16.02- Sérgio III

Prolegômenos
9 de julho de 2018 Pamam

Após a morte de Estêvão VI, por vários anos seguidos, o trono papal se fartou de subornos, assassinatos ou de favores de mulheres da classe alta, porém de baixa moralidade. Durante meio século a família de Theophylact, funcionário-chefe do palácio papal, fez e desfez papas. A sua filha Marózia assegurou a eleição do seu amante como o papa Sérgio III, que ocupou o trono papal no período de 904 a 911, sendo um dos papas do período denominado de Idade das Trevas, tal como o papado, que também é trevoso, tendo sido ele o primeiro papa a ser retratado com a Tiara Papal.

A Tiara Papal é designada como sendo a coroa papal, caracterizada como sendo uma rica cobertura para a cabeça, ornamentada com pedras preciosas e pérolas, que tem a forma de colmeia, com uma pequena cruz no ponto mais alto, sendo também equipada com três diademas reais, em total contraste com a probreza e a simplicidade de Jesus, o Cristo. Os papas poderiam usar uma tiara já existente, ordenando que o seu tamanho fosse ajustado, ou poderiam ordenar que fosse confeccionada uma nova tiara, que recebia na cerimônia de coroação, após a sua eleição, que inaugurava o seu pontificado, e como a Tiara Papal é um ornamento não litúrgico, a partir daí era usada apenas em procissões papais e em atos solenes de jurisdição, sendo que tanto os papas como os bispos vestem uma mitra pontifícia nas funções litúrgicas. O último papa a usar a Tiara Papal foi Paulo VI, em 1963, desde então os papas seguintes optaram por não usá-la. Mas os primeiros registros da Tiara Papal remonstam ao século VIII, sendo que a sua decoração e a forma se desenvolveram até os meados do século XIV. E esses patifes ainda dizem que são os representantes de Jesus, o Cristo, na Terra; são sim, os legítimos representantes de Jevoá, o deus bíblico, que chega a ser ainda muito mais trevoso do que os próprios papas, em face de ser um espírito trevoso tremendamente obsessor.

Sérgio, o conde de Túsculo, era bispo de Cerveteri, tendo já sido eleito papa pela primeira vez no ano 897 pelos inimigos do papa Formoso, que teve o seu corpo aviltado por Estêvão VI, mas Lamberto de Spoleto lhe forçou a ceder a sede pontifícia a João IX. Posteriormente, estando retirado nos domínios do marquês Adalberto de Toscana, Sérgio aguardava o momento oportuno para voltar a se sentar no trono papal.

Theophylact, um membro da família de Sérgio, que era funcionário-chefe do palácio papal, conseguiu se impor à nobreza romana, passando de simples juiz no ano 901, aos títulos de cônsul, duque e senador do povo romano, quando então passou meio século fazendo e desfazendo papas segundo a sua vontade, que não era propriamente sua, mas sim da sua esposa Teodora, a Maior, e das suas filhas Teodora, a Jovem, e Marózia, que eram tão libertinas como ambiciosas, e que controlavam tudo.

Em janeiro de 904, Teodora assinalou para Sérgio o momento oportuno que ele aguardava para se sentar no trono papal, cujo momento oportuno foi assegurado por Marózia, que já era a sua amante, quando então ele se apoderou do papa Cristóvão e o encerrrou junto ao desafortunado Leão V. Tendo sido reeleito papa como Sérgio III, ele montou uma farsa, instruindo um processo formal contra os seus dois predecessores, Cristóvão e Leão V, e ordenou que ambos fossem degolados. Estando ainda obcecado pelo acontecido como o papa Formoso, Sérgio III e o seu grupo de fascínoras proclamaram mais uma vez a invalidez de todas as ordenações que haviam sido conferidas por aquele pontífice.

Durante os sete anos em que ocupou o trono do Vaticano, Sérgio III se rendeu dócil e passivamente a todos os caprichos de Teodora, sobretudo, aos caprichos da sua filha menor Marózia, mesmo tendo ela se casado em 905 com Guido, duque de Toscana, mas isso não constituiu obstáculo para que ela fosse amante do papa por muitos anos, e que lhe desse um filho, o futuro papa João XI, que a sua própria mãe, juntamente com o seu filho Alberico, mandaria encarcerar no castelo de Santo Ângelo, embora permitindo que ele exercesse da prisão as funções espirituais do papado, da baixíssima espiritualidade do papado, diga-se de passagem.

Nicolau I, o patriarca de Constantinopla, havia se oposto ao imperador bizantino Leão VI, o Sábio, quando este quis se casar com Zoé Carbonopsina, em quartas núpcias, a fim de legitimar o seu filho Constantino VII, herdeiro do trono, o que era proibido tanto pelo direito eclesiástico como pelo direito civil. Sérgio III então entrou em cena e autorizou ao imperador que se casasse pela quarta vez, sendo esta a única relação que o papa teve com o império bizantino.

Esse ocorrido tem a sua explicação em razão do imperador bizantino ser ciente de todas as patifarias que ocorriam no papado, inclusive a sua submissão à família Theophylact, além, é claro e evidente, da depravação e das orgias de Teodora e das suas filhas Teodora e Marózia, por isso Leão VI considerou acertadamente que naquela ocasião o papa Sérgio III não poderia jamais ser inflexível em relação à questão posta para si.

O patriarca de Constantinopla ficou escandalizado pela atitude do papa Sérgio III, apagando-lhe os dípticos. O díptico é o nome dado a qualquer objeto que tenha duas placas planas ligadas entre si através de uma dobradiça, em que os artefatos com esta forma foram muito populares no mundo antigo para preservar notas, medir o tempo e a direção. É nesta forma que a menção dos dípticos aparece na literatura do falso cristianismo primitivo, com o termo se referindo às listas oficiais dos vivos e dos mortos que eram comemorados em uma igreja local, em que os vivos eram escritos em uma das folhas e os mortos em outra. A inscrição de um bispo nos dípticos significava que a igreja em questão se considerava em comunhão com ele, sendo que a sua remoção indicava um cisma, ou uma excomunhão.

O papa Sérgio III, portanto, foi excomungado pelo patriarca de Constantinopla, mesmo sendo ameaçado por Leão VI, em virtude de haver negado a autorização para o seu quarto casamento, pois o imperador bizantino sabia também das pretensões do papado ao primado universal. O conceito do papado que já era muito baixo, caiu mais ainda. Somente as ações dos espíritos quedados no astral inferior podem ter sustentado a existência do papado durante todos esses séculos, inoculando nas mentes das pessoas esse veneno da fé credulária.

 

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