16.11.01- A Monita Secreta jesuítica

Prolegômenos
10 de julho de 2018 Pamam

A Companhia de Jesus, cujos membros são conhecidos como jesuítas, é uma ordem credulária fundada em 1534 por um grupo de estudantes da Universidade de Paris, liderados pelo basco Íñigo López de Loyola, que passou a ser conhecido posteriormente como Ignácio de Loyola, o qual após a sua desencarnação ficou quedado no astral inferior por mais de quatro séculos, praticando todos os tipos de males e todas as espécies de crimes. A congregação dos jesuítas foi reconhecida por bula papal em 1540, sendo hoje mais conhecida principalmente pelos seus trabalhos tidos como sendo missionários e educacionais, mas, na realidade, esses trabalhos são voltados totalmente para o lado do arrebanhamento e da manutenção nas hostes católicas desses arrebanhados, com a influência da sua doutrina desde a infância e a adolescência dos seres humanos, passando essa influência maléfica de pais para filhos.

Ignácio de Loyola era de origem nobre, tendo sido ferido em combate na defesa da fortaleza de Pamplona contra os franceses, em 1521. A sua obsessão teve início durante o seu período de convalescença, quando então ele passou a se dedicar à leitura do Flos Sanctorum. Após o seu domínio por parte do astral inferior, ele decidiu a desprezar os bens terrenos em busca do sobrenatural, tornando-se assim um instrumento dócil dos espíritos obsessores. No santuário de Monserrat fez a sua vigília d’armas, submetendo-se a uma confissão geral. A seguir, abandonou a indumentária fidalga e a substituiu pela dos mendicantes, retirando-se para a gruta de Manresa, onde lá se entregou a rigorosas penitências e escreveu a sua obra principal intitulada de Livro de Exercícios Espirituais. Note-se aqui que ele era médium, pois que escreveu a essa sua obra sem o menor conhecimento teológico acadêmico.

Em 15 de agosto de 1534, Ignácio de Loyola e outros seis estudantes, o francês Pedro Fabro, os espanhóis Francisco Xavier, Alfonso Salmerón, Diego Laynez e Nicolau de Bobadilla, e o português Simão Rodrigues, encontraram-se na Capela dos Mártires, na colina de Montmartre, quando então fundaram a Companhia de Jesus, de início com a intenção de acompanhamento hospitalar e missionário em Jerusalém, ou para onde o papa os enviassem, sem qualquer questionamento. Nessa ocasião, fizeram os votos de pobreza e de castidade.

Em outubro de 1538, na companhia de Pedro Fabro e Diego Laynez, Ignácio de Loyola viajou até Roma, para pedir ao papa a aprovação da nova ordem. O plano das constituições da Companhia de Jesus foi examinado por Tomás Badia, mestre do Sacro Palácio, tendo merecido a sua aprovação. Após algumas resistências, a congregação de cardeais deu o parecer positivo ao plano apresentado.

Em 27 de setembro de 1540, Paulo III confirmou a nova ordem através da bula papal Regimini Militantis Ecclesiae, que integra a fórmula do instituto, onde está contida a legislação substancial da nova ordem, cujo número de membros foi limitado a apenas 60 integrantes, cuja limitação foi posteriormente abolida pela bula Injunctum Nobis, em 14 de março de 1543. Paulo III autorizou que fossem ordenados padres, o que sucedeu em Veneza, pelo bispo de Arbe, em 24 de junho do mesmo ano. Inicialmente, devotaram-se a pregar e em fazer obras de caridade na Itália, pois a guerra reatada entre o imperador, Veneza, o papa e os turcos seljúcidas, tornava qualquer viagem a Jerusalém pouco recomendável. Ignácio de Loyola foi escolhido para servir como primeiro superior geral, tendo ele enviado os seus companheiros para vários países europeus como missionários, com a finalidade de criar escolas, liceus e seminários. Era tamanha a obsessão de Ignácio de Loyola, que em seu fanatismo ele chegou a declarar o seguinte:

Acredito que o branco que eu vejo é negro, se a hierarquia da Igreja assim o tiver determinado”.

Ignácio de Loyola escreveu as constituições jesuíticas, as quais foram adotadas apenas em 1554, dando origem a uma organização rígida em disciplina, enfatizando a absoluta abnegação e a obediência ao papa e aos superiores hierárquicos, cujo termo por ele utilizado foi o seguinte: “Disciplinado como um cadáver”. O seu grande princípio se tornou o lema dos jesuítas: “Ad maiorem Dei gloriam”; quer dizer, “Para a glória de Deus”, obviamente que do deus bíblico.

E assim a praga jesuítica começou a se espalhar por todo o mundo. Em Portugal, D. João III pediu missionários e lhe foram enviados Simão Rodrigues e São Francisco Xavier, que foi enviado ao Oriente. Na França, tiveram a proteção do Cardeal de Guise. Na Alemanha, os primeiros Pedro Faber e Pedro Canísio, além de outros, que foram apoiados pela casa da Baviera, quando logo passaram a dirigir colégios e a ensinar em universidades. E assim os jesuítas alcançaram grande influência na sociedade nos períodos iniciais da Idade Moderna, séculos XVI e XVII, intrometendo-se na educação e sendo confessores dos reis, como, por exemplo, D. Sebastião de Portugal.

A Companhia de Jesus teve atuação de destaque na Reforma Católica, parte dela em função da sua estrutura ser relativamente livre, quer dizer, sem os requerimentos da vida na comunidade nem do ofício dito sagrado, o que lhe permitiu uma certa flexibilidade de ação, a despeito da perda da Alemanha, Neerlândia, Escandinávia e Bretanha para a Reforma. Os protestantes alemães combateram os jesuítas, chamando-os de “criaturas do diabo”, que haviam sido vomitadas do inferno, com alguns exigindo que eles fossem queimados na fogueira, de modo análogo às feiticeiras, em função dos espíritos obsessores que os acompanhavam. Mas em algumas cidades alemãs os jesuítas tiveram um papel relevante, como, por exemplo, em Munique e em Bona, que inicialmente tiveram simpatia por Lutero, porém, ao final, permaneceram como bastiões católicos, em grande parte, graças ao empenho dos sacerdotes jesuítas.

Em 1612, apareceu na Polônia a Monita Secreta, cujo teor trazia instruções confidenciais aos jesuítas sobre a arte de obter legados e força política. A partir desse ano, até 1700, esse livro teve 22 edições publicadas, sempre nas mãos jesuíticas. Sim, esse livro é autêntico, sendo a prova concreta da astúcia e do ardil sacerdotais, especificamente da astúcia e do ardil jesuíticos. Mas como a astúcia e o ardil sacerdotais parecem ser um poço profundo, dentro do qual estão contidas as artimanhas, esses sacerdotes agiram no sentido de descaracterizar a sua própria Monita Secreta, pelo fato dela ter vinda a público, por isso, hoje, ela geralmente é considerada como se fosse uma hábil sátira ou um documento impudentemente falso.

Em 1615, os jesuítas mantinham 372 colégios. Em 1700, mantinham 769 colégios e 24 universidades espalhadas por todo o mundo. Nos países católicos, a educação secundária caiu quase que inteiramente nas mãos deles, dando-lhes uma imensa influência na formação do espírito juvenil. Traduziram, escreveram e levaram à cena peças teatrais, descobrindo no estudo dramático o meio adequado de ensinar a pregação e a eloquência. Utilizavam-se de debates para aguçar a devoção ao catolicismo, ao mesmo tempo em que desencorajavam a originalidade de quaisquer ideias, tanto nos professores como nos alunos. O objetivo jesuítico era produzir uma liderança matreira e astuciosa que na prática não viesse a pôr em dúvida a ordem doutrinária católica, mantendo o povo imutavelmente cativo do credo católico.

Os seus objetivos maquiavélicos atacavam também em outros pontos estratégicos, procurando atrair a atenção dos reis. Conseguindo observar os objetivos maquiavélicos dos jesuítas, Cláudio Acquaviva, o quinto superior geral da Companhia de Jesus, supostamente os proibiu de serem confessores da realeza, desencorajando as suas participações na política, sendo tudo isso pura artimanha, pois que trabalhava sorrateiramente por tudo isso, tendo conseguido que o padre Cotton aceitasse o convite de Henrique IV para ser o seu diretor espiritual. Daí em diante, os jesuítas passaram a concordar com Voltaire, que era o seu aluno mais brilhante, em que a melhor maneira de se moldar uma nação é moldar ao seu rei.

Por volta de 1700, os jesuítas já eram os confessores de centenas de personalidades ilustres. As mulheres, especialmente, eram mais sensíveis às boas maneiras jesuíticas e à tolerância que dispensavam às coisas do mundo. Como confessores de mulheres importantes, os artimanhosos e ardilosos padres jesuítas conseguiam chegar aos homens influentes. Diz alguns artigos dos Capítulo VI, VII e VIII das instruções secretas jesuíticas, a Monita Secreta, referente ao modo de atrair as viúvas ricas:

“Art. 1º- Para tal fim devem ser escolhidos religiosos de idade avançada, dotados de vivacidade e possuindo o dom da conversação agradável; importa que eles visitem as viúvas nas circunstâncias indicadas (de bens de fortuna), oferecendo-lhes os bons serviços da Sociedade, caso encontrem nelas alguma afeição pelos Jesuítas; se as iludidas mulheres aceitarem a oferta e começarem a frequentar as nossas igrejas, cumpre confiá-las aos cuidados de um confessor que mantenha no ânimo das penitentes o propósito de não mudarem de estado, exaltando-lhes as vantagens e a suprema ventura da viuvez, e lhes garantindo que por tal modo evitarão as penas do purgatório.

Art. 5º- (vão as mais eloquentes) – convém principalmente afastar os familiares (criados, etc.) da casa da penitente, quando tais indivíduos não sejam afeiçoados à Sociedade de Jesus, isto gradualmente, e substituí-los por outros que dependam ou busquem… depender dos nossos; por este modo estaremos ao fato de quanto se passa no interior da família.

Art. 6º- Que o confessor não leve em vista senão um fim: tornar a viúva dependente do seu conselho; que não busque outro alvo, e só assim achará uma base para o seu futuro adiantamento espiritual.

Art. 7º- É conveniente a repetição da confissão geral, a fim de termos pleno conhecimento de todas as inclinações da penitente.

Art. 9º- Importa, de quando em quando, propor-lhe para marido indivíduos por quem ela sinta repugnância e desacreditar no seu espírito o homem que por ventura lhe agrade; isto a fim de lhe inspirar repulsão pela ideia de segundas núpcias.

Art. 11º- Quando houvermos conseguido isolar a mulher, separando-a das relações da família e dos seus amigos, iremos dispondo a penitência à prática de boas obras — especialmente esmolas — sempre debaixo da direção do seu confessor.

Capítulo VII- Das instruções secretas dos jesuítas, do modo de dispor dos bens das viúvas, provendo à sua existência.

Art. 3º- Convém que a penitente renove duas vezes por ano seu voto de castidade. Nesses dias ser-lhe-á facultado um passatempo honesto com um dos membros da nossa Companhia.

Art. 4º- É preciso visitá-las amiudadas vezes e distraí-las agradavelmente por meio de contos espirituosos e gracejos, em harmonia com a índole e a inclinação da mulher.

Art. 6º- Importa que a viúva não visite outras igrejas afora as da Ordem; cumpre persuadi-las de que a Companhia de Jesus resume todas as indulgências concedidas às outras ordens religiosas.

Art. 14º- Os confessores tratarão de convencer a mulher da necessidade de pagar anualmente determinadas pensões para o sustento dos colégios e das casas professas, não esquecendo os ornamentos dos templos, a cera e o vinho necessários para a celebração da missa.

Art. 15º- Se, durante a vida, a penitente não houver disposto da totalidade dos seus bens em favor da Companhia de Jesus, terá o cuidado, o confessor, de, por meios suaves, ou pela força, obrigá-la a acudir às despesas dos colégios pobres da Companhia (embora não fundados), isto quando a viúva se ache enferma — prometendo-lhe em troca das doações a glória eterna.

Art. 17º- Importa convencer as mulheres ricas de que a soberana perfeição consiste em que, despojando-se das coisas terrestres, façam doação delas a Jesus Cristo.

Art. 18º- Mas, como há, de ordinário, menos a esperar das viúvas que têm filhos, é mister remediar esta falta como se vê do seguinte capítulo:

Cap. VIII – Do caminho a seguir para arrastar à vida religiosa, ou de devoção, os filhos das viúvas.

Art. 1º- Para tal fim, as mães usarão de violência e nós da doçura; incitaremos a mãe à opressão dos filhos de ambos os sexos… de modo a desgostá-los do lar e da sociedade, principalmente as filhas, e buscarem refúgios nos estabelecimentos religiosos, — cujas seduções vão descritas em artigo separado”.

Em sua obra Cartas ao Cardeal Arcoverde, a página 260, Luiz de Mattos fornece o desfecho final dessa patifaria sacerdotal, quando vem afirmar o seguinte:

O que aí fica, caríssimo cardeal Arcoverde, é transcrito da série de cartas sobre os jesuítas, dirigidas pelo notável escritor e polemista português Silva Pinto ao bispo do Porto, que, por sua vez, transcreveu do documento singular que foi encontrado em um colégio de Jesuítas de Praga ou de Paderbonn, e serve para provar a boa fé, a santidade, o desprendimento e a religiosidade dessa maldita Roma papal, de toda essa grei tonsurada, da qual sois chefe no Brasil, e provar, ao mesmo tempo, que não é novo tudo quanto se observa atualmente entre todos os promotores de grandes escândalos e desgraças sociais, escravos de Roma papal, sem pátria, sem família, sem lei, que não seja a lei vaticânica, escravocrata de almas e de corpos, que danifica e enlouquece”.

 

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