19.01- A Primeira Cruzada

Prolegômenos
16 de julho de 2018 Pamam

A Primeira Cruzada abrangeu o período de 1095 a 1099. As influências maléficas por parte do astral inferior levaram multidões a participar da Cruzada. Era tamanha a ignorância nesse tempo, como ainda hoje ela assim continua, embora em menores proporções, que um indulto geral perdoando a todos os castigos devidos a pecados foi oferecido àqueles que viessem a tombar na guerra. Servos e vassalos tiveram a permissão de abandonar a terra à qual se encontravam presos, cidadãos ficaram isentos de impostos, devedores gozaram de moratória quanto aos juros, prisioneiros eram postos em liberdade e sentenças de morte eram comutadas; tudo isso através de uma ousada extensão da autoridade papal, que em função da guerra contra os muçulmanos havia se tornado o soberano da Europa.

Essas influências maléficas alcançaram até os vagabundos, pois que milhares deles aderiram à jornada dita sagrada; estendendo-se aos homens cansados da pobreza e sem esperanças de vida; aventureiros dispostos a um feito corajoso, esperançosos por conquistar feudos para eles próprios no Oriente; mercadores que procuravam novos mercados para as suas mercadorias; cavaleiros, cujos servos alistados na Cruzada, haviam-nos deixado sem trabalho; espíritos que antes eram tímidos, agora fugiam ao escárnio da covardia em direção à guerra. Todos esses se juntaram com a intenção de libertar a terra do nascimento de Jesus, o Cristo, que se encontrava nas mãos dos muçulmanos.

Assim como em todas as guerras, a propaganda habitual de tal natureza, desencadeada pelo astral inferior, passou a ressaltar a impotência dos ditos cristãos na Palestina, as atrocidades dos muçulmanos, as blasfêmias da crença maometana, com os muçulmanos sendo descritos como adoradores de uma estátua de Maomé, e até uma anedota, considerada como sendo piedosa pelos historiadores, contava como o profeta do islã havia sido vítima de um ataque epiléptico, sendo devorado pelos porcos. Além da propaganda, faziam-se narrativas fabulosas da riqueza oriental e das belezas das mulheres morenas que esperavam ser arrebatadas pelos homens corajosos. Esse era o trevoso ambiente fluídico inicial da Primeira Cruzada. E esse ambiente fluídico pesado cada vez mais se agravava, pois as mulheres e as crianças insistiam em acompanhar os seus maridos ou pais, temerosos em perdê-los, pois logo prostitutas se alistavam para servir aos cruzados, tornando o ambiente fluídico ainda mais trevoso.

Urbano II havia indicado o mês de agosto de 1096 como sendo a data da partida, mas os camponeses impacientes, que constituíam os primeiros recrutas, não podiam esperar. Uma dessas hostes de 12.000 homens, aproximadamente, partiu da França em março sob a direção de Pedro, o Eremita, e de Walter, o Sem Vintém. Outra, de 5.000 homens, aproximadamente, saiu da Alemanha sob a direção do padre Gottschalk. Uma terceira avançou do Reno sob o comando do conde Emico de Leiningen. Foram principalmente esses bandos desorganizados que atacaram os judeus da Alemanha e da Boêmia, rejeitaram os apelos do clero e cidadãos locais e degeneraram, durante algum tempo, em fraseologia bruta, em sua orgia sangrenta na piedade. Os recrutados haviam levado poucos fundos e alimentos, tendo os seus chefes procedido com uma escassa provisão de gêneros. Todos eles formavam multidões empolgadas, que se encontravam sob os domínios do astral inferior, tirando-lhes a capacidade de raciocínio quase que por completo, por isso eles subestimaram a distância, e quando avançaram ao longo do Reno e do Danúbio, as crianças passaram a indagar a cada passo se já não estavam em Jerusalém. Quanta ignomínia!

Quando se esgotaram os seus fundos e começaram a sentir fome, foram forçados a pilhar os campos e os lares que se encontravam em suas rotas. E estando insuflados pelo astral inferior, que não poupa aos seres humanos que sejam fracos, logo acrescentaram a violência ao roubo, em face da ambição e da cobiça. Estando prevenidas dessas violências e desses roubos, as populações resistiram com energia aos seus ataques, e assim, enquanto algumas cidades lhes fechavam as portas, outras lhes desejavam um bom êxito na guerra tida como sendo santa.

Estando finalmente diante de Constantinopla, praticamente sem fundos, e estando quase dizimados pela fome, pela praga, pela lepra, pela febre e pelos combates travados pelos caminhos, os cruzados foram bem recebidos por Aleixo I, mas não foram satisfatoriamente alimentados, por isso irromperam nos subúrbios e saquearam igrejas, casas e palácios, tais como se fossem uma praga de gafanhotos predadores. Aleixo I, então, forneceu-lhes navios para cruzar o Bósforo, mandou-lhes abastecimentos e os aconselhou a esperarem até a chegada de destacamentos mais bem armados.

Mas estando insuflados pelo astral inferior e inquietos pela demora, tais como autênticos temerários, que anseiam antecipadamente pelo perigo, mas que na hora em que ele se apresenta não agem com a bravura ardente requerida, os cruzados ignoraram essas instruções de Aleixo I e avançaram sobre Niceia. Estando precavidos contra essa horda de invasores, uma força disciplinada de turcos, todos hábeis arqueiros, saiu da cidade e quase aniquilou a primeira divisão dessa Primeira Cruzada. Walter, o Sem Vintém, figurou entre os mortos. Pedro, o Eremita, desgostoso com a sua hoste, que se apresentava incontrolável, regressou para Constantinopla antes da batalha e viveu até 1115.

Nesse ínterim, os chefes feudais que haviam tomado a cruz, tinham reunido cada qual a sua própria força no seu próprio território, mas nenhum rei se encontrava entre eles, uma vez que Filipe I, da França, Guilherme II, da Inglaterra, e Henrique IV, da Alemanha, achavam-se todos sob a sentença de excomunhão quando o papa Urbano II pregou a Cruzada. No entanto, muitos condes e duques se alistaram, sendo eles quase todos franceses ou francos, o que implica em dizer que a Primeira Cruzada representou em grande parte um empreendimento praticamente francês, em que por isso, até recentemente, o Oriente Próximo falava dos europeus ocidentais como sendo praticamente constituído de francos.

O duque Godofredo, senhor de Bouillon, um pequeno feudo na Bélgica, que era uma espécie de militar misturado com as características de monge, era um dos fanáticos pela Cruzada. O conde Boemundo de Taranto, que era filho de Roberto Guiscard, tendo herdado as qualidades do pai, sonhava em conquistar um reino para si próprio, caso as suas tropas normandas aproveitassem as antigas possessões bizantinas do Oriente Próximo. Em sua companhia se encontrava o seu sobrinho Tancredo de Hauteville, que era considerado um amante da glória e da riqueza, sendo admirado como um cavaleiro dito cristão. Raimundo, conde de Tolosa, que havia lutado contra o islã na Espanha, dedicava-se agora à guerra maior.

Por diversas rotas, essas hostes seguiram para Constantinopla, o conde Boemundo propôs ao duque Godofredo a ocupação da cidade, mas este recusou, declarando que a sua intenção era combater aos infiéis, mas a proposta ficou calada em sua mente. Em Constantinopla, os cruzados passaram a observar os cultos cavaleiros do Oriente como se estes fossem heréticos perdidos na luxúria e efeminados, ao mesmo tempo que ficaram admirados e cheios de cobiça e inveja com as riquezas depositadas nas igrejas, palácios e mercados da capital bizantina, julgando que todas essas riquezas deviam pertencer a eles.

Tendo sido informado dessas más intenções por parte dos cruzados, Aleixo I, já havendo tido experiências com as hordas anteriores de camponeses, por cuja derrota para os muçulmanos o Ocidente o havia considerado culpado, ficou cauteloso em relação de como proceder. É certo que ele havia pedido assistência contra os turcos, mas não em ser espoliado. Então ele ofereceu aos cruzados provisões, subsídios, transporte, ajuda militar, e, aos chefes, ricos subornos. Em contrapartida, solicitou que os nobres lhe jurassem fidelidade como soberano feudal, quaisquer terras por eles tomadas teriam que ser colocadas sob a sua suserania. Os nobres, que haviam se tornado complacentes com a prata, esqueceram por enquanto as suas cobiças e as suas ganâncias, e assim juraram.

Nos idos de 1097, os exércitos formados por cerca de 30.000 homens, tendo os seus comandos divididos, cruzaram o estreito. Para a felicidade dos cruzados, os muçulmanos se encontravam ainda mais divididos dos que os ditos cristãos, em função das lutas astrais travadas entre as falanges inimigas. Isto se explica em função do poderio muçulmano na Espanha haver se consumido, e na África do Norte haver se esfacelado por causa de facções credulárias, o que comprova as lutas travadas no astral inferior. No Oriente, os califas fatimidas do Egito mantinham a Síria Meridional, enquanto os seus inimigos, os turcos seljúcidas, possuíam a Síria Setentrional e a maior parte da Ásia Menor. A Armênia se rebelou contra os seus conquistadores e se aliou aos cruzados. Estando assim ajudados, os cruzados avançaram para conquistar Niceia.

Em 19 de junho de 1097, sob a promessa feita por Aleixo I de que as suas vidas seriam poupadas, a guarnição turca resolveu se render aos cruzados, tendo o imperador grego erguido a sua bandeira imperial sobre a cidade, mas tendo que protegê-la da pilhagem indiscriminada e que pacificar os chefes feudais com presentes substanciais, no que foi acusado de estar aliado com os turcos.

Após uma semana de repouso, os cruzados partiram em direção a Antioquia, quando então encontraram um exército turco comandado por Qilij Arslan, perto de Dorylaeum. Em 1° de junho de 1097, após uma batalha sangrenta, saíram vencedores. Em seguida, marcharam através da Ásia Menor, sem que encontrassem outros inimigos pela frente, senão a falta de água, alimentos e um calor elevado para o qual não se encontravam preparados. Nessa difícil marcha de quase mil quilômetros através da Ásia Menor, homens, mulheres, cavalos e cães morreram de sede. Nessa ocasião, estando tomados pela ambição da riqueza, ao cruzarem o Taurus, alguns nobres separaram as suas forças do exército principal para realizar conquistas pessoais. O conde Raimundo, o conde Boemundo e o duque Godofredo, na Armênia, Tancredo, sobrinho do conde Boemundo, e Balduíno, irmão do duque Godofredo, em Edessa, onde Balduíno fundou o primeiro principado latino no Oriente, em 1098, por meio de estratégia e traição. Enquanto isso, os cruzados se queixavam impacientes contra essas demoras, mas os nobres voltaram e foi reiniciado o avanço em direção a Antioquia.

A Antioquia era descrita pelos cronistas como sendo uma “cidade extremamente bela, distinta e deliciosa”, que assim mesmo resistiu ao cerco dos cruzados durante oito meses. Nesse cerco, muitos cruzados morreram em consequência das chuvas frias do inverno ou de fome, com alguns matando a própria fome se alimentando das doces canas denominadas de zucras, cuja palavra é proveniente do árabe sukkar, quando pela primeira vez os “francos” provaram o açúcar e aprenderam como ele era extraído de plantas cultivadas. As prostitutas forneciam momentos prazerosos para a carne, mas momentos perigosos, tanto que um arquidiácono foi morto pelos turcos quando se deitava com a sua concubina síria em um pomar.

Em maio de 1098, chegou a notícia de que um grande exército, sob o comando de Karbogha, príncipe de Mossul, aproximava-se. Antioquia caiu em 3 de junho, poucos dias antes da chegada desse exército. Com medo de que Karbogha não pudesse ser vencido, muitos cruzados abordaram navios no rio Orontes, depois denominado de Nahr el Asi, e fugiram. Aleixo I, que avançava com uma força grega, vendo a deserção, acreditou que os falsos cristãos já haviam sido derrotados, então voltou para proteger a Ásia Menor, por isso nunca foi perdoado. Para restaurar a coragem aos cruzados, Pedro Bartolomeu, um padre de Marselha, tão mentiroso como mentirosa sempre foi a classe sacerdotal, afirmou haver encontrado a lança que havia perfurado um dos lados de Jesus, o Cristo. Acreditando nessa mentiralha estúpida, quando os cruzados avançaram para a batalha, a suposta lança era conduzida ao alto como se fosse um pavilhão sagrado. Além disso, três cavaleiros vestidos de branco, saíram das colinas ao chamado de Ademar, o legado papal, que os proclamou como sendo os mártires São Maurício, São Teodoro e São Jorge. Quanta obsessão! E assim inspirados pelo astral inferior e sob o comando único do conde Boemundo, os cruzados alcançaram uma vitória decisiva. Pedro Bartolomeu, ao ser acusado de fraude, ofereceu-se para se submeter ao ordálio de fogo como prova da veracidade do que dizia, tendo corrido através de um feixe de chamas e saído aparentemente a salvo, mas morreu das queimaduras, tendo a lança sido retirada dos estandartes dos cruzados.

O conde Boemundo se tornou o príncipe de Antioquia, embora mantivesse oficialmente a região como se fôra um feudo de Aleixo I, quando, na realidade, governava como um soberano independente, pois os chefes alegavam que o fato de Aleixo I não ter vindo em sua ajuda os libertava dos seus votos de fidelidade ao imperador. E assim passaram seis meses na renovação e na reorganização das suas forças enfraquecidas, quando finalmente resolveram conduzir os seus exércitos para Jerusalém.

Em 7 de junho de 1099, depois de uma campanha de três anos, com os cruzados reduzidos a 12.000 combatentes, estavam por fim diante dos muros de Jerusalém, apesar de fatigados, mas exaltados. Como se fôra por um capricho da história, os turcos, aos quais eles tinham vindo combater, haviam sido expulsos da cidade um ano antes pelos fatimitas. O califa ofereceu a paz em termos de segurança garantida para os peregrinos e adoradores ditos cristãos em Jerusalém, mas o conde Boemundo e o duque Godofredo exigiram a rendição incondicional. A guarnição fatimita composta de apenas 1.000 homens resistiu durante 40 dias. Em 15 de julho, o duque Godofredo e Tancredo conduziram os seus adeptos sobre as muralhas e os cruzados conheceram o êxtase do alto propósito que alimentaram por vários anos. Raimundo de Agiles, uma testemunha ocular eclesiástica, relata o resultado terrível dessa guerra travada entre Jeová, o deus bíblico, e Lúcifer, ou Alá, o deus alcorânico, refletida entre os credos católico e muçulmano, assim, por obra e graça do astral inferior, da seguinte maneira:

Coisas admiráveis se verificaram. Numerosos sarracenos foram decapitados… outros atravessados com flechas ou forçados a saltarem das torres; outros, ainda, torturados durante vários dias e depois queimados nas chamas. Nas ruas se viam pilhas de cabeças e mãos e pés. Andava-se em toda parte por entre cadáveres de homens e cavalos”.

E como que a corroborar com o relato da testemunha ocular eclesiástica, outras testemunhas acrescentaram ainda mais pormenores, relatando as cenas de mulheres mortas a punhaladas, criancinhas de colo arrancadas pelas pernas do seio das mães sendo atiradas sobre as muralhas, ou tendo os pescoços quebrados, ou sendo lançadas contra os postes. Em resumo: 70.000 muçulmanos que permaneceram na cidade foram literalmente dizimados. Os judeus sobrevivente, que se encontravam reunidos em uma sinagoga, foram queimados vivos. Eis aí o reflexo do falso cristianismo!

Os cruzados vitoriosos se juntaram na igreja do Santo Sepulcro, em cuja grota eles acreditavam haver guardado uma vez o Cristo crucificado, e lá passaram a comemorar o próprio massacre, abraçando-se uns aos outros, tão emocionados que passaram a chorar, não pelas vítimas trucidadas, mas de júbilo, agradecendo ao deus bíblico pela vitória, para a satisfação plena dos espíritos obsessores quedados no astral inferior que pertenciam às suas falanges. Eis aí, à vista de todos, uma das facetas da natureza dos credos e das suas seitas! No capítulo específico, que se refere às nebulosas escuras na Terra, contido no site pamam.com.br,  mostrarei através de imagens reais as suas facetas horrendas, assim como também a do papa atual sentado em seu trono papal, tal como se fôra um primata irracional, repleto de atributos individuais inferiores e de atributos relacionais negativos.

O duque Godofredo foi o escolhido para governar Jerusalém e as suas cercanias, sob o título de Defensor do Santo Sepulcro. Nessa cidade, onde o domínio bizantino havia cessado há quase cinco séculos atrás, não se fez qualquer tentativa de subordinar o seu território a Aleixo I, ou seja, ao império bizantino, com o reino latino de Jerusalém se tornando um Estado soberano. A igreja grega se esfacelou, tendo o seu patriarca fugido para o Chipre e as suas paróquias aceitado a liturgia latina por imposição do novo reino, com um primaz italiano sob o governo papal.

Duas semanas depois da tomada de Jerusalém pelos cruzados, denominada de A Grande Libertação, um exército egípcio marchou até Ascalon para libertar novamente a cidade, considerada sagrada para muitos credos e seitas. O duque Godofredo, agora elevado a Defensor do Santo Sepulcro, conseguiu derrotá-lo, mas um ano depois, em 1100, desencarnou. O seu irmão Balduíno I, assumiu o seu lugar, mas com um título mais elevado: o de rei.

O novo Estado compreendia a maior parte da Palestina e da Síria, mas os muçulmanos ainda conservavam Alepo, Damasco e Emesa sob os seus domínios. O reino ficou dividido em quatro principados feudais, com sedes em Jerusalém, Antioquia, Edessa e Trípoli. Cada um dos feudos ficou praticamente independente, cujos senhores feudais faziam a guerra e cunhavam moedas. O rei era eleito pelos barões feudais, mas estreitamente vigiado por uma hierarquia eclesiástica sujeita somente ao papa. Assim, os barões feudais assumiram toda a posse da terra, reduziram os antigos proprietários, quer fossem considerados como sendo cristãos, quer fossem considerados como sendo muçulmanos, à condição de servos feudais, e lhes impuseram obrigações feudais ainda mais severas do que quaisquer outros feudos na Europa. A população dita cristã que era nativa, olhando para trás, para o domínio muçulmano, considerava-o como sendo uma época de ouro.

A maioria dos cruzados regressou para a Europa, enquanto muitos peregrinos foram para a região, mas sem a intenção de lutar. Ao norte, os gregos vigiavam os acontecimentos, à espera de uma oportunidade para reconquistar Antioquia, Edessa e outras cidades que reclamavam como sendo bizantinas. No Oriente, os sarracenos estavam sendo levantados e unificados por apelos muçulmanos e incursões católicas. Os refugiados muçulmanos de Jerusalém contavam com amargos dissabores a tomada da sua cidade pelos católicos, quando resolveram assaltar a Grande Mesquita de Bagdá e exigiram que armas muçulmanas libertassem Jerusalém e o sagrado Domo da Rocha, das mãos impuras dos infiéis. Eram assim os muçulmanos considerados infiéis pelo papa e pelos católicos, com a recíproca sendo verdadeira. O califa não tinha forças para atender ao apelo, mas Zangi, o jovem príncipe de Mossul, de mãe escrava, resolveu atender ao apelo.

Deve-se aqui salientar que o Domo da Rocha, ou a Cúpula da Rocha, é um edifício situado no monte do Templo, na cidade velha de Jerusalém, que foi construído no século VII, e que representa um dos sítios mais sagrados do Islã e uma das grandes obras da arquitetura islâmica, em que a sua vistosa cúpula dourada é um dos pontos mais emblemáticos da cidade. Esse santuário é parte integrante do centro histórico de Jerusalém, tendo sido declarado Patrimônio da Humanidade pela UNESCO, em 1981. Para os credulários, o edifício é considerado como sendo um santuário, porque se supõe que lá teria sido o altar de sacrifícios utilizado por Abraão, Jacó e outros médiuns tidos como sendo profetas, os quais introduziram o ritual nos cultos judaicos. Davi e Salomão consideraram também o local como sendo sagrado. O Domo da Rocha teria sido o lugar de partida da Al Miraaj, a viagem aos céus realizada pelo profeta Maomé, por isso até hoje permanece como sendo um tempo da fé credulária islâmica. Ele recebeu este nome em virtude da grande rocha circunscrita a ele haver sido usada em sacrifícios, sendo atualmente protegida no interior da Mesquita de Omar, o que constitui uma das razões pelas quais a cidade de Jerusalém é considerada uma cidade santa por vários credos e seitas. Segundo a tradição judaica, foi nessa rocha que Abraão preparou o sacrifício do seu filho Isaac a Jeová, o deus bíblico, como se um espírito superior fosse exigir de alguém tal sacrifício, mil anos antes da vinda de Jesus, o Cristo, tendo o rei Salomão construído o primeiro templo

Em 1144, o seu pequeno mas bem organizado e dirigido exército tomou dos cruzados o seu posto avançado oriental de al-Ruah, e poucos meses depois reconquistou Edessa para os muçulmanos. Zangi foi assassinado, mas lhe sucedeu o seu filho Nur-ud-din, tão corajoso quanto o pai, porém mais habilidoso. Mas a luta no astral inferior continuava, quando então as falanges obsessoras em prol do catolicismo atuaram no sentido influenciar os seus arrebanhados para uma nova Cruzada, mas que, segundo os historiadores, foram as notícias desses eventos que estimularam a Europa a levantar a Segunda Cruzada.

 

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