15.03.02- A supressão das heresias: a Inquisição

Prolegômenos
29 de junho de 2018 Pamam

A Inquisição se refere a várias instituições que foram criadas dentro do sistema jurídico da Igreja Católica Apostólica Romana com o intuito inicial de combater e suprimir as heresias em seu próprio seio, surgindo outras finalidades posteriormente. Ela teve o seu início por volta do ano 1000, quando apareceu em Tolosa e Orleãs, na França, uma seita que negava a veracidade dos milages, o sacramento do batismo, a presença de Jesus, o Cristo, na eucaristia, e a eficácia das preces aos santos.

Mas a Inquisição somente foi juridicamente instituída em 1231, na França, para combater a propagação do sectarismo credulário, mais precisamente em relação aos cátaros e valdenses, que veremos mais adiante em outro tópico. Entre outros grupos que mais tarde foram investigados se encontram os fraticellis, irmãozinhos em italiano, que eram os frades franciscanos que viviam em partes da Itália, ou da Provença, nos séculos XIV e XV, que repudiavam a autoridade dos seus superiores e da hierarquia da Igreja Católica, em função das riquezas que os seus sacerdotes ostentavam, considerada como sendo escandalosa, por seguirem os ensinamentos de São Francisco, especialmente no que diz respeito à pobreza; os hussitas, que eram os seguidores de Jan Hus; e as beguinas, que eram mulheres leigas católicas que praticavam uma vida ascética, a maior parte das vezes nos denominados beguinários, na área atual da Bélgica, que se espalharam pelos Países Baixos, Alemanha e França,  dedicando-se às tarefas caritativas e piedosas, sem contudo estarem vinculadas a regras de clausura e nem a votos públicos, tendo sido condenadas pelo Concílio de Vienne, em 1311, por causa do perigo de heresia que representavam.

A partir da década de 1250, os inquisidores eram geralmente escolhidos entre os membros da ordem dominicana para substituir a prática anterior de se utilizar o clero local como juízes. O termo Inquisição Medieval se refere aos tribunais instalados ao longo do século XIV, em que as instalações desses tribunais eclesiásticos eram comuns na Europa a pedido dos poderes dos próprios reis, nomeadamente na Espanha, em 1478, e em Portugal, de 1531 a 1536, onde ambos os países dependeram muito do poder civil, sem muita ingerência do papado.

Mas foi somente no final final da Idade Média e no início do Renascimento, que a utilização e o alcance da Inquisição foram significativamente ampliados, em função da Reforma Protestante e da Contrarreforma Católica, tendo se expandido para outros países europeus, resultando nas inquisições espanhola e portuguesa, pois esses dois reinos, em particular, operavam os tribunais inquisitoriais ao longo dos seus respectivos impérios. Tendo ainda se expandido para a Ásia e para a África, além da América, que resultou nas inquisições peruana e mexicana.

Nas inquisições espanhola e portuguesa, o objetivo central da Inquisição era converter forçadamente os judeus e os muçulmanos ao catolicismo, porque esses grupos de credulários eram bem mais numerosos na Espanha e em Portugal do que em outras partes da Europa, e também porque muitas vezes eles eram considerados suspeitos, pela suposição de que haviam voltado secretamente a praticar os seus credos anteriores.

O condenado era muitas vezes responsabilizado por uma “crise de fé credulária”, de pestes, de terremotos e de miséria social, sendo entregue às autoridades do Estado para que fosse punido. As penas variavam desde o jejum, multas, pequenas penitências, prisão, confisco dos bens, perda de liberdade, tortura e até à pena de morte na fogueira aplicada pelo poder civil, cuja modalidade mais famosa é o auto de fé credulária. Apesar disso tudo, os estudiosos e os ativistas católicos argumentam, estupidamente, que a inquisição papal foi instituída principalmente para evitar as superstições judiciais de provas jurídicas ou juízo do deus bíblico utilizadas na Idade Média, denominadas de ordálio, e os abusos da população ou de governantes seculares, como Frederico II, sacro imperador romano-germânico, que executava hereges por questões políticas, quando esses argumentos não passam de um puro blefe, como veremos mais adiante, no decorrer da explanação.

Nos séculos XV e XVI, influenciados pela Reforma Protestante, a Inquisição papal foi reorganizada. Em 1542, o papa Paulo III instituiu a Sagrada Congregação da Inquisição Universal. No século XIX, os tribunais da Inquisição foram suprimidos pelos Estados europeus, mas ainda mantidos pelo Estado Pontifício. Em 1908, sob o reinado do papa Pio X, a instituição foi renomeada de Sacra Congregação do Santo Ofício. Em 1965, por ocasião do Concílio Vaticano II, durante o pontificado de Paulo VI, a Inquisição assumiu finalmente o seu nome atual de Congregação Para a Doutrina da Fé.

Apesar de salientar que seria um anacronismo interpretar a Inquisição fora do contexto social, cultural e credulário que o viu nascer, a Igreja reconheceu recentemente que a Inquisição:

É inconcebível para a atual mentalidade e cometeu, para além da crueza própria dos costumes de então, verdadeiros abusos e injustiças, como a condenação dos templários, de Santa Joana D’Arc, entre outros”.

Atualmente, compreendendo melhor a liberdade de pensamento, a Igreja prefere utilizar o diálogo e o ecumenismo para combater as heresias e outros desvios à sua doutrina histórica. No entanto, ela jamais poderá ser perdoada por todos os seus crimes cometidos, em nome do irracionalismo da fé credulária, tendo que ser decretada a sua extinção, assim como também a extinção de todos os credos e seitas, que são profundamente prejudiciais ao esclarecimento, a espiritualização e ao progresso dos seres humanos.

A Inquisição foi a causa de um dos maiores horrores que tivemos na história desta nossa civilização, sendo caracterizada por um verdadeiro genocídio praticado pela Igreja Católica, além de outros crimes de natureza bélica. Em sua obra História de Portugal, Tomo I, a página 393, Oliveira Marques diz o seguinte:

A Inquisição surge como uma instituição muito complexa, com objetivos ideológicos, econômicos e sociais, consciente e inconscientemente expressos. A sua atividade, rigor e coerência variavam consoante a época”.

Mas o historiador se encontra completamente equivocado, pelo fato de não ser espiritualizado, por isso não conhecer os meandros das ações dos espíritos obsessores que se encontram quedados no astral inferior e pululam por esse mundo afora de meu Deus. É certo que existe sempre o lado econômico em que tudo aquilo que os sacerdotes realizam, que é o principal, mas a origem da Inquisição é toda espiritual. Vamos primeiro tratar dos seus primórdios, para que depois eu possa discorrer mais livremente sobre as suas causas.

 

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