24.02- A desencarnação do espírito

Prolegômenos
8 de setembro de 2018 Pamam

A vida humana se encontra de tal maneira organizada que os acontecimentos ocorrem em época própria, em obediência ao plano de espiritualização da nossa humanidade, assim desta maneira quando não são contrariados as leis espaciais, os princípios temporais e os preceitos universais, no decorrer da existência, o que não implica em dizer que venha a ser falha do plano, pois que tudo nele se encontra previsto.

É a violação das leis espaciais, dos princípios temporais e dos preceitos universais a causa frequente das perturbações, dos conflitos e dos desequilíbrios, que acarretam para os espíritos profundos sofrimentos, alterando o ritmo natural da vida.

A evolução espiritual requer espaço e tempo, muito trabalho, esforço e o desprendimento de bastante sacrifício. Normalmente, a desencarnação deve ocorrer na velhice. Mas para que isso aconteça, torna-se preciso cuidar da saúde física e mental.

Muitos fatores na Terra, tais como as mudanças bruscas de temperatura, os abalos sísmicos, a poluição do ar, a insalubridade de certas regiões, os surtos epidêmicos, os abundantes meios de contaminação, os vícios e, ainda, a influência perniciosa dos espíritos obsessores quedados no astral inferior, contribuem para a desencarnação prematura dos seres humanos. Há que se considerar ainda determinados fenômenos sociais geradores de conflitos e guerras de extermínio.

De qualquer modo, antes da época própria, a desencarnação representa sempre um lapso na evolução, e somente encontra um meio de ser reparada: a reencarnação. Mas esta reencarnação não é problema fácil, uma vez que os candidatos a reencarnar são numerosíssimos, ultrapassando as possibilidades existentes. Daí a necessidade de espera. Mas para não perderem tempo, muitos espíritos decidem reencarnar em meios desfavoráveis, dispostos a enfrentar quaisquer dificuldades.

A constatação de que outros da mesma classe, porque se esforçaram mais e souberam melhor aproveitar o tempo na vida terrena, ascenderam a uma classe superior, não deixa de lhes causar sofrimento, não propriamente por essa ascensão, porém pelo fato de não os poderem acompanhar e deles terem de se distanciar na jornada evolutiva, mas obviamente não causa sofrimento ao ascendente, pois o espírito de uma determinada classe pode observar o que se passa com outros espíritos da sua e das classes inferiores, não o podendo fazer, entretanto, no que se relacione com as classes superiores, pelo fato da luz astral não ter esse alcance.

Os que ficam, os que estacionam, perdem o contato com velhos e queridos amigos, companheiros de longas jornadas em muitas e muitas encarnações, por isso sofrem a dor igual àquela que sentem os que veem na Terra desencarnar os entes queridos.

Esse contato, entretanto, poderá ser restabelecido, e disso são cientes os seres nos planos espirituais. Mas de que maneira? A resposta é simples e óbvia. Se uma pessoa anda mais devagar do que outra que caminha mais depressa, logo ambas se distanciam. E se a que vai na frente não está disposta a reduzir os passos, a que lhe leva desvantagem terá que aumentá-los, caso realmente queira alcançá-la.

É precisamente isso que fazem muitos espíritos quando tomam a decisão de encarnar, decididos a enfrentar todos os sofrimentos na vida terrena, que sabem ser passageiros, para se enriquecerem de conhecimentos, de experiências e de valores morais e éticos que os habilitem a ascender à classe imediatamente superior. Assim, com ânimo resoluto e esforço redobrado, conseguem recuperar o tempo que perderam e se reaproximar, fraternalmente, dos que lhe haviam passado à frente. Lembrando aqui que o espaço proporciona o caminho individual, próprio, exclusivo, para cada ser, enquanto que o tempo proporciona o campo para as aproximações desses caminhos.

A desencarnação deve ocorrer normalmente na velhice. O corpo humano é como o ciclo de uma flor ou de um fruto: nasce, cresce, viça e fenece. Quando fenece, deixa de ter qualquer utilidade para o espírito. Impõe, assim, uma solução natural, espontânea e sábia, que é a desencarnação.

Somente em casos excepcionais a desencarnação poderá ter lugar antes do ser encarnado haver completado as quatro fases da existência terrena, note-se bem, sem prejuízo para ele. É quando, por exemplo, o espírito pertence a classe superior à 17ª e desce à Terra em missão especial de fazer despertar a nossa humanidade ou contribuir para as transformações morais e éticas que possam acelerar o ritmo da evolução no planeta.

Mas, afinal, o que é a desencarnação? Em que consiste? Como se processa? Vejamos as respostas para essas indagações nos itens postos abaixo.

A DESENCARNAÇÃO É UM FENÔMENO NATURAL

A desencarnação é um fenômeno natural na vida dos seres humanos. Ela significa o oposto à encarnação. O espírito encarna na ocasião em que se apossa do corpo, à natalidade, e desencarna no exato momento em que abandona definitivamente a esse corpo. Quando acontece a desencarnação, o espírito faz com que se desprendam os laços fluídicos que transmitiam a vida ao corpo humano, e dele se afasta com os seus corpos fluídico e de luz.

No entanto, não percamos de vista o fato de que a denominação de espírito somente é dada à partícula do Ser Total que haja adquirido as condições evolutivas para encarnar em corpo humano, quer dizer, que haja adquirido as condições evolutivas para também evoluir por intermédio da propriedade da Luz, passando a desenvolver a sua consciência, para que então possa produzir os raios de luz que dizem respeito à amizade e ao amor espirituais.

Uma vez abandonado pelo espírito, o corpo humano nada mais é do que um composto de seres infra-humanos sem a força e a energia que antes os integravam e faziam com que interagissem entre si, que era o corpo fluídico do espírito, a sua matriz, ao que muitos denominam, simplesmente, de matéria. Por isso, a sua fonte de vida já não existe. Cessada essa fonte de vida, pelo afastamento do espírito com o seu corpo fluídico e o seu corpo de luz, o corpo humano cai no domínio do ordenamento químico, desintegra-se, com os seus átomos, as suas moléculas e os demais seres infra-humanos passando a compor outras formas de vida e a constituir outros organismos, outros corpos.

É natural a emoção daqueles que ficam, diante da ausência dos que partem. A emoção sim, é natural, mas o desespero não. A saudade é perfeitamente compreensível e se admite, mas a mortificação, jamais.

O esclarecimento a respeito de como se processa a evolução é um grande bem, por ser o único meio capaz de levar o ser humano a encarar, com naturalidade, a desencarnação, pelo reconhecimento de se tratar de acontecimento tão normal quanto a encarnação, no desdobramento da vida.

Por não perder de vista os seus amigos encarnados, o espírito desencarnado não sente, como estes, a separação. É verdade que ele não pode conversar como o fazia antes. Entretanto, dispõe do sentido telepático, por meio do qual é capaz de transmitir pensamentos ao espírito dos seres encarnados, que os recebem como se fossem os seus próprios pensamentos. Mas, infelizmente, enquanto preso a influências terrenas, não transmite apenas pensamentos, mas também sentimentos, muitas vezes doentios, perniciosos, obcecantes, que irão influenciar negativamente nos pensamentos dos encarnados.

Por isso, os espíritos encarnados precisam auxiliar aos entes queridos com pensamentos positivos, para que eles possam ascender aos seus Mundos de Luz, onde a vida é sentida realisticamente, sem as influências perturbadoras do plano terreno.

CRENÇA INFUNDADA

Já é tempo dos seres humanos abandonarem a crença infundada de que os espíritos desencarnados necessitam de missas, rezas, orações e preces, pois que isto não tem o menor fundamento. No âmbito espiritual, quando em seus Mundos de Luz, onde as influências perturbadoras não existem, a vida é sentida em inteira conformidade com a realidade universal, pois que a lucidez do espírito é completa, tendo ele a consciência plena acerca da eternidade da vida e do processo da sua evolução.

Céus beatíficos e paradisíacos, purgatórios estagiários, infernos, demônios e caldeiras incandescentes, são todos oriundos do devaneio do sobrenatural, provenientes da imaginação humana, que cria essas tolas fantasias, mas que o próprio bom-senso repele, tendo por base o raciocínio esclarecido. O mesmo acontece em relação a um suposto julgamento divino. Tudo isso é pura invencionice, pois não existem deuses para julgar aos que desencarnam, como Jeová, o deus bíblico, Alá, o deus alcorânico, e outros.

Tendo desencarnado e não ficando quedado no astral inferior, tendo abandonado a atmosfera terrena, e com ela todos os fatores de confusão e perturbação, os espíritos veem, com alegria, tudo aquilo que fizeram de bem, e com profundo pesar as suas ações condenáveis.

Os cemitérios e as igrejas onde se fazem mentalmente evocações de espíritos desencarnados, constituem pontos de atração de espíritos obsessores quedados no astral inferior, pelas correntes fluídicas afins que os pensamentos de encarnados e desencarnados formam nesses locais. Por isso, sempre que o ser humano tiver de penetrar em tais meios, deve fazê-lo com a consciência esclarecida, para não tomar parte nas vibrações, radiações e radiovibrações dessas correntes.

Quando estiver, por exemplo, na obrigação moral de acompanhar os restos materiais de uma existência humana, deve desviar o pensamento da comunhão local enfraquecida e erguê-lo sereno, claro, límpido, consciencioso da companhia do Astral Superior, que é a meta para onde se dirigem todos os espíritos libertos das suas ligações com o plano material e das influências fluídicas originárias das emoções inferiores de que este planeta se encontra saturado.

O ESTACIONAMENTO NA ATMOSFERA DA TERRA

Já é sabido como se opera a desencarnação do espírito. Ao abandonar definitivamente o corpo humano, ele se retira com o seu corpo fluídico, que são parcelas adquiridas das propriedades da Força e da Energia, e com o seu corpo de luz, que são parcelas adquiridas da propriedade da Luz.

No entanto, quando o espírito desencarna, se não possui esclarecimentos a respeito da vida espiritual, como acontece com a maioria, são os fatos e os fenômenos intimamente ligados com a vida material que mais o influenciam nos momentos que antecedem e sucedem à desencarnação, da qual comumente não se apercebe. Essa influência é mais forte, mais dominadora, ainda quando o espírito viveu enchafurdado nos vícios, com os pensamentos voltados para os prazeres materiais.

Em tal estado materializado, porque o seu corpo fluídico lhe dá a impressão do corpo humano, passa a vaguear pela atmosfera terrena, andando como qualquer transeunte, aborrecido com a falta de atenção dos encarnados, que obviamente não se apercebem da sua presença. Porém, não lhe faltam oportunidades para fazer relações com outros espíritos desencarnados, em idêntica situação.

Os movimentos na superfície terrestre dos espíritos desencarnados obedecem às condições dos seus corpos fluídicos, que se estiverem impregnados de elementos grosseiros ocasionados pela conduta viciosa que tiveram quando encarnados, locomovem-se a passo, como o fazem os espíritos encarnados. No entanto, os que levaram uma existência terrena menos materializada, deslizam na atmosfera terrena em conformidade com a densidade dos seus corpos astrais, impelidos pela ação do pensamento. Há ainda outros movimentos.

Apesar desses espíritos desencarnados compreenderem o fenômeno da desencarnação, com relativa facilidade, os seus pensamentos se fixam, em demasia, nos acontecimentos da vida terrena, com o desejo de continuarem a sentir as emoções e os prazeres dessa mesma vida, passando então a atuar sobre os espíritos encarnados, e essa atuação acaba por se tornar uma obsessão, quando persistente. É esse o desejo que os leva a permanecerem quedados no astral inferior, preso na atmosfera da Terra, em uma atividade semelhante à que tiveram quando se encontravam encarnados. Os que foram médicos, por exemplo, procuram exercer as suas atividades onde encontram a mediunidade de incorporação desenvolvida e desprotegida da disciplina racionalista cristã.

Acontece, porém, que não dispondo os espíritos presos na atmosfera da Terra de meios para ampliar os seus conhecimentos, não podem evitar as mistificações nem se livrar das influências deletérias do ambiente em que vivem. Por isso, são sempre prejudiciais as suas atuações, enquanto se mantiverem presos na atmosfera da Terra, qualquer que seja o grau de evolução que tenham alcançado.

O ASTRAL INFERIOR

Muito já se sabe acerca do astral inferior, que é justamente a camada atmosférica que envolve o planeta Terra, a aura terrena. Nessa camada se encontram espíritos que pertenceram a todas as classes sociais e que nas suas vidas de encarnados se deixaram empolgar pelas emoções e pelos desejos mundanos. Essas emoções e desejos mundanos não faltam no astral inferior, que é também um ambiente carregado de misticismo credulário. Inúmeros daqueles que iludiram ao seu semelhante com promessas do céu e ameaças do inferno, ali também se acham presentes. É o paraíso de todos os materialões e gozadores.

Nenhum espírito encarna tendo como ponto de partida o astral inferior, pois que ele tem que passar do astral inferior para o seu Mundo de Luz, para o mundo que lhe corresponde, de acordo com a classe a que pertence, passando a fazer parte integrante do Astral Superior, e somente a partir desse mundo poderá vir a encarnar.

No astral inferior, os conhecimentos do espírito são limitados aos que teve na Terra, ocorrendo apenas uma alteração do seu modo de enxergar, que não mais são com os olhos da cara, evidentemente, mas sim com a sua visão astral, cuja visão astral não é proveniente da luz astral, já que esta se encontra enegrecida, quando então eles podem enxergar todas as patifarias que ocorrem no mundo, passando então a contribuir para o seu agravamento. Assim, os que foram sacerdotes, corruptos, ladrões, traidores, assassinos, estelionatários, e tudo o mais do gênero, apegam-se mais ainda a essas correntes de pensamentos, já que o meio não é propício e nem favorável a qualquer mudança de pensamento.

Ali, constatam que não há deus, nem demônios, nem santos, nem céu, nem inferno, e se riem dos adoradores que se encontram ainda entorpecidos pela influência das suas crenças. Os credulários que foram educados no regime do temor se acovardam, inicialmente, ao penetrarem no astral inferior, pensando no purgatório e no inferno. A seguir, observando que foram enganados, perturbam-se, perdem a noção do seu estado de desencarnados, em uma situação de completa perplexidade, e acodem, desorientados, às igrejas, como que em busca de um roteiro, de um guia, de uma tábua de salvação.

Com o correr do tempo, vão se familiarizando com o ambiente, travando conhecimento com outros desencarnados, em situação idêntica. Não é sem decepção e sofrimento que muitos veem ruir e se desfazer o castelo de fantasias que construíram em seus corpos mentais, com o abundante material sugestivo da mística credulária.

Ma mesmo assim, é de tal modo o apego aos deuses e aos santos e tão grande, tão profundamente enraizado, o temor de serem castigados, que nem mesmo nesse estado de semiconsciência espiritual são capazes de fazer funcionar o atrofiado raciocínio para a libertação que tantos benefícios lhes proporcionaria.

É relativamente pequena a transformação que o desencarnado observa, ao penetrar no astral inferior, pois estando materializado vê que possui um corpo igual ao carnal e enxerga o quadro da vida material terrena como sempre o conheceu. Expressando-se pela ação do pensamento como se estivesse realmente falando, assim como os demais desencarnados, pode mesmo ouvir o timbre do som que lhe dá a falsa impressão de ser a sua própria voz. Esse fato é perfeitamente compreensível, uma vez que os pensamentos possuem diferentes densidades e, em decorrência, um som especial, característico e individual.

Todos esses fatos contribuem para que o espírito desencarnado passe a se acomodar no astral inferior, na ignorância dos males que lhe advêm dessa permanência em um meio em que a evolução espiritual é paralisada, com o agravante de armazenar, para resgates futuros, ônus mais ou menos pesados, conforme seja a atividade a que se entregou nesse ambiente de baixíssima espiritualidade.

A EXPANSÃO AOS VÍCIOS E O CONTATO PERIGOSO

No astral inferior, os espíritos desencarnados dão expansão aos vícios que alimentaram em corpo humano. Assim, se têm o desejo de fumar, encostam-se ao encarnado que está fumando e experimentam, por indução, o mesmo prazer que este sente. De igual modo procedem em relação aos demais desejos, podendo-se assim concluir que todos os espíritos encarnados possuidores de vícios se entregam, como instrumentos inconscientes, à satisfação dos que alimentam os espíritos obsessores quedados no astral inferior.

Há, ainda, um ponto a ser esclarecido, uma vez que nem sempre os desejos viciosos partem dos seres humanos encarnados, pois muitas vezes são os espíritos obsessores viciados que os acompanham que os despertam e os intuem para saciá-los.

O perigo do contato com os espíritos obsessores quedados no astral inferior não se encontra somente em se sujeitar o ser humano às más influências intuitivas que resultam em desatinos, em obsessões, em conflitos domésticos, em ressentimentos infundados, em desentendimentos com a família, em prevaricações e infidelidades. Há também o risco de acidentes e desastres motivado pelo estado de perturbação a que eles podem fazer chegar os seres humanos.

A esses males, acrescentam-se as moléstias infecciosas que os espíritos obsessores geralmente ocasionam ou agravam, levando os seres humanos à desencarnação. O processo é relativamente simples para eles, pois que colhem nos focos de matéria pútrida os miasmas contaminadores e os depositam no corpo da vítima, aproveitando-se das lesões ou ferimentos expostos, da debilidade do paciente e de todos os elementos favoráveis à propagação ou ao desenvolvimento do mal.

A PERVERSIDADE PRATICAMENTE SEM LIMITES

A perversidade com que podem agir os espíritos obsessores quedados no astral inferior é praticamente sem limites. Às ações deletérias desses espíritos são devidas muitas e muitas doenças. Mas maiores elas seriam se os espíritos que integram o Astral Superior não dispusessem de correntes mais fortes formadas pelas vibrações magnéticas, radiações elétricas e radiovibrações eletromagnéticas dos espíritos encarnados e esclarecidos a respeito das suas obrigações e dos seus deveres espirituais, que podem conservar o corpo mental limpo e se manter em condições de reagir contra qualquer influência maléfica.

Como os espíritos obsessores quedados no astral inferior não ignoram que todos os seres humanos possuem a mediunidade de intuição, dela se aproveitam para incutir nos seus corpos mentais pensamentos absurdos e disparatados. Daí a razão de andarem certas pessoas com a mania de perseguição, de outros verem as coisas sempre pelo lado negro e de muitos a se suporem vítimas de doenças diversas.

Cumpre aqui acentuar, e este detalhe se reveste de suma importância, que nem todos os males de que é vítima a nossa humanidade são produzidos pelas ações dos espíritos obsessores quedados no astral inferior, uma vez que cada ser humano tem tendências, temperamento, modo particular de sentir e ver as coisas, livre arbítrio para tomar decisões e individualidade própria. Por conseguinte, cabe unicamente a ele a responsabilidade direta pelos sucessos ou insucessos, êxitos ou fracassos, que tiver na vida.

Se é verdade que as forças do astral inferior são atraídas por pensamentos afins e intervêm na vida dos seres humanos, causando diversos males ou agravando os já existentes, não é menos verdade que eles podem se defender perfeitamente dessas forças inferiores, utilizando-se das poderosas armas do pensamento e da força de vontade.

A FORMAÇÃO DE FALANGES

Existem na Terra seres humanos que governam e outros que são governados. Se esses seres humanos não forem capazes de imprimir às atividades terrenas a que se entregam um sentido espiritualista, certamente que ingressam, quando desencarnam, no astral inferior, conservando as mesmas inclinações de mando e obediência.

Assim se formam as falanges de espíritos obsessores, sempre dirigidas por um chefe. Se o seu comandante é perverso, também o são os seus comandados, em função da lei da afinidade e do princípio da atração, pois o que os une é justamente a afinidade e a atração.

Essas falanges coordenam as suas atividades perniciosas com a dos encarnados que se entregam à prática da magia negra e de suas numerosas derivações. Muitos sacerdotes são médiuns videntes e ouvintes, que utilizam as suas faculdades mediúnicas para arrebanhar e encabrestar aos incautos credulários.

O grau de perversidade de cada falange depende da inferioridade espiritual dos seus membros. As que se dispõem a colaborar nos mais abomináveis atos de selvageria, assistem aos indivíduos encarnados mais violentos e perversos, do mesmo modo que outras, de instintos menos agressivos, intuem aos médiuns de sentimentos idênticos, tais como macumbeiros, adivinhadores, trapaceiros, oráculos, arrumadores de negócios, cartomantes e todos os intrujões que mercadejam com a credulidade e a ignorância alheias.

Praticamente a totalidade dos casos de suicídio, dos casos de loucura, das desavenças, das arruaças, dos conflitos, das agressões, das discussões, das desordens, das intrigas e das convulsões por paixão política, é provocada pela interferência das forças do astral inferior.

Os espíritos que ali estagiam estão todos envolvidos em fluidos densos, pesados e grosseiros, impregnados de correntes vibratórias, radiativas e radiovibrativas malsãs, como a inveja, o ciúme, a corrupção, o ódio, a mentira, a ingratidão, a hipocrisia, a traição, a falsidade e outros atributos mais de naturezas inferior e negativa.

Esses espíritos obsessores agem, frequentemente, com manha e brandura, exteriorizando nos centros em que atuam, geralmente kardecistas, cujos centros não devem ser confundidos com as casas racionalistas cristãs, os mais puros e nobres sentimentos e as mais doces e melodiosas expressões de amor ao próximo. Mas isso tudo é mentira!

OS ESPÍRITOS BEM-INTENCIONADOS

Não se deve pensar que no astral inferior impera somente a maldade. No mesmo ambiente de espíritos pervertidos estagiam outros que tiveram a intenção de ser bons, quando encarnados, mas que falharam nesse propósito, por haverem conservado adormecido o raciocínio, na lamentável inconsciência do que representa o sentimento de justiça e a prática efetiva do bem — e não somente os pensamentos voltados para ele —, no curso da vida.

É bom insistir no fato de que nada podem fazer de útil à nossa humanidade as forças do astral inferior, apesar de se encontrarem nesse meio espíritos bem-intencionados. A razão disso pode ser facilmente compreendida, pois que as melhores intenções desses espíritos são neutralizadas pela ação fluídica do ambiente trevoso, acabando por produzir males cuja intensidade varia de acordo com os seus graus de espiritualidade. E aqui se faz valer plenamente o adágio proveniente da sabedoria popular de que “O inferno está cheio de almas bem-intencionadas”.

Somente no Mundo de Luz relativo à classe a que pertencem, para onde terão que seguir antes de voltarem a encarnar, é que os espíritos — livres de toda perturbação e em plena lucidez — reconhecem o grande atraso que traz à evolução espiritual do seu humano o fato de estagiarem no astral inferior.

De um modo geral, mesmo estando decaídos e presos na atmosfera da Terra, sob determinados aspectos, os espíritos obsessores consideram melhor a vida que levam do que a dos espíritos encarnados, mesmo porque, ao que tudo indica, eles não se preocupam em contemplar a imensidão do Universo, buscando um meio de se alçarem a ele. Por isso, muitas vezes desejam que os parentes e amigos que deixaram na vida de encarnados também desencarnem, para lhes fazer companhia, passando a trabalhar astralmente para isso, sem que estejam movidos por qualquer sentimento de animosidade.

A ASCENSÃO AOS MUNDOS DE LUZ A QUE PERTENCEM

É um erro supor que todos os espíritos que desencarnam estagiam no astral inferior. Muitos ascendem imediatamente aos Mundo de Luz da sua classe, sem que por um só instante venham a se deter na atmosfera da Terra. São esses os que sabem viver espiritual e materialmente, os que veem no trabalho honrado uma das sérias razões da vida, os que mantêm puros, limpos e descontaminados os pensamentos. Os que assim vivem e pensam, atraem, frequentemente, os Espíritos Superiores, que os assistem, principalmente no momento da desencarnação, auxiliando-os a se transladar para os seus respectivos Mundo de Luz.

É sabido que para a sua obra de saneamento do planeta, o Astral Superior conta com vários pontos de apoio na Terra, pois sem tal apoio o seu trabalho seria muito mais difícil, ou mesmo impossível, uma vez que os espíritos de luz têm que obedecer, rigorosamente, às injunções estabelecidas pelo ordenamento universal.

Onde quer que se encontre um ser humano a vibrar magneticamente, a radiar eletricamente e a radiovibrar eletromagneticamente, sentimentos e pensamentos de alto valor, aí estará um polo de atração, um instrumento de apoio à ação do Astral Superior. A limpeza psíquica que as casas racionalistas cristãs realizam, não tem outra finalidade. Com o auxílio das correntes fluídicas nelas formadas, penetram os espíritos que integram o Astral Superior na atmosfera da Terra, arrebatando espíritos obsessores de toda espécie, dos mais pacatos aos mais agressivos.

Contam-se entre os espíritos arrebatados pelas correntes fluídicas organizadas pelas forças do bem nas casas racionalistas cristãs, cuja luz esplendente ilumina e desperta as consciências, mesmo as mais empedernidas, inumeráveis perturbadores do equilíbrio da vida terrena, uns de grande inteligência, outros de enorme obtusão, outros, ainda, de intelectualidade incipiente, mas todos atolados no mais fundo materialismo, apesar de serem espíritos, tais como: escamoteadores contumazes, magistrados venais, mistificadores audazes, charlatães impertinentes, ministros envaidecidos, presidentes impatriotas, reis megalomaníacos, papas adoradores, sacerdotes de mental obscurecido pelos dogmas, etc.

Depois que desencarna, o primeiro dever do espírito é ascender ao Mundo de Luz a que pertence, sem se deter na atmosfera da Terra, passando a fazer parte integrante do Astral Superior, e não do astral inferior. Porém, como ninguém pode cumprir com as suas obrigações e os seus deveres sem que esteja para isso preparado, os espíritos desencarnam, em sua maioria, envoltos na névoa embriagadora das sensações e dos prazeres materiais, agravada pelas fantasias criadas pelas místicas credulárias, e assim, assistidos por espíritos obsessores, passam a engrossar as hostes dos que estagiam na atmosfera terrena.

Somente os que quando encarnados não se esquecem das obrigações e dos deveres espirituais e a eles condicionam toda a grandeza da vida, encontram-se preparados para a ascensão aos Mundos de Luz a que pertencem, sem resvalar pelas correntes impuras do astral inferior.

Caso a nossa humanidade pudesse compreender que todos os acontecimentos ocorrem somente dentro das condições naturais, em conformidade com o estado de alma ou sujeitos ao desenvolvimento espiritual de cada indivíduo, não se mortificaria e nem se deixaria abater pelo desespero e as amarguras a que constantemente se entrega.

Todos os espíritos que integram o Astral Superior têm essa nítida consciência. E porque a possuem, podem com o entendimento esclarecido, observar as desgraças que se lamentam no planeta, sem que elas produzam qualquer alteração nos seus sentimentos e atividades. Isto se explica em função das suas imensas clarividências, pois são cientes de que existe uma cota do mal a ser praticado por cada humanidade, e em nossa humanidade essa cota já se encontra prestes a se esgotar, com o esclarecimento espiritual de todos os seres humanos.

A VIDA É PODER E AÇÃO

Todos os seres evoluem por intermédio da propriedade da Força, adquirindo o poder, assim como por intermédio da propriedade da Energia, adquirindo a ação. É através das suas propriedades que os seres podem fazer valer o poder e a ação que possuem, portanto, a vida. Mas quando os seres alcançam o estágio evolutivo de espíritos, eles passam a evoluir também por intermédio da propriedade da Luz, quando então o poder e a ação devem ser exercidos com base na consciência.

Note-se que a propriedade da Força contém o espaço, que é o repositório dos conhecimentos metafísicos acerca da verdade, por onde os espíritos adquirem o poder. Que a propriedade da Energia contém o tempo, que é o campo das experiências físicas acerca da sabedoria, por onde os espíritos adquirem a ação. E que a propriedade da Luz penetra o espaço e o tempo, portanto, o Universo, por onde se alcança a razão e o Saber, por excelência.

Para que um espírito seja realmente um líder, um verdadeiro líder, ele tem que coordenar o seu poder com a sua ação, manifestando a vida em seu esplendor; os seus conhecimentos metafísicos acerca verdade com as suas experiências físicas acerca da sabedoria, manifestando a razão, o Saber, por excelência; o seu criptoscópio com o seu intelecto, manifestando a consciência; os seus sentimentos superiores com os seus pensamentos positivos, manifestando a amizade espiritual, depois o amor espiritual. Assim, cada um desses elementos provenientes da propriedade da Força é fonte de cada um dos elementos provenientes da propriedade da Energia, quando então cada um dos elementos provenientes da propriedade da Luz pode se manifestar.

Assim, onde há poder e ação está o cumprimento das obrigações e dos deveres. Como a vida é dinâmica e sem interrupções, as obrigações e os deveres que recaem sobre o espírito estão sempre presentes, e os seus cumprimentos representam uma imposição inadiável que no Astral Superior é cumprida rigorosamente.

No Astral Superior inexistem o cansaço, a preguiça, a indolência e a displicência, nem se deixa para depois o que deve ser feito no momento exato. A fadiga é resultante dos trabalhos materiais que não atingem ao espírito. Lá, inexistem também o dia e a noite, pois que os espíritos enxergam com a luz astral, que penetra todo o Universo.

Os espíritos obsessores que se encontram estagiando no astral inferior se encontram fora das leis espaciais, dos princípios temporais e dos preceitos universais, impedidos de cumprir com a suas obrigações e os seus deveres que lhes são afetos, por ser o astral inferior um meio criado para o erro, pelo abandono das obrigações e deveres, pela submissão aos vícios, pela atrofia e embrutecimento do sentido espiritualista e pela expansão das tendências inferiores advindas das encarnações passadas, que não se interessaram por sopitar. Mas eles se encontram enquadrados na legislação penal do Universo.

Em tal ambiente pernicioso, os espíritos obsessores se encontram completamente iludidos a respeito da vida, na dependência de serem despertados para ela. E esse despertar não é fácil, se levarmos em consideração a influência dos fluidos perturbadores que os envolvem.

Sem a lucidez indispensável ao clareamento do embotado senso das obrigações e dos deveres, os espíritos obsessores vegetam em uma situação inferior à que mantinham quando encarnados, por não disporem no astral inferior de nenhuma possibilidade de melhorar o seu estado espiritual.

Enganosos aspectos da vida material podem enlear o espírito, mas apenas enquanto encarnado ou preso na atmosfera da Terra. No seu Mundo de Luz, livre de todas as influências terrenas, a vida real se apresenta com a limpidez da razão. Nele as obrigações e os deveres têm uma só interpretação, não havendo, por isso, sofismas, modos de ver, alternativas, situações dúbias, vacilações, dúvidas ou incertezas. Obrigações e deveres firmados são obrigações e deveres cumpridos, são princípios que se confundem em uma só consumação.

No Mundo de Luz que corresponde à sua classe, o espírito evolui a passos lentos, e toda essa lentidão resulta de todos ali possuírem o mesmo nível evolutivo, o mesmo grau de desenvolvimento, por isso nada tem a ensinar uns aos outros, somente sendo alavancado quando espíritos de Mundos de Luz mais evoluídos para ele se deslocam. Aqui se pode compreender o porquê de espíritos de diferentes categorias espirituais encarnarem neste mundo-escola e se misturarem uns com os outros, para que assim possam interagir reciprocamente, realizando as trocas dos seus acervos.

Não se torna necessário salientar mais uma vez, o papel que essa desigualdade de valores representa no processo evolutivo da nossa humanidade. Ela é tão importante, tão valiosa, tão necessária, que até os membros de uma mesma família, via de regra, são de graus de espiritualidades diferentes.

A VISÃO DO PASSADO

Às faculdades dos espíritos, não escapa nenhum detalhe, nenhum movimento, nenhum fato referente à sua vida pregressa. Eles têm gravado em suas esteiras fluídicas, pelas produções das suas vibrações magnéticas, radiações elétricas e radiovibrações eletromagnéticas, que ficam gravadas nos fluidos, com a mais absoluta fidelidade, todas as suas vidas pretéritas, desde a sua origem, e as continuam gravando continuamente, pelo menos até as suas reintegrações a Deus.

Não é assim tão fácil conceber uma ideia do que significa o registro nessa imensa, nessa quase interminável esteira fluídica de tudo o que se passou na vida de cada espírito, estando nela perfeitamente focalizados como se fossem filmes cinematográficos, cujas cenas podem ser vistas em qualquer época e a qualquer momento.

Tão logo alcança o Mundo de Luz a que pertence, o espírito revê toda a sua vida passada. Examina-a, detida e minuciosamente, faz confrontos, analogias comparativas, observa as encarnações perdidas, calcula o espaço que deixou de percorrer e o tempo que desperdiçou nas parcialmente aproveitadas, raciocina, analisa e estuda a posição em que se encontra, com a finalidade de estabelecer um novo plano para a encarnação seguinte.

Caso venha a verificar que estacionou no astral inferior, deplora, intimamente, não haver utilizado melhor os seus próprios recursos espirituais, com os quais teria adicionado outros valores ao seu patrimônio, ao acervo das suas realizações progressistas.

OS POLOS PROVENIENTES DA LEI DA AFINIDADE E DO PRINCÍPIO DA ATRAÇÃO

É sabido que os espíritos realizam o seu progresso espiritual reencarnando em um mundo-escola, no caso da nossa humanidade no planeta Terra, até alcançarem a 17ª classe. Daí para cima, eles encarnam somente por desprendimento, para alavancar o progresso deste mundo, quando então a evolução é processada no Universo. É sabido que quando não estão encarnados, os espíritos se encontram no Astral Superior, em que a partir da 18ª se pode denominar de a plêiade do Astral Superior, ou então decaídos no astral inferior.

Processando as suas evoluções pelo Universo, os espíritos do Astral Superior assumem muitas obrigações e deveres, entre eles o de contribuir para o progresso dos espíritos encarnados e arrebatar os que se encontram quedados no astral inferior, respeitando sempre o livre arbítrio de todos eles. Mas em relação aos espíritos obsessores quedados no astral inferior o livre arbítrio pode ser coarctado, em favor da evolução espiritual, que é o preceito universal maior de todos, e que por isso tem que ser rigorosamente cumprido.

Mas sem os polos provenientes da lei da afinidade e do princípio da atração suficientemente fortes, seria impossível aos espíritos do Astral Superior alcançarem a Terra. Para isso, além dos espíritos encarnados esclarecidos que neste planeta lhes servem de instrumentos, contam com o concurso dos espíritos dos Mundos de Luz opacos que se encontram ao seu serviço.

Esses espíritos deveriam fazer a sua evolução reencarnando neste mundo-escola, como sempre acontece. Porém, tantas foram as encarnações perdidas e tamanhos os sofrimentos por que passaram, sem qualquer proveito, que se decidiram a trabalhar no Universo, mesmo sabendo que assim os seus progressos espirituais são bastante lentos. É a famosa relação custo/benefício, pois que é melhor evoluir de modo mais lento do que não evoluir.

Entretanto, milita em favor desse processo a circunstância de não haver perda de tempo, como acontece na Terra, onde milhões e milhões de espíritos encarnados se atolam nas mais baixas paixões mundanas e se deixam dominar pelos falsos prazeres da vida material, prazeres esses que todos sabem ser efêmeros.

Os espíritos classificados nos mundos opacos são da 6ª à 11ª classes. Os seus corpos fluídicos se compõem de fluidos mais ou menos densos, pois que dizem respeito às coordenadas universais por que passaram, que são mais baixas, e com esses seus corpos fluídicos eles podem então se locomover, facilmente, pela superfície deste planeta. Estando rigorosamente disciplinados pelos Espíritos Superiores, as suas atividades neste mundo são muito valiosas, já que podem penetrar em quaisquer ambientes, por piores que sejam.

Os espíritos dos Mundos de Luz opacos oferecem, ainda, estreita colaboração com os espíritos encarnados, quando estes se encontram em desdobramento, nas sessões particulares das casas racionalistas cristãs, para que os Espíritos Superiores possam promover grandes limpezas psíquicas no astral inferior, dele arrebatando terríveis obsessores e os transladando para os seus respectivos Mundos de Luz. No Astral Superior, dispõem os espíritos dos mais amplos recursos para o cumprimento das suas obrigações e dos seus deveres.

O ESPAÇO E O TEMPO

O espaço é metafísico, tendo a natureza absoluta, quer dizer, é imutável, inalterável, permanente, em razão da Inteligência Universal haver previamente reservado um caminho a ser percorrido pelos seres, em que esse caminho é individual, próprio, exclusivo, não se cruzando com outro caminho, por nenhuma hipótese, pois, neste caso, haveria um ponto de interseção entre dois caminhos, quer dizer, haveria um ponto em comum para dois seres, cujo ponto ensejaria a existência de duas coisas iguais no Universo em relação ao espaço, justamente esses dois seres nesse ponto comum, e isto não pode existir. Em relação ao espaço existem três caminhos básicos: o espaço percorrido, o espaço que se está percorrendo e o espaço a percorrer. Esses caminhos são os que realmente nos interessam neste mundo.

O tempo é físico, tendo a natureza relativa, quer dizer, é mutável, alterável, temporário, em razão da Inteligência Universal haver previamente reservado um curso a ser seguido pelos seres até eles alcançarem a condição de espíritos, quando então, a partir daí eles seguem os seus próprios cursos, tendo por base o livre arbítrio, em que nesses seus próprios cursos eles passam a interagir uns com os outros, em seus diferentes graus de evolução, para as trocas dos seus acervos. Em relação ao tempo existem três cursos básicos: o tempo passado, o tempo presente e o tempo futuro. Esses cursos são os que realmente nos interessam neste mundo.

Quando a ciência terrena registra a velocidade da luz, mas nada pode informar a respeito da velocidade com que os Espíritos Superiores se locomovem pelo Universo com a sua luz astral. E nada pode informar porque no presente estado de evolução da nossa humanidade esse conhecimento não faz falta.

Porém, no futuro, quando os seres humanos se desdobrarem, com o espírito se afastando do seu corpo humano, juntamente com os seus corpos fluídico e de luz, para visitarem outros mundos, ao que se denomina de volição, então o aspecto do Universo mudará por completo, e o problema das grandezas incomensuráveis passará a ter uma outra significação.

Estando desprovido do corpo humano, é justamente sob tal modalidade de vida que se movimentam os espíritos que integram o Astral Superior, que têm por campo de ação extensões que escapam aos limites da compreensão existentes no horizonte do mental humano, cujo campo se estende pelo Universo, em conformidade com o estágio evolutivo em que eles se encontram, para que assim possam cumprir com as suas obrigações e os seus deveres, que não se assemelham aos do viver terreno.

As minudências da vida do Astral Superior interessam apenas aos espíritos que se encontram naquele plano, que aos espíritos encarnados nenhuma contribuição, por enquanto, poderão oferecer neste plano em que se encontram.

 

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