20.01- A vida consoante a visão da nossa humanidade

Prolegômenos
17 de julho de 2018 Pamam

Para os compêndios, a vida é o conjunto de propriedades e qualidades graças as quais os animais e as plantas, ao contrário dos organismos mortos ou da matéria bruta, mantêm-se em contínua atividade, manifestada através das funções orgânicas, tais como o metabolismo, o crescimento, as reações a estímulos, a adaptação ao meio, a reprodução e outras, que assim passa a representar a existência. Deste modo, a vida traduz o estado ou a condição dos organismos que se mantêm nessa atividade desde o nascimento até à morte, quando então se extingue a sua existência, e que assim determina o tempo de existência de uma coisa, e, por extensão, mesmo não sendo considerado como tendo vida, até mesmo de funcionamento de qualquer objeto, como uma geladeira, um automóvel, um equipamento qualquer, apesar de considerados como sendo matéria bruta, a denominada vida útil de qualquer objeto.

Já os estudiosos admitem em uníssono que o termo vida traz em si um conceito muito amplo e admite diversas definições, mas sem que nenhuma delas que eles afirmam venha a se situar no âmbito da realidade, pois que todas elas são oriundas de observações inerentes apenas a este mundo, ou a partir deste mundo, que assim faz fazer valer apenas a imaginação, sem qualquer concepção a respeito, como é o caso delas se referirem exclusivamente ao processo em curso no qual os seres com quem eles se relacionam diretamente neste mundo são considerados como sendo dotados de vida, por isso levado em consideração apenas este tipo de vida, que para eles é uma parte da natureza que existe no espaço de tempo, cujo termo mais apropriado é período, entre a concepção, assim deste modo por eles considerada, e a morte do organismo, ou seja, a condição de uma entidade que nasceu e ainda não morreu, o que faz com que um ser somente assim possa estar vivo. E ainda complementam, afirmando que metafisicamente a vida é um processo contínuo de relacionamentos.

O fato é que esses estudiosos se assemelham às crianças, pois que igualmente não sabem o que dizem, ou não sabem se expressar corretamente. Ora, se metafisicamente — embora eles não saibam o que seja a metafísica — a vida é um processo contínuo de relacionamentos, então se torna óbvio que todas as coisas têm vida, pois que os seres atômicos se relacionam entre si, através dos elétrons, assim como também com os seres moleculares, e assim por diante, pois que praticamente existe um complexo relacionamento entre as coisas que neste mundo se encontram. Neste caso, mesmo que disto não tenham a mínima consciência, os estudiosos estão se referindo à legislação universal que regula o processo contínuo de relacionamentos entre as coisas, tais como:

LEIS ESPACIAIS

  • Lei da coesão:
    • É uma lei espacial que determina uma aproximação mais estreita possível em relação aos caminhos próprios, individuais, exclusivos, por onde as coisas caminham pelo espaço, para que assim as aproximações desses caminhos pelo espaço possibilitem uma integração de todas as coisas através do curso do tempo, proporcionando que ocorra uma integração universal entre todas as coisas, em suas relações recíprocas, pois que todas as coisas devem interagir umas com as outras, uma vez que no Universo deve existir uma verdadeira integração entre todas as coisas. Assim, a lei da coesão pode ser compreendida como sendo o resultado de uma determinação de Deus para que todas as coisas venham a aproximar os seus caminhos próprios, individuais, exclusivos, umas das outras, a fim de que o curso do tempo atue no sentido de que elas fiquem ligadas, ou permaneçam ligadas entre si, durante um certo período, para a troca de acervos entre si. Essa aproximação dos caminhos das coisas ocorre por intermédio do magnetismo contido nos fluidos.
    • Com base na lei da coesão, podemos afirmar que os corpos que formam a natureza são mais estáveis tanto mais inalteráveis eles são e quanto menos complexos eles sejam, sendo tudo isso logicamente regulado pelos fluidos provenientes das estrelas, cujos mundos se encontram sob as suas égides.
  • Lei da afinidade:
    • É uma lei espacial que determina as proximidades das coisas entre si, em seus caminhos próprios, individuais, exclusivos, em função das suas semelhanças, cujas proximidades entre duas ou mais coisas ocorrem por analogia, de acordo com as suas espécies, ou com as aproximações entre as suas espécies, evidenciando assim as suas conformidades umas com as outras, ou seja, as suas tendências combinatórias, consoante as suas identidades se encontrem a pouca distância de igualdade no processo da evolução. Assim, a lei da afinidade pode ser compreendida como sendo uma determinação de Deus, através da qual o magnetismo, que se encontra contido nos fluidos, regula o modo pelo qual as coisas devem se combinar entre si, ou tendem a se combinar entre si, quando são afins umas às outras em relação aos estágios evolutivos em que se encontram, na formação das coisas que pertencem ao reino inorgânico.
    • Já nos demais seres infra-humanos que não mais pertencem ao reino inorgânico, a lei da afinidade determina as aproximações dos caminhos das coisas em conformidade com as suas tendências combinatórias, mas sempre em função do grau de parentesco das espécies existentes. No caso dos seres humanos, a lei da afinidade determina exatamente as relações em conformidade com os estágios evolutivos em que eles se encontram, que se refletem nas naturezas das produções dos seus sentimentos e dos seus pensamentos, por isso se diz por aí que os afins se atraem, e os contrários se repelem.
  • Lei da expansibilidade:
    • É uma lei espacial que determina os caminhos próprios, individuais, exclusivos, a serem percorridos pelas coisas no espaço, cujos caminhos Deus determina as posições exatas que todas as coisas devem ocupar no espaço, para que assim, estando as coisas colocadas em suas exatas posições, elas possam aproximar os seus caminhos pelo espaço, a fim de que o curso do tempo venha a determinar as suas interações umas com as outras, consoante o estágio evolutivo em que elas se encontram, fazendo com que assim todas elas tendam a ocupar um espaço cada vez maior nas aproximações desses seus caminhos, pois como todo o Universo é fluídico, é o magnetismo contido nos fluidos que determina todas as posições exatas a serem ocupadas naturalmente no espaço por todas as coisas em seus caminhos espaciais.

PRINCÍPIOS TEMPORAIS

  • Princípio da atração:
    • É um princípio temporal, através do qual Deus determina a inclinação, o pendor, o encantamento, a simpatia, o fascínio, que todas as coisas manifestam umas pelas outras, em que o curso do tempo possibilita que toda essa atração venha a ser exercida e satisfeita, uma vez que todas as coisas têm uma origem comum em Deus, que é a Coisa Total. Assim, o princípio da atração, na gênese das coisas, pode ser compreendido como sendo o modo determinado pelo curso do tempo, através do qual as coisas se atraem reciprocamente na razão direta das suas massas e na inversa do quadrado das distâncias que as separam, o que ocorre através da eletricidade contida nos fluidos.
    • Nos seres infra-humanos, nota-se o princípio da atração nas próprias espécies, que tendem a se unir, formando inclusive colônias ou bandos, em que alguns animais já domesticados sentem uma grande atração pelos seres humanos, que por sua vez sempre tendem a viver em sociedade.
  • Princípio da repulsão:
    • É um princípio temporal, através do qual Deus determina que duas ou mais coisas venham a se repelir mutuamente, pois que cada coisa procura impedir que outra ou outras coisas venham a percorrer o seu mesmo caminho, que lhe é próprio e exclusivo, em decorrência ela age no sentido de afastar ou pôr distante as demais coisas, rejeitando-as prontamente, em que esta repulsão é decorrente da sua própria individualidade, que procura por todos os meios conservar, por isso ela se opõe e se recusa que outra ou outras coisas venham a interferir nesse seu caminho individual, pois que a sua pretensão é adquirir, por si mesma, o seu próprio poder, através do qual ela pauta as suas ações no curso do tempo, e o poder somente se adquire na própria individualidade, na luta constante em busca da verdade.
    • Assim, o princípio da repulsão pode ser compreendido como sendo um meio através do qual os fluidos regulam a aversão que uma coisa tem para impedir que outra ou outras coisas venham a seguir pelo caminho espacial que lhe é próprio e exclusivo, o qual se encontra determinado no espaço para si mesma, em razão disso todas as coisas buscam seguir as suas próprias individualidades ao se repelirem mutuamente.
  • Princípio do calórico:
    • É um princípio temporal, através do qual Deus determina que as coisas venham a interagir umas com as outras em função da temperatura adequada para as suas interações, em que a temperatura é regulada por intermédio dos fluidos, com o calor penetrando ou se desprendendo das coisas que se encontram em interação, produzindo nelas o aquecimento ou o resfriamento, provocando as suas alterações e transformações.

PRECEITOS UNIVERSAIS

  • Preceito da integração:
    • O preceito da integração é um preceito universal, através do qual Deus determina que as coisas venham a se integrar entre si, através do qual o eletromagnetismo que se encontra contido nos fluidos regula o modo pelo qual as coisas que se encontram em estágios evolutivos diferentes venham a necessitar umas das outras, a fim de que possam proceder às suas evoluções pelo Universo, para que assim, e somente assim, possam ser formados os mundos-escolas, que foram objetos de integração entre todas as coisas que os compõem, por conseguinte, a formação da natureza, em toda a sua exuberância.
  • Preceito da polarização:
    • O preceito universal da polarização, então, pode ser compreendido como sendo uma determinação de Deus para regular o poder e a ação, portanto, a vida, que as coisas detêm em si mesmas, orientando as suas vibrações magnéticas e as suas radiações elétricas, através das suas radiovibrações eletromagnéticas, de modo a formar polos, bipartindo-os igualmente, a começar pela molécula, pelo seu átomo central, que se torna ponto neutro, tendo uma metade boreal e a outra astral, explicando assim e possibilitando a compreensão da lei da afinidade e do princípio da atração molecular.
  • Preceito da fermentescibilidade:
    • O preceito da fermentescibilidade pode ser compreendido como sendo um preceito universal, através do qual Deus determina os modos pelos quais as coisas interagem com as demais, provocando nestas as suas transformações, mas sem que em nada seja alterada a sua forma original de ser, sendo essas coisas as grandes responsáveis pelas combinações químicas das coisas orgânicas, o que ocorre através dos fluidos. Em suas interações universais, as coisas são capazes de provocar trocas químicas em outras coisas sem que nada venham a ceder daquilo que originalmente as compõe, em que estas trocas químicas provocam as transformações dessas outras coisas. Essas coisas que são capazes de provocar trocas químicas em outras coisas são denominadas de fermentos, daí a denominação de preceito da fermentescibilidade.

Mas os estudiosos, em geral, preferem deixar o encargo de definição da vida nas mãos dos cientistas, como se estes tivessem realmente alguma competência considerada capaz de definir a vida, reconhecendo, ao mesmo tempo, que mesmo para estes também é muito difícil definir a vida com clareza, afirmando ainda que muitos saperólogos tentaram defini-la como se fosse “um fenômeno que anima a matéria”. De um modo geral, aqueles que se dedicam a estudar o assunto, consideram tradicionalmente que uma entidade é um ser vivo quando exibe determinados fenômenos, pelo menos uma vez durante a sua existência, a qual eles também não sabem definir, mas que relacionam da seguinte maneira:

  1. Desenvolvimento: passagem por várias etapas distintas e sequenciais, que vão da concepção à morte;
  2. Movimento: em meio interno, que eles relacionam com a dinâmica celular, acompanhada ou não de locomoção no ambiente;
  3. Reprodução: capacidade de gerar entidades semelhantes a si própria;
  4. Resposta a estímulos: capacidade de “sentir” e de avaliar as propriedades do ambiente e de agir seletivamente em resposta às possíveis mudanças em tais condições;
  5. Evolução: capacidade das sucessivas gerações se transformarem gradualmente e de se adaptarem ao meio.

O mais interessante de tudo isso é que esses estudiosos do assunto veem nesses critérios alguma utilidade, mas conseguem observar que as suas naturezas díspares os tornam insatisfatórios sob mais do que uma perspectiva, reconhecendo assim que não é difícil encontrar contraexemplos, bem como exemplos, que requerem maior elaboração em seus estudos e observações. E de acordo com os critérios por eles citados, citam como exemplo o fogo, podendo-se assim dizer que o fogo tem vida.

No entanto, eles não conseguem se afastar da perspectiva imposta pelo ambiente terreno, quer dizer, eles não conseguem se afastar das coisas que os rodeiam, tal como elas se lhes apresentam aos olhos da cara, por isso ficam girando em vários sentidos em torno de tudo aquilo que se encontra representado em suas imaginações, pelo que assim vêm afirmar que tal situação poderia facilmente ser remediada pela adição do requisito de limitação espacial, ou seja, a presença de algum mecanismo que venha a delimitar toda a extensão espacial do ser que vive, citando como exemplo a membrana celular nos seres vivos típicos. Esta abordagem por parte dos estudiosos do assunto é considerada como sendo a resolvedora do caso do fogo, mas que leva adicionalmente a novos problemas, como o da definição de indivíduo em organismos como a maioria dos fungos e certas plantas herbáceas, que não resolve em definitivo o problema, pois que ainda consideram que se poderia dizer o seguinte:

  1. As estrelas têm vida, por motivos semelhantes aos do fogo;
  2. Os geodos, que representam a parte oca das rochas, cuja parede interna está revestida de cristais ou de matéria mineral, poderiam também ser considerados como sendo seres vivos;
  3. Os vírus e afins não são seres vivos porque não crescem e não conseguem se reproduzir fora da célula hospedeira, em que este caso é extensível a muitos parasitas externos.

E assim, nessas suas observações próprias do ambiente terreno, limitadas totalmente a ele, sem que consigam extrapolá-lo um milímetro sequer, eles passam a se limitar aos organismos transformados aqui na Terra, que eles denominam de “convencionais”, passando a considerar através deles alguns critérios adicionais, em busca de uma definição mais precisa acerca da vida, em que esses critérios são os seguintes:

  1. Presença de componentes moleculares como hidratos de carbono, lipídios, proteínas e ácidos nucleicos;
  2. Composição por uma ou mais células;
  3. Manutenção da homeostase;
  4. Capacidade de especiação.

Contudo, eles consideram que mesmo nesses casos ainda se detectam alguns impasses, exemplificando que toda a vida na Terra se baseia na química dos compostos de carbono, a denominada química orgânica. Alguns defendem que esta tese deve representar todas as formas de vida possíveis no Universo, enquanto outros descrevem tal posição como sendo o “chauvinismo do carbono”, cogitando a possibilidade de vida baseada em silício, como sendo um contraexemplo. Note-se aqui, que eles partem deste mundo para o Universo, quando então passam a utilizar a expressão “deve”, que indica suposição, ou mesmo probabilidade, cuja expressão é análoga ao famoso “chutômetro”, o qual é muito empregado pelos alunos que são submetidos a provas objetivas.

E assim, alguns desses estudiosos do assunto passam a imaginar aos seus modos a respeito do significado de vida, fornecendo as suas próprias definições.

Para Francisco Varela e Humberto Maturana, a definição de vida é a de um sistema autopoiético, cujo termo significa gerar a si próprio, de base aquosa, limites lipoproteicos, metabolismo de carbono, replicação mediante ácidos nucleicos e regulação proteica, “um sistema de retornos negativos inferiores subordinados a um retorno positivo superior”; cuja definição é amplamente utilizada por Lynn Margulis. Para Stuart Kauffman, a vida é definida como sendo um agente, ou sistema de agentes autônomos, capaz de se reproduzir e de completar pelos menos um ciclo de trabalho termodinâmico. E para Robert Pirsig, a vida é definida como sendo tudo o que maximiza o seu leque de possibilidades futuras, quer dizer, tudo o que tome decisões que resultem em um maior número de futuros possíveis, ou que mantenha o maior número de opções em aberto, conforme consta em sua obra denominada Lila: An Inquiry Into Morals.

No âmbito do positivismo, os bioquímicos têm definido a vida como sendo um conjunto de moléculas que em suas interações mútuas desenvolvem um programa de autorregulação, cujo resultado é a perpetuação da mesma coleção de moléculas, um equilíbrio dinâmico que ao trocar matéria e energia com o meio permite a redução da entropia. A entropia é uma grandeza termodinâmica que mensura o grau de irreversibilidade de um sistema, encontrando-se geralmente associada ao que se denomina por “desordem” de um sistema termodinâmico, que não deve ser confundida com a desordem do senso comum, com o que de acordo com a segunda lei da termodinâmica, trabalho pode ser convertido em calor, e por tal em energia térmica, mas esta não pode ser completamente convertida em trabalho. Com a entropia, portanto, procura-se mensurar a parcela de energia que não pode mais ser transformada em trabalho, nas transformações termodinâmicas em dada temperatura.

Como se pode facilmente constatar, as combinações de imagens que podemos encontrar nas mentes dos seres humanos é praticamente ilimitada, com eles sempre dando asas às suas imaginações, por isso, mesmo sem atentarem para este fato, os estudiosos do assunto vêm admitir a possibilidade da existência de muito mais definições de vida, mas restringindo esta possibilidade a partir do sentido que se pode atribuir ao termo viver.

Embora todas as definições de vida por parte dos estudiosos do assunto sejam relativamente comuns umas às outras, eles consideram que algumas definições se situam como sendo exceções às definições comuns, embora não as sejam, pois mesmo assim nem estas e nem aquelas são aceitas como definitivas por nenhum deles. E isto vem comprovar sobejamente que os conhecimentos científicos não possuem base estruturada na verdade, em razão de não a ter como sendo a sua legítima fonte, por isso os cientistas afirmam com sinceridade e com racionalidade que eles não são definitivos, já que todos estão errados, sem qualquer base na realidade universal.

Esses estudiosos do assunto ficam deveras intrigados pelo fato assaz comum de muitos organismos serem incapazes de se reproduzirem e, no entanto, são considerados como sendo seres vivos, indubitavelmente, como no caso das mulas e das formigas obreiras. Porém, estas exceções por eles observadas podem ser levadas em consideração aplicando a definição de vida ao nível das espécies, ou então do gene individual. Entretanto, novos questionamentos a essa abordagem são inevitáveis, ao se considerarem determinados temas específicos, como a seleção de parentesco, que fornece informações adicionais acerca da possibilidade de indivíduos não reprodutivos poderem mesmo assim aumentar a dispersão dos seus genes, e a sobrevivência da sua estirpe. Percebe-se claramente que a confusão é geral.

Assim, eles enfocam os dois casos do fogo e das estrelas, que antes foram encaixados na definição de vida, mas que ambos os casos podem ser facilmente remediados definindo o metabolismo de uma forma bioquimicamente mais precisa. Nessa linha de pensamento, Donald e Judith Voet, em sua obra Fundamentals of Biochemistry, mesmo sem que possuam a mínima noção do que seja a energia, da sua origem e de como ela é utilizada pelos seres, definem o que seja metabolismo da seguinte maneira:

Metabolismo é o processo geral pelo qual os sistemas vivos adquirem e utilizam a energia livre de que necessitam para desempenhar as suas várias funções. Fazem-no combinando as reações exoérgicas da oxidação de nutrientes com os processos endoérgicos necessários para a manutenção do estado vivo, tais como a realização do trabalho mecânico, o transporte ativo de moléculas contra gradientes de concentração, e a biossíntese de moléculas complexas”.

Através dessa definição, que é utilizada pela maioria dos bioquímicos, eles consideram haver tornado claro que o fogo não está vivo, pois que ele liberta toda a energia oxidativa do seu combustível, em uma reação “explosiva”, sob a forma de calor. E, por extensão, os vírus se reproduzem, as chamas crescem, as máquinas se movem, alguns programas de informática sofrem mutações e evoluem, devendo no futuro exibirem comportamentos de elevada complexidade, porém não são seres vivos via tal definição. Por outro lado, na origem da vida, células com metabolismo, mas sem sistema reprodutivo, podem perfeitamente ter existido. Contudo, a maioria desses estudiosos do assunto não considera essas entidades como seres vivos, pois que somente aceitam as cinco características que consideram ser fundamentais para a definição de vida, por isso elas devem estar presentes para que um ser possa ser considerado como estando realmente vivo.

Em função de todas essas definições desencontradas a respeito da vida, vem a Biologia moderna afirmar que a vida, biologicamente falando, é um fenômeno natural que pode ser descrito como sendo um processo contínuo de reações químicas metabólicas ocorrendo em um ambiente evolutivamente estruturado, de forma a tornar propícias a ocorrência e a manutenção de tais reações, as quais se fazem sempre sob o controle direto ou indireto de um grupo de moléculas especiais, os ácidos desoxirribonucleicos, que são denominados simplesmente de DNA. A presença do DNA, ou de forma equivalente, o RNA, na atualidade, é a condição necessária para a definição do ser vivo, mesmo com eles ainda discutindo entre si se a presença de forma potencialmente funcional dessa molécula é ou não condição suficiente para defini-la. Assim, a classificação dos vírus como sendo seres vivos ou não, encontra-se incerta.

No contexto credulário, a vida assume também a sua grande importância, por isso não passou despercebida também pelos credulários, que desprezando tudo aquilo que é dito pelos estudiosos do assunto e pelos cientistas, fundamenta o princípio da vida na existência da alma, mas a atribuindo especificamente aos seres humanos, esquecendo-se que a Bíblia, em seu livro Gênesis, afirma que o deus bíblico também deu alma aos seres infra-humanos. No entanto, os credos e as suas seitas não possuem a mínima noção a respeito da formação da alma. E mais: não sabem diferenciar aquilo que seja a alma daquilo que seja o espírito.

Aqueles que se dizem cristãos, mas que de nada sabem a respeito do verdadeiro cristianismo, sendo assim ignorantes todos eles, sem que haja uma única exceção sequer, por isso são todos anticristãos, em relação à Bíblia, já que todos os credulários seguem sempre um livro considerado por eles como sendo sagrado, a vida foi posta neste mundo não por intermédio do processo da evolução, mas sim criada pelo deus bíblico, que assim criou tudo do nada, pois que ignoram completamente que o nada não existe.

Mas os credulários não atentam para o fato de que a própria Bíblia separa nitidamente aquilo que seja a vida daquilo que seja a alma. Assim, a vida do ser humano é totalmente independente da sua alma, o que implica em dizer que a alma não possui propriamente vida, a não ser que ela tenha outro tipo de vida diferente da vida do ser humano, sendo alheia a este, e sem que anime ao corpo humano, o que no caso ocorreria fatalmente a existência de diversos tipos de vida, o que seria uma tremenda incoerência, posto que não seria dado ao ser humano a escolha do tipo de vida que desejaria viver, sendo elas antagônicas umas às outras. Vejamos o que se encontra contido em Jó 10:1-2, quando ele claramente faz a diferença entre ele mesmo e a sua própria alma, como se esta tivesse vida independente e separada da vida dele como ser humano, sendo ele, assim como ser humano, que se dirige diretamente ao deus bíblico, e não a sua alma, quando diz o seguinte:

Minha alma certamente se enfada da minha vida. Vou externar a minha preocupação comigo mesmo. Vou falar na amargura da minha alma. Direi a Deus: Não me pronuncies iníquo. Faze-me saber por que é que contendes comigo”.

Neste caso, os bíblicos deveriam perguntar a si mesmos: para que serve a alma? É de se notar que no livro Gênesis o deus bíblico assoprou nas narinas do homem e lhe deu a sua alma, que sendo assim de vento não poderia ter vida no contexto bíblico. No entanto, somente depois que deu a vida ao ser humano é que esse deus bíblico deu vida à alma, como se encontra claramente posto no livro Salmos 66:7-8, assim:

Ele domina com a sua potência por tempo indefinido. Seus próprios olhos estão vigiando as nações. Quanto aos obstinados, que não se exaltem a si mesmos. Selá. Bendizei ao nosso Deus, ó povos, e fazei ouvir a voz do louvor a ele. Ele coloca a nossa alma na vida (grifo meu), e não permitiu que o nosso pé cambaleasse”.

Essa Bíblia é tão estúpida de uma tal maneira, que não atenta para o fato de que quem cambaleia é o corpo carnal como um todo, e não somente o pé. No entanto, essa Bíblia mentirosa e desencontrada, sem pé e sem cabeça, como se diz no linguajar popular, sem pé para cambalear, como ela mesma assim o diz, e sem cabeça para pensar, já que considera a vida carnal independente da vida da alma, pois que esta serve apenas como instrumento para que a classe sacerdotal assalte a bolsa do povo, além de outras patifarias mais, vem novamente afirmar mais adiante que a alma não tem vida, e se vida tem, ela se encontra oculta à visão do ser humano, que tendo uma vida diferente da vida da alma, esta pode ser mostrada por Jeová, o deus bíblico, que além de mostrar a vida para a alma mostra também, estúpida e grosseiramente, encanto para a garganta, quando, na realidade, deveria mostrar encanto para a vida, caso não fosse tamanha a estupidez e a grosseria desse deus bíblico, que sendo um espírito trevoso quedado no astral inferior, é óbvio que se trata de estupidez e grosseria puramente obsessoras, que ainda mais se acentuam quando ele mesmo manda resguardar a sabedoria e o raciocínio, sem que ambos venham a ser utilizados, posto que no âmbito do sobrenatural tudo não passa de simples baboseira. E toda essa baboseira se encontra em Provérbios 3:19 a 22, com as suas tremendas estupidez e grosseria sendo evidenciadas assim:

O próprio Jeová fundou a terra em sabedoria. Firmou solidamente os céus em discernimento. Pelo seu conhecimento foram partidas as próprias águas de profundeza e o céu nublado está destilando o chuvisco. Filho meu, que não se afastem dos teus olhos. Resguarda a sabedoria prática e o raciocínio, e mostrar-se-ão vida para a tua alma e encanto para a tua garganta (grifo meu)”.

É óbvio que assim existe uma tremenda incompatibilidade sobre o que seja a vida entre as ciências e os credos e as suas seitas, pois que desta maneira não existe qualquer suporte de cunho científico que corrobore a existência da alma, daí a razão pela qual o animismo de há muito foi descartado pelas ciências. No entanto, essa incompatibilidade ocorre sob dois aspectos da imaginação humana: a ilusão da matéria e o devaneio do sobrenatural. Ambos se encontram, evidentemente, postos fora do âmbito da realidade.

Com a exceção da esdruxularia posta sobrenaturalmente no Gênesis, que aqui eu não vou considerar em relação ao assunto que estou a explanar, no âmbito científico não existe qualquer modelo racional para demonstrar a origem da vida, por isso não existe qualquer consenso entre os estudiosos do assunto, com todos eles estando baseados de uma forma ou de outra nos seguintes fundamentos:

  1. Condições pré-bióticas consideradas como sendo plausíveis, resultam na criação das moléculas orgânicas mais simples, como julgam haver sido demonstrada pela experiência de Urey-Miller;
  2. Fosfolípides, sabendo-se que os lipídios são as substâncias que hidrolisadas fornecem ácidos carboxílicos com grandes cadeias de carbono, que formam “espontaneamente” duplas camadas, a estrutura básica da membrana celular;
  3. Processos para a produção “aleatória” de moléculas de RNA podem produzir ribose, que em Química é aldose — aldeído que possui diversas hidroxilas, uma das quais vizinha da carbonita — cristalina, presente em alguns nucleotídeos, cuja fórmula é C5H10O5, capazes de se replicarem sob determinadas condições;
  4. A árvore da vida converge todos os seres vivos conhecidos a um único ponto de ancestralidade comum.

Obviamente que existem muitas hipóteses diferentes no que diz respeito aos caminhos percorridos pelas moléculas orgânicas simples para se tornarem protomoléculas e em relação ao metabolismo. Essas hipóteses vão buscar as suas possibilidades para as tendências que encontram na primazia dos genes e na primazia do metabolismo, havendo uma tendência recente em buscar modelos híbridos que combinem aspectos de ambas as abordagens.

Thomas Gold, astrônomo e astrofísico, baseado em uma hipótese a respeito do profundo calor da biosfera, considera que há fortes indícios de que a vida microbiana é extremamente difundida em profundidade na crosta da Terra, e condizente com isto a vida tem sido identificada em vários locais no oceano profundo, ligada a emanações de gases primordiais. Essa vida não é dependente da energia solar e da fotossíntese como sendo a sua principal fonte para o fornecimento de energia, e, também, é essencialmente independente das circunstâncias da superfície. Assim, o seu suprimento de energia vem de fontes químicas, devido aos fluidos que ascendem, os quais são oriundos de níveis mais profundos na Terra. Os seres unicelulares vivendo em tais ambientes são hoje classificados em um superreino próprio, denominado de archaea, e podem muito bem guardar em si mesmos os mecanismos que deram origem aos primeiros seres vivos.

Segundo essa hipótese, que não tem procedência, mas que os estudiosos consideram como sendo uma teoria, em massa e volume essa biosfera profunda pode ser comparável com toda a vida de superfície. Essa vida microbiana poderia em princípio explicar a presença de moléculas biológicas em todos os materiais carbonosos na crosta, e considerar que estes materiais são em totalidade oriundos de depósitos biológicos acumulados em superfície, não sendo, portanto, necessariamente válida.

E como às vezes a imaginação humana parece ter limites no contexto do ambiente terreno, ela parte deste para o Universo, pois que é incapaz de vir do Universo para a Terra, então a vida como aqui é suposta, poderia ainda se encontrar em hipótese generalizada também no interior dos corpos planetários do nosso sistema solar, ou mesmo em objetos isolados vagando no espaço interestelar, uma vez que os estudiosos do assunto consideram que existem condições tão adequadas para que isso ocorra como as condições encontradas em certas situações aqui na Terra, embora constituindo ainda ambientes totalmente inóspitos em suas superfícies para a quase totalidade dos seres vivos.

Assim, eles passam a especular que a alternativa mais viável entre todas elas, é considerar ser a vida distribuída no Universo, habitando desde corpos planetários no nosso sistema solar até outros sistemas estelares, partindo do princípio de que a Tabela Periódica é responsável pela descrição de toda a química do Universo. E aqui, finalmente, a sua especulação começa a se fazer lógica. Entretanto, a vida, como os estudiosos do assunto julgam conhecer, tem por base o carbono e a água, com a energia sendo obtida usualmente através da presença do oxigênio, esteja ele livre no ar ou sendo liberado em subsuperfície, através da redução de compostos como óxidos, sulfatos e outros. Para eles, as fontes de carbono estão relacionadas com hidrocarbonetos primordiais, sobretudo o metano. Desta maneira, tais substâncias primordiais se encontram amplamente distribuídas no Universo, e cogitar que os processos que a originaram ocorreram apenas aqui na Terra é para muitos, neste contexto, no mínimo muita pretensão, o que obviamente não deixa de ser.

Através dessa especulação, os estudiosos do assunto passaram a imaginar um sistema ao qual denominaram de panspermia. A panspermia é um sistema em que muitos acreditam que os germes dos seres organizados se acham espalhados por toda parte, esperando apenas que lhes promovam o desenvolvimento das circunstâncias favoráveis para que surjam no cenário da vida. E agora é de se indagar: quem ou o que vai lhes promover o desenvolvimento das circunstâncias favoráveis?

E assim, estando totalmente confusos em relação à definição do que seja a vida, entra em cena para o debate a Geologia, em seus estudos acerca da Escala do Tempo Geológico no planeta Terra, em que os seus estudiosos especialistas vêm afirmar, com quase certeza, como eles mesmos assim se expressam, que a vida certamente surgiu e evoluiu aqui mesmo no planeta Terra, o que implica em dizer que toda a extensão incomensurável do Universo fora do ambiente terreno em nada se relaciona com a vida. Assim, ou a vida na Terra não tem qualquer importância, ou, então, o Universo é que não tem a menor importância em relação à vida, o que é uma tremenda incongruência. Em conformidade com Marcelo Gleiser, que é físico e não geólogo, através da sua obra Criação Imperfeita, a vida teria surgido na Terra há cerca de 4 bilhões de anos, em que os primeiros registros fósseis de vida remontam aos estromatólitos, formados na Era Paleoarqueana, do éon Arqueano, há uns 3,430 bilhões de anos atrás.

É evidente que este assunto da Escala do Tempo Geológico do planeta Terra tem a sua grande importância, mas ele se refere diretamente ao processo de evolução do próprio planeta Terra para se tornar um mundo-escola, em nada se relacionando propriamente com a definição de vida. No entanto, muitos organismos, assim como os vegetais e os animais que foram evoluindo no planeta fazem parte deste estudo, daí a razão pela qual vem o físico estudioso afirmar a origem da vida através da Geologia, e não da Biologia. Mas, mesmo assim, ambas as parcelas do Saber se encontram equivocadas, pois que a origem da vida nada tem a ver com qualquer parcela do Saber, mas sim com Deus, justamente por isso Ele é o Criador. Entretanto, a evolução dos primeiros seres infra-humanos deve ser estudada pela parcela do Saber denominada de Química, e somente depois de certo estágio na escala evolutiva é que essa evolução deve ser estudada pela Biologia.

Até ao final desta Grande Era que ora se finda, denominada de a Era da Veritologia, ou a Era da Verdade, a Terra ainda continua sendo o planeta integrante do Universo, o que é óbvio, que mesmo considerado em sua extensão incomensurável, é a própria Terra conhecida pelos seres humanos como sendo o único planeta em que existe vida. E como os seres humanos ainda não sabem o que seja na realidade a vida, partem do princípio imaginado, mas não especificado, que a questão da existência da vida em outros locais do Universo permanece em aberto, e assim se danam a apelar para tudo em busca da comprovação da vida fora do planeta, apelando até para a parcela do saber denominada de Matemática. E assim, realizando análises matemáticas, como a equação de Drake, procuram através dos números estimar a probabilidade da existência da vida fora deste mundo Terra. Mas das inúmeras reivindicações de descoberta de vida em outros locais do Universo, nenhuma conseguiu sobreviver ao escrutínio da própria comunidade científica, que nem mesmo os seus integrantes sabem se eles mesmo existem, na realidade, já que não possuem a mínima noção da vida após a desencarnação, quanto mais se existe vida fora do planeta Terra.

A ciência moderna, se é que haja algum modernismo para a ciência que não consegue se afastar da ilusão da matéria, considera que o mais próximo que chegou para descobrir vida extraterrestre é a evidência fóssil de possível vida bacteriana em Marte, por intermédio do meteorito ALH84001, que por sinal não é de Marte, pois que os seres infra-humanos não podem se deslocar de um mundo para outro assim de tal maneira. No entanto, trata-se apenas de simples evidência, nada mais do que isso, pois caso eles fizessem uma analogia com as Eras Geológicas da Terra, poderiam constatar a impossibilidade da existência de qualquer bactéria em Marte, partindo do princípio de que ambos são planetas, por isso tiveram a mesma origem no Universo, assim como todos os demais planetas.

Mas a procura de vida extraterrestre se encontra atualmente dirigida em planetas e luas que os estudiosos creem possuam ou já tenham possuído água no estado líquido. Dados recentes dos veículos da NASA Spirit e Opportunity apoiam a hipótese de que Marte no passado possuiu água em sua superfície, e as luas de Júpiter são consideradas também como sendo boas candidatas para albergarem vida extraterrestre, especialmente a que se denomina de Europa, que os estudiosos julgam possuir oceanos de água líquida. Mas acontece que os seres humanos nunca conseguiram ultrapassar a atmosfera terrena, por isso todos esses veículos e essas sondas lançados pela NASA, ficam orbitando apenas ao seu redor.

Mas nada disto procede, pois que a natureza sempre evolui, sem jamais involuir, por isso, caso existisse água em qualquer desses locais, a tendência seria a evolução dos organismos e outras espécies de vida, assim considerada nos termos dos seres humanos. No entanto, em suas observações através de telescópios e outras, os estudiosos consideram que fora do sistema solar, os únicos planetas descobertos até agora potencialmente habitáveis são Gliese 581c, Kepler 452b e Kepler 108.

A essa procura de vida extraterrestre por parte dos estudiosos do assunto, a temática a ser abordada passa a ser mais específica, por isso as suas análises e abordagens devem ser tratadas à parte, para que assim todos possam comprovar sem qualquer sombra de dúvida como realmente a nossa humanidade vive fora do âmbito da realidade, tendo de um lado a ilusão da matéria e de outro o devaneio do sobrenatural, sem que nem um e nem outro resolvam ingressar no campo da Espiritologia, adentrando no âmbito da realidade, no contexto do Universo, que exprime a existência eterna e universal.

 

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