19.02- A Segunda Cruzada

Prolegômenos
16 de julho de 2018 Pamam

A Segunda Cruzada ocorreu no período de 1146 a 1148, tendo como principal instrumento do astral inferior São Bernardo, uma das encarnações de Luiz de Mattos, que apelou para o papa Eugênio III no sentido de promover uma outra convocação às armas. Estando entretido no conflito com os infiéis de Roma, Eugênio III pediu a Bernardo que tomasse para si a esse encargo. Embora muito perigosa, foi uma sugestão mais do que acertada, porquanto Bernardo era um homem muito mais capaz do que aquele que ele mesmo tinha feito papa, tendo ele deixado a sua cela em Clairvaux, a fim de pregar a Cruzada aos franceses, pois que na França o ceticismo que havia se escondido por trás da fé credulária foi extinto, e junto com ele os receios espalhados pelas narrativas da Primeira Cruzada. Bernardo, então, dirigiu-se diretamente ao rei Luiz VII, tendo-o persuadido a tomar a cruz. Em 1146, com o rei estando ao seu lado, ele falou à multidão em Vezelay, quando terminou, influenciado pelo astral inferior, o povo se alistou em massa, as cruzes preparadas não bastaram, e Bernardo rasgou o seu manto em pedaços para fornecer emblemas adicionais. A seguir escreveu ao papa, dizendo:

Cidades e castelos se esvaziaram, não há nem um homem para sete mulheres, e em toda parte há viúvas de maridos ainda vivos”.

Tendo conquistado a França, Bernardo se passou para a Alemanha, onde a sua arrebatadora eloquência induziu o imperador Conrado III a aceitar a Cruzada como uma causa que poderia unificar as facções Guelf e Hohenstaufen, que então dividiam o reino. Muitos nobres aceitaram a chefia de Conrado III, entre eles o jovem Frederico da Suábia, que depois se tornaria o famoso Barbarroxa, e que morreria na Terceira Cruzada.

Na Páscoa de 1147, Conrado III e os alemães partiram. No Pentecostes, Luiz VII e os franceses seguiram a uma distância cautelosa, hesitantes, não sabendo discernir com precisão quais entre os alemães e os turcos constituíam os seus inimigos mais odiados, com os alemães sentindo uma hesitação similar entre os gregos e os turcos, e assim muitas cidades bizantinas foram pilhadas, com outras fechando as suas portas e fornecendo magras rações em cestas suspensas pelas muralhas.

Manuel Comneno, então imperador do Oriente, recomendou com brandura que as hostes de cruzados seguissem caminho cruzando o Helesponto, em Sestos, ao invés de passar por Constantinopla, mas Conrado III e Luiz VII não aceitaram a recomendação. A impertinente Leonor acompanhou Luiz VII e os trovadores acompanharam a rainha, enquanto os condes de Flandres e Tolosa estavam acompanhados das suas respectivas condessas, com as bagagens dos franceses recheadas de malas e caixas de vestidos e cosméticos destinadas a assegurar a vaidade dessas senhoras contra todas as vicissitudes do clima, da guerra e do tempo.

Receoso de alguma investida contra o seu império, Manuel Comneno se apressou em transportar os dois exércitos através do Bósforo, fornecendo aos gregos moeda desvalorizada para as suas transações com os cruzados. Na Ásia, uma carestia de provisões e os preços altos exigidos pelos gregos provocaram muitos conflitos entre os cruzados e os bizantinos. Conrado III insistiu contra o conselho do imperador bizantino em seguir a rota tomada pela Primeira Cruzada, sendo provido de guias gregos, tendo os germânicos penetrado em sucessivas regiões desérticas sem recursos e cheias de armadilhas muçulmanas, perdendo parte do seu exército.

Em Dorylaeum, depois Eskisehir, onde a Primeira Cruzada havia derrotado Qilij Arslan, o exército de Conrado III encontrou a principal força muçulmana, tendo sido tão grande a derrota que apenas uma décima parte dos cruzados escapou com vida. Nesse ínterim, o exército francês que vinha muito atrás, iludiu-se com a falsa notícia de uma vitória germânica, pelo que avançou descuidadamente, sendo dizimado pela fome e pelas incursões muçulmanas.

Conseguindo atingir Attalia, Luiz VII negociou com capitães de navios gregos o transporte do seu exército para a Tarso e a Antioquia católicas, com os capitães exigindo um pagamento exorbitante por passageiro, tendo Luiz VII e Eleanor, os nobres e as suas damas, obtido passagem para Antioquia, deixando o exército francês em Attalia. Em 1148, as forças muçulmanas atacaram a cidade e mataram quase todos os franceses ali encontrados.

Como se pode claramente constatar, não foi em vão que Lúcifer havia se rebelado contra Jeová, quando ainda fazia parte dos seus anjos negros, pelo fato de Jeová pretender destruir a vida na Terra através do fogo, enquanto que Lúcifer pretendia apenas comandar as nações humanas, assim como sempre fez, sendo esta a sua pretensão, que o satisfazia plenamente, pois que era um espírito obsessor tão poderoso quanto o seu ex-chefe. Daí a razão da ferocidade da guerra travada no astral inferior entre ambos, cada um com as suas falanges de espíritos obsessores, com os seus reflexos diretos nos seres humanos.

Assim, Luiz VII chegou a Jerusalém com a esposa, os nobres e as suas damas, mas sem nenhum exército. E Conrado III com apenas um insignificante resto de força com que havia partido de Ratisbona. Com esses sobreviventes e os soldados que se achavam na capital, improvisou-se um exército que marchou contra Damasco, sob o comando dividido de Luiz VII, Conrado III e Balduíno III. Durante o cerco, surgiram desavenças entre os nobres em relação à questão de quem governaria Damasco quando esta cidade caísse. Enquanto isso, agentes muçulmanos infiltrados no exército dos cruzados subornaram alguns chefes para uma política de inação ou retirada. Quando se soube que os emires de Alepo e de Mossul estavam avançando com uma grande força para libertar Damasco, os defensores da retirada dos soldados do exército dito cristão prevaleceram, tendo o exército cruzado se dividido em facções e fugido para Antioquia, Acre ou Jerusalém. Derrotado e doente, Conrado III regressou desonrado para a Alemanha, enquanto Eleonor e a maioria dos cavaleiros franceses retornaram para a França. Luiz VII permaneceu mais um ano na Palestina, fazendo peregrinações a templos tidos como sendo sagrados.

A Europa ficou aturdida com o fracasso da Segunda Cruzada. Como que a confirmar a luta astral entre os espíritos obsessores que pretendiam ser deuses, juntamente com as suas falanges, alguns começaram a indagar como era que o seu deus, considerado como sendo todo-poderoso, podia permitir que os seus defensores fossem assim tão humilhados, como se na alta espiritualidade pudesse haver alguma guerra. Os críticos passaram a atacar Bernardo como sendo um visionário negligente que havia enviado homens à morte. E não foram poucos os céticos que passaram a questionar os dogmas mais fundamentais da fé credulária dita cristã.

Bernardo replicou que os caminhos do deus bíblico, considerado como sendo todo-poderoso, estavam além do entendimento humano e que o desastre constituía um castigo pelos pecados dos “cristãos”. Mas desde esse tempo, as dúvidas que Abelardo, falecido em 1142, havia espalhado, encontraram expressão mesmo entre os seres vulgares. Assim, o entusiasmo pelas Cruzadas se desvaneceu rapidamente, e a Idade das Trevas se preparou para se defender pelo fogo e pela espada contra a invasão de crenças estranhas ao catolicismo, ou mesmo da descrença absoluta, através da Inquisição. O astral inferior não para um só instante em promover as suas ações malévolas.

Enquanto isso, uma nova cultura havia se desenvolvido na Síria dita cristã e na Palestina. Os europeus que lá haviam se instalado desde 1099, foram gradualmente adotando o vestuário do Oriente Próximo, que constava de turbante e de manto esvoaçante, os quais eram mais apropriados para um clima de sol e de areia. À medida que iam se familiarizando com os muçulmanos que viviam no reino, a desconfiança e a hostilidade mútuas iam diminuindo. Os mercadores muçulmanos entravam livremente nas colônias ditas cristãs e vendiam os seus artigos. Os médicos muçulmanos e judeus tinham a preferência entre os pacientes ditos cristãos. O culto muçulmano nas mesquitas era permitido pelo clero católico, e o Alcorão era ministrado nas escolas da Antioquia e da Trípoli ditas cristãs. Os salvo-condutos para viajantes e mercadores eram trocados entre as regiões ditas cristãs e muçulmanas. Como apenas poucas esposas católicas tivessem vindo com os cruzados, muitos colonos católicos desposaram mulheres sírias, o que ocasionou o surgimento de uma nova geração de mestiços, cuja nova geração passou a constituir o elemento maior da população. O árabe se tornou a língua diária de todos os homens comuns. Os príncipes católicos faziam alianças com emires muçulmanos contra os rivais católicos, e os emires muçulmanos às vezes pediam a ajuda dos politeístas na diplomacia, ou mesmo na guerra. E assim a amizade pessoal se desenvolveu entre os “cristãos” e os muçulmanos, comprovando então a índole humana sob a influência menos agressiva dos espíritos obsessores quedados no astral inferior.

Nos quarenta anos de paz que se seguiram à Segunda Cruzada, o reino latino de Jerusalém continuou dividido pelas lutas intestinas, enquanto os seus inimigos muçulmanos se moviam na direção da unidade. Por volta de 1164, Nur-ud-din ampliou o seu poder de Alepo a Damasco, quando morreu, Saladino submeteu o Egito e a Síria muçulmanos ao seu governo, por volta de 1175. Os mercadores genoveses, venezianos e pisanos puseram em desordem os portos orientais em função das suas rivalidades mortais. Os cavaleiros disputavam o poder real em Jerusalém, e quando Gui de Lusignau subiu ao trono, em 1186, passando a agir ao seu modo, alastrou-se o descontentamento entre a aristocracia, insuflada pelo astral inferior, tanto que o seu irmão Godofredo assim se pronunciou: “Se esse Gui é um rei, eu sou digno de um deus”.

Reginaldo de Châtillon se fez soberano no grande castelo de Karak, além do Jordão, perto da fronteira árabe, e várias vezes violou a trégua que havia sido assinada entre o rei latino e Saladino, anunciando a sua intenção de invadir a Arábia, destruir o túmulo do “maldito condutor de camelos” em Medina e quebrar a Caaba de Meca em pedaços. A sua pequena força de cavaleiros, com conotação de aventureiros, navegou pelo mar Vermelho, desembarcou em el-Haura, e marchou para Medina, tendo sido surpreendida por um destacamento egípcio, com todos os seus componentes tendo sido mortos, exceto alguns poucos que escaparam com Reginaldo de Châtillon, mas alguns prisioneiros foram levados para Meca, tendo lá morridos em lugar de bodes no sacrifício anual de peregrinação, em 1183.

Até então, Saladino havia se contentado com pequenas incursões contra a Palestina. No entanto, ficando bastante ofendido com esses fatos, pondo a piedade de lado, reorganizou o seu exército com o qual havia conquistado Damasco e encontrou as forças do reino latino em uma batalha na histórica planície de Esdraelon, em 1183. Poucos meses depois atacou Reginaldo de Châtillon em Karak, mas não conseguiu entrar na cidadela. Em 1185, assinou uma trégua de quatro anos com o reino latino.

Mas em 1186, estando entediado com a paz, Reginaldo de Châtillon armou uma emboscada contra uma caravana muçulmana, tomando uma rica presa de guerra e vários prisioneiros, inclusive uma irmã de Saladino, pelo que afirmou: “Já que eles acreditam em Maomé, que este venha salvá-los”. Isto era um claro reflexo da luta ferrenha que se travava no astral inferior. Maomé não foi, mas os espíritos quedados no astral inferior que influenciavam os muçulmanos conseguiram deixar Saladino enfurecido, que a partir daí conclamou uma guerra santa contra os “cristãos”, jurando matar Reginaldo Châtillon com as suas próprias mãos.

Em 4 de julho de 1187, travou-se a batalha crucial dos cruzados em Hittin, perto de Tiberíades. Sendo conhecedor do terreno, Saladino tomou posição controlando todos os poços de água, enquanto os falsos cristãos, vestidos com pesadas armaduras, tendo marchado através da planície no calor de pleno verão, entraram na luta ofegantes de sede. Aproveitando-se do vento, os muçulmanos puseram fogo nas moitas, cuja fumaça atrapalhou ainda mais aos cruzados. Ficando assim confusos, os soldados da infantaria ficaram separados dos soldados da cavalaria, sendo decapitados. Os cavaleiros, então, lutando em total desespero contra armas, fumaça e sede, caíram exaustos no chão, sendo capturados ou mortos. Saladino ordenou que o rei Gui de Lusignau e o duque Reginaldo Châtillon fossem levados à sua presença. Ao rei deu de beber, como um sinal de perdão. A Reginaldo de Châtillon, ordenou que escolhesse entre a morte e o reconhecimento de Maomé como um profeta do seu deus, tendo o duque recusado o reconhecimento. Conforme havia prometido, Saladino o matou com as suas próprias mãos.

Como parte da presa de guerra tomada pelos vencedores, figurava o pavilhão da Cruz Verdadeira, que havia sido conduzida como um estandarte por um padre, tendo Saladino a enviado para o califa, em Bagdá. Tendo constatado que nenhum exército havia restado para desafiá-lo, Saladino prosseguiu na luta, tomando Acre, onde libertou 4.000 prisioneiros muçulmanos, pagando as suas tropas com a riqueza desse porto que era muito ativo. E assim, dentro de poucos meses, quase toda a Palestina estava sob o seu poder, quando então resolveu marchar para Jerusalém.

Quando ele se aproximou de Jerusalém, os líderes dos cidadãos, tais como delegados, saíram da cidade para pedir a paz, pelo que Saladino assim se pronunciou: “Acredito que Jerusalém é a casa do Senhor, assim como o acreditais, e eu, por minha vontade não a sitiarei nem a assaltarei”. Assim, concedeu permissão para a cidade se fortificar e cultivar a terra, sem ser molestada, em uma extensão de 25 quilômetros ao seu redor, prometendo fornecer todo dinheiro e alimento que faltasse até o Pentecostes. Mas se nessa data, os habitantes da cidade vissem alguma esperança de serem salvos, podiam mantê-la e resistir honradamente a Saladino, se tal não se verificasse, deviam cedê-la pacificamente, para que assim fossem poupadas as vidas e as propriedades dos “cristãos”. Os delegados recusaram a oferta, declarando que nunca entregariam a cidade onde o Salvador havia morrido pela nossa humanidade.

O sítio durou apenas 12 dias. Quando a cidade capitulou, Saladino exigiu um resgate de dez peças de ouro por homem, cinco por mulher e uma por criança. Os 7.000 mais pobres seriam libertados com a entrega de 30.000 basantes de ouro. Essas condições foram aceitas. O irmão de Saladino, al-Adil, pediu uma contribuição de mil escravos dos pobres ainda não resgatados, ela foi concedida e ele os pôs em liberdade. O primaz dito cristão pediu e obteve igual favor, agindo da mesma maneira. Saladino então declarou: “Meu irmão praticou caridade e o patriarca e Balian também, agora farei a minha”; em seguida libertou todos os velhos que não podiam pagar. Ao que tudo indica, cerca de 15.000 dos 60.000 “cristãos” capturados ficaram sem resgate e se tornaram escravos. Entre os resgatados figuravam as esposas e as filhas dos nobres que tinham sido mortos ou capturados em Hittin. Demonstrando ser detentor de uma alma generosa e que tinha compaixão pelos seus semelhantes, ao se comover pelas lágrimas dessas mulheres, Saladino pôs em liberdade os maridos e pais, incluindo entre estes o rei Guy de Lusignau, e todos que pudessem ser encontrados no cativeiro muçulmano. Ernoul, o escudeiro de Balian, relata este fato da seguinte maneira:

Às damas e donzelas, cujos senhores estavam mortos, ele distribuiu tanto do seu próprio tesouro, que elas deram graças a Deus e divulgaram no estrangeiro a bondade e a honra que Saladino lhes havia concedido”.

Tão admirados com a atitude honrosa de Saladino ficaram os vencidos cruzados, que o rei e os nobres libertados juraram nunca mais tomar armas contra o soberano muçulmano. Mas estando já salvos na Trípole e na Antioquia ditas cristãs, ele foram libertados da enormidade das suas promessas, por sentença dos sacerdotes católicos, e então traçaram planos de vingança contra Saladino. Quanta ingratidão! Quanto desejo pérfido de vingança! Onde se encontra o atributo de gratidão desses que são considerados como se fossem cristãos?

Enquanto isso, Saladino permitia aos judeus que residissem novamente em Jerusalém e concedeu aos falsos cristãos o direito de entrar na cidade, mas desarmados, assistindo às suas peregrinações e lhes fornecendo segurança. O Domo da Rocha, que havia sido convertido em uma igreja, foi purificado da mancha negra “cristã”, através do espargir de água de rosa, e a cruz dourada que se sobrepunha à cúpula foi retirada entre aclamações muçulmanas e lamentos dos falsos cristãos.

Saladino marchou com as suas tropas já cansadas para sitiar a cidade de Tiro, mas considerou a cidade inexpugnável, resolvendo dispensar a maior parte dos seus guerreiros, retirando-se doente e esgotado para Damasco, em 1188, contando já com 50 anos de idade. Ignorando que no ano seguinte começaria uma nova Cruzada.

 

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