15.03.06- A doutrina católica em relação às parcelas do Saber

Prolegômenos
4 de julho de 2018 Pamam

O Magistério da Igreja Católica defende atualmente que a Bíblia deve ser interpretada em conformidade com a “intenção dos autores sagrados”, os costumes, os gêneros literários e os conhecimentos científicos da época. Mas esse modo de interpretar não representa algo de novo, pois desde o século V que Santo Agostinho já afirmava que a Bíblia deveria ser interpretada de modo a harmonizá-la com os conhecimentos científicos em cada época. Assim, caso fosse seguida a afirmativa desse doutor da Igreja, os avanços religiosos e científicos não seriam considerados como sendo heresia, e a Inquisição não teria torturado tantos homens, e nem teria assassinado Giordano Bruno e prendido Galileo Galilei. Neste caso, tanto a Bíblia como a tradição católica seriam portadoras de pseudoverdades teológicas, mas não possuiriam necessariamente qualquer verdade histórica ou científica.

A Igreja Católica identificou ao todo quatro sentidos da Bíblia: o sentido literal e o sentido espiritual, com este sendo dividido em dois sentidos alegóricos, o moral e o analógico. Assim, logo as interpretações exclusivamente literais são oficialmente abandonadas, apesar de certos setores da Igreja mais fundamentalistas não aceitarem esta tese por inteiro.

Defendendo ardorosamente os pensamentos de Santo Agostinho e de São Tomás de Aquino, a Igreja Católica vem afirmar o que se segue:

Embora a fé supere a razão, não poderá nunca existir contradição entre a fé e a ciência porque ambas têm origem em Deus”.

Logo, a partir do século XX, a Igreja foi lenta e obrigatoriamente aceitando várias descobertas científicas modernas, inclusive a teoria do Big Bang, ignorando completamente que esta não possui a menor procedência, e também a teoria da evolução, desde que com a constante intervenção divina, defendendo que ambas as teorias são compatíveis com a crença da criação divina do mundo, como se a criação dos mundos tivesse algo a ver com as mentiralhas bíblicas postas pelos ditos profetas, que nada mais eram do que instrumentos dos espíritos obsessores que se encontravam quedados no astral inferior.

Outrossim, os conflitos entre a doutrina católica e a religião e a ciência podem surgir potencialmente em questões relacionadas com a dita infalibilidade e a autenticidadde da tradição revelada, com a negação da existência do deus bíblico, que qualquer raciocinador deve de certo negar, por se tratar de um espírito trevoso, da alma e da sua imortalidade, que obviamente não se deve negar, com os momentos exatos do princípio e do fim da vida humana, que essa doutrina não possui a mínima noção, e com as implicações éticas da clonagem, da contracepção ou fertilização artificiais, da manipulação genética e do uso de células-tronco embrionárias, na investigação científica.

Todos agora já são cientes da existência dos três tratados superiores, que são a Veritologia, a Saperologia e a Ratiologia. A Veritologia trata dos conhecimentos metafísicos acerca da verdade, que devem ser captados do Espaço Superior, por intermédio da percepção oriunda do criptoscópio, tendo por base a moral, sendo ela a fonte da Saperologia. A Saperologia trata das experiências físicas acerca da sabedoria, que devem ser criadas do Tempo Futuro, por intermédio da compreensão oriunda do intelecto, tendo por base a ética e como fonte a Veritologia. A Ratiologia trata da coordenação dos conhecimentos metafísicos acerca da verdade e das experiências físicas acerca da sabedoria, por intermédio da consciência, por onde se alcança a razão, tendo por base a educação.

É através da Ratiologia que os seres humanos conseguem alcançar o Saber, por excelência, o qual deve ser dividido em parcelas do Saber, que são os estudos especializados do Saber, por excelência. A Veritologia dá como resultado as religiões. A Saperologia dá como resultado as ciências. E a Ratiologia dá como resultado as religiociências.

As religiões devem tratar dos conhecimentos metafísicos acerca da verdade, que se referem às parcelas do Saber com as quais se ocupam, tendo por base a moral, devendo servir de fontes para as ciências. As ciências devem tratar das experiências físicas acerca da sabedoria, que se referem às parcelas do Saber com as quais se ocupam, tendo por base a ética e como fontes as religiões. As religiociências devem tratar da coordenação dos conhecimentos metafísicos acerca da verdade e das experiências físicas acerca da sabedoria, que dizem respeito a cada uma das parcelas do Saber, tendo por base a educação.

Assim como todos os seres se encontram em demanda do Ser Total, ou as criaturas se encontram em demanda do Criador, isto implica em dizer que todos nós nos encontramos em demanda para Deus, em retorno para Ele, para a nossa origem. Então a nossa inteligência se encontra em demanda para a Inteligência Universal. Ora, o Universo se encontra contido em Deus. Assim, à medida que vamos evoluindo, Deus vai passando a se encontrar cada vez mais contido em nós mesmos, em decorrência o próprio Universo, que vai passando a fazer parte integrante da nossa alma.

É assim, e somente assim, que nós passamos a desvendar os segredos da vida e os enigmas do Universo, pois que estando ele contido em nós mesmos, nós mesmos podemos reunir as condições necessárias para contemplá-lo em tudo aquilo que nos diz respeito, consoante o estágio evolutivo em que nos encontramos. Quando Jesus, o Cristo, afirmou “Conhece-te a ti mesmo”; ele quis dizer que devemos conhecer o tanto que Deus se encontra em nós mesmos, portanto, o próprio Universo.

Como se pode claramente constatar, tudo que existe no Universo diz respeito aos conhecimentos metafísicos acerca da verdade e às experiências físicas acerca da sabedoria, que devem ser coordenados pela razão, em que tudo isso pode ser apreendido pela nossa inteligência, em conformidade com o estágio evolutivo em que nos encontramos. Então não existe a revelação feita por um deus qualquer por intermédio de livros considerados como sendo sagrados. E como a doutrina do catolicismo é toda baseada em um desses livros considerados como sendo sagrados, ela é toda equivocada, principalmente porque é toda sobrenatural, nada tendo a ver com o Saber, por excelência, e tampouco com as parcelas do Saber, que daquele são todas elas originadas.

 

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