15.03.15- A justificação, a graça, a liberdade e a salvação

Prolegômenos
7 de julho de 2018 Pamam

O termo justificação representa a ação ou o efeito de justificar, que em outras palavras é um fundamento, uma causa, e até uma desculpa, que serve para justificar, podendo ser também uma prova judicial de um fato alegado, ou de ato anterior defeituoso, ou de que não resta documento, ou ainda o instrumento ou processo dessa prova. O que é procedente. Já no aspecto teológico, é a ação ou o efeito da graça que torna os homens justos, ou restituídos à graça divina, para que possam ser reabilitados, através da graça. Quanta ignorância!

A doutrina católica entende que todos os homens devem morrer em virtude do pecado original, sem qualquer noção acerca das reencarnações, podendo ser até que ela a tenha, mas que nega a esse preceito universal, em função dos seus próprios interesses, que são inconfessáveis. No entanto, vejam só, o deus bíblico quis se reconciliar com os homens, sim, reconciliar-se com os homens, e também salvá-los. De que maneira? Enviando com esse fim o seu filho para que ele morresse pelos pecadores, o que tal atitude somente se justifica na cabeça oca desse deus bíblico, que além da cabeça oca ainda tem tronco e membros, já que ele é a imagem e a semelhança do homem, pois que de tal maneira vem afirmar que os fez de tal modo. Assim, com a morte na cruz do filho do deus bíblico, que no caso seria Jesus, o Cristo, todos os pecados dos homens, quer tenham sido cometidos no passado, quer tenham sido cometidos no presente e quer venham a ser cometidos no futuro, serão todos perdoados pelo deus bíblico, desde que os homens se arrependam de um modo livre e que também sejam sinceros, como se a sinceridade fosse própria dos seres humanos na atualidade. Mas isto jamais poderia ser exigido por esse suposto deus, pois que um dos espíritos mais mentirosos de todos os tempos é o próprio Jeová, o deus bíblico, como se pode comprovar claramente na própria Bíblia, mais especificamente no Velho Testamento. E mais: que jamais se arrependeu das suas mentiras e dos seus crimes, assim como também os sacerdotes não se arrependem das suas mentiras e dos seus crimes.

Desta maneira, os homens obtêm a salvação, através da justificação, que é a iniciativa misericordiosa e gratuita de Jeová, o deus bíblico, de conceder a salvação à nossa humanidade, com essa ação sobrenatural cancelando todos os pecados por meio da graça santificante do seu espírito santo, que foi merecida pela paixão de Cristo e dada no batismo aos homens. Mas o fato é que nem existe a salvação e muito menos ela é gratuita, como se pode comprovar através das riquezas das igrejas católicas e das suas seitas. Com a graça santificante, os batizados recebem o perdão do pecado original, passam a ser os filhos de Jeová, o deus bíblico, e participantes da natureza e da vida tidas como sendo divinas. Para além da graça santificante, que justifica e salva aos homens, existe ainda as graças atuais, as graças sacramentais e as graças especiais, ou carismas.

São Paulo contribuiu em muito para o desenvolvimento do conceito da justificação. E podemos observar claramente no dominicano Tomás de Torquemada, o inquisidor-geral da Espanha e confessor da rainha Isabel, a Católica, a justificação da doutrina católica, que queimava os seres humanos em função da sua própria crença e do seu próprio amor católicos, no intuito de purificar as almas das criaturas que não rezavam pela cartilha ortodoxa do credo católico, sendo este o ponto culminante do amor ao próximo demonstrado pela Igreja Católica, sem contar com as Cruzadas, as guerras papais, e outros crimes praticados contra a nossa humanidade.

A graça pode ser compreendida como sendo um favor que se dispensa ou que se recebe de alguém, como na expressão seguinte: “faça-me a graça de jantar comigo”. Ela também pode ser compreendida como sendo uma benevolência, uma estima, uma amizade, que se manifesta a alguém ou que de alguém é recebida. O que é procedente. No âmbito da Teologia, a graça é compreendida como sendo um dom sobrenatural, um socorro espiritual concedido pelo deus bíblico para conduzir os homens à salvação, para a execução do bem e para a santificação. Quanta Ignorância!

No âmbito do credo católico, a graça é um dom sobrenatural ou socorro gratuito que o deus bíblico concede aos homens, para que eles sejam capazes de agir pelo amor desse deus e para lhes conceder todos os bens, quer sejam espirituais, quer sejam materiais, com ambos sendo necessários às suas existências e as suas salvações. Nesse contexto católico, a própria preparação do homem para acolher livremente a graça já significa uma obra da própria graça, sendo esta necessária para suscitar e manter a colaboração dos fiéis na justificação pela fé credulária e na santificação pela caridade.

A liberdade tem uma significação muito ampla sob o aspecto da vida humana, já que é ela quem direciona a conduta dos seres humanos quando se encontram encarnados neste mundo Terra, podendo ser compreendida como sendo a faculdade de uma pessoa fazer ou deixar de fazer qualquer coisa, em função do seu livre arbítrio, o que representa a condição do homem livre, a condição daquele que não é propriedade de quem quer que seja, com o gozo dos direitos do homem livre. Sob este aspecto, o homem conserva a faculdade de se decidir pelo que bem entende ou pelo que lhe convém, de preferência com franqueza e sinceridade. Com tudo isso em obediência às leis e aos princípios que regem a sua nação, ou que regem a nação onde se encontra.

Mas a liberdade plena somente pode ser alcançada por aquele que realmente é esclarecido acerca da espiritualidade, que conhece a verdade, portanto, a vida fora da ilusória matéria, que unicamente com a devida união com a sabedoria, é também sabedor da existência da razão, por conseguinte, de onde veio, o que faz aqui neste mundo, e para onde irá, após a desencarnação. Assim, torna-se o ser humano ciente das suas obrigações e dos seus deveres neste planeta, às vezes da sua missão. Estando ciente disso tudo, aí sim, ele adquire a liberdade plena para pautar a sua conduta rigorosamente dentro das leis morais e dos princípios éticos que o torna um instrumento importante para alavancar o progresso da nossa humanidade.

Deve-se levar ainda em consideração que os seres humanos são espíritos, por isso eles deveriam ser considerados como sendo seres universais. Mas acontece que eles ainda não são esclarecidos, por isso deixam de ser considerados seres universais para serem cativos do ambiente terreno, posto que ainda se encontram presos à atmosfera do planeta em que temporariamente habitam, tendo as suas liberdades coarctadas pela ausência dos atributos individuais superiores que formam a moral, que já deveriam possuir, o que os impedem de se elevarem ao Espaço Superior, e pela ausência dos atributos relacionais positivos que formam a ética, que também já deveriam possuir, o que os impedem de se transportarem ao Tempo Futuro. A moral e a ética formam a educação. O espaço e o tempo formam o Universo. Assim, somente os espíritos realmente educados podem ter a verdadeira liberdade, transcedendo ao ambiente terreno e se universalizando.

No âmbito do credo católico, o ser humano não pode ter a liberdade precisa para pautar a sua conduta segundo os ditames da espiritualidade, uma vez que ele é obrigado pelo próprio credo a possuir e a alimentar cada vez mais a fé credulária, e sendo assim obrigado à fé credulária, ele terá, necessariamente, que podar o seu raciocínio, obscurecer a sua própria consciência, uma vez que é impelido a seguir como um autômato aos dogmas sobrenaturais, aprender a temer ao deus bíblico e aprender também a adorá-lo, ao mesmo tempo, o que é destituído de lógica, por ser incongruente, a ainda a temer ao Satanás ainda mais que ao deus bíblico, nutrindo por este ser sobrenatural um verdadeiro pavor, mas que muitos afirmam que não o temem, por se sentirem protegidos pelo deus bíblico, ignorando completamente que este espírito seria bem pior que o próprio Satanás, caso este realmente existisse, em decorrência, aceitando os mistérios sobrenaturais, a fazer de tudo para a conquistar a sua salvação, e tudo o mais que lhe é imposto pela doutrina e pelos cultos católicos. É imensa a ignorância em que medra a nossa amada humanidade! Que pena!

No entanto, no contexto da justificação, a doutrina católica considera a liberdade como sendo fundamental para os seus propósitos, justificando que a resposta do homem à graça deve ser a sua liberdade, com ele se tornando livre, ao dizer que “a alma só pode entrar livremente na comunhão do amor”, o que explica o fato da santidade não ser atingida por todos, apesar da vontade do deus bíblico de salvar a toda a nossa humanidade. Não sabem esses ignorantes que o que o deus bíblico pretende na realidade é justamente destruir a nossa humanidade, assim como a vida na Terra, para que então possa reinar absoluto no astral inferior, junto com os seus seguidores, que formam as suas falanges de espíritos obsessores.

Assim, há sempre pessoas que vão para o inferno, simplesmente porque recusaram livremente o arrependimento e a graça da salvação, até mesmo no momento da morte. Mas a liberdade, que foi concedida pelo deus bíblico, permite também à nossa humanidade participar livremente no amor divino e na construção do reino desse deus, como filhos dele e cordeiros de Jesus, o Cristo. Esta participação, que somente se tornou possível graças ao sacrifício redentor de Jesus, o Cristo, assenta-se na fé credulária e na prática cotidiana das boas obras, cujo mérito ou direito à recompensa deve ser atribuído à graça do deus bíblico e somente depois à vontade livre do homem. Mas o homem não tem nenhum mérito, em virtude de haver recebido tudo gratuitamente do deus bíblico, porém pode merecer as graças úteis e os bens temporais necessários para alcançar a vida eterna, por concessão e caridade desse deus. No entanto, ninguém pode ter o mérito da graça santificante, que é do deus bíblico.

Na encíclica Redemptoris Missio, o papa João Paulo II afirmou que a salvação em Cristo deve ser posta concretamente à disposição de todos os católicos, por isso a Igreja Católica acredita seja ela própria o instrumento da redenção de todos os homens e o sacramento universal da salvação. Daí a razão dela ensinar que “fora da Igreja não há salvação”. Esse ensinamento remonta aos primeiros séculos do falso cristianismo, sendo já afirmado por vários padres da Igreja, como Santo Agostinho e São Cipriano. O papa Pio IX, período de 1846 a 1878, afirmou textualmente o seguinte:

Fora da Igreja Católica Apostólica Romana ninguém pode se salvar. Entretanto, também é preciso ter por certo que aqueles que sofrem de ignorância da verdadeira religião, se aquela é invencível, não são ante os olhos do Senhor réus por isso de culpa alguma”.

Antes de mais nada, deve-se esclarecer que o ignorante, na realidade, é esse papa que nada sabe acerca da espiritualidade, já que não existe essa instituição esdrúxula da salvação. Além do mais, as verdadeiras religiões são as fontes das ciências, portanto, aquilo que esse papa se refere como sendo verdadeiro é o credo, especificamente o credo que ele segue e pratica. Sendo também ignorantes desta realidade, os estudiosos consideram que essa ignorância invencível, a qual muitos que não professam o credo católico sofrem, pode ser causada pela precariedade dos meios de comunicação, pela ineficiência da evangelização e por ambientes de restrição e barreiras contextuais, intelectuais, psicológicas, culturais, sociais e credulárias, com eles se referindo a estas últimas como se fossem religiosas, todas muitas vezes insuperáveis.

Mas o fato é que esse papa afirma, em primeiro lugar, que fora da Igreja Católica não há salvação, depois, contraditoriamente, afirma que aos olhos do seu deus são isentos de culpa, o que implica em dizer que esse deus realmente tem olhos, portanto, através desses olhos do deus bíblico todos aqueles que não são arrebanhados pelo credo católico, mesmo aqueles que não se julgam cristãos, também podem ser salvos, uma vez que não têm culpa de professarem outros credos e seitas, ou então de serem ateus, em virtude de ignorarem a revelação tida como sendo divina, por conseguinte, ignorarem a Igreja Católica, desde que procurem sinceramente ao deus bíblico e se esforcem por cumprir a sua vontade, sob o influxo da graça.

Neste caso, este ratiólogo, que ora se encontra desprendendo um tremendo esforço para explanar o Racionalismo Cristão, está completamente perdido, longe da salvação católica, aliás, muito longe, longe por demais. Mas que assim seja, já que assim considero preferível, aliás, mil vezes preferível, frequentar qualquer prostíbulo, qualquer antro de prostituição, do que frequentar quaisquer igrejas credulárias, já que nestas os espíritos do astral inferior agem no sentido de arrebanhar, de encabrestar aos incautos para engrossar as suas fileiras, as fileiras da ignorância, toldando completamente os raciocínios das suas vítimas, além da prática do sexo desregrado e da pedofilia, somando-se a isto a prática do estelionato, enquanto que naqueles os espíritos do astral inferior agem somente no sentido sexual, sendo mais amenos os efeitos maléficos, portanto, dos males o menor, como diz a sabedoria popular.

Mas o que deve causar uma verdadeira revolta nos espíritos dos seres humanos que realmente raciocinam, é o fato do credo católico se fixar com unhas e dentes nessa baboseira de salvação, em virtude dela servir para arrebanhar e conservar os seus prosélitos, além de conservá-los temerosos e acovardados, sem que se disponham a considerar a realidade do preceito universal da encarnação, atentando para o fato dos erros e acertos em cada vida, o que ocasiona uma próxima encarnação saturada de dores ou amenidades na vida dos seres humanos, conforme seja. É aqui que se explica racionalmente a existência de crianças que padecem de fome em algumas nações miseráveis, assim como outras que desencarnam sem qualquer assistência por parte dos seus semelhantes, que com a amizade espiritual a ser estabelecida pelo Racionalismo Cristão no seio da nossa humanidade, em que irá preponderar a solidariedade fraternal entre todos, esses espíritos infelizes deverão ser assistidos e esclarecidos acerca da espiritualidade, para o bem deles e também para o bem de toda a nossa humanidade. Então esses espíritos mais atrasados, que levaram as suas vidas anteriores praticando crimes e outros malefícios, encarnam nas piores condições, geralmente sem serem batizados, para o próprio bem deles. É aqui que entra a Igreja Católica com a sua estupidez, para afirmar que para as crianças mortas sem batismo, deve restar ainda uma esperança de que elas possam ser salvas, uma vez que na sua liturgia se confia na infinita bondade do seu deus bíblico.

Que essa esperança católica permaneça restrita ao antro do Vaticano, e de lá não saia, até que esse credo e os demais credos e seitas venham a ser definitivamente extintos da face da Terra, assim como também o deus bíblico e outros deuses quedados no astral inferior venham a ser transladados para os seus respectivos Mundos de Luz, para que então não mais venham a atormentar a imaginação humana, enquanto esta preponderar na face da Terra, para que o verdadeiro Deus, agora estando organizado neste mundo pelo Racionalismo Cristão, possa imperar de vez neste mundo, por intermédio do Astral Superior e pelos espíritos de luz executores da sua vontade. Será, pois, o Racionalismo Cristão quem deverá estabelecer os meios necessários para o amparo e o esclarecimento desses espíritos mais atrasados, formando o ambiente propício para que eles possam dar continuidade às suas evoluções espirituais, integrando-os aos demais seres humanos.

Sempre na tentativa de enaltecer ao seu credo, como sendo ele o verdadeiro, como se algum credo ou seita fosse realmente verdadeiro e servisse de algo realmente útil para a nossa humanidade, a Igreja Católica ensina que os que se consideram cristãos, mesmo não professando o seu credo, são membros inseparáveis do corpo místico de Jesus, o Cristo, através do batismo, apesar de o serem de um modo imperfeito. Assim, para os católicos, os falsos cristãos, mas que se julgam cristãos, são todos seus irmãos e elementos da única Igreja de Cristo, que subsiste na Igreja Católica. Por isso, essas comunidades ditas cristãs dispõem de muitos elementos de santificação e de verdade necessários à salvação, mas não da sua totalidade, que somente a Igreja Católica possui, sendo essa sua posição uma das bases do seu ecumenismo atual, que é o movimento universal das igrejas que pregam os Evangelhos. Assim, a Igreja Católica afirma que somente ela é que contém e administra a totalidade e a plenitude dos meios de salvação.

 

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