24.01- A encarnação do espírito

Prolegômenos
6 de setembro de 2018 Pamam

Torna-se por demais evidente que o planeta Terra não é a habitação permanente de nenhum espírito que integra a nossa humanidade. Ele é um mundo-escola, um laboratório depurador, uma oficina de aprendizagem, de trabalho, onde o espírito se instrui, aperfeiçoa-se, desenvolve-se em um período mais ou menos longo e em um ambiente adequado para proceder a sua evolução espiritual.

É sabido que existem os Mundos de Luz que rolam pelo Universo, que são as moradas permanentes dos espíritos, embora eles possam ascender a Mundos de Luz mais evoluídos, por isso se diz também que eles são Mundos de Estágio, daí a razão dos espíritos se encontrarem distribuídos em mundos próprios, por classes, em conformidade com o estágio evolutivo em que cada um se encontra.

Os espíritos que integram a nossa humanidade e que encarnam neste planeta Terra para evoluir e fazê-lo evoluir, pertencem às primeiras dezessete classes, separadas umas das outras no Universo, na ordem dos seus valores. Aqueles espíritos que pertencem às classes a partir da décima oitava até a trigésima terceira, que é a última classe, não mais precisam encarnar, fazendo-o em total desprendimento, para alavancar a evolução da nossa humanidade.

Ao encarnarem, porém, eles se misturam, intensamente, para a formação das nações de estrutura heterogênea, como convém a um mundo-escola que ainda não foi espiritualizado. Os que possuem maiores conhecimentos, maiores experiências, que são os que sabem mais e dispõem de um maior tirocínio, ensinam aos que sabem menos daquilo que, por seu turno, aprenderam dos outros. Exatamente por esse fato é que se veem, com frequência, seres humanos de espiritualidade bastante diferente em uma mesma família.

Para bem aprenderem as lições proporcionadas pela vida, precisam os seres humanos encontrar nos seus semelhantes conhecimentos, experiências e qualidades que ainda não possuem.

Tal como ser, o espírito é essência, partícula do Ser Total, que é a Essência de Deus. Ele evolui por intermédio das propriedades da Força e da Energia, formando o seu corpo fluídico, também conhecido como corpo astral, perispírito, duplo etéreo ou corpo anímico. O seu corpo fluídico vai sendo formado pelos fluidos das coordenadas universais por que passou, cujas coordenadas universais nele ficam representadas. Ele evolui também por intermédio da propriedade da Luz, formando o seu corpo de luz, que penetra a todas as coordenadas universais por que passou. Então o espírito, juntamente com o seu corpo fluídico e o seu corpo de luz são imateriais, notadamente porque a matéria não existe, sendo apenas uma ilusão.

Muitos pensam, equivocadamente, que o corpo fluídico seja composto de fluido quintessenciado, mas matéria, inclusive os racionalistas cristãos, como assim consta na sua doutrina, cuja matéria é da mesma natureza da substância fluídica do mundo em que estagia no intervalo das suas encarnações. Isto ocorre por influência do espiritismo kardecista.

Mas por que fluido quintessenciado?

Porque desde as épocas mais remotas os estudiosos da espiritualidade sempre levaram em consideração a existência da matéria, e assim, considerando sempre a sua existência, procuraram um elemento que fosse de natureza semimaterial, mas fluídico, ou seja, quintessenciado e sutil, que pudesse servir de traço de união entre o espírito e o corpo humano, de onde resultou para o corpo fluídico uma variada e complexa sinonímia. Daí essa confusão gerada entre o corpo fluídico, como se fosse matéria quintessenciada, e a matéria em si.

Isto se explica em razão dos estudos a respeito do corpo fluídico virem se aprofundando cada vez mais. No Egito Antigo, já se acreditava na existência de um corpo para o espírito, que era denominado de Ka, que quer dizer o duplo. O povo hebreu acreditava naquilo que denominava de nephesh, literalmente a alma, que levava no seu íntimo o sopro divino. Na Índia, o livro sagrado dos Vedas refere em seus cânticos ao linga sharira, ou duplo etéreo, que designa o segundo princípio na constituição setenária do homem, que é levemente mais etéreo do que o corpo humano, sendo um molde de todos os órgãos, artérias e nervos, como que prevendo que o corpo fluídico é a matriz do corpo humano. Na China, Confúcio se reportava ao corpo aeriforme, ou seja, que não tem forma e nem volume definidos, sendo, portanto, um fluido, que tende a se expandir, obviamente que com a aquisição de mais parcelas das propriedades da Força e da Energia. Na Grécia Antiga, tanto os veritólogos como os saperólogos adotavam uma nomenclatura variada para designar o envoltório do espírito, como é o caso de Pitágoras, que denominava ao corpo fluídico de carne sutil da alma, enquanto que Aristóteles denominava de corpo sutil ou duplo etéreo, já Homero se refere ao eidola, com o significado de alma. Paracelso, o precursor da Química, o fundador da bioquímica e da toxicologia, além de reformador dos medicamentos, deu-lhe a denominação de corpo astral, baseado na sua cor prateada e luminosidade própria. Os integrantes da Escola de Alexandria denominavam de astróide, com o significado de corpo alterado, e, também, de corpo aéreo e veículo da alma. São Paulo em sua epístola 1 Coríntios 15:42 a 44, afirma que se há um corpo físico, há também um corpo espiritual. Tertuliano afirmava a existência de um corpo vital da alma. Santo Agostinho, São Bernardo, Santo Hilário e São Basílio, identificaram o corpo fluídico como sendo o invólucro da alma, o pneuma, o sopro criador ou a força criadora.

Já o corpo humano é formado pelos seres hidrogênios que formam o planeta Terra e por outros seres infra-humanos, como os outros seres atômicos mais evoluídos, os seres moleculares, os seres orgânicos e os seres aparelhantes, em síntese, que tanto podem se encontrar interagindo neste mundo, como se encontrar em seus respectivos mundos, com os espíritos deles lançando mão. Quanto mais adiantados forem os Mundo de Luz a que pertencem os espíritos, tanto mais diáfanos serão os seus corpos fluídicos, por conseguinte, os seres infra-humanos que compõem os seus corpos humanos serão progressivamente os mais evoluídos. Isto se explica a razão de serem os corpos fluídicos mais diafanizados uns do que os outros, assim como os corpos humanos, embora estes últimos sejam aparentemente idênticos.

Nenhum fato, nenhum acontecimento da vida humana pode ser ocultado aos planos espirituais, uma vez que os nossos sentimentos e pensamentos produzem vibrações magnéticas, radiações elétricas e radiovibrações eletromagnéticas, que se cruzam em todas as direções, e assim como os espíritos, os seres infra-humanos também vibram, radiam e radiovibram, seja em que estágio evolutivo eles se encontrem.

Por isso, tão logo se opera uma fecundação, ela é imediatamente constatada nos planos espirituais, e um espírito acorre a cumprir a uma das mais importantes determinações dos preceitos universais: a encarnação; dentre os que aguardam sem temor ou relutância a sua vez de reencarnar, compenetrados das obrigações e deveres que lhes cumprem, pois que são cientes do plano de espiritualização que foi elaborado para a espiritualização da nossa humanidade.

Determinado a reencarnar, e identificada aquela que vai lhe servir de mãe, o espírito assiste e acompanha a formação do seu corpo humano durante a gestação, em que o seu corpo fluídico é a sua matriz, até completar a evolução fetal, quando dele toma posse inteira, absoluta à natalidade, ficando unido, ligado ao mesmo por intermédio dos cordões fluídicos.

O corpo humano, em formação, vai sendo envolvido, molécula a molécula, pelo corpo fluídico do espírito que sobre ele vibra magneticamente, radia eletricamente e radiovibra eletromagneticamente, postado do lado de fora do corpo da gestante, até o momento de vir à luz, quando então dele se apossa, inteiramente.

Consumada assim a encarnação, fica o espírito apoiado no seu corpo fluídico justaposto ao corpo humano da criança, do lado esquerdo.

Logo que o espírito encarna, passa o ser humano a constituído de quatro corpos:

  1. Corpo mental:
    • O corpo mental representa uma partícula do Ser Total, a inteligência da Inteligência Universal, sendo, portanto, o espírito, onde se manifestam os três órgãos mentais que o caracterizam, que são o criptoscópio, o intelecto e a consciência, além dos atributos individuais e relacionais, que comandam a sua inteligência.
  2. Corpo fluídico:
    • O corpo fluídico é constituído pelas parcelas adquiridas pelo espírito das propriedades da Força, que proporciona o poder, e da Energia, que proporciona a ação, em que o poder e a ação representam a vida do espírito, que é vivida no âmbito restrito das coordenadas universais por que passou, e que no corpo fluídico se encontram representadas, sendo ele o liame, a ligadura entre o corpo mental e o corpo humano;
    • Ele representa a verdadeira propriedade do espírito, propriedade esta que foi adquirida com legitimidade, daí a razão pela qual os espíritos não poderem possuir qualquer propriedade que se encontra neste mundo-escola, pois que esses bens são dados apenas por empréstimo, para que possam ser utilizados com critério e parcimônia, em prol do bem comum;
    • É através do corpo fluídico que o espírito produz as suas vibrações magnéticas, radiações elétricas e radiovibrações eletromagnéticas, que emanam do campo que o circunda, o qual se denomina de aura;
    • O criptoscópio e o intelecto são os órgãos mentais que se manifestam por intermédio do corpo fluídico.
  3. Corpo de luz:
    • O corpo de luz é constituído pelas parcelas adquiridas da propriedade da Luz, que penetra em todas as coordenadas universais que se encontram representadas no corpo fluídico do espírito;
    • É através do corpo de luz que o espírito produz os seus raios de luz de amizade e de amor espirituais, que emanam do campo que o circunda, o qual é denominado de auréola;
    • A consciência é o órgão mental que se manifesta por intermédio do corpo de luz.
  4. Corpo humano:
    • O corpo humano, também denominado de corpo carnal, corpo físico, ou corpo material, é constituído pelos seres infra-humanos e que serve de veículo para que o espírito possa estar e viver neste mundo-escola.

É com a constituição desses quatro corpos que o ser humano terá que exercer as suas funções neste mundo-escola em que se encontra encarnado e viver, distintamente, as duas vidas: a vida terrena, também denominada de vida material, e a vida espiritual. No entanto, encontrando-se ainda na fase da imaginação, os seres humanos procuram viver apenas a vida terrena, ignorando que são espíritos, e que, como tais, têm que viver em conformidade com a sua natureza espiritual.

Durante o sono o espírito se afasta com o seu corpo fluídico do seu corpo humano, do qual não se aparta nunca, sem interromper, contudo, a união com o corpo humano, ao qual continua a transmitir a vida, através dos cordões fluídicos que os ligam. É certo que o espírito se afasta também com o seu corpo de luz, do qual igualmente não se parta nunca, mas este se torna imperceptível, uma vez que a consciência humana ainda não se faz valer neste mundo.

Por maiores, por mais extensas que sejam as distâncias que separam o espírito do seu corpo humano, jamais a ligação entre eles se interrompe, não só porque tal interrupção significaria a desencarnação, como pela natureza dos cordões fluídicos, que se distendem praticamente sem limites, em relação a este mundo. Deste modo, somente após a desencarnação os corpos mental, fluídico e de luz deixam definitivamente o corpo humano.

O corpo humano é uma admirável máquina concebida pela Inteligência Universal para proporcionar ao maquinista — o espírito — os recursos, os elementos, os meios com os quais leva a efeito no planeta Terra um curso de aperfeiçoamento em múltiplas e inumeráveis encarnações indispensáveis à sua ascensão a um ambiente de maior espiritualidade, em um plano mais elevado de evolução.

Toda a ciência médica dele se ocupa, estudando-o em seus mínimos detalhes, não sendo pequeno o número de cientistas que já admite serem as desordens do espírito, nas quais se incluem, com destaque, as perturbações emocionais, a causa de grande parte dos desarranjos físicos, formando todo um quadro de anormalidades e doenças cuja etiologia não constitui mais segredo para eles.

Definido por traços normais, o corpo humano pode ser apresentado como sendo uma perfeita e acabada peça escultural.

Quando encarna, o espírito se isola do seu passado, esquecendo-se por completo das suas encarnações anteriores, apenas retendo em seu corpo fluídico, ou subconsciente, os conhecimentos e as experiências das provas pelas quais passou, assim como as tendências resultantes do uso que fez do livre arbítrio.

Isso tudo representa para ele um grande bem. Primeiro, porque a cortina da matéria — entendendo-se como matéria o oposto ao espiritual, e não a matéria em si, que não existe —, impedindo que se reconheçam desafetos de outras encarnações, possibilita as suas reconciliações, aproximando-os sem ressentimentos e malquerenças. Segundo, sem a visão temporária dos erros do passado que tantas vezes humilham, envergonham e até subjugam, alienando a vontade, o espírito encarnado como que se inicia em uma nova existência, em cada passagem terrena.

Assim têm feito e continuam a fazer bilhões de espíritos em suas trajetórias evolutivas por este nosso mundo-escola, em uma longa série de encarnações.

Tudo quanto de bom o espírito adquiriu com esforço e trabalho ele conserva para sempre, e essa conquista, esses bens, esse patrimônio, que faz parte integrante do seu acervo espiritual, prestam-lhe valiosa colaboração em cada encarnação, facilitando a aquisição de novos conhecimentos e novas experiências, de novos atributos individuais e relacionais, apurando cada vez mais as suas qualidades.

OS DEVERES DO ESPÍRITO APÓS A ENCARNAÇÃO

Quando escarnado, o espírito passa por fases distintas, em cada uma das quais poderá colher valiosos ensinamentos. Essas fases são a infância, a mocidade, a madureza e a velhice. Em todas elas tem obrigações e deveres a cumprir, trabalhos a realizar.

A dinâmica da vida exige poder e ação permanentes. Mas poder e ação dignificantes, proveitosos e construtivos, em benefício próprio e dos semelhantes.

As quatro fases mencionadas só possuem sentido no plano terreno. Elas se relacionam, unicamente, com o desenvolvimento e a duração da máquina humana, servindo para estabelecer a diversidade de conhecimentos e experiências, que são os ensinamentos no curso de uma encarnação.

A INFÂNCIA, A MOCIDADE, A MADUREZA E A VELHICE

Dá-se a denominação de infância ao período que se estende do nascimento à puberdade. É nela que se constrói, por assim dizer, toda a base, todo o suporte que terá de sustentar o edifício da encarnação. Por isso, a mãe não pode abandonar ao seu lar e adentrar ao mundo em busca da realização profissional, ou mesmo de prazeres efêmeros, em detrimento à educação da sua prole, que tem que ser assistida no lar nos horários em que não se encontre na escola.

São de fundamental importância os ensinamentos educativos que forem ministrados ao ser humano nessa delicadíssima fase da vida, através de lições do mais alto sentido moral e ético, sobretudo, por intermédio de exemplos repletos de valor, para que assim possam ser bem assimilados e venham a contribuir para a formação de uma valorosa e nobre personalidade.

Seguem-se à infância os anos da mocidade, que se situam entre o que geralmente se concebe por menor e por adulto.

A mocidade começa na puberdade alongando-se até a madureza. É a idade da razão em que estão presentes, de um modo geral, as mais altas aspirações e os grandes ideais da vida. E a essas aspirações, a esses ideais, não é estranho o sentimento de espiritualização, desde que na infância o ser humano tenha tido a felicidade de receber ensinamentos educativos elevados.

Uma nação será sempre grande na medida em que puder confiar na sua juventude, para a qual se voltam, permanentemente, as esperanças dos mais velhos.

À mocidade sucede a madureza, em que o ser humano tem em seu favor a experiência alcançada nos períodos anteriores da vida. Nessa fase, ele poderá ser um timoneiro seguro e competente, em muito lhe valendo a soma dos conhecimentos adquiridos.

É na madureza que o ser humano atinge o seu apogeu. As suas células orgânicas, notadamente as cerebrais, alcançam a vitalidade máxima, permitindo ao espírito transmitir a plenitude da sua capacidade construtiva e realizadora.

Já a velhice representa a última fase da vida, em cada encarnação. E isto é compreensível, pois o corpo humano não é mais do que a máquina ao serviço do espírito, por intermédio do seu corpo fluídico, de onde recebe o poder e a ação, portanto, a vida. Assim como todas as máquinas, essa máquina se encontra sujeita às ações do tempo, aos desarranjos e desgastes, que são maiores ou menores, em conformidade com o trato que lhe dispensar o maquinista, que é o espírito.

E, convenhamos, não faltam os desatentos, os indiferentes e os desleixados. Não são poucos os que se atolam nos vícios, com que produzem no corpo humano danos não raro irreparáveis, acarretando a sua ruína.

A vida bem vivida conduz o ser humano a uma velhice sadia e feliz. Nessa fase, porém, ainda que plenamente lúcido, não pode o espírito, como é compreensível, manifestar a mesma fortaleza da juventude e o vigor e o dinamismo revelados nos períodos anteriores. E isto pela natural decadência do seu instrumento corpóreo.

Felizes os espíritos que sabem fornecer ao mundo, em cada passagem pela Terra, inequívocos exemplos de valor e honradez.

O interesse pelo bem-estar geral, o comportamento familiar, a preocupação constantemente voltada para a educação da prole, a disciplina e o amor ao trabalho, são alguns desses exemplos.

A MORAL E A ÉTICA SOCIAIS E A AUTOEDUCAÇÃO

As atividades neste nosso mundo-escola são diversas e muitos são os meios pelos quais se processa a evolução espiritual. No entanto, nem todos os seres humanos contam com iguais possibilidades, mas o que importa, acima de tudo, é enobrecer o sentido da vida, ainda que nos trabalhos mais rudes e humildes, uma vez que o espírito quando realmente é detentor do valor espiritual, pode encarnar em qualquer meio, que por si mesmo se eleva aos patamares mais elevados, vencendo todas as barreiras que se lhe apresentem.

A moral e a ética sociais se definem pela formação espiritualista, pela intransigente defesa dos bons costumes e pela prática efetiva de hábitos salutares, fazendo ressaltar a sua educação.

Cada nação possui um pensamento próprio acerca da vida. Mas quanto mais se caminha, quanto mais se avança no terreno da civilização, mais patentes, mais seguros, mais fortes se evidenciam as leis morais, os princípios éticos e os preceitos educacionais, fazendo sobressair a honra, principalmente no que diz respeito ao lar, cuja formação constitui um indeclinável dever de todo cidadão que se preza.

A educação dos seres humanos não se limita, não se restringe, não se circunscreve apenas ao período da infância, embora este período venha ser da maior importância, pois que é nele em que mais atuam os pais.

Estando preparados para agir por si mesmos, já adultos, os seres humanos devem ir recolhendo o maior lastro de conhecimentos e de experiências que lhes for possível alcançar, através da observação e do testemunho de tudo que ocorre às suas voltas ou de que tiverem tomado ciência.

O êxito ou o fracasso dos outros, as causas, as razões, os motivos das alegrias ou das tristezas, os prazeres e os sofrimentos destes, constituem valiosos ensinamentos dos quais se devem aproveitar  todos os seres humanos para não incidirem nos erros que causaram a dor e o prejuízo alheios e para tomarem os mesmos caminhos que levaram os semelhantes ao triunfo e ao bem-estar.

Se o ser humano se inferioriza diante do próximo quando pratica ações condenáveis, reveladoras da indigência de leis morais e de princípios éticos, provenientes de uma má educação, ainda mais se sentiria inferiorizado e com vergonha de si mesmo, caso tivesse a consciência espiritual vigilante e desperta para apreciá-las e analisá-las.

Os vários níveis sociais que existem na Terra, justificam-se, em parte, não somente por se tratar de mundo-escola, mas também pelas falhas que se observam na educação dos seres humanos que a habitam.

O ser humano mal-educado restringe o seu campo de ação ao próprio nível em que vive, tornando-se indesejável nos planos superiores da educação, daí a necessidade que tem o espírito encarnado de não poupar esforços no sentido de melhorar as suas condições sociais, contribuindo assim para a elevação dos índices de moralização no planeta.

EXEMPLOS DE HONRADEZ E DE DEDICAÇÃO AO TRABALHO

Os exemplos de honradez constituem a mais alta contribuição que os seres humanos podem fornecer à sociedade.

A honradez não se limita à pontualidade nos pagamentos, à exatidão nas transações e à fidelidade nos ajustes. Ela exige, acima de tudo, firmeza de caráter, intransigente lealdade e indesviável retidão no cumprimento das obrigações e dos deveres.

Os que não possuem sentimentos superiores e pensamentos positivos, desprendimento e valor, não podem ter a pretensão de se considerar honrados, por serem essas vibrações magnéticas, radiações elétricas e radiovibrações eletromagnéticas, inseparáveis das honradas.

Os exemplos de dedicação ao trabalho são das mais úteis à Grande Causa da nossa humanidade.

Considerado em si mesmo, o Universo é todo movimento, em que o poder e a ação nele estão contidos, por representar a vida, e a vida tem que ser vivida com base no trabalho honrado. Os grandes artífices do progresso do mundo foram trabalhadores incansáveis.

Os que vivem na ociosidade não passam de parasitas sociais e aproveitadores do trabalho alheio, ainda mesmo quando disponham de fortuna e se julguem grandes personagens.

Tanto se enobrece e dignifica o ser humano no trabalho braçal como no intelectual, artístico ou mesmo científico, pois o que dá proveito ao espírito não é a natureza do trabalho, mas sim o seu valor moral e a satisfação com que é realizado.

Devem, pois, todos procurar o trabalho que corresponde à sua vocação, para executá-lo com alegria e entusiasmo, considerando-o não como sendo um castigo, mas sim um prêmio, uma vez que sem ele jamais dariam um passo no caminho da evolução.

AÇÕES MERITÓRIAS E ERROS VOLUNTÁRIOS E INVOLUNTÁRIOS

As obras culturais que se escrevem, as escolas que se instalam, as bibliotecas que se fundam, as organizações científicas que se estabelecem e os trabalhos que se realizam com a finalidade de instituir e incrementar, em todas as latitudes, o intercâmbio mental, espiritual e material entre os seres humanos, são ações meritórias do mais alto interesse para a nossa humanidade. Sob este aspecto, incluem-se também as iniciativas destinadas a fomentar a produção industrial, mineral e agrícola para elevar o padrão de vida da coletividade.

A quase totalidade dos habitantes deste mundo-escola são imperfeitos, vive na irrealidade da vida, pois que se encontra na fase da imaginação, vivendo na mais completa ignorância, uns mais outros menos, evidentemente. Muitos desses erros são involuntários, em razão da falta de esclarecimentos espirituais. Outros resultam do mau uso do livre arbítrio.

Diz-se por aí que errar é humano. Nada mais certo do que esse adágio advindo da sabedoria popular. Uma vez, porém, estando advertido e convencido do erro, cumpre ao ser humano reconhecê-lo com honestidade e se esforçar para não mais voltar a incidir no erro. Esconder os erros, ao invés de combatê-los, é prática comum neste nosso mundo-escola, mas altamente prejudicial ao aperfeiçoamento do espírito.

A maioria dos seres humanos raramente procede com isenção e justiça no julgamento íntimo dos seus atos. Mesmo os que encaram com severidade as más ações alheias, para as quais têm sempre palavras de censura e condenação, não fogem à tendência geral com relação às suas próprias faltas, que é a da justificativa ampla, indulgente e absolutória. Com esse procedimento equivocado, os erros acabam por se incorporar aos hábitos e costumes humanos, perdendo o ser humano o respeito que deve a si mesmo e corrompendo o caráter e a dignidade.

O que todos devem e precisam fazer é encarar as faltas cometidas com coragem, dispondo-se a eliminá-las com o poder da sua força de vontade.

O APERFEIÇOAMENTO E O MAL DA IGNORÂNCIA

O aperfeiçoamento deve se constituir na principal preocupação do ser humano, em todos os ramos de atividade.

Todo indivíduo tem a necessidade de se esmerar no desempenho das suas obrigações e dos seus deveres, procurando executar o seu trabalho com o devotamento de que for capaz.

Sem conhecimento, experiência, atenção, interesse, esforço, dedicação, alegria, bom-humor e inabalável disposição em alcançar resultados positivos, não se caminha para o aperfeiçoamento, e este, indissoluvelmente ligado à evolução, é a razão principal da vinda do espírito à Terra. Não há possibilidade de progresso espiritual fora do campo do aperfeiçoamento.

Ninguém se deve poupar no combate à ignorância, por ser ela a causa da maioria dos males que assoberbam a nossa humanidade. A ignorância representa uma força inteiramente negativa. Faz sempre mal e, se não puxa para trás, dificulta, no terreno da evolução espiritual, a dar um passo à frente. Evolução espiritual significa força, energia e luz, luz que quanto mais clareia, quanto mais esplende, quanto mais refulge, tanto mais afugenta as trevas da ignorância.

É a ignorância, por isso mesmo, a grande, a poderosa, a irreconciliável inimiga do espírito encarnado, sendo por isso que Jesus, o Cristo, afirmou que “A ignorância é o grande mal da humanidade”. Combatê-la, pois, em todas as oportunidades e por todos os meios, é dever que se impõe aos que desejam realmente progredir, aproveitando bem a encarnação.

Os que desejam realmente progredir não têm tempo a perder, procuram aprender hoje o que ainda ontem não sabiam, conscientes de que cada novo conhecimento e de que cada nova experiência representa um bem, mais um valor que se incorpora ao patrimônio espiritual.

Aos que não tiveram a oportunidade de frequentar escolas, devemos lembrar que o próprio planeta Terra é um mundo-escola, onde poderão aprender as mais variadas lições, pois ensinamentos bons não faltam.

Muitas são as matérias de que se compõe o curso que compete ao espírito realizar neste planeta Terra, nas suas inumeráveis reencarnações. Os alunos desleixados, desatentos e relapsos estão sempre a repetir as lições que este mundo-escola oferece.

Se a nossa humanidade se compenetrasse do que representa na vida do espírito uma encarnação bem aproveitada, não se constatariam tantas falências humanas e tamanho descaso neste mundo-escola pelos valores espirituais.

Quanto mais adiantado for o ser humano, tanto mais ele reconhece a longa, a quase interminável distância que o separa do saber absoluto, que exige uma quase eternidade de estudos e sofrimentos. Os verdadeiros sábios não perdem a consciência das suas limitações, porque se esforçam por aprender sempre mais e mais. De um modo geral, são modestos e despretensiosos, ao contrário os medíocres que andam por aí sempre preocupados em se exibir e se fazerem passar por criaturas de grande talento e importância.

Muitos não se apercebem do ridículo a que se expõem quando fazem de si mesmos — da sua inteligência, da sua bondade, do seu valor — o objeto da conversa. Esse alarde de atributos hipotéticos, ou mesmo reais, não fica bem a ninguém. Por isso, há a necessidade de comedimento, de moderação em todos os gestos e atitudes que deverão constituir um sadio hábito na vida do ser humano, para que assim possa se conduzir na vida sempre com exemplar dignidade.

O PRINCÍPIO DA AUTORIDADE

Sendo indissociável da fidelidade aos ditames da moral e da ética, da moderação e da justiça, o princípio da autoridade jamais deverá ser exercido com despotismo e intolerância, por isso ele somente se aplica com fidedignidade no âmbito da espiritualidade.

Neste mundo-escola, embora muitas pessoas venham a se impor pelo temor que os seus atos infundem, a verdadeira autoridade, a mais autêntica, a mais legítima, é magnânima e justa, por isso se torna querida e respeitada.

Mas isto não quer dizer que abdique ela do direito, e até do dever, de se utilizar da energia e da severidade quando se fizerem necessárias. O que não se deve nunca é se exceder o ser humano que a detenha e se tornar prepotente e arbitrário.

A autoridade precisa refletir bastante antes de tomar qualquer medida, para reduzir ao mínimo a possibilidade de incorrer em erro e praticar injustiças.

A ECONOMIA

Sempre que os recursos o permitirem, a economia não deve afetar a boa apresentação, nem a plena suficiência na vida moral e ética, material e espiritual, do ser humano.

Tão condenável é a dissipação quanto a mesquinhez e a miserabilidade. Todos devem se abster do supérfluo, repelir os vícios, opor-se ao desperdício e ao esbanjamento, mas sem se privarem do conforto necessário.

É preciso que se compreenda que os bens materiais pertencem à Terra e nela obviamente ficarão, após a desencarnação, não sendo os seres humanos mais que administradores ou depositários temporários desses bens.

Proceder egoisticamente, escravizar-se aos valores puramente materiais, na falsa suposição de que deles depende a felicidade, é um erro, e dos mais graves, em que incorre um número expressivo de seres humanos, notadamente os que se dizem cristãos, mesmo sabendo que Jesus, o Cristo, foi o mais pobre de todos.

O patrimônio que o espírito acumula, ao longo de cada jornada terrena, é representado, única e exclusivamente, pelas ações meritórias que pratica, as quais revelam por inteiro o acervo espiritual de que é detentor. Esses são, na verdade, os únicos bens que leva consigo ao desencarnar, cujos bens vão enchê-lo de alegria e felicidade no plano espiritual.

O MEDO, A EFICIÊNCIA E O RESPEITO

É sabido que os atributos comandam a nossa inteligência. Em sendo assim, como realmente é assim, em sendo um atributo inferior, o medo é um dos males mais perniciosos que inquietam, angustiam e martirizam a nossa humanidade. As suas raízes profundas começam a crescer na primeira infância, quando tantas coisas erradas são incutidas no espírito das crianças. Certas historietas ridículas que lhes são contadas, em que entram bichos-papões, fantasmas, lobisomens, bruxas, e tantas outras invencionices, respondem pelo complexo do temor que vai se apoderando das crianças e pela nefasta influência que tal complexo passa a exercer durante toda a vida.

No processo educacional das crianças, deve-se combater tudo quanto possa contribuir para torná-las tímidas e medrosas, evitando, necessariamente, os caminhos extremos que conduzem à imprevidência e à temeridade, sendo dever que se impõe a todos os que tiverem uma parcela de responsabilidade para com elas.

Viver com eficiência quer dizer viver plenamente, no bom sentido da palavra, ou seja, cuidar da saúde moral e ética, física e mental, participar ativamente do esforço comum da nossa humanidade para melhorar as condições do mundo e proceder sempre com disciplina, método e ordem, para que assim haja o progresso.

Os seres humanos devem se respeitar a si mesmos e ao próximo, já que não é concebível uma existência terrena digna e bem ajustada ao interesse comum, sem o devido respeito.

O respeito deve existir entre pais e filhos, entre marido e mulher, entre irmãos e, de um modo geral, de pessoa para pessoa. Não há um germe mais pernicioso, mais contaminador, mais destruidor da produção de amizade espiritual, do que a falta de respeito. A intimidade não dispensa, de maneira alguma, o tratamento respeitoso.

Tratar sem respeito ao semelhante é revelar carência de procedimentos educativos e cometer uma indignidade passível de toda a condenação. Mas para que seja respeitado e tratado com consideração, o ser humano precisa proceder corretamente em todos os atos da vida.

O ZELO E O TRABALHO

O desempenho de qualquer função exige zelo, dedicação e interesse por alcançar o melhor resultado possível. Os exemplos, porém, devem partir de cima, uma vez que somente tem autoridade para exigir aquele que sabe cumprir com as suas obrigações e os seus deveres.

A falta de zelo no desempenho de qualquer função fere o caráter, deslustra o ser humano e inferioriza a conduta, errando contra si mesma a pessoa cuja atividade se caracteriza pelo descuido, pelo desleixo e pelo relaxamento.

O trabalho humano, ainda quando pareça isolado, é de coordenação, nele estando diretamente interessados todos os espíritos que se encontram encarnados. Os que executam mal a sua parte por falta de zelo e dedicação, revelam qualidades negativas e indigência do senso de responsabilidade.

Para que o tempo possa ser bem aproveitado, deve cada um organizar um plano inteligente de trabalho, adotando métodos adequados, de maneira que cada compromisso venha a ser executado na sua hora própria. Trabalhar, recrear e descansar são três necessidades igualmente imperiosas para que possam produzir um mesmo resultado, que é o bem-estar físico e espiritual.

Cada qual deve escolher o horário que melhor atenda às suas conveniências e às exigências do trabalho, mas sem negligenciar o repouso e o recreio. Somente assim encontrará prazer no trabalho, proveito no descanso e alegria no divertimento, fatores que contribuirão decisivamente para a sua saúde e bem-estar.

A INTEGRIDADE

A integridade deverá constituir uma permanente preocupação do espírito encarnado, que muito lucrará se em cada existência neste mundo-escola conseguir brunir, pelo menos, uma das facetas desse precioso tesouro moral, pois ninguém pode chegar ao fim das encarnações terrenas enquanto não tiver alcançado o mais alto nível de integridade.

Não faltam expedientes neste mundo, astuciosamente criadas, para proporcionar situações vantajosas, mas desonestas. Diante deles, os fracos sempre capitulam. Os fortes resistem, os que resistem vencem, e as vitórias fortalecem o espírito, pois que é da soma dessas vitórias que se forma o caráter humano verdadeiramente íntegro.

Mas, entenda-se: não se apura a conduta moral apenas porque não se vende a consciência. É preciso mais, é necessário sentir a vida em toda a sua grandeza e plenitude, para reconhecer que só é perfeitamente íntegro aquele que, além da honra, está sempre disposto a contribuir para o bem geral, sendo justiceiro, digno, leal e valoroso.

OS FUNDAMENTOS PRELIMINARES DO RACIOCÍNIO

Se tantas coisas erradas se fazem neste nosso mundo-escola, é porque os seres humanos não se dão ao trabalho de raciocinar, demoradamente, antes de praticar qualquer ato, para poderem prever as suas consequências. O raciocínio, quanto mais exercitado, tanto mais se desenvolve.

Por comodismo, por indolência, por preguiça mental, muitos atribuem aos outros a tarefa de pensar por eles e passam a aceitar, como se fossem próprios, os pensamentos alheios.

Nascem daí os movimentos credulários, ditos religiosos, com numerosos rebanhos de crentes, estando todos sempre propensos a acreditar no que os outros acreditam ou fingem acreditar, por mais absurdo que venha a ser o objeto da crença, principalmente no terreno amplo e escorregadio do sobrenatural, em seu devaneio, onde a investigação verdadeiramente espiritualista para a apuração da verdade não é admitida.

Com o poder penetrante de pesquisa que o raciocínio possui, não é difícil distinguir o racional do absurdo, o lógico do ilógico, o certo do errado, e divisar o caminho que levará o ser humano convictamente à verdade.

ATRAIR O BEM, REPELIR O MAL E CUMPRIR COM AS OBRIGAÇÕES E OS DEVERES

Todos os seres humanos são dotados da mediunidade de intuição, dentre outras mediunidades, cuja faculdade é mais receptiva e mais sensível em uns do que em outros.

Por meio da intuição, os espíritos desencarnados que perambulam na atmosfera da Terra, em total estado de perturbação, que fazem parte integrante do astral inferior, interferem na vida e nos pensamentos dos espíritos encarnados, levando-os a cometer as ações mais condenáveis, fazendo-os chegar, frequentemente, à obsessão, quando estes não reagem por meio do pensamento acionado pela vontade consciente.

Contra essas influências, são completamente inúteis os apelos a hipotéticos deuses, anjos e santos, geralmente formulados pelos que desconhecem a estes ensinamentos básicos e fundamentais da vida universal, tais como: afinidade e incompatibilidade, atração e repulsão, ação e reação, causa e efeito.

Por isso mesmo, os seres humanos precisam conhecer a ação do pensamento, o poder da vontade, a energia psíquica de atração que tanto poderá ser exercitada para o bem como para o mal, conforme seja a natureza dos pensamentos que a dinamizam e, consequentemente, os recursos, os meios, os elementos que todos possuem, indistintamente, para atrair o bem e repelir o mal.

Somente os ignorantes poderão preferir, em lugar da verdade espiritualizadora, tão claramente consubstanciada nos ensinamentos contidos neste site de A Filosofia da Administração, o materialismo exacerbado, científico ou credulário, que a tantos e tantos fracassos e falências tem conduzido os seres humanos.

As obrigações e os deveres, materiais e espirituais, precisam estar sempre presentes na consciência de cada um.

A vida reclama de todo ser humano, a cada passo, uma atitude, um movimento, um gesto, uma palavra, que traduzam o cumprimento das obrigações e dos deveres.

Cumprir com as obrigações e os deveres significa ser honrado, respeitar-se a si próprio e agir com dignidade, elevação e consciência esclarecida.

Cada obrigação e dever cumpridos representa um resgate de encargo, um impulso para a frente, a marcação de mais um ponto no quadro da evolução espiritual.

Cabe ao espírito encarnado se manter sempre vigilantes, sempre alerta, sempre atento aos seus deveres e às suas obrigações, convencido de que se deixar de cumpri-los em uma encarnação, infalivelmente os estará acumulando para as encarnações subsequentes.

 

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