17.01- A hierarquia angelical de Jeová, o deus bíblico

Prolegômenos
12 de julho de 2018 Pamam

No falso cristianismo, os anjos foram estudados de acordo com os diversos sistemas de classificação, em coros ou hierarquias. Dentre todas essas classificações, a mais influente foi estabelecida pelo Pseudo-Dionísio, o Aeropagita, entre os séculos IV e V, por intermédio da sua obra De Coelesti Hierarchia.

Pseudo-Dionísio, o Aeropagita, é o nome pelo qual é conhecido o autor de um conjunto de textos, o Corpus Aeropagiticum, que exerceu uma forte influência em toda a mística dita cristã ocidental, na Idade Média. Esses textos foram bastante lidos e admirados pelo abade Suger, de Saint-Denis, que foi o construtor do primeiro grande exemplar de arquitetura gótica, a Basílica de Saint-Denis, ou Pseudo-Dionísio, em português. Esse autor se apresenta como sendo Dionísio, o ateniense membro do Areópago, o antigo supremo tribunal de justiça de Atenas, que foi o único desse tribunal convertido por São Paulo, conforme consta em Atos 17:34, da seguinte maneira:

Mas alguns homens juntaram-se a ele e se tornaram crentes, entre os quais havia também Dionísio, juiz do tribunal do Areópago, e uma mulher de nome Dâmaris, e outros além deles”.

Até o século XVI, esses textos tinham um valor quase apostólico, já que Dionísio, o ateniense membro do Areópago, havia sido o primeiro discípulo de São Paulo, sendo nessa época que começaram a surgir as primeiras controvérsias a respeito da sua autenticidade, sob o argumento de que os textos continham uma notável influência de Proclo, o qual pertencia à escola neoplatônica de Atenas, e, portanto, não poderiam ser anteriores ao século V. Somente a partir do século XIX essa tese passou a ser aceita e o autor desconhecido passou a ser chamado de Pseudo-Dionísio. Estudos posteriores comprovaram que os textos foram escritos originalmente em grego por um teólogo bizantino sírio do fim do século V, ou início do século VI, que depois foram traduzidos para o latim por João Escoto Erigena. Os católicos consideram a sua linguagem poética e coerente com a sua exposição de pensamentos, pelo que permanece considerada como sendo uma expressão autêntica do neoplatonismo e da tradição mística dita cristã, pelo que o Pseudo-Dionísio passou a ser considerado santo pela Igreja Católica, passando também a ser lembrado no calendário litúrgico, no dia 03 de outubro.

A fonte primária do estudo dos anjos são as citações bíblicas, como quando um dos anjos de Jeová apareceu a Agar, a serva egípcia de Abraão que Sara lhe dera como esposa, a qual havia lhe dado um filho chamado de Ismael, que em função dos maus tratos de Sara havia fugido. Aparecem ainda muitas outras passagens bíblicas que se referem aos anjos. Havendo anjos que lidam com fogo fluídico e outros tipos de anjos. Temos abaixo todas essas passagens bíblicas que se referem aos anjos de Jeová, o deus bíblico:

Gênesis 16:7 a 11:

“O anjo de Jeová encontrou-a mais tarde junto a uma fonte de águas no ermo, junto à fonte no caminho de Sur. E ele começou a dizer: “Agar, serva de Sarai, donde vieste e para donde vais?” A isso ela disse: “Ora, estou fugindo de Sarai, minha senhora”. E o anjo de Jeová prosseguiu, dizendo-lhe: “Volta para tua senhora e humilha-te de debaixo da sua mão”. O anjo de Jeová disse-lhe então: “Multiplicarei grandemente a tua descendência, de modo que não será contada por causa da multidão”. Outrossim, o anjo de Jeová acrescentou-lhe: “Eis que estás grávida e darás à luz um filho, e terás de chamá-lo pelo nome de Ismael; pois Jeová tem ouvido a sua tribulação”.

Gênesis 19:15:

“No entanto, ao subir a alva, os anjos ficaram insistentes com Ló, dizendo: “Levanta-te! Toma tua esposa e as duas filhas tuas que se acham aqui, para que não sejais arrasados no erro da cidade”.

Êxodo 3:2:

“O anjo de Jeová apareceu-lhe então numa chama de fogo no meio dum espinheiro. Enquanto ele olhava, ora, eis que o espinheiro ardia com fogo, contudo, o espinheiro não se consumia”.

Êxodo 23:20:

“Eis que envio um anjo diante de ti para guardar-te pela estrada e para introduzir-te no lugar que preparei”.

Salmos 34:7:

“O anjo de Jeová acampa-se ao redor dos que o temem, e ele os socorre”.

Isaías 6:2:

“Acima dele havia serafins de pé. Cada um tinha seis asas. Com duas cobria sua face, e com duas cobria seus pés, e com duas voava”.

Mateus 22:30:

“Pois na ressurreição, os homens não se casam nem são as mulheres dadas em casamento, mas são como os anjos no céu”.

Mateus 28:2-3:

“E eis que tinha havido um grande terremoto; pois o anjo de Jeová descera do céu, e, aproximando-se, rolara a pedra e estava sentado sobre ela. Sua aparência exterior era como relâmpago e seu vestido era branco como a neve”.

Atos 5:19-20:

“Mas, durante a noite, o anjo de Jeová abriu as portas da prisão, trouxe-os para fora e disse: ‘Ide embora, e, tendo tomado posição no templo, persisti em falar ao povo todas as declarações a respeito desta vida’”.

1 Coríntios 4:9:

“Pois, parece-me que Deus tem posto a nós, os apóstolos, por último em exibição, como homens designados à morte, porque nos temos tornado um espetáculo teatral para o mundo, e para anjos e para homens”.

1 Coríntios 6:3:

“Não sabeis que havemos de julgar anjos? Por que não assuntos desta vida?”.

2 Coríntios 14:15:

“E não é de se admirar, pois o próprio Satanás persiste em transformar-se em anjo de luz. Portanto, não é grande coisa se os ministros dele também persistem em transformar-se em ministros da justiça. Mas o fim deles será segundo as suas obras”.

2 Coríntios 12:7:

“Portanto, a fim que eu não me sentisse enaltecido demais, foi-me dado um espinho na carne, um anjo de Satanás, para que me estivesse esbofeteando, a fim de que eu não me enaltecesse demais”.

Gálatas 1:8:

“No entanto, mesmo que nós ou um anjo do céu vos declarássemos como boas novas algo além daquilo que vos declaramos como boas novas, seja amaldiçoado”.

Hebreus 13:2:

“Não vos esqueçais da hospitalidade, porque por meio dela alguns, sem o saberem, hospedaram anjos”.

1 Pedro 1:12:

“Foi-lhes revelado que não era para eles, mas para vós, que ministravam as coisas que agora vos foram anunciadas por intermédio dos que vos declararam as boas novas com espírito santo enviado desde o céu. Nestas coisas é que os anjos estão desejosos de olhar de perto”.

2 Pedro 2:4:

“Certamente, se Deus não se refreou de punir os anjos que pecaram, mas, lançando-os no Tártaro, entregou-os a covas de profunda escuridão, reservando-os para o julgamento”.

2 Pedro 2:11:

“Ao passo que os anjos, embora sejam maiores em força e poder, não levantam contra eles nenhuma acusação em termos ultrajantes, de respeito por Jeová”.

São Paulo faz alusão a cinco ordens de anjos. Depois dele, vem o Pseudo-Dionísio, o Aeropagita, que foi um dos primeiros a propor um sistema organizado do estudo dos anjos na hierarquia do deus bíblico, com os seus escritos tendo muita influência no contexto dessa organização angélica, embora ele tenha sido precedido por outros autores, como São Clemente, Santo Ambrósio e São Jerônimo. Na Idade Média surgiram vários outros organogramas, alguns baseados no Pseudo-Dionísio, o Aeropagita, outros independentes, sugerindo uma hierarquia bastante diferente, pois alguns autores acreditavam que apenas os anjos das classes inferiores interferiam nos assuntos humanos. De todas essas ordenações, a mais corrente é derivada do Pseudo-Dionísio, o Aeropagita, e de são Tomás de Aquino, em cujas ordenações os anjos são divididos em nove coros, agrupados em três tríades, mas, na realidade, os anjos são divididos em doze coros, agrupados em quatro tríades. O organograma abaixo mostra toda a hierarquia dos anjos negros que compõem a organização malévola de Jeová.

Abaixo, o quadro da Jerusalém celeste:

 

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