16.04- Bento IX

Prolegômenos
9 de julho de 2018 Pamam

Em 988, quando Adalberto morreu, Gerberto procurou sucedê-lo como arcebispo de Reims, mas Hugo Capeto nomeou Arnulfo, um filho bastardo da agonizante casa Carolíngia. Mas Arnulfo conspirou contra Hugo Capeto, quando então um concílio eclesiástico o depôs, apesar dos protestos do papa, e escolheu Gerberto para arcebispo, em 991.

Quatro anos depois, um legado papal persuadiu um sínodo em Moisson a depor Gerberto, que humilhado se dirigiu à corte de Oto III na Alemanha, recebendo ali todas as honras, moldando o espírito do jovem rei e lhe incutindo o pensamento de restabelecer o Império Romano com a sua capital em Roma. Oto III o nomeou arcebispo de Ravena e, em 999, papa. Gerberto tomou o nome de Silvestre II, como a querer declarar a todos que seria um segundo Silvestre de um segundo Constantino, unificador do mundo. Caso tivessem ele e Oto III vivido mais uma década talvez tivessem até realizado esse sonho, uma vez que o imperador era filho de uma princesa bizantina e Gerberto podia tê-lo tornado um rei-filósofo. Mas no quarto ano do seu papado Gerberto morreu envenenado por Estefânia, que já havia envenenado a Oto.

As suas aspirações e a agitada política do mundo em torno deles, mostrou quão poucos eram os “cristãos” que levavam a sério o boato de que o mundo acabaria no ano 1000. No começo do século X, um concílio da Igreja tinha anunciado que havia começado o último século da história, mas apenas uma pequena minoria acreditava nisso, preparando-se para o Juízo Final. A grande maioria constinuava a sua vida cotidiana habitual, trabalhando, jogando, “pecando”, orando e tentando sobreviver neste mundo. Não consta nos registro históricos qualquer evidência de algum pânico no ano 1000, nem mesmo qualquer aumento nas doações à Igreja.

Após a morte de Gerberto, teve continuidade a decadência do papado. Os condes de Túsculo, em aliança com imperadores germânicos, compravam bispos e vendiam o papado sem sequer procurar ocultá-lo. Bento VIII, período de 1012 a 1024, que foi um papa nomeado por eles, até que se saiu bem no papado, mas Bento IX, período de 1032 a 1045, tendo sido eleito papa aos doze anos, levou uma vida tão vergonhosa e tão turbulenta, que o povo se levantou e o expulsou de Roma. Com o auxílio dos condes de Túsculo ele foi restabelecido, mas se cansando do pontificado vendeu o trono papal a Gregório VI, período de de 1045 a a 1046, por umas duas mil libras de ouro. Gregório VI surpreendeu Roma por ser um papa eficaz, pois que manteve o desejo de reformar o papado, libertando-o dos seus senhores, mas a casa de Túsculo não podia favorecer a essa reforma, fazendo Bento IX subir novamente ao papado, enquanto uma terceira facção elevava Silvestre III.

O clero italiano então apelou para Henrique III, a fim de pôr termo a essa desavergonhada disputa pelo papado. Ele foi a Sutri, perto de Roma, e reuniu um concílio eclesiástico, que prendeu Silvestre III, aceitou a resignação de Bento IX e depôs Gregório VI por ter admitido a compra do pontificado. Henrique III persuadiu o concílio de que somente um papa estrangeiro, protegido pelo imperador, poderia terminar com a desmoralização da Igreja. O bispo de Banberg foi eleito como Clemente II, período de 1046 a 1047, tendo morrido um ano depois, e Damaso II, período de 1047 a 1048, que também morreu.

Bento IX nasceu em Roma como o nome de Teofilacto, sendo filho de Alberico III, conde de Túsculo, e sobrinho dos papas Bento VIII, período de 1012 a 1024, e João XIX, período de 1024 a 1032. Foi o seu pai quem obteve o lugar para si, que alcançou em outubro de 1032. A Enciclopédia Católica afirma que Bento IX tinha entre 18 e 20 anos quando se tornou pontífice, mas isso é mentira, pois ele tinha apenas 12 anos de idade.

No período de 1032 a 1048, Bento IX foi o papa da Igreja Católica em três ocasiões entre 1032 e 1048, muitos dizem haver sido ele o único que foi papa em mais de uma ocasião, contudo Bonifácio Francone, como Bonifácio VII, já havia sido papa por duas vezes, mas ele pode ter sido o único homem a ter vendido o papado, embora muitos tenham despendido grandes somas para se apoderar do trono papal, e pode ter sido o primeiro papa a renunciar ao trono papal.

Tendo subido ao trono papal com apenas doze anos de idade, em 1032, Bento IX foi também escolhido para a função para atender aos interesses das classes campestres de Roma, que se recusavam a aceitar os inúmeros candidatos de outras dioceses originárias de fora de Roma. Eu seu pontificado, ele nada sabia acerca dos deveres de um papa, além do que a sua vida era um escândalo para a Igreja.

Em 1036, Bento IX foi forçado a sair brevemente de Roma, porém retornou ao papado com o apoio do imperador Conrado II.

Em setembro de 1044, foi expulso pelo povo romano, tendo a oposição o forçado a abandonar a cidade de Roma, tendo ele se refugiado no mosteiro de Grottaferrara, elegendo ao trono papal a João, bispo de Sabina, como papa Silvestre III. Em 1045, as forças de Bento IX regressaram e expulsaram o seu rival do trono papal, que continuou as suas pretensões ao papado durante anos, recuperando assim o trono papal, tendo ele abdicado no mesmo ano, em face da indisposição causada pelo álcool e da resignação do posto em troca do matrimônio, vendendo o seu lugar ao seu sobrinho, o sacerdote Gratian, o qual se nomeou Gregório VI.

O rei germânico Henrique III, período de 1039 a 1056, interveio, e em dezembro de 1046, no Conselho de Sutri, em meio a tanta confusão, os papas Bento IX e Silvestre III foram declarados depostos, enquanto que Gregório VI era encorajado a resignar ao trono papal, tendo ele resignado, quando então o bispo germânico Suidger foi coroado papa, adotando o nome de Clemente II. Tínhamos assim Bento IX, Silvestre III, Gregório VI e Clemente II, o que demonstra claramente que qualquer patife pode reinar soberano sobre os estúpidos e ignorantes credulários, que mantêm acesa em suas almas a cretinice da fé credulária.

Mas Bento IX não foi ao conselho e nem aceitou a sua deposição, e quando Clemente II morreu em outubro de 1047, ele regressou no mês seguinte, tomou a cidade de Roma, apoderando-se do palácio de Latrão, ocupando novamente o trono papal, apesar de Gregório VI continuar a ser reconhecido como sendo o verdadeiro papa. A essa altura dos acontecimentos, Silvestre III reafirmou a sua reivindicação ao papado. Mas Bento IX continuou como papa até o ano de 1048, quando então foi deposto definitivamente, ao ser escorraçado pelas tropas germânicas, em julho do mesmo ano.

Com o intuito de preencher o vácuo político deixado pela confusão em torno do trono papal, o bispo de Brixen foi levado ao trono papal, adotando o nome de papa Dâmaso II, passando a ser reconhecido universalmente como tal. Bento IX se recusou a aparecer em encargos de simonia, tendo sido excomungado em 1049.

O destino do papa Bento IX é obscuro, em relação às especulações em torno do seu nome, o mais provável é que ele tenha abandonado as suas pretensões ao trono papal, tendo sido levantada pelo papa Leão IX a banição que sobre ele pendia. Bento IX foi sepultado na abadia de Grottaferrara, onde faleceu, passando para a história como sendo o papa dos três pontificados, ficando assim famoso, além, é claro, pelas suas patifarias.

De acordo com os registros históricos, esse papa teve uma vida extremamente dissoluta e degenerada, já que são essas qualificações as que são geralmente demonstradas para ocupar o trono papal, tendo ele, além disso, ligações com uma família socialmente poderosa para que pudesse se tornar pontífice, mesmo em termos teológicos e em atividades comuns na Igreja sendo inteiramente ortodoxo.

Em seu Liber Gomorrhianus, São Pedro Damião descreveu o papa Bento IX como “regozijando-se em imoralidade” e “um demônio do inferno dissimulado de sacerdote”, como se todos os sacerdotes não fossem instrumentos do astral inferior. A própria Enciclopédia Católica o chama de a “desgraça na cadeira de Pedro”, como se essa cadeira nociva e criminosa tivesse mesmo sido ocupada por Pedro. Foi acusado pelo bispo Benno de Piacensa de “múltiplos e vis adultérios e assassinatos”. O papa Vítor III, no seu terceito livro de Diálogos, referiu-se às “suas violações, assassinatos e outros atos indizíveis”, afirmando ainda que “a sua vida como papa é tão vil, tão abominável, tão execrável, que eu me arrepio de nela pensar”.

 

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