16.11- O papa negro

Prolegômenos
10 de julho de 2018 Pamam

A agência de notícias Reuters, do Brasil, em uma reportagem escrita por Philip Pullella, em 07 de janeiro de 2008, sob o título JESUÍTAS SE ENCONTRAM EM ROMA PARA ESCOLHER O NOVO PAPA NEGRO publicou o seguinte:

ROMA (Reuters) — Não haverá fumaça branca para avisar ao mundo que ele foi eleito, mas outro tipo de conclave secreto começou na segunda-feira em Roma — o que vai escolher o novo líder mundial dos jesuítas, conhecido como o ‘papa negro’.

Numa sede jesuíta a um quarteirão do Vaticano, 225 delegados de todo o mundo vão escolher o novo superior da maior e talvez mais influente, prestigiosa e polêmica ordem clerical católica”.

A Companhia de Jesus, cujos membros são conhecidos como jesuítas, é uma ordem credulária fundada em 1534 por um grupo de estudantes da Universidade de Paris, liderados pelo basco Íñigo López de Loyola, conhecido posteriormente como Ignácio de Loyola. A congregação dos jesuítas foi reconhecida por bula papal em 1540, sendo hoje conhecida principalmente pelos seus trabalhos missionário e educacional.

Quanto ao seu trabalho missionário, eles perambulam pelo mundo arrebanhando os seres humanos mais fracos para que se convertam ao falso cristianismo católico, passando a fazer parte do bando de Jeová, o deus bíblico, influindo nos governos das nações, cujo assunto deverá ser abordado mais adiante. E quanto ao seu trabalho educacional, isso não passa de uma artimanha sacerdotal desse perigoso grupo credulário, uma estratégia extremamente ardilosa, que somente pode enganar aos incautos, pois que o objetivo é influir no corpo mental dos jovens, ainda em formação, para incutir em suas mentes a doutrina católica, que assim fica gravada no perispírito desses jovens ainda inexperientes, marcando indelevelmente o seu corpo mental, assim como nas fábulas, em que uma pessoa extremamente má coloca o bicho-papão para tomar conta das crianças, ou então um lobo para tomar contas das ovelhas, cujo assunto deverá ser abordado também mais adiante.

Para que se possa avaliar com uma maior precisão todo o negrume que se encontrava na alma de Ignácio Loyola, e assim a razão pela qual o chefe dos jesuítas é chamado em todo o mundo de o papa negro, embora todos os papas tenham as suas almas também negras, eu vou reproduzir um trecho do artigo escrito por Antônio Cottas, o consolidador do Racionalismo Cristão, sobre algumas partes da vida de Luiz de Mattos, que se encontra na obra Páginas Antigas, as páginas 106 a 122, inclusive narrando como o nosso veritólogo maior se iniciou na Espiritologia e a sua doutrinação a Ignácio de Loyola, que diz o seguinte:

No fim da quarta sessão que Luiz de Mattos, sem interrupção vinha presidindo, atua um espírito num dos médiuns ao lado dele e insulta-o barbaramente. Desconhecendo esse fenômeno e supondo fosse o médium o insultador, leva a mão ao bolso para sacar o revólver, quando rapidamente fica atuado o outro médium, e fala-lhe padre Antônio Vieira:

— Acalma-te! Quando para cá vieres, deixa lá isso em casa. Pois então não vês que o médium é um simples porta-voz dos espíritos? Como querias agir por essa forma, se no espírito não podias atirar, nem matar?

— Tem paciência, estuda, eu te ajudarei; porém, é a ti que compete doutrinar, não só esse, como tantos milhares de outros que irão aparecer, e assim precisas ajudar-me a limpar a atmosfera da Terra dos jesuítas que nela se têm quedado para a prática, ainda mais desenvolvida, de crimes, que também já praticavam quando encarnados. Acordaste tarde, era para aos 26 anos teres iniciado comigo estes trabalhos, mas já que despertaste agora, e foi preciso que te sacudisse o ataque cardíaco, para te lembrares que a vida não desce à sepultura e sim ascende ao Espaço, a ligar-se a outras vidas, não podes mais perder tempo. Ajuda-me, pois, meu filho, estuda, e outros a ti se juntarão para levar por diante a bela doutrina de Cristo.

— Esse espírito que acabou de manifestar-se é Ignácio de Loyola, teu e meu companheiro em diversas encarnações. Há 400 anos que ele se queda na atmosfera da Terra, como terrível obsessor e chefe de grandes falanges. Cabe a ti doutriná-lo, e mostrar-lhe o erro em que vive.

Acalmado tudo e encerrada a Sessão, não mais faltou Luiz de Mattos aos trabalhos, nesse Centro, pobre materialmente falando, mas riquíssimo de luz, de saber, enfim.

Nas sessões seguintes, novamente se manifesta Loyola e, prevenido que estava Luiz de Mattos pelo Guia Padre Antônio Vieira, deixou Loyola falar à vontade. De súbito, Luiz de Mattos entra numa longa dissertação da Natureza, referindo-se a Deus, não à semelhança do homem, mas como Inteligência Universal, a irradiar por toda parte onde existe vida.

Loyola espanta-se do que ouve do seu ex-companheiro jesuíta, quando frei Bernardo ou S. Bernardo, e pergunta-lhe:

— Mas tu, como eu, não acreditavas em Deus, tu que há pouco eras ateu, eras materialista, como e onde foste aprender coisas tão belas, como as que me explicaste?

— Amigo, o grande Pe. Antônio Vieira, de nós muito conhecido, disse-me ser preciso acordar, que no Universo apenas existem Força e Matéria (leia-se Força, Energia, Luz e os seres digo eu) e que na Terra os encarnados são instrumentos simplesmente do bem ou do mal. Portanto, se o que eu te disse te espantou, eu nada mais fui do que porta-voz das Forças Superiores que ao seu encargo têm a remodelação do planeta e tu a elas precisas pertencer.

Grande foi o diálogo havido, porém, o resumimos e damos apenas uma idéia de como se iniciou o chefe do Racionalismo Cristão nesta bela doutrina.

Enquanto Luiz de Mattos dissertava, com a sua voz de trovão, de orador, de impulsionador, Loyola, cada vez mais iluminava a sua alma e, rompendo do véu de negrura em que estava envolvido, ia vendo, luminoso, radiante, o espírito de Luiz de Mattos, assistido por Antônio Vieira, Camões, São Pedro, Custódio Duarte e tantas outras almas suas conhecidas. Reconhecendo-se vencido pelas verdades que havia proferido Luiz de Mattos, pede-lhe que irradie sobre a sua alma, reconhecendo que foi o maior dos desgraçados, que se sentia sem coragem para olhar o quadro das suas obras, já agora tão nitidamente gravado na sua aura e que ao rememorar o passado, não via outra coisa senão barbaridades; que o ajudasse, com a sua irradiação de valor, pois queria, desejava, precisava, entrar em lutas para o bem geral, onde mais depressa pudesse descontar as suas faltas.

Retirando-se Loyola, esclarecido, havia dado Luiz de Mattos o primeiro passo para a explanação (leia-se transmissão, digo eu) da Verdade, tão desejada por Cristo. Os companheiros e amigos de Luiz de Mattos, presentes àquela Sessão, disseram-lhe que estavam impressionados com o que dele ouviram, ao que ele respondeu não mais se recordar do que dissera, e que tudo aquilo lhe viera no momento, não sabendo mesmo explicar como se prestara a definir a Inteligência Universal, quando nem em Cristo ele acreditava, visto lhe terem apresentado como um poltrão. Agora, porém, analisando a sua obra, concluía ter sido ele um homem lutador, valoroso e apto a reagir a todos os insultos no terreno da luta”.

Eu sei perfeitamente que é de causar estranheza o fato de Antônio Vieira haver sido um sacerdote, de haver pertencido à classe sacerdotal, a classe mais pestilenta, nociva e malfeitora que existe neste mundo, por ser falsa, mentirosa, ardilosa, astuciosa, matreira, por isso destituída completamente de moral, e que ainda semeia a ignorância por todo o orbe terrestre. Mas acontece que às vezes nós temos que interagir com o mal, porém sem praticá-lo, para que assim possamos sentir em nossa alma toda a força que existe no lado sombrio da espiritualidade, a fim de que possamos combatê-lo sem trégua, para que então possamos sair vencedores em todos os sentidos. Isso aconteceu com Antônio Vieira. Isso aconteceu comigo. A obra básica intitulada Prática do Racionalismo Cristão, as páginas 37 a 39, retrata bem a ideia da necessidade de Antônio Vieira haver encarnado como sacerdote, quando afirma o seguinte:

A atuação de Antônio Vieira, nesse interregno, foi de um valor inestimável. Sem ele e os seus colaboradores astrais, não teria sido possível atingir os resultados conhecidos.

O interesse de Vieira pela causa da espiritualização do Brasil, vem por ele sendo cultivado, através de séculos. Quando encarnou em Portugal, em 1608, para viver ora por lá, ora pelo Brasil, até 1697 — ano em que partiu da Bahia para o Astral Superior — foi para identificar-se, profundamente, com a mentalidade dominante nas duas esferas de ação, e absorver, em sua natureza espiritual, os traços vibratórios das reformas que se impunham.

Antônio Vieira foi padre a fim de poder colher, nessa investidura, os mais favoráveis resíduos para serem analisados no seu laboratório psíquico.

Em Vieira, preponderam as coisas do Espírito. Estoico e renunciante às comodidades, ao conforto, as conveniências pessoais não o atraíam.

As torturas morais e materiais que lhe infligiram os seus companheiros de sotaina, serviram-lhe para melhor sentir, na própria carne, os erros do clericalismo dominante e o flagrante desvirtuamento do cristianismo.

Por outro lado, as lições colhidas nas fases mais adversas de sua vida, caldearam-lhe o espírito, curtiram-lhe a alma cristalina e deram-lhe o suficiente ensejo para robustecer o seu propósito de separar o joio do trigo na obra de Jesus. Esse trabalho de remodelação resultou na criação da Doutrina Racionalista Cristã, que hoje está medrando na Terra com a árdua e gloriosa missão de restabelecer a Verdade nos Princípios divulgados pelo Mestre Nazareno.

Voltando ao Espaço Superior, depois de uma existência terrena de quase noventa anos, levou consigo um cabedal de experiências e conclusões que o habilitaram a planejar o futuro deste grande país, o Brasil, no campo da espiritualidade e, consequentemente, o da humanidade”.

Em 1521, Ignácio de Loyola, de origem nobre, foi ferido em combate na defesa da fortaleza de Pamplona contra os franceses. Durante o período de convalescença, dedicou-se à leitura do Flos Sanctorum, a história das vidas e das obras insignes dos santos, quando então passou a ser instrumento do astral inferior e resolveu desprezar os bens terrenos em busca dos favores sobrenaturais, ao fazer a sua “vigília d’armas” no santuário de Monserrat e se submetendo a uma confissão geral, a seguir abandonou a sua indumentária fidalga e a substituiu pela dos mendicantes, retirando-se para a gruta de Manresa, onde lá se entregou a rigorosas penitências, passando a escrever a sua obra principal intitulada de Livro de Exercícios Espirituais, toda ela intuída pelos espíritos obsessores, pelo que os historiadores ficam admirados, pelo fato dele não possuir qualquer conhecimento teológico acadêmico.

Em 15 de agosto de 1534, Ignácio de Loyola e seis outros estudantes, o francês Pedro Fabro, os espanhóis Francisco Xavier, Alfonso Salmerón, Diego Laynez e Nicolau de Bobadilla, e o português Simão Rodrigues, encontraram-se na Capela dos Mártires, na colina de Montmartre, quando então fundaram a Companhia de Jesus, para “desenvolver trabalho de acompanhamento hospitalar e missionário em Jerusalém, ou para ir aonde o papa nos enviar, sem questionar”. Nessa ocasião, fizeram os votos de pobreza e castidade.

Ignácio de Loyola escreveu as constituições jesuítas, que foram adotadas em 1554, dando origem a uma organização rigidamente disciplinada, enfatizando a absoluta abnegação, a obediência ao papa e aos superiores hierárquicos, que utilizou das seguintes palavras: “disciplinado como um cadáver”. O seu grande princípio se tornou o lema dos jesuítas: Ad maiorem Dei gloriam; que significa para a maior glória de Deus, no caso aqui em questão para a glória de Jeová, o deus bíblico, um espírito tremendamente trevoso quedado no astral inferior.

Em outubro de 1538, na companhia de Pedro Fabro e de Diego Laynez, Ignácio de Loyola viajou até Roma para pedir ao papa a aprovação da ordem, tendo o plano da Constituição da Companhia de Jesus sido examinado por Tomás Badia, mestre do Sacro Palácio, que deu a sua aprovação, e após algumas resistências da congregação de cardeais, foi fornecido o parecer positivo à constituição apresentada. Em 27 de setembro de 1540, o papa Paulo III confirmou a nova ordem, através da bula papal Regimini Militantis Ecclesiae, afirmando que o propósito da ordem seria a propagação da fé credulária, o progresso das almas na vida e na doutrina “cristã” e que as suas atividades teriam a sua base no ministério de Jesus e dos seus discípulos, o ideal apostólico e itinerante. O papa Paulo III autorizou que os jesuítas fossem ordenados padres, o que sucedeu em Veneza pelo bispo de Rab, em 24 de junho.

Os jesuítas se devotaram inicialmente a pregar e a fazer obras de caridade na Itália, a fim de que assim pudessem angariar fama e prestígio. Ignácio de Loyola foi o escolhido para servir como o primeiro superior geral, tendo enviado os seus companheiros de sotaina e outros missionários para vários países europeus, com a finalidade de criar escolas, liceus e seminários, mas a guerra reatada entre o papa, o imperador e os turcos seljúcidas tornava qualquer viagem até Jerusalém pouco aconselhável.

A Companhia de Jesus foi fundada no contexto da Reforma Católica, que também foi denominada de Contrarreforma, com os jesuítas fazendo votos de obediência total à doutrina da Igreja Católica, tendo Ignácio de Loyola declarado o seguinte:

Acredito que o branco que eu vejo é negro, se a hierarquia da Igreja assim o tiver determinado”.

Assim, a Companhia de Jesus teve uma atuação de destaque na Contrarreforma, em função da sua estrutura ser relativamente livre, ou seja, sem os requerimento da vida na comunidade e nem do ofício dito sagrado, o que lhe permitiu uma certa flexibilidade de ação, tanto que em algumas cidades alemãs os jesuítas tiveram relevante papel em prol da Igreja Católica, como, por exemplo, algumas cidades como Munique e Bona, que inicialmente tiveram simpatia por Lutero, ao final permaneceram como bastiões católicos, o que se deu graças ao empenho e vigor apostólico dos padres jesuítas.

Em 31 de julho de 1556, morre Ignácio de Loyola, tendo Diego Laynez o substituído. Depois da morte de Diego Laynez, em 1565, a Companhia de Jesus elegeu Francisco Bórgia para o seu geral, cujo caráter e cuja carreira representavam, naqueles tempos, uma garantia, pois que era nascido rico, neto do papa Alexandre VI, tendo se tornado duque de Gândia, vice-rei da Catalunha e amigo de reis. Ao ingressar na nova ordem em 1546, deu-lhe toda a sua riqueza particular. Everard Mercurian, o seu sucessor como geral, não deixou nenhum sinal que o distinguisse na história da Companhia de Jesus. Já Cláudio Aquaviva guiou a Companhia de Jesus de uma tal maneira durante trinta e quatro anos, que muitos jesuítas o consideram, agora, o maior de todos os seus superiores, depois de Ignácio de Loyola.

Quando Cláudio Aquaviva assumiu a direção geral da Companhia de Jesus, os jesuítas eram cerca de cinco mil, quando morreu já eram treze mil. No período de 1584 a 1599, uma comissão de jesuítas traçou o Ratio Studiorum, uma espécie de coletânia, fundamentada em experiências vivenciadas no Colégio Romano, a que foram adicionadas observações pedagógicas de diversos outros colégios, todas adaptadas ao molde jesuítico, contendo 467 regras cobrindo as atividades dos seus agentes diretamente ligadas ao ensino, ligadas diretamente à teologia de Tomás de Aquino, e indiretamente a Aristóteles, em função do próprio Tomás de Aquino, que continuou até o ano de 1836 a determinar a ordem e o método de estudo nos colégios sob o controle dos jesuítas.

O objetivo maior dos jesuítas era moldar o espírito dos jovens aos seus interesses escusos, uma vez que o corpo mental dos adolescentes é plasmável, e disso esses sacerdotes eram cientes, por isso passaram a tomar os jovens da faixa etária entre onze e catorze anos, em que o curso durava cerca de seis anos, quando então os espíritos plasmados dos jovens eram considerados como estando prontos para os anos seguintes, para que assim pudessem absorver as cretinices da saperologia escolástica. A Biologia e a História secular modernas eram desprezadas, pois que podiam ofender a fé credulária, cujo veneno era inoculado em seus mentes assim já formadas. Eram tão ardilosos, astuciosos e matreiros esses sacerdotes jesuítas, que se utilizavam de debates para aguçar o espírito dos jovens no catolicismo, principalmente na ordem jesuítica, ao mesmo tempo em que desencorajavam a originalidade dos pensamentos, tanto nos professores como nos alunos, pois que o objetivo maior era produzir uma elite instruída, capaz de uma liderança sagaz sobre as demais pessoas, mas sem ser perturbada por dúvidas de ordem doutrinária, mantendo-se sempre imutavelmente arraigada no credo católico. Se todos os sacerdotes são tremendamente perniciosos e perigosos, o que não dizer dos jesuítas!

Em quase todos os casos, as escolas dos jesuítas eram fundadas pelas autoridades seculares, pelos líderes eclesiásticos ou por pessoas providas de recursos, mas os jesuítas mantinham o controle sobre todas elas. Os seus colégios eram especificamente criados para os filhos da nobreza, mas eles queriam moldar ao próprio saber as grandes mentalidades que surgissem em outras classes, por isso aceitavam também em seus colégios a qualquer estudante, rico ou pobre, desde que fosse qualificado, ou seja, desde que fosse detentor de algum potencial que viesse a servir aos seus interesses ocultos. Os professores eram geralmente membros da ordem, bem mais preparados que os seus rivais protestantes, que também agiam de modo análogo, comprovando assim a baixíssima categoria da classe sacerdotal.

Em 1615, os jesuítas mantinham 372 colégios. Em 1700, 769 colégios e 24 universidades espalhadas por todo o mundo. Nos países de tradição católica, a educação secundária caiu quase que inteiramente nas mãos deles, proporcionando-lhes uma imensa influência na formação do espírito nacional desses países.

Em decorrência da sua influência na área educacional, eles passaram a atrair a atenção dos reis, apesar de Cláudio Aquaviva aparentemente haver proibido aos jesuítas de serem confessores da realeza e de haver desencorajado a suas participações na política, e digo aparentemente, porque nenhum sacerdote católico podia ser proibido de confessar a quem quer que fosse, e também porque a direção da Igreja sempre se imiscuiu na política, inclusive fazendo guerras e provocando as guerras entre as nações, para que delas pudesse tirar proveitos.

Na França, Henrique IV enfrentava uma questão decisiva: poderia ele, como protestante, conquistar e conservar o trono de um país que era 90% católico? Até mesmo o seu exército era predominantemente católico. Convocou os seus auxiliares e lhes confessou que pensava em se converter ao catolicismo. Alguns aprovaram o seu pensamento como sendo o único caminho para a paz, enquanto outros condenavam a esse seu pensamento, afirmando que seria uma deserção cruel e escandalosa, pois os huguenotes haviam lhe dado o seu sangue e o seu dinheiro na esperança de terem um rei protestante. Hentique IV, então, afirmou o seguinte:

Se eu fosse seguir o vosso conselho, dentro em pouco não haveria rei e nem reino na França. Desejo proporcionar a paz aos meus súditos e descanso para a minha alma. Consultai-vos, uns aos outros, sobre o que precisais para a vossa proteção. Estarei sempre pronto a satisfazer-vos. Talvez seja grande a diferença entre as duas religiões apenas em virtude da animosidade daqueles que as pregam. Algum dia, através da minha autoridade, procurarei solucionar tudo isso. Aqueles que seguem permanentemente a sua consciência são da minha religião, e eu sou da religião de todos que são realmente valorosos e bons”.

Duplessis-Mornay, Agrippa d’Aubigné e muitos outros chefes protestantes abandonaram ao rei, mas o duque Sully, que era o conselheiro em que Henrique IV mais confiava, mesmo permanecendo firmemente protestante, concordou com a sua decisão, afirmando o grande valor de Paris em relação ao catolicismo, ao dizer: “Paris vale bem uma missa”.

Em 15 de maio de 1593, Henrique IV enviou uma mensagem ao papa e aos altos dignatários credulários de Paris, afirmando desejar ser instruído na fé credulária do catolicismo. O papa Gregório XIV havia renovado a sua excomunhão sobre o rei, mas a hierarquia sacerdotal francesa, que não era obsequiosa para com Roma, preparou-se para transformar em um rei piedoso o novo penitente. Mas Henrique IV não era assim tão fácil de ser manobrado, por isso não desejava garantir que combateria a heresia, recusando-se a admitir ou a crer em “tolices nas quais, tinha certeza, a maioria deles acreditava”, concordando graciosamente com a doutrina do purgatório, afirmando que essa doutrina “é a melhor parte das vossas rendas”. Foi a igreja da abadia de St. Denis, confessou-se, recebeu a absolvição e ouviu missa.

Em razão dos pensamentos de Henrique IV, os jesuítas repeliram a sua conversão, pois sabiam que dessa maneira não poderiam manobrá-lo facilmente, mesmo com o papa Clemente VIII mandando a sua absolvição ao nonarca, eles que haviam jurado obediência total ao papa, por isso continuaram insistindo em suas pregações contra o rei. Em 27 de dezembro de 1594, Jean Châtel, de apenas dezenove anos de idade, fanatizado pelos jesuítas, atacou ao rei com um punhal, tendo o ataque resultado apenas em um corte nos lábios e um dente quebrado. Jean Châtel confessou com orgulho que pretendera matar a Henrique IV porque ele era um herege perigoso, e que pretendia realizar outro ataque para a salvação da própria alma, confessando também que era aluno dos jesuítas, mas se recusou a denunciá-los nessa empreitada.

Mas os jesuítas estavam implicados sim, muito implicados, e tanto essa implicação procedia que o jesuíta espanhol Juan de Mariana foi citado como favorável ao assassinato dos maus reis, especialmente de Henrique III, obviamente que também de Henrique IV, tendo sido descoberto que o jesuíta francês Jean Guignard havia escrito que Henrique IX deveria ter sido morto no Massacre da Noite de São Bartolomeu, bem como, agora, deveria-se desembaraçar dele “a qualquer custo e de qualquer maneira”. Em princípios de 1595, estando cientes das manobras jesuíticas, o Parlamento de Paris, ante uma petição do clero secular da Sorbonne, ordenou que todos os jesuítas deixassem a França.

Henrique IV pôs termo às guerras credulárias e ensinou aos católicos e protestantes a viverem em paz, embora a tremenda obsessão não permitisse que eles fossem amigos, pois nenhum católico convicto, em sua tremenda ignorância, admitiria a um huguenote o direito sequer de existir, e nenhum huguenote fervoroso consideraria o culto católico senão como sendo uma idolatria pagã.

Sendo um espírito bastante evoluído, Henrique IV expediu em 13 de abril de 1598, o famoso Edito de Nantes, autorizando o pleno exercício do credo católico e da sua seita protestante, também a liberdade de imprensa protestante em todas as oitocentas cidades da França, exceto em dezessete delas, nas quais o catolicismo predominava de modo esmagador, assim como também em Paris.

E continuou Henrique IV, um rei descrente dos credos e das suas seitas sobrenaturais, por isso raciocinador, a tentar apaziguar a tanta belicosidade credulária que perdurava de ambos os lados, elegendo os huguenotes para as funções públicas, posto que dois já se encontravam no Conselho de Estado, e o huguenote Turenne seria marechal da França, com o governo pagando o salário dos pastores e dos reitores das escolas protestantes, e com os filhos dos protestantes devendo ser admitidos em todas as escolas, colégios, universidades e hospitais, em pé de igualdade com os católicos. Cidades já controladas pelos huguenotes, tais como La Rochelle, Montpelier e Montauban, assim deveriam permanecer, com os seus fortes e as suas guarnições sendo mantidos pelo Estado. É certo que se torna muito difícil a tentativa de se conciliar dois pensamentos credulários antagônicos, mas essa tentativa por parte de Henrique IV constituía a tolerância credulária mais avançada da Europa.

E agora vejam só a tremenda ignorância que existe no seio da nossa humanidade, pois além dos católicos gritarem por toda parte contra o Edito de Nantes, revoltados porque não recebiam o pleno apoio do rei, o próprio papa Clemente VIII o condenou, afirmando ser ele “o mais malfadado que se podia imaginar, pois a todos concedia a liberdade de consciência, a pior coisa que existe neste mundo”. Somente um ser humano tremendamente estúpido pode seguir a um credo que condena a liberdade de consciência.

Em 1603, na tentativa de aplacar a ira do papa, que realmente tinha muita influência sobre o seus arrebanhados católicos na Europa, principalmente na França, Henrique IV permitiu que os jesuítas voltassem para a França, tendo o seu conselheiro Sully se manifestado energicamente contra essa decisão do monarca, sob o argumento de que eles eram “homens de gênio, cheios, porém, de astúcia e artifícios”, no que se encontrava absolutamente correto, além do mais os jesuítas estavam comprometidos com a causa dos Habsburgos, portanto com a Espanha e a Áustria, que eram inimigas declaradas da França.

Note-se aqui que no começo da constituição da sua ordem, os jesuítas estavam decisivamente empenhados em obedecer ao papa de modo incondicional, que geograficamente era um prisioneiro dos Habsburgos, e, financeiramente, o seu dependente, mas que também estavam empenhados em orientar a política de Henrique IV, com a expectativa de que isso ocorresse mais cedo ou mais tarde, porém, caso falhassem nesse seu empenho, persuadiriam algum fanático a lhe tirar a vida por meio de envenenamento, ou mesmo por meio de outro processo qualquer.

Por aqui se pode compreender o quão perigosos são os jesuítas, principalmente porque eram orientados pelas falanges de Ignácio de Loyola, sendo, pois, os seus dóceis instrumentos. E tanto se utilizaram de astúcias e artifícios, como bem argumentou Sully, que Henrique IV teve que dar o braço a torcer, como se diz comumente, afirmando que o apoio dos jesuítas seria de grande valia para ele, na sua tentativa de unificação da França.

Foi assim que Henrique IV convidou Coton, um padre jesuíta, para ser o seu diretor espiritual, quando então, daí por diante, os jesuítas passaram a concordar com Voltaire, que era o seu mais brilhante aluno, em que a melhor maneira de se moldar uma nação é moldar ao seu próprio rei, pois na monarquia basta apenas educar a um homem, enquanto que na democracia há a necessidade de educar milhões, e os jesuítas faziam a ambas as coisas.

Mas eu devo aqui esclarecer os acontecimentos que levaram Voltaire a fazer uma guerra implacável para “esmagar a infame” intolerância clerical, pois que ele era um intelectual raciocinador, tanto que afirmou que “o primeiro padre surgiu quando o primeiro velhaco encontrou o primeiro tolo”.

Por volta do ano 1700, os jesuítas já eram os confessores de centenas de personalidades ilustres, especialmente das mulheres, que eram mais sensíveis às falsidades das suas boas maneiras e à tolerância que dispensavam às coisas do mundo, nas quais eles focavam os seus maiores interesses. Como se pode claramente constatar, era como confessores das mulheres importantes que esses patifes sacerdotes jesuítas conseguiam chegar aos homens mais influentes das nações, influindo diretamente nos seus governos.

Daí a razão pela qual não puderam mais esconder os seus desejos inconfessáveis, declarando abertamente os seus propósitos de se misturarem aos homens mais influentes, ao invés de se isolarem em mosteiros, fazendo emergir de vez os seus preceitos morais, que eram os mais degradados possíveis, cujas condutas eram consideradas quase incorrigíveis para os homens comuns. Em seus juízos, a severa moral que deveria ser realmente cristã, somente poderia ser possível aos ermitões, mas que não é assim, pois todo ermitão não passa de um obsedado, por isso as realidades da natureza humana exigiam o abrandamento das normas de conduta corretas, tendo que ser burladas em adaptação ao mundo.

Na teologia jesuítica, os seus sacerdotes se inclinavam para os seus próprios pontos de vista, que eram todos afeitos à sua ordem, tanto que em Louvain, em 1585, os padres Less e Hamel julgavam desnecessário acreditar que todas as palavras ou todas as doutrinas, na Bíblia, foram inspiradas pelo deus bíblico, para que assim pudessem moldar as passagens bíblicas em favor dos jesuítas, mas que mesmo assim eles estavam corretos, pois além de Jeová, outros espíritos obsessores intuíram aos profetas para que eles escrevessem os livros bíblicos.

Procurando sempre influir decisivamente nos governos das nações, os jesuítas ressaltavam o dogma escolástico de que os governos seculares recebem o seu poder do povo, pregando assim o direito do povo, através dos seus representantes legais, de depor, e até mesmo matar a um mau rei, mas acontece que a palavra mau, neste caso, assume a significação de herege, demonstrando assim todo o ardil e toda a matreirice dessa “ênfase democrática”, pelo fato dos jesuítas quererem exaltar a autoridade do papa como sendo a única que era divina e suprema, que assim poderia servir como base para que eles pudessem efetivamente exercer o poder temporal sobre as nações.

Ninguém ainda neste mundo conhece em maior profundidade os males causados pela classe sacerdotal, principalmente pelos jesuítas, que passam por cima de tudo, inclusive por cima dos seus colegas sacerdotes, quando buscam o poder para a sua ordem nefasta e perniciosa, o que fazem a todo o custo.

Em 1596, Luiz Molina, que era um jesuíta português, provocou furiosos debates teológicos ao afirmar que o homem, através da sua própria vontade e das suas ações, poderia determinar a sua sorte eterna, e que por sua livre escolha poderia cooperar com a divina graça ou mesmo vencê-la, estando todos já sob a influência jesuítica, tirando assim o poder dos demais sacerdotes sobre os seus arrebanhados. Os dominicanos, então, sentindo que os seus poderes estavam por se esvair das suas mãos, exigiram que Luiz Molina fosse condenado como herege, tendo os jesuítas logo corrido em sua defesa, com o conflito gerando um desentendimento de tal amplitude, que o papa Clemente VIII teve que ordenar a ambas as partes que guardassem o silêncio.

Os ardis, as astúcias e as matreirices dos jesuítas, juntamente com os seus pensamentos radicais em prol da sua ordem, propagados em força e poder sobre o povo, proporcionaram a que eles se tornassem impopulares e odiados entre o próprio clero católico, e com ênfase especial pelos sacerdotes protestantes, tanto que foram acusados por São Carlos Borromeu de serem escandalosamente complacentes para com os pecadores, não com quaisquer pecadores, mas apenas com os pecadores mais importantes. Sarpi declarou que se São Pedro tivesse sido dirigido por um confessor jesuíta, teria chegado ao ponto de negar que Jesus, o Cristo, não houvesse pecado. Mucio Vitelleschi, sucessor de Cláudio Aquaviva como geral dos jesuítas, preveniu a essa sua ordem de que a ânsia em acumular riqueza estava despertando censuras de toda parte. Os sacerdotes protestantes da Inglaterra, presos à doutrina de que os seus reis governavam por direito divino, ficaram chocados com os pensamentos dos jesuítas sobre a soberania popular e o regicídio ocasional. Robert Filmer, um teórico político que defendeu o direito divino dos reis, condenou a opinião do cardeal Bellarmine segundo a qual o “poder civil ou secular está nas mãos do povo, a menos que este o conceda a um príncipe”.

Os protestantes alemães combateram tenazmente aos jesuítas, chamando-os de criaturas do diabo que haviam sido vomitados do inferno, e alguns exigiram que eles fossem queimados na fogueira, tal como as feiticeiras que os católicos haviam queimado. Em 1612, apareceu na Polônia a Monita Secreta, que será mais detalhada no próximo tópico, tendo por teor as instruções confidenciais aos jesuítas sobre a “arte” de obter legados e força política. No período de 1612 até 1700, esse livro teve vinte e duas edições, mas os jesuítas agiram no sentido de desconsiderá-lo, por isso ele é hoje considerado como sendo uma hábil sátira, ou mesmo um documento impudentemente falso, quando, na realidade, ele é verdadeiro, tendo sido citado inclusive por Luiz de Mattos, que aconselhava que não se mentisse nem por brincadeira.

Os seres humanos encabrestados pelo catolicismo são tão pouco raciocinadores, assim como também aqueles que são encabrestados pelos demais credos e seitas, que as faltas patentes dos jesuítas eram sobrepujadas pelos seus “méritos” como educadores e como missionários. Outras ordens católicas participavam da desventura de espalhar a fé credulária por todo o orbe terrestre, mas nenhuma podia se comparar com a audácia dos jesuítas na Índia, na China, no Japão e nas Américas, pois que a influência do astral inferior sobre esses infelizes era tremenda.

Na Índia, em 1589, Akbar, o imperador de Mogul, que era um espírito de certa evolução, convidou por curiosidade alguns jesuítas para irem a sua corte, em Fatehpur Sikri, ouviu-os com a devida atenção e simpatia, mas se recusou a abandonar o seu harém.

Note-se aqui que a essa altura Ignácio de Loyola já se encontrava chefiando as suas falanges de espíritos obsessores no astral inferior, por isso os jesuítas eram mais do que insistentes, tanto que Roberto de Nobili, um aristocrata italiano, foi influenciado por esses espíritos obsessores e ingressou na Companhia de Jesus, tendo seguido para a Índia como missionário, em 1605, vejam só a astúcia desse jesuíta, pois ele se dispôs a estudar os credos, as seitas e os rituais hindus, adotou a indumentária e as regras da casta dos brâmanes, compôs obras em sânscrito e assim conseguiu várias conversões ao falso cristianismo, enquanto outros jesuítas praticavam a yoga com o mesmo objetivo.

Em 1549, os jesuítas já haviam conseguido entrar no Japão. Em 1580, alegaram ter feito 100.000 conversos. Mas em 1587 receberam a ordem de abandonarem a ilha, pois ali não era campo da seara de Jeová, o deus bíblico, porém eles insistiram na catequese. Em 1597, tanto os sacerdotes jesuítas como os franciscanos, sofreram uma feroz perseguição, na qual eles e os milhares de católicos japoneses conversos foram crucificados, uma nova técnica que os seus matadores alegaram haver aprendido nos Evangelhos, indo todos eles engrossar as fileiras das falanges de Ignácio de Loyola. Mas mesmo assim não desistiram da catequese. A obsessão era tremenda!

Por volta de 1616, um novo grupo de jesuítas entrou no Japão e conseguiu arrebanhar um número expressivo de novos conversos. Neste caso, os jesuítas estavam preparando caminho para o comércio de Portugal e da Espanha, ocasião em que os mercadores ingleses e holandeses incitaram o governo a renovar a perseguição, quando então trinta e um jesuítas foram condenados à morte. Por aqui se pode mensurar o tamanho das falanges de Ignácio de Loyola. Por volta de 1645, já não mais existia o falso cristianismo no Japão.

Mas as artimanhas dos sacerdotes jesuítas parece que não tem tamanho.

Na China, os seus imperadores haviam prometido a morte a qualquer “cristão” que ousasse entrar no Império do Meio. Em 1557, os mercadores portugueses estabeleceram uma colônia em Macau, na costa sudeste da China. Ali, alguns jesuítas se entregaram ao estudo dos dialetos e dos costumes chineses. Matteo Ricci e Michele Ruggieri, dois dos jesuítas mais astuciosos, conseguiram entrar na província de Kwantung, armados de dialetos, astronomia, matemática, relógios, livros, mapas e instrumentos, e ainda adotando nomes e indumentárias chineses, vivendo com simplicidade, trabalhando e se conduzindo com modéstia, tendo assim conseguido a permissão para ali permanecerem. Impressionado com essas novidades, que era justamente a intenção desses jesuítas. Matteo Ricci então se dirigiu para o Cantão, onde impressionou os mandarins com os seus conhecimentos, tendo assim iniciado os seus novos amigos na doutrina católica, ao escrever um catecismo, no qual as crenças básicas do catolicismo eram explicadas e apoiadas, vejam só, por meio de citações extraídas de textos orientais.

Em 1601, encorajado pela tolerância com que foi recebido, mudou-se para um subúrbio de Pequim, onde lá enviou um relógio ao imperador K’ang-hsi. Quando o relógio parou e nenhum estudioso chinês soube como fazê-lo funcionar novamente, o imperador mandou chamar o presenteador, que atendeu ao chamado, ajustou o relógio e apresentou outros instrumentos ao curioso e ignorante imperador, tendo sido esta a deixa para que Matteo Ricci e outros jesuítas, tal como sendo uma verdadeira praga, logo se estabelecessem na corte de Ming, sabendo de antemão que o governante não mais criaria obstáculos à conversão de chineses.

Em 1610, com a morte de Matteo Ricci, mais um que foi engrossar as fileiras das falanges chefiadas por Ignácio de Loyola, outro jesuíta chamado de Johann Adam Schall von Bell, prosseguiu na obra maléfica de conversão da missão, utilizando-se também de conhecimentos, comprovando assim que qualquer conhecimento sempre se sobrepõe à ignorância, sendo ele tecnológico ou não, sobrenatural ou não, daí a razão de tantos e tantos ignorantes serem arrebanhados pelos credos e as suas seitas. Esse outro jesuíta reformou o calendário chinês e, fornecendo a comprovação de ser um verdadeiro e autêntico “cristão”, construiu canhões superiores para os exércitos chineses, tornando-se assim amigo íntimo do imperador, trajando como o seu antecessor a indumentária chinesa, com a diferença que era a indumentária de seda dos mandarins, passando a viver em um palácio e se entregando totalmente à política. Mas como foi dito, esse campo não era a seara do deus bíblico, por isso acabou sendo rebaixado e logo depois indo para a prisão. O que pretendia um jesuíta se imiscuindo na política chinesa? No entanto, o jesuíta foi posto em liberdade, tendo morrido um ano depois, sendo mais outro a engrossar as fileiras das falanges chefiadas por Ignácio de Loyola.

Ao estudarem os clássicos chineses, os jesuítas puderam constatar a alta sabedoria que neles se encontrava contida, havia muita coisa em Confúcio — uma das encarnações anteriores de Jesus, o Cristo, — que justificava a sua veneração, além do mais o culto que os chineses tributavam aos seus antepassados lhes parecia um estímulo para a moral e a estabilidade da ordem social, mas mesmo assim eles derramaram na China o dogmatismo da Teologia. Em 1645, outros missionários menos ardilosos, queixaram-se à Inquisição de Roma de que os jesuítas pouco ressaltavam o crucifixo e a doutrina da divina redenção, julgando que isso poderia chocar os chineses, que não eram acostumados ao pensamento de que os homens pudessem matar a um deus na cruz; que eles diziam a missa em chinês, e não em latim; que eles permitiam aos conversos continuarem com os ritos do seu credo nativo; e que os missionários jesuítas se enriqueciam como médicos, cirurgiões, mercadores, emprestadores de dinheiro e conselheiros de generais e imperadores. Os jesuítas, por sua vez, criticavam a falta de habilidade com que os dominicanos e os franciscanos diziam aos chineses que o “cristianismo” era o único caminho para escapar à condenação eterna, e que os seus antepassados, a quem veneravam, encontravam-se queimando nas chamas do inferno. O papa Inocêncio X, então, ordenou aos jesuítas que proibissem os sacrifícios de carne e bebida que eram oferecidos aos espíritos dos antepassados, embora tais sacrifícios constassem na Bíblia, como oferta a Jeová, o deus bíblico. Entrementes, os jesuítas enviavam à Europa descrições da vida, do credo e do pensamento chineses, os quais contribuíram também para perturbar a ortodoxia “cristã” do século XVIII.

Na América do Sul, os missionários jesuítas conquistaram a confiança dos nativos, abrindo escolas, instalando centros médicos e laborando no sentido de suavizar a brutalidade dos dominadores espanhóis, para que assim pudessem angariar ainda mais prestígio junto aos nativos, tendo criado até uma comunidade comunista utópica no Paraguai. Organizaram as suas colônias para os índios, e com a permissão de Felipe III da Espanha, delas excluindo todo homem branco, exceto o próprio governador, declararando ter verificado que os habitantes eram dotados de disposição infantil e amiga, sendo isso justamente o motivo para que agissem de modo contrário, mas eles queriam 200.000 índios aparelhados para o reino do deus bíblico, todos sob as suas ordens, tanto que aprenderam a língua dos nativos, mas não lhes ensinaram espanhol e nem português, desencorajando assim qualquer relação com os brancos colonizadores, mantendo assim um forte encabrestamento sobre os nativos.

O governo, assim como a economia, encontrava-se inteiramente sob a direção dos jesuítas, pois os nativos demonstravam uma notável aptidão para a fabricação de produtos que eram uma réplica dos fabricantes da Europa, até complexos relógios, rendas delicadas e instrumentos musicais, sendo que o trabalho era compulsório, em média oito horas por dia, embora fosse permitido aos jovens escolher a profissão, com os jesuítas fixando os horários para tudo, inclusive para rezar. As penas incluíam açoites, prisão e desterro. Era um comunismo teocrático, que proporcionava aos nativos o sustento e uma limitada vida cultural, em paga deles aceitarem o credo católico e a sua disciplina.

As constantes intrigas dos jesuítas na França, na Espanha e em Portugal, junto à eclosão da liberdade de pensamento e do anticlericalismo, contribuíram para provocar a expulsão da ordem missionária em quase todas as colônias, na segunda metade do século XVIII. O marquês de Pombal, como ministro dominante em Portugal, mostrou-se especialmente ativo ao movimento contra os jesuítas.

Em 1750, o marquês de Pombal conseguiu um tratado pelo qual Portugal cedia à Espanha a colônia de Sacramento, na embocadura do rio da Prata, em troca de terras espanholas mais ao norte, as quais incluíam sete colônias de jesuítas contendo 30.000 índios. Nessa ocasião, circulou o boato de que essas terras continham ouro que os jesuítas estavam amealhando. As autoridades portuguesas ordenaram aos padres e aos nativos que deixassem as terras em trinta dias. Os jesuítas aconselharam a obediência à ordem, exceto um, que foi o suficiente para que os índios resistissem e contivessem os ataques dos portugueses durante cinco anos. Em 1755, o exército português trouxe consigo a sua artilharia, quando então centenas de índios foram massacrados, tendo o restante fugido para as florestas, ou mesmo se rendido. Os jesuítas, então, receberam ordens dos seus superiores para regressar para a Espanha.

As tendências contra o catolicismo do século XVIII dirigiram contra a congregação dos jesuítas grandes combates, pelo fato dela ser o maior forte baluarte da Igreja. Em razão de algumas queixas políticas, que tinham o seu real fundamento, os jesuítas suscitavam ódios em função da bem sucedida luta contra os jansenistas, a oposição ao galicanismo e a consequente adesão ao papa. Além disso, tinham uma posição destacada nas cortes como professores, pregadores e confessores, além de um certo predomínio científico manifestado tanto nos colégios como também nas publicações.

Em Portugal, o rei D. José tinha por ministro o marquês de Pombal, sendo ambos convictos das artimanhas e dos ardis dos jesuítas, sendo, portanto, sérios obstáculos para os seus planos de governo, por isso resolveram lhes dar combate, pois que eles eram os culpados da crise nos Sete Povos das Missões, justamente as sete colônias dos jesuítas que continham 30.000 índios, mandando-os prender a todos no Brasil e os metendo em cárceres em Portugal, sem que tivessem defesa, de onde somente puderam sair em 1777, com a ascenção de D. Maria ao trono, mas dos 9.460 encarcerados, só restaram mais ou menos uns 800. Em Portugal e nas cortes borbônicas, a Casa Real de Bourbon, formada por uma família nobre e importante da casa real europeia originária do centro da França, muitos jesuítas foram presos ou mesmo condenados a suplícios, como é o caso do padre Gabriel Malagrida, que foi acusado no processo dos Távoras, que se refere a um escândalo político português, cujos acontecimentos foram desencadeados pela tentativa de assassinato do rei D. José, em 1758, no qual os jesuítas estavam implicados, em decorrência, muitos jesuítas ingressaram no clero secular ou em outras ordens.

Na França, os jansenistas, os galicanos e os voltaireanos de há muito que queriam exterminar a ordem da Companhia de Jesus, para tanto se valeram do caso do padre La Valette, que era procurador de uma casa de jesuítas na Martinica, o qual se debandou para o lado das especulações comerciais contra todas as regras da ordem, pelo que dela foi expulso. No entanto, como devia uma grande soma em dinheiro, atribuíram a dívida à Companhia de Jesus, a qual se negou terminantemente a pagar, tendo o caso ido ao Parlamento, que deu as alternativas seguintes: ou a ordem dos jesuítas se reconhecia culpada das acusações, ou então os jesuítas seriam todos exilados. Em 1764, o rei Luiz XV expulsou os jesuítas da França, apesar dos protestos do episcopado francês e do próprio papa, tendo sido promotores da expulsão o ministro absolutista Choiseul e madame Pompadour, cuja presença escandalosa na corte francesa era severamente repudiada pelo padre Perisseau, confessor do rei.

Na Espanha, Aranda, o ministro de Carlos III, reverteu o processo jesuítico, intrigando os jesuítas com o rei, acusando-os de defenderem a independência das colônias, para que delas pudessem se assenhorar, além de levantarem dúvida sobre a legitimidade do nascimento do rei. Como resultado, Carlos III mandou prender a todos os jesuítas, em 1767, através da Pragmática Sanção, uma designação tradicionalmente dada a toda a norma ou disposição legal promulgada de forma solene por um soberano absoluto que disponha sobre aspectos fundamentais do Estado, regulando questões como a sucessão no trono, as matérias de credo do Estado e outras questões. Por mais que o papa insistisse, o rei nunca apresentou as razões do decreto.

Em Parma, o ministro Tanucci, que era mais forte do que Fernando IV, perseguiu os jesuítas durante dois anos, quando enfim os desterrou para os Estado pontifícios. Também em Parma, o marquês Tillot, que imperava de modo tirânico, em relação a certos pedidos feitos pelo papa a ele, respondeu com a expulsão dos jesuítas, em 1768. Neste mesmo ano, o grão-mestre dos cavalheiros de Malta desterrou a todos os jesuítas da ilha. Todas essas cortes eram cientes das ações perniciosas dos jesuítas, tanto que se juntaram e passaram a fazer pressão sobre o papado para suprimir a Companhia de Jesus, mas o papa Clemente XIII resistiu à pressão.

No entanto, o papa Clemente XIV, sucessor de Clemente XIII, cedeu à pressão dos reis, principalmente da Espanha, e através da bula Dominus ac Redemptor, que foi obtida praticamente à força pelo embaixador espanhol Moniño, que liderava as ações contra as conspirações jesuíticas, suprimiu oficialmente a Companhia de Jesus, em 21 de julho de 1773. Lorenzo Ricci, que era o superior geral dos jesuítas, juntamente com os seus assistentes, foram feitos prisioneiros no castelo de Sant’Angelo, em Roma, sem julgamente prévio. Os demais foram obrigados a deixar a Ordem, tendo obedecido à determinação.

Mas como o papa Clemente XIV deixou a critério dos soberanos a publicação da bula papal, a czarina Catarina, a Grande, da Rússia, decidiu conservá-los nesse país, ao mesmo tempo em que procurou atrair para a sua corte os membros da Companhia de Jesus, em função da grande erudição que eles demonstravam, o mesmo ocorrendo com Frederico da Prússia, na Silésia. Por ocasião dessa supressão da Companhia de Jesus, haviam cinco assistências, 39 províncias, 669 colégios, 237 casas de formação, 335 residências missionárias, 273 missões e 22.589 jesuítas.

Após ser suprimida a Companhia de Jesus pelo papa clemente XIV, em julho de 1773, haviam milhões de católicos, incluindo numerosos jesuítas, que viviam nas províncias polacas da Rússia, onde nessas regiões os jesuítas mantiveram intensa atividade credulária, de ensino e de missões de catequese. Nessa ocasião, o papa Pio VI autorizou formalmente a existência da Companhia de Jesus na Rússia e na Polônia, o que levou os jesuítas a elegerem como seu superior a Stanislau Czemiewicz, em 1782.

Em 1814, com as mudanças das cortes europeias pelas Guerras Napoleônicas, o papa Pio VII se viu em condições de restaurar a Companhia de Jesus, o que o fez no dia 7 de agosto desse mesmo ano, em Roma, ao expedir a bula papal da restauração, encíclica Sollicitudo Omnium Ecclesiarum, aos velhos padres que ainda existiam e ali se encontravam reunidos. O superior geral Thaddeus Brzozowski, que havia sido eleito em 1805, adquiriu então jurisdição universal. E assim a Companhia de Jesus foi derrubada e depois se ergueu novamente. Durante os séculos XIX e XX, a Companhia de Jesus voltou a crescer novamente em grande escala, tendo atingido a sua maior escala por volta dos anos 50 do século XX. Desde então, em seguimento à quebra de vocações na Igreja Católica, o número de Jesuítas também tem vindo a decrescer, mas não as suas ações perniciosas.

Em 2009, a Companhia de Jesus se tornou o instituto credulário mais numeroso da Igreja Católica, contando com 18.516 membros, com uma média de idade de 57 anos, sendo 13.112 sacerdotes, 1.675 irmãos, 2.920 jesuítas em formação, com 809 noviços, distribuídos entre 127 países dos cinco continentes, em que os Estados unidos e a Índia são os países que contêm o maior número desses sacerdotes.

A Companhia de Jesus ainda se caracteriza pela sua forte ligação com a educação, possuindo numerosos estabelecimentos de ensino, inclusive de nível superior. No Brasil, as universidades Católica do Rio de Janeiro, Católica de Pernambuco, do Vale do Rio dos Sinos, no Rio Grande do Sul, Centro Universitário FEI, em São Paulo, a Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia e a Escola de Direito Dom Helder, em Belo Horizone, são todas jesuítas.

O papa Francisco I, nascido como Jorge Mario Bergoglio, é considerado o 266° papa da Igreja Católica, sendo o atual chefe de Estado do Vaticano, tendo sucedido ao papa Bento XVI, que abdicou ao papado em 28 de fevereiro de 2013, sendo eleito em 13 de março de 2013. É o primeiro papa do hemisfério sul, o primeiro a utilizar o nome de Francisco, o primeiro não europeu em mais de 1.200 anos, e também o primeiro jesuíta da história.

 

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