15.11- Considerações gerais sobre o catolicismo de Jeová, o deus bíblico

Prolegômenos
9 de julho de 2018 Pamam

A Igreja Católica considera a vida humana como sendo sagrada e detentora de um valor absoluto e inalienável, por isso condena a violência e o homicídio, apesar dela mesma haver praticado muito essas suas duas condenações, além do suicídio, do aborto induzido, da eutanásia, da clonagem humana e as práticas científicas que utilizam as células-tronco extraídas do embrião humano vivo, mas que provoquem a morte do embrião. Para a Igreja, a vida humana deve ser gerada naturalmente pelo sexo conjugal, tendo o seu início na fecundação e o seu fim na morte natural. Segundo essa lógica, a reprodução medicamente assistida é também considerada imoral, porque dissocia a procriação do ato sexual conjugal, “instaurando assim um domínio da técnica sobre a origem e o destino da pessoa humana”.

Quanto à regulação dos nascimentos, a Igreja Católica a defende como uma expressão da paternidade e da maternidade responsáveis à construção prudente de famílias, desde que não sejam realizadas com base no egoísmo e em imposições externas. Mas essa regulação somente pode ser feita através de métodos naturais de planejamento familiar, tais como a continência periódica e o recurso aos períodos infecundos. A pílula, a esterilização direta, o preservativo e outros métodos de contracepção são expressamente condenados. Em 1968, na encíclica Humanae Vitae, o papa Paulo VI se pronunciou sobre a regulação de natalidade.

Em relação à doutrina social da Igreja, ela formulou uma Doutrina Social da Igreja, a DSI, embora ela julgue que a sua missão principal consista na salvação da nossa humanidade, com esta salvação sendo de âmbito essencialmente espiritual, apesar de não possuir a mínima noção acerca do espírito, da sua origem, e muito menos da alma, da sua formação e do seu desenvolvimento. Através de uma análise crítica das várias situações sociais no mundo, a DSI pretende fixar princípios e orientações gerais a respeito da organização social, política e econômica dos povos e das nações, orientando assim aos católicos e homens de boa vontade nas suas ações pelo mundo afora.

Através das numerosas encíclicas e pronunciamentos papais, a DSI aborda vários temas tidos por ela como sendo fundamentais à nossa humanidade, como a dignidade humana, as liberdades e os direitos humanos, a família, a promoção da paz e do bem comum no respeito dos princípios da solidariedade e da subsidiariedade, o primado da justiça e da caridade, o sistema econômico e a iniciativa privada, o papel do Estado, o trabalho humano, o destino universal dos bens da natureza, a defesa do meio ambiente, e o desenvolvimento integral de cada pessoa e dos povos.

Mas a existência da DSI não implica a participação do clero na política, cuja posição é completamente contraditória à sua história, em que o clero sempre se imiscuiu na política das nações, interferindo indevidamente em seus governos, daí a razão de eu haver denominado a essa intromissão de cesarismo clerical, quando da minha encarnação passada como Ruy Barbosa. No entanto, mesmo assim, sendo apeada do poder pela classe política, ela resolveu proibir que a sua classe clerical interferisse na política, em corolário ao seu apeamento do poder, como se tivesse sido por sua própria e livre iniciativa, para tirar “a suja”, como popularmente se diz, mas deixando previdentemente uma brecha para que possa interferir em situações urgentes. Isso porque, enfim, foi obrigada a reconhecer que a missão de promover o progresso das realidades temporais, principalmente através da participação cívico-política, somente pode caber aos leigos. Logo, a hierarquia eclesiástica está apenas “no negócio de formar o tipo de pessoa que consegue formar e dirigir governos nos quais a liberdade leva à genuína realização humana”.

O sentimento social da Igreja, considerado por ela como sendo cristão, foi-se desenvolvendo ao longo dos tempos, sendo o início do seu doutrinamento datado a partir de 1891, que foi o ano da promulgação da encíclica Rerum Novarum, por intermédio do papa Leão XIII. A DSI rejeita as ideologias totalitárias e ateias associadas ao comunismo ou ao socialismo. Além disso, ela rejeita também algumas práticas do capitalismo, como a perseguição excessiva e desenfreada do lucro e o primado absoluto da lei do mercado sobre o trabalho humano e a economia como um todo.

É óbvio que tanto a doutrina da Igreja Católica como as opiniões comuns, com estas sendo provenientes da cultura convergente formada pelo meio ambiente, tido como moderno, são ambas equivocadas em relação à vida humana, da verdadeira vida humana, que é de natureza espiritual, e não de natureza material, provenientes do devaneio do sobrenatural e da ilusão da matéria. Daí a razão da existência dos conflitos, sem que haja uma diretriz de vida que seja comum e aceita por todos os viventes racionais, neste mundo Terra.

Assim, continuam a gerar muitas polêmicas e controvérsias os posicionamentos católicos sobre o casamento, que não aceita o divórcio; sobre a vida, que não aceita o aborto, a eutanásia, o uso de contraceptivos artificiais e a utilização de células-tronco embrionárias para fins científicos que levem à destruição do embrião; e sobre o sexo, que não aceita o sexo pré-marital, a homossexualidade e o uso de preservativos. Mas a maior crítica se refere às ações imorais e escandalosas por parte dos sacerdotes católicos e de certos membros da sua congregação, que ferem de morte a sua própria doutrina, como são os casos das suas orgias sexuais, as quais remontam de séculos atrás, praticadas dentro e fora do Vaticano. No entanto, como a maioria do povo ignora esse triste passado católico-sacerdotal, essa crítica se dirige diretamente ao abuso sexual de menores pelos membros da Igreja Católica.

Com a secularização do mundo ocidental estando praticamente definida, algumas pessoas começaram a pôr em causa a compatibilidade entre a doutrina católica e a democracia, exigindo, inclusive, o fim de qualquer influência da Igreja sobre a vida pública e sobre as decisões legislativas das suas nações, principalmente sobre a questão do aborto.

As regras relativas à moral e a ética da Igreja, inclusive a crença no seu deus bíblico, já estão sendo duramente criticadas como sendo obstáculos para a verdadeira libertação, o progresso e a realização do homem. Questões consideradas como sendo mais teológicas, tais como a divindade de Jesus, o Cristo, inclusive o seu celibato, com particular destaque às teorias mundanas sobre o fato de Maria Madalena o haver seguido, os milagres, a existência de dogmas, a vida eterna, a virgindade de Maria, e até a paradoxal compatibilidade entre a existência do deus bíblico e a existência do mal e do sofrimento estão sendo também questionadas pelo povo.

Recentemente, a questão teológica da unicidade e da universalidade salvadora de Jesus, o Cristo, e da Igreja Católica, em decorrência, a definição teológica de que a Igreja Católica é a única Igreja de Jesus, o Cristo, continuam a suscitar várias polêmicas e desentendimentos, do que se aproveitam os espertalhões para enriquecer com a fundação de várias igrejas, tidas como se fossem evangélicas. No entanto, apesar dessas duas crenças, o fato é que a Igreja Católica nunca negou a salvação àqueles que não professam o seu credo. As questões mais disciplinares da Igreja, como a hierarquia católica, o celibato clerical e a proibição da ordenação sacerdotal das mulheres estão sendo também debatidas na atualidade.

Para todos aqueles que ignoram a existência da vida fora da matéria, que são alheios à verdade, a sabedoria e a razão, as quais somente podem ser encontradas através das obras publicadas pelo Racionalismo Cristão, mas que não professam o credo católico, a doutrina do catolicismo é assaz controversa, porque ela “revela-se muitas vezes em oposição ao que parece ser o conhecimento vulgar dos nossos tempos”, e, também, porque ela insiste sempre que “a fé envolve verdades, que essas verdades envolvem obrigações e que essas obrigações exigem certas escolhas”. Por essa razão, a Igreja Católica, “vista do exterior, pode parecer de vistas curtas, mal-humorada e atormentadora — o pregador azedo de um infinito rosário de proibições”.

 

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