18.03- A consolidação do credo islâmico

Prolegômenos
15 de julho de 2018 Pamam

Os dois anos restantes da vida de Maomé, em que a sua maior parte foi passada em Medina, foram todos triunfantes, apenas com alguns senões de algumas rebeliões sem maior importância, pois todos os deuses que eram adorados na Caaba haviam sido vencidos por Lúcifer e os seus anjos negros, tendo toda a Arábia se submetido ao seu credo e à sua soberania.

Kab ibn Zuhair, o mais famoso poeta da época na Arábia, que contra ele havia escrito uma diatribe — termo de origem grega, que significa discurso ou conversação saperológica, o qual se refere aos discursos preliminares moralistas dos estoicos e dos cínicos na Grécia antiga, e que entre nós a diabrite literária se confunde com a sátira, ou mesmo com a comum invectiva —, foi pessoalmente a Medina, colocou-se à disposição de Maomé, proclamou-se convertido, recebeu o perdão pelas invectivas lançadas contra o profeta, e compôs um poema tão eloquente em sua honra, que o fundador do credo islâmico lhe fez presente do seu manto, cujo manto foi depois vendido aos muawiyah por 40.000 dirhens, que passou a ser conservado ainda pelos otomanos turcos e às vezes utilizado como estandarte nacional.

Os falsos cristão da Arábia ficaram sob a proteção de Maomé, em troca de tributos moderados, sendo proibidos de cobrar juros sobre empréstimos, passando a gozar da inteira liberdade de culto, pois que a intenção de Lúcifer era as suas conversões, não somente dos falsos cristãos, mas também do maior número de crentes que fosse possível, tanto que Maomé enviou emissários ao imperador da Grécia, ao rei da Pérsia e aos governantes de Hira e Ghassan, convidando-os a aceitarem o novo credo, mas ao que parece não obteve resposta.

Sendo intensamente influenciado por Lúcifer e os seus anjos negros, Maomé passou apenas a observar a destruição mútua em que se empenhavam a Pérsia e Bizâncio, pois que a sua prioridade era a consolidação da fé credulária islâmica primeiramente por toda a Arábia, para somente depois estender o seu poder por outras regiões.

Tendo conseguido implantar uma teocracia, os seus dias passaram a ser inteiramente ocupados com as tarefas de governo, sendo ele em pessoa quem dava os pormenores acerca da legislação, dos julgamentos e da organização credulária, civil e militar, tendo influído até na regulamentação do calendário, que tanto para os árabes como para os judeus passou a ser de doze meses lunares, com um mês intercalado, para manter a concordância com o calendário solar, decidindo que o ano muçulmano deveria consistir sempre de doze meses lunares, de 30 e 29 dias, alternadamente. Como resultado, o calendário muçulmano deixou de estar de acordo com as estações e ganhou um ano em cada 32 anos e meio, em relação ao calendário gregoriano, com o credo então assumindo a posição da ciência.

Mas Maomé era um legislador que não possuía o mínimo de conhecimento acerca da doutrina do Direito, por isso não conseguiu estabelecer um sistema jurídico que viesse a normatizar a nação islâmica, pois que baixava editos em conformidade com as conveniências dos seus obsessores. Assim, quando surgiam as controvérsias e as contradições, ele as aplainava com novas revelações advindas desses seus espíritos obsessores, que assim passavam a superar as antigas. Daí a razão pela qual mesmo as suas ordens mais prosaicas eram apresentadas a todos os fiéis como sendo as revelações de Alá, para que assim toda a sua legislação viesse a possuir a respeitosa marca proveniente da sua divindade.

Sendo consciente do seu analfabetismo, assim como também de que era influenciado por espíritos, que ele considerava como sendo anjos do bem, ignorando completamente que eram anjos maus, uma vez que não possuía a mínima noção acerca das suas mediunidades, não ousou predizer o futuro ou mesmo de realizar milagres, mas afirmava ser um mensageiro de Alá para todo o mundo.

A poligamia era um costume entre os semitas antigos, considerada quase como se fosse uma necessidade biológica, uma obrigação moral, por isso Maomé adotou a poligamia como sendo algo comum e natural. As suas dez mulheres e as suas duas concubinas passaram a ser uma fonte de admiração e gracejo, com alguns resquícios de inveja para o mundo ocidental. Aisha, que ele desposou quando ela ainda era uma criança, atribuiu ao profeta a afirmação de que as três coisas mais preciosas do mundo eram as mulheres, odores fragrantes e orações. Alguns dos seus casamentos foram atos de compaixão para com viúvas pobres de adeptos, ou mesmo de amigos, outros foram atos diplomáticos, tal como no caso de Hafsa, filha de Omar, para trazer o pai para junto de si, e da filha de Abu Sufyan, para conquistar um inimigo. Ele também podia estar tentando alimentar a esperança de ter um filho varão, pois todas as suas esposas depois de Khadija foram estéreis, cujo fato se tornou para o profeta um motivo para muitos gracejos ao seu respeito. Dos filhos que teve com Khadija, somente Fátima sobreviveu. Maria, uma escrava copta, que lhe fôra presenteada pelo Negus da Abissínia, alegrou-o com um filho no último ano da sua vida, mas Ibrahim morreu aos quinze meses.

O seu harém o aborrecia com brigas, ciumeiras e pedidos de dinheiro para as pequenas despesas, embora ele se recusasse a ceder com as suas extravagâncias, preferindo sempre prometer o paraíso. Durante um bom tempo ele cumpria regularmente com as suas obrigações maritais, dedicando uma noite para cada uma das suas mulheres, através de um rodízio, pois que o senhor da Arábia não tinha o seu próprio aposento. Mas era a tentadora Aisha a que recebia mais atenção fora da sua vez no rodízio, por ser a sua preferida, o que causou a rebelião das demais, até a questão ficar resolvida através da seguinte revelação especial:

Das tuas mulheres, podes preterir quem desejas e receber quem quiseres; e qualquer que desejares daquelas que deixaste de lado, não será pecado para ti; é melhor que elas possam ser confortadas e não se queixem e possam todas ser controladas com o que tu lhe deres.

Maomé era um verdadeiro líder, pois além das mulheres, o poder constituía a sua maior ambição, daí a razão pela qual Lúcifer o escolheu para ser o seu profeta e o fundador do seu credo, em função também das suas faculdades mediúnicas, para que então se tornasse Alá, e como tal viesse a ser adorado, como sendo o deus alcorânico.

Afora isso, Maomé era um homem simples, as casas em que morava eram modestos bangalôs feitos de tijolo cru, em geral de apenas 5 m2 e 2,70 m de altura, cobertos de folhas de palmeiras, com a porta sendo uma cortina de pelo de cabra ou camelo e a mobília sendo constituída de uma esteira e de travesseiros espalhados pelo soalho. Muitas vezes ele foi visto remendando as suas próprias roupas ou os seus sapatos, acendendo ao fogo, varrendo ao chão, tirando leite da cabra no pátio ou fazendo compras de gêneros no mercado, apesar de possuir várias mulheres. Fazia as suas refeições comendo com os dedos, e depois os lambia, com o seu alimento principal consistindo de tâmaras e pão de cevada, com o leite e o mel sendo luxos ocasionais, obedecendo à interdição do vinho por ele decretada. Era cortês com os grandes, afável com os humildes, tolerante com os auxiliares e bondoso para com todos, pois que lhe interessava os prosélitos de todos os níveis sociais, mas com os inimigos era implacável. Visitava aos doentes e acompanhava qualquer cortejo fúnebre que encontrasse pelas ruas. Não se enfeitava com as pompas do poder, recusava qualquer distinção especial de reverência, aceitava o convite de um escravo para jantar e, caso dispusesse de força e de tempo para executar um serviço qualquer, dispensava o auxílio dos escravos. No que diz respeito a todos os despojos de guerra e das demais receitas que tinha em suas mãos, gastava pouco com a sua família, menos consigo mesmo e muito em obras de caridade.

A sua mediunidade de vidência e de audição que lhe permitia ver e ouvir os espíritos obsessores, que para ele eram anjos mensageiros enviados do deus Alá, o que não deixa de ser, só que anjos negros, pois que espíritos obsessores, insuflou a sua vaidade de profeta, por isso ele dedicava uma boa parte do seu tempo à sua aparência pessoal, perfumando o corpo, pintando os olhos e tingindo os cabelos. Usava um anel com o sinete: “Maomé, o Mensageiro de Alá”; não se sabe se para assinar documentos, posto que era analfabeto.

Não suportava os maus odores, ruídos de sino ou vozes altas, já que sempre procurava falar em tom suave e harmônico, ensinando aos seus adeptos: “Sêde modestos no comportamento e dominai a voz. Vêde, a mais áspera das vozes é a do asno.” Em face das suas mediunidades e da sua tremenda obsessão, tornava-se nervoso e inquieto, sujeito a melancolia ocasional, passando repentinamente para o estado de alegria e de euforia. Era portador de um humor às vezes irônico, tanto que se dirigiu a Abu Horairah, que o distinguia com visitas frequentes, sugerindo o seguinte: “Ó Abu Horairah! Deixa-me só em dias alternados, a fim de que a minha afeição por ti possa crescer!” Era um guerreiro inescrupuloso, podendo ser cruel e traiçoeiro, mas era um juiz justo. Acabou com muitas superstições, como a de cegar parte do gado para propiciar o mau olhado, ou de amarrar o camelo junto ao túmulo do seu dono. Os seus amigos o amavam até à idolatria. Os seus adeptos chegavam até a colecionar a sua saliva, o seu cabelo cortado, ou mesmo a água em que ele havia lavado aos mãos, esperando dessas coisas as curas milagrosas para as suas enfermidades.

Aos 59 anos de idade começou a fraquejar, considerando que um ano antes o povo de Khaibar lhe havia servido carne envenenada, pois desde então passou a sofrer de estranhas febres e ataques, que não passavam dos efeitos da sua obsessão. Segundo Aisha, na calada da noite ele escapava de casa, visitava o cemitério, pedia perdão pelos pecados e orava em voz alta pelos mortos, congratulando-se com eles pelo fato de já terem morrido, o que indica que ele se encontrava atuado pelos espíritos obsessores.

Agora, já aos 63 anos de idade, as febres e os ataques passaram a se tornar mais exaustivos, pois as ações dos espíritos obsessores eram ainda mais constantes, tanto que certa noite Aisha se queixou de dor de cabeça, com o profeta se queixando também da mesma dor, o que se explica em função do ambiente fluídico pesado e deletério, tanto que Maomé lhe perguntou como se estivesse brincando, se ela não preferiria morrer primeiro e ter o privilégio de ser enterrada pelo profeta de Alá, ao que, utilizando-se do seu humor habitual, ela respondeu que, sem dúvida, ele, ao regressar do enterro, instalaria uma nova noiva em seu lugar.

Desde então, durante 14 dias, a febre e os ataques vinham e desapareciam. Três dias antes de morrer, levantou-se do leito, caminhou até a mesquita, viu Abu Bekr dirigir aos fiéis em seu lugar e se sentou com certa humildade ao seu lado durante o culto. Em 7 de junho de 632, após uma longa agonia, por fim expirou, tendo a cabeça apoiada no colo de Aisha.

Em função da sua fortaleza de espírito, do seu poder de liderança, da sua pertinência credulária, da sua belicosidade, principalmente das suas mediunidades que foram bastante desenvolvidas, Maomé foi o instrumento ideal para que Lúcifer e os seus anjos negros pudessem estabelecer um credo de acordo com os seus desejos, o qual pudesse rivalizar diretamente com o credo católico, possibilitando assim o aglutinamento de muitos prosélitos sob a bandeira de uma crença extremamente fervorosa, que mais tarde se tornou a crença de várias povos, o que justifica plenamente o talento de Lúcifer em dirigir as nações.

Daí a razão pela qual os historiadores consideram que ele foi um dos gigantes da História, e realmente isto tem o seu fundamento, pois que mesmo assim ele conseguiu elevar o nível espiritual e moral de um povo que se encontrava condenado ao barbarismo, adorando aos vários deuses da Caaba, sendo o maior reformador da Arábia, mesmo atingindo a esse objetivo através de um credo, mas não havia outro modo de elevar aos árabes do seu tempo.

O fato é que os seres humanos ainda se encontram na fase da imaginação, então tudo aquilo que é proveniente do astral inferior, eles julgam seja proveniente daquilo que se encontram a imaginar, pensando que os seus pensamentos são próprios de si mesmos, em que tudo é comandado pelos seus atributos individuais e relacionais, sejam superiores, sejam negativos, respectivamente, daí a razão pela qual aqueles que passaram a professar o novo credo imaginaram estar servindo a um deus que fosse realmente verdadeiro, aos moldes do falso cristianismo, que adora a Jeová.

Mas mesmo assim, quando Maomé começou a servir de instrumento para Lúcifer, a Arábia era um amontoado de tribos idólatras, que perambulavam pelo deserto, e quando ele morreu já podia ser considerada uma nação, pois que ele reprimiu o fanatismo e as superstições, mas, por incrível que pareça, de modo similar, conseguiu se utilizar de ambos. Sem guerrear com o catolicismo, conseguiu impor sobre o judaísmo, o zoroastrismo e a sua crença nativa, um credo relativamente simples, mas forte em sua estrutura, em função da cultura dos árabes. Tudo isso em apenas uma geração, pelo que consquistou uma centena de vitórias e formou um verdadeiro império, que até hoje continua ser uma força poderosa que abrange a metade do mundo, com a outra metade ficando sob os auspícios de Jeová.

 

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