15.03.18- A Virgem Maria e a mulher

Prolegômenos
7 de julho de 2018 Pamam

Embora Maria tenha sido um espírito altamente evoluído para que então pudesse gerar em seu ventre a Jesus, o Cristo, a lenda que se criou em função da sua suposta virgindade pela Igreja Católica gerou o termo Mariologia, que é o tratado de Maria.

Segundo a Mariologia católica, o deus bíblico escolheu gratuitamente a Maria como a mãe do seu filho, que veio com a missão de morrer na cruz para salvar a nossa humanidade, por isso ela foi preservada do pecado original e também de todos os demais pecados. Nessa concepção católica, o arcanjo Gabriel anunciou a Maria que o deus bíblico faria com que ela concebesse a Jesus, o Cristo, diretamente do seu espírito santo, quer dizer, em virgindade e sem a participação do seu marido, pois que para a Igreja Católica o homem coabitar com a sua esposa torna a esta impura e indigna de gerar a um espírito tão evoluído como o de Jesus, o Cristo. Logo esse espírito santo teria feito dela a mãe de Jesus, o Cristo, mas como a doutrina católica acredita que o nosso Redentor é o próprio deus bíblico, vejam só, comparando o espírito mais evoluído que existe com um espírito inferior, o que representa um verdadeiro insulto a esse espírito evoluidíssimo, ela passou a ser considerada também a mãe desse falso deus trevoso.

Tendo aceitado obedientemente a essa missão julgada divina e necessária pelos católicos para a salvação da nossa humanidade, ela se tornou então a corredentora dos homens. Embora sendo casada com José, que assumiu a paternidade terrena de Jesus, já que a paternidade celestial era do deus bíblico, mesmo assim ela conseguiu conservar a sua virgindade por toda a vida, uma vez que não poderia perdê-la, caso contrário perderia a sua pureza e a sua dignidade aos olhos do credo católico. Mas mesmo assim, muitos séculos depois, a Igreja Católica não respeitou a pureza virginal de Joana D’Arc, a heroína francesa, que também era pura de espírito, queimando-a primeiro na fogueira, sob os auspícios da Inglaterra, para depois torná-la santa.

Devido ao fato de ter concebido a Jesus, o Cristo, que o credo católico considera como sendo o único redentor dos homens, no que nisto está correta, e a cabeça da Igreja, no que nisto está equivocada, sendo os sacerdotes e os seus arrebanhados considerados como sendo os seus membros, Maria passa a se tornar também a mãe da Igreja Católica e a de todos os homens que Jesus, o Cristo, veio salvar. Assim, ela “coopera com amor de mãe no nascimento e na formação na ordem da graça” de qualquer ser humano, com o que assim a Igreja Católica assina o atestado de que não possui a mínima noção do amor espiritual, ao ressaltar o amor de mãe como sendo superior, já que este, por maior que seja, não passa de um arremedo daquele, por ser um amor familiar, que se liga aos laços carnais, sendo por isso temporário, enquanto que o amor espiritual, uma vez produzido, é eterno e universal, assim como também a existência do espírito.

Após a sua assunção ao céu, vejam só, de corpo e alma, obviamente que levando o seu hímen totalmente preservado, intacto, ela ainda hoje assim lá se encontra, como sendo a rainha do céu, intercedendo pelos seus filhos e a ser um modelo de santidade para todos, apesar de nunca haver cumprido com o seu papel de mulher de José, que é uma obrigação matrimonial. Os católicos “veem nela uma imagem e uma antecipação da ressurreição que os espera”, sendo ela por isso o ícone escatológico da Igreja, ou mesmo a realização mais perfeita da Igreja.

A dulia é o culto que se rende aos anjos e santos. A hiperdulia é o culto superior ao da dulia, que se consagra especialmente a Maria, tal como Virgem Maria. No entanto, em sua obra Aldeia, Aquiles Ribeiro nos diz que “Fátima é um caso à parte de hiperdulia, que transborda do condicionado em que se confinam atualmente as demais manifestações religiosas do povo português”, sendo óbvio que o autor ignorava que não se trata de uma manifestação religiosa, mas sim credulária. Assim, o culto de veneração a Maria é também diferente do culto de adoração ao deus bíblico.

O culto mariano é manifestado pela Igreja Católica nas festas litúrgicas dedicadas a ela, nas peregrinações aos locais onde julgam que Maria apareceu, nas inúmeras devoções, como no Escapulário de Nossa Senhora do Campo, e nas preces marianas, como também no santo rosário. A principal causa da devoção popular e do culto mariano se deve à crença infundada dos católicos na poderosa intercessão de Maria junto ao deus bíblico, sendo este o destinatário último de todas as rezas e orações e pedidos dos católicos.

É óbvio que Maria coabitou com José para que assim pudesse gerar a Jesus, o Cristo, em seu ventre, pois que isso faz parte da pureza da natureza, em conformidade com as suas leis e os seus princípios, e em sendo pura a natureza em si, não poderia Maria jamais deixar de ser pura ao seguir a própria natureza, pois que a pureza se encontra na alma, e não no corpo carnal. Eu não preciso empregar maiores esforços para demonstrar claramente que a virgindade de Maria se encontra em sua alma, e não no seu corpo carnal, pois que Luiz de Mattos abordou a esta questão em sua obra Cartas ao Cardeal Arcoverdade, a página 208, quando então o chefe da nossa humanidade assim se expressou:

Sendo, portanto, Maria o espírito que veio à Terra com o encargo de gerar, amamentar e acompanhar o grandioso Jesus no seu espinhoso dever de, pelos fatos, provar a existência de um só Grande Foco gerador, incitador e movimentador de tudo quanto existe no Universo, e assim a existência da alma, a existência da Força (da Energia e da Luz, digo eu), da inteligência fora da matéria organizada, não podia, é claro, ser um espírito inferior, ainda materializado, e portanto, perturbado, cujos sentimentos afetivos estivessem em embrião.

Ao encarnar, Maria trouxera como dever o ser Mãe de Cristo; e esse dever, só podia caber a um espírito puríssimo; espírito puríssimo nada tem a ver com a carne, apenas preside, resignado, embora torturado, aos atos materiais, especialmente aos genésicos; e isso podeis observar em vós mesmos que, apesar de não serdes da grandeza espiritual de Maria, vos sentis perturbados após esses e outros atos materiais.

Sendo Maria um espírito grandioso e puro e não vivendo da matéria e nem para a matéria, e sim do espírito e para o espírito, é claro que foi virgem, porque virgindade quer dizer pureza, quer dizer honradez, quer dizer justiça, noção exata do dever a cumprir.

Assim explicada, racional e cientificamente, de acordo com a composição do Universo, base de tudo quanto existe, com as leis comuns e naturais que tudo regem; assim demonstrada a virgindade de Maria, Mãe de Cristo, é de esperar que o leitor como tal considere essa criatura admirável, e a ame em espírito e Verdade, por espírito ser ela, e assim, partícula evoluída da Inteligência Universal, do Grande Foco, enfim”.

E continua o chefe da nossa humanidade a tratar a respeito de Maria, agora em sua obra Cartas ao Chefe do Protestantismo no Brasil, a página 36, quando ele assim se expressa:

Na Terra, a Mãe não vale menos do que o filho, e que se Ela serviu para O gerar no seu útero, e após as nove luas, parir Jesus, o Cristo, é porque de acordo com as leis naturais e imutáveis, era Ela um espírito de elevada categoria e digna, portanto, de ser também intermediária, não só para com o seu próprio filho, como para com a Inteligência Universal, sendo certo que quem irradia a um espírito puro, irradia ao Grande Foco, está com Ele, porque é pelos sentimentos e assim pelos pensamentos que os seres se ligam às forças idênticas e com elas convivem mentalmente”.

Mais adiante, ainda na mesma obra, a página 47, Luiz de Mattos afirma o seguinte:

Nada de corporificar fantasias, invenções grotescas do homem físico de todos os tempos e por todos os tempos conservadas por conveniência própria, visto que a verdade é uma e única, e esta garante que: Grande Foco é Grande Foco, e um só existe, e que Jesus, o Cristo, e Maria, sua mãe, são seus filhos grandemente evoluídos, mas irmãos nossos, cuja morada havemos de habitar, quando os imitarmos e fizermos o que Eles fizeram”.

Fica assim comprovado que a Igreja Católica nada entende acerca da espiritualidade, e muito menos acerca da natureza feminina do espírito que se encontra encarnado, que para ser naturalmente mãe deve coabitar como o seu marido, tornando-se a grande educadora da sua prole, às vezes até do seu próprio marido, podendo desempenhar alguma função profissional apenas no horário em que os seus filhos estejam na escola, estando presente quando eles estiverem em casa, e desde que essa função profissional seja compatível com a sua natureza feminina. É a mulher, pois, a grande responsável pela administração do seu lar, pois que ele representa um verdadeiro universo espiritual, em que nele ela é a rainha, que as ignorantes comparam apenas com o recinto físico, arvorando-se do direito de abandoná-lo e seguir os passos do homem, em busca do mundo, em que nele o homem é o rei, daí a razão de tanta depravação e de tanta degeneração femininas, com as mulheres se tornando promíscuas e avulsas, estando desprovidas de um mínimo de pudor e honradez.

E o que vem ocasionar o fato da Igreja Católica nada entender acerca da espiritualidade e muito menos acerca da natureza feminina do espírito que se encontra encarnado? Vejamos as passagens bíblicas que retratam claramente a essa ignorância credulária, que se encontram postas em 1 Coríntios 11:3-10 e 14:34, e em 1 Timóteo 2:11-12-13-14-15, para que assim o leitor tire as suas próprias conclusões, cujas passagens bíblicas nesta mesma ordem dizem o seguinte:

Mas, quero que saibais que a cabeça de todo homem é o Cristo; por sua vez, a cabeça da mulher é o homem; por sua vez, a cabeça do Cristo é Deus.

É por isso que a mulher deve ter um sinal de autoridade sobre a sua cabeça, por causa dos anjos.

Fiquem caladas as mulheres nas congregações, pois não se lhes permite falar, mas estejam em sujeição.

A mulher aprenda em silêncio com plena submissão. Não permito que a mulher ensine ou exerça autoridade sobre o homem, mas que esteja em silêncio. Porque Adão foi formado primeiro, depois Eva. Também, Adão não foi enganado, mas a mulher foi totalmente enganada e veio a estar em transgressão. No entanto, ela ficará a salvo por dar à luz filhos, desde que continuem na fé, e no amor, e na santificação junto com bom juízo”.

No entanto, mesmo sendo considerado um credo bíblico, independentemente das interpretações corretas ou incorretas de determinados versículos da Bíblia sobre o papel da mulher neste mundo, a Igreja Católica considera que a mulher e o homem são iguais em dignidade, o que é óbvio, desde que sejam realmente dignos, mas agora vejam só quanta incoerência, não porque sejam seres humanos, mas sim porque foram ambos criados à imagem e semelhança do deus bíblico. Porém, sem atentar para o fato de que em espírito o homem e a mulher são iguais, mas que encarnando com o sexo masculino o homem se torna o rei do mundo, e que encarnando com o sexo feminino a mulher se torna a rainha do lar, mas a Igreja Católica considera em ambos apenas o fator sexual, afirmando que o homem e a mulher são diferentes entre si, por isso eles devem viver em uma “complementaridade recíproca enquanto masculino e feminino”. É baseada nessa sua complementaridade que a Igreja Católica admite apenas homens como clérigos, justificando tal admissão em virtude dos doze apóstolos haverem sido todos homens, e Jesus, o Cristo, na sua forma humana, haver sido também homem. No entanto, a Igreja Católica não considera a mãe do homem, que ela tanto glorifica.

Em 1988, em total contradição com própria Bíblia que afirma seguir, o papa João Paulo II escreveu a carta Mulieris Dignitatem, enaltecendo o papel da mulher, no que incluiu o papel de Maria na salvação da nossa humanidade, pedindo desculpas a todas as ações machistas cometidas pelos membros da Igreja ao longo da sua história, e agradecendo às mulheres por tudo aquilo que elas fizeram ao mundo, apelando por fim para a defesa da dignidade da mulher. Com tudo isso não passando de uma simples artimanha sacerdotal para enaltecer e cativar a mulher, obviamente com o intuito de vender a imagem da Igreja e atraí-la para as suas hostes.

Ignora esse papa que a mulher, em sua quase totalidade, abandonou o recinto sagrado dos seus lares, onde ela deveria ter permanecido para promover a educação da sua prole e até do seu marido, além de desempenhar outras tarefas domésticas em sua administração, e se danou a querer ganhar o mundo, onde reinam os homens, daí foi apenas um passo para que o apetite carnal desordenado, agravado pelas ações dos espíritos obsessores quedados no astral inferior, pudesse promover uma das maiores depravações e degenerações da história da nossa humanidade, em todos os tempos, comparável apenas com os períodos que antecederam as extinções de várias das nossas civilizações. E toda essa concupiscência, derivada da falta de pudor, agravada no final do século XX, estendendo-se até aos dias de hoje, torna-se agravada cada vez mais com uma maior intensidade, como podemos encontrar até na literatura, nas palavras de Franclim Távora, em sua obra Cabeleira, ainda no começo daquele século, quando ele diz o seguinte: “aquelas contra cujo pudor a sua brutal concupiscência se aguçava”.

 

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