16.03- João XII

Prolegômenos
9 de julho de 2018 Pamam

Em 914, Teodora conseguiu colocar no trono o papa João X, que ocupou o trono papal no período de 914 a 928, pelo fato dele ser o seu amante, tendo ele organizado a coalizão que em 916 repeliu os sarracenos de Roma. Marózia, após ter tido uma série de amantes, desposou a Guido, duque de Toscana, que conspiraram para depor João X, tendo ambos mandado matar o irmão do papa na presença do próprio pontifício, que depois foi lançado na prisão e ali morreu poucos meses depois de causa desconhecida.

Em 931, Marózia elevou ao papado João XI, período de 931 a 935, que era o seu filho bastardo com o papa Sérgio III. Em 932, o seu filho Alberico prendeu o seu meio-irmão João XI no castelo de Santo Ângelo, permitindo que ele exercesse da prisão as suas funções do papado. E assim, durante 22 anos, Alberico governou Roma como chefe ditatorial de uma “república” romana. Ao morrer, legou o poder ao seu filho Otaviano, fazendo com que o clero e o povo prometessem escolhê-lo papa quando morresse Agapito II, em que nessa ocasião contava com apenas 18 anos de idade. Foi feito conforme a sua ordem. Em 955, o neto de Marózia se tornou João XII, passando a distinguir o seu pontificado pelas orgias e pelos deboches no palácio de Latrão.

Sendo extremamente degenerado, corrupto e afeito a depravações, sem possuir qualquer experiência como governante, reivindicou para si os direitos temporais da Igreja — direito de governar como político, o qual é exercido sobre as pessoas, em especial o poder do “vigário” de Jesus, o Cristo, exercido pelo papa, em contraste como o seu poder espiritual sobre a Igreja Católica e outros grupos, que é também denominado de poder eterno —, tendo também criado os bispos-condes. Reconstruiu o Sacro Império e coroou Oto I da Alemanha, com quem formou uma aliança através da qual nenhum papa poderia ser consagrado no futuro sem a presença dos enviados do imperador, ao que se denominou de privilegium ottonianum. Foi durante o seu pontificado que a Igreja Católica se tornou ainda mais susceptível ao poder político, em razão do fato dele promover a venda de cargos eclesiásticos, a denominada simonia.

As suas degenerações, as suas depravações e os seus vícios são descritos por Brenda Ralph Lewis, em sua obra intitulada A História Secreta dos Papas, com o subtítulo Vício, Assassinato e Corrupção no Vaticano, que sobre João XII narra o seguinte:

Dormiu com as prostitutas do seu pai e chegou ao cúmulo de manter relações com a sua própria mãe. João XII também presenteava as suas amantes com cálices de ouro, verdadeiras relíquias sagradas da igreja de São Pedro. Ele ainda cegou um cardeal e castrou outro, causando a sua morte. Apoderava-se das oferendas feitas pelos peregrinos para aposta em jogos. Nessas seções de jogatina, o próprio papa costumava evocar os deuses pagãos para ter sorte ao arremessar os dados. As mulheres eram advertidas a se manterem longe de São João de Latrão, ou de qualquer outro lugar frequentado pelo papa, pois ele estava sempre à procura de novas conquistas. Após pouco tempo, os romanos estavam tão furiosos com tais atitudes que o papa começou a temer por sua vida. Sendo assim, resolveu saquear a igreja de São Pedro e fugir para Tívoli, a 27 quilômetros de Roma.

João XII estava causando tanto estrago ao papado e ao Vaticano, superando os crimes e pecados dos seus antecessores, que um sínodo especial foi convocado. Todos os bispos italianos, 16 cardeais e outros prelados (alguns alemães), reuniram-se para decidir o que fazer com o devasso pontífice. Convocaram testemunhas e ouviram evidências sob juramento. Então, fizeram uma lista que adicionava ainda mais acusações às informações bizarras e assustadoras que já possuíam sobre João. Algumas delas foram descritas em uma carta escrita a João pelo imperador do Sacro Império Romano, Otto I da Saxônia.

O papa João, ainda no exílio em Tívoli, respondeu a Otto em termos ameaçadores que aterrorizavam Roma. Caso o sínodo o depusesse, ameaçou excomungar todos os envolvidos, e assim não poderiam celebrar missas ou conduzir uma ordenação.

Em termos cristãos, esse é o pior castigo que um papa pode dar, pois a excomunhão significa estar fora da Igreja, perdendo a sua proteção e arriscando o espírito imortal.

A vingança de João XII

O imperador Otto não se curvou à ameaça de excomunhão do papa e o depôs, colocando em seu lugar o papa Leão VIII sem que João soubesse. Quando retornou a Roma, em 963, a sua vingança foi infinitamente pior que a sua ameaça. João XII depôs o papa Leão e, ao invés da excomunhão, executou e mutilou todos os que fizeram parte do sínodo. Um bispo teve a pele arrancada, um cardeal teve o nariz e dois dedos cortados e a língua arrancada, e 63 membros do clero e da nobreza romana foram decapitados. Na noite de 14 de maio de 964, parece que todas as rezas implorando a morte de João XII foram ouvidas. Segundo a descrição do bispo João Crescêncio de Protus: ‘enquanto estava tendo relações sujas e ilícitas com uma matrona romana, o papa foi surpreendido pelo marido de sua amante em pleno ato. O enfurecido traído esmagou o seu crânio com um martelo e, finalmente, entregou a indigna alma do papa João XII a Satã’”.

Essa narrativa da A História Secreta dos Papas é real, pois Oto I da Alemanha, coroado por João XII, em 962, soube da degradação do papado em primeira mão. Em 963, com o apoio do clero transalpino, voltou a Roma e convocou João XII para um julgamento ante um concílio eclesiástico. Os cardeais declararam que João XII havia recebido subornos para consagrar bispos, e fizera bispo a um menino de apenas dez anos de idade, cometera adultério com a concubina do pai e incesto com a viúva do pai e a sobrinha desta, transformando o palácio papal em um verdadeiro bordel. João XII se recusou a assistir ao concílio ou a responder às acusações, ao invés disso foi caçar.

O concílio o depôs e escolheu por unanimidade o candidato de Oto, um leigo, que recebeu o nome de Leão VIII, período de 963 a 965. Mas depois que Oto regressou para a Alemanha, João XII prendeu e mutilou os chefes do partido imperial em Roma e se fez restaurar por um concílio obediente ao papado, em 964, ano em que ele morreu assassinado por um marido traído, quando então os romanos elegeram Benedito V, ignorando a Leão VIII.

Então Oto desceu da Alemanha, depôs Benedito V e reconduziu Leão VIII ao trono papal, que reconheceu assim oficialmente o direito de Oto e dos seus sucessores imperiais de vetar a eleição de qualquer futuro novo papa, por isso a Igreja Católica considera Leão VIII como sendo antipapa e não atribui nenhuma validade aos seus atos e decretos.

Com a morte de Leão VIII, Oto assegurou a eleição de João XIII, período de 965 a 972. Benedito VI, período de 973 a 974, foi preso e estrangulado por um nobre romano, Bonifácio Francone, que se fez papa durante um mês, fugindo em seguida para Constantinopla com todo o tesouro papal que pôde carregar consigo. Nove anos depois, ele regressou, matou o papa João XIV, período de 983 a 984, novamente se apoderou do trono papal e morreu pacificamente no leito, em 985.

Eis aqui alguns dos fatos que retratam fielmente o trono papal. E os obtusos credulários, estupidamente ignorantes e praticamente analfabetos, tornando-se cegos propositais, em função da fé credulária, ainda se postam no Vaticano para apreciar as aparições dos papas, tais como se eles fossem santos, quando, na realidade, não passam de uns tremendos patifes.

 

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