24.03- Os fundamentos da reencarnação

Prolegômenos
10 de setembro de 2018 Pamam

É sabido que a verdade é a fonte da sabedoria, que unidas, irmanadas, congregadas, pode-se então alcançar a razão. Luiz de Souza é um veritólogo notável que possui um imenso fundamento saperológico, que neste tópico irá servir de fonte para este saperólogo, para que unidos, irmanados, congregados, possamos escrever sobre os fundamentos da reencarnação, assim como que o escrevendo em duas mãos.

Entre os sacerdotes e adeptos dos credos e das seitas tidas como sendo cristãs, corre solta a falsa ideia, por ser decorrente da imaginação, de que somente os espíritas admitem a reencarnação, porém, isso não tem o menor fundamento, pois que muitos outros credos e seitas conhecem a realidade das reencarnações, mesmo sendo sobrenaturais.

A reencarnação é um ato implícito contido no preceito da evolução, e o ser humano que aceita a evolução como sendo um desdobramento racional da vida do espírito, não pode deixar de reconhecer na ação reencarnatória um processo evolutivo, notadamente para que ocorra uma integração entre espíritos de categorias diferentes, para as trocas dos seus acervos. Além do mais, tornam-se necessárias as ações dos espíritos em um mundo-escola para que através delas ele possa se transformar em um Mundo de Luz.

Evidentemente, como alguém pode evoluir do estado selvagem, como a de um índio, ao estado de um religioso, de um cientista, de um religiocientista, de um veritólogo, de um saperólogo, de um ratiólogo, sem ser por via das numerosas reencarnações? E isso sem levar em consideração com o que se passa antes do ser — partícula do Ser Total — encarnar em um corpo humano, no processo da evolução.

Aqueles que insistem, obstinadamente, em não aceitar o preceito da reencarnação como sendo uma realidade universal, não passam de cegos propositais que tudo fazem para não enxergar o que se lhes apresenta com tamanha evidência, e assim, contribuem, com essa lamentável e infeliz atitude, para a manutenção do espírito comercialista dos credos e das suas seitas, que falsamente se intitulam cristãs, vendendo bilhetes de ingresso no hipotético reino dos céus.

Adquirem-se a esses ingressos, segundo tais credos e seitas, e isto já passado o denominado século das luzes, lavando os pecados como perdões concedidos por sacerdotes, a classe que mais malefícios trouxe à nossa humanidade, com a encomenda de corpos humanos, a unção dos enfermos, com batismos efetuados em nome do deus bíblico, com missas e exéquias, tudo, é claro e evidente, proveitosamente remunerado.

Como o reconhecimento das reencarnações acabaria com essa preciosa fonte de renda, provinda de tais práticas, então o melhor é negar a esse preceito universal, que é prejudicial aos interesses econômicos dos credos e das seitas aos quais pertencem os responsáveis por esse mercantilismo, em que o sacerdote se comporta como um profissional comum da vida material, e como ele engana, não passa de um estelionatário. Todos sabem que a realidade das reencarnações se choca frontalmente com a irrealidade da salvação, assim, caso a classe sacerdotal viesse a admitir a essa realidade, ruiria por terra a irrealidade em que coloca todos os seus arrebanhados, arruinando com as suas fontes de rendas e esvaziando os seus cofres.

Crer na reencarnação, segundo a classe sacerdotal, que adota critérios ardilosos para arrebanhar e encabrestar aos incautos, é ser espírita, e ser espírita é ter parte com o demônio, ter parte com o demônio, é estar irremediavelmente condenado às fogueiras terrificantes do inferno, para todo o sempre. Mas não se deve simplesmente crer na reencarnação, é preciso convicção para aceitá-la racionalmente. Ressaltando-se que os espíritas lidam com o astral inferior.

Realmente o edifício erguido com as argamassas da ignorância é espantoso, e aqueles que se sentem inseguros sobre a verdade acerca da existência eterna e universal, atemorizam-se, e, ingenuamente, preferem não acreditar na realidade proclamada, ainda que esta atitude venha a contribuir para a sua infelicidade.

Mas, em não acreditando na realidade proclamada das reencarnações, admitindo apenas o presente como sendo a única existência terrena, indaga-se: Como eles poderiam explicar as diferenças desconcertantes que se verificam entre os seres humanos, sendo todos oriundos do mesmo Criador? Por que uns rastejam sobre a face da Terra, em corpos monstruosos, enquanto outros desfrutam das maiores regalias que o mundo pode oferecer? Por que uns praticam sempre o bem, enquanto outros praticam sempre o mal? Que Deus é esse que comete a bárbara injustiça de tratar os seus filhos com tão estúpida desigualdade? Que critério absurdo é o desse Deus que coloca seres da mesma origem uns ao lado dos outros para o cotejo humilhante, em corpos deformados uns, e esculturais outros?

A essas e a muitas outras indagações de tal natureza os credulários, assim como os céticos materialistas, não conseguem responder com a devida lógica racional. Como, por exemplo, em relação aos credulários: por que os espíritos quando desencarnam na mais tenra idade, ainda quando criancinhas, vão para o céu, enquanto os adultos pecaminosos vão para o inferno? Ora, neste caso seria preferível que todos morressem quando crianças para irem para o céu. Quanta incongruência! Quanta falta de lógica e racionalidade!

Apenas a título de maiores esclarecimentos, nós devemos afirmar que não existem espíritos-crianças, apenas o espírito, pois quando se encontra encarnado, ainda na fase da infância, é óbvio que não pode se manifestar como adulto, pois que o seu corpo humano ainda não se encontra totalmente desenvolvido. E mais: isto ocorre para que na fase da infância, sendo o seu corpo mental plasmável e mais impressionável, além de crédulo, dada a sua ingenuidade, possa o espírito receber os ensinamentos condizentes com uma boa educação.

Mas, no íntimo, para os que não aceitam a reencarnação, em sendo este mundo afeito ao sobrenatural, ele só pode ser um mundo aviltante, organizado por um deus inconsciente, sem a mínima noção de justiça, parcialmente protecionista, digno da repulsa de todos aqueles que vivem miseravelmente no charco das mazelas, nos “vales das lamentações”. E esse íntimo se revela plenamente quando se tornam vítimas de uma grande desgraça, ocasião em que, extremamente revoltados, passam a blasfemar, a soltar impropérios contra o seu próprio deus, contra os céus, contra os anjos, contra tudo o que lhes venha à mente. Por isso, é comum se esbarrar com indivíduos que tangidos pelos maiores sofrimentos, sendo educados na inglória mística da igreja, blasfemam e injuriam ao seu deus, naquele desespero compreensível da própria compreensão. Na realidade, não pode haver compreensão diante do que a vida a todos mostra, fora da consciência, clara e racional, revelada pelo evidente preceito da reencarnação.

Nada é mais justo que cada um venha a pagar o que deve, desde que haja sentimento de responsabilidade, pois o preceito da reencarnação se encontra baseado nesse princípio simples e justo, de cada um resgatar por si, ou à sua custa, aquilo que deve, pois foi ele quem contraiu o débito, e não outrem, então é ele o devedor. Os débitos e os créditos são apurados, em cada encarnação, pelo espírito desencarnado, quando retorna ao seu Mundo de Luz, e pelo balanço dessa apuração, será relativamente feliz ou infeliz na encarnação seguinte.

Quando o espírito não tiver mais a possibilidade de contrair débitos na encarnação terrena, em razão da suficiente evolução adquirida, não mais precisará reencarnar, daí em diante, porque a vida terrena não mais poderá ser de nenhum proveito, no sentido de aumentar o seu acervo espiritual. Neste caso, ele continuará em plano astral a prosseguir na sua evolução espiritual, em outras condições de vida, somente reencarnando um ou outro espírito desse grau evolutivo, excepcionalmente, de modo desprendido, em missão de sacrifício espontâneo, para ajudar aos espíritos encarnados a acelerar as suas evoluções.

Nós devemos ter em mente que, enquanto não se torne o espírito insensível aos atrativos terrenos, enquanto tiver desejos de se atirar a eles, fá-lo-á como se caísse em uma armadilha, inconscientemente.

Os ilusórios atrativos terrenos possuem o dom de enfartar a criatura sedenta de uma felicidade enganosa, que sendo efêmera se extingue, quando reconhecida a sua precariedade. Para a satisfação desses anseios, o ser humano mal orientado comete todos os tipos de desatinos, carregando-se de pesados débitos, os quais representam um capital corrosivo, que terá de se desintegrar no curso das encarnações futuras.

Os seres humanos bem orientados, precavidos e prudentes, exercitantes da força de vontade, que não se deixam encantar pelos falsos encantos da luxúria e adotam uma norma de vida pautada em ensinamentos espiritualistas, não se deixam enrodilhar pela astuciosa mentira escondida por trás da provocante trepidação terrena.

Porém, enquanto o espírito for incapaz de impedir a formação de débitos no curso de uma encarnação neste nosso mundo-escola, até se tornar imune aos vírus que produzirão os débitos, pela ação da força de vontade, estará sempre a aumentar o seu passivo, que geralmente fica a descoberto.

Todos os que andam por aí entregues aos amáveis convites terrenos, saturando-se dos prazeres que eles proporcionam, surdos à voz da consciência espiritual, encontram-se bem enleados nas malhas das armadilhas mundanas, preparando a sua volta à Terra para novos e diversificados cursos purificadores.

O espiritualista verdadeiro não encontra nenhum prazer nas numerosas regalias mundanas, que constituem um supremo deleite para o materialista gozador, sendo isso uma questão pura de grau de evolução. Quais foram as regalias mundanas de Jesus, o Cristo? Nenhuma. Entretanto, muitos que se dizem cristãos adoram regalias mundanas. São ou não são anticristãos?

Neste ponto, vamos fazer uma breve pausa do escrito em duas mãos, para que nos unamos novamente depois, pois que nos dois parágrafos a seguir o notável veritólogo se expressa como que se referindo diretamente a este pesquisador, quando ele assim se expressa:

O materialista gozador vai deixar de ser o que é para tornar-se um espiritualista, com o correr dos tempos; esse dia chegará, com toda a segurança, como seguro é o conhecimento que está tomando desta Verdade, neste instante, o pesquisador de assuntos espiritualistas.

Encarregar-se-á disso o mundo-escola, o planeta Terra, que, para cada encarnação do indivíduo, lhe oferece um ambiente propício ao ajustamento que se deverá operar”.

Há espíritos que reencarnam dezenas de vezes para conseguir uma parcela da evolução que poderia ter sido conquistada em uma única vez. Os espíritos do Astral Superior, que acompanham a evolução dos espíritos encarnados na Terra, são de uma paciência inesgotável, em face do respeito pelo livre arbítrio que têm de cada um.

Acontece, porém, que como as leis espaciais, os princípios temporais e os preceitos universais a tudo preveem, os morosos papalvos e os recalcitrantes desvirtuadores da moral e da ética cristãs, estão sujeitos, sempre, aos resultados da incúria por eles imprevisível, de profunda percussão nas suas trajetórias evolutivas, das mais funestas consequências.

Não vale a pena abusar das condescendências aparentes, conservando uma mentalidade retrógrada, dando de ombros aos avisos da prudência, descuidando-se da vida espiritual, fechando os olhos à realidade das reencarnações, sumária no curso do aprendizado terreno.

As reencarnações são extremamente necessárias, porque no mundo astral correspondente ao seu grau evolutivo, em que todos os seus habitantes têm mais ou menos a mesma evolução, não dispõe o espírito de meios para pôr em cheque as suas falhas e defeitos, a fim de que possa corrigi-los e, por conseguinte, sopitá-los. É no mundo Terra, onde se encontram espíritos encarnados de vários graus de evolução, que se pode contar com os recursos mais indicados, para resgatar os débitos e, por conseguinte, evoluir.

Os seres humanos arrebanhados pelos credos e as suas seitas não podem conceber o espírito encarnado, pois, para eles, o indivíduo é o que se vê em porte físico, em imagem material, e tanto isto procede que a própria Bíblia vem afirmar que no dia do Juízo Final os mortos irão ressuscitar. Quanta falta de senso! Mas quando se sabe que cada espírito já teve milhares de corpos humanos, contando-se um deles para cada encarnação, a tal ressurreição não passa de um conto do vigário, na forma concebida pelos credulários.

As reencarnações compreendem uma operação admirável estabelecida pela Inteligência Universal, por meio da qual cada uma das suas partículas, após ingressar no reino hominal, promove a sua evolução com os recursos inatos e latentes que possui, e que são da mesma natureza da inteligência Universal, já que sendo uma partícula do Ser Total, evolui por intermédio das propriedades da Força, da Energia e da Luz.

Cada uma dessas partículas tem de fazer desabrochar os seus poderes e as suas ações interiores, que representam a vida, assim como as suas qualidades espirituais latentes, através do próprio esforço desprendido, com lutas e sacrifícios, com trabalhos, estudos, sofrimentos e, acima de tudo, muito raciocínio, sendo a esse processo que se dá a denominação de evolução.

Pelo processo da evolução bem aproveitado no reino humano, leva o espírito muitos e muitos milhares de anos, milhões até. Nesse interregno, representa muito pouco o período de uma encarnação, uma vez que milhares delas são necessárias para que o espírito consiga se apurar, convenientemente, no afloramento dos seus atributos individuais e relacionais, todos de natureza espiritual, sopitando aqueles que trouxe da irracionalidade.

Para que se possa penetrar melhor nessa concepção, há que se abandonar o pensamento irreal de colocar a partícula do Ser Total no limite deste mundo-escola, que é o mundo Terra, comparado com a magnitude do Universo, para senti-la presente em toda a extensão universal, onde gira um número incalculável de galáxias, cada qual com milhões de sistemas estelares, compostos de estrelas, obviamente, de planetas e de satélites.

Em tudo isso há vida permanente, movimento constante e disciplinado, em obediência à Inteligência Universal, que é Onipotente, Onipresente e Onisciente, a qual todos podem chamar com propriedade de Deus, desde que não empreste a esse nome um sentido tão materializado e primitivo, como fazem os credos e as suas seitas, ao considerar espíritos obsessores decaídos no astral inferior como sendo deuses, tais como Jeová, o deus bíblico, e Alá, o deus alcorânico. Em nossa evolução espiritual, nós buscamos nos tornar onipotentes, onipresentes e oniscientes, já que a nossa grande meta é nos reintegrarmos a Deus.

Encarnando e reencarnando, ora em um, ora em outro país, variando de pais e de irmãos, cada vez enfrentando um cenário novo na vida de encarnado, com diferentes oportunidades, o espírito amplia os seus conhecimentos, aumenta as suas experiências, dilata os seus horizontes, curte o seu temperamento, caldea as suas aspirações e renova a sua personalidade.

A evolução segue um ritmo estabelecido pela Inteligência Universal, parecendo até um pouco lenta, mas que não é lenta de modo algum, tanto assim que se torna relativamente fácil observar quanto são irredutíveis os indivíduos, de um modo geral, com respeito à rotina adotada, dentro da qual poucos são os que espraiam as vistas para longe e para cima.

Ao se acompanhar o espírito, da infância à velhice, nota-se claramente que quase todos conservam na encarnação os mesmos traços gerais. Não se vê um ser humano boçal na mocidade chegar à condição de sábio no fim da jornada terrena. Isto demonstra o ritmo em que se pode evoluir em uma única encarnação, e daí não se tornar muito difícil concluir que somente com um grande número delas é que se poderá alcançar um acervo espiritual apreciável.

Na infância, os homens de grande saber já revelam a inteligência desenvolvida que possuem e os atributos espirituais de que são detentores, como prova de aproveitamento das encarnações anteriores. Os dons que se manifestam, como os da pintura, da música, da escultura, da literatura e tantos outros, assim como os talentos para a Veritologia, a Saperologia, as religiões, as ciências, que incidem sobre as vocações, deixam ver claramente o acervo adquirido em encarnações passadas.

Somente os cegos propositais não conseguem ver a tudo isso com a máxima clareza, para não se afastarem das mórbidas convenções conservadoras, estacionárias do progresso, pois, por incrível que pareça, há seres humanos que são contrários ao progresso.

O preceito da reencarnação é uma providencial instituição estabelecida pela Inteligência Universal, desde a origem do processo humano de evolução, que reflete a Sabedoria Excelsa, como bem pode compreender aqueles que já se encontram livres de preconceitos sobrenaturais e materiais, fazendo trabalhar o raciocínio no âmbito da racionalidade, pois a forma racional pela qual ela se processa , satisfaz à lógica e a razão, explicando claramente as coisas, os fatos e os fenômenos que dizem respeito à vida, sem deixar dúvidas e nem elementos para falsas interpretações. A reencarnação constitui um dos pontos básicos para o esclarecimento, no curso da espiritualização.

Os que repudiam a verdade e a sabedoria que existem no preceito da reencarnação, estando longe de alcançarem a razão, fazem-no também sob a força da incredulidade que assiste àqueles que só acreditam naquilo que veem com os olhos da cara, ou que podem apalpar com as suas próprias mãos. Isto porque o preceito da reencarnação somente se revela àqueles que despertaram para um novo sentido da vida, que se pode denominar de sensibilidade espiritual.

Corroboram, ainda, em favor da realidade das reencarnações, o testemunho, sempre respeitável, de seres humanos idôneos e dignos, que atestam até haverem se recordado das suas vidas passadas, como veremos no tópico a seguir, o relato de seres espirituais que se materializam e descrevem o que foram em encarnações pretéritas, e as comunicações do Astral Superior, que são incisivas em sustentar a esta realidade.

Quando se diz que a reencarnação do espírito é um fato, fato este incontestável, não se pretende, de modo algum, prestar um depoimento falso, errôneo, descabido, pois isto seria uma estultícia, mas, unicamente, reafirmar uma realidade universal, por muitos ignorada, na certeza de que toda ignorância é prejudicial à evolução do espírito.

Na realidade, uma vez que se saiba que uma vida incorreta produzirá uma outra vida futura de sofrimentos dolorosos, sem atenuações possíveis, então vale a pena viver de modo que a próxima encarnação venha a ser regulada como os ótimos procedimentos introduzidos e adotados na encarnação presente.

Poderão dizer os devotos credulários sinceros que não terão de se arrepender do que fazem, caso tenham que voltar a reencarnar posteriormente. Por certo, o bom procedimento é sempre creditado em favor do seu autor, mas eles ignoram que o tempo da encarnação seria melhor aproveitado se não desconhecessem as bases fundamentais da vida, como as que se referem ao poder do pensamento, as que dissipam ilusões e devaneios, as que fortalecem o espírito esclarecido, preparando-o para a jornada próxima seguinte.

Nada justifica que o espírito estando encarnado não venha a se interessar por aquilo de que tem necessidade para melhor se conduzir na vida neste mundo, que é o esclarecimento espiritual. Como espíritos que todos são, ninguém pode menosprezar as leis espaciais, os princípios temporais e os preceitos universais, sem graves consequências, que se unem em um Código que rege a vida espiritual, no qual se encontra o preceito da reencarnação.

Quando se sabe porque se sofre, há a resignação e a confiança de que todos devem ter nas leis espaciais, nos princípios temporais e nos preceitos universais, não se abalando, desde que se compreenda que o presente é simples reflexo das ações do passado, assim como o futuro será o reflexo das ações do presente.

Com tal entendimento, não se cometerão injustiças por atribuir a terceiros os males que sobrevierem, decorrentes das condições da própria vida de encarnado. A encarnação é preparada previamente em conformidade com as encarnações anteriores, de onde se extraem todos os dados necessários sobre as falhas que precisam ser eliminadas. É certo que tais depurações só se conseguem através da dor.

Encarnar e reencarnar é processo comum a todos os espíritos, e não há conceito rejeitável neste fato. Em cada encarnação novos afetos são cultivados, e assim, ao fim de milhares delas, dezenas ou centenas de milhares de espíritos ficam ligados, entre si, por laços da verdadeira amizade, que é de natureza espiritual, e que é o prenúncio do amor espiritual.

Reconhecer o conceito reencarnatório é conhecer a razão sobre a evolução espiritual, é se firmar em um conhecimento e em uma experiência reais, é fortificar as suas convicções espiritualistas, estabelecendo-as em bases sólidas.

Grandes vultos do passado, ornamentais da história desta nossa última e definitiva civilização, que não se destacaram por um proceder espiritualista, voltaram a reencarnar, passando de nobres a humildes servidores, consoante o mau uso que fizeram dos poderes de que muito dispunham. O mesmo acontecerá a muitos dos que hoje se encontram alheios das jornadas que os esperam, tão absorvidos se encontram em galgar o pedestal da fama ou da notoriedade, com menosprezo das atribuições espirituais, esquecendo-se de que são espíritos em evolução e, como tais, cada gesto, cada palavra, cada atitude, cada ação, têm os seus reflexos, os seus ecos, as suas consequências, no cenário das reencarnações futuras.

É comum se ouvir dizer que todos aqui nos encontramos no palco da vida. Para lançar mão da linguagem cênica, cuide-se, cada um, para que não venha a preparar para o próximo retorno uma farsa, uma comédia, um drama, ou uma tragédia.

Ninguém deverá esquecer de que a riqueza material e posições servem como conhecimento e experiência, como recursos que conferem um papel a se desempenhar no mundo, sem se deixar dominar ou empolgar vaidosamente por ele, sem se prevalecer dele para fins egoístas; caso contrário, consuma-se o fracasso do desempenho, e a perda da encarnação.

Se todos os descuidados, que apenas se ocupam do dia de hoje e, por isso, vivem desentrosados com a realidade do porvir, pensassem um pouco mais acerca das razões que motivam as reencarnações, por certo adotariam uma outra postura na cena em que desempenham.

Já que todos têm que reencarnar para evoluir espiritualmente, torna-se evidente que devem ser evitadas as reencarnações lancinantes, marcadas, do princípio ao fim, pelos sofrimentos dolorosos. Cercados pela miséria, moídos pela tortura das situações angustiantes, encontram-se, no entanto, milhões e milhões de seres humanos, vítimas da ignorância que predomina na órbita sectarista, alimentada pelos credos e pelas suas seitas materialistas sobre o que lhes vai acontecer, quando procedem mal.

Então, nada mais importante do que possuir uma convicção iluminada, uma consciência clara e límpida de que a vida de cada ser humano no planeta Terra é constituída de uma série de reencarnações sucessivas, de maior ou menor número, conforme venha a ser o aproveitamento que for sendo feito em cada uma delas.

Para isso, e para cada um, é escolhido o ambiente que melhor possa favorecer ao desempenho da tarefa, chegando-se a dar até a variação do sexo, nascendo o espírito ora com o sexo masculino, ora com o sexo feminino, conforme exijam os conhecimentos e as experiências que tenha que colher para dar à sua estrutura espiritual as conformações moral e ética indispensáveis, porque a meta maior é a educação, pois que o nosso grande objetivo é a universalização, e somente pode transcender a este mundo e se universalizar o espírito que seja realmente educado.

A lógica da reencarnação já é aceita por grande número de credulários, embora os seus credos e as suas seitas a contestem, mas o poder da lógica nem sempre pode ser sufocado, ainda que pouco ou nada venha a significar para quem já se sinta liberto das algemas dogmáticas, porque não se conhece a nenhum argumento sólido que possa se confrontar com a realidade das reencarnações, por isso os números de reencarnacionistas sobem a cada dia, iluminados pela verdade e pela sabedoria, que os conduzem à razão, e que cada vez mais se expande, não estando longe o dia em que todos a reconhecerão, por estar chegando o fim do tempo das trevas sectárias, com o predomínio nocivo da classe sacerdotal.

Alguns preferem não admitir a reencarnação, não porque não sintam na consciência a sua realidade insofismável, mas porque se atemorizam com o pensamento de voltar a sofrer as torturas que a encarnação presente lhes está impondo. Entretanto, uma encarnação marcada pela dor, não significa que a seguinte também o seja, pelo contrário, se o espírito soube bem resistir ao impacto causado pelos sofrimentos dolorosos, por meio dos quais ficou com o débito amortizado, ou mesmo liquidado, estará habilitado a voltar em condições não somente diferentes, mas também melhoradas.

O temor de enfrentar, caso seja preciso, uma nova etapa rude, deve desaparecer, em face do conhecimento e da experiência de que a covardia é um atributo individual inferior, portanto, uma fraqueza, que expõe o espírito a novos débitos. O valor do espírito consiste na coragem em ressarcir os seus erros, sem, para isso, temer os sacrifícios, compenetrado de que deve sentir na própria alma o mal que causou e semeou por este mundo. E como não há mal que jamais acabe, uma vez ajustadas as contas do passado, o espírito conquistará o lugar que lhe compete na hierarquia da nossa humanidade, alçando-se aos planos venturosos proporcionados pela espiritualidade, em Mundos de Luz mais evoluídos.

Pode-se afirmar, em resumo, o urdimento de que todos os credos e seitas bíblicos terão de sofrer radical transformação, quando reconhecerem e não puderem deixar de sustentar a realidade sobre o preceito da reencarnação, não mais podendo subsistirem, uma vez que as modificações serão profundas e fundamentais. O que importa, porém, é que a realidade universal venha a resplandecer, iluminando a todas as mentes, pois o que se deve procurar é viver a vida em sua realidade, conscientemente, sem ilusões, livre dos devaneios e das ilusões provenientes da imaginação, que retrata somente a irrealidade da vida.

Esse método condenável de amedrontar os espíritos encarnados, com capciosas lendas de infernos e outras, que remontam à antiguidade, para com isso tirar proveito material, é uma verdadeira indignidade. Não há nenhum meio de promover um aluno do primeiro ano, do primeiro grau, ao último ano universitário, que não seja pelo processo normal de percorrer a todos os anos intermediários, obtendo a aprovação em cada um deles, até ao final. De idêntica forma nenhum ser humano ascende do seu grau mínimo ao grau máximo de evolução espiritual, que não seja pelo processo normal de percorrer a todos os graus do processo evolutivo, do primeiro ao último.

Alcançando o 17º grau, a evolução do espírito continua a se realizar em plano astral, somente reencarnando, excepcionalmente, um ou outro, em casos especiais de missão consagrada à nossa humanidade, para alavancar o progresso humano, quando o espírito se sobressai pelo seu saber aplicado ao serviço do bem comum, a ações humanitárias e ao esclarecimento espiritual das massas humanas, dando exemplos de honra e de verdadeiro valor.

Os que relutam em aceitar o preceito da reencarnação veem nas reencarnações uma ausência de privilégios, e como se sentem seres humanos privilegiados, com acesso direto ao reino dos céus, não querem, de modo algum, perder a esse sonho com as mais deslumbrantes fantasias. Efetivamente, nenhum privilégio há de conter maior encantamento.

Demolir o ser humano a esse castelo maravilhoso de fantasias, sustentado com tanto carinho e apego, desde a tenra idade, com permanentes vibrações magnéticas, radiações elétricas e radiovibrações eletromagnéticas, produzidas pelos seus sentimentos e pensamentos nesse sentido, não é tarefa que esteja ao alcance da maioria dos que se prenderam a essa irrealidade fixa de imediato ingresso no paraíso celestial, após a morte do corpo humano.

Por isso, aqueles que não possam ou não queiram, por enquanto, aceitar a realidade das reencarnações, estão mais expostos a suportar os efeitos imprevisíveis desse preceito inexorável, pela recusa sistemática do despertar, do que os que já vislumbraram a essa realidade e se encaminham às correntes reencarnatórias, confiantes e com a consciência esclarecida, e assim estando melhor preparados para a marcha da evolução espiritual.

Agradecendo ao notável veritólogo Luiz de Souza pela sua agradabilíssima companhia, vejamos agora como se processa a reencarnação do espírito.

É sabido que os espíritos encarnam em obediência ao plano de espiritualização da nossa humanidade, formulado pelo espírito que se deslocou da sua humanidade para a nossa, que em sua última encarnação neste nosso mundo-escola foi chamado de Jesus, tendo alcançado a condição evolutiva do Cristo.

Em obediência a esse plano, são designados os pais biológicos do espírito. Assim, logo que ocorre a fecundação, o espírito passa a acompanhar a gestação até o terceiro mês, moldando a formação do feto. A seguir, o seu corpo fluídico, que é a matriz do corpo humano, passa a se ligar ao feto por intermédio dos cordões fluídicos, os quais passam a se ajustar ao cérebro e ao coração. Em sendo o corpo fluídico a matriz do corpo humano, nessa ocasião, ele passa a envolver, molécula a molécula, o corpo humano em formação, tomando-lhe a forma exata, em que esta operação é realizada com o espírito ficando do lado de fora do corpo humano da gestante, onde se conserva, vibrando magneticamente, radiando eletricamente e radiovibrando eletromagneticamente para o feto, até o momento em que este vem à luz. Nesta ocasião, quando a criança chora, dá-se a posse total do corpo humano pelo espírito, que se conserva justaposto ao lado esquerdo do mesmo, juntamente com os seus corpos fluídico e de luz.

Estando encarnado e se encontrando ainda na fase da infância, torna-se óbvio que o espírito não pode se manifestar em sua plenitude, pois que o seu corpo humano ainda não se encontra totalmente formado, em razão disso, tem o seu corpo mental plasmável, uma vez que sendo crédulo ele se impressiona com tudo o que lhe vem à mente. Isto ocorre para que o espírito venha a ser devidamente educado pelos pais e pelos seus professores, que assumem a obrigação de incentivar as suas tendências reveladoras de uma boa índole e refrear as de má índole. A obra intitulada Clássicos do Racionalismo Cristão, idealizada por Nilton Figueiredo de Almeida, revisada por Vera R. Ferreira e Moisés Ribeiro, que trata de uma coletânea de comunicações realizadas pelo espírito de Luiz de Mattos, as páginas 111 e 112, vem nos dizer o seguinte:

Hoje cogita-se de educar a criança por meio de estudos psicológicos feitos de modo a revelar as suas inclinações, o seu estado de espírito, as suas fraquezas e as suas fortalezas.

O pai que estuda psicologicamente o seu filho desde pequenino e que passa a educá-lo de acordo com esse estudo obtém aquilo que outros pais não conseguem dos seus filhos.

Estudando-se psicologicamente a criança conhece-se o que se passa no seu espírito. É comum encontrar-se em uma criança inclinações de adultos, observações, respostas e perguntas próprias de criaturas adultas. Isso, dentro do que ensina o Racionalismo Cristão, revela que o espírito traz consigo o saber, a compreensão e o raciocínio de sua última encarnação, bem recente.

Estudando-se psicologicamente a criança começa-se a descobrir aquilo que lhe vai na alma, os seus receios, a sua fraqueza espiritual, a sua rebeldia ou a sua docilidade. Os pais inteligentes começam a se servir daquilo que vão observando no espírito do seu filho, para corrigi-lo, para formar bem o seu caráter e prepará-lo para os dias de amanhã, que talvez sejam ainda mais tumultuosos do que os de hoje”.

Mais adiante, também na mesma obra, as páginas 156 e 157, vem nos dizer o seguinte:

… Há quem não acredite na reencarnação do espírito, nem tampouco na evolução espiritual, através das encarnações. Entretanto, se quiserem pensar e raciocinar, verificarão que é um fato. Há espíritos que se recordam das coisas passadas numa existência longínqua e, quando na infância, revelam coisas que fazem meditar aos pais. Há espíritos que em corpo de criança demonstram temperamentos de velhos, criaturas experimentadas, raciocinando com acerto e tendo por vezes frases de um certo alcance que fazem a admiração dos que os ouvem. São espíritos de fato velhos que desencarnaram há bem pouco tempo, e que têm certas reminiscências da vida passada”.

É certo que muitos espíritos perdem repetidas vezes as suas encarnações e decidem continuar a evoluir em plano astral, uma vez que lá a evolução é bem mais lenta, mas constante. Mas isso tem um limite, uma vez que todos os espíritos têm que se enquadrar no plano elaborado para a espiritualização da nossa humanidade. Assim, existem também as reencarnações compulsórias, em que os espíritos reencarnam independentemente da sua vontade, quando então o livre arbítrio é coarctado temporariamente e eles iniciam o processo reencarnatório, uma vez que o preceito da evolução se sobrepõe ao preceito da reencarnação.

Quando os espíritos desencarnam, eles levam consigo para os Mundos de Luz as tendências inerentes ao sexo com que encarnaram. Lá, após a realização de um balanço das suas vidas pregressas, eles tomam ciência da sua próxima encarnação, em conformidade com o plano elaborado para a espiritualização da nossa humanidade, quando então passam por um período de adaptação, caso tenham que reencarnar com o sexo diferente ao que antes tinham encarnado. Em relação ao assunto, Fernando Faria, em sua obra A Chave da sabedoria, as páginas 215 e 216, vem nos dizer o seguinte:

… Quando um espírito, por necessidade evolutiva, deixa de reencarnar como homem, para vivenciar a experiência de ser mulher, ele passa, no seu mundo de estágio, por um processo psíquico de adaptação, para perder as características masculinas, desenvolver o modo de ser e as formas femininas.

Desenvolvidos esses característicos psíquicos do sexo em que o Espírito vai reencarnar, estaria pronto para iniciar a sua nova trajetória evolutiva.

Muitas vezes, por razões de resgates dolorosos, um espírito na condição de homem deverá compulsoriamente nascer como mulher. Atendendo à lei “Não as faças que as pagas”, nascerá sem ter tido tempo de realizar a sua adaptação psíquica à sua nova condição de existência como mulher. E, por atavismo, apesar de possuir todas as características físicas femininas, o seu comportamento psíquico será o de homem”.

Não precisa esclarecer ao querido leitor, que tudo isso a que o autor se reporta tanto vale para o sexo masculino como para o sexo feminino.

E por falar em reencarnação com qualquer um dos sexos, sabe-se que o sexo com que o espírito deverá reencarnar é determinado pelo plano elaborado para a espiritualização da nossa humanidade, por isso existe um equilíbrio entre ambos os sexos. Mas a pergunta que não deve calar é a seguinte: como pode haver um equilíbrio entre ambos os sexos, se cada um deles é determinado normalmente por ocasião da relação sexual, e sendo esta puramente material, como o espírito pode estabelecer o sexo do corpo humano que pretende encarnar? Pode sim. Assim como o espírito preside a formação do seu corpo humano, ele também preside o momento da fecundação, para determinar que tipo de espermatozoide fecundará o óvulo. Como diz Humberto Fecher, é desse momento em diante que o espírito passa a fazer parte integrante da vida neste mundo, acompanhando a gestação, até o momento de vir à luz, quando então tomará a posse definitiva do corpo humano que presidiu.

Não existe um período predeterminado entre uma encarnação e outra, pois que as encarnações dos espíritos obedecem às injunções da mecânica universal, que tanto dizem respeito aos seus progressos individuais, como ao progresso da nossa humanidade. Referindo-se a esse período entre uma encarnação e outra, Humberto Fecher, em sua obra Perspectivas Perante a Inteligência Universal, a página 38, vem nos esclarecer o seguinte:

Devido a um motivo que no capítulo presente não tem tanta importância, existem espíritos que reencarnam em um espaço de tempo muito curto, entre uma encarnação e outra. Isso pode acontecer, algumas vezes, no mesmo local da última encarnação e até na mesma família, embora raramente, mas podendo acontecer de a criatura lembrar-se de acontecimentos, locais e pessoas, devido aos laços afetivos com parentes.

O período entre uma encarnação e outra é geralmente de três gerações e, para melhor aprendizado e aproveitamento, o espírito encarna em local diferente, para poder aproveitar outros tipos de lições, também, importantes para a sua evolução”.

Estando explicitado tudo aquilo que convém para a devida compreensão acerca do preceito da reencarnação, vamos ao tópico seguinte, para que possamos ver, em suma, as grandes mentalidades aceitando e se reportando ao processo reencarnatório com naturalidade.

 

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