18.04- O islã de 632 a 1058: a sua belicosidade

Prolegômenos
15 de julho de 2018 Pamam

Embora Maomé não tivesse nomeado a ninguém para sucedê-lo no poder da teocracia que havia instalado na Arábia, havia escolhido a Abu Bekr para conduzir as orações na mesquita de Medina. Essa prova de preferência persuadiu aos chefes muçulmanos a elegerem o escolhido do profeta como sendo o primeiro califa do Islã. A palavra califa em árabe significa representante ou sucessor, sendo o chefe de Estado em um califado, que é o título para o governante da umma muçulmana, uma comunidade islâmica governada pela sharia, o conjunto de leis da fé credulária do Alcorão e a narração da vida do profeta, em que esta é denominada de suna.

Ali, que era primo e genro de Maomé, ficou ressentido com a escolha, mas mesmo assim manteve a sua lealdade durante seis meses para com o novo chefe, tendo Abbas, tio de Ali e de Maomé, compartilhado desse ressentimento do sobrinho. Era Jeová guerreando em plano astral com Lúcifer, por isso esses ressentimentos originaram uma dúzia de guerras entre os muçulmanos, fazendo surgir uma dinastia abássida e uma divisão sectária que ainda hoje agita a todo o mundo islâmico.

Abu Bekr tinha então 59 anos de idade, era baixo, magro, forte, com poucos cabelos e uma barba branca, que ele tingia de vermelho. Serviu ao credo maometano sem qualquer recompensa, tendo inclusive em seu testamento devolvido os estipêndios que lhe haviam sido pagos, até que o povo sobrepujou a sua austeridade, quando as tribos da Arábia passaram a considerar, equivocadamente, as suas maneiras modestas como se fossem fraquezas. Sendo recentes as conversões dessas tribos ao islamismo, o lado pecuniário passou a falar mais alto, quando elas passaram a se recusar a pagar os dízimos que haviam sido estabelecidos para elas. Ao insistir no pagamento dos dízimos, as tribos marcharam em direção a Medina. O califa então improvisou um exército em apenas uma noite, conduziu-o para fora da cidade antes do amanhecer e derrotou os rebeldes, em 632. Khalid ibn al-Walid, que era o mais brilhante e o mais impiedoso dos generais árabes, foi enviado para fazer voltar a turbulenta península à ortodoxia, juntamente com os dízimos, e fazer com que todos se arrependessem da rebeldia.

Mas foram essas dissenções internas que constituíram uma das razões que levaram os árabes à conquista da Ásia ocidental, já que nenhum pensamento desse empreendimento de grande porte tinha ocorrido ainda nas mentes dos chefes muçulmanos, na época da ascensão de Abu Bekr. O fato é que em represália, Lúcifer agiu no sentido de fazer com que algumas tribos árabes da Síria rejeitassem ao falso cristianismo e a Bizâncio, mantendo afastados os exércitos imperiais, ao mesmo tempo em que pediram o auxílio dos muçulmanos, tendo Abu Bekr enviado-lhes reforços e também o estímulo da rejeição ao império bizantino na Arábia, servindo esse conflito externo para amalgamar a unidade interna arábica. Os beduínos, já cansados da fome e acostumados à guerra, alistaram-se de imediato nessas campanhas, que aparentemente eram limitadas. No decorrer de todo esse processo, todos aqueles que eram céticos quanto ao novo credo, já se encontravam dispostos até a morrer pelo Islã.

Além de outros fatores internos na Arábia, há que se considerar que tanto Bizâncio como a Pérsia já se encontravam exaustos pela guerra travada entre si, em consequentes devastações mútuas, além da insatisfação do povo com o aumento dos impostos, enquanto a administração declinava e a proteção ia desaparecendo. Somando-se a tudo isso, a Síria e a Mesopotâmia continham tribos árabes, de maneira que assim não encontraram maiores dificuldades em aceitar primeiro o governo teocrático, depois a fé credulária dos invasores árabes.

Como a guerra era travada no astral inferior, com reflexos diretos nos seres humanos, as considerações credulárias foram as mais influentes, a opressão bizantina sobre os monofisitas, os nestorianos e outras seitas haviam isolado uma minoria considerável das populações síria e egípcia, e até mesmo algumas das guarnições imperiais. Assim, o crescimento das conquistas árabes era diretamente proporcional ao crescimento do seu credo, pois os chefes muçulmanos eram discípulos apaixonados de Maomé, orando mais do que lutando, e assim, em pouco tempo, inspiraram aos seus adeptos um fanatismo que aceitava a morte em uma guerra santa como sendo uma porta aberta para o paraíso. Além do que as tropas árabes eram mais disciplinadas e obedientes, sendo conduzidas mais facilmente pelos habilidosos generais, estando mais habituadas às agruras dos combates e sendo mais recompensadas com os despojos das batalhas, tanto que se prestavam a lutar com o estômago vazio e podiam satisfazer a fome com esta sendo dependente da vitória. Em algumas ocasiões eram piedosos, em outras implacáveis, tanto que Abu Bekr assim falava a eles:

Sêde justos, mas sêdes valentes; morrei antes de render-vos; sêde piedosos; não mateis nem velhos, nem mulheres e nem crianças. Não destruais árvores frutíferas, cereais ou gado. Mantende a vossa palavra, mesmo aos vossos inimigos. Não molesteis as pessoas credulárias que vivem retiradas do mundo, mas compeli o resto do mundo a se tornar muçulmano ou a nos pagar tributo. Se eles recusarem estes termos, matai-os.”

Como se pode constatar, a escolha dada ao inimigo não era o Islã ou a espada, era o Islã ou o tributo ou a espada. Com esse pensamento belicoso, à medida que os vitoriosos exércitos árabes cresciam com o recrutamento de credulários famintos ou ambiciosos dos despojos, surgia a necessidade de lhes proporcionar novas terras a conquistar, para que elas pudessem provê-los de alimentos e do soldo. Assim, criou-se um ciclo belicoso, pois cada vitória exigia uma outra, até que as conquistas árabes resultaram no mais espantoso feito da história militar, não podendo esquecer que as guerras entre os seres humanos são os reflexos diretos das guerras astrais.

Khalid, conhecido como a Espada de Alá, foi um companheiro de Maomé, um hábil general muçulmano, muito conhecido pelas suas táticas militares e as suas proezas, que comandou as forças do profeta e as forças dos seus sucessores imediatos do califado Rashidum, de Abu Bekr e Umar ibn Khattab.

Em 633, tendo já pacificado a Arábia, Khalid foi convidado por uma tribo nômade da fronteira a se juntar a ela em uma incursão em uma comunidade vizinha, através dos limites do Iraque, tendo o general aceitado o convite e partido com 500 dos seus homens, em lá chegando reuniu 2.500 homens dessa tribo e invadiram o solo persa, tomando Hira, tendo enviado a Abu Bekr tantos despojos do inimigo, que o califa exclamou: “Certamente as entranhas estão exaustas. Mulher nenhuma terá outro Khalid.” A mulher havia se tornado então um item substancial no pensamento e despojos dos vencedores, tanto que quando Hira se rendeu, Khalid determinou que uma certa dama chamada de Kermat deveria ser dada a um soldado árabe, que alegava uma promessa feita por Maomé em seu favor anos antes, mas a dama encarou a situação sem tanta preocupação, dizendo: “O tolo me viu quando eu era jovem, esquecendo-se de que a juventude não dura sempre;” o soldado quando viu a dama concordou com o seu dizer e a libertou em troca de um pouco de ouro. E no cerco de Emesa, um jovem chefe árabe provocou o ardor do desejo das suas tropas descrevendo a beleza das mulheres sírias.

Na ocasião da sua vitória sobre Hira, o califa lhe mandou uma mensagem ordenando que fosse em socorro de uma força árabe ameaçada por um exército grego imensamente superior em número, perto de Damasco. Entre Hira e Damasco havia um deserto sem água que requeria cinco dias de marcha para transpô-lo. Khalid reuniu camelos e fê-los beber bastante água. No caminho acelerado para Damasco, os soldados obtinham água das corcovas dos animais mortos e alimentavam os seus cavalos com leite de camela. Quando alcançaram o principal exército árabe no rio Yarmuk, cerca de 100 quilômetros ao sudoeste de Damasco, as suas tropas estavam exaustas. Ali, em 634, as forças árabes derrotaram as forças gregas mais numerosas em uma batalha decisiva, pois o imperador Heráclio havia arriscado toda a Síria nessa batalha, com a Síria passando a ser daí em diante a base crescente do império muçulmano.

Em 634, enquanto Khalid marchava com os seus homens para a vitória, um despacho lhe levou a notícia da morte de Abu Bekr e de que o novo califa Omar ordenava que ele entregasse o comando das tropas a Abu Obeida, mas o general ocultou a mensagem até que a batalha fosse ganha. Omar havia sido o principal conselheiro de Abu Bekr e havia conquistado uma tão grande reputação, que ninguém protestou quando o califa já moribundo o nomeou para ser o seu sucessor, que ao contrário do seu amigo era alto, tendo em comum apenas a simplicidade frugal, a cabeça calva e a barba tingida, levando sempre consigo um chicote para bater em qualquer muçulmano que fosse apanhado em flagrante violando o código alcorânico.

Omar havia apeado Khalid do comando das tropas porque a “Espada de Alá” havia manchado repetidas vezes a sua imensa coragem com crueldades, fazendo com que o imbatível general aceitasse o seu rebaixamento com mais sutileza do que bravura, pois ele se colocou inteiramente à disposição de Abu Obeida, que foi sensato o suficiente para seguir a todos os seus conselhos nas estratégias e se opor à ferocidade nas vitórias.

Os árabes eram habilíssimos cavaleiros, mostrando-se superiores tanto à cavalaria como a infantaria dos gregos e dos persas. As suas forças terrestres não possuíam rivais no começo da Idade Média. Os seus gritos selvagens de guerra, as suas manobras estratégicas, as suas velocidades, tudo isso causava temor aos adversários. E eles tinham também sempre o cuidado de escolher os campos de batalha que fossem planos, que eram favoráveis aos movimentos táticos das suas cavalarias.

Em 635, Damasco foi tomada. Em 636, a Antioquia. Em 638, Jerusalém. Em 640, toda a Síria se encontrava nas mãos dos árabes. Em 641, a Pérsia e o Egito foram conquistados. O patriarca Sofrônio concordou em entregar totalmente Jerusalém se o califa viesse em pessoa para ratificar os termos da capitulação. Omar assentiu e partiu de Medina em sua simplicidade um tanto excessiva, levando consigo um saco de cevada, uma sacola de tâmaras, uma cabaça de água e um prato de madeira. Abu Obeida, Khalid e outros chefes do exército foram ao seu encontro, com Omar ficando aborrecido com o luxo dos seus trajes e com os adornos das suas montarias, pelo que lhes atirou um punhado de areia, enquanto gritava: “Fora! É assim enfeitados que vindes me receber?”.

Mas tratou Sofrônio com cortesia, impondo um tributo leve ao vencido e confirmando os falsos cristãos na posse pacífica dos seus templos. Os historiadores ditos cristãos relatam que o califa acompanhou o patriarca de volta até Jerusalém. Durante a sua estada de dez dias, escolheu a sede da mesquita que seria conhecida pelo seu nome. Mas sendo informado de que o povo de Medina estava temeroso, receando que ele fizesse de Jerusalém a cidade do Islã, decidiu regressar para a sua modesta capital.

Estando completamente dominadas a Pérsia e a Síria, uma onda de migração se formou da Arábia para o norte e para o leste, com as mulheres se juntando a essa onda migratória, embora em número insuficiente para as aspirações árabes, o que fez com que os conquistadores enchessem os seus haréns de concubinas ditas cristãs e judias, com eles reconhecendo a legitimidade dos filhos de tais uniões. Em 644, o resultado dessas uniões foi o aumento do número de árabes na Pérsia e na Síria, que chegou a algumas centenas de milhares.

Omar proibiu aos conquistadores árabes de comprar ou cultivar a terra, esperando que assim fora da Arábia eles permanecessem uma casta militar, largamente apoiada pelo Estado, mas conservando intactas as suas qualidades bélicas. Mas as suas proibições foram tornadas flexíveis, em face da sua generosidade, sendo totalmente ignoradas após a sua morte.

Os despojos de guerra eram distribuídos na proporção de 80% para o exército e 20% para a nação, e assim a riqueza e as cidades árabes cresceram rapidamente. Os nobres coraixitas construíram ricos palácios em Meca e em Medina. Zobeir tinha palácios em várias cidades, além de mil cavalos e dez mil escravos. Abd-er-Rahman tinha mil camelos, dez mil carneiros e quatrocentos mil dinars. Mas Omar, que era excessivamente simples, via com tristeza a decadência do seu povo mergulhado na luxúria.

Em 644, um escravo persa feriu mortalmente a Omar enquanto ele dirigia as orações na mesquita. Em seu leito de morte, não conseguindo convencer a Abd-er-Rahman para lhe suceder no califado, designou seis dos seus adeptos para escolherem o seu sucessor, os quais nomearam o mais fraco do grupo, ao que tudo indica para que pudessem governá-lo. O nomeado foi Otmã ibn Affan, que era um velho bem intencionado, que tratou logo de reconstruir e embelezar a mesquita de Medina e apoiar aos que agora já levavam a belicosidade muçulmana a Herat, a Kabul, a Balkh e Tiflis, assim como através da Ásia Menor ao mar Negro.

Mas o novo califa era um membro leal do aristocrático clã umayyad, que nos tempos iniciais se posicionava entre os mais orgulhosos adversários de Maomé. Os umayyad, ou os omíadas, deslocaram-se em grande número para Medina a fim de que pudessem gozar dos benefícios das suas relações de clã com o velho califa, não podendo ele evitar a essa importunação. Assim, em pouco tempo vários cargos lucrativos se encontravam nas mãos dos membros do clã, que não eram assim tão ortodoxos, pois que não eram afeitos nem ao puritanismo e nem à simplicidade dos fervorosos crentes muçulmanos.

Tendo relaxado nas vitórias, o Islã passou a se dividir em facções ferozes, em que esses refugiados de Meca se posicionavam contra os ajudantes de Medina, as cidades dominantes de Meca e Medina se posicionavam contra as crescentes cidades muçulmanas de Damasco, Kufa e Basra, a aristocracia coraixita se posicionava contra a democracia beduína, o clã hashimita de Maomé, dirigido por Ali, posicionava-se contra o clã omíada, chefiado por Muawija, que agora era o governador da Síria.

O leitor em tudo deve levar em consideração as ações dos espíritos obsessores e as suas guerras no astral inferior.

Em 654, um judeu convertido iniciou a pregação de uma doutrina revolucionária em Basra, afirmando que Maomé retornaria à vida, que Ali era o seu único sucessor, que Otmã era um usurpador e os seus lugares-tenente uma súcia de tiranos sem deus. Tendo sido expulso de Basra, o doutrinador rebelde se dirigiu para Kufa, onde também foi expulso. Então resolveu fugir para o Egito, onde a pregação da sua doutrina encontrou eco nos ouvidos dos seus auditórios. Como resultado das suas pregações doutrinárias, quinhentos muçulmanos egípcios foram a Medina como peregrinos e solicitaram a resignação de Otmã. Não tendo sido atendidos em seu manifesto, resolveram bloquear o califa no seu palácio, a seguir invadiram os seus aposentos e o assassinaram no momento em que ele se encontrava sentado lendo o Alcorão, em 656.

Os chefes omíadas fugiram de Medina e a facção hashimita finalmente elevou Ali ao califado, que contava agora com 55 anos de idade. Ele conseguiu compreender que o credo a que seguia fôra deslocado da política e da devoção fervorosa para a intriga. Pediram-lhe a punição dos assassinos de Otmã, e quando se decidiu pela punição, eles já haviam escapado. Então resolveu demitir os funcionários nomeados por Otmã, com a maioria deles se negando a abandonar aos seus cargos. Muawiya então exibiu em Damasco a roupa de Otmã manchada de sangue e os dedos que a mulher do califa assassinado havia perdido ao tentar defendê-lo. O clã coraixita, dominado pelos omíadas, resolveu se unir a Muawiya, com Zobeir e Talha, que eram companheiros do profeta, revoltando-se contra Ali, apresentando reivindicações ao califado, tendo conseguido o apoio de Aisha, a orgulhosa viúva de Maomé, que foi de Medina a Meca para se unir à revolta.

Porém, quando os muçulmanos de Basra aderiram aos rebeldes, Ali apelou para os veteranos de Kufa, prometendo fazer dessa cidade a sua capital, caso viessem em seu auxílio. Eles concordaram com a promessa. Os dois exércitos se encontraram em Khoraiba, no Iraque meridional, com Aisha comandando as suas tropas de cima de um camelo, pelo que a batalha passou a ser denominada de Batalha do Camelo. Zobeir e Talha foram derrotados e mortos, e Aisha foi escoltada com cortesia para a sua casa em Medina, tendo Ali cumprido a sua promessa de transferir o governo para Kufa, que ficava próxima da antiga Babilônia.

No entanto, Muawiya levantou outra força rebelde em Damasco, já que pouca ou nenhuma importância dava para as revelações de Maomé, pois considerava que o credo islâmico era um substituto econômico de uma força policial, por isso os aristocratas não permitiam que ela viesse a intervir com os seus gozos terrenos, razão pela qual a sua guerra contra Ali procurava restabelecer a oligarquia coraixita no poder e na liderança que haviam perdido para Maomé. Em 657, o exército de Ali encontrou o exército de Muawiya em Siffin, sobre o Eufrates. Ali estava prestes a sair vencedor quando o general de Muawiya, Amr ibn al-As, pendurou cópias do Alcorão nas pontas das lanças dos seus soldados, exigindo assim um arbitramento “segundo as palavras de Alá”, quer dizer, em conformidade com os ensinamentos contidos no livro dito sagrado. As tropas de Ali ficaram comovidas e solicitou ao califa a sua concordância, que resolveu atender à solicitação. Foram escolhidos os juízes, que tiveram seis meses de prazo para decidir acerca do assunto em questão, enquanto os dois exércitos regressavam para os seus lares.

Nesse ínterim, parte dos soldados de Ali se voltava agora contra ele, passando a formar um exército em separado e adotando uma seita denominada de Kharifi, ou sucessores, alegando que o califa deveria ser eleito e destituído pelo povo, com todos eles denunciando o mundanismo e a luxúria que haviam tomado conta das novas classes dominantes do Islã. Ali tentou reconquistá-los através da persuasão, mas não conseguiu lograr êxito em seu intento. A revolta desses soldados se transformou em um fanatismo tão exacerbado que explodiu em atos de desordem e violência. Ali perdeu a paciência e declarou guerra aos dissidentes, aniquilando-os.

Dentro do prazo acordado, os juízes decidiram que tanto Ali como Muawiya deveriam retirar as suas pretensões sobre o califado, tendo o representante do califa anunciado a sua resignação, mas Amr, o representante de Muawiya, ao invés de tomar atitude semelhante, proclamou-o califa. Em 661, em meio a esse desentendimento, um kharijita se aproximou de Ali, nas imediações de Kufa, e lhe varou a cabeça com uma espada envenenada. O local onde Ali tombou sem vida se tornou um lugar santo para a seita Shia, que o adorou como Wali, ou vigário de Alá, fazendo do seu túmulo um centro de peregrinação, tão sagrado como a própria Meca. São os resquícios das adorações dos antepassados que ainda se encontravam no ambiente terreno, povoando as mentes dos credulários mais entorpecidos.

Os muçulmanos do Iraque decidiram nomear Hasan, o filho de Ali, para o seu sucessor no califado, então Muawiya marchou em direção a Kufa, submetendo Hasan ao seu poder, dando-lhe uma pensão, que resignado se retirou para Meca, casou uma centena de vezes e morreu aos 45 anos, em 669, envenenado não se sabe por quem, se pelo califa ou se por uma das suas esposas tomada de ciúmes.

Muawiya recebeu a lealdade de todo o Islã, mesmo com certa relutância. Mas para a sua própria segurança e também porque Medina ficava agora demasiado longe do centro da população e do poder muçulmanos, resolveu transferir a capital para Damasco. Ao final, a aristocracia havia vencido a sua guerra contra Maomé, por intermédio do filho de Abu Sufyan.

Assim, o governo teocrático dos sucessores se tornou uma monarquia hereditária secular. O governo semita substituiu o domínio dos persas e dos gregos na Ásia ocidental, expulsou da Ásia o controle dos europeus que havia durado cerca de mil anos e deu ao Oriente Próximo, ao Egito e à África do Norte a forma que eles conservariam por vários séculos.

 

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