16- O ANTICRISTIANISMO DO PAPADO

Prolegômenos
9 de julho de 2018 Pamam

A própria História não sabe como Pedro foi parar em Roma. E se disso nem ao menos a própria História sabe dizer, torna-se claro e evidente que ela também não sabe acerca do contexto das suas pregações, pois tendo sido ele um espírito altamente evoluído, jamais poderia ter alguma relação com o credo católico e muito menos com o falso cristianismo. Vejamos primeiramente o que a obra A Verdade Sobre Jesus, as páginas 148 e 149, diz sobre ele:

Era extrema a afeição de Jesus por Pedro. Este possuía caráter reto, sincero e obediente. Pedro, pouco místico, comunicava a Jesus as suas dúvidas singelas, as suas repugnâncias naturais, as fraquezas puramente humanas, mas sempre com uma franqueza respeitosa. Por vezes, Jesus o repreendia, em termos amigáveis, sempre cheio de confiança e estima.

João era mais novo do que Pedro, e Jesus tinha por ele carinho paternal. Era tal o entusiasmo de João por Jesus, que o conservou até à velhice e, ao fazer a sua biografia, por certo deturpou um pouco a verdade dos fatos.

É o mal dos homens. Platão, como biógrafo de Sócrates, fez o mesmo. Só via qualidades no mestre, apresentando-o ainda maior do que foi. De igual modo procedem os homens, quando inimigos. Ocultam a realidade dos fatos, as ações generosas, e deturpam, sem escrúpulo, a verdade para ridicularizarem aqueles que lhe fizeram sombra ou que foram seus desafetos ou inimigos gratuitos”.

Se era extrema a afeição de Jesus, o Cristo, por Pedro, que possuía caráter reto, sincero e obediente, então ele jamais poderia ter sido o primeiro papa. Além disso, ele comunicava as suas dúvidas com uma imensa franqueza, então jamais poderia ter pendido para o âmbito do sobrenatural, e muito menos ter adorado a Jeová, o deus bíblico, que se trata de um espírito inferior tremendamente obsessor quedado no astral inferior.

É sabido que os atributos individuais superiores formam a moral, que os atributos relacionais positivos formam a ética, e que a moral e a ética, em seu conjunto, tornam os espíritos realmente educados, quando então eles passam a produzir sentimentos superiores e pensamentos positivos que os ligam diretamente ao Astral Superior. E que os atributos individuais inferiores formam a amoral, que os atributos relacionais negativos formam a aética, e que a amoral e a aética, em seu conjunto, tornam os espíritos realmente mal-educados, quando então eles passam a produzir sentimentos inferiores e pensamentos negativos que os ligam diretamente ao astral inferior. Agora vejamos as palavras de Jesus, o Cristo, dirigidas a Pedro, conforme consta em Mateus 18:18, que diz o seguinte:

Deveras eu vos digo: Todas as coisas que amarrardes na terra serão as coisas amarradas no céu, e todas as coisas que soltares na terra serão as coisas soltas no céu”.

Pode-se assim compreender claramente as existências do Astral Superior e do astral inferior, portanto, da alta e da baixa espiritualidades. Isto implica em dizer que as produções dos sentimentos superiores e dos pensamentos positivos serão soltas na Terra e também soltas no Astral Superior, formando assim uma corrente universal de natureza benéfica e salutar, enquanto que as produções dos sentimentos inferiores e dos pensamentos negativos serão amarradas na Terra e também amarradas no Astral Superior, permanecendo no astral inferior, tornando a atmosfera terrena cada vez mais pesada, escura e deletéria, inclusive os seres humanos, que por ocasião das suas desencarnações irão para o astral inferior, engrossando as fileiras dos espíritos obsessores, ao invés de ascenderam para os seus respectivos Mundos de Luz. E quem comanda tudo isso diretamente do Astral Superior é Pedro, por determinação expressa de Jesus, o Cristo, conforme posto logo acima em Mateus.

Embora eu seja um experimentador por natureza, não coube a mim realizar uma experiência de tal natureza para comprovar que as chaves do Astral Superior se encontram realmente com Pedro, mas sim a Luiz de Mattos, o fundador do Racionalismo Cristão, conforme consta em sua obra Cartas Oportunas Sobre Espiritismo, as páginas 362 e 363, quando o chefe da nossa humanidade então assim veio a afirmar:

Deves ter notado a falta das minhas cartas e até pensado que elas não continuariam. Natural essa falha, meu Gustavo. Uma perturbação cardíaca, obrigou-me a partir, no dia 28 de novembro, para as portas da eternidade, que me não foram abertas por determinação de São Pedro, nosso camarada e amigo velho. De lá voltei, há dias, muito contrariado, pois me parecia que já era tempo de deixar este alambique depurador de almas. Fui de aeroplano, mas tive de voltar em carro de bois, por ser essa a condução que São Pedro fornece aos apressados em bater-lhe à porta, que guarda com muito carinho.

Perguntando a São Pedro (o legítimo, o autêntico, calvo e barbudo, que antes de o ser se chamou Cícero, na sua bela Roma Tribunícia, e não o que está encarnado no ‘nosso compadre’ Leopoldo Cisne, como ele e o esbelto compadre seu Inácio afirmam por toda parte), por quanto tempo ainda teria de quedar-me neste terrível ambiente de animalizados, que tu denominas espiritualistas de todas as cores e feitios; respondeu-me o boníssimo mordomo do céu, o maioral daquela célebre corte que nós inventamos no decorrer das encarnações diversas, para mais facilmente dominarmos os papalvos e o belo sexo, fregueses dos nossos confessionários, que quando eu houvesse fechado, com lucro, o balanço da casa verdadeiramente espiritualista, que é o Centro Redentor, me daria licença para entrar lá no céu e assentar-me ao lado direito de Deus, fazendo parte do grupo dos que bem cumprem o seu dever”.

Tudo isso demonstra claramente que Pedro nada tem a ver com o falso cristianismo e muito menos com o papado. Resta agora apenas saber de onde veio essa fictícia ligação que a Igreja faz entre Pedro e o falso cristianismo e o papado, inclusive muitos historiadores, que dão credibilidade a textos vetustos que não correspondem à época em que Pedro viveu, carecendo de fontes que sejam fidedignas.

O primeiro desses textos vetustos vamos encontrar em São Jerônimo, também conhecido como Jerônimo de Estridão, uma cidade situada na província romana da Dalmácia, que foi um sacerdote “cristão” que se destacou como teólogo e historiador, considerado confessor e Doutor da Igreja, pela Igreja Católica, sendo mais conhecido pela sua tradução da Bíblia para o latim e pelos seus comentários sobre o Evangelho dos Hebreus. A sua condição de teólogo, portanto, um estudioso da Bíblia e do deus bíblico, indica com muita clareza que ele era deveras influenciado pelos espíritos obsessores pertencentes ao bando de Jeová. E era tão obsedado de uma tal maneira, que para apaziguar a sua consciência, visitava aos domingos as sepulturas dos mártires e dos apóstolos nas catacumbas, onde rondam os espíritos obsessores, sendo tamanha a sua obsessão que essa experiência lhe lembrava dos terrores do inferno, tanto que ele se utilizou de uma passagem de Virgílio, que teve uma ampla e profunda influência na literatura ocidental, mais precisamente em Dante, na sua Divina Comédia, em que ele aparece como o seu guia pelo inferno e pelo purgatório, cuja passagem utilizada para descrever o horror do inferno, diz que “Por todos os lados o horror se espalhava; o profundo silêncio inspirava o terror na minh’alma”. Isso é ou não é uma tremenda obsessão?

Além do mais, São Jerônimo nasceu por volta de 347, então ele não tinha fonte alguma para descrever a vida de Pedro, sendo todas as suas narrativas fruto das intuições dos espíritos obsessores. Mas, mesmo assim, ele atacava os vícios, as corrupções e a imoralidade sexual dos sacerdotes da sua época, pois que era ascético, e todos aqueles que enveredam pelo ascetismo são também instrumentos do astral inferior. Assim, sendo influenciado e por isso um dócil instrumento do astral inferior, ele então passou a dizer que a chegada de Pedro em Roma ocorreu no ano 42. A partir daí, não ele, mas sim a tradição do falso cristianismo, vem afirmar que Pedro representou um importante papel na sua difusão em Roma, o que não procede, mas que mesmo assim essa falácia tem sobrevivido a todas as críticas.

O segundo desses textos vetustos vamos encontrar em Lactâncio, que foi um autor entre os primeiros “cristãos”, o qual se tornou um conselheiro de Constantino, o primeiro imperador romano “cristão”, conduzindo a sua política credulária que começava a se desenvolver, sendo também o tutor do seu filho, o que além de torná-lo suspeito para falar acerca de Pedro, tem também o fato dele ter nascido em 240. E essa suspeita tem o seu real fundamento, pois ele escreveu livros apologéticos explicando o falso cristianismo em termos que podiam ser mais compreensíveis para os pagãos que fossem mais intelectualizados, mas que ainda não praticavam os credos tradicionais, enquanto defendia o falso cristianismo contra os argumentos dos intelectuais pagãos. A sua obra Instituições Divinas é um exemplo da apresentação doutrinária do falso cristianismo, tanto que ele ensinou retórica. Todo aquele que ingressa no falso cristianismo assim o faz em razão do assédio dos espíritos obsessores, não tendo Lactâncio fugido à regra, daí a razão pela qual ele vem opinar que Pedro foi para Roma no tempo de Nero, período de 54 a 68.

Temos agora São Jerônimo dizendo que Pedro foi para Roma no ano 42, em contradição com Lactâncio, que diz que Pedro foi para Roma no tempo de Nero. Os historiadores então passaram a dar crédito a ambas as datas, passando assim à suposição de que Pedro devia ter visitado Roma por diversas vezes, o que não tem qualquer procedência.

Após esses desencontros entre os dois autores, vem Orígenes, que por sua vez nasceu por volta do ano 185, portanto, praticamente dois séculos após o nascimento de Pedro. Orígenes era um teólogo tão fanatizado pela Bíblia, que se emasculou em atendimento a uma passagem bíblica. Foi Orígenes, pois, quem veio narrar como foi o martírio de Pedro em Roma, ao dizer que o apóstolo tendo ido para Roma, não dizendo quando, foi lá crucificado de cabeça para baixo. Mas a própria História não teve como fonte o próprio Orígenes, mas sim um fragmento dos seus escritos conservado na obra de Eusébio, intitulada de História Eclesiástica.

A prova provada de que Orígenes foi um instrumento do astral inferior para as suas narrativas equivocadas sobre Pedro, repousa no fato de haver sido ele o precursor da mentira do primado, quer dizer, da primazia de Pedro sobre os demais apóstolos, tendo sido ele o primeiro papa, tendo por base a passagem bíblica contida em Mateus 16:18, que diz o seguinte:

Também, eu te digo: Tu és Pedro, e sobre esta rocha construirei a minha congregação, e os portões do Hades não a vencerão”.

Sabendo agora o querido leitor das existências do Astral Superior e do astral inferior, e que Jesus, o Cristo, entregou a chaves do Astral Superior para Pedro, a fim de que ele pudesse ligar e desligar tudo aquilo que lhe diz respeito, pode-se agora perfeitamente compreender que Pedro é exatamente a rocha que deveria servir de alicerce para que o nosso Redentor pudesse construir a sua congregação no futuro, cuja congregação foi fundada por Luiz de Mattos, o espírito da verdade, tendo sido denominada de Racionalismo Cristão, sobre a qual os portões do Hades não poderiam vencer, que é justamente o astral inferior, cujos espíritos obsessores nele decaídos são os responsáveis pelo estabelecimento de todos os credos e seitas que existem neste mundo.

Luiz de Mattos, pelo fato de ser o espírito da verdade, sendo, portanto, o maior veritólogo de toda a nossa humanidade, foi o enviado por Jesus, o Cristo, para construir a sua congregação previamente anunciada, fundando o Racionalismo Cristão, cuja anunciação desse envio consta claramente em João 20:21, que diz o seguinte:

Jesus, portanto, disse-lhes novamente: ‘Haja paz convosco. Assim como o Pai me enviou, eu também vos envio”.

Qual dos seres humanos se diz ser o espírito da verdade? Qual dos seres humanos se diz haver sido enviado por Jesus, o Cristo? Qual dos seres humanos demonstrou para toda a nossa humana ser detentor de uma elevada e completa moral? Qual dos seres humanos concentrou o foco da sua doutrina no racionalismo de Jesus, o Cristo? Apenas Luiz de Mattos. É o que consta em sua obra Cartas ao Cardeal Arcoverde, as páginas 237 e 238, quando o espírito da verdade então assim se expressa:

Ouvi o Espírito da Verdade, a que se referem os vossos Evangelhos, e que já está na Terra a revolucionar e a esclarecer a Humanidade, pela explanação da verdade, a única esclarecedora e libertadora de corpos e de almas, como Jesus, o Cristo, afirmou.

Ele vos manda dizer, mestre cardeal Arcoverde, que de fato, OS TEMPOS SÃO CHEGADOS (grifo e realce meus) não só para que toda a Humanidade se esclareça, como para que o Vaticano, e assim vós e todos os vossos escravos e parceiros, tomem novos rumos e se cristianizem, como cristianizar-se devem todos os povos, até ao fim do presente século. Mais: que não ficará pedra sobre pedra de tudo quanto existe, especialmente referente às 8 mil seitas que na Terra pontificam para provar que ninguém se entende, que o viver humano é uma balbúrdia, que todas estão erradas, e grandemente criminosa é a católica romana, porque se assim não fosse, uma só baseada num só Grande Foco existiria e se denominaria como se está denominando o Racionalismo Cristão, único aceitável, por ser a Doutrina da verdade”.

Eu sou o explanador do Racionalismo Cristão, por isso sei de onde vim, que é justamente o meu Mundo de Luz, e, também, para onde vou, que é justamente um Mundo de Luz, um outro ainda mais adiantado daquele de onde vim. Eu consegui alcançar a condição do Antecristo da nossa humanidade, por isso eu sei que vou me deslocar para a humanidade que nos segue na esteira evolutiva do Universo, portanto, também sei o que farei nos próximos 4.000 anos.

Tendo alcançado a condição do Antecristo, eu passo a ser o maior seguidor de Jesus, o Cristo, em toda a nossa humanidade, por isso eu não ando na escuridão como os demais seres humanos, mas sim na luz, na mais intensa e resplendorosa luz proveniente do Astral Superior, e como eu sigo de perto os rastros luminosos do nosso Redentor, eu sei de onde ele veio e para onde ele foi, tendo já demonstrado isso. E quem mais tem a esse conhecimento? Ninguém. Esses estudos teológicos a respeito do deus bíblico, que inclui a Jesus, o Cristo, como sendo uma das três pessoas da Trindade é a mais pura balela, pois todos ignoram a natureza do Nazareno. Vejamos o que ele mesmo diz em João 8:12 e 14, assim:

Eu sou a luz do mundo. Quem me segue, de modo algum andará na escuridão, mas possuirá a luz da vida.

Mesmo que eu dê testemunho de mim mesmo, meu testemunho é verdadeiro, porque sei donde vim e para onde vou. Mas vós não sabeis donde vim e para onde vou”.

Na condição do Antecristo da nossa humanidade, eu já demonstrei claramente ser o maior seguidor de Jesus, o Cristo, e sendo o seu maior seguidor a demonstração da existência do instituto do Cristo, cujo Instituidor é Deus, tendo-O organizado perante toda a nossa humanidade, o que implica em dizer que eu conheço tanto a instituição como o Instituidor. Alguém mais conhece? Ninguém. É o que afirma o próprio Jesus, o Cristo, em João 8:19, quando diz:

Vós não conheceis nem a mim nem a meu Pai. Se me conhecêsseis, conheceríeis também a meu Pai”.

Cada humanidade tem o seu próprio mundo-escola, para que os seus integrantes nele encarnem, evoluindo e o fazendo evoluir, até que se torne um Mundo de Luz, quando então a humanidade se reintegrará novamente a Deus. O planeta Terra é o mundo-escola da nossa humanidade. Tendo Jesus, o Cristo, deslocando-se da sua humanidade para a nossa, ele encarnou várias vezes neste nosso mundo-escola, em que na sua última encarnação alcançou a condição do Cristo, o que implica em dizer que a sua humanidade é mais adiantada do que a nossa, e que ele não pertence nem à nossa humanidade e nem a este mundo-escola, é o que ele mesmo confirma em João 8:23, quando diz:

Vós sois dos domínios de baixo; eu sou dos domínios de cima. Vós sois deste mundo; eu não sou deste mundo”.

Não tem qualquer cabimento, portanto, a Igreja Católica se arvorar de conhecer a verdade e muito menos o papa se arvorar de ser o ministro de Jesus, o Cristo, na Terra, notadamente porque tudo aquilo que o catolicismo afirma é proveniente do sobrenaturalismo, pois ignoram completamente que todos os sacerdotes, inclusive os seus próprios sacerdotes, são todos instrumentos do astral inferior, e que a sua doutrina é toda mentirosa, pois no tempo de Jesus, o Cristo, a verdade ainda não havia sido estabelecida na face da Terra, o que implica em dizer que o Velho Testamento é todo mentiroso, assim como também o Novo Testamento, a não ser em algumas passagens inseridas pelo Astral Superior, para a minha explanação do Racionalismo Cristão, como comprova o próprio Jesus, o Cristo, em João 8:31, quando afirma:

Se permanecerdes na minha palavra, sois realmente meus discípulos, e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”.

Pedro era apenas um dos discípulos de Jesus, o Cristo, por isso Orígenes jamais poderia afirmar haver tido ele primazia sobre os demais apóstolos que seguiam ao nosso Redentor, tornando-se o primeiro papa, principalmente porque no primeiro século do falso cristianismo foram nele inseridos muitos elementos do judaísmo, herdando deste o seu monoteísmo e a sua escatologia, e graças ao judaísmo e a Paulo, o Velho Testamento se tornou a única Bíblia que a falsa cristandade do primeiro século conheceu. E mais: até o ano 70, o falso cristianismo foi pregado, sobretudo, nas sinagogas, ou mesmo entre os judeus, com a forma, a cerimônia e as vestes da adoração hebraica passando para o ritual “cristão”, tanto que o cordeiro pascal dos judeus se sublimou no Agnus Dei, o cordeiro de deus expiatório da missa católica; a nomeação de anciãos para governar as igrejas foi copiada dos métodos judaicos de dirigir as sinagogas; muitas festas dos judeus, como a Páscoa e Pentecostes, foram aceitas no calendário da falsa cristandade, embora em dias diferentes e de conteúdo alterado; o que nada tinha a ver com Jesus, o Cristo, e também com Pedro.

Se tudo que São Jerônimo, Lactâncio e Orígenes dizem a respeito de Pedro não tem procedência, além do fato de ser tudo desencontrado, não poderia jamais a Igreja Católica ligá-lo ao papado, e muito menos a um seu possível sucessor, mas mesmo assim ela o faz, tramando ardilosa e astutamente a sua ligação com São Lino, para que assim pudesse formar um elo de ligação partindo de Jesus, o Cristo e passando por Pedro, que era o seu apóstolo, continuando com São Lino e daí por diante, até chegar ao dissimulado e hipócrita papa jesuíta Francisco I. Mas não se avexem e nem se escandalizem os credulários católicos, que essa dissimulação e hipocrisia desse papa safado eu vou provar através de imagens, além de outras imposturices mais. Saibam vocês que eu sou o explanador do Racionalismo Cristão, que foi fundado por Luiz de Mattos, o espírito da verdade, que a transmitiu ao mundo através de uma doutrina, juntamente com os seus seguidores, em que na minha explanação eu uno, irmano, congrego, a verdade com a sabedoria, alcançando a razão. Então eu não minto e muito menos falseio as minhas palavras, primando sempre pela minha sinceridade, e desta eu não abro mão, por hipótese alguma.

São Lino é considerado pelo Anuário Pontifício como sendo o segundo bispo de Roma, tendo sucedido ao apóstolo Pedro, motivo pelo qual ele é identificado pela Igreja Católica como sendo o segundo papa. Mas qual seria a ligação de Pedro com São Lino? Nenhuma. A mentira começa com Irineu de Lyon, ou Santo Irineu, nascido em 130, que foi um bispo teólogo e um escritor assaz dedicado ao falso cristianismo, o qual atacava fervorosamente ao gnosticismo, especialmente ao gnóstico Valentim, como prova a sua obra Contra Heresia, escrita no ano 180, pois que o gnosticismo era uma séria ameaça à Igreja primitiva, por isso ele enfatizava os elementos da Igreja, especialmente o episcopado, as Escrituras e a tradição, tendo sustentado a posição de que a única forma dos “cristãos” se manterem unidos era aceitarem humildemente uma autoridade doutrinária dos concílios episcopais, daí a razão pela qual os seus escritos, assim como também os de Clemente e Inácio, procurarem induzir evidências infundadas na crença credulária da primazia papal. Santo Irineu vem se referir a São Lino como sendo o segundo bispo de Roma, tomando por base São Paulo, que em 2 Timóteo 4:21, diz o seguinte:

Faze o máximo para chegar antes do inverno.

Êubulo manda os seus cumprimentos, e Pudente, e Lino, e Cláudia, e todos os irmãos”.

Mas onde se encontra qualquer referência ao papado de Lino? Em lugar algum. E por qual motivo não se encontra o papado de Lino em lugar algum? Simplesmente porque não se sabe praticamente nada acerca da sua vida. E por que não se sabe praticamente nada da sua vida? Justamente porque a menção de São Lino na historiografia vai apenas ocorrer um século após a sua morte. E por quem? Ora, por Santo Irineu. E depois de Santo Irineu? Ora, por São Jerônimo, já mencionado mais acima.

Todos sabem que a mentira tem pernas curtas, como se diz comumente por aí afora, e que sempre o mentiroso entra em contradição, invariavelmente em contradição. Com o papado não poderia ser diferente, por isso essa mentira de que Pedro foi o primeiro papa possui diversas contradições acerca dos seus “sucessores”.

Irineu, Júlio Africano, Hipólito, Eusébio e o Catálogo Liberiano, que é uma lista de papas que terminou no papa Libério, em 366, de quem tomou emprestado o nome, indicam o período de 64 a 67 para o papado de São Lino, logo após o fim do pontificado de Pedro. O Liber Pontificallis, que é um livro de biografias dos papas de Pedro até o papa Estêvão V, do século XV, afirma ser o ano de 56. Santo Irineu lista os nomes dos papas na ordem aceita pelo Anuário Pontifício, precedido desde 1716 de várias publicações, que passou a seu publicado desde 1940, sob a responsabilidade da Secretaria de Estado do Vaticano, quando anualmente é apresentado ao papa, cuja ordem de sucessão é São Lino, Anacleto e Clemente. Santo Agostinho e Optatus ordenam a sucessão com os nomes de São Lino, Clemente e Anacleto. Epifânio de Salamina e Rufino de Aquileia atestam que Anacleto teria sido co-bispo junto com São Lino. E Tertuliano ignora tanto a São Lino como a Anacleto e vai direto para Clemente como tendo sido o sucessor de Pedro, em Roma.

São tantas as contradições, são tantas as discrepâncias, são tantos os desencontros, que os historiadores mais crédulos tentam de algum modo conciliar a todas essas mentiras, tanto que o historiador Lipsius vem propor que Lino, Anacleto e Clemente exerceram o episcopado ao mesmo tempo. Em função disso, outros historiadores passaram a levantar a hipótese de que no primeiro século não havia distinção entre bispo e presbítero, além de haver uma pluralidade de bispos sobre a Igreja em uma determinada cidade.

Para milhões e milhões de católicos espalhados pelo mundo inteiro, o decreto de 1870 do Concílio Vaticano I é considerado como sendo um dogma da Igreja Católica, um ensino indiscutível, mas indiscutível apenas para os seus cretinos arrebanhados, pois que para aqueles que realmente raciocinam essa farsa tanto pode como deve ser atirada por terra, e será atirada por terra em qualquer seara argumental, pois que os católicos sendo cativos da fé credulária, tendem a se amparar no argumento de que isso é um ensino bíblico, nele se fixando. Então vamos satisfazer a esses credulários católicos sob os argumentos contidos na própria Bíblia, que são os que eles mais aceitam, em função de darem pouco trato ao raciocínio.

O decreto de 1870 do Vaticano I tomou por base principalmente a interpretação das passagens bíblicas contidas em Mateus 16:18, a qual já foi devidamente explanada mais acima, sabendo-se agora que essa congregação se refere diretamente ao Racionalismo Cristão, e em João 21:15 a 17, que diz o seguinte:

Então, depois de terem almoçado, Jesus disse a Simão Pedro: ‘Simão, filho de João, amas-me mais do que estes’? Ele lhe disse: ‘Sim, Senhor, tu sabes que tenho afeição por ti’. Disse-lhe ele: ‘Apascenta meus cordeiros’. Novamente lhe disse ele, pela segunda vez: ‘Simão, filho de João, amas-me’? Ele lhe disse: ‘Sim, Senhor, tu sabes que tenho afeição por ti’. Disse-lhe ele: ‘Pastoreia minhas ovelhinhas’. Disse ele pela terceira vez: ‘Simão, filho de João, tens afeição por mim’? Pedro ficou contristado por ele lhe dizer pela terceira vez: ‘Tens afeição por mim’? De modo que lhe disse: ‘Senhor, tu sabes todas as coisas; tu te apercebes que eu tenho afeição por ti’. Jesus disse-lhe: Apascenta as minhas ovelhinhas’”.

Suponhamos que essas palavras de João sejam procedentes. O fato de Jesus, o Cristo, entregar a Pedro o rebanho da nossa humanidade é algo plausível, dada a integridade desse seu discípulo, mas daí entregar esse rebanho humano para ser cuidado por lobos, como lobos são praticamente todos os papas, torna-se algo inconcebível. Além do mais, isto não forma qualquer ligação com o papado, pois já foi claramente demonstrado que Pedro nunca foi papa, e nunca poderia ter sido papa pelo fato de Jesus, o Cristo, não haver lhe dado esse ministério aos seus apóstolos, como se pode comprovar efetivamente em Mateus 20:27, que diz:

E quem quiser ser o primeiro entre vós tem de ser o vosso escravo”.

Assim, não pode haver qualquer ligação entre Pedro e os papas, pois estes, ao invés de escravos, são os soberanos do credo católico, que agem feito reis, ou imperadores, que brigam entre si pelo poder, matando, trucidando e guerreando com os seus exércitos papais, à moda de Jeová, o deus bíblico, sendo tão grande a disputa pelo trono papal que já houveram até três papas, com todos disputando acirradamente a soberania católica, e até a Igreja do Ocidente brigou com a Igreja do Oriente pela supremacia do papado em todo o mundo.

É certo que é muito comum os seres humanos disputarem a liderança de um determinado grupo, pois ainda não sabem o que seja realmente a liderança. Os apóstolos disputaram entre si a liderança desse grupo dos discípulos de Jesus, o Cristo, o que demonstra claramente que Pedro não era o líder. E o mais interessante disso não é propriamente a disputa pela liderança do grupo, mas sim como acabou a disputa, conforme consta em Marcos 9:33 a 35, da seguinte maneira:

E entraram em Cafarnaum. Então, quando ele estava dentro de casa, fez-lhes a pergunta: ‘Sobre que estáveis disputando na estrada’? Eles ficaram calados, pois, na estrada tinham disputado entre si quem era maior. Assentou-se assim, chamou os doze e disse-lhes: ‘Se alguém quer ser o primeiro, tem de ser o último de todos e ministro de todos’”.

Todos sabem que um ministro de um governo lida com importantes funções executivas, sendo responsável pela gestão de uma pasta, ou seja, pela gestão de uma área temática governativa, o que implica normalmente a direção de uma das várias e grandes repartições governamentais, geralmente designadas de ministérios, respondendo perante o chefe de Estado, o chefe de governo ou o parlamento.

O Vaticano é um Estado, cujo chefe de Estado é o próprio papa, o seu governante, que jamais foi o último de todos, mas que tem o corpo de cardeais como sendo os seus ministros, então ele não é o ministro de todos, mas sim a sua autoridade máxima, posto que seja o governante. Note-se, porém, que Jesus, o Cristo, utilizou a expressão: “Se alguém quer ser o primeiro”, o que implica em dizer que ele não nomeou nem Pedro e nem qualquer outro dos apóstolos para ser o líder do grupo, e muito menos para ser o papa, e menos ainda da Igreja Católica, que nada tem a ver com o racionalismo dos seus ensinamentos, em razão da Igreja Católica ser anticristã.

Mas aí alguém que seja menos raciocinador e mais bitolado aos textos bíblicos pode vir querer argumentar que de acordo com as palavras de Jesus, o Cristo, Pedro se fez ministro dos apóstolos, por conseguinte, foi o primeiro papa, tal como ministro, e que os seus sucessores podem ser considerados também como ministros.

E aqui cabe a seguinte indagação: Mas ministro de quem? Dos apóstolos? Dos seguidores de Jesus, o Cristo? De toda a nossa humanidade? Do próprio Jesus, o Cristo, na Terra? Ignora esse bíblico que existe um princípio administrativo que ensina que um administrador deve ter um número limitado de subordinados, que no caso de Jesus, o Cristo, eram doze, os seus apóstolos, e que por isso ele jamais poderia nomear um deles como sendo o seu ministro, com ele mesmo ministrando as ordens diretamente aos seus doze apóstolos. É o que consta em Lucas 22:24 a 27, da seguinte maneira:

No entanto, levantou-se também uma disputa acalorada entre eles sobre qual deles parecia ser o maior. Mas ele lhes disse: ‘Os reis das nações dominam sobre elas, e os que têm autoridade sobre elas são chamados de benfeitores. Vós, porém, não deveis ser assim. Mas, que o maior entre vós se torne como o mais jovem, e o que age como principal, como aquele que ministra. Pois, quem é maior, aquele que se recosta à mesa ou aquele que ministra? Não é aquele que se recosta à mesa? Mas eu estou no vosso meio como quem ministra’”.

Mas voltemos ao decreto de 1870 do Vaticano I, que tomou por base a interpretação da passagem bíblica contida em Mateus 16:18, para tornar Pedro como sendo o primeiro papa, e repitamos a essa passagem, para que então possamos contestá-la sob o ponto de vista exclusivamente bíblico:

Também, eu te digo: Tu és Pedro, e sobre esta rocha construirei a minha congregação, e os portões do Hades não a vencerão”.

Ao que parece Pedro sabia acerca das várias profecias contidas nas Escrituras Hebraicas sobre a pedra, ou a pedra angular, conforme consta em Isaías 8:14 e Zacarias 3:9, cujas passagens bíblicas nesta mesma ordem são narradas da seguinte maneira:

E ele terá de tornar-se como um lugar sagrado; mas como pedra contra que se esbarra e como rocha em que se tropeça, para ambas as casas de Israel, como armadilha e como laço para os habitantes de Jerusalém”.

Pois, eis a pedra que pus diante de Josué! Sobre a única pedra há sete olhos. Eis que gravo a sua gravura, é a pronunciação de Jeová dos exércitos, e num só dia vou afastar o erro daquela terra”.

Jesus, o Cristo, jamais poderia se posicionar ao lado desse belicoso Jeová dos exércitos, por isso Pedro se utilizou do termo pedra, a mesma palavra utilizada pelo nosso Redentor em Mateus 16:18, para se referir diretamente a Jesus, o Cristo, o grande responsável por barrar as pretensões de Jeová, o deus bíblico, em seu objetivo de destruir a vida na terra através do fogo, por intermédio da sua congregação, que é justamente o Racionalismo Cristão, como agora está se concretizando com esta sua explanação. É o que consta em 1 Pedro 2:4 a 8, da seguinte maneira:

Chegando-vos a ele, como a uma pedra vivente, rejeitada, é verdade, pelos homens, mas escolhida preciosa para Deus, vós mesmos também, como pedras viventes, estais sendo edificados como casa espiritual, tendo por objetivo um sacerdócio santo, para oferecerdes sacrifícios espirituais, aceitáveis a Deus por intermédio de Jesus Cristo. Pois isso está contido na Escritura: ‘Eis que ponho em Sião uma pedra, escolhida, uma pedra angular de alicerce, preciosa; e ninguém que nela exercer a fé de modo algum ficará desapontado’.

É para vós, portanto, que ele é precioso, porque vós sois crentes; mas, para os que não creem, a mesma pedra que os construtores rejeitaram tem-se tornado a principal do ângulo, e uma pedra para tropeço e uma rocha de ofensa. Estes tropeçam porque são desobedientes à palavra. Foram também designados para este mesmo fim”.

Embora Jesus, o Cristo, tenha se referido em Mateus 16:18 a Pedro para construir a sua congregação, que é o Racionalismo Cristão, nem mesmo São Paulo considerava que Jesus, o Cristo, havia construído a Igreja Católica sobre Pedro, pois, na verdade, ele acreditava que essa pedra era o próprio Jesus, o Cristo, como consta em Coríntios 3:9 a 11 e 10:4, em que ele nesta mesma ordem se expressa assim:

Pois somos colaboradores de Deus. Vós sois campo de Deus em lavoura, edifício de Deus.

Segundo a benignidade imerecida de Deus, que me foi dada, eu, como diretor sábio de obras, lancei um alicerce, mas outro construiu sobre ele. Cada um, porém, persista em vigiar quanto a como constrói sobre ele. Pois nenhum homem pode lançar outro alicerce senão aquele que foi lançado, que é Jesus Cristo”.

E todos beberam a mesma bebida espiritual. Porque costumavam beber da rocha espiritual que os seguia, e essa rocha significava o Cristo (grifo meu)”.

A única conclusão lógica e racional a que se pode chegar é que Pedro não conhecia sequer esse título vergonhoso de papa, pois, na realidade, até o século IX, muitos bispos não romanos também se denominavam papas, mas esse termo raramente foi usado como título oficial até ao final do século XI. Por isso o erudito alemão Martin Hegel veio a concluir que não existe qualquer base histórica ou mesmo teológica para o que veio a se tornar o primado papal.

Estando assim provado e comprovado lógica e racionalmente que Pedro nunca teve nada a ver com o papado, que essa história de que ele foi o primeiro papa não passa de uma tremenda burla, uma farsa católica, própria para enganar aos incautos, torna-se também claro e evidente a razão pela qual nunca existiu, não existe e jamais existirá qualquer representante de Jesus, o Cristo, na Terra, não se podendo ligar o apóstolo Pedro a esse logro milenar católico, que se deve ainda à ânsia incontida pelo poder que sempre demonstrou a classe sacerdotal, quando a bisparada procurou por todos os meios sobrepujar uns aos outros, saindo vitoriosa a bisparada romana, em relação aos seus concorrentes do Oriente.

Mas vejamos novamente essa divergência acerca do primado papal dentro do seio da própria Igreja Católica Apostólica Romana, para comprovar o ditado popular de que o mal por si se destrói, por intermédio do discurso pronunciado no próprio Concílio de 1870, sobre a infalibilidade do papa, pelo bispo da Igreja Católica Strossmayer, que deve ter sido devidamente intuído pelo Astral Superior para que pudesse afirmar o seguinte:

“Pensei que se Pedro fosse vigário de Jesus Cristo, ele não o sabia, pois que nunca procedeu como papa, nem no dia de Pentecostes, quando pregou o seu primeiro sermão, nem no Concílio de Jerusalém, presidido por S. Tiago, nem na Antioquia e nas Epístolas que dirigiu às Igrejas. Será possível que ele fosse papa sem o saber?

Permiti que repita: folheando os sagrados escritos, não encontrei o mais leve vestígio do papado, nos tempos apostólicos.

E, percorrendo os anais da Igreja, nos quatro primeiros séculos, o mesmo me sucedeu!

Confessar-vos-ei que o que encontrei, foi o seguinte:

Que o grande Santo Agostinho, bispo de Hipona, honra e glória do Cristianismo e secretário no Concílio de Melive, nega a supremacia ao bispo de Roma.

Que os bispos da África, no sexto Concílio de Cartago, sob a presidência de Aurélio, bispo dessa cidade, admoestavam a Celestino, bispo de Roma, por se supor superior aos demais bispos, enviando-lhes comissionados e introduzindo o orgulho na Igreja.

Que, portanto, o papado não é instituição divina.

Deveis saber, meus veneráveis irmãos, que os padres do Concílio de Calcedônia colocaram os bispos da antiga e nova Roma na mesma categoria dos demais bispos.

Que aquele sexto Concílio de Cartago proibiu o título de “Príncipe dos Bispos”, por não haver soberania entre eles.

E que S. Gregório I escreveu estas palavras, que muito aproveitam à tese: — Quando um patriarca se intitula “Bispo Universal”, o título de patriarca sofre incontestavelmente descrédito. Quantas desgraças não devemos nós esperar, se entre os sacerdotes se suscitarem tais ambições?

Esse “bispo” será o rei dos orgulhosos! — Pelágio II, (Cett, 13).

Com tais autoridades e muitas outras que poderia vos citar, julgo ter provado que os primeiros bispos de Roma não foram reconhecidos como bispos universais ou papas, nos primeiros séculos do Cristianismo.

E, para mais reforçar os meus argumentos, lembrarei aos meus veneráveis irmãos que foi Ósio, bispo de Córdova, quem presidiu o primeiro Concílio de Niceia, redigindo os seus cânones; e que foi ainda esse bispo que, presidindo o Concílio de Sardíaca, excluiu o enviado de Júlio, bispo de Roma!

Mas, da direita me citam estas palavras do Cristo — Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja (não é a sua Igreja, mas sim a sua congregação, digo eu).

Sois, portanto, chamados para este terreno.

Julgais, veneráveis irmãos, que a rocha ou a pedra sobre que a Santa Igreja está edificada, é Pedro, mas permiti que eu discorde desse vosso modo de pensar.

Diz S. Cirilo, no seu quarto livro sobre a Trindade: ‘A rocha ou pedra de que nos fala Mateus, é a fé imutável dos Apóstolos’.

1. Olegário, bispo de Poitiers, em seu segundo livro sobre a Trindade, repete: Que aquela pedra é a rocha da fé confessada pela boca de São Pedro. E no seu sexto livro, mais luz nos fornece, dizendo: É sobre esta rocha da confissão da fé que a Igreja está edificada.

2. Jerônimo, no sexto livro sobre S. Mateus, é de opinião que Deus fundou a sua Igreja sobre a rocha ou a pedra que deu o nome a Pedro.

Nas mesmas águas navega S. Crisóstomo quando, em sua homília 56, a respeito de Mateus, escreve: — Sobre esta rocha edificarei a minha Igreja: e esta rocha é a confissão de Pedro.

E eu vos perguntarei, veneráveis irmãos, qual foi a confissão de Pedro.

Já que não me respondem, eu vô-la darei: “Tu és o Cristo, o filho de Deus”.

Ambrósio, o santo Arcebispo de Milão, S. Basílio de Salência e os padres do Concílio de Calcedônia ensinam precisamente a mesma coisa.

Entre os doutores da antiguidade cristã, Santo Agostinho ocupa um dos primeiros lugares, pela sua sabedoria e pela sua santidade. Escutai como ele se expressa sobre a primeira epístola de S. João: Edificarei a minha Igreja sobre esta rocha, significa claramente que é sobre a fé de Pedro.

No seu tratado 124, sobre o mesmo S. João, encontra-se esta significativa frase: Sobre esta rocha, que acabais de confessar, edificarei a minha Igreja; e a rocha era o próprio Cristo, filho de Deus.

Tanto esse grande e santo bispo não acreditava que a Igreja fosse edificada sobre Pedro, que disse em seu sermão nº 13: — Tu és Pedro, e sobre essa rocha ou pedra que me confessaste, que reconheceste, dizendo: Tu és o Cristo. O filho de Deus vivo, edificarei a minha Igreja, sobre mim mesmo; pois sou o filho de Deus vivo. Edificarei sobre mim mesmo, e não sobre ti.

Haverá coisa mais clara e positiva?

Deveis saber que essa compreensão de Santo Agostinho, sobre tão importante ponto do Evangelho, era a opinião corrente do mundo cristão naqueles tempos. Estou certo de que não me contestareis.

Assim é que, resumindo, vos direi:

1º Que Jesus deu aos outros apóstolos o mesmo poder que deu a Pedro.

2º Que os apóstolos nunca reconheceram em S. Pedro a qualidade de vigário do Cristo e infalível doutor da Igreja.

3º Que o mesmo Pedro nunca pensou ser papa, nem fez coisa alguma como papa.

4º Que os concílios dos quatro primeiros séculos nunca deram, nem reconheceram o poder e a jurisdição que os bispos de Roma queriam ter.

5º Que os Santos Padres, na famosa passagem: — Tu és Pedro, e sobre essa pedra (a confissão de Pedro) edificarei a minha Igreja, — nunca entenderam que a Igreja não estava edificada sobre Pedro (super petrum), isto é: sobre a confissão da fé do apóstolo!

Concluo, pois, com a história, a razão, a lógica, o bom senso e a consciência do verdadeiro cristão, que Jesus não deu supremacia alguma a Pedro, e que os bispos de Roma só se constituíram soberanos da Igreja confiscando, um por um, todos os direitos de episcopado!

… Volto, porém, a dizer-vos que, se decretais a infalibilidade do atual bispo de Roma, devereis decretar também a de todos os seus antecessores; mas, vos atrevereis a tanto? Sereis capazes de igualar a Deus todos os incestuosos, avaros, homicidas e simoníacos bispos de Roma?”.

Como o próprio bispo Strossmayer afirma de dentro do seio da própria Igreja Católica, como visto logo mais acima, muitos papas foram incestuosos, avaros, homicidas e simoníacos. Mas, além disso, aliás, muito mais além disso, a Igreja Católica, que se diz a representante de Jesus, o Cristo, na Terra, por intermédio dos papas e dos seus sacerdotes, representa o credo que mais praticou crimes em toda a história da nossa humanidade, senão vejamos apenas o resumo dos principais:

  1. Em nome de Jesus, o Cristo, ela elaborou uma doutrina sobrenaturalística completamente incongruente, com base na Bíblia, um livro dito sagrado, mas o mais mentiroso do mundo, por ser obra do astral inferior, e que teve um assassino, São Paulo, como o precursor dessa doutrina, sendo tanto essa doutrina como esse livro dito sagrado carregados de baboseiras, repletos de ignorâncias, quando o próprio Jesus, o Cristo, afirmou que somente a verdade poderia livrar a humanidade das garras da ignorância e levá-la para o cumprimento do dever;
  2. Em decorrência, a Igreja Católica se danou a semear a ignorância por todo o orbe terrestre, fazendo com que todos os seus arrebanhados se tornassem uns verdadeiros cretinos, muito mansos, obedientes e crentes, seguindo rigorosamente aos seus dogmas e preceitos estapafúrdios;
  3. Como não tinha as bases racionais para formular a essa sua doutrina incongruente e nem para a compreensão devida desse seu livro dito sagrado, inoculou criminosamente a fé credulária na mente de todos os seus arrebanhados, que sendo todos ignorantes e mentalmente por demais atrasados, cegaram estupidamente as suas visões acerca da espiritualidade, ao adquirirem a essa fé credulária maligna, mergulhando a humanidade em um verdadeiro caos por séculos e séculos, quando a fé credulária se estabelecia no mundo, com a Idade da Fé, e após o seu estabelecimento, com a Idade das Trevas, somente aliviado um pouco esse caos credulário com a Renascença, mas com essa fé credulária maligna perdurando em menores proporções até aos tempos atuais, impedindo a evolução espiritual dos seres humanos, tais como espíritos que realmente são;
  4. Sendo a Igreja Católica diretamente contrária a tudo o que foi ensinado por Jesus, o Cristo, por conseguinte, sendo inversamente proporcional aos seus ideais para com a nossa humanidade, ele que sempre foi pobre, simples e humilde, ela por sua vez sempre acumulou poderes e riquezas em toda a sua história, bem mais até do que os maiores impérios do mundo, chegando ao ponto de possuir dois terços das terras aráveis da Europa, além de muitas outras terras espalhadas pelo mundo, mantendo escravos e emprestando dinheiro a juros, algo que Jesus, o Cristo, jamais ensinou ou desejou possuir quando aqui esteve encarnado;
  5. Em decorrência, os seus sacerdotes, a partir dos próprios papas, sempre viveram no mais completo luxo, vivendo em palácios, empanturrando-se à vontade com comidas e bebidas, cobrando impostos, taxas, indulgências, dízimos, contribuições, e tudo o mais que lhes dessem poder e riqueza;
  6. Vivendo nessas mordomias desenfreadas, a degeneração papal e dos seus sacerdotes vieram à tona, tornando-se do conhecimento de todos, com os papas mantendo relações sexuais com as suas próprias filhas, praticando, pois, o incesto, mantendo concubinas e amantes, estas muitas vezes mulheres casadas, praticando a pederastia, a pedofilia, os bacanais e tudo o mais de nocivo e prejudicial à moral dos seres humanos, sendo eles devidamente seguidos pelos seus sacerdotes, que demonstravam ser ainda muito mais depravados, pois que também eram escravos das orgias, cujas práticas perduram até aos dias de hoje, tendo a Igreja Católica muitas vezes que pagar pesadas indenizações pelas práticas dessas atrozes imoralidades;
  7. A ânsia pelo poder e pela riqueza ensejava a que o papado mantivesse os seus exércitos para poder guerrear pela conquista ou pela manutenção dos territórios subjugados ao Vaticano, e quando assim não procedia, estimulava a guerra entre as nações, através de ardis e artifícios, para que estas enfraquecessem e não pudessem disputar os territórios visados pela Igreja;
  8. Sendo a principal inoculadora da fé credulária neste mundo, da fé irracional que cega, que fanatiza e que produz a intolerância, ensejando a que todo o mal seja praticado em favor das suas crenças, incluindo-se os piores e os mais abomináveis crimes, a Igreja Católica assim promoveu as Cruzadas, que foram várias guerras contra o Islã, matando e trucidando milhares e milhares de pessoas, inclusive mulheres e crianças, e até aos judeus e aos próprios católicos do Oriente, que não tinham nada a ver com o caso, em que os cruzados, não satisfeitos e não seguindo aos seus objetivos, pilhavam e saqueavam vilas e cidades, matando e trucidando aos seus habitantes simplesmente para poderem roubar;
  9. Comprovando para qualquer ser humano raciocinante que praticamente tudo o que se encontra inserido em sua doutrina e no seu livro dito sagrado representa a mais brutal ignorância e a mais deslavada mentira, com base em ambos a Igreja Católica assassinou milhares e milhares de mulheres por esse mundo afora, queimando-as nas fogueiras, sob a acusação de que eram todas feiticeiras, inclusive a heroína francesa Joana D’Arc, tendo depois a canonizado, quando então ela passou a integrar o rol dos santos fabricados pelo Vaticano;
  10. Todos aqueles que procuravam expressar os seus próprios pensamentos, livres das peias do catolicismo, eram considerados hereges, sendo todos eles condenados por heresia. Mas o fato é que a Igreja Católica não se caracteriza apenas pela sua ânsia de poder e riqueza, e nem também apenas pelos seus crimes hediondos e pelas suas depravações bestiais, praticando os piores males de que a história da humanidade tem notícia, pois ela ainda pugna pela sua imensa falsidade e o seu profundo cinismo. Assim, ela entregava os condenados pelo crime de heresia ao poder secular, para que este procedesse à execução, queimando-os na fogueira. Deveria a Igreja Católica ter procedido a tudo, desde o julgamento, passando pelas torturas e condenação, até a execução, pelo menos assim poderia assumir todo o mal praticado, tornando-se menos safada e repugnante;
  11. Desde que surgiu no seio da nossa humanidade, a Igreja Católica jamais se satisfez em pregar apenas a ignorância das suas crenças, em praticar os seus crimes, as suas orgias depravadas, as suas guerras, os seus assassinatos e outros males, pois ela sempre interferiu no governo secular, com os papas sendo ainda mais poderosos do que os mais poderosos dos reis e imperadores, ocorrendo o declínio mais acentuado desse poder apenas ao final do século XX, embora ainda hoje ela tenha alguma influência, pois é ciente do poder dos votos dos seus fiéis;
  12. O credo católico, principalmente por intermédio da Reforma Protestante, foi retalhado em milhares de seitas, com todas elas estufando o peito para se dizerem cristãs, sempre com as suas pregações tendo por base a mentirosa Bíblia, mas elas, sem qualquer exceção, além de continuarem a propagar a ignorância em todos os recantos do mundo, continuam a explorar financeiramente aos seus arrebanhados, sem qualquer demonstração de piedade, prometendo sempre a esdrúxula salvação, além dos atrativos das bênçãos, dos milagres, das curas, dos progressos financeiros, dos empregos, e tudo o mais que de ruim e safado os seus sacerdotes conseguem inventar para as suas patifarias.

Essa dúzia de relatos criminosos expostos acima, que representa apenas um resumo dos males credulários dos sacerdotes que afirmam seguir a Jesus, o Cristo, comprovam sobejamente que esse credo e as suas seitas não podem ser considerados como sendo cristãos, por hipótese alguma, muito pelo contrário, todos eles são anticristãos, pelo fato das suas pregações e das condutas dos seus líderes se encontrarem frontalmente contra os ensinamentos e a conduta de Jesus, o Cristo. Em decorrência, todos os seus arrebanhados, que também se julgam cristãos, na realidade, são igualmente anticristãos. No entanto, como os arrebanhados não cometeram os mesmos crimes que os sacerdotes anticristãos cometeram, eles poderiam até ser denominados simplesmente de avulsos, mas como são todos cretinos e não possuem um rumo na vida, além de obedientes aos sacerdotes, são também anticristãos.

Como se pode facilmente comprovar, somente um perfeito idiota pode continuar a seguir a esse credo e as suas seitas. Mas como não existe a perfeição neste mundo, ninguém pode atingir ao grau de um perfeito idiota, mas sim, simplesmente idiota. Assim, aqueles que continuarem a seguir ao catolicismo e as suas seitas, além de idiotas, deverão continuar a ser considerados como sendo anticristãos. Os que não tiverem nenhum rumo espiritual a seguir na vida serão considerados apenas como avulsos, tais como os ateus. Os que continuarem a seguir a outros credos serão os mais atrasados, pois os credulários que se julgam cristãos, pelo menos reconhecem a grandeza de Jesus, o Cristo, apesar de o considerarem o filho único do próprio deus bíblico, divinizando-o, enquanto que aqueles de outros credos vão ficando cada vez mais longe da cristandade. E os que se dispuserem a militar no Racionalismo Cristão serão considerados antecristãos, os precursores do verdadeiro cristianismo.

Como os católicos pensam ingênua e obtusamente que os papas são os “santos padres”, que são os representantes de Jesus, o Cristo, na Terra, que são dedicados à espiritualidade, que se preocupam com o povo em geral, sem que eu venha a perder muito tempo com essa corja de patifes, de todos esses patifes, vamos selecionar alguns papas que foram de todos os mais patifes, para que assim todos possam constatar claramente o nível de patifaria que sempre se assentou sobre o trono papal.

 

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