15.09- O sexo para a doutrina católica

Prolegômenos
9 de julho de 2018 Pamam

Já é sabido de todos que o sexo é uma retribuição da Providência Divina para o tremendo encargo que o homem e a mulher assumem na constituição de uma família, na formação de um lar, além de facilitar a encarnação de muitos espíritos que carecem de uma oportunidade para virem a este mundo-escola, com o objetivo de evoluírem as suas almas, dado o prazer que ele proporciona. No entanto, o homem e a mulher somente devem praticar o sexo no ambiente familiar, devendo ambos se preservarem para essa ocasião, principalmente a mulher, que é ciente de que a natureza lhe dotou de um hímen para preservar e comprovar a sua virgindade até que seja chegada a época própria do acasalamento, por ocasião do seu casamento, que deve ser sempre celebrado segundo as leis do seu país, que regem os casamentos, e nunca através dos cultos credulários, que são todos nocivos.

Assim, podemos afirmar que o sexo não se caracteriza como sendo amor familiar, mas apenas uma forma de completar o homem e a mulher na formação de uma família, já que o amor familiar entre ambos é proveniente de uma imensa afeição que um produz em relação ao outro, que é imensamente aprofundada pelo companheirismo, obviamente que complementada pela atração carnal necessária à completude um do outro, com tudo isso sendo previamente estabelecido em plano astral, para que se torne perene neste mundo, e jamais efêmero.

Por isso, fazer sexo não tem qualquer relação com fazer amor, como assim a ignorância popular adora relacionar, ora utilizando uma expressão, ora outra, como se fossem iguais, no intuito dissimulado, mas bem dissimulado, de sublimar a prática sexual avulsa fora do casamento, seja com namorado, noivo, ou outra forma de relacionamento qualquer que se tenha, como se assim fosse possível amenizar a falta grave que está cometendo, sem que assim o sexo venha a ser considerado como depravação, quando, na realidade, o é sim, e o é por inteiro, quando praticado fora do seio familiar.

Fazer sexo, originalmente, ou seja, conforme as leis e os princípios da espiritualidade, é desfrutar do prazer merecido proporcionado pela sublime intenção de procriar, quando não, do prazer merecido proporcionado pelo sublime encargo assumido pela constituição de uma família, sendo que fora deste contexto não passa de depravação, de degeneração, de sucumbência aos apelos da carne. Enquanto que fazer amor é uma expressão imprópria, já que o amor não se faz, o amor se produz, e, por enquanto, somente o amor familiar é produzido, uma vez que ele é um arremedo do amor espiritual, o qual não pode ainda ser produzido em nossa humanidade, em virtude do atraso evolutivo em que ela ainda se encontra, já que antes deverá ser produzida a amizade espiritual, para somente depois então, após produzi-la a contento, poder produzir o amor espiritual, por ocasião da época em que terá o seu próprio Cristo em seu meio, que ensinará como verdadeiramente produzi-lo.

Já a castidade é extremamente necessária para dotar aos seres humanos de pudor, de honestidade, de dignidade, de recato e todos os demais atributos espirituais que proporcionem o respeito verdadeiro ao corpo humano, conforme os ditames da natureza, principalmente em relação às mulheres. Este assunto deve ser sempre abordado, sem nunca dever se exaurir a sua abordagem. O homem é o rei do mundo, dadas a sua natureza varonil, a sua compleição física, a fortaleza do seu corpo, estampadas em sua musculatura mais apropriada para o uso da força, portanto, aptas para enfrentar com rudeza as intempéries do mundo e proteger a mulher. Esta é a rainha do lar, dadas a sua natureza angelical, a sua compleição física, a fragilidade do seu corpo, aptas para enfrentar com delicadeza as labutas do lar, deste recinto sagrado, educando a sua prole e, às vezes, também até ao marido, utilizando-se da sensibilidade adicional com que encarna neste mundo com o sexo feminino.

Sendo totalmente ignorante acerca da espiritualidade, a Igreja Católica confunde amor, sexualidade e castidade, fazendo deste trio uma verdadeira salada. Começa com José, o marido de Maria, e o pai biológico de Jesus, o Cristo, mas que a doutrina católica o considera como sendo o pai adotivo, em sendo assim, também considerado como um grande modelo de castidade, como se o sexo no casamento lhe fosse nocivo, ou como se tirasse a pureza espiritual de Maria, quando a sua pureza está na alma, e não na carne.

Mas a Igreja está correta quando convida a todos os seus fiéis a viverem na castidade, pelo menos até o casamento, que deve ser o procedimento adequado para todos, mas sem se referir ao pudor e aos outros atributos espirituais, ela considera que a castidade é um dom divino e uma virtude moral, que permite a integração positiva da sexualidade na pessoa, com essa integração exigindo “uma aprendizagem do domínio de si, que é uma pedagogia da liberdade humana. A alternativa é clara: ou o homem comanda as suas paixões e alcança a paz, ou se se deixa dominar por elas e se torna infeliz”, no que concordamos plenamente com tal assertiva. Para a doutrina católica, a virtude da castidade se relaciona com a virtude cardinal da temperança.

Desta maneira, todos os católicos são chamados à castidade, porque a sexualidade só se “torna pessoal e verdadeiramente humana quando integrada na relação de pessoa a pessoa, no dom mútuo total e temporalmente ilimitado, do homem e da mulher”, ambos unidos pelo sacramento do matrimônio, que é indissolúvel. Por isso, os atos sexuais fora do matrimônio constituem sempre um pecado grave. Por extensão, o sexo antes do casamento, o adultério, a fornicação, a masturbação, a pedofilia, a pornografia, a prostituição, o estupro e os atos sexuais entre os homossexuais são condenados pela Igreja como sendo expressões do vício e da luxúria, no que nisto ela está coberta de razão. Ressaltando-se, porém, que o casamento não é um sacramento e que não existe pecado, mas sim falta de pudor e moral.

Misturando o amor com o sexo, assim como se mistura alhos com bugalhos, para a Igreja Católica o amor é uma virtude teologal. Sendo aplicado nas relações conjugais humanas, o amor verdadeiramente vivido e plenamente realizado é uma comunhão de dádiva mútua de si mesmo, “de afirmação mútua da dignidade de cada parceiro”, e um “encontro de duas liberdades em entrega e receptividade mútuas”. Esta comunhão conjugal do homem e da mulher é um ícone da vida da santíssima trindade católica, e leva não apenas à satisfação, mas à santidade. Como se vê, pode levar todas as mulheres à santidade, menos a Maria, a mãe biológica de Jesus, o Cristo. No entanto, esse tipo de relação conjugal proposto pela Igreja exige permanência e compromisso matrimoniais, o que é o óbvio.

Continuando em sua mistura do amor e do sexo, para a doutrina católica a sexualidade é uma fonte de alegria e de prazer, e se ordena para o amor conjugal e para a procriação, com o sexo sendo considerado como a grande expressão do amor recíproco, onde o homem e a mulher se unem e se complementam. Assim, o verdadeiro amor conjugal, onde a relação sexual é vivida dignamente, só é possível graças à castidade conjugal. Essa virtude permite uma vivência conjugal perfeita assente na fidelidade e na fecundidade matrimoniais.

Para além da castidade conjugal, o que não tem sentido e nem se explica tal castidade, o que, obviamente, não deve implicar a abstinência sexual dos casados, existem ainda diversos regimes de castidade, tais como: a virgindade; o celibato, consagrado para os sacerdotes e as pessoas consagradas; e a castidade na abstinência, consagrada para os que não são casados.

A doutrina católica é radicalmente contra o divórcio, sob a alegativa de que aquilo que o seu deus uniu para sempre, o homem não pode separar, tendo feito várias campanhas quando da legalização do divórcio no Brasil, inclusive com o recolhimento de assinaturas daqueles que também eram contrários. Entretanto, no Antigo Testamento está escrito a aceitação do divórcio em várias passagens, como em Deuteronômio 24:1, que diz o seguinte:

Caso um homem tome uma mulher e faça dela a sua propriedade, como esposa, então tem de suceder que, se ela não achar favor aos seus olhos por ele ter encontrado alguma coisa indecente da parte dela, então tem de lhe escrever um certificado de divórcio”.

E o mais interessante dessa passagem bíblica é que o homem, ao tornar a mulher a sua esposa, toma-a como sendo a sua propriedade, e não como a sua companheira. Que disparate!

Mas o Novo Testamento vem contradizer totalmente ao Antigo Testamento, quer dizer, ora a palavra do deus bíblico aceita o divórcio como sendo legal, ora não. Em Marcos 10:11-12 está escrito o seguinte:

Quem se divorciar de sua esposa e se casar com outra, comete adultério contra ela, e, se uma mulher, depois de se divorciar de seu marido, casar-se com outro, ela comete adultério”.

E vamos encontrar quase a mesma coisa em Lucas 16:18, que diz o seguinte:

Todo aquele que se divorciar de sua esposa e se casar com outra, comete adultério, e quem se casar com uma mulher divorciada do marido, comete adultério”.

No entanto, para comprovar a sua posição contra o divórcio, a Igreja Católica afirma que se baseia em Jesus, o Cristo, que segundo ela veio completar e dar o sentido definitivo às revelações tidas como divinas do Antigo Testamento. Segundo ela, Jesus, o Cristo, afirmou:

Moisés permitiu escrever carta de divórcio e despedir a mulher… foi devido à dureza do vosso coração que ele vos deus essa lei; mas, no princípio da criação, Deus os fez homem e mulher. Por isso, deixará o homem pai e mãe e se unirá à sua mulher; e os dois não serão senão uma carne. Assim, já não são dois, mas uma só carne. Não separe, pois, o homem o que Deus uniu”.

Por isso, baseando-se no que supostamente Jesus, o Cristo, ensinou, a Igreja afirma que o sacramento do matrimônio entre um homem e uma mulher livres é indissolúvel, até ao momento em que um dos cônjuges vier a falecer. Porém, em casos onde não houve a consumação, ou não houve um consentimento matrimonial claro e livre de qualquer violência ou grave temor externo, o matrimônio pode ser declarado nulo e inexistente pelas autoridades eclesiásticas, como se os sacerdotes fossem revestidos de alguma autoridade para se intrometer entre os homens.

Segundo a doutrina católica, o uso atual e indiscriminado de preservativos incentiva um estilo de vida sexual imoral, promíscuo, irresponsável e banalizado, onde o corpo é usado como um fim em si mesmo e os parceiros são reduzidos a um simples objeto de prazer. Esse tipo de vida sexual avulso é fortemente condenado pela Igreja. E não somente pela Igreja, como também pelo Racionalismo Cristão, assim como também deveria ser condenado por todos os seres humanos de bem e de caráter.

Durante as suas visitas aos países de Camarões e Angola, no período de 17 a 23 de março de 2009, o papa Bento XVI declarou que a distribuição de preservativos não iria ajudar a controlar o problema da SIDA, mas sim contribuir para piorar a situação. Tal declaração desencadeou uma tempestade de críticas e condenações por parte dos governos e das ONGs. Revoltado, Michael Kazatchine, o diretor executivo do Fundo Mundial de Luta contra a SIDA, a tuberculose e o paludismo, solicitou ao papa que retirasse a sua declaração, considerada por todos como sendo inaceitável.

Na realidade, ambos os lados estão errados. O papa pela sua declaração de que a distribuição de preservativos iria piorar a situação, quando, na realidade, não iria, já que o foco dele era abolir com o sexo indiscriminado. Michael Kazatchine pela sua incapacidade de conseguir interpretar as intenções papais, já que o foco dele era evitar doenças. O correto, então, seria realmente distribuir os preservativos para evitar doenças, mas seguido do aviso de que o sexo indiscriminado é prejudicial à moral e a conduta do ser humano. Não que tal procedimento viesse realmente a impedir o sexo indiscriminado, já que a ignorância humana desce às profundidades da imoralidade, enquanto que o apelo ao sexo sobe à flor da pele, mas pelo menos ficaria registrada a não concordância governamental com essa prática indiscriminada, enquanto que a omissão é uma concordância velada.

Em 2010, contudo, o papa Bento XVI voltou a declarar, desta vez de forma apenas coloquial, sem oficializar a sua declaração, por receio de novas críticas e condenações, que o uso do preservativo pode ser justificável em alguns casos pontuais para diminuir o risco do contágio às doenças sexualmente transmissíveis, como é o caso dos seres humanos que vivem da prostituição. Em todo o caso, ele também voltou a declarar que a doutrina católica defende que a fidelidade no casamento, a castidade, a humanização da sexualidade e a abstinência sexual, além do amor recíproco, são os melhores meios de combater a essas doenças, em detrimento da mera fixação no preservativo. Bastaria que ele tivesse declarado que o sexo somente deve ser praticado em família, entre o marido e a mulher, assim explicitando para que os maldosos não se manifestem indevidamente por intermédio de outras interpretações.

Com relação aos homossexuais, a doutrina católica considera que as relações sexuais entre pessoas do mesmo sexo são moralmente erradas, porque violam a “iconografia de diferenciação e complementariedade sexuais” entre o homem e a mulher, e, também, porque são incapazes de gerar a vida. Entretanto, as tendências homossexuais não são consideradas como sendo um pecado e nem como sendo um castigo, mas apenas uma provação. O pecado está em ceder a essas tendências e adotá-las na prática. A Igreja também repudia qualquer reconhecimento legal das uniões entre pessoas do mesmo sexo.

Mesmo assim, a Igreja não repudia os homossexuais, tendo a pretensão de ajudá-los a viverem na castidade, para que eles evitem os atos sexuais, que são moralmente desordenados, dando como resposta “porque são atos de afirmação de si mesmo e não dádiva de si mesmo”. A Igreja ainda convida aos homossexuais para que se aproximem gradualmente da perfeição cristã, quando, na realidade, é anticristã, através do autodomínio, da oração, da graça sacramental, do oferecimento das suas dificuldades e dos seus sofrimentos como um sacrifício para o deus bíblico e “do apoio de uma amizade desinteressada”.

Contudo, paradoxalmente, sabendo que boa parte dos sacerdotes pratica o homossexualismo de maneira inveterada, com muitos deles associando a homossexualidade com a pedofilia, alguns setores católicos, como é o caso do arcebispo norte-americano Wilton Daniel Gregory, afirmam que é necessário lutar para que os seminários e os noviciados não estejam dominados por homossexuais, tais como assim se encontram.

Essa reação católica pode ser explicada à luz da posição oficial da Igreja sobre a ordenação sacerdotal de homossexuais, expressa em uma instrução redigida pela Congregação Para a Educação Católica, em 2005, que diz o seguinte:

“A Igreja não pode admitir ao Seminário e às Ordens sacras aqueles que praticam a homossexualidade, apresentam tendências homossexuais profundamente radicadas ou apoiam a chamada cultura gay”.

 

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