16.10- A papisa Joana

Prolegômenos
10 de julho de 2018 Pamam

Eu vou me ater apenas a narrar os fatos históricos acerca da papisa Joana, que teria sido a única mulher a se sentar no trono papal durante cerca de três anos, segundo os registros que passaram a circular na Europa durante vários séculos. Alguns historiadores afirmam realmente a sua existência, enquanto outros afirmam a sua existência como sendo fictícia, tendo sido originada de uma sátira antipapal. Então que o próprio leitor julgue a sua real existência ou a sua ficção, pois que para mim é totalmente indiferente, já que tenho a minha ideia formada acerca do papado, assim como também sobre os demais credos e seitas que pululam por esse mundo afora, não sendo isso que irá afetar o que quer que seja acerca desta minha ideia. Abaixo algumas ilustrações da papisa Joana, em diferentes épocas.

Essa história sobre a existência ou não da papisa Joana aparece pela primeira vez em documentos do início do século XIII, situando os acontecimentos em 1099. Outro cronista, também do século XIII, data o papado de Joana de até três séculos e meio antes, depois da morte do papa Leão IV, coincidindo com uma época de crise e confusão no seio da diocese de Roma. Joana teria ocupado o trono papal durante aproximadamente três anos, entre o papa Leão IV e o papa Bento III, anos de 850 a 858.

Segundo alguns relatos, Joana teria sido uma jovem oriental, talvez de Constantinopla, nascida possivelmente com o nome de Gilberta, que se fez passar por homem para escapar à proibição de estudar, que na época era imposta às mulheres. Sendo extremamente culta, possuía formação em Saperologia e Teologia. Ao chegar em Roma se apresentou como monge e supreendeu os doutores da Igreja com a sua sabedoria, quando então chegou ao papado, após a morte de Leão IV, adotando o nome de João VII. Os mesmos relatos contam que ela se tornou amante de um oficial da guarda suíça e ficou grávida.

A versão de Martinho de Opava, afirma que Joana teria nascido na cidade de Mogúncia, na Alemanha, que era filha de um casal inglês residente ali na época. Na idade adulta conheceu um monge, por quem se apaixonou, tendo ambos ido para a Grécia, onde passaram três anos, e depois foram para Roma. Para evitar o escândalo que a relação poderia causar, Joana decidiu vestir roupas masculinas, passando assim por monge, tendo adotado o nome de Johannes Angelicus e a seguir ingressado no mosteiro de São Martinho, quando então conseguiu ser nomeada cardeal, ficando conhecida como João, o inglês. Em virtude da sua notável inteligência, foi eleita papa após a morte de Leão IV, ocorrida em 17 de julho de 855. Apesar de haver sido fácil ocultar a sua gravidez, em face das vestes folgadas dos papas, acabou por ser acometida pelas dores do parto em meio a uma procissão em uma rua estreita, entre o Coliseu de Roma e a Igreja de São Clemente, dando à luz uma criança perante a multidão.

As versões divergem sobre esse ponto, mas todas coincidem em que a multidão reagiu com indignação, por considerar que o trono papal havia sido profanado. Em decorrência, Joana teria sido amarrada em um cavalo e apedrejada até a morte. Depois foi colocada nesse seu trajeto uma estátua de uma donzela com uma criança no colo, com a inscrição Parce Pater Patrum, Papissae Proditum Patum, que significa poupe o pai dos pais, o nascimento traído da papisa, que foi mais tarde atestado pelo Mirabilia Urbis Romae, ou Maravilhas da Cidade de Roma, um texto latino da época medieval que foi muito copiado, o qual serviu às gerações de peregrinos e turistas como um guia para a cidade de Roma, tendo o original sido escrito por um cânone vaticânico, datado da década de 1140, que sobrevive em numerosos manuscritos. Em outro relato, Joana teria morrido devido a complicações no parto, enquanto os cardeais se ajoelhavam e clamavam aos céus: Milagre! Milagre!

A história foi publicada pela primeira no século XIII, pelo escritor Estêvão de Bourbon, que era um frade dominicano e também historiador, reportando-se à história espalhada pelos séculos que o precederam. Em 1886, voltou a ser difundida pelo escritor grego Emmanuel Royidios, através do romance A Papisa Joana, traduzido em inglês pelo escritou Lawrence Durrell, em 1939. Mariano Escoto, historiador alemão e monge beneditino, que viveu entre 1028 e 1086, recluso da abadia de Mogúncia, refere-se a ela em sua Storia Sui Temporis Clara, afirmando que o papa Leão IV morreu no início de agosto, tendo sido sucedido por Joana, uma mulher que reinou durante dois anos, cinco meses e quatro dias. Martino de Troppan, padre dominicano do século XIII, capelão papal, em Roma, em sua obra Chronica Pontificoram et Imperatorum, diz que depois do papa Leão IV veio João Anglius, nascido em Mogúncia, que foi papa durante dois anos, sete meses e quatro dias, tendo morrido em Roma, após o que houve uma vacância no papado pelo período de um mês. Sigeberto de Gembloux, um monge beneditino que viveu no período de 1030 a 1113, afirmou o que se segue abaixo:

Houve rumores de que esse João era uma mulher e era conhecida como tal apenas por um companheiro que teve relações com ela e a deixou grávida. Ela deu à luz quando ainda era papa. Por isso alguns historiadores não a incluem na lista dos papas”.

Oto de Frisinga, que pertencia à realeza alemã e que era bispo de Frisingen, o qual viveu no século XII, em um dos seus sete livros de crônicas narra o seguinte:

“Há uma interrogação a respeito de um certo papa, ou melhor, papisa, que não é incluído na lista dos papas de Roma, porque era uma mulher que se disfarçava de homem. Um dia, quando montava a cavalo, deu à luz uma criança”.

Godofredo de Viterbo, secretário da corte imperial, por volta do ano de 1185, vem afirmar que “Joana, a papisa, não é contada depois de Leão IV”. Jean de Mailly, que era um sacerdote dominicano francês da cidade de Metz, no ano de 1250, em sua obra Chronica Universalis Mettensis, afirma que:

Há uma interrogação a respeito de um certo papa, ou melhor, papisa, que não é incluído na lista dos papas de Roma, porque era uma mulher que se disfarçava de homem, e por motivo dos seus grandes talentos se tornou secretário curial, cardeal e papa. Um dia, quando montava a cavalo, deu à luz uma criança”.

Donna Woolfolk Cross, em sua obra Pepe Joan, editado pela Geração Editorial, em 496 páginas, traz uma minuciosa narrativa sobre a história, em que narra os fatos antecedentes e posteriores. Martin le Franc, poeta francês originário da Normandia, reitor em Lausanne e secretário do papa Nicolau V, período de 1447 a 1455, e do antipapa Félix V, em seu poema Le Champion des Dames, faz referência aos paramentos litúrgicos empregados por Joana. Dennis Barton, em sua obra Pope Joan, apresenta uma descrição narrativa e pormenorizada. Rosemary e Darroll Pardoe, em sua obra The Female Pope: The Mistery of Pope Joan – The First Complete Documentation of the Facts Behind the Legend, editado pela Ibrasa, em São Paulo, no ano de 1990, traz uma narrativa pormenorizada, em que cita fontes, épocas e ligações históricas. Alain Boureau, em sua obra The Myth of Pope Joan, editado pela University of Chicago, em 05 de janeiro de 2001, com 385 páginas, descreve o papado de Joana. Alexander Cooke, escritor protestante de Oppenheim, em sua obra Johanna Papissa Toti Orbi Manifestata, de 1616, em defesa à sua memória, voltou a anunciá-la nos calendários papistas, de onde ela até então era excluída, e continua sendo. A The Catholic Encyclopedia, traz o seguinte resumo sobre a questão da existência da papisa Joana:

Depois de Leão IV (847-855), o inglês João (L. Anglois) de Metz ocupou o trono papal por quase três anos, sendo ele, como alegado, uma mulher que, quando moça, foi levada a Atenas por seu amante com roupas de rapaz, tendo ela aprendido as ciências dos gregos tão rápido que ninguém a podia igualar. Veio para Roma, onde aperfeiçoou os seus conhecimentos, atraindo a atenção dos homens estudados, sendo finalmente escolhida como papa. Ficando grávida de um dos seus atendentes de confiança, deu à luz durante uma procissão de São Pedro para o Lateran (Latrão), morrendo quase instantaneamente em consequência do parto”.

Antes da Reforma Protestante, que expôs os erros e os crimes praticados pela Igreja Católica, a história da papisa Joana era crida pelos cronistas, pelos bispos e até pelos próprios papas, como consta na The Catholic Encyclopedia, da seguinte maneira:

Nos séculos XIV e XV, a papisa era citada como personagem histórico, de cuja existência ninguém duvidava. Ela teve o seu lugar entre os bustos talhados que ficavam na Catedral de Siena. Sob pedido de Clemente VII (1592-1595), Joana foi transformada no papa Zacarias. O padre João Huss, ao defender a sua doutrina diante do Concílio de Constança, referiu-se a ela, mas ninguém questionou o fato da sua existência”.

Entretanto, o teólogo David Blondel, de Amsterdam, que estuda o deus bíblico, em um escrito de 1647, e o veritólogo alemão Wilhelm Leibnitz, que nunca se deparou com a verdade, e alguns enciclopedistas franceses, rotularam a história como sendo falsa. Além destes, seguiram-se outros, como John Thurmaier, o Aventino, de Abensberg, Baviera, em seu Annales Boiorum; Onofre Panvínio, de Veneza, em seus escritos datados de 1557; Florimundo de Rernond, em seu livro Erreur Populaire de la Papesse Jeanne, editado em Paris, em 1558, que aponta e enuncia as contradições relativas aos fatos sobre a existência histórica da papisa Joana; e Ignaz von Doellinger e Joan Lockwood, considerando que o fato é uma lenda, apenas questionando onde e por quê dela ter surgido.

Barônio considera a papisa um monstro que os ateus e os heréticos tinham evocado do inferno por sortilégios e malefícios. Florimundo Raxmond compara Joana a um segundo Hércules enviado do céu para esmagar a Igreja Católica Apostólica Romana, cujas abominações tinham excitado a cólera do deus bíblico.

No seu libelo, o padre Labbé acusava João Huss, Jerônimo de Praga, John Wycliffe, Lutero e Calvino de serem os inventores da história da papisa, mas foi provado que tendo Joana subido ao trono papal perto de seis séculos antes do nascimento do primeiro desses personagens da história, seria impossível que eles tivessem imaginado tal fábula, e que, em todo o caso, Mariano, que escrevera a vida da papisa há mais de cinquenta anos antes deles, não poderia tê-la copiado das suas obras. Eis aqui uma asseveração transcrita por Labbé:

Dou o mais formal desmentido a todos os heréticos da França, da Inglaterra, da Holanda, da Alemanha, da Suíça e de todos os países da Terra para que possam responder com a mais leve aparência de verdade à demonstração cronológica que publiquei contra a fábula que os heterodoxos narraram sobre a papisa Joana, fábula ímpia cujas bases destruí de um modo invencível”.

Um dos sinais mais interessantes da real existência da papisa Joana repousa em um decreto publicado pela corte papal de Roma, proibindo expressamente que se colocasse a papisa no catálogo dos papas. Assim, Launay acrescenta com sensatez:

Não é justo sustentar que o silêncio que se lançou sobre essa história, nos tempos imediatamente posteriores ao acontecimento, seja prejudicial à narrativa feita mais tarde. É verdade que os eclesiásticos contemporâneos de Leão IV e de Bento III, por um zelo exagerado pela religião (leia-se credo, digo eu), não falaram nessa mulher notável; mas os seus sucessores, menos escrupulosos, descobriram afinal o mistério”.

Genebrando, arcebispo de Aquisgrano, não via motivos para negar a existência da papisa Joana, afirmando que durante perto de dois séculos, o Vaticano foi ocupado por papas de um desregramento moral tão espantoso, que eram dignos de serem chamados de apostáticos e não de apostólicos, acrescentando ainda que as mulheres governavam a Itália e que o trono papal se transformara em uma roca, no caso a armação de madeira das imagens dos santos de roca. E, com efeito, as cortesãs Teodora e Marózia dispunham do lugar do “vigário” de Jesus, o Cristo, e colocavam no trono papal os seus amantes e os seus filhos ilegítimos, segundo os seus caprichos, utilizando-se dos meios mais reprováveis.

Mas a questão da papisa Joana não é única e nem exclusiva, em relação ao sacerdócio católico, existindo outras histórias sobre mulheres que teriam vestido o hábito sacerdotal. Uma cortesã chamada de Margarida se disfarçou de padre e entrou para um convento de homens, onde tomou o nome de Frei Pelágio. Eugênia, filha do célebre Filipe, governador de Alexandria, no reinado do imperador Galiano, dirigia um convento de frades, tendo apenas descoberto o seu sexo para se desculpar de uma acusação de sedução que lhe fôra intentada por uma jovem.

A crônica da Lombardia, composta por um monge da Abadia do Monte Cassino, refere igualmente, segundo a afirmativa de um padre chamado Heremberto, que escrevia trinta anos depois da morte de Leão IV, a história de uma mulher que fôra patriarca de Constantinopla, tendo sido descoberta por um médium vidente e ouvinte, da seguinte maneira:

Um príncipe de Benevento, chamado Archiso, diz, teve uma revelação divina na qual um anjo o advertia de que o patriarca que ocupava então a sede de Constantinopla era uma mulher. O príncipe apressou-se a informar ao imperador Basílio, e o falso patriarca, depois de despojado de todas as suas vestes diante do clero da Santa Sofia, foi reconhecido por uma mulher, expulso vergonhosamente da Igreja e encerrado em um convento de religiosas”.

O romance de 1866 intitulado The Papess Joanne, trouxe fama mundial ao escritor Emmanuel Rhoides, tendo sido ele excomungado pela Igreja Ortodoxa Grega. O filme Pope Joan foi lançado em 1972, com Liv Ullmann interpretando o papel de Joana, que contou também com as participações de Olivia de Havilland e de Trevor Howard, este como o papa Leão IV. Em 1996, Donna Woolfolk escreveu o romance Pope Joan, que foi adaptado para o cinema, tendo sido lançado em 22 de outubro de 2009. Pape Joan é o título de um dos poemas laureados Carol Ann Duffy, coleção The Word’s Wife. Em 2006, o livro Sign of the Cross, de Chris Kuzneski, propaga a história, descrevendo a papisa Joana como sendo uma escriba inglesa que morreu pouco depois de se tornar papa, ao dar à luz uma criança em uma procissão pública. A história da papisa Joana é contada no capítulo 34 da novela Le Mystère des Dieux, por Bernard Werber. Há uma canção de Randall Goodgame, em seu álbum Guerra e Paz, intitulada The Legend of Pope Joan, sobre a história em si.

O material literário sobre a mulher que ocupou o trono papal, despertou o interesse não somente dos historiadores e teólogos, mas também dos editores literários, dos teatrólogos, dos compositores, dos cartunistas, e outros mais. Vejamos algums dessas adaptações literárias que foram escritas ao longo do tempo:

  • Boccacio, Joana Anglica o Papade, do livro De Claris Mulieribus, de 1374;
  • Dietrich Schemberg, Spiel von Frau Jutten, editado em 1485, depois em Eislebener, em 1565, reportado por Manfred Lemmers, em seus Textos do Final da Idade Média e Início do Período Moderno, e por Erich Schmidt, em Berlim, em 1971, drama em verso espiritual;
  • Hans Sachs, História de Joana Angélico, a Papisa. Editado por Adelbert von Keller. Biblioteca Associação de Litterarische Stuttgart, volume oitavo Tübingen, 1874;
  • Achim von Arnim, O papa Joana – Peça Teatral. Berlim, 1813, drama romântico universal;
  • Wilheim Smets, o Conto do Papa Joana Rediscutido, papers e Kohnen, Colonia, 1829;
  • Emmanouil Roidis, A Papisa Ioanna, 1866;
  • Paul von Friedrich, A Papisa Joana. Geschichte Ihre Wahre. Aus d. Neugriech. Bergisch-Gladbach, Bastei-Lübbe 2000, ISBN 2-404-14446. Estudo da Idade Média, romance histórico;
  • Ludwig Gorm, A Papisa Joana. Novela. Delfim-Verlag, Munique, 1912;
  • Bertold Brecht, O Papa Joana, Tomo Volume 10 ISBN 3-518-40010-X. Peça teatral – fragmento;
  • Donna Woolfolk, Papa Joana, em 1996, romance histórico;
  • Papa Joana. Berlim, Ruetten e Loening, 1996, ISBN 3-352-00527-3;
  • Klaus Völker, Papa Joana, um livro de leitura. Wagenbach, Berlim, 1977, ISBN 3-8031-2031-4;
  • Hugo N. Gersti, The Story of the Only Female Pope. Romance. Dekel Publishing House. Telavive, 2005. Tradução portuguesa (Portugal: O Cronista: a História da Papisa Joana, traduzido por Claudete Soares. Lisboa, em 2006;
  • Papa Joana (Pop Joan), filme com Liv Ullmann no papel da papisa, dirigido por Michael Anderson, Grã-Bretanha, 1972;
  • Papa Joana (Die Päpstin), filme com Johanna Wokalek no papel da papisa, dirigido por Sönke Wortmann. Alemanha / Grã-Bretanha, em 2009;
  • Papa Joana, o musical, com Sabrina Weckerlin como a atriz principal, Mathias Edenborn como Gerold, diretor Stanislav Mosa, compositor Dennis Martin, diretor musical Peter Scholz. Alemanha / Fulda, em 2011.

Mas então, o querido leitor pode indagar a si mesmo: mas como as pessoas mais estudiosas conseguiram saber acerca da existência da papisa Joana? Somente aquele que seja realmente espiritualizado reúne as condições adequadas para saber o porquê das notícias correrem o mundo. E quem explica tudo isso é Luiz de Mattos, o chefe da nossa humanidade e o maior veritólogo de todos os tempos, em seu artigo A Voz do Povo é a Voz de Deus, contido na obra Páginas Antigas, as páginas 23 e 24, quando então o fundador do Racionalismo Cristão diz:

A criatura humana sendo, pois, receptora e expedidora de sentimentos e pensamentos, que fora de si pairam, em qualquer parte em que se ache, torna-se o espírito intermediário das forças que existem na atmosfera da Terra e das que vêm de outros mundos, e por assim ser, é que se afirma que todo ser humano é médium intuitivo. É por meio dessa faculdade natural que recebe as intuições das Forças Superiores ou das inferiores.

Assim, o ser humano é, portanto, um instrumento que recebe com mais ou menos clareza, o que de fora lhe é intuído, conforme o seu estado psíquico e a educação da sua vontade.

Desde que todo ser humano é um médium, é um instrumento receptor de boas e más impressões, que lhe vêm de fora e vivem fora dele, é claríssimo ser ele um instrumento para o bem ou para o mal, como receptor de elementos, de forças invisíveis, de intuições, de tudo quanto se passa na atmosfera, no meio ambiente, e que lhe é intuído pelos espíritos que vivem nela ou a ela vêm para auxiliar o progresso dos seres e do próprio planeta.

É em sonhos e intuitivamente, além da vidência e audição, que os seres humanos recebem notícias boas ou más, e ao que o povo chama de a Voz de Deus, a que Herculano se refere e que não soube explicar, mas que o Racionalismo Cristão explica, racionalmente.

É assim que se explica, com clareza absoluta, a presciência que o povo tem, bem como os fenômenos levados à conta de milagres, fatos sobrenaturais, etc., e assim se atira por terra o mistério, pois na Vida tudo tem a sua explicação racional e científica, não há nela mistérios. Há, sim, coisas ainda inexplicáveis quando se passe à vida transcendental, mas dentro do mundo físico, tudo pode ser esclarecido à luz da razão e, portanto, da Verdade”.

 

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