23.01- A mediunidade de intuição

Prolegômenos
24 de julho de 2018 Pamam

Todos os espíritos, encarnados ou não, evoluem por intermédio da propriedade da Força, através da qual produzem os sentimentos, tanto os superiores como os inferiores, dando origem às vibrações magnéticas, assim como também evoluem por intermédio da propriedade da Energia, através da qual produzem os pensamentos, tanto os positivos como os negativos, dando origem às radiações elétricas, em que as suas combinações dão origem às radiovibrações eletromagnéticas. As vibrações magnéticas, as radiações elétricas e as radiações eletromagnéticas emanam das auras dos espíritos e vão se alojar nas auras dos demais espíritos que têm afinidades com essas vibrações, radiações e radiovibrações. Assim é para que possa haver uma interação universal no âmbito da espiritualidade. Havendo uma interação universal entre todos os seres, notadamente entre os espíritos, é óbvio que eles se influenciam entre si, encarnados com encarnados, desencarnados com desencarnados, encarnados com desencarnados, e vice-versa. Esta influência que ocorre no âmbito da espiritualidade é denominada de intuição. As intuições tanto podem ser benéficas como podem ser maléficas, em inteira conformidade com as naturezas dos sentimentos e dos pensamentos produzidos, que deram origens às vibrações magnéticas, às radiações elétricas e às radiovibrações eletromagnéticas, respectivamente, que emanam das auras e se alojam em outras auras, formando as mais diversas correntes.

Caso não existisse a mediunidade de intuição, não poderia haver uma comunicação entre os espíritos, por conseguinte, uma interação entre eles, para que assim, comunicando-se e interagindo entre si possa haver uma troca dos acervos que todos os espíritos trazem consigo, no decorrer de toda a sua evolução, que é a sua bagagem espiritual. Quando encarnados, os espíritos realizam as suas trocas de acervos entre si geralmente através das palavras, faladas ou escritas, podendo também ocorrer através dos exemplos, dignificantes ou não, como disso todos são sabedores. Mas quando se trata das trocas desses acervos entre desencarnados, ou entre desencarnados e encarnados, os espíritos realizam as suas trocas de acervos entre si através das vibrações magnéticas, das radiações elétricas e das radiovibrações eletromagnéticas, que são originadas dos seus sentimentos e dos seus pensamentos produzidos, respectivamente, de aura para aura. É por isso que a obra básica Prática do Racionalismo Cristão, a página 73, tratando acerca das faculdades mediúnicas, vem afirmar o seguinte:

A faculdade mediúnica — pelo menos a intuitiva — é inata no ser humano e exige dele cuidados e atenções especiais. A sua grande sensibilidade tem íntima ligação com o sistema nervoso. E esse sistema, uma vez alterado, poderá levar o indivíduo à irritabilidade, expondo-o às investidas do astral inferior.

Isto indica que o ponto fundamental de conduta para os seres em geral, e principalmente para os que possuem a faculdade mediúnica mais desenvolvida, é o controle individual, não se deixando irritar por coisa alguma, muito embora se manifeste neles uma forte tendência para agir de forma impulsiva. A tarefa, por certo, não é fácil, mas a dificuldade não deve influir para que o assunto não seja encarado com a seriedade que exige”.

Estando sabido que todos os espíritos produzem sentimentos superiores ou inferiores e pensamentos positivos ou negativos, os quais dão origens às vibrações magnéticas e às radiações elétricas, respectivamente, e às radiovibrações eletromagnéticas, em suas combinações, que se interligam de aura para aura, fica também sabido que muitas vezes os seres humanos recebem notícias de fatos e de acontecimentos através das intuições, como ainda através de sonhos e outros meios de comunicações espirituais. Os seres humanos que são seguidores da verdade, consideram geralmente a intuição como sendo um fator preponderante na vida do espírito, como se ele dependesse exclusivamente das intuições, tal como se ele fosse um instrumento expedidor e receptor, no que estão absolutamente corretos, mas também considerando que tudo nos vem de fora, tanto a produções dos sentimentos como dos pensamentos, no que estão incorretos, pois nós temos também o nosso poder criador, que possibilita a criação das soluções para os problemas do cotidiano. Além do mais, se somos instrumentos expedidores e receptores, isto implica em dizer que tanto produzimos sentimentos e pensamentos, assim como também recebemos.

É interessante e muito instrutivo o artigo escrito por Luiz de Mattos, intitulado do Povo é a Voz de Deus, que se encontra inserido na obra Páginas Antigas, as páginas 19 e 20, em que o nosso veritólogo maior critica a Alexandre Herculano, em sua obra Lendas e Narrativas, quando este saperólogo, sábio, erudito e o primeiro historiador de Portugal, recorre ao milagre e ao sobrenatural ao abordar o tema relativo a uma espécie de presciência inata dos seres humanos, em conformidade com o ditado que diz: “A voz do povo é a voz de Deus”; da seguinte maneira:

A folhas 236, das Lendas e Narrativas, 1° volume, escreve Alexandre Herculano:

‘Uma das inumeráveis questões que, em nosso entender, eternamente ficarão por decidir, é a que versa sobre qual dos dois ditados a voz do povo é a voz de Deus ou a voz do povo é a voz do diabo — seja o que exprime a verdade.

É indubitável que o povo tem uma espécie de presciência inata, de instinto, divinatório.

Quantas vezes, sem que se saiba como ou porquê, corre voz entre o povo que tal navio saído do porto, tão rico de mercadorias como de esperanças, perdeu-se em tal hora em praias estranhas.

Passa o tempo, e a voz popular se realiza com exatidão espantosa.

Assim de batalhas; assim de mil fatos. — Quem dá estas notícias? — Quem as trouxe? — Como se derramam? — Que mistério é esse que ainda ninguém soube explicar?

— Foi um anjo? — Foi um demônio? — Foi algum feiticeiro? — Mistério. — Não há nem haverá, talvez nunca, filósofo que explique, salvo se tal fenômeno é uma das maravilhas do magnetismo animal. Esse meio ininteligível de dar solução a tudo o que se não entende é acaso a única via de resolver a dúvida?

Se é, os sábios explicarão o que nesse momento ocorria na igreja de Santa Maria da Vitória’.

Parece impossível que o que aí fica saísse da pena do chamado primeiro filósofo da península Ibérica, o primeiro Historiador de Portugal, o mais honrado dos escritores. Entretanto, é tudo dele, inteiramente seu, do seu saber, do seu raciocínio, como vulgarmente se diz.

Por assim ser é que nós o transcrevemos para aqui e vamos analisar e provar a triste ignorância do grande Herculano sobre a vida fora da matéria e assim dos porquês das coisas, que ele, filósofo, sábio, erudito, primeiro historiador de Portugal, ignorou até desencarnar.

Os despropósitos contidos na Bíblia, do princípio ao fim, foram aceitos por Herculano, mereceram dele a classificação ultrassuperior de divina; entretanto, o mesmo Herculano nega a aparição de Cristo a Afonso Henriques, em Campo de Ourique, e acha impossível que alguém possa explicar com acerto a voz do povo e todos os demais fenômenos que por toda parte se observam, inclusive a presciência que o povo tem.

O que tal Bíblia e os tais Evangelhos falsos, como quem os inventou, duzentos anos depois de Cristo (grifo meu), têm conseguido com relação ao povo, é a conservação da sua crassa ignorância, a escravização pelos grandes, a loucura em geral, e nada mais.

E como é triste se observar um homem como Herculano negar a verdade, pender para o sobrenatural e se nivelar com os ignorantes crassos, e assim, com nulos e fanáticos, sem o menor senso, que todos os absurdos aceitam, desde que venham da Bíblia, dos livros sagrados, do padre, do especulador, enfim.

Ele, que veio para combater a mentira e explanar a Verdade por toda a parte (grifo meu), nada mais fez do que fortificar a primeira e deixar nas trevas a segunda.

Por assim ser, preciso se torna que a verdade se consolide e impere por toda a parte. Vamos, pois, à explicação do inexplicável, do impossível, por Herculano, e o fazemos assim:

A alma se religa pela irradiação (vibração e radiovibração, digo eu) ascendente a outros mundos mais adiantados, dos quais recebe os elementos de que necessita para se manter na Terra. É na atmosfera da Terra, que é o reflexo da própria Terra, onde se acham as almas perturbadas, ignorantes do que seja a vida real.

Por essa atmosfera passam as correntes fluídicas do Astral Superior, com as quais são dominados muitos dos espíritos maus que originam perturbações e avassalamentos.

Daí a afirmativa de notáveis experimentadores de fenômenos, especialmente os magnetizadores, de que o Espaço se acha cheio de impressões, boas e más.

Tudo que é reconhecido como invisível nos cerca por todos os lados: — o corpo físico é a manifestação da alma que o engendra por intermédio do seu corpo astral, fluídico, verdadeiro mediador plástico entre o mundo visível e o mundo invisível, entre o homem físico e o homem astral. Assim se observa, que:

a) Existe uma atmosfera que envolve a Terra;

b) Nessa atmosfera existem forças várias, inclusive pensamentos, coisas saturadas de poder, que o ser humano atrai ou repele, conforme o seu esclarecimento, a sua vontade, o seu sentir;

c) Essa atmosfera se acha ligada a outros mundos, dos quais recebe tudo quanto necessita para alimentar e conservar em atividade todas as partículas da Inteligência Universal;

d) Existem muitos outros mundos a se movimentarem no Espaço, habitados por espíritos, forças superiores, portanto, partículas já mais evoluídas da Inteligência Universal, mas sempre em ascensão para outros planos de maior espiritualização.

O ser humano é apenas um instrumento receptor e expedidor, uma máquina acionada por uma partícula da Inteligência Universal, a qual recebe forças, que são invisíveis para os encarnados, mas que atuam e os influem, conforme os seus conhecimentos e a educação da vontade das criaturas. E por assim ser, é que se afirma que tudo nos vem de fora e vive fora de nós, inclusive os pensamentos.

A criatura sendo, pois, receptora e expedidora de sentimentos e pensamentos, que fora de si pairam, em qualquer parte em que se ache, torna-se o espírito intermediário das forças que existem na atmosfera da Terra e das que vêm de outros mundos, e por assim ser, é que se afirma que todo ser humano é médium intuitivo (grifo meu). É por meio dessa faculdade natural que recebe as intuições das Forças Superiores ou das inferiores.

Assim, o ser humano é, portanto, um instrumento, que recebe com mais ou menos clareza, o que de fora lhe é intuído, conforme o seu estado psíquico e a educação da sua vontade.

Desde que todo ser humano é um médium, é um instrumento receptor de boas e más impressões, que lhe vêm de fora e vivem fora dele, é claríssimo ser ele um instrumento para o bem ou para o mal, como receptor de elementos, de forças invisíveis, de intuições, de tudo quanto se passa na atmosfera, no meio ambiente, e que lhe é intuído pelos espíritos que vivem nela ou a ela vêm para auxiliar o progresso dos seres e do próprio planeta.

É em sonhos e intuitivamente, além da vidência e da audição, que os seres humanos recebem notícias boas ou más, e ao que o povo chama de a Voz de Deus, a que Herculano se refere e que não soube explicar, mas que o Racionalismo Cristão explica, racionalmente.

É assim que se explica, com clareza absoluta, a presciência que o povo tem, bem como os fenômenos levados à conta de milagres, fatos sobrenaturais, etc., e assim se atira por terra o mistério, pois na Vida tudo tem a sua explicação racional e científica, não há nela mistérios. Há, sim, coisas ainda inexplicáveis quando se passe à vida transcendental, mas dentro do mundo físico, tudo pode ser esclarecido à luz da razão e, portanto, da Verdade (e da Sabedoria, digo eu)”.

Quando eu afirmo que a mediunidade de intuição faz parte integrante da nossa inteligência, é porque através dela nós recebemos muitos esclarecimentos do Astral Superior, tanto em relação aos conhecimentos metafísicos acerca da verdade, como em relação as experiências físicas acerca da sabedoria, em conformidade com os nossos sentimentos superiores e os nossos pensamentos positivos, o que possibilita um substancial incremento em nosso acervo espiritual, que muitos denominam de inspiração. Luiz de Souza, em sua obra Ao Encontro de Uma Nova era, as páginas 39 e 40, afirma o seguinte:

Todos possuem a mediunidade intuitiva, e esta se desenvolve com o desabrochar da espiritualização. É por meio dessa faculdade que se estabelece o contato espiritual com as Forças Superiores, e se recebe aquilo que se denomina inspiração ou intuição.

Quando se fala em espiritualização, alguns pensam que se trata de invocação de espíritos, por associarem a palavra espírito à espiritualização. Ignoram esses, lamentavelmente, que são, como os demais, apenas espíritos, e que a aparência física passageira não pertence à estrutura espiritual.

Espiritualização é um estado da alma cada vez mais propenso a reconhecer, segundo o progressivo desenvolvimento, o seu verdadeiro ‘eu’ espiritual, a natureza real do ser. Espiritualizar-se é procurar encontrar a Verdade por trás de todas as ilusões”.

Muitos estudiosos, quando se encontram profundamente concentrados em seus estudos, às vezes se deparam com certos problemas de difíceis soluções, em função das suas complexidades. Quando vem o esmorecimento, o desânimo, o desestímulo, em face da incerteza por encontrar as soluções desses problemas, eles fatalmente tendem ao fracasso. Porém, quando não esmorecem, quando redobram o ânimo, quando se estimulam cada vez mais, sendo constantes em seus estudos, muitas vezes as soluções surgem de uma maneira um tanto quanto inesperada, quando então eles exclamam: fui inspirado!

A explicação para isso é que sendo constantes, não desistindo jamais de encontrar as soluções para os problemas que lhes surgem, eles passam a ser assistidos pelos espíritos que se encontram no Astral Superior, que tendo afinidades com eles, passam então a ser intuídos, quando então recebem aquilo que tanto almejam em seus estudos. Somente aqueles que são muitos renitentes, os que são detentores da má vontade para com a espiritualidade, são capazes de negar a este fato. Não devemos esquecer que os espíritos que se encontram integrando o Astral Superior e que possuem afinidade conosco, por pertencerem ao mesmo Mundo de Luz, vêm nos visitar para nos auxiliar, em nossas jornadas neste mundo, quando nos encontramos em nossos momentos de paz. Luiz de Souza, em sua obra A Morte Não Interrompe a Vida, as páginas 283 e 284, dá-nos uma ideia bastante precisa acerca do assunto, da seguinte maneira:

Os inventores são geralmente médiuns intuitivos de grande sensibilidade, e quando concentrados profundamente nos problemas que os absorvem, recebem do manancial cósmico, ao qual estão ligados, e, também, de espíritos igualmente interessados no assunto, o esclarecimento preciso, a iluminação necessária.

O inventor dispõe de cabedal científico de experiências colhidas no pretérito, a fim de poder contar com bases para formular as suas preposições”.

Mas os inventores, os que lidam diretamente com as ciências, utilizam mais os seus intelectos do que os seus criptoscópios, portanto, utilizam mais as suas compreensões do que as suas percepções, o que implica em dizer que eles lidam mais com o poder de criar as experiências físicas acerca da sabedoria do que com o poder de captar os conhecimentos metafísicos acerca da verdade. Assim, para que seja estimulado com mais vigor o poder criador, eles são menos intuídos do que aqueles que lidam com o poder de captar.

A explicação para isso é que os conhecimentos metafísicos acerca da verdade se encontram todos postos no Espaço Superior, os quais são captados através das vibrações magnéticas oriundas dos sentimentos produzidos, que proporcionam o estudo da investigação desses conhecimentos, através da percepção, os quais servem de fontes para as ciências. Enquanto que as experiências físicas acerca da sabedoria têm que ser criadas do Tempo Futuro, através das radiações elétricas oriundas dos pensamentos, que proporcionam o estudo da pesquisa dessas experiências, através da compreensão, as quais devem corresponder aos conhecimentos que lhes serviram de fontes. E as combinações dos conhecimentos metafísicos acerca da verdade e das experiências físicas acerca da sabedoria, que proporcionam o Saber, por excelência, através das radiovibrações eletromagnéticas. Além do mais, não deve o espírito criador considerar as suas próprias ideias como se fossem oriundas da intuição ou da inspiração. Na orelha da capa da obra Ciência Espírita, com esta tendo sido escrita pelo médico Dr. Pinheiro Guedes, que era um veritólogo e não um saperólogo, portanto, um espírito captador e não criador, os editores da obra vêm afirmar o seguinte:

Mais do que a clareza com que expõe as suas ideias espiritualistas, impressiona o leitor destas páginas do médico brasileiro Pinheiro Guedes, a sua visão, talvez disséssemos melhor a sua intuição, ao tratar de assunto tão transcendente, em face de uma ciência materialista como a Medicina”.

Todos os seres quando alcançam a espiritualidade adquirem o raciocínio, assim como também o livre arbítrio, o qual tem que ser respeitado por todos os espíritos. No entanto, o preceito maior é o preceito da evolução, que se sobrepõe sobre todos os demais preceitos. Assim, quando qualquer espírito faz mau uso do livre arbítrio adquirido, e este inicia a prejudicar a sua própria evolução espiritual, o seu livre arbítrio é coarctado pelo Astral Superior, para que assim ele possa dar prosseguimento à sua jornada evolutiva, pois que não existe o retrocesso, ou seja, não existe a involução. Isto ocorre geralmente com os espíritos quedados no astral inferior, que se encontram lá decaídos em função do mau uso que fizeram do livre arbítrio. Muitos espíritos também optam por evoluir diretamente em seus Mundos de Luz, recusando-se a reencarnar, pelo fato de haverem perdido encarnações sucessivas, e lá, em seus Mundos de Luz, a evolução é lenta, mas gradativa, e não se estaciona. No entanto, a evolução universal segue um ritmo estabelecido por Deus, e quando esse ritmo tende a ser quebrado, esses espíritos têm também o livre arbítrio coarctado, sendo obrigados a reencarnar.

Mas os espíritos que se encontram quedados no astral inferior não respeitam o livre arbítrio de quem quer que seja, pois que o único objetivo desses espíritos é praticar o mal, principalmente em relação aos espíritos que se encontram encarnados. Assim, eles passam a intuir os seres humanos para que estes venham também a praticar o mal, cometendo todos os tipos de crimes que temos notícia, através das suas más intuições e outros meios por eles engendrados, tais como as mediunidades da vidência, da audição e da incorporação, em que tudo isso geralmente ocorre em conformidade com as afinidades que possuem com os encarnados, e mesmo sem que ocorra qualquer afinidade, pois os obsessores mais evoluídos espiritualmente são os mais perigosos, por isso perseguem aos encarnados mais evoluídos, pois o que eles querem unicamente é praticar o mal, nada mais do que isso.

Já os espíritos que integram o Astral Superior também intuem aos seres humanos, quando estes são merecedores das suas intuições superiores, mas não dizem de maneira compulsória aquilo que devem ou não fazer, pois que possuem um profundo respeito pelo livre arbítrio de todos os demais espíritos, encarnados ou não. Assim, quanto mais evoluído for o ser humano, tanto mais afeito e receptivo às intuições advindas do alto ele será, por isso deve utilizar o seu próprio raciocínio para que possa chegar a decidir o que deve e o que não deve fazer em relação às suas ações no cotidiano da vida. Antônio Cottas, em sua obra Cartas Doutrinárias de 1964 e 1965, a página 87, diz-nos o seguinte acerca das intuições superiores:

Sabe-se que o livre arbítrio faz parte do espírito humano, por essa razão as Forças Superiores dão intuições, mas não dizem taxativamente a criatura que faça isto ou aquilo. É a criatura que pelo estudo e raciocínio chega à conclusão do que deve fazer”.

Algo que deve ser levado bastante em consideração, é o fato do espírito encarnar ora com o sexo masculino, ora com o sexo feminino.

Quando encarna com o sexo masculino, o espírito vem para enfrentar o mundo em toda a sua rudeza, por isso ele realiza um preparo prévio quando se encontra em seu Mundo de Luz para agir especificamente como homem, a fim de que assim possa enfrentar com o vigor próprio da masculinidade todas as vicissitudes que irá encontrar pelo mundo afora, por essa razão ele não é tão afeito às intuições advindas do alto, pois que tem mais confiança em si mesmo, o que o leva a agir mais em conformidade com o raciocínio e com a lógica, uma vez que a sua própria compleição física o leva à sua disposição de espírito, à sua inclinação, ao seu temperamento másculo e vigoroso.

Por outro lado, quando encarna com o sexo feminino, o espírito vem para habitar o lar em toda a sua delicadeza, por isso ele também realiza um preparo prévio quando se encontra em seu Mundo de Luz para agir especificamente como mulher, a fim de que assim possa administrar com a meiguice e a brandura próprias da feminilidade todas as tendências que irá encontrar no ambiente formado dentro do seu lar, por essa razão ela é mais afeita às intuições advindas do alto, dada a sua elevada sensibilidade, pois assim poderá perscrutar as almas daqueles que formam a sua prole, assim como também a do próprio marido, incentivando as suas tendência para o bem e refreando as suas tendências para o mal, por isso, ao contrário do homem, a mulher age mais por inspiração do que por reflexão, já que a inspiração, ou a intuição, passa a conduzi-la pelos caminhos certos da vida, no âmbito do seu lar, desde que ela não venha a se masculinizar, assim como tantas outras se masculinizaram.

Ora, somente um cego proposital não pode ser capaz de enxergar que a extrema sensibilidade feminina a torna uma educadora, por excelência, tanto do marido como da sua própria prole, por isso o futuro da nossa humanidade depende da mulher-educadora, portanto, do modo como ela vai se comportar como tal em um futuro muito próximo. Maria Cottas, em sua obra Folhas Esparsas, vem nos fornecer uma ideia bastante precisa acerca tanto da inteligência como da sensibilidade femininas, assim:

Uma grande sensibilidade empresta à inteligência feminina o poder intuitivo que a torna uma ótima companheira do homem quando ao seu lado trabalha. É a intuição que permite à mulher adivinhar e compreender tudo de relance, sem muito esforço, e o seu estudo é constituído mais de inspiração do que de reflexão.

Para o homem a intuição é tão somente um guia em que não se tem confiança e apenas se consulta. Busca ou pede à lógica e ao raciocínio a segurança das suas deduções”.

Essa imensa sensibilidade que empresta à inteligência feminina o poder intuitivo que torna a mulher prendada para as funções de companheira do homem e educadora da sua prole, nada mais é que o tão famoso “sexto sentido”, que ela tem em alto grau de desenvolvimento, como assim confirma a grande dama Maria Cottas, agora em sua obra Páginas Soltas, a página 147, da seguinte maneira:

O decantado ‘sexto sentido’, como agora é moda se chamar a velha ‘intuição feminina’, que temos tão desenvolvida”.

É certo que os seguidores da verdade exageram um tanto as virtudes da intuição, pois que ainda ignoram que os seres humanos possuem a capacidade de se elevar ao Espaço Superior para lá perceber e captar os conhecimentos metafísicos acerca da verdade, assim como também se transportar ao Tempo Futuro para lá compreender e criar as experiências físicas acerca da sabedoria, as quais devem corresponder à verdade. Mas isso porque eles primam em manter o ambiente em que se encontram limpos e higienizados dos fluidos grosseiros que existem neste mundo, através das suas vibrações magnéticas, das suas radiações elétricas e das suas radiovibrações eletromagnéticas, que eles ainda julgam serem apenas irradiações, por isso pensam que tudo que nos vem é proveniente da intuição. A educadora Olga B. C. de Almeida, em sua obra Caminhos Certos, a página 281, sendo uma das seguidoras da verdade, afirma o seguinte:

Tudo que se adquire neste mundo vem por intuição. Mas as boas intuições dependem de um ambiente (pessoas e coisas) onde haja acordo, compreensão mútua, ordem e tranquilidade”.

Os militantes da doutrina do Racionalismo Cristão ainda não se encontram devidamente esclarecidos acerca das vibrações magnéticas, das radiações elétricas e das radiovibrações eletromagnéticas, e tanto isto procede que nas sessões públicas e particulares do Centro Redentor, assim como nos seus lares e nos ambientes que julgam serem mais pesados, eles se referem apenas às irradiações, ignorando que estas provêm da propriedade da Energia, sendo, portanto, elétricas. Mas também se referem às vibrações, porém as ligam diretamente às intuições, ignorando que elas provêm da propriedade da Força, sendo, portanto, magnéticas.

Ao evoluir por intermédio da propriedade da Força, a sensibilidade é caracterizada como sendo o elemento primeiro de produção do ser humano, com o sentimento sendo caracterizado como sendo o elemento final de produção, em que o criptoscópio vai se desenvolvendo cada vez mais, por conseguinte, a percepção. É através das produções da sensibilidade e do sentimento que o ser humano emite as suas vibrações magnéticas, assim como também recebe outras vibrações magnéticas, com tudo isso ocorrendo através da aura.

Ao evoluir por intermédio da propriedade da Energia, o sentido é caracterizado como sendo o elemento primeiro de produção do ser humano, com o pensamento sendo caracterizado como sendo o elemento final de produção, em que o intelecto vai se desenvolvendo cada vez mais, por conseguinte, a compreensão. É através das produções do sentido e do pensamento que o ser humano emite as suas radiações elétricas, assim como também recebe outras radiações elétricas, com tudo isso ocorrendo através da aura.

É óbvio, então, que as vibrações magnéticas, as radiações elétricas e as radiovibrações eletromagnéticas emitidas por cada ser humano vão depender da natureza da produção dos seus sentimentos, superiores ou inferiores, e da natureza da produção dos seus pensamentos, positivos ou negativos. Como os atributos comandam a inteligência do ser humano, os atributos individuais superiores ou inferiores irão determinar a natureza da produção dos seus sentimentos, enquanto que os atributos relacionais positivos ou negativos irão determinar a natureza da produção dos seus pensamentos.

Como se pode claramente constatar, os atributos individuais superiores, que formam a moral, assim como os atributos relacionais positivos, que formam a ética, são de fundamental importância para que os seres humanos se tornem educados, para que assim possam vibrar, radiar e radiovibrar em consonância com os espíritos de luz que integram o Astral Superior, e então possam formar uma só corrente voltada para o bem, quando então poderão ser devidamente intuídos, mudando por completo a atmosfera da Terra, que é a sua aura.

É louvável a tentativa dos autores Nilton Figueiredo de Almeida, Célia Caccavo F. de Almeida e José Carlos Pereira Alves, em sua obra conjunta denominada O Último Minuto, as páginas 161 a 163, para descrever tudo isso que logo acima se encontra explanado, e se mais não fizeram é porque mais não podiam, uma vez que a boa vontade se encontra bem patenteada nessa sua obra, que sem qualquer reparo, pois que não se faz necessário, em virtude de tudo já se encontrar devidamente explanado, transcrevo logo abaixo:

Havendo assim um sistema de PERCEPÇÃO para coisas, fatos ou fenômenos materiais, obviamente haverá de ser identificado um sistema para a PERCEPÇÃO de fenômenos ou sensações abstratas.

É através dos sentimentos que se desenvolve a percepção dos fenômenos extra-sensoriais.

A amizade, a alegria, a esperança, a vontade, o raciocínio, a intuição, a autoconfiança, a nostalgia, a angústia, a inveja, o ódio, a impaciência, etc., são vibrações positivas umas e negativas outras.

A SENSIBILIDADE é a faculdade psíquica que permite a PERCEPÇÃO de tais vibrações.

Através da intuição, o ser humano captará as vibrações negativas ou positivas conforme os seus próprios pensamentos e poderá avaliar pelo raciocínio a qualidade do ambiente em que permanece, convive ou cria.

A SENSIBILIDADE deve ser desenvolvida acauteladamente por ser ela a porta de entrada da alegria ou da dor moral, dor psíquica.

A SENSIBILIDADE se desenvolve com o acúmulo de experiências sensitivas e envia suas VIBRAÇÕES ao RACIOCÍNIO, filtrador de tais vibrações, fazendo voltar ao PENSAMENTO, aquelas que segundo a educação da vontade de cada um, serão aceitas e executadas, respeitando-se o Livre Arbítrio”.

A mediunidade de intuição, pois, tem a sua fundamental importância no contexto da vida de todos os seres humanos, quando em sua superioridade, uma vez que ela determina a comunicação no âmbito da espiritualidade sem que haja qualquer interferência em relação ao livre arbítrio, proporcionando um incremento em nossa inteligência no que diz respeito aos conhecimentos metafísicos acerca da verdade e às experiências físicas acerca da sabedoria. Além do mais, é através dela que os espíritos de luz integrantes do Astral Superior nos direcionam para as decisões acertadas de como devemos proceder no cotidiano, inclusive para as soluções dos problemas com que nos defrontamos no decorrer da vida de encarnado.

Com um pouco mais de penetração no contexto de todo o âmbito da espiritualidade, pode-se perfeitamente constatar que a mediunidade intuitiva se encontra intimamente ligada à estrutura da faculdade telepática, ainda embrionária, cujo desenvolvimento irá se denunciando aos poucos, de maneira gradativa, em seu devido tempo.

Como já é sabido, os sentidos mais comuns que se observam nos seres humanos, como o olfato, a visão, o tato, a audição e o paladar, não se originam, como muitos erroneamente pensam, no corpo carnal, mas na alma, no próprio espírito, que os exterioriza por meio dos órgãos adequados, que não funcionam sem as vibrações magnéticas, as radiações elétricas e as radiovibrações eletromagnéticas, que são os impulsos que lhes são transmitidos, semelhantemente ao violino cujas cordas, para que possam produzir sons, precisam ser feridas pelo violonista.

Nem todas as suas faculdades podem ser manifestadas pelo espírito, enquanto encarnado. O sentido telepático, que é comum em plano astral, é uma delas. Somente quando alcançar um estado de evolução ainda mais superior, a nossa humanidade poderá obter as condições necessárias para utilizar a essa faculdade na Terra. No estado evolutivo atual em que se encontra a nossa humanidade, a telepatia seria bastante perigosa, pois se constituiria em uma espécie de válvula de retenção das misérias humanas, que precisam atualmente ser combatidas e não recalcadas.

Nos Mundos de Luz, que são próprios da espiritualidade, os espíritos se comunicam por intermédio dos pensamentos. Neste planeta Terra, por muito e muito tempo, ainda perdurará como forma, como maneira de exteriorizar os pensamentos, a linguagem articulada. Isto se explica em função da produção dos sentimentos inferiores e dos pensamentos negativos da maioria dos seres humanos, que caso fossem dados a conhecer, haveria um constrangimento geral no seio de toda a nossa humanidade, por conseguinte, os seres humanos mais evoluídos se afastariam automaticamente dos seres humanos menos evoluídos, deixando de ocorrer uma interação entre todos eles, com os mais fortes suportando as cargas jogadas em seus ombros mais calejados por parte dos mais fracos.

É preciso que desde logo os seres humanos passem a envidar o máximo esforço possível e toda a boa vontade auferida por sopitar os atributos individuais inferiores e os atributos relacionais negativos, a fim de que possam adquirir os atributos individuais superiores, que formam a moral, e os atributos relacionais positivos, que formam a ética, tornando-se assim educados, para que então possam produzir sentimentos superiores e pensamentos positivos, emitindo vibrações magnéticas superiores, radiações elétricas positivas e radiovibrações eletromagnéticas decorrentes das suas combinações, pois que assim, e somente assim, poderão produzir a amizade espiritual, que faz emergir a solidariedade fraternal. Ao alcançarem a esse estágio na evolução espiritual, os seres humanos poderão se universalizar, e estando universalizados poderão se desdobrar e visitar outros mundos em outras coordenadas do Universo, em que essa locomoção pelas coordenadas universais é denominada de volição, e as comunicações que intermediarão entre si é denominada de telepatia, com tudo isso ocorrendo por intermédio do pensamento.

Isto é possível? É claro que sim. Que ninguém se esqueça que todos nós éramos homens das cavernas, detentores de feições rudes e grosseiras, mas que mesmo assim descobrimos o fogo e prosseguimos em nossa jornada evolutiva, até que conseguimos articular as palavras e descobrir a escrita, quando então demos um salto gigantesco em nossa evolução espiritual. E, apesar de todo esse progresso, ainda somos muito atrasados espiritualmente falando, portanto, ainda temos muito que evoluir. Sem esquecer que o desdobramento para visitar outros mundos em outras coordenadas universais ocorre em plano astral. Luiz de Souza, em sua obra Ao Encontro de Uma Nova Era, a página 25, afirma o seguinte:

A locomoção individual, em Plano Astral, denominada de volição, é feita pela força do pensamento. A transmissão de pensamentos de um para outro ser, separados por distâncias consideráveis, é realizada em Plano Astral, em uma insignificante fração de tempo, pelo Poder do Pensamento. É o que se denomina de telepatia. São, ambos, vocábulos de uso corrente, associados à ação do pensamento”.

No entanto, conforme dito, tudo isso somente poderá ocorrer quando os seres humanos tomarem a devida consciência acerca da espiritualidade e, por conseguinte, aprenderem a emitir as vibrações magnéticas, as radiações elétricas e as radiovibrações eletromagnéticas, em conformidade com as produções dos sentimentos superiores e dos pensamentos positivos. E quanto mais cedo esta prática for adotada, tanto com mais brevidade aprenderão a reconhecer toda a tecnologia que se encontra em si mesmos, e não nos seres infra-humanos que são manipulados. Antônio Cottas, em sua obra Cartas Doutrinárias – 1957, as páginas 211 e 212, afirma o seguinte:

É de crer que se deveria ter sido mais extenso, mas o que se desejou dizer é que para a telepatia não há um órgão físico. Ela aumenta, manifesta-se com mais intensidade, quanto mais evoluído for o espírito. Ora, um espírito evoluído, emite e irradia pensamentos mais vibrantes do que o espírito menos evoluído. Portanto, é uma faculdade que se manifesta no espírito através de outra faculdade já grandemente desenvolvida a mediunidade — daí o se dizer logo adiante: ‘A mediunidade intuitiva tem a sua ligação com a estrutura do embrionário órgão telepático, que pouco a pouco se irá denunciando’.

Apesar da riqueza da língua, temos que nos servir de palavras que, analisadas, falam do corpo e não do espírito. Quando falamos ‘órgão’ estamos vendo matéria palpável, mas tratando do assunto, temos que admitir como sendo psíquico, do espírito.

O espírito se faz sentir e influencia sobre todos os órgãos dos sentidos, irradiando intensamente pelo cérebro e pelo coração. A telepatia, poder-se-ia dizer ser a linguagem ouvida e falada nos mundos imateriais, cujos sons repercutem e vibram nos espíritos encarnados de acordo com a cultura e o treino mental”.

Continue lendo sobre o assunto:

Romae