18.01- Maomé, o Abraão do islamismo

Prolegômenos
14 de julho de 2018 Pamam

Em 565, morria Justiniano, o senhor de um grande império sob os auspícios de Jeová. Em 571, nascia Maomé em uma família pobre de um país deserto em três quartos da sua extensão, escassamente habitado por tribos nômades, praticamente desprovido de riqueza. Ninguém poderia supor que no período de um século esses nômades iriam conquistar metade da Ásia bizantina, toda a Pérsia e o Egito, a maior parte da África setentrional e estariam a caminho da Espanha dita cristã.

Tudo isso sob a influência de Lúcifer e os seus anjos negros, que através de Maomé conseguiram fundar o credo islâmico, que provocaram a explosão da península Arábica para a conquista e a conversão ao islamismo de metade do mundo mediterrâneo, cuja causa todos os historiadores desconhecem completamente, por ignorarem a existência do astral inferior, por isso apenas mencionam que isto constitui o fenômeno mais extraordinário da história medieval.

Vale aqui ressaltar que a Arábia é a maior de todas as penínsulas, sendo o seu comprimento máximo de aproximadamente 2.500 qulômetros, e a sua largura maior de aproximadamente 2.200 quilômetros. Geologicamente é uma continuação do Saara, parte do cinturão arenoso que corre pela Pérsia acima ao deserto de Góbi, justamente por isso a palavra Arab possui o significado de árido.

A organização da Arábia pré-islâmica era uma primitiva estrutura de grupos de famílias reunidas em clãs e tribos, em que as tribos geralmente recebiam os nomes de um suposto ancestral comum, como, por exemplo, os banu-Ghassan se julgavam filhos de Ghassan.  Como unidade política, antes de Maomé, a Arábia existia somente na desatenciosa nomenclatura dos gregos, que chamavam a toda a população da península de sarakenoi, ou seja, sarracenos, ao que tudo indica do árabe sharqiyun, que significa orientais. O árabe não sentia nenhum dever de lealdade a qualquer grupo maior do que a sua própria tribo, em que a intensidade da sua dedicação variava na razão inversa do tamanho da sua tribo, o que implica em dizer que pela sua tribo ele faria conscientemente aquilo que o povo civilizado faz somente pela sua pátria ou pelo seu credo, seja mentir, roubar, matar ou morrer. Cada tribo ou clã era vagamente governada por um xeque escolhido pelos seus líderes, geralmente de uma família tradicionalmente preeminente, em função da riqueza, do saber ou dos feitos de guerra.

Os árabes do deserto tinham o seu próprio credo, que era bastante primitivo, já que receavam e adoravam a uma infinidade de deidades nas estrelas, na Lua e na profundidade da Terra, o que fazia com que eles ocasionalmente implorassem a graça de um céu tido como sendo implacável, mas quase sempre desistiam de apaziguá-los, porque ficavam tão confusos pela imensa quantidade de espíritos obsessores aos seus redores, aos quais eles chamavam de djins, que sempre assumiam uma resignação fatalística, mas oravam com a brevidade própria do homem credulário, porém sem atentarem para a existência do infinito e pouco dando atenção à fatalidade da morte. Eram tão místicos, que às vezes mandavam amarrar os seus camelos aos seus túmulos, sem qualquer alimento, de modo que os animais pudessem segui-los para o outro mundo, salvando-os da vergonha de irem a pé para o paraíso. De vez em quando ofereciam sacrifícios humanos, e também adoravam pedras sagradas.

Foi nesse cenário que Lúcifer adotou Maomé como sendo o seu instrumento para fundar o credo islâmico e se autoproclamar o deus do islamismo, aos moldes de como Jeová adotou Abraão para fundar o seu credo e se autoproclamar o deus do falso cristianismo.

Maomé era de estirpe nobre, embora tivesse um patrimônio muito modesto. O seu nome significa altamente louvado. A sua mãe morreu quando ele tinha apenas seis anos de idade, pelo que assim órfão ficou sob os cuidados do seu avô, que já tinha setenta e seis anos de idade, e, posteriormente, sob os cuidados do seu tio Abu Talib. É certo que os seus parentes lhe dispensaram afeição e cuidados, mas não se incomodaram em lhe ensinar a ler e a escrever, e o analfabetismo representava uma baixa reputação entre os árabes da época, pois nunca se teve qualquer notícia de haver Maomé escrito algo do seu próprio punho, já que empregava um amanuense. Mas sendo um médium vidente e ouvinte, altamente perceptivo, o seu analfabetismo não o impediu de compor o mais famoso livro da língua árabe e de adquirir tal capacidade no manejo dos homens, que somente com a ajuda de espíritos obsessores poderia ser possível.

Pouco se sabe a respeito da juventude de Maomé, embora as lendas sobre ele tenham preenchido cerca de dez mil volumes. Narra uma tradição que aos doze anos de idade fôra levado pelo seu tio Abu Talib em uma caravana a Bostra, na Síria, onde lá ele adquiriu algumas noções do judaísmo e do falso cristianismo. Outra tradição narra que alguns anos depois, novamente em viagem a Bostra, ele se encontrava a negócios para a rica viúva Khadija, cuja viagem veio de encomenda sob os auspícios do astral inferior, já que posteriormente, aos vinte e cinco anos de idade, ele se casou com ela, que já contava com 40 anos de idade, sendo mãe de várias crianças.

Khadija foi a primeira esposa de Maomé e a primeira seguidora do profeta islâmico, por isso ela é considerada pelos muçulmanos como a “Mãe dos Crentes”, sendo a figura feminina mais importante no islã, seguida pela filha Fátima que teve com Maomé. Até a morte de Khadija, que viveu vinte e seis anos com Maomé, foi considerada a mais próxima de Maomé, que confiava nela plenamente, bem mais do que nas suas esposas seguintes. É narrado em muitos hadiths, que representam as tradições relativas aos atos ou às palavras de Maomé, e que para os islâmicos constituem a maior autoridade depois do Alcorão, que Khadija era a mais confiável entre todos os casamentos de Maomé. É também narrado em sahih, um hadiths autêntico, que o profeta mensageiro do deus alcorânico para este mundo disse o seguinte:

Deus Todo-Poderoso nunca me concebeu alguém melhor nesta vida do que ela. Ela me aceitou quando as pessoas me rejeitaram. Acreditava em mim quando as pessoas duvidavam de mim. Ela compartilhou sua riqueza comigo quando as pessoas me privavam. E Deus me concedeu filhos apenas através dela”.

Mesmo sendo tremendamente obsedado, Maomé tinha lá a sua dignidade ao seu modo, sempre preferindo a seriedade ao riso, mantendo o seu seu senso de humor sob controle, sendo conhecedor dos perigos que corria. Era de constituição um tanto delicada, um tanto nervoso, e impressionável, em face da tristeza melancólica que o envolvia. Em certos momentos de excitação ou zanga, as suas veias faciais se intumesciam de modo alarmante. Mas ele sabia quando aplacar a sua paixão e era capaz de perdoar a um inimigo desarmado e arrependido.

Nessa época havia muitos falsos cristãos na Arábia, outros em Meca. O primo de Khadija, Waraqah ibn Nawfal, era um desses cristãos, que sabia as escrituras dos hebreus e dos falsos cristãos, do qual Maomé se tornou íntimo. Maomé visitava frequentemente Medina, onde o seu pai havia falecido, em que lá conheceu alguns dos judeus que formavam uma grande parte da população, daí a razão pela qual muitas páginas do Alcorão vêm provar haver ele apreendido a doutrina do falso cristianismo, o monoteísmo dos judeus e a grande proteção que as Escrituras proporcionavam tanto ao judaísmo como ao falso cristianismo, consideradas como sendo uma revelação de um deus.

Sendo intuído por Lúcifer e os seus anjos negros, Maomé passou a comparar essas fés credulárias com as idolatrias politeístas do seu povo, a moralidade relaxada, as guerras tribais e a desunião política da Arábia. Então passou a sentir a necessidade de um novo credo que viesse a unificar a todos os grupos facciosos em uma nação integrada, um novo credo que lhes daria uma moralidade baseada em mandamentos de origem divina, cuja natureza da força fosse indiscutível para o seu povo.

Deve-se aqui ressaltar que Lúcifer e os seus anjos negros já haviam tentado com vários outros médiuns estabelecer um novo credo, pois muito se ouviu falar de vários profetas que apareceram na Arábia por volta do começo do século VII, quando muitos árabes foram influenciados pelas expectativas messiânicas dos judeus, por isso eles também esperavam com ansiedade um mensageiro de um deus. Uma seita árabe, os hanifs, cuja palavra significa reverter, referia-se a alguém que deveria manter o monoteísmo puro aos moldes de Abraão, que no período pré-islâmico foram vistos como tendo rejeitado a idolatria e retidos apenas alguns dos princípios do credo abraâmico, que era a submissão a Alá em sua forma mais pura, pregando assim um deus universal de quem toda a humanidade deveria ser serva voluntária. Maomé, então, estabeleceu a voz e a forma às necessidades e aos anseios do seu tempo.

À medida que ia se aproximando dos quarenta anos, Maomé era cada vez mais influenciado por Lúcifer e os seus anjos negros, pois que a sua mediunidade de vidência e audição teria que chegar ao ponto máximo de desenvolvimento, pelo que ele ficava cada vez mais absorvido em fundar um credo. Durante o mês santo do Ramadã, ele se retirava em companhia da família para uma caverna no sopé do monte Hira, que ficava mais ou menos a uns cinco quilômetros de Meca, passando lá muitos dias em jejum, meditando e orando. Note-se aqui que nessas suas meditações e orações ele desenvolvia cada vez mais as suas mediunidades, ao mesmo tempo em que formava uma corrente com o astral inferior.

Até que no ano 610, quando em uma noite se encontrava sozinho na caverna, estando as suas mediunidades já totalmente desenvolvidas, Lúcifer e os seus anjos negros realizaram com ele a primeira experiência mediúnica da história maometana. De acordo com o relatado por Maomé ibn Ishaq, que foi o seu principal biógrafo, Maomé contou o acontecido dessa sua experiência mediúnica da seguinte maneira:

Enquanto estava dormindo, com uma colcha de brocado de seda, em que havia algumas escritas, o anjo Gabriel me apareceu e disse: ‘Leia’. Repliquei: ‘Não leio’. Ele me apertou com a colcha tão fortemente que pensei que fosse morrer. A seguir soltou-me e disse de novo: ‘Leia!’. Então li em voz alta e ele se foi finalmente. Acordei do meu sono e era como se aquelas palavras estivessem escritas no meu coração. Saí e comecei a andar e, a meio caminho da montanha, ouvi uma voz do céu que dizia: ‘Ó Maomé, és o mensageiro de Alá e eu sou Gabriel.’ Levantei a cabeça na direção do céu para ver, e ei-lo, Gabriel, em forma de homem, de pés juntos na extremidade do céu, dizendo: ‘Ó Maomé, tu és o mensageiro de Alá e eu sou Gabriel.’”

Para aqueles que ainda não são muito afeitos à espiritualidade, devem aqui observar que Maomé se encontrava dormindo, então ele estava desdobrado, quer dizer, a sua alma se encontrava fora do seu corpo carnal, conservando-se ligado a este pelos cordões fluídicos, em razão disso o seu encontro com o anjo foi em plano astral inferior. Esse anjo não era Gabriel, pois que este anjo pertence às falanges de Jeová, sendo ele o próprio Lúcifer, que disse se chamar Gabriel porque Maomé já havia apreendido em sua alma alguns princípios do judaísmo e do falso cristianismo, por isso não queria abalá-lo, dizendo ser o próprio Lúcifer. Como Maomé se encontrava desdobrado, teve a impressão que estava sendo apertado pela colcha de brocado de seda, mas essa colcha era apenas fluídica. Maomé era analfabeto, por isso ele não leu aquilo que se encontrava escrito na colcha fluídica, o que ele leu em voz alta foi aquilo que havia lhe sido intuído pelos espíritos obsessores. E, finalmente, Lúcifer veio afirmar que ele era o mensageiro de Alá, que na verdade era o próprio Lúcifer, que assim demonstra claramente a sua pretensão de ser um deus.

Voltando depois para junto de Khadija, Maomé a colocou a par das suas visões, tendo ela as aceitado como sendo verdadeiras revelações do céu, pois que verdadeiras elas eram de fato, só que não poderia jamais supor que eram provenientes do astral inferior, pois que ignorava a sua existência, assim como os seres humanos também ignoram a realidade da sua existência, e assim o animou a anunciar a sua missão de fundar mais um credo neste mundo.

Estando com as suas mediunidades completamente desenvolvidas, a partir daí Maomé teve muitas visões semelhantes. Frequentemente, quando isso acontecia, ele caía no chão em convulsões, entrando em delíquio, com o suor lhe cobrindo a fronte. Como os animais irracionais têm também as mediunidades humanas, mesmo o camelo no qual se encontrava montado, sentia a presença do astral inferior e se movia de modo agitado. Eram tão intensas as atuações dos espíritos obsessores, que Maomé atribuía os seus cabelos grisalhos a essas suas experiências mediúnicas. Sendo analfabeto, quando era constrangido a descrever o processo da revelação, dizia que todo o texto do Alcorão se encontrava no céu, e que um fragmento por vez lhe era comunicado por Gabriel. Quando indagado de como podia se lembrar dessas orações tidas como sendo divinas, explicava que o anjo o fazia repetir palavra por palavra. As pessoas que se encontravam perto do profeta islâmico no momento das aparições angélicas, estranhavam porque não viam e nem ouviam o anjo, pois que não eram médiuns videntes e nem ouvintes.

Sendo ignorantes acerca da espiritualidade, os historiadores consideram a hipótese de que possivelmente as convulsões de Maomé poderiam ser decorrentes de ataques epilépticos, mas não se tem nenhuma notícia de mordedura de língua, nem a perda de força de preensão, que comumente ocorrem nos casos de epilepsia. Falando acerca da epilepsia, na obra Cartas Doutrinárias – 1957, as páginas 65 e 66, escrita por Antônio Cottas, vem o Dr. João Batista Cottas afirmar o seguinte:

Diz sofrer de ‘ataques’. Conforme ensina o Racionalismo Cristão, há os ataques de origem obsessiva, causados por espíritos perturbados, atrasados, que vivem na atmosfera da Terra e que são atraídos pelos maus pensamentos .

O ataque de fundo epiléptico não é motivado por espíritos obsessores ou má assistência astral. Ele é efeito de uma causa, a qual poderá ser de origem nervosa, traumática sifilítica, tumoral, alcoólatra ou toxi-infecciosa infantil.

A par destas causas, há ainda as chamadas ‘convulsões’, provocadas por grandes verminoses intestinais e que muitas vezes são consideradas erradamente como crises epilépticas”.

No decorrer dos quatro anos subsequentes, Maomé passou cada vez mais abertamente a se apresentar ao povo como sendo o profeta de Alá, tendo sido divinamente escolhido para dirigir o povo árabe para uma nova moralidade e para uma fé credulária de aspecto monoteísta, encontrando muitos obstáculos para estabelecer de vez a essa fé credulária, pois o povo tende sempre a aceitar as novidades quando estas vêm acompanhadas de vantagens de cunho pecuniário, além do mais Maomé vivia em uma comunidade mercantil e cética, que obtinha parte das suas rendas dos peregrinos que vinham adorar aos numerosos deuses da Caaba.

Antes da propagação do Islã por toda a península Arábica, a Caaba era um local sagrado para as várias tribos beduínas da região. Uma vez, a cada ano lunar, as tribos beduínas faziam uma peregrinação a Meca, deixando de lado as suas disputas tribais, para que pudessem adorar aos seus deuses pagãos na Caaba, onde negociavam uns com os outros na cidade. Mais tarde, o Islã adoraria as tradições estabelecidas das tribos beduínas, com o encorajamento do comércio, mas substituindo a adoração dos seus deuses pagãos pela adoração a Alá. Em conformidade com os relatos islâmicos, quando Abraão foi perseguido ao propagar pelo Iraque a crença monoteísta, então se fez necessário um local simples para ser o ponto da adoração monoteísta, tendo ele escolhido Meca para o culto adoratório, por ser considerado geograficamente o centro do mundo, por isso os muçulmanos consideram que a construção da Caaba estava descrita tanto no Alcorão como na Bíblia. A Caaba é uma construção cúbica de 15,24 metros de altura e cercada por muros de 10,67 metros e 12,19 metros de altura, estando permanentemente coberta por uma manta escura com bordados dourados, que é permanentemente substituída. Em seu exterior se encontra a Pedra Negra, uma pedra escura, de cerca de 50 centímetros de diâmetro, encravada em uma moldura de prata, que é uma das relíquias mais sagradas do islamismo. A Caaba, pois, é o centro das peregrinações e o local onde o devoto muçulmano se volta para as suas preces diárias, por ser o lugar mais sagrado do Islã.

Assim, em face desses obstáculos, ele passou a utilizar o argumento de que através dele era oferecida aos crentes a salvação, assim como os demais credos e seitas oferecem, através da fé credulária, com a fuga de um ameaçado inferno para um paraíso alegre e tangível, ao mesmo tempo em que abriu a sua casa para todos aqueles que quisessem ouvi-lo, ricos, pobres e até os escravos, e também os árabes ditos cristãos e judeus, conseguindo converter uma boa quantidade, em que os primeiros foram a sua esposa, já idosa; o seu primo Ali; o seu criado Zaid, que ele havia comprado como escravo e libertara imediatamente; e o seu parente Abu Bekr, que era um homem de grande influência entre os coraixitas, e que trouxe para a nova fé credulária cinco outros chefes de Meca; todos sob a influência de Lúcifer e dos seus anjos negros. Abu Bekr e os outros cinco chefes de Meca se tornaram os seis companheiros do profeta, cujas memórias sobre eles iriam constituir as tradições mais reverenciadas do islamismo.

Em suas pregações, Maomé se dirigia muitas vezes à Caaba, abordava peregrinos e pregrava a crença em um só deus, que no caso era Lúcifer, ou Alá. No começo, os coraixitas o ouviam com uma certa paciência, acompanhada por um sorriso estampado na face, alguns passaram a chamá-lo de louco e se propuseram a enviá-lo a um médico que poderia curá-lo da loucura, tudo sob as suas expensas.

Sendo um dócil instrumento do astral inferior, Maomé passou a atacar a adoração da Caaba como sendo idolatria, quando então os coraixitas se ergueram na defesa das suas rendas, e poderiam até tê-lo maltratado, caso o seu tio Abu Talib não o tivesse protegido, apesar de não haver se engajado na nova fé credulária, mas a sua fidelidade aos velhos costumes exigia que ele viesse a defender qualquer membro do seu clã, em razão disso o receio de um conflito sangrento impediu aos coraixitas de empregarem a violência contra Maomé, ou contra os seus adeptos. No entanto, contra os escravos convertidos podiam se utilizar de medidas dissuasivas sem que viessem a ofender a lei tribal, tendo sido vários deles encarcerados, e outros expostos à inclemência do Sol, sem cobertura na cabeça e sem água. Vendo isso, Abu Bekr, que havia economizado durante muitos anos de comércio a importância de 40.000 peças de prata, despendeu 35.000 dessa quantia para comprar a liberdade do maior número de escravos convertidos, tendo Maomé amenizado a situação, decidindo que a retratação sob coação é perdoável. Os coraixitas, então, ficaram mais surpresos com o apoio de Maomé aos escravos do que propriamente pela sua crença credulária.

Em 616, ocorreu um fato que foi tão significativo para o islamismo, assim como a conversão de Paulo o fôra para o catolicismo, sob a influência dos anjos negros de Jeová. Omar Ibn al-Khattab, que até então era o mais ferrenho adversário de Maomé, foi assediado pelos anjos negros de Lúcifer e conquistado para a nova crença. Tratava-se de um homem de grande força física, bastante influência social e detentor de uma certa moral. A sua conversão levou uma nova confiança e uma oportuna credibilidade aos crentes que ainda se encontravam vacilantes, além de trazer novos adeptos para a causa maometana. Assim, ao invés de ocultarem as suas adorações a Alá — que todos ignoram ser o próprio Lúcifer — nas casas particulares, passaram a empregá-las ousadamente nas ruas.

Como represália, os defensores dos deuses da Caaba — haviam falanges de espíritos obessores em que os chefes deles se consideravam também deuses — formaram uma liga que se comprometeu a renunciar de todo o contato com os membros do clã hashimita que ainda se sentiam obrigados a defender Maomé. Com o objetivo de evitar um conflito sangrento, muitos hashimitas, inclusive Maomé e a sua família, retiraram-se para um bairro isolado de Meca, onde lá Abu Talib podia oferecer proteção. Durante mais de dois anos ocorreu essa separação de clãs, até que alguns membros dos coraixitas resolveram ceder, convidando os hashimitas a retornarem para os seus lares que se encontravam desertos, prometendo-lhes a paz, rejubilando-se o pequeno grupo de conversos.

Mas o ano de 619 trouxe uma infelicidade para Maomé, pois Khadija, um dos seus adeptos mais leais e Abu Talib, o seu protetor, morreram. Em 620, sentindo-se inseguro em Meca e um tanto desanimado pelo lento crescimento dos seus adeptos nessa cidade, resolveu se transferir para Taif, que era uma cidade agradável que ficava aproximadamente a 90 quilômetros ao leste. Mas foi repelido por essa cidade. Note-se que havia uma guerra astral entre Lúcifer e os seus anjos negros com as demais falanges de outros deuses, por isso a população de Taif ficou horrorizada ante qualquer inovação credulária, tendo vaiado o profeta nas ruas e lhe atirado pedras até que o sangue lhe corresse do corpo. Retornou então para Meca, onde desposou a viúva Sauda e, aos cinquenta anos, prometeu casamento a Aisha, filha de Abu Bekr.

Em escritos islâmicos, o nome de Aisha é designado como “Mãe dos Crentes”, por descrição das esposas de Maomé no Alcorão. Ela teve um papel muito importante na história islâmica, tanto durante a vida de Maomé como após a sua morte, em que serviu ao Islã por quarenta e quatro anos. Em função da sua mediunidade de incorporação, ela contribuiu para o islamismo narrando 2.210 hadihs, não apenas sobre assuntos relacionados com a vida privada do profeta, mas também sobre temas como herança, peregrinação e escatologia, inclusive entrando nas áreas da poesia e da Medicina. A maioria da fontes hadith tradicionais afirmam que Aisha estava casada com Maomé com a idade de seis ou sete anos, mas que ela ficou na casa dos seus pais até a idade de nove, quando então o casamento foi consumado, em Medina.

Enquanto isso, continuavam as visões de Maomé. Certa noite, quando se encontrava desdobrado ao dormir, foi transportado até Jerusalém, onde uma cavalo alado em forma fluídica, chamado de Buraq, aguardava-o no Muro das Lamentações das ruínas do Templo dos judeus, que o levou ao céu, para depois trazê-lo de volta, onde ele se encontrou novamente no seu leito em Meca, na manhã seguinte. Esse seu voo se tornou uma lenda, fazendo de Jerusalém uma terceira cidade santa para o Islã.

Em 620, Maomé pregou aos mercadores que tinham vindo de Medina em peregrinação a Caaba. Desta vez todos lhe prestaram alguma atenção, pois a doutrina do monoteísmo, de um mensageiro divino e do Juízo Final já se encontravam gravados em seus perispíritos, através da crença dos judeus que habitavam Medina. Regressando para a sua cidade, os mercadores expuseram a nova crença maometana aos amigos. Vários judeus, tendo constatado que havia pouca diferença entre os ensinamentos de Maomé e os seus próprios ensinamentos, tornaram-se receptivos. Em 622, cerca de 70 cidadãos de Medina, em caráter particular, procuraram a Maomé para convidá-lo a fixar residência nessa cidade, que lhes perguntou se o protegeriam tão fielmente como às suas próprias famílias, pelo que os cidadãos responderam que sim, mas quiseram saber qual seria a recompensa caso fossem mortos em sua defesa, quando então o profeta afirmou: o paraíso.

Nesse ínterim, Abu Sufyan, neto de Umayya, tornou-se o chefe dos coraixitas de Meca. Tendo sido criado em um ambiente de ódio por todos os descendentes de Hashim, cujos membros do clã eram os hashimitas, Abu Sufyan renovou a perseguição aos adeptos de Maomé, e estando ciente dos planos de fuga do profeta para Medina, receou que uma vez estando lá poderia provocar uma guerra dessa cidade contra Meca e o culto dos deuses da Caaba. Como se pode comprovar, a guerra no astral inferior é intensa, com os seus reflexos diretos nos seres humanos. Os coraixitas, então, incumbiram alguns dos seus membros para que prendessem Maomé, sendo mais certo que fossem matá-lo.

Tomando conhecimento do complô armado contra si, Maomé se refugiou com Abu Bekr na caverna de Thaur, a apenas seis quilômetros de Meca. Os emissários coraixitas os procuraram em vão durante três dias seguidos. Os filhos de Abu Bekr, então, trouxeram camelos e durante a noite os dois homens montaram nos lombos dos animais ruminantes e seguiram para o norte, tendo viajado por muitos dias para vencer os quase quatrocentos quilômetros de distância que os separavam de Medina, alcançando finalmente a cidade em 24 de setembro de 622. Em lá chegando, duzentos adeptos de Meca já os haviam precedido, disfarçados em peregrinos, e estavam nos portões da cidade, juntamente com os conversos de Medina, para saudar com júbilo a chegada do profeta.

Dezessete anos depois, o califfa Omar determinou que o dia 16 de julho de 622 do ano árabe, que correspondia ao primeiro dia em que teve lugar essa héjira, em árabe hijra, que significa fuga, fosse considerado o início oficial da era maometana.

 

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