23.07- A mediunidade de psicografia

Prolegômenos
1 de setembro de 2018 Pamam

Assim como o próprio nome sugere, a mediunidade de psicografia é a faculdade mediúnica adquirida pelo médium para escrever por intuição espiritual. Não é comum a existência de um médium psicográfico, sendo extremamente necessário que ele venha a ser devidamente esclarecido acerca da espiritualidade, para que estando assim esclarecido, destituído de vaidade, possa escrever textos que realmente sejam úteis à nossa humanidade.

Caso ele se deixe levar pela vaidade, tornar-se-á com facilidade uma vítima dos espíritos obsessores quedados no astral inferior, que lhe transmitirão mensagens com o nome de autores ou de personalidades desencarnados, que há muito já partiram para os seus Mundos de Luz, e que neste mundo já não se encontram mais. Neste caso, apenas o nome será utilizado, com o astral inferior traçando um perfil grosseiro da capacidade do verdadeiro autor. Assim, estará o médium psicográfico representando, sem o saber, uma farsa engendrada pelo astral inferior.

É comum se confundir muitas vezes a mediunidade de psicografia com a nossa própria vontade em exteriorizar os nossos sentimentos, a nossa sensibilidade em relação ao nosso “eu” espiritual. Em assim sendo, quando realmente temos uma aptidão para escrever, surpreendemo-nos com o que conseguimos produzir, pois estando concentrado, o escritor atrai para si, através do pensamento, as correntes espirituais afins e atrativas, e então terá ao seu lado a assistência merecida, de acordo com a natureza dos seus sentimentos.

O médium de psicografia mais famoso no Brasil foi Francisco Cândido Xavier, popularmente conhecido como Chico Xavier, que viveu no período de 1910 a 2002, notabilizando-se como sendo um dos expoentes do espiritismo brasileiro, tendo psicografado mais de 450 livros e vendido mais de 50 milhões de exemplares, sempre cedendo os seus direitos autorais para as instituições de caridade, tendo psicografado cerca de 10.000 cartas, sem jamais haver cobrado por elas aos seus destinatários.

Sendo extremamente medroso e vaidoso, completamente ignorante acerca da espiritualidade, o fato é que Chico Xavier era um médium psicográfico ao serviço do astral inferior. Mas, de qualquer maneira, os espíritos obsessores com que lidava possuíam uma certa categoria espiritual, uma vez que o kardecismo ainda se pratica pelo menos a caridade, diferentemente da umbanda e do quimbanda, como dito em tópico anterior. Não precisa de qualquer argumento para se comprovar a esta realidade, basta apenas ler alguns trechos dos seus livros psicografados e algumas das suas cartas para se comprovar o amontoado de baboseiras que ali se encontram. Além do mais, não pode um ser humano extremamente medroso e vaidoso ser instrumento do Astral Superior. Senão vejamos a comprovação deste fato:

Em 1959, o avião que transportava Chico Xavier de Uberaba para Belo Horizonte, passou por uma forte turbulência, quando então o médium psicográfico, que também era médium vidente e ouvinte, entrou em pânico, gritando em desespero por socorro, imaginando que iria morrer. Em meio a esse desespero, aparece o guia espiritual de Chico Xavier, por nome de Emmanuel, um espírito obsessor quedado no astral inferior, que o repreendeu severamente por se mostrar extremamente medroso, uma vez que a sua tremenda vaidade o impedia de aceitar a morte nessas circunstâncias, pois que ele se julgava um espírito especial, como que escolhido por Deus para intermediar os espíritos com os homens, e nesta circunstância seria merecedor de uma morte digna da sua importância. Ora, Jesus, o Cristo, foi o espírito mais evoluído que encarnou neste mundo, sendo, portanto, o mais digno, mas padeceu da morte mais indigna.

Esta e outras histórias são narradas no livro Pinga-Fogo com Chico Xavier, Editora Intervidas, edição de 2009, que reúne as transcrições das entrevistas concedidas à extinta TV Tupi, em 1971. O programa Pinga-Fogo, que era apresentado por Almyr Guimarães, bateu a todos os recordes de audiência, tendo durado três vezes mais do que o previsto. Procurando adotar um aspecto humorístico nessa história para ocultar a sua extrema medrosidade, o médium psicográfico, vidente e ouvinte, de acordo com o livro, vem nos narrar o fato da seguinte maneira:

Em 1959, eu me dirigia de Uberaba, para onde eu me transferira recentemente, para Belo Horizonte, junto da qual está Pedro Leopoldo, a terra onde nasci na presente reencarnação. Então, o avião decolou de Uberaba e fez uma breve parada na cidade de Araxá. Depois, o avião decolou de novo. Depois de uns dez minutos, o avião começou a se inclinar para um lado, para outro. Às vezes fazia assim uma pirueta, e o pessoal começou todo a gritar e a pedir a Deus, pedir socorro. E eu estou ali acompanhando.

Veio o comandante do avião e disse que não nos impressionássemos, que era um fenômeno chamado ‘vento de cauda’, e que apenas chegaríamos um pouco mais depressa. Mas algumas pessoas disseram: ‘Mais depressa no outro mundo!’

Eu então comecei também a me impressionar, porque eu não sei qual é o nome técnico da evolução que o aparelho fazia; uma pessoa entendida em aeronáutica saberá descrever o caso, dizendo os nomes em que um avião roda de cabeça para baixo E nós íamos e muita gente começou a vomitar e a gritar, apertar o cinto, aqueles amigos começaram a orar, senhoras começaram a fazer o terço Eu com muito respeito, mas quando vi aquela atmosfera, eu comecei a gritar também. Eu falei assim: bem, todo mundo está gritando, eu também vou gritar porque isto é a hora da morte. Então comecei a gritar: ‘Valei-me, meu Deus!’ Comecei a pedir socorro, a misericórdia de Deus, mas com fé, com escândalo, não é? Mas com fé.

Então nisso, peço até permissão para dizer, que alguém disse assim a um sacerdote católico que estava não muito longe de mim: ‘O Chico Xavier está ali, ele é médium e é espírita.’ E esse sacerdote, com muita bondade, disse: ‘Não, mas eu sei que o Chico tem pedido orações em muitos documentos e o Chico está orando conosco no terço.’ Eu disse: ‘Graças a Deus, padre, eu também estou orando.’ Mas comecei a gritar: ‘Valei-me, meu Deus!’

Então, aí entra o Espírito de Emmanuel. (Parece que é uma coisa de anedota, uma coisa de fantástico, mas é a verdade) Ele entrou no avião.

Então, passou no meio do pessoal e o pessoal não via, como a maioria dos nossos amigos naturalmente não está vendo a presença dele aqui.

Então, ele me disse assim: ‘Por que é você está gritando? Eu escutei o seu pedido. O que é que há?’ Porque aquilo já tinha mais ou menos 20 minutos, não é? Eu falei assim: ‘Bem, o senhor não acha que estamos em perigo de vida?’ Ele falou: ‘Estão. E o que é que há com isso? Não tem muita gente em perigo de vida? Vocês não são privilegiados, não é?’ Eu falei assim: ‘Está bem, se estamos em perigo de vida, eu vou gritar.’ E continuei gritando: ‘Valei-me, socorro, meu Deus!’ E o povo todo gritando socorro.

Então, ele me disse: ‘Você não acha melhor calar, parar com isso? Dar testemunho da sua fé, da sua confiança na imortalidade?’ Eu disse: ‘Mas é a morte e nós estamos apavorados diante da morte.’ Ele falou assim: ‘Está bem, então você acha que vai morrer.’ Eu falei: ‘O senhor não acha que estamos em perigo de vida?” Ele disse: ‘Estão.’ Eu disse: ‘Está bem, eu estou com muito medo, estou apavorado como todo mundo, eu estou partilhando, eu também sou uma pessoa humana, eu estou com medo também dessa hora e de morrer nesse desastre.’ Ele disse: ‘Está bem, então morra com educação, cala a boca e morra com educação para não afligir a cabeça dos outros com os seus gritos; morra com fé em Deus!’ Eu disse então: ‘Eu queria só saber como é que a gente pode morrer com educação!“.

Apenas para salientar a imensa diferença entre este simples escriba e um dos expoentes do espiritismo no Brasil, certa vez eu viajava de Fortaleza para o Rio de Janeiro ou para São Paulo, não me lembro bem, quando logo após a decolagem da origem eu pude perceber um ruído estranho nas turbinas do avião, completamente diferente do ruído das minhas outras viagens, que foram inúmeras, em função da minha profissão de auditor na época, era como se as turbinas estivessem funcionando com falhas, sem forças suficientes para imprimir a velocidade e manter a sustentação da aeronave no ar, sem torque. Os demais passageiro não perceberam a essa diferença de ruído nas turbinas do avião. Eu sabia que o defeito era grave, e que o voo não poderia continuar daquela maneira, havendo a possibilidade de o avião cair. Mas, mesmo assim, não me alterei, inclusive continuando a leitura da revista que se encontrava em minhas mãos, pois que não temo a morte. Após um breve espaço de tempo, o comandante do avião avisou a todos os passageiros que iria fazer um pouso de emergência no aeroporto de Recife, cuja escala não se encontrava programada. Tomei outro avião e parti para o meu destino.

As ciências reconhecem plenamente a existência da mediunidade de psicografia, mas sendo os cientistas céticos e renitentes, resistem em dar o braço a torcer acerca da existência da espiritualidade, e assim, vejam  só, eles passam a mapear a atividade cerebral dos médiuns, embora sejam cientes da existência de um elo que liga as vidas humana e espiritual, sabendo que estão lidando com médiuns, mas se fixam unicamente no cérebro. Que pena!

Assim, alguns pesquisadores se propuseram a examinar o cérebro de vários médiuns brasileiros, tendo verificado que as áreas cerebrais ligadas à linguagem tiveram as suas atividades exercidas bem abaixo do esperado, chegando à conclusão de que o fato poderia determinar um estado de falta de foco e de perda da autoconsciência, sem atentarem para o fato de que os médiuns estavam apenas sendo intuídos para escreverem aquilo que estavam escrevendo, e que, portanto, não poderiam fazer uso dessas áreas cerebrais, mas sim de outras.

Um artigo científico publicado pela revista PLOS ONE, em 2012, vem comprovar que a atividade cerebral em determinadas áreas do cérebro dos médiuns diminui por ocasião das sessões de psicografia. Esse estudo foi realizado por pesquisadores da Universidade Thomas Jefferson, nos Estados Unidos, e da Universidade de São Paulo, no Brasil, cujo estudo mapeou os cérebros de vários médiuns psicográficos brasileiros, por meio de tomografias, enquanto eles psicografavam. Para comparar o nível de atividade cerebral durante as sessões de psicografia, os cientistas aplicaram exames nos médiuns enquanto eles escreviam textos sem que estivessem em estado de transe.

As áreas do cérebro que apresentaram uma redução no fluxo sanguíneo cerebral foram o hipocampo esquerdo, o giro temporal superior direito e as regiões do lobo frontal, que as ciências associam ao raciocínio, planejamento, geração de linguagem, movimento e solução de problemas.

Para os pesquisadores, entre eles Andrew Newberg, professor da Universidade Thomas Jefferson, e Júlio Peres, professor do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo, essa pouca atividade pode indicar falta de foco, de atenção e de autoconsciência durante as sessões de psicografia. Mas mesmo com a complexidade das cartas redigidas durante os transes psicográficos devendo estar relacionadas a uma maior atividade nessas áreas do cérebro, mesmo assim, os pesquisadores não ficaram totalmente convencidos acerca da real existência da espiritualidade, mas, pelo menos, conseguiram atentar para a sua real existência, tanto que o pesquisador Andrew Newberg, assim se expressou:

Experiências espirituais afetam a atividade cerebral, e isso é conhecido. Mas a resposta cerebral à prática de uma suposta comunicação com um espírito ou uma pessoa morta recebeu pouca atenção científica. A partir de agora, novos estudos devem ser realizados”.

Mas é tamanha a ignorância desse pesquisador norte-americano, a sua renitência à espiritualidade, que mesmo sem o saber ele reconhece a existência do corpo fluídico, o qual funciona como sendo o subconsciente, que retém o aprendizado adquirido pelo consciente e passa a exercer aquilo que nele se encontra retido, mas que mesmo assim não se dispõe a pesquisar a sua natureza, preferindo voltar os seus estudos apenas para o cérebro, colocando-se na posição de um pesquisador de meia-tigela. É o que podemos presumir das suas palavras, quando ele se manifesta da seguinte maneira:

Eu acho que isso reflete como o cérebro pode ser treinado para uma tarefa particular: um efeito de treino. Por exemplo: quando uma pessoa começa a aprender a tocar piano, ou outro instrumento musical, ela precisa, em princípio, focar em aprender cada nota, presumivelmente ativando o cérebro. Mas, à medida em que ela se torna uma expert, o cérebro fica mais eficiente e pode até diminuir a sua atividade, uma vez que tocar se torna uma coisa fácil, que pode ser feita sem pensar. Podemos estar vendo um fenômeno parecido, no qual os médiuns treinam os seus cérebros para desempenhar uma atividade psicográfica”.

Deve ser aqui ressaltado que essas experiências científicas foram realizadas com médiuns psicográficos ao serviço do astral inferior, assim como são todas as experiências científicas realizadas em relação à espiritualidade.

Há de se convir que os espíritos que integram o Astral Superior não se deslocam dos seus Mundos de Luz para este mundo-escola com o intuito de se submeterem a experiências científicas, sujeitando-se aos métodos adotados pelos pesquisadores. Aliás, mesmo supondo que eles se submetessem às experiências científicas, sujeitando-se aos seus métodos, mesmo assim ainda não conseguiriam satisfazer a tanta ignorância e estupidez científica, pois que os olhos da cara dos cientistas, materializados como são, somente enxergam a matéria, em sua ilusão, por isso, mesmo também supondo que os espíritos do Astral Superior aparecessem ao olhos da cara dos cientistas, estes julgariam estar tendo visões, uma vez que a grandeza espiritual não se encontra nas ciências, mas sim no estágio evolutivo em que o espírito se encontra, como é exemplo a grande heroína francesa Joana D’Arc, irrelevante na seara científica, mas extremamente relevante na seara espiritual, que nunca duvidou das suas visões, por isso conseguiu coroar o seu rei. Aqui se pode comparar a singeleza e a convicção da donzela francesa com a soberbia e a petulância dos cientistas.

Na realidade, o erro em que incide a comunidade científica é decorrente da deficiência de inteligência por parte dos seus cientistas, os quais ignoram a existência dos métodos adequados para que se possa comprovar a existência da espiritualidade.

Com os esclarecimentos espiritológicos postos pelo Racionalismo Cristão, os cientistas agora poderão fazer valer as suas inteligências, estando cientes da existência dos três órgãos mentais que formam a inteligência do espírito, a saber:

  1. Criptoscópio: órgão que se desenvolve por intermédio da propriedade da Força, cuja função é perceber e cuja finalidade é captar os conhecimentos metafísicos acerca da verdade, em que o requisito fundamental para esse desiderato é a moral, que possibilita a elevação do espírito ao Espaço Superior, que é o repositório da verdade;
  2. Intelecto: órgão que se desenvolve por intermédio da propriedade da Energia, cuja função é compreender e cuja finalidade é criar as experiências físicas acerca da sabedoria, em que o requisito fundamental para esse desiderato é a ética, que possibilita o transporte do espírito ao Tempo Futuro, que é o campo da sabedoria;
  3. Consciência: órgão que se desenvolve por intermédio da propriedade da Luz, cuja função é de coordenação e cuja finalidade é coordenar o criptoscópio e o intelecto para se alcançar o Saber, por excelência, em que o requisito fundamental para esse desiderato é a educação, que possibilita situar o espírito no Universo, alçando-o a coordenadas mais distantes, que é o lugar da razão.

Sem que venham a ser esclarecidos a respeito da inteligência, cujo esclarecimento possibilita a contemplação da Inteligência Universal, ou de Deus, ou do Todo, as ciências jamais poderão afirmar a existência da espiritualidade.

 

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