23.09- O médium

Prolegômenos
4 de setembro de 2018 Pamam

É sabido que o médium é um elemento entre os dois planos: o material e o psíquico; sendo essa a razão de quase sempre se revelarem por seu intermédio os acontecimentos psíquicos. E que quanto mais sensível for o médium, tanto maiores serão as possibilidades de ele captar as vibrações magnéticas, as radiações elétricas e as radiovibrações eletromagnéticas, podendo cada uma delas produzir uma revelação ou um acontecimento correspondente.

Por ser muito sensível às vibrações magnéticas, radiações elétricas e radiovibrações eletromagnéticas, o médium se empolga facilmente com aquilo que os outros dizem ou fazem, que venha a se ajustar ou que venha a se chocar com as emoções do seu temperamento. Daí a necessidade que tem de esclarecimento, para que saiba se defender, no ambiente fluídico em que vive, ou que se encontra, dos golpes que são desferidos pelas terríveis forças maléficas que envolvem este mundo-escola e que têm como ponto de apoio os milhões e milhões de médiuns ignorantes, displicentes e incautos dispersos pelo planeta.

A mediunidade, assim como todas as faculdades espirituais, desenvolve-se, progressivamente, de encarnação em encarnação. Desde o primeiro grau de evolução nas camadas humanas mais atrasadas, nos ritos selvagens, na prática da magia, começam certos indivíduos a desenvolvê-la sem que tenham o preparo psíquico necessário, sem o conhecimento dos riscos a que se expõem pela inobservância da disciplina que deveria acompanhar tal desenvolvimento. Isto explica o fato de se encontrar o mundo repleto de indivíduos perturbados e anormais, de paranoicos e desequilibrados, de obsedados e dementes.

Aquele que desenvolve a mediunidade fora da disciplina aconselhada pelo Racionalismo Cristão, corre uma série de riscos, inclusive o risco da loucura.

A garantia do médium se encontra precisamente em saber se resguardar das ações dos espíritos obsessores quedados no astral inferior, para não se tornar um instrumento inconsciente ao serviço do mal, da perversidade e da mistificação dessas forças maléficas.

As faculdades mediúnicas são consideradas pelos espiritualistas das mais importantes, pelas influências que exercem na existência de cada um. Procurar, pois, estudá-las para conhecê-las através das suas complexidades e múltiplas manifestações é dever que se impõe a todos os seres humanos que pretendem viver conscientemente e não vegetar. Elas são inatas no ser humano — pelo menos a intuitiva —, por isso todos são médiuns, daí a razão pela qual ela exige de todos cuidados e atenções especiais. A sua grande sensibilidade tem íntima ligação com o sistema nervoso, o qual, uma vez alterado, poderá levar o indivíduo à irritabilidade, expondo-o às investidas dos espíritos obsessores quedados no astral inferior.

Isso indica que o ponto fundamental de conduta para os seres em geral, e principalmente para os que possuem a faculdade mediúnica mais desenvolvida, é o controle individual, não se deixando irritar por coisa alguma, muito embora neles se manifeste uma forte tendência para agir de modo impulsivo. A tarefa, por certo, não é fácil, mas a dificuldade não deve influir para que o assunto não venha a ser encarado com a seriedade que se exige.

Aqueles que agora já se encontram esclarecidos são cientes de que os espíritos obsessores quedados no astral inferior esperam a ocasião oportuna para desfechar os seus ataques contra os desprevenidos, principalmente aqueles que lhes oferecem uma maior receptividade, como no caso dos médiuns.

Nos antros sombrios do astral inferior, imperam os espíritos desencarnados de má índole, bisbilhoteiros, fanfarrões, intrigantes, os que gostam de graçolas fúteis e de mau gosto, amantes de mexericos, vingativos, gozadores, pusilânimes, ignorantes, pérfidos, ociosos, xingadores bestiais e ignóbeis, que foram, quando encarnados, mentirosos, delatores, vilões, sensualistas, malandros, traidores, velhacos, impostores, pervertidos, prevaricadores, homicidas, gatunos, falsificadores, imorais, etc.

Vagando pela crosta terrena, nas condições mais lamentáveis possíveis, encontram-se esses infelizes na atmosfera da Terra em estado perturbativo, em decorrência dos crimes resultantes do mau uso do livre arbítrio, e assim, como contumazes delinquentes, empregam as suas maléficas atividades nos divertimentos mais condenáveis, que são os de atormentar os seres humanos, que alheios às suas presenças e maquinações, por falta de esclarecimento espiritual, atrai-os inconscientemente, acabando por praticar as maldades que eles lhes intuem, e ainda provocam muitos outros males, tidos como se fossem desastres naturais, somando-se às doenças, como veremos no site pamam.com.br. Além disso, existem os que foram inimigos quando encarnados, e agora que se tornaram invisíveis, de tudo fazem para se vingar dos antigos desafetos.

Esse é o grande perigo a que todos estão sujeitos e, mais ainda, os médiuns. Contra tal risco, todos precisam se precaver, com o pensamento bem orientado, pondo a força de vontade em ação para não pensarem mal e não praticarem atos criminosos, única maneira de afastarem todas as más influências que aqueles espíritos inferiores produzem.

Em razão da sua grande sensibilidade, o médium precisa estar ainda mais prevenido do que os demais seres humanos. Deve saber que os espíritos obsessores, de início, operam sutilmente, de maneira imperceptível, procurando estabelecer as vibrações magnéticas, radiações elétricas e radiovibrações eletromagnéticas harmônicas com ele, explorando certas tendências ou anseios alimentados, de tal modo que não venha a se aperceber do que está se passando, por julgar que aquela frequência na focalização de um mesmo objetivo, de algum modo reprovável, é coisa sua. Isto não quer dizer que não tenha realmente um pouco de si próprio no alcance de tal fim em mira. Mas o que é absolutamente certo, é que os espíritos obsessores quedados no astral inferior tomam conhecimento do fato e, atentos, não perdem a oportunidade de agravar o mal, pois, para isso, são aos bilhões, e estão em toda parte.

Aqueles que ignoram o que somos e o que seja a vida fora da matéria, não têm meios de defesa para tais situações, e os que possuem mediunidade, principalmente a de incorporação, sem que tenham o adequado esclarecimento, vivem desprotegidos, terminando, não raro, sendo vítimas da obsessão ou da loucura.

Para ingressar nos trabalhos desenvolvidos pelo Racionalismo Cristão, o médium precisa levar uma vida rigorosamente disciplinada, a fim de se poder manter, material e espiritualmente, em plenas condições de equilíbrio e saúde, para bem cumprir aos seus delicados deveres. Essa disciplina consiste no seguinte:

  1. Habituar-se a ter horas para tudo;
  2. Alimentar-se moderada e racionalmente, de maneira a satisfazer as necessidades orgânicas;
  3. Não se alterar diante das falhas ou erros, voluntários ou não dos seus semelhantes;
  4. Nunca discutir;
  5. Ouvir, com tolerância, as opiniões alheias e, quando tiver que emitir a sua, fazê-lo com oportunidade, senso e critério;
  6. Não se irritar, não blasfemar, não maldizer, em nenhuma hipótese;
  7. Combater os sentimentos de revolta;
  8. Conservar a paz e a serenidade em ambientes alvoroçados ou conturbados, e não o conseguindo, afastar-se, o quanto antes;
  9. Esforçar-se por ser comedido, prudente, verdadeiro e leal;
  10. Pensar antes de falar e de fazer alguma coisa;
  11. Ouvir e saber calar;
  12. Procurar ser compreensivo diante dos males que não têm remédio;
  13. Não se lamuriar e nem se queixar;
  14. Não manter relações sociais com pessoas com quem não sentir afinidade;
  15. Ser valoroso, digno e consciente das suas obrigações e deveres;
  16. Reconhecer a elevação dos misteres do cônjuge, assim como os do pai, mãe, filho, preceptor e cidadão, dando o exemplo de virtude e honradez;
  17. Ser afetivo para com os que mereçam a essa distinção, e reservado para com os que não a mereçam;
  18. Não se afligir descontroladamente;
  19. Adotar parcimônia nos gastos e simplicidade na apresentação;
  20. Suprimir o desperdício;
  21. Combater, tenazmente, a vaidade e o orgulho porventura existentes na sua personalidade moral;
  22. Não se ocupar da vida alheia, nem fazer comentários desabonadores a terceiros;
  23. Cultivar os sentimentos superiores e os pensamentos positivos, aproveitando bem as horas do dia em trabalho útil;
  24. Não se apaixonar por nenhum assunto, seja ele político, esportivo ou de qualquer outra natureza;
  25. Viver, tanto quanto possível, impessoalmente, reconhecendo que a faculdade mediúnica exige renúncia e devotamente à nossa Grande Causa que abraçou;
  26. Adotar, na vida cotidiana, sistematicamente, os ensinamentos transcendentais ministrados pelo Racionalismo Cristão.

Todas essas recomendações disciplinares e outras que o bom senso comum indica, objetivam fechar as portas aos espíritos obsessores quedados no astral inferior, que dão preferência aos médiuns de incorporação para sobre eles exercerem ações perniciosas, obsedante e aniquiladora. Além disso, a prática desta disciplina favorece a formação de uma personalidade serena, confiante e esclarecida, indispensável ao exercício da mediunidade.

Evidentemente esta disciplina é recomendável aos que possuem qualquer das outras modalidades mediúnicas e aos seres humanos em geral, por ser a mediunidade intuitiva comum a todas as pessoas. No entanto, dá-se, nestas normas, mais atenção ao médium de incorporação, em virtude de possuir a essa faculdade os médiuns que prestam serviços ao Racionalismo Cristão, e serem eles os mais expostos às influências do mal.

Por esta razão, os médiuns devem ser tratados com a necessária compreensão, vibrando, radiando e radiovibrando sobre eles sentimentos e pensamentos repletos de valor e de honra, pois que isto ajuda a revigorá-los, e com este apoio podem mais facilmente agir em defesa própria e oferecer um melhor serviço à nossa Grande Causa.

Em razão da faculdade que possuem, sentem os médiuns, por vezes, estados de profunda nostalgia, de grande tristeza, originados, em certas ocasiões, pelas ondas vibratórias, radiativas e radiovibrativas do imenso sofrimento que envolve o mundo. Não devem dar maior importância ao caso, haja visto que a situação logo se modifica, em face das correntes superiores que operam, constantemente, no Universo. Porém, quando tal estado se prolonga ou se repete, amiudamente, a ação dos espíritos obsessores quedados no astral inferior precisa ser considerada, devendo contra ela os médiuns reagirem com todas as forças e energias de que dispõem.

No Racionalismo Cristão, ninguém é constrangido a prestar serviços, e muito menos os médiuns. Estes, no uso pleno do livre arbítrio, deliberam, espontaneamente, dedicar-se à nossa Grande Causa, e somente podem ser aceitos para os trabalhos depois de se haverem muito bem inteirado acerca dos ensinamentos doutrinários e de se mostrarem capazes de adotar a esta disciplina.

Ao prestar os seus serviços à nossa Grande Causa, no Racionalismo Cristão, são duas as fases que o médium atravessa no exercício da sua faculdade:

  1. Na primeira fase do desenvolvimento mediúnico, o médium está com o seu corpo preparado para se sintonizar com o meio ambiente, que é comum a todos, povoado por espíritos inferiores, quando então ele recebe apenas os espíritos do astral inferior, antes deles serem transladados para os seus Mundos de Luz, para que os presentes tomem ciência dos sofrimentos por que eles passam na atmosfera terrena;
  2. Na segunda fase do desenvolvimento mediúnico, o médium está com o seu corpo preparado para sintonizar com os espíritos de luz, quando então ele recebe os espíritos do Astral Superior, para que eles possam comunicar aquilo que julgam necessário a todos os presentes.

Entende-se que, em ambas as fases, o desenvolvimento mediúnico somente se deve operar nas casas racionalistas cristãs, dentro das correntes fluídicas formadas pelos espíritos que integram o Astral Superior e sob a direção destes, com obediência rigorosa à disciplina implantada por esses espíritos de elevada evolução.

Os espíritos obsessores quedados no astral inferior, ao atuarem, impõem abnegação e sacrifício ao médium, em face do estado de perturbação, maldade ou sofrimento em que se acham, ao passo que os espíritos que integram o Astral Superior atuam brandamente, e as suas aproximações são suaves e benéficas ao médium.

É certo que entre os espíritos do astral inferior há os mais e os menos perturbados, os obsessores agressivos e os melifluentes e mistificadores, mas o médium esclarecido possui meios de conhecer e controlar as suas manifestações, evitando que se pronunciem em desacordo com os princípios da doutrina. Além disso, desde que a corrente formada esteja bem firme, pela correta concentração de todos os seus componentes, os espíritos que integram o Astral Superior, que se encontram presentes, intervêm em favor do médium, sempre que tal medida se impuser.

A disciplina, pois, é de capital importância no desempenho dos trabalhos nas casas racionalistas cristãs, não podendo ser tolerada a sua quebra, por ela representar segurança, respeito às Forças Superiores, senso de responsabilidade, demonstração de dedicação à nossa Grande Causa, conhecimento dos princípios doutrinários e intransigência em relação ao cumprimento do dever. A sua quebra pode ocasionar prejuízos materiais e morais, além de descrédito para o Racionalismo Cristão. Esta observação não atinge somente aos médiuns, mas também a todos os militantes.

Os espíritos obsessores quedados no astral inferior nada conhecem acerca do Racionalismo Cristão, porque se algo conhecessem não estariam perambulando pela crosta terrena. Esta é uma das razões pelas quais os espíritos mistificadores podem ser facilmente desmascarados pelo próprio médium. Logo que se apresentam com o desejo de intuir, exteriorizando um fraseado de falso sentimento e repetindo conhecidos chavões da mística credulária, são prontamente reconhecidos, desde que o médium esteja atento e prevenido contra a possível manifestação de um desses perturbadores burlões.

Pode suceder que o médium sinta, por vezes, dúvida sobre o que está transmitindo é o pensamento de um espírito ou o seu próprio pensamento. Entretanto, essa dúvida não deve prevalecer, levando-se em consideração que o médium possui uma extrema sensibilidade e a transmissão é feita muito sutilmente.

Uma vez que o médium esteja calmo, entregue docilmente ao desempenho do seu trabalho, livre dos fluidos materializados subtraídos durante as vibrações magnéticas, radiações elétricas e radiovibrações eletromagnéticas previamente realizadas durante os trabalhos, estando assim bem assistido por espíritos integrantes do Astral Superior, a recomendação é se manter confiante em si mesmo e transmitir o que receber, sem alimentar a menor dúvida de que está sendo um veículo para o espírito atuante. Observadas as condições expostas, essa insidiosa dúvida deve ser vencida pelo médium, em benefício da sua própria evolução espiritual.

A faculdade mediúnica somente deve ser desenvolvida sob a ação direta dos espíritos que integram o Astral Superior, os quais somente podem permanecer entre os seres humanos em condições especiais e por meio de corrente previamente organizada por espíritos adredemente preparados para esse fim, como ocorre exclusivamente nas casas racionalistas cristãs. Daí a razão de não ser permitido a nenhum médium filiado ao Racionalismo Cristão se concentrar e receber espíritos fora das suas correntes fluídicas. A esta medida disciplinar é dada excepcional importância, por representar uma grande segurança para o médium e para os participantes das sessões.

Os ensinamentos racionalistas cristãos demonstram, exaustivamente, os perigos a que ficam expostos os que não souberem se livrar das influências dos espíritos obsessores quedados no astral inferior. Por isso, insiste-se em recomendar que todos observem os ensinamentos postos pela doutrina nas suas vidas cotidianas. O médium, com especialidade, deve se abster de falar sobre as suas faculdades mediúnicas e atividades psíquicas.

Além disso, por dispositivo regulamentar, os médiuns ao serviço do Racionalismo Cristão não podem se imiscuir na área administrativa do Centro Redentor, nem travar correspondência doutrinária, que amanhã haja a necessidade de levá-la à corrente para o Astral Superior se externar sobre qualquer assunto de interesse do peticionário ou mesmo do Racionalismo Cristão.

O Racionalismo Cristão, em sua forma de doutrina, não tem necessidade de fazer propaganda dos seus ensinos, das suas ideias e dos seus propósitos, apenas a sua divulgação quando do seu complemento com o método, o sistema e a finalidade, quer dizer, quando da sua explanação, que consta parte neste site de A Filosofia da Administração, e o seu complemento no site pamam.com.br. Ele também nada pede a ninguém, mas oferecendo a todos, entretanto, os meios de conseguirem o esclarecimento espiritual, que é o maior bem que se pode almejar na Terra. Quem dá, não precisa pedir que se aceite. Esta é uma das razões de nada se pedir. Dentre os militantes, cada qual deve procurar se tornar merecedor da oportunidade que se lhe apresente de bem servir à nossa Grande Causa.

Os médiuns devem reconhecer que constitui para eles um privilégio, dos maiores, a oportunidade de poderem desenvolver as suas faculdades mediúnicas, com plena segurança, nas correntes formadas pelas casas racionalistas cristãs, sob as ações do Astral Superior e, deste modo, prestarem um serviço inestimável a si mesmos, que os tornará credores de benefícios proporcionais, em função do adágio que expressa uma verdade indiscutível: “Quem bem faz para si o faz”.

A faculdade mediúnica é perceptível nos seres humanos, desde tenra idade, cuja faculdade a medicina materialista desconhece, com a exceção de raros pesquisadores que se livraram das peias desse materialismo exacerbado e, por conta própria, realizaram algumas experiências com médiuns, embora lidando com espíritos obsessores quedados no astral inferior, o que muito vem dificultar o emprego da terapêutica adequada. A falta de esclarecimento dos pais é outro entrave que impede o ser humano de receber os meios indispensáveis de defesa, em um mundo de reconhecida agressividade. A essas duas falhas lamentáveis procura o Racionalismo Cristão fornecer a solução, para o bem da nossa humanidade, com a constante difusão dos seus ensinamentos espiritualistas.

Mas o certo é que, aos poucos, vai se fazendo a luz nos espíritos dos encarnados. Todavia, enquanto os conhecimentos metafísicos acerca da verdade e as experiências físicas acerca da sabedoria, por onde se alcança a razão, não forem amplamente divulgados e conhecidos, há de haver cadeias e hospitais de alienados repletos de obsedados. A vida é dura! Mas é assim que tem de ser, para que possamos nos fortalecer cada vez mais e mais.

Os piores males causados à coletividade são, ainda, os praticados pelos obsedados que andam soltos, sem que os estudiosos do assunto venham a reconhecer as suas obsessões. Todos eles são médiuns, uns mais desenvolvidos outros menos, mas sempre na primeira fase da evolução mediúnica, por isso são joguetes dos espíritos obsessores quedados no astral inferior para a prática do mal.

Não comete nenhum exagero quem assegurar que as desgraças, os crimes, as desavenças, as intranquilidades, os infortúnios, as prevaricações, as injustiças e os danos pessoais, têm a sua origem, direta ou indiretamente, nas irreflexões e nos desatinos dos milhões e milhões de médiuns que agem na Terra, inconscientes do seu verdadeiro estado psíquico, alheios às faculdades mediúnicas que possuem.

Nas sessões que ocorrem nas casas racionalistas cristãs, são os médiuns que oferecem ao presidente das sessões, durante estas, os temas mais oportunos para o momento, facultando a certos assistentes ouvirem justamente o que mais precisam para as suas orientações espirituais. São eles também que dão ensejo a que os assistentes meditem sobre a deplorável situação moral em que se encontram os espíritos obsessores quedados no astral inferior que se manifestam. São eles ainda que transmitem, já na segunda fase da evolução mediúnica, os judiciosos conselhos e as sábias advertências dos espíritos de luz que integram o Astral Superior.

Quanto mais disciplinados forem os médiuns, quanto mais devotados forem à nossa Grande Causa, quanto mais fiéis forem à aplicação dos princípios doutrinários, sem fanatismo, tanto mais rapidamente farão as suas evoluções espirituais, e tanto melhores serão os serviços prestados.

Ao se dedicar ao trabalho mediúnico nas correntes fluídicas organizadas pelos espíritos de luz que integram o Astral Superior, o médium está ali plenamente protegido contra qualquer intervenção nefasta dos espíritos obsessores quedados no astral inferior. Por isso, deve se manter calmo e confiante nos bons resultados do seu trabalho, abstraindo-se de pensar, nessa ocasião, em tudo quanto se relacionar com a vida cotidiana, a vida dita material, com os problemas da existência e os assuntos caseiros, para focalizar os seus pensamentos no sentido das palavras das vibrações magnéticas, radiações elétricas e radiovibrações eletromagnéticas que são pronunciadas, assim como nas dissertações proferidas pelo doutrinador, principalmente na produção do seu próprio trabalho e no controle da atuação dos espíritos.

Para permitir que o espírito venha a se manifestar por seu intermédio, o médium se prepara para esse desiderato. Assim, em um estado de relaxamento dos tecidos musculares, o seu espírito facilita ao espírito manifestante a transmissão do pensamento deste. Ficam, pois, os dois espíritos — o do médium e o do atuante — lado a lado. Como por analogia o cérebro é semelhante a um aparelho receptor de rádio, o espírito atuante pensa no que deseja dizer, e as vibrações magnéticas, as radiações elétricas e as radiovibrações eletromagnéticas desses pensamentos, que são por ele captadas, transformam-se nas palavras que são por todos ouvidas.

O espírito do médium pode ainda auxiliar a transmissão com maior ou menor intensidade, reforçando as vibrações magnéticas, radiações elétricas e radiovibrações eletromagnéticas do espírito atuante com as suas próprias, e intervir, caso julgue necessário, controlando as palavras que vão sendo proferidas e interpondo as mais apropriadas. Quanto mais culto for o médium e maiores forem os seus conhecimentos do vernáculo, tanto mais límpidas e expressivas serão as transmissões, que são facilitadas pela sua cultura.

Os médiuns que trabalham nas casas racionalistas cristãs nada devem temer, pois que se acham ali resguardados pelas Forças Superiores, e, fora dali, desde que observem os ensinamentos disciplinares, não lhes faltará a mesma assistência. Quando em trabalho, devem pôr de lado toda a timidez, entregando-se ao serviço decididamente, sem preocupações a respeito de como podem estar sendo apreciados.

Em princípio deve se admitir que todos estão dando o melhor de que dispõem, e daí não haver motivo para receios e retraimentos. Cada qual, no seu posto, deve cuidar de si próprio, no desempenho das suas atribuições, nunca se preocupando com que os outros estão fazendo ou possam achar ou dizer. Se todos tiverem a consciência de se encontrarem dentro dos princípios racionalistas cristãos, procederão acertadamente, e nada terão de conjecturar.

Os médiuns podem contar com a simpatia de todos os companheiros da nossa Grande Causa, na certeza de que eles sabem apreciar o valor das suas contribuições. O respeito, a consideração e a estima devem prevalecer em todas as ocasiões, porquanto a família racionalista cristã possui normas de procedimento e deve se encontrar sempre unida. As vibrações magnéticas, radiações elétricas e radiovibrações eletromagnéticas que sejam harmônicas de compreensão e entendimento, atuam salutarmente na formação de um ambiente fluídico propício à formação de fortes correntes de força e energia, assim como de luz.

Não deve haver ressentimento dos médiuns quando não são colocados à mesa, nesta ou naquela posição. Todos os lugares são bons, pois em todos os lugares se prestam serviços à nossa Grande Causa. Quando o médium é suscetível de facilmente se ressentir, pode o ressentimento ser provocado, propositalmente, por ações superiores, para que assim possa ser reconhecido, enfrentado, combatido e sopitado por ele. Às vezes, o ser humano ignora certos defeitos que possui, então é preciso revelá-los e aflorá-los para que sejam sopitados. O ressentimento é uma falha do espírito que deve ser encarada frontalmente e com naturalidade, para melhor e mais facilmente se conseguir o seu sopitamento.

A rotina dos trabalhos mediúnicos poderá se apresentar monótona aos olhos de alguns médiuns, com o correr dos anos, cumprindo-lhes, em lugar de aceitarem a essa hipótese, procurar conhecer o porquê da monotonia, que bem poderá significar estarem eles, por indolência, ou por se entregarem a hábitos rotineiros, estacionando em suas evoluções espirituais, pois à medida que o médium evolui, vai encontrando novas sensações na própria atividade espiritual em que os seus horizontes se dilatam, oferecendo-lhe novas e mais amplas e interessantes perspectivas.

A evolução espiritual consiste em uma sucessão de novos conhecimentos e de novas experiências cada vez mais elevados, que continuamente vão se superpondo, pois onde há evolução efetiva, não existe lugar para a monotonia, já que em cada dia se aprende uma lição ainda desconhecida, até mesmo nos acontecimentos aparentemente banais. Essa evolução, porém, exige a conscientização do médium e o seu permanente empenho em aperfeiçoar, cada vez mais, as suas faculdades mediúnicas, para o que a instrução e a cultura muito o auxiliarão nessa tarefa espiritualista.

Como o acaso não existe e tudo tem a sua explicação lógica dentro da racionalidade, portanto, a sua razão de ser, no âmbito da relação universal de causa e efeito, certas manifestações apresentadas pelo médium, aparentemente destituídas de interesses, podem encerrar lições ocultas para serem descobertas. Os médiuns não precisam que os presidentes das casas racionalistas cristãs em que militam sempre as revelem, pois que eles mesmos podem e devem colher os frutos que estiverem ao alcance das suas mãos.

Em cada sessão nas casas racionalistas cristãs, há sempre uma oportunidade nascente, desde que o momento venha a ser vivido com dedicação e se sinta a utilidade do trabalho e o seu alto objetivo. Firmem-se todos os médiuns nessa realidade, fugindo, o máximo possível, da sensação ilusória dos atrativos materiais que contrastam, não pouco, com os encargos sérios que se encontram contidos no Racionalismo Cristão, os quais demandam renúncia, abdicação e fuga às ilusões e aos enganos apresentados pelo mundo, sempre traiçoeiros.

Não existe o atavismo psíquico, então a mediunidade não é uma faculdade hereditária, sendo própria do espírito. A hereditariedade é material, sendo própria do corpo humano, sendo legado que passa de pais para filhos, por via material, e quase sempre em forma de moléstia, como, entre outros, o caso da sífilis. A mediunidade não é doença, mas sim uma faculdade, como se vem afirmando, o que quer dizer, um dom adquirido, não supostamente dada por um deus sobrenatural. Daí a necessidade de bem cultivá-la, dando-lhe todos os cuidados que precisa ter em sua própria natureza.

Todos vêm a este mundo-escola para encarnar com as ferramentas adequadas aos misteres que irão exercer. As ferramentas são os dons, as especialidades, os talentos, que fazem vir à tona as vocações. Uns trazem consigo o tino comercial, outros a vocação para lecionar, a artística, a científica, ainda outros vêm para ser artífices, industriais, lavradores, e, entre todos, muitos trazem, por acréscimo, as faculdades mediúnicas, entre elas a de incorporação.

A mediunidade de incorporação tem que ser exercida sob as ações do Astral Superior, nas casas racionalistas cristãs, nunca como meio de vida, mas graciosa e espontaneamente, para o bem comum da nossa humanidade. Aqueles que exploram, lá fora, a esse dom, tirando dele proveito pecuniário, estão se condenando às mais duras correções futuras, sendo-lhes então cerceado o uso de tal patrimônio.

Nem todos os médiuns de incorporação chegam a poder desenvolver a sua faculdade sob as ações do Astral Superior. Neste caso, não devem desenvolvê-la. Conservem-na como se encontra, apenas se servindo do grau de sensibilidade que lhe é adicional. Essa sensibilidade é utilíssima no sentido de poderem perceber acontecimentos que se passam, sem que venham a ser relatados. As aspirações, as intenções, as maquinações trabalhadas pelos pensamentos, ficam registradas nos fluidos, ou no éter, e podem ser percebidas e captadas pela sensibilidade aflorada da mediunidade.

Conquanto todos os médiuns não possam se servir das correntes fluídicas organizadas pelo Astral Superior para o seu desenvolvimento, dispõem, no entanto, dessa magnífica modalidade sensitiva para com ela prestar preciosos serviços no meio em que vivem, ora transmitindo conselhos previdentes, ora impedindo a prática de atos prejudiciais. Contudo, é condição primordial que o médium leve uma vida sã, sob a inspiração dos ensinamentos racionalistas cristãos, para evitar que venha a ser intuído pelos espíritos obsessores quedados no astral inferior, e assim venha a se sentir desmoralizado com a aceitação das mistificações desses espíritos obsessores.

Os médiuns que desejarem trabalhar nas correntes fluídicas formadas nas casas racionalistas cristãs, devem, primeiramente, fazer um exame de consciência, a fim de verificarem se realmente se encontram aptos para exercer tal atividade de elevado nível espiritual. Devem conhecer, profundamente, o que diz este tópico, e estarem resolvidos a enquadrar os seus modos vida na disciplina nele registrada. Caso não se sintam fortemente dispostos a assumir os compromissos que os seus ensinamentos impõem, é sinal de que ainda é cedo para tomar a essa resolução. O Racionalismo Cristão não faz questão de quantidade, mas sim de qualidade.

É dolorosíssimo para todos os companheiros da nossa Grande Causa terem de enfrentar o dever de dispensar um médium iniciado, por haver ele fraquejado nas suas obrigações e na sua conduta. Com o rigor da disciplina racionalista cristã somente os fortes são capazes de vencer, e em suas casas unicamente estes podem ser admitidos para os trabalhos.

Os que se julgarem, porém, preparados para entrar em ação e estiverem firmemente decididos a dar o máximo de si mesmos, devem endereçar o seu pedido de admissão ao presidente da casa racionalista cristã da sua respectiva cidade.

Cada ingresso de pessoa esclarecida é recebido com regozijo e aplausos íntimos, não somente pelos obreiros militantes, como também pelo Astral Superior, que deste modo poderá contar com mais militantes dedicados à nossa Grande Causa, dispostos a auxiliar na grandiosa tarefa de esclarecimento e remodelação de toda a nossa humanidade.

Convém, vez por outra, meditar sobre a exígua duração da existência terrena, em comparação com a existência eterna e universal. Isto levará o ser humano a encarar as coisas, os fatos e os fenômenos universais com mais realismo, livre da ilusão da matéria e do devaneio do sobrenatural. Enquanto o oceano é formado por um número limitado de gotas, ainda que grande, a eternidade não tem limites. Logo, o tempo de duração de uma existência terrena, seja ela de setenta, oitenta, ou mesmo cem anos, ou mais, é, comparativamente, incomensuravelmente menor do que uma gota de água no oceano, em face da existência eterna e universal.

Ora, uma vez reconhecida esta realidade, não há por que dar tanta importância, como em geral se vê, às posições e grandezas absorventes que a vida terrena pode oferecer no campo material. Os esclarecidos têm o dever de encarar as funções mais altas não como privilégios, mas sim como deveres e responsabilidades maiores. É somente uma questão de compreensão.

Esta argumentação se torna necessária para que ninguém venha se sentir prejudicado e, principalmente, o médium, por deixar de desfrutar, hoje, o que a matéria em sua ilusão sugere, para usufruir mais tarde, em troca, os benefícios, as confortantes alegrias de um viver elevado.

Essa conquista já a fizeram aqueles para quem as atrações efêmeras do planeta Terra não representam mais que fugidias reminiscências do pretérito um tanto distantes.

AS MISTIFICAÇÕES

Os médiuns do Racionalismo Cristão captam por telepatia ou por intuição, em suas sessões públicas de limpeza psíquica, pensamentos que lhes são dirigidos ou encaminhados pelos organizadores astrais das sessões, e, também, sob a mesma direção, recebem os reflexos dos pensamentos de assistentes e mensagens ou comunicações do Astral Superior, além das manifestações de espíritos inferiores, que revelam a verdadeira situação em que se encontram, após um viver de corrupção, de falsidades, de materialismo e de erros.

Não há invocações de espíritos no Racionalismo Cristão, e se o Astral Superior entende fazer uso dos médiuns para ensejar explanações necessárias ao esclarecimento dos presentes, fá-lo por sua espontânea vontade e alto descortino, sem a interferência ou a solicitação de qualquer espírito encarnado.

Aqueles que são esclarecidos acerca da mediunidade, das suas causas e dos seus efeitos, sabem que todos os médiuns podem mistificar, desde que não sigam rigorosamente aos ensinamentos ministrados pelo Racionalismo Cristão.

Nas casas racionalistas cristãs, dentro da corrente organizada pelo Astral Superior, encontra-se colocado o médium, que fica sob as ações dos espíritos de luz, com o poder preciso para dominar facilmente os espíritos obsessores quedados no astral inferior. Por isso, ninguém deve se preocupar com os espíritos que se manifestam, mas somente com os ensinamentos ministrados pelo Racionalismo Cristão, dentro dos quais o investigador sincero tem o dever de basear as suas observações.

A repulsa à mistificação define o esclarecimento do médium e o seu aperfeiçoamento na prática das suas faculdades mediúnicas. É do grau de perfeição do instrumento que depende a perfeição da música e, por mais notável que seja o artista, ele nada conseguirá de bom se o seu instrumento for deficiente.

Pode o médium mistificar quando a corrente fluídica em que ele se encontra enfraquece por falta de concentração de qualquer dos seus componentes. Fora isso, podemos identificar o médium mistificador da seguinte maneira:

  1. Aquele que, intencionalmente, deturpa a comunicação, com segundas intenções, ou dá expansão ao seu próprio “eu”, sem se encontrar atuado;
  2. Aquele que se entrega a práticas mediúnicas fora das bases estabelecidas pelo Racionalismo Cristão e ignora a ação do pensamento e da vontade;
  3. Aquele que, mesmo sendo honesto e revelando bastante boa vontade para a prática do bem, fala demasiadamente sobre qualquer assunto, por vezes daquilo que não entende, principalmente sobre a Espiritologia, deixando-se levar por conhecimentos alheios à verdade;
  4. Aquele que tem o espírito repleto de pensamentos preconcebidos, de tal forma, e em tal grau, que quando qualquer espírito superior nele atua, para comunicar assuntos úteis, recusa a transmitir a intuição que recebe e externa aquilo que se encontra na sua mente;
  5. Aquele que se deixa atormentar por desconfianças e pensamentos de dúvida e de inveja vibrados, radiados e radiovibrados sobre ele.

Este aspecto acerca das mistificações é dos mais melindrosos, razão pela qual os ensinos exarados pelo Racionalismo Cristão precisam ser apreendidos com meticulosidade.

Desde que começa a segunda fase de desenvolvimento e passa a receber as intuições dos espíritos de luz que integram o Astral Superior, passa o médium a ser tenazmente perseguido pelos espíritos obsessores quedados no astral inferior, que se aproveitam dos seus menores descuidos para o avassalar.

O astral inferior se utiliza de hábeis subterfúgios para levar os médiuns à mistificação, aproveitando-se dos descuidos relacionados com a inobservância da disciplina para envolvê-los nos seus fluidos pesados, com o fim de familiarizá-los com eles, facilitando, deste modo, a sua aproximação, em momentos oportunos. Estando, porém, os médiuns sempre vigilantes e apoiados nos ensinos ministrados pelo Racionalismo Cristão, a ação prejudicial do astral inferior não ocorrerá.

Dentre os instrumentos do Astral Superior, os mais visados são o presidente e os médiuns.

O astral inferior também se aproveita do enfraquecimento das correntes fluídicas para se aproximar do médium mais desenvolvido e que melhores serviços presta, atirando-lhe descargas fluídicas, e ele, um tanto casado com esses fluidos, sentindo as vibrações magnéticas, radiações elétricas e radiovibrações eletromagnéticas com que o astral inferior procura imitar o Astral Superior, pode, eventualmente, deixar-se mistificar.

E aqui é de se indagar: como é possível ao astral inferior tomar o médium, nessa ocasião, e substituir o Astral Superior, se o trabalho é sério, o ambiente fluídico é bom, o médium é honrado e disciplinado, o fluido é diferente e, ainda, se as trevas não suplantam a luz?

Pode sim, porque a corrente fluídica organizada pelo Astral Superior, dentro da qual se encontra o médium, por vezes, é enfraquecida por falta de concentração dos seus formadores, cessando assim a afinidade e a atração, ímã que retém o Astral Superior junto ao médium. Para mais à vontade conseguir a mistificação, e para o médium não o repelir, aproveita-se o astral inferior das efluviações lançadas pelo Astral Superior e conservados no corpo fluídico do médium.

Não é fácil ao Astral Superior, em razão da sua pureza e dos fluidos diáfanos em que se encontra envolvido, tomar o médium. Para fazê-lo, precisa lhe preparar o corpo fluídico com descargas fluídicas, até se identificarem os dois fluidos: o do médium e o do Astral Superior. É como que uma desinfecção que o Astral Superior faz no corpo do médium, para depois nele poder atuar e produzir benefícios em prol da nossa humanidade.

Essa atuação lenta e realizada com suavidade, além de beneficiar ao médium, produz-lhe um grande bem-estar, ao contrário da do mistificador, que, após a retirada, deixa o médium abatido e repleto de fluidos pesados, que lhe produzem uma certa irascibilidade, se os seus fluidos não estão casados, há muito, com os desse infeliz.

Finalmente, está o médium sujeito à mistificação quando se descuida, ou melhor, quando por negligência se afasta da disciplina regulamentar a que deve se submeter, cuja observância constitui uma garantia para todos os que trabalham em prol da nossa Grande Causa, e, especialmente, os médiuns, por serem eles os instrumentos que mais se expõem aos manejos do astral inferior.

A conclusão a que se chega é que nenhum médium pode ser capaz de seguir rigorosamente à risca os ensinamentos ministrados pelo Racionalismo Cristão, pois que todos são imperfeitos, e, além disso, como a vaidade é um dos últimos atributos individuais inferiores que o ser humano consegue sopitar em sua evolução espiritual, o médium sempre traz consigo os resquícios da vaidade, em que através dela procura exteriorizar o seu próprio “eu”. Daí a razão pela qual Luiz de Mattos, em sua obra Cartas Oportunas Sobre Espiritismo, a página 34, vem se pronunciar sobre a mistificação dos médiuns, quando diz:

É sabido pelos estudiosos — e isto se afirma no Redentor e em suas Casas Filiais — que todos os médiuns mistificam, por vontade própria ou sem o querer, e porque assim é, torna-se de fato o médium um instrumento perigoso”.

CONSIDERAÇÕES GERAIS SOBRE OS MÉDIUNS

Muitos seres humanos têm se preocupado com o futuro da nossa humanidade, com alguns tendo feito diversas previsões do que irá acontecer nos próximos tempos. Uns o fazem baseados em raciocínios lógicos, outros na sua mediunidade, que pode ser de clarividência, vidência, auditiva, ou de incorporação.

Focando a nossa atenção nos médiuns, poderemos considerar que quando eles são bem-intencionados e não procuram o benefício material pelas suas qualidades mediúnicas, têm uma boa probabilidade de prever linhas de tendência dos acontecimentos futuros, ou seja, de praticar a precognição, em razão da grande sensibilidade de que são detentores.

Mesmo que a previsão dos acontecimentos futuros nunca possa ser efetivamente precisa, em face da sua mais extrema complexidade, à medida que o futuro depende essencialmente das atividades de cada um de nós, haja visto que encarnamos em obediência a um plano formulado em plano astral para a nossa espiritualização, o que vai interferir naturalmente no desenrolar dos acontecimentos.

O que geralmente pode acontecer, e realmente acontece, é o médium apontar as linhas de tendência, com base nos dados já conhecidos. E como o grau de conhecimentos dos espíritos que integram o Astral Superior é inconcebivelmente superior ao nosso, quando os médiuns conseguem captar os pensamentos desses espíritos bastante evoluídos, podem fazer revelações que normalmente não se encontram ao alcance dos seres comuns.

O Racionalismo Cristão condena a prática adotada pelos centros espíritas de formulação de perguntas ao médium, quer dizer, aos espíritos que através deles se manifestam, quer para descobrir fatos passados, quer para prever o futuro. Isto se explica em razão do ser humano dever se esforçar por desenvolver um trabalho honesto, procurando investigar e pesquisar os porquês da vida, para que assim possa construir no dia a dia o seu próprio futuro, com base na espiritualidade, que desta maneira se tornará previsível, em razão da previsibilidade espiritual se encontrar em conformidade com o plano elaborado para as nossas ações futuras, ao invés de andar a utilizar subterfúgios desse ou de outro tipo.

Em razão disso, aceita-se que muitas das previsões elaboradas por médiuns, vieram a ser confirmadas, e continuarão a sê-lo naturalmente, pois que são imensos os relatos descritos na literatura, como é o caso de Nostradamus, que previu a vinda do nosso Antecristo, que já se encontra integrado a este mundo, a revolucionar o nosso meio.

Em sua obra Cartas Oportunas Sobre Espiritismo, Luiz de Mattos tece várias considerações sobre os médiuns, que se encontram nas páginas 21, 42 e 43, 190 e 191, 193, e 207 e 208, as quais se encontram abaixo descritas nessa mesma ordem:

O principal instrumento do Espiritismo, na prática, é o médium desenvolvido.

Inúmeras foram as obras escritas por Kardec. Médium que era, muitas vezes foi atuado por espíritos jesuítas, e daí a influência do misticismo religioso (leia-se credulário, digo eu) nos seus escritos que, embora possuindo boa moral, são nocivos aos espíritos fracos.

… tem o médium de subordinar tudo, toda a sua vida material e espiritual aos Princípios Racionais e Científicos da Doutrina.

O médium tem por dever raciocinar muito sobre esses Princípios, sobre os seus maus hábitos, desejos desordenados, imperfeições e, muito especialmente, deve convencer-se de que nas suas vidas anteriores, por falta de conhecimentos dos porquês das coisas e da instrução e educação erradas, acumulou no seu corpo astral (perispírito, subconsciente ou duplo etéreo), e no seu próprio espírito, maneiras, teorias, hábitos e conhecimentos errados, baseados nas falsidades dos mistificadores.

Tão errados conhecimentos impedem a manifestação clara da Verdade pelo Astral Superior (espíritos esclarecidos), atuando no médium. Com tais conhecimentos errados, vindos de épocas passadas, o espírito do médium não aceita as intuições contrárias aos mesmos e, por isso, só articula ou escreve aquilo que tem gravado, que fixou no seu corpo astral, durante suas vidas passadas, nessas encarnações quase todas perdidas ou de pouquíssimo aproveitamento para ele.

Continua a reportagem de A Noite:

‘A moça morena, ao lado da senhorita Elisabeth, agitando-se, nervosamente, começou a chorar, o Sr. Figner levantou-se, passando a dar passes com as mãos espalhadas pelos cabelos, ombros e braços’.

Se Figner dá passes, é porque possui mediunidade desenvolvida, logo, por princípio algum, poderia presidir uma sessão espírita. Só isso dá uma demonstração clara da falta de conhecimentos sobre a prática do Espiritismo, e do que são as faculdades mediúnicas.

Essa corrente de passes é comum em todos os centros espíritas e até nas casas de família onde existem os chamados crentes. Uns, aplicam-nos, sem terem noção do que fazem, outros dão-nos, possuindo alguns conhecimentos sobre a vida ódica ou anímica, e alguns, verdadeiros anormais, agem por velhacaria. Sensualistas inveterados, acobertam-se no manto evangélico da mediunidade, para ter o gosto de passar as mãos sobre os corpos de senhoras ou jovens, com que dão prazer aos seus sentidos bestiais, pois doutra forma jamais chegariam a tocar em tais criaturas, que os repeliriam, por serem no fundo honestas e terem pudor, mas, a continuarem a ser bafejadas pelo fluido animal desses médiuns e não médiuns, assistidos pelo astral inferior, podem ser levadas à perdição.

O médium esclarecido é uma criatura que se impõe pelas suas virtudes.

Outro médium mistificador agitou-se, ‘raivoso’, e com a fisionomia de alucinado (é assim a de todos esses indivíduos), rindo, asseverou:

‘Hei de vê-la de rastros, miserável! Ah, infame! Então, estarei satisfeita!’

Aplicaram-lhe, diz o jornal, passes, e o médium sacudiu-se, de repente, e suspirou, voltando ao seu estado calmo anterior ao transe.

‘Contaram-nos, diz o noticiarista, no fim da sessão, que no corpo desse médium estivera encarnado o espírito de uma sua amiga, com cujo viúvo ela, médium, casara, inspirando à outra sentimentos de vingança’.

Aí tem o leitor nova farsa, nova intrujice, uma das malandrices mais atrevidas que se conhecem em tais baiucas.

O médium, casada com o viúvo, para bancar a vítima junto ao marido e valer-se da profissão de jangadeira, fingiu atrair e receber um espírito ciumento, animalizado, inimigo seu, quando a verdade é esta:

Nenhum espírito de médium, por mais ignorante que seja, recebe um espírito declaradamente seu inimigo.

As leis naturais opõem-se a isso, salvo quando o médium é pobre de alma e de corpo, covarde, louco, portanto, completamente dominado pelo astral inferior.

Esse médium, porém, não estava em estado completo de loucura, isto porque, após os passes aplicados pelo presidente (tem graça o presidente a dar passes), voltou logo a si, causando espanto aos basbaques esse fato”.

Os fatos que constituem o objeto da Espiritologia, mesmo aqueles que são considerados como sendo extraordinários, é claro e evidente que não são sobrenaturais, uma vez que o sobrenaturalismo é um devaneio, daí fugir à compreensão, assim como a matéria é uma ilusão, daí lidar somente com efeitos, ignorando as causas. Mas se os fatos espiríticos escapam à observação comum, ou mesmo à dos cientistas, é porque são poucos os que sabem vê-los. Eles são naturais, assim como tudo quanto existe no Universo, são comuns, ordinários e até frequentes. No entanto, para que possam ser devidamente observados, aprender a notá-los e a os reconhecer, quando e onde quer que se apresentem, torna-se necessário descobrir o instrumento capaz de os registrar, tornando-os evidentes e palpáveis: esse instrumento é o médium. Achado o instrumento, estudado em suas aptidões, os fatos espiríticos podem ser devidamente observados, em princípio os espontâneos, posteriormente os provocados, no intuito de reconhecer a natureza da causa produtora de tais acontecimentos.

 

Continue lendo sobre o assunto:

Prolegômenos

24- A REENCARNAÇÃO

No âmbito da espiritualidade, a reencarnação pode ser definida como sendo a ação dos espíritos encarnarem por sucessivas vezes em um mundo-escola que foi destinado à humanidade a que...

Leia mais »
Romae