15.03.03- O desenvolvimento da doutrina católica

Prolegômenos
4 de julho de 2018 Pamam

As alterações e os acréscimos verificados na doutrina católica, no decorrer do tempo, são considerados pela Igreja Católica como sendo o desenvolvimento da doutrina e justificados pelo fato de que a revelação já está completa, mas ainda não está plenamente explicitada, por isso, ao longo da história, a doutrina católica foi sendo alterada por novas clarificações, novas definições de dogmas e novos pronunciamentos papais ou conciliares.

Isso implica em dizer que nós, seres humanos, espíritos por natureza, que fazemos evoluir as nossas almas, não somos capazes de por nós mesmos, através das nossas inteligências, de percebermos e captarmos a verdade, irmaná-la com a sabedoria, e adentarmos no âmbito da razão, como se fôssemos eternamente limitados a sermos obtusos, como obtusos são os sacerdotes, que sendo ignorantes por inteiro, não conseguem julgar com critério a capacidade evolutiva dos mais evoluídos, já que não aceitam a evolução, sendo todos partidários da salvação, por conseguinte, desse deus bíblico metido a exterminador dos ímpios, os pecadores que não professam o credo católico, que não devemos jamais cansar de repetir, já que a repetição tem o seu grande valor, como devidamente comprovado em outras páginas. Ora, caso existisse realmente a salvação, todos os sacerdotes deveriam ser condenados, com raríssimas exceções. No entanto, como ela não existe, na realidade, devemos esperar com paciência a regeneração de toda a classe sacerdotal, para que assim, devidamente regenerada, ela possa servir de grande utilidade no futuro para o progresso da nossa humanidade, por conseguinte, da sua evolução espiritual.

Em 325, o Primeiro Concílio de Niceia formulou o Credo Niceno original, que reconhecia as três Pessoas da Santíssima Trindade, que eram o Pai, o Filho e o Espírito Santo, e ensinava que Jesus, o Cristo, Filho de Deus, era consubstancial ao Deus Pai, apenas ele, ignorando completamente que todos os seres são também consubstanciais a Deus, já que também possuem as Suas mesmas Substâncias, que são a Essência e as Propriedades. Da Essência de Deus, que é o Ser Total, vem todos os seres, que evoluem por intermédio das Suas Propriedades, que são a Força, a Energia e a Luz.

Ao definir assim a divindade de Jesus, o Cristo, esse concílio condenou o arianismo. Sendo a Santíssima Trindade um dos dogmas centrais do catolicismo formulado nesse concílio, o fato é que ele já era amplamente discutido, refletido e aceito pelos ditos cristãos antes do Concílio de Niceia, pois já no ano 180 a palavra trindade era utilizada por Teófilo de Antioquia. O que justifica a sua inserção na Bíblia pelo Astral Superior, para que nós pudéssemos desvendar racionalmente a esse mistério, por ocasião da explanação do Racionalismo Cristão.

No entanto, antes disso, esse dogma central, que faz parte integrante do credo católico, já aparecia com grande frequência no âmbito da praxe batismal, assim como também em Justino, na sua obra Apologia, e em Hipólito, na sua obra Tradição Apostólica. A fórmula trinitária já aparecia também em várias cartas e escritos ditos cristãos, como em Inácio de Antioquia, Cartas aos Éfesos, e na Primeira Carta, de Clemente Romano. No século III, Tertuliano, Orígenes e Gregório Taumaturgo já refletiam com algum senso sobre este dogma tido como sendo católico.

Em 381, o Primeiro Concílio de Constantinopla definiu que a divindade do Espírito Santo é a mesma do Pai e do Filho. O concílio também reformulou o Credo Niceno, que passou a constar de mais informações sobre a natureza do Espírito Santo, sobre Jesus, o Cristo, e sobre outros dogmas considerados como sendo de fundamental importância. Esse concílio condenou o macedonianismo, o apolinarianismo e mais uma vez o arianismo.

Em 431, o Concílio de Éfeso proclamou a Virgem Maria como sendo a mãe do deus bíblico, em oposição a Nestório, que defendia que Maria só devia ser chamada de mãe de Jesus, o Cristo, porque ela era apenas a mãe da natureza humana e biológica do nosso Redentor, e não da sua natureza divina. Nestório defendia que essas duas naturezas eram distintas e separadas, algo que o concílio condenou. Além do nestorianismo, o concílio condenou ainda o pelagianismo, que entrava em oposição com a doutrina do pecado original e da graça desenvolvida por Santo Agostinho, no século V.

Santo Agostinho é considerado como sendo um dos padres da Igreja. Esses teólogos que viveram entre os séculos II e VII desenvolveram e consolidaram os principais conceitos da fé credulária católica, por intermédio da primazia papal, da Santíssima Trindade, da natureza do Cristo, da natureza da Igreja, da graça, do cânon bíblico, da salvação, do pecado, e outras baboseiras mais sem qualquer fundamento, combatendo muitas heresias, cujos conceitos foram os grandes responsáveis pela fixação e a doutrinação da tradição católica. Em virtude disso, os pensamentos daqueles que são considerados como sendo os padres da Igreja, são a base fundamental da sua construção doutrinária teológica, ainda hoje.

Em 451, o Concílio da Calcedônia definiu que subsistem na única pessoa de Jesus, o Cristo, as duas naturezas unidas, divina e humana, afirmando o seguinte:

Jesus é perfeito em divindade e perfeito em humanidade, verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem, composto de uma alma racional e de um corpo, consubstancial ao Pai segundo a divindade, consubstancial a nós segundo a humanidade”.

Por isso, o concílio condenou o monofisismo de Eutiques, que defendia que Jesus, o Cristo, tinha apenas uma natureza, sendo a natureza humana tão unida à natureza divina que foi absorvida pela última. Além disso, o concílio condenou também a simonia, o tráfico de coisas santas, como, por exemplo, dos sacramentos, das dignidades, dos benefícios eclesiásticos, etc.

No biênio 680-681, o Terceiro Concílio de Constantinopla condenou o monotelismo, uma heresia que afirmava só haver em Jesus, o Cristo, uma vontade, a vontade divina, e reafirmou que o Nazareno, sendo deus e homem, ao mesmo tempo, tinha as vontades humana e divina. Em 787, o Segundo Concílio de Niceia definiu a validade da veneração de imagens santas, condenando assim a iconoclastia.

No século XIII, São Tomás de Aquino, considerado como sendo o doutor da Igreja, sendo o autor da Suma Teológica, tentou adaptar os pensamentos saperológicos de Aristóteles aos pensamentos ditos cristãos da época, por isso é considerado como sendo o mais alto representante da escolástica, que é uma doutrina que procurou reafirmar que a fé credulária supera a razão, mas não a contradiz, sempre na vã tentativa de aliar a Saperologia à Teologia, com as reflexões e os debates escolásticos se baseando na leitura da Bíblia e nos escritos dos padres da Igreja e de outros estudiosos. E aqui vamos encontrar uma das maiores contradições de todos os tempos da história desta nossa civilização, quando São Tomás de Aquino vem afirmar, absurda e ilogicamente, que a fé credulária e a razão podem ser conciliadas, argumentando que ambas são provenientes do deus bíblico, sendo a razão um meio de poder se entender a fé credulária.

Esse sacerdote ignorava completamente que a fé credulária é aborrecente à alma, que somente a fé racional dos espíritos menos evoluídos depositada de baixo para cima nos espíritos mais evoluídos, e a convicção dos espíritos mais evoluídos depositada de cima para baixo nos espíritos menos evoluídos, pode ser capaz de converter os seres humanos aos desígnios da evolução, através do esclarecimento espiritual, mas somente através de muito estudo, muito raciocínio e muito sofrimento, por intermédio dos quais se alcança a verdade e a sabedoria, quando, aí sim, pode se alcançar realmente a razão.

Em 1215, o Quarto Concílio de Latrão oficializou uma antiga tradição em que cada católico tinha que receber, pelo menos uma vez por ano, na Páscoa, a confissão e a eucaristia. Esse concílio defendeu também o celibato clerical, a doutrina da transubstanciação e condenou ainda os albigenses.

No período de 1414 a 1418, o Concílio de Constança condenou as heresias de John Wycliffe e de Jan Hus, que eram dois famosos precursores da Reforma Protestante. E no período de 1512 a 1517, o Quinto Concílio de Latrão definiu a imortalidade da alma.

 

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