigo mesmo, a quem deve explicações, e não a terceiros. Jesus, o Cristo, afirmou: “Ajuda-te primeiro a ti mesmo”. Posteriormente, no exato momento em que de forma consciente achar que a sua luta no ambiente em que se encontra não mais precisa ser apenas em seu favor, e que ele se ajudou primeiro a si mesmo, conforme Jesus, o Cristo, assim ensinou, neste exato momento ele se volta quase que totalmente no sentido de cooperar com os seus semelhantes, dos mais carentes e necessitados de luz, que a partir deste momento o vê totalmente transformado.

Não foi por acaso, como tão bem entendido ficou. Esse espírito é que chegou a um determinado grau de evolução no próprio ambiente em que se encontra. E, em decorrência, a sua forma mais rápida de evoluir é se voltando para os seus semelhantes. Ele apenas alcançou a esse determinado grau de evolução na própria encarnação em que se encontra, mudando totalmente a sua forma de ser aos olhos daqueles que não compreendem e não conhecem as leis, os princípios e os preceitos espirituais, no caso o preceito da evolução.

Outros espíritos que já encarnaram neste mundo Terra, com esse mesmo grau de evolução já alcançado anteriormente, e em muitos casos até de muito superado, esses, como é lógico e decorrente, já vêm com a missão específica de alavancar a nossa humanidade, no que diz respeito ao seu processo de evolução. Esses também surpreenderam ao próximo, não com as suas “radicais” mudanças, mas pelo motivo de ser a nossa humanidade, e não eles próprios, o seu alvo desde as suas encarnações. Pode o caro leitor observar, que a estes são dadas denominações de precoces, de gênios e até de divindades.

Não deve, porém, alguém menos avisado confundir, devo alertar, esses espíritos que já alcançaram a essa classe evolutiva, da qual a única forma de evoluir no mundo Terra, já que não mais precisam encarnar, é fazendo evoluir aos seus semelhantes; com aqueles que não alcançando ainda a essa classe evolutiva, vivem a se intrometer na vida dos outros, quando, na realidade, as suas obrigações e os seus deveres é cuidar das suas próprias vidas, das suas próprias evoluções, até alcançarem a classe evolutiva dos primeiros. E são justamente esses intrometidos que aparecendo como figuras de papas, cardeais, bispos, padres, pastores, monges, rabinos, equinos, suínos e outros tais, encontram-se a iludir, a enganar e a se locupletar da humanidade desde priscas eras, retardando sensivelmente a evolução do planeta.

E é assim que tudo vai se explicando. Que tudo vai se esclarecendo. Que aos poucos vamos separando o joio do trigo, até que fique todo separado. E é para isso que os tempos são chegados. Para que a nossa humanidade se esclareça. Para que a nossa humanidade tome um novo rumo.

PENSO, LOGO SOU!

Aparentemente, e apenas aparentemente, não existe sequer um elo, um fato, um indício, um elemento que relacione a nossa encarnação atual com a nossa encarnação passada, e vice-versa.

Para provarmos que a observação acima é realmente aparente, e apenas aparente, vamos enumerar alguns fatos que não somente de forma indireta, mas também de forma direta, demonstram com clareza o que ora afirmo.

Na obra intitulada Páginas Antigas, a página 24, em seu artigo A Voz do Povo é a Voz de Deus, Luiz de Mattos afirma o seguinte:

“Há, sim, coisas ainda inexplicáveis quando se passe à vida transcendental, mas dentro do mundo físico, tudo pode ser esclarecido à luz da razão e, portanto, da verdade”.

Ora, até prova em contrário, tanto a minha encarnação passada, como a minha encarnação atual, passou-se e se passa dentro do mundo físico, sendo, portanto, à luz da razão e da verdade, passíveis de esclarecimentos, de acordo com a afirmativa acima. Não cabe aqui, ainda, nenhum comentário sobre o intervalo relativo ao período compreendido entre o momento da minha desencarnação como Ruy Barbosa, e o momento da minha encarnação atual como Marcos Valente Serra, visto que, além de transcender ao mundo físico, portanto, fora da afirmativa de Luiz de Mattos, não é esse intervalo, em nenhum momento, objeto do que por enquanto ora aqui se expõe.

Como se não bastasse essa minha afirmativa, devidamente em consonância com a afirmativa de Luiz de Mattos, vejamos, pois, de forma direta, como é possível saber: o mesmo Luiz de Mattos, a página 205 da referida obra, ao doutrinar o espírito de Sacadura Cabral, afirma:

“Mas a glória da aviação pertence, ouve agora, a Bartolomeu de Gusmão, a Santos Dumont (encarnação atual de Gusmão de outrora)”.

Neste caso, e de forma direta, sabemos a encarnação passada de Santos Dumont.

E para maiores ilustrações, as obras do Racionalismo Cristão afirmam claramente que o grande veritólogo, também um mestre em sabedoria, o espírito da verdade, foi, em encarnações passadas, Afonso Henriques, São Bernardo, dom Dinis, Cavaleiro de Oliveira e Nuno Álvares Maia, antes de encarnar como Luiz de Mattos. E ainda este, quando encarnado, em sua obra, Cartas ao Cardeal Arcoverde, a página 130, afirma:

“… já no século XV o grande Luiz de Camões, que já havia sido S. Matheus noutra encarnação”.

E continua ainda na mesma página:

“… Jesus, a sua partícula mais evoluída que na Terra esteve, quando no Egito, com o nome de Hermes, na Índia com o de Krishna, na China com o de Confúcio, e na Grécia com o de Platão…”.

Tudo isso já deve ser mais do que suficiente para convencer a quem quer que seja que esteja lendo estas páginas, que realmente é possível ao encarnado conhecer a encarnação passada, visto que a fonte é idônea, portanto, real e verdadeira.

De qualquer forma, e para que não reste a mínima dúvida, vamos enumerando mais fatos. Nas páginas anteriores deixei bastante claro que:

  1. As minhas intenções ao escrever esta obra são as mais claras possíveis, e nelas todas as portas se encontram hermeticamente fechadas para tudo aquilo que não seja verdadeiro e científico;
  2. De igual modo, os meus ideais e as minhas aspirações visam, única e exclusivamente, o esclarecimento da nossa humanidade, através da luta contra a ignorância e da busca incessante da verdade, única forma de se debelar tantos males, tantos sofrimentos e tantas injustiças existentes atualmente no mundo Terra;
  3. Por conseguinte, não viso em nenhuma hipótese, sob nenhuma analogia ou comparação, e de nenhuma forma, a mínima retribuição, por menor que seja, pelo esforço que emprego na conquista dos meus ideais e das minhas aspirações; não busco e não viso nem mesmo conseguir mais luz e evolução para o meu espírito, embora eu saiba que, quer queira quer não, estou conseguindo, visto que tal fato obedece às leis, aos princípios e aos preceitos do Universo; quanto mais fama ou riqueza material, que são desprezíveis, ilusórias e inferioríssimas, quando postas como metas de conquista humana.

E assim, eu pretendo que cada um entenda e aceite que, neste mundo material, onde se cruzam toda a sorte de pensamentos negativos, onde testemunhamos os mais hediondos e cruéis crimes contra a natureza humana, onde reina a balbúrdia e a discórdia entre quase todos os seres humanos que aqui temporariamente habitam, onde impera a lei do mais forte contra todos os princípios de justiça que no Universo existem, onde o egoísmo governa como o mais forte e o mais poderoso de todos os monarcas já existentes até hoje, onde os vícios que saciam os desejos intemperados e materializados falam bem mais alto que a voz da razão e do bom senso; ainda existem homens decentes e detentores de nobres ideais; ainda existem homens que não se deixam envolver pela onda desses pensamentos negativos e que ainda extrapolam a atmosfera terrestre, transcendendo-a, em busca de pensamentos afins aos seus; ainda existem homens que combatem com os exemplos da conduta e da ação própria, todos os crimes contra a natureza humana; ainda existem homens que lutam com as armas do raciocínio e da razão pelo entendimento fraternal dos povos; ainda existem homens que sacrificam a própria vida em defesa do mais fraco e da justiça; ainda existem homens que se despojam de tudo o que de valor apenas material contenha, para provar que o egoísmo não procede; ainda existem homens, enfim, que pelo uso de sua força de vontade, vencem os desejos viciosos da vida efêmera e se dedicam à verdadeira vida, que é a vida espiritual.

Atentemos bem para o fato! São homens assim que servem de instrumentos aos Espíritos Superiores na luta que estes travam pelo esclarecimento da nossa humanidade. São homens assim que possuem a convicção plena do que são e do que fazem, embora o que sejam e o que façam sejam contrários a tudo o que os demais sejam ou façam. São homens assim que conseguem suportar a tremenda pressão da descrença e da opinião alheia, sempre contrária a todas as ações e realizações superiores. São homens assim, caríssimo leitor, que verdadeiramente sabem pensar!

Dessa forma, quer queiram, quer não, mas em inteira conformidade com tudo o que acima expus, eu estou incluído neste grupo de homens ainda existentes, que lutam com todas as forças de que é capaz em prol da nossa humanidade. Eu estou incluído também no grupo dos homens que são instrumentos das Forças Superiores, que sabem o que são, o que fazem e que conseguem suportar todas as pressões contrárias, próprias deste mundo material, e ainda mais, vencê-las. E aqui, neste momento, eu posso afirmar, finalmente, mas afirmar de forma independente, segura e convicta, que também estou incluído no grupo dos homens assim que sabem pensar.

E saber pensar não é emitir qualquer pensamento que surge de repente e se esvai para sempre, qual fumacinha que provenha da cabeça de um palitinho de fósforo qualquer. Não é engendrar planos ou fórmulas para se conquistar algo que seja efêmero e útil a poucos. Não é formular hipóteses e teorias com elementos conseguidos apenas do mundo material, na tentativa vã de explicar algo que por sua natureza transcenda ao próprio mundo material. Não é se julgar conhecedor exclusivo de algo que não possa ser explicado e compartilhado com todos os demais.

Não, absolutamente não! Saber pensar é algo muito mais profundo e sério. É saber fazer vibrar, radiar e radiovibrar o espírito através de ideias oriundas de ideais nobres e elevados, que por isso não se esvaem, não enfraquecem, não desaparecem, por serem esses ideais frutos de uma missão pré-concebida em plano Astral Superior, surgidos de uma causa inteligente e que se fortificam e se ampliam até a sua consecução. É saber criar formas harmoniosas e planos de ação com base em meios lícitos, claros e ao alcance de todos, utilizando-se dos atributos espirituais de que é detentor para se conquistar algo eterno e para o proveito de todos. É saber obter as intuições emanadas dos Espíritos Superiores e emitir parecer sobre os fatos que nos cercam no mundo material e sobre os fatos que transcendem a este mesmo mundo material, utilizando-se dos respectivos elementos obtidos em conformidade com a natureza de cada um destes fatos. É saber cumprir o seu dever, escrevendo e divulgando aquilo que julga ser a verdade, conforme afirmou o grande filólogo Júlio Ribeiro, para que possa ser compartilhado com os seus semelhantes.

E como afirmei anteriormente que estou incluído entre os homens que sabem pensar. E como além de afirmar, também estou demonstrando com clareza o que é e o que não é saber pensar, conforme a minha obrigação, posso também exclamar: penso com absoluta convicção e certeza que na minha encarnação passada eu fui Ruy Barbosa!

Ora, é do conhecimento de todos, e todos deveriam ser convictos daquilo que Jesus, o Cristo, manifestou sobre o pensamento, quando disse: “Serás o que pensares”; assim, da mesma forma da afirmativa do grande veritólogo Descartes, quando disse: “penso, logo existo”; que são reais e verdadeiras, posso também exclamar: penso, logo fui! O que também é real e verdadeiro.

NEM OBRA DO ACASO, NEM COINCIDÊNCIA E NEM ADIVINHAÇÃO

É sabido por todos aqueles que estudam a Espiritologia com racionalidade — sendo que, com racionalidade, até os dias de hoje, apenas as obras editadas pelo Racionalismo Cristão tratam por este aspecto, além do nível científico, este assunto tão fundamental e importante para o progresso da nossa humanidade —, que de uma forma ou de outra, quer queiramos ou não, nunca estamos sozinhos, ou seja, sempre estamos acompanhados, bem ou mal acompanhados, e isso, é lógico, dependendo da natureza dos pensamentos que estivermos emitindo. Se emitirmos pensamentos de valor, entendendo-se como pensamentos de valor aqueles isentos de sentimentos inferiores, que visem o bem comum e que sejam firmes e claros, estaremos sempre bem acompanhados, quero dizer, estaremos sempre bem assistidos pelos Espíritos Superiores, que superintendendo a evolução deste minúsculo e atrasadíssimo planeta, passarão a nos intuir sempre para a prática do bem comum, e para a escolha do caminho certo a ser seguido.

Porém, caso emitamos pensamentos mundanos, entendendo-se como pensamentos mundanos aqueles repletos de ilusões e de desejos intemperados, próprios do mundo material, portanto, repletos de sentimentos inferiores, que visam apenas a satisfação própria, fruto do egoísmo carnal, e, em decorrência, vacilantes e dúbios, estaremos sempre mal acompanhados, quero dizer, estaremos sempre mal assistidos pelos espíritos inferiores, que quedados na atmosfera terrena, fazendo parte integrante do astral inferior, sendo testemunhas e réus de toda a sorte de crimes e misérias que campeiam por este planeta tão carente de valor e esclarecimento, nos intuirão sempre para a prática do mal, do vício, da ignorância e para a escolha de um caminho diverso àquele por nós escolhido em plano astral.

E tudo isso em estrita obediência às leis espaciais, aos princípios temporais e aos preceitos universais, mais propriamente à lei da afinidade e ao princípio da atração. Os afins se atraem, os contrários se repelem. Não foi à toa que Jesus, o Cristo, afirmou: “Diga-me com quem andas e te direi quem és”. Ele fez esta afirmativa amplamente amparado pela legislação universal. E é sendo conhecedor desta lei e deste princípio, que não apenas Jesus, o Cristo, como qualquer um de nós, poderá afirmar quem é cada um, com certeza da afirmativa, apenas com base nas simples companhias que procura, nos lugares que frequenta e nos hábitos que possui.

Assim, dos inúmeros exemplos práticos que existem, podemos afirmar que uma dona de casa honrada, jamais procurará a companhia de mulheres de vida fútil e leviana, não frequentará ambientes de reputação duvidosa e nem adquirirá hábitos mundanos; como também podemos afirmar, em contrapartida, que uma mulher leviana, ou uma mulher de vida fútil, ou até mesmo uma prostituta, jamais procurará a companhia de mulheres honradas, não frequentará ambientes familiares e simples, e nem adquirirá hábitos caseiros e do lar; simplesmente porque, em ambos os casos, não existe a mínima afinidade e nem o mínimo de atração. Tanto a dona de casa como a mulher leviana jamais procurarão uma a companhia da outra; a não ser aquela primeira para exercer alguma atividade de assistência social, pela sua índole de valor; ou esta última, para tentar perverter aquela primeira, pela sua índole má e ignorante.

E toda essa verdade que acima está exposta, é para ajudar a compreender melhor a natureza, a honradez e o valor de quem neste mundo material tenho a imensa satisfação de chamar: minha mãe! Aquela que pelo intenso amor, dedicação, compreensão, amparo material, esclarecimento espiritual, exemplos de valor e, até, pulso enérgico, é a grande responsável por este espírito, que outrora e até recentemente era escravo das paixões inferiores, e que hoje, esclarecido, confiante e operário da Grande Causa esclarecedora da nossa humanidade, está a escrever estas páginas.

E foi essa mulher, esse espírito ímpar na face da Terra, que com apenas trinta e tantos anos de sua gloriosa existência física, viu-se, não mais que de repente, com o marido internado em um hospital para loucos, com seis filhos menores para criar, desamparada financeiramente, já que os vencimentos do marido davam apenas para o aluguel da casa e para custear o seu próprio tratamento médico, e sem o apoio dos seus próprios familiares, que com justiça deveriam ter a ela oferecido.

Pois bem, essa mesma mulher, esse mesmo espírito ímpar na face da Terra, jamais permitiu que um só dos seus seis filhos deixasse de ser educado no melhor colégio da cidade em que morava, nunca e jamais por vaidade, posso afirmar com a convicção advinda do mais profundo de minh’alma, mas sim por extrema e absoluta necessidade de tentar educar aqueles seis espíritos adolescentes, que neste mundo cruel e de aparente injustiça, só tinham a ela a lhes amparar e a mais ninguém; nem que para isso trabalhasse dia e noite, debruçada sobre uma máquina de costura, a confeccionar os mais diversos tipos de roupa que a ela fossem encomendados; e nem que para isso também tivesse a extrema coragem de quase implorar aos donos do colégio, irmãos maristas, que dispensassem do pagamento alguns dos seus filhos, pela quantidade dos que estavam a estudar e pela absoluta falta de condições em arcar com as mensalidades escolares; e, atendida em seus propósitos, sem poder conter o imenso atributo de gratidão que lhe invadia o espírito, corria a preparar os mais deliciosos doces para os seus benfeitores, como único meio encontrado de agradecer e retribuir todo o bem que, não para si, mas para os queridos filhos recebia.

E mais, bem mais coisas realizou esse espírito, honra e glória das verdadeiras mulheres. Jamais, em momento algum, deixou de cuidar com esmero, dedicação, senso do dever e fraterna humanidade daquele a quem aos 18 anos de idade ela desposou; do início, ao ele adoecer mentalmente, ao final, ao desencarnar devidamente assistido por ela e pelos filhos. E por todo o tempo se mantendo sempre fiel e honrando o nome do esposo, mesmo chegando ao extremo de se deparar com o inaceitável da conduta humana, ao se ver obrigada a repelir maus conselhos da própria irmã e até investidas dos próprios parentes.

E talvez não tivesse completado ainda 40 anos de idade e já era conduzida pelas Forças Superiores a frequentar as sessões do Racionalismo Cristão em Fortaleza, que naquela época ainda não passava de um simples e pequeno Correspondente, tendo à sua frente apenas o saudoso e inesquecível João Candeia, e o seu leal e amigo filho, também meu amigo, José Maia; e, hoje, Filial com sede própria presidida por este último. E é nesta mesma Filial que ainda hoje a vemos diariamente, como médium, a cumprir com os seus deveres e obrigações espirituais.

Todos os seus esforços, todas as suas lutas, todas as suas vitórias conquistadas pela educação dos filhos, pelo exemplo de esposa honrada e dedicada, podem ser testemunhados pelos próprios seis filhos, o que deveria bastar como provas testemunhais; pelos parentes; pelos advogados, juízes, promotores de justiça e desembargadores que foram colegas do próprio esposo; pelas viúvas dos que exerceram cargos no magistério público, a quem ela tanto ajudou ao lhes proporcionar uma vida digna, antes aviltada pela imensa defasagem ocorrida em suas pensões; e por todos que ainda hoje possuem a satisfação de usufruir da sua amizade.

E foi essa grande mulher, esse grande espírito sofrido, e por isso curtido pela vida, essa alma de natureza sensível por seus atributos mediúnicos, que em um ambiente ameno, repleto de amores materno e filial, portanto, devidamente bem assistido pelas Forças Superiores; que me surpreendeu, espantou-me, estupeficou-me, quando, emprestando à voz um leve tom de gracejo, em virtude do intenso choque que poderia causar, caso houvesse um tom sério e carregado na voz, perguntei-lhe:

— Mamãe, eu sei quem fui na encarnação passada. Posso lhe adiantar que se trata de um escritor famoso. Adivinhe quem foi?

— Ruy Barbosa! — respondeu-me ela sorrindo e exatamente no mesmo tom de voz.

Surpreendido, espantado e estupefato, conforme antecipei acima, senti-me qual um menino de calças curtas flagrado na mais intensa traquinagem. E com a fisionomia de bobo, que com toda certeza eu estava, e ainda com um sorriso amarelo, perguntei-lhe ainda:

— Quem lhe disse?

— Ninguém! — respondeu-me ela ainda sorrindo, mas estampando na sua face a mais pura, a mais angelical e a mais meiga das expressões de mãe.

Desconversei sorrindo. Mudei o assunto.

E agora eu pergunto: foi mera coincidência ou pura obra do acaso a minha iniciativa em gracejar com a minha mãe com respeito a um fato que para mim era extremamente sério? Foi também mera coincidência, pura obra do acaso ou simples adivinhação, ela haver respondido, de imediato: Ruy Barbosa?

Não, não foi não, estimado leitor! Já afirmamos e provamos em páginas anteriores que não existe o acaso na natureza, que tudo tem a sua razão de ser, que o fato acima ocorrido serve apenas como reforço à minha afirmativa na mente das criaturas sensatas, mas de apenas mais uma coincidência, mais uma obra do acaso, ou mesmo uma pequena adivinhação na mente dos seres humanos ainda renitentes.

Ora, como Ruy Barbosa, embora sendo escritor, jamais fiquei conhecido apenas como tal. Fiquei mais conhecido, e bem mais conhecido, pela grande inteligência e erudição que afirmavam que eu era detentor, o que, não só para o desespero de muita gente, como também para anexarmos mais provas ao que ora afirmo, provarei mais adiante, mas talvez não aqui nesta obra, ser falsa a primeira afirmativa. Eu também fiquei bastante famoso pela denominação pomposa, e bem pomposa, de Águia de Haia, o que também, não só para o desespero de mais gente ainda, como também para anexarmos cada vez mais provas ao que ora venho afirmando, provarei que eu jamais me pareci, nem na diminuta aparência, quanto mais no alto valor intelectual que, analogamente, exprime esta palavra, com essa que é uma das maiores e a mais forte das aves de rapina, mas sim com outra de natureza diversa, mais precisamente do gênero de abutres, da família dos catartídeos, bem mais conhecida por urubu.

Mais conhecido como escritor foi José de Alencar, cearense, nascido em Messejana-CE, que escrevia versos em forma de prosa, que nos deixou obras como Iracema, o Guarani, Tronco do Ipê e outras mais. Mais conhecido como escritor foi Machado de Assis, Érico Veríssimo, Guimarães Rosa, Monteiro Lobato, Graciliano Ramos, Euclides da Cunha e tantos outros nomes, senão por ela lidos, mas, com certeza, dela conhecidos.

Então, por que no meio de tantos nomes, por que no meio de tantos escritores famosos, foi ela mencionar justamente o que menos por escritor era lembrado? E por que justamente o correto?

Eu, pessoalmente, não só me sujeito, como também estou sujeito a críticas de toda a sorte e natureza. É normal. É esperado. Mas alguém em sã consciência, com elevado senso de justiça, ciente da existência laboriosa e útil desse espírito — que não por acaso me gerou em seu útero —, comprovada e comprovável em todas as fontes de informações possíveis; jamais poderá afirmar, a não ser que cometa um tremendo crime espiritual, que esse espírito não foi um instrumento das Forças Superiores para me prover deste argumento que ora a todos cientifico.

É TUDO COM BASE NO RACIOCÍNIO, NA LÓGICA E EM ELEVADOS IDEAIS

É lógico e evidente que tanto as afirmativas como as negativas são passivas das devidas demonstrações de suas autenticidades, para que posteriormente possamos utilizá-las de forma espontânea e natural em favor dos nossos objetivos, ou mesmo de outros assuntos em que devamos enquadrá-las.

Assim, não poderia eu, é claro, abordar outros assuntos em cujo contexto inserisse a minha vida anterior como Ruy Barbosa, sem que tal afirmativa estivesse com a sua autenticidade devidamente demonstrada. E isso, talvez, não se revista de fator relevante para o amigo leitor. Mas é de extrema relevância que eu, o afirmante, esteja não somente convicto, como o estou, mas familiarizado, acostumado, íntimo e comum ao fato.

De qualquer forma, para que não reste a menor dúvida de que esta afirmativa seja originada de pesquisa profunda, amplo raciocínio, deduções lógicas, e, principalmente, pensamentos afins a ideais elevados, que em sintonia com o Astral Superior, proporcionou a que este me intuísse para a conclusão, devo afirmar que o aqui exposto não se reveste, em nenhuma hipótese, de alguma revelação divina ou além de qualquer outra mediunidade que não a intuitiva, e digo que não a intuitiva porque é esta comum a todos os seres humanos, sem nenhuma exceção, e também porque tudo o que dela provém é, invariavelmente, diretamente proporcional e afim à natureza do pensamento que a captou.

Posso concluir, então, que é fruto do poder criador do espírito humano. Que é obra da Inteligência Universal. Que é ciência.

Agora, para que todos façam as suas próprias analogias e conclusões, vamos comprovar como estamos em inteira conformidade com o nosso mestre Luiz de Mattos, quando em sua obra Cartas Oportunas Sobre Espiritismo, as páginas 140 e 141, ele afirma o seguinte:

“Felizmente, pude despertar a tempo de cumprir a minha missão na Terra, auxiliado pelo meu querido companheiro Luiz Alves Thomaz, e desde o momento em que constatei a existência da vida fora da matéria, passei ao trabalho da pesquisa, estudando, a fundo, a Força Criadora de tudo, que sentia em mim mesmo e me intuía (grifo meu) para a prática do verdadeiro espiritismo (que é científico e não religioso), pregado por Jesus na sua época e que os homens deturpam deliberadamente”.

E, ainda, para uma maior convicção do que ora afirmo, Luiz de Souza, em sua obra A Felicidade Existe, a página 305, comprova tudo ao arrematar:

Pode parecer, aos menos avisados, que a Doutrina Racionalista Cristã é mais uma filosofia entre tantas outras, mas, na realidade, ela foi estruturada pelos Espíritos do Astral Superior, que se serviram dos fundadores Luiz de Mattos e Luiz Alves Thomaz, como esteios (não médiuns) e intermediários (grifos meus) dos seus pensamentos”.

Agora, admiremos a clarividência, o raciocínio, a inteligência, a percepção e a elevadíssima superioridade de Luiz de Mattos, quando com a extrema segurança que lhe era peculiar, sem se preocupar em demonstrar as suas afirmativas, já que apenas poucos como ele não o precisam, pois que basta apenas mostrar, deixando a parte operacional, a mão-de-obra barata para os seus seguidores, e ficando estes responsáveis e na obrigação de demonstrar; pois bem, admiremos a esse Espírito Superior quando, no início do século, com relação a este mesmíssimo assunto em que este infeliz autor tanto se esforça por demonstrar, e, por conseguinte, cumprir com as determinações do mestre, este já discorria sobre o mesmo com a maior naturalidade possível, como se ele próprio estivesse à vontade no próprio seio da família a tratar de amenidades.

Senão vejamos. Em páginas anteriores declarei, e quem quiser comprovar é só pesquisar no acervo existente, que as obras do Racionalismo Cristão afirmam haver sido Luiz de Mattos, em encarnação pretérita, um religioso, um ultramontano católico, mais precisamente, um frade: São Bernardo.

Pois bem. Observemos agora quando ele, de maneira amiga, amabilíssima, de forma normal, naturalíssima, revela não só a sua pré-existência fradesca, como também a do próprio endereçado de suas palavras. E ainda revela como se lembrasse, como se recordasse, como se estivessem mantidas frescas em sua memória todas as recordações do “velho” amigo, quando, em sua obra Cartas Oportunas Sobre Espiritismo, as páginas 217 e 218, ao tentar esclarecer um espírita religioso e renitente, afirma o seguinte:

“Resolvi palestrar contigo, meu caro Gustavo, porque se tens prazer em “fradejar” as tuas atitudes, ditas por ti espiritualistas, e assim dar às tuas “pregações” um fundo e uma forma Mont’alvernianas, bem fradescas, portanto, bem tuas, meu Gustavo, também eu tenho prazer em conservar o meu velhíssimo hábito, que hoje os novos denominam de velharias, correspondência epistolar…

Assim, por este velhíssimo sistema epistolar tão usado e amado pelo nosso incomparável mestre, Padre Antônio Vieira, pelo Cavaleiro de Oliveira, no século XVII (vide suas cartas da Holanda), Padre Gusmão e muitos outros do século XVIII, pode minh’alma, muito amiga da tua, mostrar aquilo que de fato é, e não o que parece….”.

Sempre constante na linha de que “quem pode mostra, quem não pode demonstra”, vejamos nesta nossa demonstração, quem na realidade era esse “Meu caro Gustavo” nesses idos tempos. E é Luiz de Mattos quem nos mostra, quando na referida obra, a página 249, afirma:

“Como em geral fazem os sectários das diversas seitas, inclusive o meu frei Solanus, que agora se assina Gustavo Macedo…”.

E continua se referindo ao Frei Solanus de outrora, ou ao Gustavo Macedo da sua época, como queiram, a página 277, quando diz:

“Quantas vezes, meu Gustavo, nas encarnações anteriores, tu, clérigo, tu, frade, saías do coro, após aqueles maviosos cantares, ditos sacros, e que agora denominas devocionais, e ias torturar, por diversas maneiras, os cristãos novos, como Antônio José (o Judeu), e milhares de outros que, após as músicas devocionais, e até durante estas, eram queimados?”.

Eu venho demonstrando, como é possível nós, seres humanos, nós, partículas do Ser Total, sermos conhecedores de tudo o que nos cerca, rodeia-nos, ou que nos relacionamos. Desde, é claro, que a amplitude do nosso raciocínio e a extensão da nossa inteligência assim o permita.

Por outro lado, qualquer um de nós tem a plena e real condição de avaliar o valor do espírito humano, para tanto, basta apenas querê-lo. Como? Separando o joio do trigo, como alguém de muitíssimo valor assim o afirmou.

Pois bem, atentem agora todos para o que vou indagar: se sabemos que é possível conhecermos tudo o que nos cerca e que nos relacionamos, e se as nossas limitações não nos permitem conhecer algo que está contido neste conjunto, por que não separamos o joio do trigo, já que temos condições para tanto, e não damos credibilidade às afirmativas de quem reúne condições de tal conhecimento ou entendimento?

Quero com isso, não somente confessar, como também esclarecer, que as minhas limitações não me permitem, não me dão acesso ao conhecimento ou o entendimento que teve Luiz de Mattos dos fatos que possibilitaram a ele descobrir acontecimentos dos seus idos tempos, como: quando afirmou que o seu companheiro saía do coro e ia torturar cristãos novos, inclusive citando nomes. Mas sei que é um espírito de acentuadíssima evolução, e que por isso eu dou absoluta credibilidade às suas afirmativas.

Observemos agora, que exemplo de amizade sincera e eterna nos dá esse espírito, quando continua na mesma obra, a página 333, a dizer:

“É meu dever te esclarecer, meu Gustavo, porque muito te quer a minha alma, velha companheira da tua, sempre superiormente fradesca nas encarnações passadas”.

E que prova mais concreta de evolução, de sinceridade, de remodelação e de esclarecimento do espírito nos dá esse mestre, quando, sempre na mesma obra, revela-nos as suas fraquezas, a sua ignorância, o seu despertar, ao afirmar as páginas 353 e 354, o seguinte:

“Se denomina diabo com guampas, rabo e pés-de-cabra, conforme o inventamos nos tempos idos, nas encarnações anteriores, em que fradejando essas vidas passadas, era nosso desejo ardente fabricar cretinos, para mais facilmente dominarmos em toda linha e levarmos vida folgada entre almas nossas, mui prestimosas, mui quituteiras, abadessas e freirinhas, “esposas de Cristo”, e por vezes, e não poucas, dos pregadores dos tais Evangelhos atribuídos a esse valoroso e grande espírito.

Farto estou de observar que hábitos velhos, especialmente os que dão prazer à vida inferior e que na carne produzem sensações agradáveis, embora momentâneas, hábitos de escravizar mulheres bonitas aos desejos intemperados, as coisas que denomino garanhice, farto de saber que tais hábitos que o ser humano vem praticando, desde a sua primeira encarnação, constituem uma segunda natureza, como vulgarmente se diz, ou uma vida inferior dominante, que somente com grande trabalho se pode, pouco a pouco, corrigir.

E daí é que resulta a tal afirmativa de que a natureza não dá saltos, porque a partícula da Força que organiza, incita e movimenta o corpo humano que lhe serve para estar no mundo físico, indolente e quase querendo imitar as forças graníticas, tendo o seu livre arbítrio, sente-se melhor assim animalizada do que lutadora para tudo vencer na vida real.

Desse mal, meu Gustavo, sofri eu até aos cinquenta anos desta encarnação; sofres tu, ainda, velho companheiro, e sofre a humanidade em geral, porque os espíritos, até certas categorias, tendem todos para o menor esforço e mais fácil viver”.

Parece-me que agora, não só eu, como também o caro leitor, encontramo-nos como que envolvidos, entrelaçados, ativos a tudo o que até agora está apresentado para nós. Eu, claramente, colocado na posição de expositor dos fatos, e o leitor, com não menos clareza, situado na posição de julgador desses fatos.

O meu posto e a minha posição, em nenhuma hipótese serão por mim abandonados. Pelo contrário, continuarei firme na minha obrigação, no meu dever, na minha missão, de expor tudo aquilo que considere ser necessário apresentar ao leitor, até que também julgue, por bem, considerar como suficientes todos os fatos apresentados e relativos ao assunto ora aqui revelado.

Por outro lado, espero que o posto e a posição do leitor de julgador desses fatos, também não sejam por ele abandonados. Sendo ainda a minha máxima obrigação, não só lembrá-lo, como também alertá-lo, de que todo e qualquer dos seus julgamentos o enquadrará, o posicionará em um dos tipos de leitores por mim descritos anteriormente nos princípios desta parte.

NÃO ME PREOCUPA A OPINIÃO, MAS SIM O ENTENDIMENTO DO LEITOR

É importante que se fique ciente que, para mim, a opinião pública é como se fosse um risco n’água, ou seja, não vale um tostão furado, como se diz na forma bem popularesca, ou, ainda, não vale um momento sequer de atenção, como tão bem dizia o espírito do Pe. Venâncio de Aguiar Café, ao doutrinar o de Álvaro Reis.

Mas tudo isso porque procuro sempre submeter todo e qualquer fato, bem como tudo que a ele diga respeito, ao meu próprio raciocínio. E sendo este esclarecido e orientado para considerar o lado verdadeiro e absoluto das coisas, não há por que desconsiderá-lo em relação a outros, que na maioria das vezes, não importando de onde venham ou de quem provenham, são ignorantes e materializados, embora massificados.

E para provarmos de vez que tudo o que acima está exposto é a mais pura e absoluta expressão da verdade, vamos buscar a confirmação no mestre Luiz de Mattos, quando em sua obra Pela Verdade, a página 175, ele afirma:

“Por isso, as religiões e a ciência materialista têm feito deste mundo um grande manicômio, onde cada um exibe as suas loucuras, os seus tristes estados mentais. Essa situação é tão dolorosa, que ninguém cometeria qualquer exagero se afirmasse que dentre os habitantes deste planeta, não se tiram 5 por cento de seres humanos normais”.

Devemos atentar para o fato de que esse grande veritólogo e, também, livre pensador, fez tal afirmativa se referindo aos seres humanos habitantes deste planeta, no início do século passado. Hoje, porém, o curso dos acontecimentos nos leva a crer que a situação é bem mais diferente, devendo-se entender, hoje a situação é dramaticamente pior. Nenhum ser humano em pleno gozo de suas faculdades mentais, utilizando plenamente o seu raciocínio e com total equilíbrio dos seus atributos, faria uma estimativa através de um percentual tão otimista quanto ao do utilizado pelo mestre. No máximo, considerando uma profunda confiança na nossa humanidade, consideraria como sendo de um por cento o total de seres humanos normais que habitam atualmente o nosso planeta.

De qualquer forma, isso quer dizer que, embora representados por um percentual mínimo, existem ainda muitos seres espiritualizados e esclarecidos, cujas opiniões firmadas em argumentos sérios e responsáveis, seriam muito bem recebidas e analisadas por este autor. E não só isso, devidamente aceitas e seguidas, caso procedentes.

E um enorme contingente de seres espiritualizados, mas não esclarecidos, cujas opiniões também firmadas em argumentos sérios e responsáveis, seriam de igual modo muito bem recebidas e analisadas por este mesmo autor. Embora remotas de serem aceitas e seguidas, face à característica de que realmente procedam.

Assim, a minha grande preocupação é dirigida quase que de forma total ao entendimento do leitor. Se ele realmente analisa os fatos aqui expostos com os olhos da razão, ao invés dos olhos da cara. Não se baseando naquele entendimento obtido através da sua própria opinião, de há muito já formada. Embora eu esteja absolutamente convicto dos fatos que ora venho expondo, estou aberto às considerações sérias e responsáveis, desde que partam, é lógico, de um intelecto que possua um limite mínimo de conteúdo, para que assim possa ser considerado.

Eu digo absolutamente convicto, porque sempre busco para as minhas afirmativas a confirmação naquilo que disseram os grandes homens, dos grandes homens que já alcançaram um grau de espiritualização e esclarecimento que excedeu, transbordou ao nosso mundo, transcendendo-o. E por isso vivem hoje em mundos superiores, em mundos extraordinariamente mais espiritualizados e desenvolvidos em relação ao que ora nos encontramos, e, também, aos que em breve nos transportaremos.

Este fato, de forma racionalmente aceitável, supre, preenche, adéqua, desconsidera, torna irrelevante toda e qualquer imperfeição pertinente ao autor, que de uma forma ou de outra possa interferir e distorcer a apreciação dos fatos ora aqui expostos. Principalmente quando um desses homens afirma direta e literalmente que o ser humano tem o poder não só de penetrar o passado, como é o caso, pelos menos até o momento do que ora coloco em pauta, mas também o de penetrar o futuro. E foi Luiz de Mattos, nada menos do que ele, em sua obra Vibrações da Inteligência Universal, a página 25, quem afirmou que:

“O homem, quanto mais espiritualizado, mais consegue o poder de elevar a sua alma além das condições do tempo e do espaço, e de penetrar as coisas do passado e do futuro, por ínfimas que sejam”.

Dói-me n’alma supor ao menos de leve que alguém, por desconhecer a vida e a obra desse homem que foi um dos maiores benfeitores da nossa humanidade, não lhe repute o valor e a consideração devidos. Principalmente, se ainda considerar a existência de alguma admiração exagerada deste autor para com ele.

É por isso que eu venho novamente ressaltar a minha grande preocupação com relação ao entendimento do leitor. Se você, caro leitor, duvida desse grande homem, é porque de há muito vem duvidando de mim. Se há muito vem duvidando de mim, é porque não compreendeu e não atentou para os fatos até aqui expostos. Pois bem, se no final do tópico anterior lembrei e alertei a todos os leitores que qualquer julgamento os esquadrariam, posicioná-los-iam, quer quisessem ou não, em um dos tipos de leitor por mim descritos anteriormente nos princípios desta parte; é de se supor que outros autores, também, assim o fizeram, embora involuntariamente. Então posso perguntar:

Em qual quererá você, caro leitor, enquadrar-se, ou se posicionar, dentre os tipos em que um dos maiores vultos da história da humanidade reservou para você?

Será que é no tipo do sábio, cujos olhos penetram o interior das coisas, das realidades — do passado e do futuro, como complementa Luiz de Mattos —, reconhecendo neles sempre a vida, em que o ser, por intermédio da Força e da Energia, utiliza-se da matéria, do corpo, para que no encarnar e desencarnar possa proceder a sua evolução?

Ou será que é no tipo ignorante, renitente, obtuso ou néscio, cujos olhos só veem as aparências, e que, por isso, sem penetrar no interior das coisas e das realidades, só reconheçam nelas sempre a morte?

Pois somente uma dessas opções o nosso grande Pe. Antônio Vieira deixou reservada para você, quando em 1634, no sermão de S. Sebastião, afirmou:

“Entre os olhos dos néscios e os olhos dos sábios, há grande diferença: os olhos dos sábios, como penetram o interior das coisas, veem a realidade.

E como, naqueles que morrem pela verdade, está encoberta a realidade da vida, debaixo da aparência da morte, por isso os néscios, que só veem as aparências, presumem nelas a morte, e os sábios, que penetram as realidades, reconhecem nelas sempre a vida”.

Fica agora o leitor, suponho, na mais cruel dúvida de toda a sua proveitosa, espero, existência. E aqui a situação é real, verdadeira. É aqui, com certeza, que caberia a famosa indagação do autor inglês Shakespeare, a qual diz “Ser ou não ser, eis a questão”.

E para que o leitor não permaneça na dúvida e nem sofra com o cruel martírio de optar exteriormente por um tipo e interiormente por outro, deve, exatamente como fiz, recorrer ao Pe. Antônio Vieira, o qual, pela sua extrema sabedoria e amor ao próximo, não iria permitir que florescesse a dúvida e a incerteza na mente do seu semelhante.

Assim, diz também esse notável, no sermão a Santo Antônio, em 1654:

“O leme da natureza humana é o alvedrio, o piloto é a razão.

Mas quão poucas vezes obedecem à razão os ímpetos precipitados do alvedrio?”.

UM DOS MEUS ATRIBUTOS CARACTERÍSTICOS NAS DUAS ENCARNAÇÕES

Nas páginas anteriores, afirmei que provaria ser falso o dizer da opinião pública de que como Ruy Barbosa eu fosse detentor de uma grande inteligência. Isso vem exatamente comprovar o que também afirmei no item anterior, ou seja, que a opinião pública para mim é como se fosse um risco n’água.

Por outro lado, eu sei perfeitamente bem que o leitor vem acompanhando com uma certa dose de ansiedade, de ansiedade acrescida a uma grande expectativa, a maneira pela qual provarei a minha afirmativa. Mas não se apresse, caro leitor, saiba que a paciência é um dos principais atributos que levam as realizações humanas ao sucesso, e que tudo tem o seu tempo certo.

E este agora não é o momento certo para isso. Este é o momento certo para primeiro prepararmos o terreno, para posteriormente o adentrarmos. É o momento certo para tirarmos apenas uma casquinha, como se diz por aí. É o momento certo para mostrarmos o motivo e justificarmos todo o “talento” que ele, ou eu, tanto faz, era detentor na encarnação passada. E mais: considerarmos o fato que justificou a esse “talento” e o relacionar com o fato que substancialmente marcou a minha vida até a recente data. O qual, devo sempre e mais uma vez repetir, não por coincidência ou obra do acaso, que não existem, é o mesmo.

O medo, ou o receio de enfrentarmos os nossos obstáculos quase intransponíveis, os nossos inimigos tremendamente poderosos, os nossos problemas aparentemente sem soluções, levam-nos, invariavelmente, ao fracasso. É preciso que sintamos em nossos íntimos, sendo nós esclarecidos ou não, toda a pujança da nossa força, da nossa capacidade e do nosso poder de realização. Assim, dessa forma, conscientes ou não, saberemos que não existe nada, absolutamente nada, neste mundo material, que não possamos vencer ou conquistar com tudo isso que sentimos dentro de nós. E isso, note-se, aplica-se tanto para o lado bom da vida, como quase para o lado mal.

Que cada um veja, compreenda, mensure a força, a capacidade e o poder sentido por Hitler, em seu íntimo. Esses atributos utilizados em favor de um determinado objetivo substituem, e em muitos casos com grande vantagem, o verdadeiro talento. E foi justamente esse “talento” de Hitler que fez com que durante a Segunda Guerra Mundial quase o mundo todo fosse destruído. Foi se utilizando desse “talento” que o líder iraquiano Sadan Hussen fez o que fez.

Mas, infelizmente, isso não se restringe apenas ao âmbito da criatura humana. As mais diversas instituições sentindo-se fortes, capacitadas e poderosas, praticam também todas as mazelas, patifarias e engodos que alguém possa imaginar.

Os credos e as suas seitas iludem ao néscio, aliam-se aos espertalhões, principalmente políticos, intrometem-se na vida particular e pública das nações, comercializam salvações, prometem o reino eterno, esmoleiam, apropriam-se, utilizam-se da imprensa, buscam interesses mesquinhos e materializados, escamoteiam, enfim: atrasam o progresso e a evolução da nossa humanidade.

Os políticos mentem, locupletam-se, prometem o céu na terra, aplicam o “conto do vigário” nos crédulos eleitores, legislam em causa própria ou em favor de quem os subornou, não visam o bem dos seus semelhantes, mas apenas o próprio bem-estar, possuem por isso a imagem do bandido, mas sabem que mandam, por isso trocam a própria honra pelo poder, enfim: também só males espargem sobre a nossa humanidade.

Porém, quando nós, seres humanos, utilizamos a nossa própria força, capacidade e poder para enfrentar e vencer a tudo o que se nos aparece pela frente, seja lá o que for, tenha a natureza que tiver, podemos reunir tudo isso em um único vocábulo que exprime tudo: CORAGEM!

E que coragem não demonstra uma criança com idade inferior a oito anos, quando em sua casa, na sala de jantar próximo a escada que leva ao sótão, ao olhar para o alto dessa escada lhe vê surgir na frente uma espécie de criatura humana, com as feições indefinidas e os cabelos horripilantes, e que em seguida desaparece, e essa criança, ao invés de se apavorar e gritar chorando pelos pais, como normalmente acontece com as demais; ao contrário, sobe correndo as escadas em busca de enfrentar em campo aberto aquele “estranho” que ousou perturbar o sossego do seu lar?

Não só esse fato, como inúmeros outros que me colocaram de frente com coisas poderosas, mas que sempre foram devidamente enfrentadas e vencidas, sem que nunca este autor sentisse o menor receio que fosse, e sempre com o pensamento de vencer.

Como certa vez, ainda com a mesma faixa etária, estava a brincar com bolinhas de gude com um coleguinha. E estava eu agasalhado com um pijaminha, lembro-me, em virtude de me encontrar um pouco febril. Pois bem, de repente minha vista escureceu totalmente e me deu certa moleza no corpo, seguido de algo que tentava me obrigar a cair ao chão. De imediato resisti! E perguntei a mim mesmo:

— Que negócio esquisito é esse que não enxergo nada e que me dá o desejo de cair?

Lutei bravamente, não me recordo por quanto tempo, até vencer a esse “negócio esquisito”.

Falar de mim mesmo, nestas circunstâncias, causa-me um verdadeiro mal-estar. Dá-me um profundo desânimo e uma vontade enorme de parar, que só a muito custo consigo conter. Mas é necessário que eu continue. Não, e de maneira absoluta, que exista apenas a intenção de revelar fatos que digam respeito a mim e que contenham em seu escopo todas as características da verdadeira coragem; mas sim a intenção única e exclusiva de, posteriormente, de forma análoga, poder demonstrar que foi ela, a coragem, a grande responsável pelo meu talento como Ruy Barbosa, e não a minha mistificada e divinizada inteligência, embora ela seja comandada pelos atributos.

Que me perdoe o leitor, se os fatos que aqui demonstram a minha coragem se restrinjam apenas a coisas banais e corriqueiras, e sejam também desacompanhadas de atos de heroísmo ou rasgos de bravura. Mas a verdade é que até hoje a minha vida se resumiu apenas a isso. E disso não poderia passar as minhas atitudes. Porém, mesmo assim, não se reveste de contradição ou contrassenso, porque quando o espírito se acomoda na vida banal e corriqueira, normalmente estaciona em sua jornada evolutiva, pois tende, invariavelmente, para o vício, para o gozo e para o aspecto material do mundo. Não podendo regredir em sua caminhada eterna em busca de luz, pois isso seria contrário às leis espaciais, aos princípios temporais e aos preceitos universais, o espírito topa, esbarra com o sofrimento doloroso. E este, aparece-lhe de forma violenta, brutal, causando-lhe intensas dores, profundos abalos morais. Mas esse é o remédio mais eficaz para sacudir, para despertar e para redirecionar o espírito para o caminho da evolução, através do cumprimento das suas obrigações, dos seus deveres, da sua missão. E foi em virtude disso, do meu próprio sofrimento doloroso, que somente agora eu pude despertar para a verdadeira vida, para o cumprimento das minhas obrigações, dos meus deveres, para a minha missão.

Embora nunca em minha vida eu tivesse agido como um valentão qualquer e vulgar. Embora nunca eu tivesse por iniciativa própria provocado uma discussão que culminasse em alguma violência física, foi justamente nesse campo que me meti e enfrentei as maiores adversidades possíveis. Porém, sempre vencedor! Mas nunca vencedor porque fosse “gostosão”, como com muito sarcasmo gostam de chamar a quem acha de bom paladar se julgar melhor que os outros; não porque fosse adestrado nas artes das lutas marciais; não porque fosse mais merecido que alguém: isso nunca! Mas uma coisa eu tinha lá e tenho em elevada dose: coragem!

Para não extrapolar apenas ao âmbito doméstico e assim não me ater prolixamente a inúmeras contendas enfrentadas nas ruas, nos clubes e nas cidades do interior do Ceará, narrarei somente uma acontecida em minha própria residência. Ao atingir a fase da adolescência, os meus dois irmãos mais velhos, que tinham o hábito regular de me “premiar” com cascudos e demais coisas do gênero, mudaram forçosamente de hábito. E isto se deu exatamente quando um dia, já então com os meus 16 para 17 anos de idade, peguei uma toalha que se encontrava no varal do quintal e me dirigi ao banheiro para ali tomar o meu banho regular. Um dos meus irmãos mais velhos, então com os seus 19 anos aproximados, resolveu me tomar a toalha e, em meu lugar, banhar-se. Falei-lhe que por hipótese alguma lhe entregaria a toalha, visto que tinha o direito de primazia por tê-la pegado primeiro e, também, por ela já se encontrar em meu poder. Discussões de ambos os lados, pois nenhum dos dois queria se enxugar com toalha molhada, visto que as nossas condições financeiras impunham a existência de apenas umas duas ou no máximo três toalhas para cinco irmãos homens, não chegamos a nenhuma conclusão. Tendo ele insistido em me arrebatar a toalha, o temperamento juvenil falou mais alto, rasguei-a ao meio e lhe joguei no peito uma das metades. Ele então me ameaçou “premiar” com algumas pancadas e ousou com esse intuito a mim se dirigir. Observando em mim, porém, um semblante descontraído e um sorriso sarcástico, aliados ainda à posição característica de quem se encontra preparado para o que der e vier, ele vacilou. Apelou, então, para o irmão mais velho de todos, chamando-o e o convidando para, juntos, aplicarem-me um corretivo. Até hoje, que me recorde, aquele combate físico não me serviu de corretivo algum. E em nenhum momento eu tentei machucá-los como realmente poderia, apenas parti para cima dos dois como se fosse golpeá-los e, na tentativa de se defenderem, não esperavam que eu saltasse e entrelaçasse as pernas no pescoço de um e o braço esquerdo no pescoço do outro, indo os três ao chão, mas com os dois imobilizados, mesmo ainda com a interveniência do meu pai, que tentava me puxar pelo abdômen, e de um dos meus tios, irmão do meu pai, que tentava me puxar pelo pescoço, ambos em favor dos meus irmãos. Porém, repito, a partir daquele dia, nunca mais tiveram a iniciativa de repetir o ato.

Eu devo ressaltar, contudo, para provar que não era encrenqueiro, que possuía uma enorme quantidade de amigos e colegas, e que todos eles, embora respeitassem tremendamente o meu lado de enfrentar a tudo e a todos, jamais me evitaram ou temeram de mim algum ato de covardia, ou mesmo vir me aproveitar de qualquer situação a mim favorável. Pelo contrário, para todas as manifestações, jogos, festas, ou qualquer tipo de lazer, eu era sempre procurado, principalmente pelo meu aspecto divertido e brincalhão. Muitos deles, eu percebia, gostavam até da minha companhia, por se sentirem protegidos e cientes de que ao seu lado se encontrava um leal companheiro para tudo e por tudo.

Também, no colégio em que estudava, embora fizesse bem mais bagunça e estudasse praticamente nada ao que deveria, eu tinha o devido respeito dos colegas e professores. E a prova disso, é que quando eu já me encontrava no meu primeiro casamento, encontrei-me certa vez com um dos meus antigos professores dos tempos de colégio, prof. Wilton, o qual, por sinal, além de professor, era também coordenador do 2.º grau, pelas suas características de disciplinador. Sentados e bebericando alguns goles de cerveja, ficamos a recordar os nossos tempos de aluno e professor. Ele se queixou de um dos meus ex-colegas pelo seu aspecto covarde, cínico e humilhador, e que hoje encaminhado pelo pai é empresário da construção civil. De outro, que também encaminhado pelo pai é hoje deputado federal, por também ser covarde e cínico, além de fuxiqueiro e “entregador” dos colegas. Danado como era, e vendo esse quadro, presumi para ele que considerava que ele deveria nutrir um verdadeiro sentimento de ódio por mim. Ele, para a minha grata surpresa, sorriu e me disse:

— Não, de jeito nenhum! Você era muito danado e não era estudioso, mas, em compensação, era autêntico e sincero. Nunca presenciei algo que você tivesse feito e que não houvesse assumido as devidas consequências. Eu até admirava o seu modo de ser.

Não suportando mais o assunto, gostaria de iniciar o seu encerramento com uma pequena pergunta, cuja real e única intenção é a de promover uma maior meditação e consideração sobre o mesmo:

— Teria o caro leitor a coragem de afirmar publicamente haver sido um personagem famoso na encarnação passada se realmente o achasse haver sido?

Ora, não teria não, querido leitor, desculpe-me a extrema franqueza, em virtude do grande medo da opinião pública e dos próprios familiares e amigos de ser tachado de doido, de ser tachado de vaidoso, de ser tachado de outros adjetivos mais, além das provocações de sorrisos de deboche, de descrédito, de ceticismo, que sempre insuflam as palavras de gracejos irônicos, sarcasmos e de menosprezo para com o semelhante, que a opinião alheia ignorante tão gostosamente se compraz em adotar para aqueles que pioneiramente abrem os caminhos para os demais, quando esses caminhos são certos, reais, seguros e verdadeiros, os quais por tudo isso eu passei, sempre com alegria, sem nunca haver me exaltado, nem um pouco, devolvendo em troca apenas um sorriso de compreensão, uma vez que outro modo de sorrir não poderia ser.

E agora vem aqui a devida contrapartida, sem que nunca alguém tivesse a hombridade, a decência, a nobreza, ou, pelos menos, o raciocínio correto e profundo voltado para a pesquisa, para a dissipação da dúvida, para a curiosidade, de no mínimo indagar quais as razões que me levaram a revelar tal fato. Simplesmente, porque todos ainda são destituídos de razão, portanto, do esclarecimento espiritual, e não o rabiscador destas linhas. Isso tudo enseja a que o leitor, na sua resposta, seja absolutamente sincero, e responda confessando, senão para os outros, mas, pelo menos, para consigo mesmo, tendo a coragem de enfrentar ao menos a si próprio, que se tremeria de medo em revelar tal fato, que “amarelaria” na hora de revelar haver sido ou não um espírito famoso em encarnação pretérita, que, no mínimo, se fosse detentor de uma coragem relativa, hesitaria fatalmente em realizar tal revelação. Este é um dos pontos que nos diferencia profundamente, amado leitor.

A essa altura já se sabe o seguinte:

  1. Que ainda não estou provando que como Ruy Barbosa não possuía lá essa inteligência toda que a opinião pública ainda hoje acha que eu tinha;
  2. Que estou apenas mostrando que atributo ressaltou e justificou todo o meu talento;
  3. Que esse atributo é comum tanto a mim, como Ruy Barbosa, quanto a mim, como Marcos Valente Serra;
  4. Que esse atributo é a CORAGEM;
  5. Que embora contrariado, mas obrigado, provo que realmente possuo a esse atributo em boa intensidade, demonstrando o mesmo com fatos absolutamente verdadeiros;
  6. Que ainda falta provar que a coragem, e não a suposta inteligência, era o meu talento maior como Ruy Barbosa.

Não cabe aqui, ainda, alguma polêmica sobre o conteúdo das obras por mim deixadas como Ruy Barbosa, principalmente se levarmos em conta que eu me caracterizei, e isto é a mais absoluta verdade, pela minha vastíssima cultura e profunda erudição. Neste caso, o valor destas obras é indiscutível para aquilo a que se destina.

Por outro lado, não poderia um ser humano, é claro, retroagir ou entrar em um fictício túnel do tempo, e assim retornar ao final do século passado e início deste para, assim, poder conviver comigo como Ruy Barbosa o tempo suficiente para analisar e dessa forma concluir sobre o grau da minha inteligência e caráter.

E muito, muito menos, poderia eu, pois o espírito, devemos atentar para isto, embora possua o poder de locomoção de forma inimaginável por nós, não pode, em virtude das próprias leis, princípios e preceitos do Universo, estar ainda em dois lugares ao mesmo tempo, que somente ao alcançar a onipresença é que poderá desfrutar desse tão decantado atributo de Deus.

Dessa forma, teremos que buscar o testemunho de alguém que não só me conhecesse muito de perto e bem, mas que também tenha deixado gravado na história o seu nome idôneo e confiável. E isto não somente atualmente para mim, mas para todos que queiram se inteirar dos fatos.

Folheando não por acaso as crônicas de Vendo & Anotando, obra escrita por Clodomir Teófilo Girão, um autor que não merece uma maior confiabilidade nas coisas que afirma, pelo temperamento estritamente literário que demonstra, mas que, justamente por isso, por ser um literata, deve ter consideradas como verdadeiras as afirmativas de outras pessoas contidas em qualquer uma de suas obras, verifiquei a página 341, o seguinte dizer:

“Pinheiro Machado, que conhecia muito de perto e muito bem Ruy Barbosa, proclamou que a coragem deste era maior do que o seu talento”.

Aqui está o contido no item acima que se encontrava pendente de prova. E é simplesmente um grande homem, um homem de inquestionável lisura como Pinheiro Machado, que vem proclamar exatamente aquilo que eu queria provar.

E como demonstrar a grandeza e a lisura desse homem? Na obra Crônicas D’agora, escrita por Maria Cottas, a página 210, há um artigo sobre a desencarnação da mesma, escrito pelo Dr. João Cottas, irmão do grande Antônio Cottas, denominado Doenças Traiçoeiras, que faz alusões a Pinheiro Machado, quando diz que:

“A traição humana é própria do mundo Terra. Observa-se nas pessoas de mau caráter, perversas e desprezíveis. Mas não é só a traição que mata ou apunhala o indivíduo fisicamente, como aconteceu com aquele político e ilustre estadista Pinheiro Machado (grifo meu), apunhalado traiçoeiramente pelas costas”.

OUTRO DOS MEUS ATRIBUTOS CARACTERÍSTICOS NAS DUAS ENCARNAÇÕES

Agora, estando todos cientes de que é a coragem um atributo essencial para o ser humano poder lutar pelas suas metas, pelos seus objetivos, pelos seus ideais, para que então possa cumprir com as suas obrigações naturais, com os seus deveres, com a sua missão, aqui neste mundo Terra, eu posso perguntar:

— Qual o ser humano que se esforça para empregar toda a sua coragem em prol de um determinado ideal, se não possui a convicção absoluta desse ideal que o leve a enfrentar toda e qualquer adversidade que lhe surja?

A resposta é a mais óbvia e a mais clara possível. Nenhum, mas nenhum ser humano que possua um mínimo de ponderação e bom senso se põe a enfrentar qualquer tipo de luta sem a necessária e devida convicção daquilo pelo qual sofre e se esforça por conseguir.

No máximo, quando uma pessoa se dispõe a enfrentar algum obstáculo, alguma adversidade, ela normalmente diz para si mesma “tenho fé em mim”. Se alguém que a rodeia teme pelo seu sucesso, por intimamente avaliar a sua força, a sua capacidade e o seu poder, em contraposição aos obstáculos e às adversidades possíveis de serem encontrados, ela também diz para esse alguém: “tenha fé em mim”. E, em contrapartida, esse mesmo alguém tentando injetar uma maior dose de ânimo e disposição, repete para ela: “tenho fé em você”. Mas com isso, ou seja, simplesmente com a fé, não se consegue, é claro, injetar uma maior dose de força, capacidade e poder de ação, e muito menos se obter o sucesso ou a certeza da consecução do fato.

Para que se possa assimilar o assunto com uma maior profundidade, e assim poder melhor entender o que mais adiante eu devo expor, vejamos o que diz o grande Luiz de Souza, em sua obra Ao Encontro de uma Nova Era, a página 152, quando diz o seguinte:

“Esta expressão fé, muito usada entre os religiosos (leia-se credulários, digo eu), merece muitas restrições. Ela não é o resultado de um estudo, de uma conclusão, de um conhecimento, do trabalho do intelecto. Quando é aplicada para exprimir confiança, como quem diz eu tenho fé em mim, então pode ser admitida.

Prefere-se, no Racionalismo Cristão, adotar o termo convicção, em lugar da fé, porque quem tem convicção chegou a ela após esforço e compreensão. A convicção é uma consequência da lógica, tem base, representa firmeza, enquanto que a fé pode estar envolvida no manto da dúvida, a menos que seja absoluta, mas os seres humanos estão em um mundo de relatividade.

A convicção é que marca o rumo, que leva à decisão, que orienta. Quem puder absorver, profundamente, os princípios Racionalistas Cristãos, não adquire fé, mas convicção. Em lugar de ficar na expectativa de prováveis resultados da fé, sabe em que terreno pisa, o que faz, o que quer e o que pode conseguir.

A convicção, passando por cima da fé, vai além, na direção dos seus objetivos. É por meio da convicção que as bases do Racionalismo Cristão foram levantadas e constituem um monumento de firmeza e solidez para exemplo e identificação dos seus postulados. Quem tem convicção tem fé, e quem tem apenas fé, pode não ter convicção. Logo, a convicção é mais forte que a fé”.

Fica certificado, agora, que aquilo que uno à minha coragem não se restringe apenas a fé. É algo muito mais profundo, pois que provém do meu esforço e da minha compreensão, sendo, portanto, consequência da lógica, como tão bem afirma o autor acima.

Eu sou absolutamente certo do que ora afirmo e revelo. Sei também que esta obra, esta revelação, é o primeiro passo que ensaio na tentativa de encaminhar a nossa humanidade rumo à espiritualização, rumo ao esclarecimento, rumo à verdadeira ciência.

Quem até aqui não conseguiu absorver todo o conteúdo do que ora está exposto, devo ser duramente franco, é porque o seu raciocínio e a sua compreensão ainda não conseguiram extrapolar os limites da matéria; é porque ainda teima em se manter renitente aos avanços do conhecimento; é porque ainda, infelizmente, não se espiritualizou.

Como antes afirmei, a paciência é fundamental na vida do ser humano. E se ele ainda não entende o abstrato, o invisível, é porque o seu estudo e todo o seu esforço ainda não foram suficientes para suprir o seu intelecto dos elementos necessários para tal. É o preceito da evolução! Pode ser que até ao final desta obra ele compreenda algo a respeito e se torne um convicto. Pode ser que somente na obra seguinte. Ou mais além, na outra. Ou ainda na próxima. Tudo depende, única e exclusivamente, dele. A razão não pede fanatismo, exige a convicção.

Pode ser que somente daqui a vários anos, quando tudo o que aqui ora formos afirmando for se transformando em realidade; quando tudo o que aqui ora formos afirmando for se transformando em fatos; quando tudo o que aqui ora formos afirmando for sendo compreendido e seguido pelos de boa vontade; pode ser, então, que quem não conseguiu absorver todo o conteúdo do que aqui ora está exposto, absorva finalmente a realidade deste mundo. Porém, uma coisa é certa, quem já conseguiu chegar até aqui tem tudo para não retroceder jamais. E, de uma forma ou de outra, pode ser um esclarecido e, consequentemente, um convicto.

Eu sei que é terrível se falar na primeira pessoa. Pode parecer que o falante uniu a egolatria ao egocentrismo. Mas atentemos para o fundamental: pode apenas parecer! E isso não significa que realmente o seja. De qualquer forma, a minha preocupação agora é apenas com a verdade. O resto é apenas o resto. Pois bem, eu possuo a coragem e a convicção que juntas e inseparáveis me farão chegar, com toda a certeza, à realização dos meus ideais, ao cumprimento das minhas obrigações e dos meus deveres, aos objetivos da minha missão. Não há nada neste mundo que impeça um ser humano detentor desses atributos e de elevados ideais, de chegar aonde deseje chegar. É a legislação universal que se faz valer, mais precisamente a lei da afinidade e o princípio da atração. Os afins se atraem, os contrários se repelem. Ideais elevados, obrigações e deveres alcançados: missão cumprida!

A convicção naquilo que se deseja alcançar, é a visão de um único caminho, sem desvios, sem paradas, sem maiores obstáculos, sem interrupções e com final previsto de chegada. É o alcance certo da meta almejada.

É de se perguntar agora:

— O que tem a ver o fato de o autor ter convicção das coisas, com o fato de haver ele sido Ruy Barbosa na encarnação passada?

E a resposta é esta: da mesma forma como provei ser a coragem um atributo comum a mim nesta encarnação, e como Ruy Barbosa, na encarnação passada; também, da mesma forma, provarei ser a convicção no que digo, no que faço, no que quero, no vou realizar, um outro atributo comum. Apenas que mais ampliado, por mais evoluído.

Senão vejamos. O mesmo Clodomir Girão, ainda em sua obra Vendo & Anotando, a página 338, diz o seguinte:

“Um dos seus mais eminentes colegas nas lides dos tribunais proclamou: Ruy Barbosa, como advogado, é a convicção a caminho da justiça (grifo meu)”.

Realmente, não resta a menor dúvida de que a convicção, por ser fruto do estudo, do raciocínio, do sofrimento e do esforço humano submetidos à própria razão, sempre nos mostra o caminho correto do dever e do senso de justiça. E a coragem, por conter a força, a capacidade e o poder não só nos conduz ao cumprimento do dever e a que se faça a justiça, como também a outros objetivos mais elevados.

Isso quer dizer que qualquer ser humano com convicção e coragem sempre será conduzido ao cumprimento das obrigações, dos deveres e ao senso de justiça. Cumprindo com a sua missão neste nosso mundo-escola.

Atentemos agora para o detalhe fundamental pelo qual o meu eminente colega, quando como Ruy Barbosa na encarnação passada, delimitou, especificou a forma na qual eu era convicto: como advogado. Isso quer dizer que ele, o eminente colega, não se responsabilizava pela minha convicção como Ruy Barbosa fora das lides advocatícias. E justifico o porquê dando apenas outra forma à frase: Ruy Barbosa, como candidato à Presidência da República, é a “convicção”, ou fé, a caminho do fracasso.

Em alguma obra posterior, caso resolva tratar desta candidatura, todos conseguirão compreender melhor os dizeres desta frase.

De qualquer forma, fica diferenciado o Ruy Barbosa de outrora com este autor de agora, por um importante aspecto: como Ruy Barbosa eu era convicto apenas como advogado, e como Marcos Valente Serra por tudo que idealizo. A coragem, porém, agora mais estendida, é comum a ambos.

Sintamos a evolução!

A BAGAGEM QUE EU TROUXE DA ENCARNAÇÃO PASSADA

Eu afirmei anteriormente que não sou um ser humano culto ou erudito. E nem pretendo ser! Não da forma como esses termos são entendidos e empregados entre as pessoas. A ausência destas características em mim nunca me fez a mínima falta, o que, em virtude disso, fazia com que nunca atentasse para elas. E somente atentei realmente, quando em visita a familiares e dissertando sobre algumas das minhas metas, dos meus objetivos, dos meus ideais, ou seja, do cumprimento da minha missão neste mundo, um deles “tentando me alertar”, disse-me:

— Marcos, veja em que você vai se meter. Você não tem lá essa cultura toda para se arriscar em tal empreitada. Pense no que você vai fazer. Existem muitas pessoas cultas, eruditas, pessoas realmente estudiosas, que você nem sequer imagina. Pare enquanto é tempo! Você não vê, mas nós vemos que tudo isso é fruto de sua própria imaginação, de uma grande perturbação, que por mais que tentemos lhe convencer do contrário, percebemos ser em vão, pois você é bastante teimoso, embora reconheçamos seja detentor de uma grande coragem e de uma enorme força de vontade (grifo meu).

Pensei realmente no que iria fazer. E, logicamente, verifiquei que me encontrava em uma espécie de encruzilhada, vislumbrando um novo caminho alternativo, esse tal caminho dos letrados, onde os fatos de natureza terrena me convidavam a seguir com comodidade e conforto, mas que, por mais que eu insistisse, por mais que eu me esforçasse, não me mostrava o meu local de chegada. E como não aceito contradições, como não admito a existência de caminhos que não levam a nada, por serem ilusórios, tornando-se, portanto, atrasos e desvios ao nosso verdadeiro caminho, cheguei à conclusão sobre o fato e sobre o que iria fazer.

E o que deveria fazer, então?

Destruir esse falso caminho da cultura, da erudição, puramente materialistas, para que outras pessoas não mais enveredem por essa trilha sinuosa, incerta e, também, para que outras que não se consideram em condições de enveredar, não considerem que são inferiores a quem por tal trilha se encontra a caminhar. Que aqueles, muito pelo contrário, encontram-se em situação desfavorável, visto que se encontram na doce ilusão, caminhando por outra estrada que não a escolhida por eles próprios quando mais sensatos, quando mais conscientes, quando mais lúcidos em seus Mundos de Luz.

Porém, para que se possa destruir a esse falso caminho é necessário que se fale grosso, que se bata duro na moleira desses criançolas que julgam ser a cultura e a erudição terrenas a meta maior que deve ser almejada e perseguida por todos. Isso é idiotice! É pura cretinice! Quanto mais alguém se ache culto e erudito, mais imbecil ele se tornará. O próprio Luiz de Mattos afirmou que todo aquele que se limita a mostrar conhecimentos e a repetir textos, nada mais além prova do que ser possuidor de uma boa memória.

Eis aqui agora uma prova irrefutável do que ora afirmo. Eis aqui agora uma prova real e convincente de que este fato se reveste da suprema e absoluta expressão da verdade. E aquele que neste momento não entender, entenderá quando este autor publicar outras obras. Senão vejamos:

Aqueles que se julgam com grande cultura e erudição, limitam-se apenas a conhecer, a se cientificar, a ser sabedor da história, das manifestações literárias, da geopolítica e de tudo o mais que a mente humana possa captar e reter em sua memória com relação aos fatos que se sucedem em nosso planeta, os quais não passam de simples efeitos materializados. As causas desses efeitos, que são provenientes dos conhecimentos metafísicos acerca da verdade, não são, infelizmente, estudadas e analisadas por esses sábios de araque, de meia tigela, como popularmente se diz. Principalmente quando todos os seres humanos, em seu natural processo de evolução, são cientes de que já alcançaram o grau de espírito, isto é, adquiriram a faculdade superior do raciocínio, o qual deveria ser o ponto de partida, a mola propulsora, o grande responsável por todas as nossas ações, quando, logicamente, submetidos ao valiosíssimo templo da razão. E se eles desconhecem as causas, não serão os efeitos, por certo, que lhes darão conhecimento das coisas. Assim, e aqui vem a prova provada, eles desconhecem não só aquilo o que este autor está a afirmar, como também que o grande repositório da verdade, portanto dos conhecimentos metafísicos, encontra-se no Espaço Superior.

Pode uma pessoa se considerar rica, se não sabe nem ao menos onde se encontra o tesouro que julga possuir? Pode uma pessoa se considerar honrada, se não sabe nem ao menos que atributos formam a honra? Pode uma pessoa se considerar cumpridora dos seus deveres e das suas obrigações, se não sabe nem ao menos que deveres ou obrigações se reservam a cumprir na Terra os espíritos encarnados? Pode uma pessoa se considerar cumprindo a sua missão na Terra, se não sabe nem ao menos qual seja a sua missão? Pode uma pessoa se considerar culta e erudita se não conhece nem ao menos as causas que possibilitam os efeitos que ela estuda, e muito mais do que isso, se ela ignora onde se encontra o verdadeiro repositório da verdade?

E agora posso aqui indagar: eu tenho ou não tenho razão em considerar a esses sábios de araque como verdadeiros idiotas, imbecis, mal-educados, convencidos, soberbos e vaidosos? Eu tenho ou não tenho razão em considerar a esses autênticos parasitas como sendo verdadeiros instrumentos do mal, por desviarem a nossa humanidade do seu verdadeiro caminho, ao mostrarem para ela essa falsa e perniciosa trilha da ilusão, que por não levar a nada, atrasa e prejudica a evolução deste mundo?

A minha missão na Terra, a partir da correção dos meus principais defeitos e do meu esclarecimento, é totalmente voltada para a nossa humanidade, principalmente no que diz respeito também ao esclarecimento geral, notadamente voltado para o aspecto científico. E não haverá medições de palavras, não haverá contemplações para todo aquele que ousar interceptar ou obstaculizar o seu cumprimento, para que assim se possa concretizar tanto a máxima de Jesus, o Cristo, de que “a dois mil chegará, mas que daí não passará”, como também as diversas alusões de Luiz de Mattos e de Luiz de Souza sobre o fato.

Irei até o final, até o cumprimento por completo da minha missão, custe o que custar, para que assim possa dotar a nossa humanidade de uma diretriz espiritual, visto que a ausência desta diretriz traz conturbações ao estado geral da vida, como tão bem salientou Luiz de Souza em sua valiosíssima obra A Morte não Interrompe a Vida, a página 75. E, também, como diz o mesmo autor, na mesmíssima obra, a página 144, quando afirma:

“Destruir a ignorância, não é só cuidar de adquirir acervo intelectual, mas, muito mais, e principalmente, buscar conhecer a ciência da vida, através da espiritualização”.

E arremata, quando mais adiante, a página 171, diz:

“O espiritualista procura ver com os olhos da alma; quer sentir o que a matéria não revela. Este desejo (leia-se vontade) faz desenvolver um novo sentido, um tato apurado de natureza imponderável”.

A esta altura, o leitor mais apressado poderá achar que estou sendo extremamente radical com as pessoas cultas e eruditas. Mas não, leitor apressado, não estou sendo não! O autor aqui, por ser esclarecido, sabe perfeitamente que como o saperólogo Aristóteles afirmou, a virtude está no meio, não cabendo desta forma, portanto, tal radicalismo; mas sim, esforço em sacudir, em alertar e em conscientizar a todas as pessoas que assim letradas se consideram, por saber que é muito difícil introduzir um pouco de humildade em seus intelectos, uma vez que elas só olham para si mesmas. É exatamente como o mestre Luiz de Mattos, em sua obra Cartas ao Cardeal Arcoverde, a página 199, afirma:

“Cada um julga os outros pelo seu intelecto, pelos seus conhecimentos e sentimentos. É por isso que, para o bêbado profissional, todos os seres são bêbados, e para o ser capaz de todas as infâmias, é toda a gente infame, e só vê parceiros em toda parte”.

E é por só ver parceiros em toda parte, que todos eles formam essa corja, essa cambada de malfeitores soberbos, orgulhosos, vaidosos, embora não entendam o que um parceiro seu manifesta, embora não entendam nem mesmo aquilo que eles próprios manifestam, jamais um julga e nem condena ao outro, justamente por terem o rabo preso, por terem medo de cair do próprio pedestal, desse pedestal formado da própria baba em que se gabam. Assim, ao invés de cumprirem com o papel de cidadão honrado, que é o de apontar os erros que se lhes aparecem, agem exatamente de forma contrária, ficam um elogiando a idiotice, a imbecilidade e a ignorância do outro, jogando a própria baba no pedestal do outro, para dessa forma tentar fortalecer o seu próprio pedestal, unificando e transformando toda a baba em uma só. Dessa forma, cria-se a famosa sociedade do elogio mútuo: a mais forte e nojenta sociedade anônima da Terra.

E é também por deturparem as leis e se afastarem propositalmente das causas, e assim da verdade e do cumprimento do dever, que esses seres anões, por serem completamente ignorantes acerca da realidade da vida, não podem ser considerados sábios, como tão bem disse o valoroso Luiz de Mattos, em sua obra Pela Verdade, a página 74. E esse grande espírito nos mostra também a embrulhada, a confusão em que esses intelectos atrasados colocam toda a nossa humanidade, quando na mesma obra, a página 129, diz:

“E porque tudo está falso ou incompleto em seus fundamentos, é que muitas têm sido as doutrinas e filosofias organizadas pelos homens, mas todas de acordo com o intelecto de cada um”.

Agora, penso eu, deve estar zanzando na mente do querido leitor uma dúvida, um questionamento, que ele logo quer esclarecer. Pois bem, tanto o questionamento como a própria resposta nos fornecem ainda o sábio Luiz de Mattos, em sua obra Vibrações da Inteligência Universal, a página 164, quando ele assim nos diz:

“— E por que o erudito, o sábio não aliam a moral ao saber?

— Justamente pela razão de se julgarem grandes eruditos, grandes sábios, apesar de se ignorarem a si mesmos como Força e Matéria (leia-se Força, Energia e Luz, digo eu), porque a sua erudição, baseada na mentira, em efeitos e não causas inteligentes, timbra em ignorar a verdade, mesmo quando descrita, quando demonstrada, quando provada, como o Racionalismo Cristão está fazendo”.

E novamente poderá o querido leitor se perguntar:

— Tudo bem! Mas que relação existe entre o fato de Ruy Barbosa haver sido um homem culto e erudito e o autor não?

E poderia até concluir:

Dá a impressão até de que ele está querendo provar é justamente o contrário, que absolutamente não pode haver sido quem ele afirma na encarnação passada.

Impressão, querido leitor, nada mais que impressão! Há um ditado popular que diz que “não há um mal que não traga um bem”, e é justamente esse mal da vaidade de julgar saber aquilo que na realidade não conhece, que impulsiona o ser humano a tentar saber cada vez mais, mesmo que seja, como em quase todos os casos o é, para satisfazer apenas a essa vaidade e ao instinto de exibição, para assim adquirir saliência social. Esse impulso do ser humano o obriga naturalmente a realizar um esforço neste sentido. E todo esforço empregado em uma atividade mental leva o ser humano, obrigatoriamente, de qualquer maneira, ao exercício do raciocínio. E um maior desenvolvimento deste, provado ficará, é o bem que todo aquele mal nos trouxe.

Agora, vamos recorrer a Luiz de Souza, em sua obra A Felicidade Existe, a página 77, e provar primeiramente que, como o próprio autor diz:

“O espiritualista não se afasta da sua tarefa, não se queixa dela, não desanima no seu esforço cotidiano, porque sabe a razão de estar na posição em que se encontra, e procura, dentro do seu mister, fazer o melhor possível, na certeza de que é uma peça ativa no conjunto universal. O esclarecido nos problemas espirituais, não pode ser ignorante, mesmo que nesta existência se apresente inculto (grifo meu). O espiritualista verdadeiro é alma velha, curtida, experimentada, lavrada pelo sofrimento, que possui, no seu acervo eterno, cabedal volumoso de conhecimentos de valor”.

Dessa forma, fica primeiramente provado que o simples fato deste autor se apresentar inculto nesta encarnação, não significa que eu seja um ignorante, pelo contrário, significa manifestação clara de inteligência. De que me adiantaria agora todo o conhecimento da doutrina do Direito, como eu tinha na encarnação passada, se ela é quase toda falsa, como futuramente provarei? De que me adiantaria agora todo o conhecimento das demais doutrinas humanas, como eu tinha na encarnação passada, se elas também são igualmente falsas, como da mesma forma futuramente provarei? Tudo isso, todo esse conhecimento que eu tinha, era da matéria e para a matéria, e na própria matéria ficou, quando, como Ruy Barbosa, desencarnei, levando comigo apenas o exercício do raciocínio, fruto do esforço mental que empreguei para obter todo aquele “conhecimento”.

E aqui vem o arremate final, quando novamente o grande Luiz de Souza, ainda em sua obra A Felicidade Existe, a página 205, diz o seguinte:

“O raciocínio conduz a criatura a soluções racionais. Quem raciocina, pensa, argumenta, compara, pesa, deduz e conclui. A faculdade de raciocinar é inerente ao ser humano, e o habilita a conjeturar com lógica.

O critério é o resultado do trabalho do raciocínio bem orientado. O indivíduo criterioso é sensato, ponderado, firme e seguro nas suas conclusões. As vacilações desaparecem, diante do critério sereno e imparcial”.

Isso quer dizer, que tudo quanto venho apresentando é fruto desse raciocínio, o qual, em todo o seu critério e profundidade, foi conseguido à custa de muito esforço em diversas encarnações, principalmente na última, como Ruy Barbosa, quando adquiri mais erudição.

E o próprio Luiz de Souza assim o atesta, quando na mesma obra, a página 208, diz:

“O estudo facilita o desenvolvimento do raciocínio. Os que raciocinam bem, sem demonstrar grande erudição, dão sinal de que estão se valendo da bagagem que trouxeram de vidas anteriores, quando acumularam cultura”.

Mas tudo isso, atente o amado leitor, porque me esclareci!

 

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