17.02- Os anjos em outros credos, na Teosofia e na literatura

Prolegômenos
14 de julho de 2018 Pamam

A palavra anjo em hebraico é malach, que significa mensageiro, daí a razão pela qual Jeová, o deus bíblico, utiliza-se desse termo para designar a todos os espíritos obsessores que são seus subalternos e que formam as suas diversas falanges, pois que eles são os verdadeiros mensageiros do mal.

Mas estando ainda presos na fase da imaginação, os seres humanos raciocinam apenas através das representações de imagens, combinando-as, e as imagens que lhes vêm é que os anjos são os entes por mor de Jeová, tais como se fossem enantiomorfos, que servem de elo transmissor entre esse deus trevoso e os seres humanos, sendo por isso que a existência desses anjos é revelada em vários trechos da Bíblia hebraica, em diversos textos da literatura rabínica e no folclore judaico, pois que tudo isso é proveniente dos espíritos obsessores, que atuam sobre os médiuns videntes, ouvintes e psicográficos, daí a razão pela qual alguns anjos são até citados pelos seus próprios nomes. Todos os anjos são espíritos inferiores que se encontram quedados no astral inferior, que assumem os tipos tipos de funções, segundo as suas especialidades obsessivas, cujas funções se apresentam aos olhos dos credulários como se decorressem de boas ações, mas são todas voltadas para o lado do mal.

O budismo e o hinduísmo descrevem os anjos, que também são chamados de devas, de maneira semelhante aos demais credos e seitas ocidentais, em que o seu nome é derivado da raiz sânscrita div, que significa brilhar, cujo brilho não é proveniente da luz astral, mas sim do fogo, daí a razão pela qual o nome significa seres brilhantes. Segundo as tradições budistas e hinduístas, os anjos comem e bebem, o que se explica em função dos seus estados materializados, e podem construir formas ilusórias para poderem se manifestar em planos de existência diferentes dos seus próprios planos, o que se explica em função dos seus corpos fluídicos, que podem assumir todos os tipos de formas.

O budismo estabelece as categorias angélicas de um modo relativamente completo para os seus devas, cujas categorias foram herdadas em grande parte da tradição hinduísta. Mas o fato é que não existem os anjos propriamente ditos, pois que todos eles não passam de espíritos obsessores quedados no astral inferior, não importando o credo ou a seita em que eles sejam considerados. A imagem abaixo retirada do blog dharmadhannyael.blogspot.com.br/, que segue o credo budista, também retrata com clareza a esses espíritos inferiores.

Os seres humanos ainda não conhecem naturalmente a importância fundamental das vibrações magnéticas, das radiações elétricas e das radiovibrações eletromagnéticas, que devem ser dirigidas a Deus e ao Astral Superior, para que assim possam formar correntes de atração realmente poderosas com os espíritos luz, para que através destas correntes eles consigam se deslocar dos seus Mundos de Luz e virem até a este mundo, a fim de que possam espargir os seus fluidos benéficos e revitalizadores em nossa alma, assim como também a raiar os seus raios de luz em nossos corpos mentais, desobstruindo os nossos criptoscópios e os nossos intelectos, avivando as nossas percepções e as nossas compreensões, respectivamente, para que as nossas consciências possam coordená-los, estando os nossos órgãos mentais desobscurecidos.

Somente através das nossas vibrações magnéticas, radiações elétricas e radiovibrações eletromagnéticas dirigidas a Deus e ao Astral Superior, é que se poderão formar correntes realmente poderosas para que todos os anjos negros possam ser arrebatados do astral inferior, juntamente com os seus deuses, tais como Jeová, Alá e outros, para que assim eles possam ser  transladados para os seus respectivos mundos de origem, que são os Mundos de Luz, quando então eles poderão dar prosseguimento às suas evoluções espirituais, não deixando que os débitos por eles contraídos venham a aumentar ainda mais, pois que já são demasiadamente grandes os débitos espirituais que eles contraíram.

Sem que tenham a mínima noção acerca das vibrações magnéticas, das radiações elétricas e das radiovibrações eletromagnéticas, que devem ser dirigidas a Deus, ao verdadeiro Deus, que é o Ser Total, a Força Total, a Energia Total e a Luz Total, em que Nele todo o Universo se encontra contido, pois que Ele é o Todo, e também ao Astral Superior, que são os executores da Sua vontade, os credulários budistas vêm tratar apenas das vibrações magnéticas, que parte da imaginação humana, mas, infelizmente, dirigida diretamente ao astral inferior. Vejamos o que diz o blog budista dharmadhannyael.blogspot.com.br/, que assim se expressa:

A imaginação é magnética vibracional. Olhe para esta imagem e veja o poder infinito que o homem carrega dentro de si, ele espelha a inteligência e a vontade de Deus. Eu sou tudo aquilo que é. Procure cultivar a alma, a Presença Divina do Eu Superior com a integridade e a honestidade, que a chave virá para as suas mãos, a porta do universo da mente de Deus irá abrir. O homem traz em seus átomos a memória divina e para ter acesso, a luz de Deus deve descer e assumir a consciência. Seja feita a vontade de Deus”.

Esse rol de bobagens contido nesse blog budista não possui o mínimo fundamento, pois o homem não carrega dentro de si nem o poder e nem a ação infinitos, os quais vão se alojando em si em conformidade com o processo evolutivo, já que a nossa meta evolutiva é alcançar a onipotência, a onipresença e a onisciência, quando então nós poderemos proceder aos nossos retornos ao verdadeiro Criador, no qual nós sempre existimos e Dele saltamos individualizados para habitar o Universo, diferentemente das patifarias contidas no Gênesis da Bíblia. Não é a mente de um deus trevoso e malvado que irá se abrir para também nos abrir a porta do Universo, já que todos os deuses se encontram quedados no astral inferior, presos à atmosfera terrena, assim como também os seus anjos negros, sem qualquer possibilidade de acesso ao Universo, pois quem deve abrir as portas do Universo somos nós mesmos, envidando o máximo de esforço por evoluir, para adquirirmos a moral e a ética, portanto, a educação, que são os fatores fundamentais para que possamos alcançar a esse desiderato, ou seja, para que possamos nos universalizar. É por isso que os espíritos obsessores enegrecem e assumem a consciência dos seres humanos, pois que estes só raciocinam como se fossem átomos e moléculas, cativos da ilusão da matéria, ou mesmo como se fossem almas, e também espíritos, embora não saibam diferenciar a alma do espírito, posto que cativos do devaneio do sobrenatural. E, por fim, quando eles dizem: “Seja feita a vontade de Deus”; é o mesmo que dizer: “Seja feita a vontade do astral inferior”.

Note-se que os budistas dizem o seguinte: “Olhem para esta imagem e veja o poder infinito que o homem carrega dentro de si”. Pois bem, a imagem a que se referem os budistas é esta posta logo abaixo, e esse “poder infinito” se encontra posto logo mais abaixo.

Ressaltando-se aqui que Buda é um espírito de altíssimo valor, que compõe a plêiade do Astral Superior, por haver sido um grande veritólogo. Mas os ensinamentos da sua doutrina foram todos deturpados pelos seus seguidores no decorrer do tempo, e, além de deturpados, foram divididos em várias correntes que ainda hoje se encontram espalhadas pelo mundo.

O espiritismo faz uma descrição angélica muito semelhante à tradição judaica e à tradição dita cristã, pelo fato dele ser bíblico, por isso considera os anjos como se fossem seres perfeitos que atuam como mensageiros dos planos superiores, embora não venha atribuir forma ou aparência a tais seres, sendo apenas uma visão de suas formas morais. Mas se o espiritismo considera a visão angélica como sendo a sua forma moral, então vejamos a visão moral angélica do espiritismo, através da imagem posta logo abaixo, cuja imagem foi retirada do blog Fraterluz – Fraternidade Espírita Luz do Cristianismo.

Sendo bíblico o espiritismo, então esse credo jamais poderia adquirir uma visão realística a respeito do verdadeiro Deus, por isso a sua visão se volta totalmente para Jeová, o deus bíblico, que passa a ser personificado como se fosse soberanamente bom e justo, em que a diferença da visão espírita para os demais credos e seitas bíblicos é que o deus bíblico não precisa mais evoluir, pois que sempre foi perfeito e imutável, justamente por esta razão não teria criado os homens perfeitos, pois isso seria creditar ao deus bíblico a capacidade de ser injusto, em função da necessidade que os homens enfrentam em relação à experimentação sucessiva para que possam se aperfeiçoar.

Como todos os credos e seitas são sobrenaturalísticos, pois que nenhum deles consegue discernir o que sejam a alta e a baixa espiritualidades, portanto, o que sejam o Astral Superior e o astral inferior, e que não existem anjos, sendo isto uma invenção do astral inferior, pois que os anjos não passam de espíritos obsessores, vem o espiritismo apresentar a sua versão de que tais seres angélicos, independente das suas hierarquias celestiais, estão neste ponto evolutivo por mérito próprio, sendo espíritos santificados e livres da interferência da matéria pelas próprias escolhas que fizeram no sentido evolutivo e de renúncia de si mesmos ao longo do tempo, sendo facultado também aos homens atuais, ainda muito materializados, poderem atingir a esses estágios de perfeição, através dos seus esforços morais e intelectuais nas múltiplas reencarnações por que passarem em suas existências.

O próprio Allan Kardec, que foi o fundador do espiritismo kardecista, afirmou que os anjos seriam os espíritos elevados de benignidade, superior protetores dos necessitados e mensageiros do amor, os que trazem mensagens do mundo incorpóreo, sendo por isso chamados de anjos, cuja palavra significa mensageiros, os quais aparecem inúmeras vezes nos textos sagrados dos credos judaico-cristãos, indicando a comunicabilidade entre os vivos e os mortos.

Ainda segundo o espiritismo, em sua imaginação mais comumente conhecida e aceita pelos espíritas, os anjos seriam criaturas perfeitas ao serviço do deus bíblico, sendo, pois, os espíritos que já alcançaram a perfeição passível de ser alcançada pelas criaturas, que assim, ao alcançá-la, passariam a dedicar a sua existência a fazer cumprir a vontade do deus bíblico na sua criação, por serem capazes de compreendê-la completamente.

No entanto, tal como se fosse uma criança, a alma é inexperiente nas primeiras fases da existência, sendo por isso falível, pois que o deus bíblico não lhe dá essa experiência, apenas o meio para adquiri-la. Assim, um passo em falso na senda do mal passa a ser um atraso para a alma, como se existisse a involução, que aprende à sua custa o que importa evitar, aos sofrer as consequências. Deste modo, pouco a pouco, a alma se desenvolve, aperfeiçoa-se e se adianta na hierarquia espiritual até ao estado de puro espírito, ou anjo. Os anjos, pois, são as almas dos homens que chegaram ao grau de perfeição que a criatura comporta, usufruindo em sua plenitude a prometida felicidade. Porém, antes de atingir ao grau supremo, gozam de felicidade relativa ao seu adiantamento espiritual, cuja felicidade consiste nas funções que o deus bíblico apraz lhe confiar, sem qualquer ociosidade, com os seus desempenhos sendo ditosos, sendo este o meio mais recomendável para se obter o progresso espiritual.

Por fim, para o espiritismo, por toda a eternidade sempre tem havido puros espíritos, ou anjos, porém, como a sua existência humana se passou em um infinito passado, eis que supomos como se tivessem sido sempre anjos em todos os tempos. Assim, realiza-se a grande lei da unidade do criacionismo, pois o deus bíblico nunca esteve inativo e sempre teve puros espíritos, experimentados e esclarecidos para a transmissão das suas ordens e da sua direção do Universo, desde o governo dos mundos até aos mais ínfimos detalhes. Tampouco teve o deus bíblico a necessidade de criar seres privilegiados, isentos de obrigações, uma vez que todos os antigos e novos adquiriram as suas posições na luta e por mérito próprio, pois, enfim, são filhos das suas obras.

A angelologia islâmica é largamente dependente das tradições do zoroastrianismo, do judaísmo e do falso cristianismo primitivo, por isso nela existe também uma classificação hierárquica. Mas a angelologia islâmica deverá ser tratada em capítulo à parte, pois que ela se relaciona diretamente com Lúcifer. Registra-se apenas as imagens de espíritos obsessores que formam a angelologia islâmica, pois que todos os anjos representam espíritos quedados no astral inferior, de acordo com a imagem posta logo abaixo.

A Teosofia é uma palavra proveniente do grego theos, que significa deus, mais a palavra grega sophia, que significa sabedoria, acrescida do sufixo ia, cujo significado literal pode ser compreendido como sendo o conhecimento de deus, assim mesmo em minúsculo, mas como existem vários deuses pululando no astral inferior, a Teosofia passa a designar diferentes doutrinas místicas e iniciáticas de sentido esotérico. Os espíritos obsessores atuam sobre as pessoas que são iniciadas na Teosofia, por isso elas têm uma noção mais primitiva de caráter abstrato sobre os deuses, sendo impraticável a descrição completa de tudo isso, pois cada teosofista possui o seu próprio conceito de Teosofia, que se liga a si próprio, em conformidade com as intuições obsessivas e as obras que estudou, que passam a formar a sua imaginação.

Essa noção de caráter mais primitivo acerca dos deuses é proveniente do substrato de todos os credos e seitas existentes desde a antiguidade, que se mesclam com as saperologias equivocadas postas no mundo pelos veritólogos, em que nesses encontros desencontrados, digamos assim, estabelece-se os diversos sistemas de crenças ao longo da história, em maior ou em menor grau, pelo que se inclui até o método científico. Além de tudo isso, existe uma forte ligação com o ocultismo, ressalvando-se aqui que, ao contrário do senso comum, que liga o ocultismo como sendo algo vinculado ao mal, a Teosofia aborda o conhecimento oculto como sendo uma fonte viável de informações, tal como aborda os credos e as suas seitas, limitando-se a propagar os conhecimentos voltados para o bem e a elevação espiritual, porém, como medra na ignorância e se relaciona diretamente com o astral inferior, não pode deixar de se situar ao lado do mal, pois que o bem somente pode ser praticado com o esclarecimento espiritual.

Em 7 de setembro de 1875, a Sociedade Teosófica passou a surgir a partir de uma primeira reunião na cidade de Nova Iorque, com a sua primeira ata sendo lavrada no dia seguinte, tendo como os seus principais fundadores o coronel Henry Olcott, que foi indicado o seu primeiro presidente, William Judge, que foi indicado como sendo o seu primeiro secretário, e Helena Blavatsky, uma influente fundadora do total de dezesseis membros fundadores. O discurso inaugural foi proferido pelo seu primeiro presidente e fundador, o coronel Henry Olcott, em 17 de novembro, cuja data é considerada como sendo a data oficial de fundação da sociedade. Essa sociedade foi fundada para promover os ensinamentos antigos da Teosofia, considerando a sabedoria relacionada ao divino como sendo a base de outros movimentos do passado, tais como o neoplatonismo, o gnosticismo e as escolas de mistérios do mundo clássico.

Mas como essa sociedade foi fundada sob a influência do astral inferior, em função disso passaram a ocorrer conflitos e desentendimentos internos, principalmente após a morte de Helena Blavatsky, uma das fundadoras e o membro de maior influência, que desencadearam em alguns minúsculos grupos dissidentes da sociedade, como, por exemplo, o grupo de dissidentes da Sociedade Teosófica dos Estados Unidos se tornou independente e a sociedade então foi dividida em duas.

A Teosofia admite a existência dos seres angélicos, assim como também a existência de várias classes entre eles, embora existam relativamente poucos estudos nesse campo que possibilitem uma sistematização mais profunda, em que os estudos de Charles Leadbeater e de Geoffrey Hodson são as suas fontes mais ricas e paradigmáticas.

Charles Leadbeater vem afirmar que os anjos constituem um dos muitos reinos da criação divina, e, ao contrário daquilo que afirma o espiritismo, o reino angélico, assim como os demais reinos, está também sujeito à evolução, por isso existem grandes diferenças em poder, sabedoria, amor e inteligência entre os seres angélicos. Por esse mesmo motivo, ou seja, o de constituírem um reino independente, com interesses e as suas próprias metas, ele afirma que os anjos não existem mormente em função dos homens e dos seus problemas humanos, assim como imagina a cultura popular, apesar de assisti-los em uma variedade imensa de formas, como, por exemplo, na ministração dos sacramentos das igrejas, na cura espiritual e corporal dos homens, e também na sua inspiração, encorajamento, proteção e instrução.

Mesmo que o reino angélico como um todo esteja envolvido em muitas tarefas que não dizem respeito ao homem, ele vem afirmar em sua obra A Ciência dos Sacramentos, que existe uma classe de anjos especialmente associada aos homens, a classe dos anjos da guarda, que na verdade são uma espécie de silfos — seres mitológicos da tradição ocidental que são masculinos, ao contrário das fadas, cujo termo é proveniente de Paracelso, que as descreve como elementais que reinam no ar, assemelhando-se às vezes aos anjos, chegando a favorecer ao homem na sua imaginação, comprovando assim as ações do astral inferior —, aos quais se confiam as pessoas por ocasião dos seus batismos, e que por seus serviços conquistam a individualização, tornando-se serafins. Como se pode claramente constatar, o batismo é extremamente prejudicial aos seres humanos.

Geoffrey Hodson vem afirmar que os anjos possuem uma atitude completamente diferente da atitude humana em relação ao que ele considera deus, não concebendo uma existência personalizada individual, mas sim uma consciência única central e, ao mesmo tempo, difusa e onipresente, de onde as suas próprias consciências derivam e à qual estão inextricavelmente ligadas. Os anjos se sentem unidos a essa consciência única central e para eles não é possível experimentar o egoísmo, a separação, o desejo, a possessividade, o ódio, o medo, a revolta ou a amargura, em função desse unidade. Apesar de serem essencialmente seres amorosos, o seu amor é impessoal, sendo extremamente raras as associações estreitas com quaisquer indivíduos.

Em seus escritos, Geoffrey Hodson divide os anjos em quatro tipos principais, associando-os aos quatro elementos da saperologia antiga: terra, água, fogo e ar. O autor faz também uma associação dos anjos com a Árvore Sefirotal. Sefirot são as dez emanações de Ain Soph na cabala. Segundo a cabala, Ain Soph é um princípio que permanece não manifestado, sendo incompreensível à inteligência humana, sendo desse princípio que emanam os Sefirot em sucessão, cuja sucessão de emanações forma a árvore da vida. Os Sefirot emanados obedecem a seguinte sequência:

  1. Kether: coroa;
  2. Chokmah: sabedoria;
  3. Binah: entendimento;
  4. Chesed: misericórdia;
  5. Geburah: julgamento;
  6. Tipareth: beleza;
  7. Netzach: vitória;
  8. Hod: esplendor;
  9. Yesod: fundamento;
  10. Malkuth: reino.

Geoffrey Hodson afirma ainda que um dos aspectos do Logos é de natureza angélica, acrescentando que ao reino angélico pertencem os chamados espíritos da natureza. Para ele, muitos desses anjos estão envolvidos em processos naturais básicos, como a formação celular e a cristalização mineral, por isso são de dimensões microscópicas, constituindo os primeiros degraus da sua longa evolução em direção aos anjos planetários e a formas mais grandiosas, como os arcanjos solares de estatura verdadeiramente colossal, ao ponto de poderem ser percebidos dos pontos próximos à extremidade externa do sistema solar. Outros tipos de anjos são os silfos, as salamandras, as fadas, as dríades, as ondinas, e os variados espíritos da natureza conhecidos desde a antiguidade em várias culturas. As suas descrições fornecem uma vívida representação da importância desses seres na manutenção da ordem cósmica e na manifestação do Universo, desde a sua origem insondável até as formas físicas, passando por todos os degraus intermediários. Eu sua obra O Reino dos Deuses, o autor oferece uma série de ilustrações dos aspectos de vários tipos de anjos, diferindo radicalmente das tradicionais representações angélicas da cultura ocidental, dizendo que apesar disso tanto o homem como o anjo derivam as suas formas de um mesmo arquétipo. A imagem posta logo abaixo retrata aquilo que Geoffrey Hodson imagina sejam os anjos e as suas realidades como espíritos obsessores.

Na literatura da modernidade pouco espaço foi reservado para os anjos, que sobrevive mais em função do culto dos mais jovens, porque perdeu o seu significado original e assumiu a característica de um ser romântico, que muitas vezes perde a sua natureza angelical ao se apaixonar por uma pessoa humana.

Mas, de qualquer maneira, as obras que tratam dos anjos passam a diferir umas das outras, em que algumas são mais imaginativas, com os anjos que são caídos enfrentando dilemas morais e éticos no âmbito existencial. Em algumas estórias eles vivem aventuras repletas de ação e suspense. Em outras, eles vêm à Terra para conhecer ou ajudar pessoas, quando então acabam por se apaixonar. Além das asas, geralmente há sempre algo comum entre eles, que é o caráter humano que trazem consigo, pois que mesmo apelando para o sobrenatural, os autores não podem imaginar algo diferente da natureza humana. No entanto, há sempre uma tendência na literatura de apresentar os anjos como sendo os seres que mais próximos se encontram dos seres humanos, e, embora ignorem completamente a natureza dessas proximidades, isto é realmente um fato, a realidade da vida espiritual.

 

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