15.03.02.09- O caso Joana D’Arc

Prolegômenos
3 de julho de 2018 Pamam

Em 1422, o filho repudiado de Carlos VI se fez proclamar a si mesmo rei sob o nome de Carlos VII. Estando desolada, a França olhava para ele pedindo auxílio. Esse jovem de vinte anos, que era tímido, indiferente, descuidado, quase não acreditava na sua própria proclamação. Era também medrosamente credulário, ouvia três missas por dia e não deixava passar nenhuma hora canônica sem recitar as orações correspondentes. No entanto, como os credos e as suas seitas são aborrecentes à alma, atendia nos intervalos a uma longa série de amantes, e ainda deu oito filhos à esposa, que justiça seja feita, era virtuosa. Ele empenhou as joias e a maior parte das suas roupas para financiar a resistência à Inglaterra, mas não tinha qualquer pendor para a guerra, deixando esses encargos para os ministros e os generais, que não eram assim tão patriotas, já que brigavam ciumentamente entre si, em detrimento da sua nação, com a exceção do fiel Jean Dunois, filho natural de Luiz, o duque de Orleãs.

Em 1428, quando os ingleses se locomoveram para sitiar Orleãs, não houve uma ação combinada para lhes oferecer resistência, e a desordem foi geral. Estando Orleãs situada em uma curva do Loire, caso caísse, toda a região sul, agora hesitantemente leal a Carlos VII, juntar- se-ia ao norte para fazer da França uma colônia inglesa. Tanto o norte como o sul observavam o cerco, e ficaram esperando por um milagre, que por hipótese alguma existe, existindo, na realidade, as ações do Astral Superior.

No entanto, sem o conhecimento de quem quer que fosse, havia um plano de espiritualização para a nossa humanidade, elaborado pelo espírito que se desligou da sua humanidade à qual seguimos na esteira evolutiva do Universo e se integrou a esta nossa humanidade, com o fim precípuo de estabelecer em nosso seio o embrião do instituto do Cristo, o Racionalismo Cristão, cujo plano somente foi revelado por intermédio da sua doutrina, através de Luiz de Souza, o qual deverá ser devidamente explicado e detalhado no decorrer da minha explanação, mais precisamente na obra relativa à Finalidade, contida no site pamam.com.br. Esse plano foi elaborado pelo espírito que havia alcançado a condição do Antecristo nessa sua humanidade, e que em nossa humanidade alcançou a condição do Cristo. E como nesse plano de espiritualização da nossa humanidade estava previsto o surgimento das diversas nações que hoje formam os conglomerados dos diversos povos que atualmente habitam neste planeta Terra, inclusive a nação francesa, é óbvio que os ingleses não iriam conseguir tornar a França uma das suas colônias, uma vez que a França tem a função específica que lhe compete no contexto das nações mundiais.

Até a distante aldeia de Domrémy seguia a luta com paixão patriótica e com crenças no catolicismo. Os camponeses eram completamente medievais na fé credulária, já que viviam da natureza, mas eram dominados por essas crenças católicas sobrenaturais. No entanto, como muitos deles eram médiuns videntes e ouvintes, vendo e ouvindo os espíritos do astral inferior, mas ignorantes a respeito deles, tinham a plena certeza de que os espíritos viviam na atmosfera terrena, inclusive muitas mulheres juravam que os tinham visto e até falado com eles. Lá, tanto os homens como as mulheres, assim como geralmente toda a França rural, pensavam nos ingleses como se fossem diabos que escondiam os rabos nas cotas de malha.

Mas o Astral Superior, agindo em obediência ao plano de espiritualização da nossa humanidade, intuiu aos mais bem assistidos e fez surgir no ambiente dessa aldeia uma autêntica realidade, tida como sendo uma profecia, na qual Deus haveria de enviar uma donzela para salvar a França daqueles “demônios” e extinguir o longo reino satânico da guerra. Intuída pelo Astral Superior, a esposa do prefeito de Domrémy transmitia essas esperanças para a sua afilhada Joana D’Arc, para que assim a mensagem pudesse ficar bem gravada em seu perispírito, e então facilitar as suas ações por ocasião do momento de agir em prol da sua amada pátria.

Joana D’Arc era um espírito superior que encarnara na França com a missão específica de impedir que esta nação se tornasse uma colônia da Inglaterra. Por isso, apesar de ser ignorante em relação aos conhecimentos metafísicos acerca da verdade, era  bastante espiritualizada, mesmo professando o credo católico, já que as suas crenças sobrenaturais dominavam por completo o meio ambiente, e assim não poderia ser diferente, já que ela não era uma veritóloga, uma vez que tanto a Veritologia como a Saperologia somente podem ser exercidas, exclusivamente, por espíritos que encarnam com o sexo masculino, em virtude do fato daqueles que encarnam com o sexo feminino serem destinados às prendas do lar, com a missão específica de cuidar da educação dos seus filhos, e até mesmo da educação dos seus maridos, contribuindo assim com a sua parte para o progresso da nossa humanidade, na sua parte mais sensível.

Mas como Joana encarnou com uma missão específica, obviamente que ela não veio preparada para as prendas do lar, mas sim com a finalidade de formar um ambiente favorável para as ações do Astral Superior na guerra da França contra a Inglaterra, por intermédio da sua simples presença, além da sua liderança. Daí a razão dela não ser uma estrategista do generalato, como o foi Aníbal e outros grandes generais, e nem se infiltrar na luta corpo a corpo contra os inimigos, dada a sua frágil natureza feminina.

Sendo ela um espírito proveniente das elevações espirituais, era notada entre a sua gente como sendo imensamente piedosa, gostava de ir à igreja, confessava-se regularmente com fervor, e se ocupava em amparar aos necessitados da sua paróquia. Em seu pequeno jardim, as galinhas e os pássaros comiam diretamente na sua mão.

Em 1424, quando ela tinha treze anos de idade, o Astral Superior surgiu como uma esplêndida luz e lhe transmitiu a seguinte mensagem: “Joana, seja uma menina boa e obediente. Vá muitas vezes à igreja”. Não que frequentando alguma igreja católica algo importante viesse em seu benefício, já que o credo católico somente traz malefícios a quem o segue, mas é que o fato da sua crença na espiritualidade, mesmo sendo credulária, seria de fundamental importância para que ela pudesse seguir com rigor as orientações repassadas a ela pelo Astral Superior.

Por isso, durante os cinco anos seguintes, as “vozes”, como ela chamava as aparições do Astral Superior, deram-lhe muitas orientações, até que finalmente um espírito de luz lhe apareceu como sendo o próprio Arcanjo Miguel, diferentemente das aparições a Abraão, a Moisés, a Maomé e aos demais seres humanos tidos como profetas, que eram todos espíritos do astral inferior, sendo aquele realmente um espírito de luz do Astral Superior, dizendo-lhe o seguinte:

Vai em socorro do rei da França, e restaurarás o seu reino, vai procurar M. Baudricourt, capitão em Vaucouleurs, que ele te conduzirá até ao rei”.

E aqui vem a importância primordial do Astral Superior ordenar diretamente a Joana que ela frequentasse a igreja, pois enquanto Carlos VII não fosse ungido pela Igreja, a França poria em dúvida o seu direito divino de reinar, mas se o óleo dito sagrado fosse derramado sobre a sua cabeça, a França ficaria unida por trás de si e seria salva. Assim, em outra ocasião, o Astral Superior ordenou a Joana o seguinte:

Filha de Deus, conduzirás o Delfim a Reims para que ele seja ali ungido e coroado”.

Sendo convicta de que o fruto daquelas aparições do Astral Superior eram provenientes da mais alta espiritualidade, a donzela Joana resolveu revelá-las aos seus pais. O pai ficou naturalmente chocado ante aquela ideia de uma menina tão inocente ser capaz de empreender uma missão tão fantástica. Sendo ignorante acerca da alta espiritualidade, na qual o espírito pode tudo realizar, desde que tenha encarnado com tal missão, o pai afirmou que mil vezes preferia afogá-la com as suas próprias mãos a permitir aquilo que ela estava se propondo a fazer. E no intuito de refreá-la ainda mais, convenceu a um jovem aldeão a anunciar que ela havia lhe prometido a mão em casamento. Mas Joana era um espírito superior que não tinha encarnado para ser possuída por quem quer que fosse, mesmo a um suposto marido, já que não encarnara para as prendas do lar, uma vez que já havia prometido ao Astral Superior que iria preservar a sua virgindade, a qual já se encontrava consagrada aos santos. Então ela negou com coragem tal promessa. Em 1429, em obediência às ordens do Astral Superior, sendo devidamente intuída, Joana se dirigiu para a casa de um tio, convencendo-o a levá-la a Vancouleurs, no que foi prontamente atendida com a devida ajuda do Astral Superior.

E agora vem uma das manifestações mais espetaculares do Astral Superior, para que através dela os incrédulos acerca da verdadeira vida espiritual possam abandonar de vez o sobrenaturalismo e passem a ser de logo antecristãos. Em Vancouleurs, o capitão M. Baudricourt aconselhou ao tio que desse à donzela de dezessete anos uma boa surra e a devolvesse aos pais, mas conduzida pelo Astral Superior, Joana forçou a entrada até junto dele e declarou firmemente que havia sido enviada por Deus para ajudar ao rei Carlos VII a salvar Orleães, no que a sua simples presença assistida pelo Astral Superior fez com que o gordo comandante cedesse, e embora na sua ignorância a considerasse tomada pelo demônio, mandou perguntar em Chinon as instruções do rei. Como era de se esperar, a permissão real chegou, então o capitão M. Baudricourt deu uma espada à donzela, o povo de Vancouleurs lhe comprou um cavalo, e seis soldados aquiesceram em conduzi-la na longa e perigosa viagem através da França até Chinon.

Sendo devidamente intuída pelo Astral Superior, adotou um vestuário masculino, composto de gibão, calções, polainas e esporas, cortando o cabelo como se fosse um menino, a fim de desencorajar as aproximações masculinas, para facilitar a viagem a cavalo e para conseguir a aceitação dos generais e das tropas.

Após viajar 275 quilômetros, em onze dias chegou finalmente perto do rei e do seu Conselho. Embora o rei estivesse propositalmente disfarçado entre os cortesãos com trajes que não davam a impressão da realeza, Joana o identificou imediatamente, saudando-o com polidez, já que estava sendo orientada pelo Astral Superior, dizendo o seguinte:

Que Deus vos conceda longa vida, gentil Delfim, o meu nome é Joana D’Arc. O Rei dos Céus vos fala por meu intermédio, e diz que vós sereis ungido e coroado em Reims, e sereis lugar-tenente do Rei dos Céus, que é rei da França”.

Como se pode claramente constatar, a donzela era uma médium ao serviço do Astral Superior. Um padre que então se tornara o capelão da donzela, disse mais tarde que em particular ela assegurara ao rei o seu nascimento legítimo.

Estando ainda desconfiado, Carlos VII a enviou a Poitiers para ser examinada pelos sábios de lá, os quais não encontraram nenhum mal que pairasse sobre ela, como já era de se esperar. Mas eles encarregaram algumas mulheres de investigar a sua virgindade, e também nesse ponto delicado ficaram satisfeitos, pois, tal como a donzela, afirmavam que um privilégio especial pertencia às virgens como intrumentos e mensageiras de Deus.

Em Orleãs, sendo devidamente intuído pelo Astral Superior, Dunois já havia garantido à guarnição que Deus mandaria em breve alguém em seu auxílio. Então, ouvindo falar em Joana, logo pôde acreditar em suas próprias esperanças, pedindo à corte que lhe mandasse a donzela imediatamente. Foi atendido em seu pedido, no que deram a Joana um cavalo negro, cobriram-na com uma armadura, puseram-lhe na mão uma bandeira branca bordada com a flor-de-lis da França, e a enviaram a Dunois com uma numerosa escolta que levava provisões para os sitiados. Em 29 de abril de 1429, Joana não teve maiores dificuldades em conseguir acesso à cidade, pois os ingleses não a tinham cercado completamente, embora tivessem repartido os seus quase três mil soldados, que era menos do que a guarnição de Orleãs, por entre doze fortes distribuídos em pontos estratégicos dos arredores.

O povo de Orleãs saudou Joana como sendo a donzela encarnada, seguiu-a confiantemente para lugares perigosos, acompanhou-a à igreja, rezou quando ela rezou, chorou quando ela chorou, sorriu quando ela sorriu. Sendo detentora de uma moral impoluta, determinou que os soldados abandonassem as suas amantes, para que assim o ambiente ficasse propício para as ações do Astral Superior. La Hire, um dos chefes, considerou o fato como sendo impossível, tendo recebido de Joana uma dispensa para jurar por seu bastão. Foi esse condottiere gascão que pronunciou a célebre oração:

Senhor Deus, imploro-Te que faças por La Hire o que ele faria por Ti se Tu fosses capitão e La Hire fosse Deus”.

Em face da sua mais alta superioridade espiritual, Joana enviou uma carta a Talbot, o comandante inglês, propondo que ambos os exércitos se unissem como irmãos e se dirigissem à Palestina para salvar a Terra Santa das mãos dos turcos, mas Talbot considerou que isso ultrapassava a sua incumbência.

Alguns dias mais tarde, uma parte da guarnição francesa cruzou as muralhas e atacou um dos bastiões ingleses sem que Joana ou Dunois soubessem. Os ingleses resistiram bem ao ataque e os franceses recuaram. Mas Joana e Dunois tendo ouvido os alaridos, dirigiram-se para lá e mandaram que os seus homens renovassem o ataque, tendo este sido bem sucedido, com os ingleses abandonando a posição. No dia seguinte, os franceses atacaram dois outros fortes com sucesso, apoderando-se deles, estando a donzela à frente das batalhas. No segundo encontro, uma flecha lhe atravessou o ombro, tendo sido o ferimento tratado e, logo em seguida, ela voltado ao comando da luta.

O canhão poderoso de Guillaume Duisy bombadeou sobre o forte inglês de Les Tourelles balas de 50 kg cada uma. Mas o Astral Superior poupou a Joana o massacre dos franceses vitoriosos, que trucidaram 500 ingleses quando aquele baluarte caiu. Em virtude dessa vitória dos franceses, Talbot concluiu que as suas forças eram insuficientes para o cerco, resolvendo recuá-las para o norte. Toda a França rejubilou, vendo na donzela de Orleãs a mão de Deus, que realmente ela era, como instrumento do Astral Superior, pois que Deus se encontra contido em cada um de nós, em conformidade com o nosso estágio evolutivo. Mas os ingleses a denunciaram como sendo feiticeira, e juraram apanhá-la de qualquer maneira, viva ou morta.

No dia seguinte ao seu triunfo, Joana se pôs a caminho para encontrar o rei, que vinha avançando de Chinon, o qual a acolheu com um beijo carinhoso e aceitou o seu plano para marchar através da França até Reims, embora isso significasse atravessar um terreno hostil, mas era preciso fazer coroar ao rei.

O exército de Joana encontrou as forças inglesas em Meung, Beaugency e Patay, obtendo vitórias decisivas, mas que foram empanadas por chacinas vindicativas aos ingleses, que horrorizaram a donzela, mas que eram necessárias para uma nação que estava se dispondo a subjugar a outra, através de assalto.

Outubro entra com os primeiros frios. Joana e D’Albret levam o seu exército a Saint-Pierre-Le-Moustier. Fazem o cerco. Tentam o primeiro assalto. Mas são repelidos. Joana avança a cavalo e desmonta junto dos muros da praça. A resistência dos ingleses não afrouxa. O ataque francês arrefece. A batalha parece perdida. Joana grita dando ordens, mas os seus homens não avançam. O escudeiro D’Aulon, que com o seu grupo atacava outro ponto da muralha, recua, caminhando de muletas em virtude de um ferimento no calcanhar. Os seus olhos se voltam para o ponto em que se acha Joana, que se encontra apenas com cinco homens, João e Pedro, os seus irmãos, e mais três infantes. D’Aulon, então, monta a cavalo e se aproxima do grupo. Quase que desesperado grita para a donzela:

— O que estás fazendo aí quase sozinha? Mas o que é isso? Não vês que o ataque foi rechaçado? Por que não recuas?

Joana volta para ele o rosto iluminado pelo entusiasmo da refrega, estava rodeada por uma plêiade de espíritos de luz, que somente ela podia observar com a sua vidência, então se volta para D’Aulon e considerando estranhas as suas palavras, estende o braço ao seu entorno, e responde com convicção:

— Sozinha? Mas como, se tenho comigo cinquenta mil homens?

D’Aulon segue com os olhos os braços da donzela, mas somente vê os cinco companheiros que a cercam, além deles apenas o campo deserto e o céu, é óbvio, ele não era médium vidente. Volta, então, o olhar para o rosto de Joana e o vê iluminado. Um tanto quanto angustiado, pensa consigo mesmo: “Mas que estranho exército invisível será esse que apenas a guerreira vê e que tanto a anima?”.

Joana ergue os braços e, em seguida, brada com fervor.

— Vamos! A vitória é nossa! Atulhem os fossos! Hardi! Depressa!

E sem que ninguém esperasse, os homens que a cercam vão até a retaguarda e voltam com reforços. Os soldados franceses trazem pranchas, feixes e pedras. Os fossos são atulhados. Joana reúne os seus homens e faz novo ataque. Saint-Pierre-Le-Moustier cai.

Em 15 de julho, o rei entrou em Reims. Dois dias após, foi ungido e coroado com cerimônias imponentes na majestosa catedral. Jacques D’Arc, chegando de Domrémy, pôde ver a filha ainda em trajes masculinos cavalgando com todo o esplendor advindo da alta espiritualidade pela capital credulária da França. O pai não perdeu a ocasião, e, por intermédio da donzela, conseguiu uma diminuição dos impostos para a sua aldeia.

Por um momento, Joana considerou que a sua missão estava cumprida, e pensou da seguinte maneira: “Prouvera a Deus me deixar ir guardar as ovelhas com a minha irmã e o meu irmão”. Mas um espírito superior da sua magnitude deveria ainda ser muito útil para a nossa humanidade, por isso não poderia perder o seu valioso tempo em pastorear ovelhas, estando encarnado neste mundo, já que muitas lições ainda deveriam vir das suas ações, notadamente em relação à estúpida ignorância e à tremenda maldade da Igreja Católica, assim como também em relação às mulheres que teimam insistentemente em desprezar as suas castidades, banalizando o sexo em nome da modernidade, quando ele somente deve ser praticado no seio da família, para tanto a Inteligência Universal assim a constituiu, por intermédio da natureza.

O ardor das batalhas já se encontrava contido em sua valorosa alma. Tendo sido aclamada como inspirada e santa pela metade da França, não se esquecera de que era realmente uma santa, detentora de uma elevadíssima moral, mas também uma guerreira. Por isso, era deveras severa para com os soldados, mas lhes ralhava com amor, mesmo os privando dos consolos que todos os soldados consideram devidos a eles. Assim, quando encontrou duas prostitutas que acompanhavam as suas tropas, puxou da sua espada e golpeou uma delas com tanta força, não própria de uma frágil donzela, que a lâmina se partiu e a mulher desencarnou de imediato, o que se explica com o fato dela se obrigar a manter o ambiente espiritual propício às ações do Astral Superior, fosse como fosse, a qualquer custo, pois o que se encontrava em risco era o plano de espiritualização da nossa humanidade, no caso, o estabelecimento das nações neste mundo, especificamente a nação francesa.

Joana comandou o rei e o exército em um ataque a Paris, que ainda se encontrava em poder dos ingleses. Estava à frente na limpeza do primeiro fosso, mas ao se aproximar do segundo foi ferida na coxa por uma flecha, mas teve que permanecer em seu posto, para que a sua presença iluminada pudesse incentivar às suas tropas. No entanto, o ataque fracassou, sofrendo as suas tropas 1.500 perdas, tendo sido ela amaldiçoada, sem saberem os seus compatriotas que ela já havia coroado o rei da França, e que o final da sua missão consistia nas lições que viriam com a sua captura pelos ingleses.

Joana agora, acompanhada de D´Aulon, dos seus dois irmãos e de um pequeno grupo de lanceiros, metida novamente na sua armadura, encontra-se junto aos muros de Melun. Correm rumores de que a cidade, alvoroçada com a aproximação dela, vai se entregar ao rei Carlos VII. A donzela observa as muralhas escuras. Em torno dela tudo é silêncio.

Não mais que de repente um clarão surge diante dos seus olhos, e dentro do clarão, pairando no ar, Joana vê as imagens de Santa Catarina e Santa Margarida, através dos espíritos de luz que haviam tomado essas formas, em virtude da devoção que a donzela tinha a elas. Então elas lhe falam terna e docemente:

— Joana, antes de São João cairás prisioneira.

A donzela estremece, quer falar mas não pode, pois a voz lhe foge. Observa ali no ar, com as suas vestes de um azul puro, as coroas rebrilhando na cabeça, as duas figuras queridas que eram as suas devotas, as quais ela havia visto pela primeira vez em Domrémy, assim como continuara a vê-las posteriormente, após alguns anos. Então desprendendo um imenso esforço, a donzela consegue enfim exprimir:

— Se eu for presa, tenho a impressão que logo morro…

— É preciso que se cumpra o que Deus decretou. Serás presa e terás paciência. Não se preocupe, pois Deus te ajudará.

Logo a seguir a luz se apaga. As imagens se somem. E diante de Joana se desenham agora os muros negros. E por trás dos negros muros se ergue um clamor. Não são gritos de guerra. São vivas. O povo de Melun resolve entregar a praça à donzela. D’Aulon vem com pressa trazer a boa notícia. Joana monta a cavalo para entrar no reduto rendido. Mas não lhe saem mais da memória as palavras das suas santas:

— Antes de São João cairás prisioneira.

Estando em Lagny, sempre com os pensamentos elevados, a donzela ora e medita. E as vozes lhe repetem:

— Antes de São João cairás prisioneira.

No entanto, com o intuito de propagar ainda mais a crença das pessoas na sublime missão de Joana, como também de diferenciá-la dos seres humanos vulgares, na qualidade de um espírito de luz, o Astral Superior agiu no sentido de que uma criança entrasse em estado de catalepsia, mantendo-o em estado de rigidez muscular, com o seu corpinho permanecendo na posição que lhe foi dada, como se realmente estivesse morto. Em decorrência, um grupo de mulheres aflitas se dirige ao quarto da donzela e passa a bater desesperadamente na porta.

No instante seguinte, a guerreira é cercada pelas mulheres assanhadas que falam e gesticulam sem cessar. E Joana vê ao seu redor semblantes congestionados, olhos quase saltando das órbitas, sempre falando, falando e falando, com atropelos. A donzela aguarda com paciência que se cesse o atropelo. Mas as mulheres continuam aos gritos sem cessar:

Morreu pagã! Morreu pagã!

Por fim, os choros e os gritos nervosos cessam por completo. As mulheres se ajoelham em torno da donzela. E quando o silêncio se faz presente no ambiente, sendo quebrado apenas pelos soluços abafados, Joana pergunta placidamente:

— Boas mulheres, o que foi que aconteceu?

Uma delas, então, explica-lhe com a voz entrecortada:

— A minha comadre e vizinha teve um bebê. Era uma criança linda, gordinha, parecida com o pai. Deveria ser o encanto da família. Mas probrezinha! Morreu pouco depois de ver a luz do dia.

— Foi à noite — interrompeu uma das mulheres.

Mas sem tomar conhecimento da interrupção, a mulher continua a sua narrativa:

— Não é mesmo uma grande desgraça morrer sem ser batizada? Oh, Deus! Deve se compadecer daquela pobre alminha que a estas horas decerto já deve estar andando nas proximidades do inferno.

Joana escuta com atenção, Em seguida, deixando cair as mãos em um gesto desamparado, pergunta:

— Mas o que é que eu posso fazer?

Das mulheres que se encontravam ajoelhadas sobem as vibrações, as irradiações e as radiovibrações das suas almas em forma de um verdadeiro clamor. Em seguida, cada uma delas passa a falar atropeladamente:

— Sim, a donzela pode fazer um milagre. Um milagre! Não é ela Joana D’Arc a enviada do Senhor? Não conversa com os santos? Não ouve as vozes do céu?

Sendo fraternalmente solidária para com os seus semelhantes, o semblante da donzela passa a exprimir uma profunda tristeza. Então ela diz:

— Eu somente posso orar e pedir a Deus que se compadeça da criancinha.

De repente, sob a ação do Astral Superior, o seu semblante muda completamente, torna-se resoluto, e mudando completamente o tom da voz, tal como se estivesse no campo de batalha a fazer uma carga de cavalaria, acrescenta:

— Levem a criança para a igreja e ponham-na diante do altar de Nossa Senhora.

As mulheres saem correndo, esperançadas, sacudindo os braços para os céus, dando louvores à intervenção decidida de Joana.

Ao chegar à igreja, Joana encontra uma multidão cercando a criança que se encontrava em estado cataléptico, com a aparência de morta. A notícia havia se espalhado por toda a Lagny. Joana D’Arc, a donzela de Orleãs iria obrar um milagre, algo que ninguém estava pondo em dúvida, já que tanto a fé credulária como a curiosidade cegam e contagiam o povo. Abrem-se alas quando a donzela se aproxima do altar. E ali, aos pés da imagem de Nossa Senhora, encontra-se um pequeno fardo envolto em tecidos de lã. Joana se inclina e observa atentamente, vendo um rostinho arroxeado e enrugado, os dois olhos parados, vidrados, como se estivesse realmente morto. Faz-se silêncio em torno de ambos. Ao lado do suposto cadáver, uma mulher chora baixinho. Muitas mulheres se postam de joelhos e pedem a Nossa Senhora que interceda junto a Deus para que Ele devolva a vida ao corpinho inerte.

Joana se ajoelha e começa a rezar. Altruísta como poucos, para ela nada pede, nada quer, pois sabe que o seu fim neste mundo se aproxima com celeridade, uma vez que a sua missão já estava quase concluída, tendo ela cumprido fielmente as ordens advindas da alta espiritualidade. A metade da França já está em poder do seu verdadeiro rei. Em pouco tempo, ela também sabe, o último inglês será expulso e então a sua querida pátria estará livre! Em seguida, elevando os seus pensamentos para o Astral Superior, passa assim a pensar:

Senhor, por que não dar um pouco de vida a esta criança morta? Ao menos por algumas horas, para que ela seja batizada e para que a sua alma depois possa voar para o céu”.

Em seguida, sendo conduzida pelo Astral Superior, levanta-se e se aproxima do suposto cadáver, então as suas mãos pousam suavemente na testa da criança. O silêncio agora é profundo. Todos esperam, sustando a respiração, na mais completa expectativa. E de súbito um estremecimento geral, porque da boca da criancinha entreaberta escapa um débil gemido, e outro, mais outro. O corpinho arroxeado começa aos poucos a tomar nova cor, e, por fim, a criancinha começa a espernear.

Novamente de joelhos, agradecendo a Deus por aquele “milagre”, estando com os pensamentos nas mais elevadas alturas, Joana não consegue ouvir e nem ver o alvoroço dos gestos e vozes que se fazem em torno do recém-nascido. Também não consegue perceber que um sacerdote vem e leva à pia batismal a criancinha que havia emergido há pouco de um profundo estado cataléptico.

Quando Joana, em sua elevação, retorna do mundo espiritual, saindo do seu êxtase, já é noite fechada. A igreja está deserta. Escura. Apenas com a luz do luar penetrando suavemente pelas janelas. Indagando para si mesma o que acontecerá no dia seguinte, ela caminha para fora. As estrelas brilham mais do que nunca sobre o céu de Lagny, como que tomando emprestado a luz espiritual da fabulosa donzela.

Ela, então, retirou-se com o seu destacamento para Compiègne. Em lá chegando, foi cercada pelos borgonheses, que eram aliados dos ingleses. Corajosamente dirigiu uma sortida, mas foi repelida. No entanto, foi a última a recuar, tendo encontrado as portas da cidade fechadas antes que pudesse atingi-las. Estando desamparada, foi brutalmente arrancada do cavalo e conduzida como prisioneira a João de Luxemburgo, em 24 de maio de 1430, que teve a decência de alojá-la nos seus castelos de Beaulieu e Beaurevoir.

Joana ficou entre a cruz e a espada, como se diz comumente, pois o duque Filipe de Borgonha, o Bom, soberano de João de Luxemburgo, pedia para si a presa preciosa, enquanto que os ingleses insistiam com o seu alojador para entregá-la a eles, com o intuito de que uma execução ignominiosa pudesse romper com o encanto da donzela que tanto inflamara aos franceses. Pierre Cauchon, bispo de Beauvais, que tinha sido retirado da sua diocese para poder apoiar aos ingleses, já que o Vaticano apoia quem detém o poder, visando às suas próprias conveniências, e não à humanidade como um todo, o que deveria ser a sua obrigação, foi enviado por eles a Filipe de Borgonha com poderes e recursos para negociar a transferência da donzela para as autoridades britânicas, sendo-lhe prometido, inescrupulosamente, o arcebispado de Ruão em recompensa, caso obtivesse êxito.

Enquanto isso, nas cidades borgonhesas, principalmente em Orleãs, Tours, Blois e Compiègne, o povo francês não esquecia a donzela. Faziam-se grandes reuniões nas praças públicas em seu favor. Mandavam-se mensageiros ao rei, pedindo-lhe que fizesse alguma coisa em favor de Joana, que lhe tinha posto a coroa na cabeça.

Mas Carlos VII permanecia em seu eterno feriado, perambulando de castelo em castelo, bem mais preocupado com os vinhos e as caçadas, e o caso da menina Joana a quem ele devia o reino lhe parecia algo tão remoto como as proezas do rei Artur, ou como os pós de Merlin. Os próprios cortesões tudo faziam para lhe apagar a mais leve sombra de remorso, enchendo-lhe os ouvidos, dizendo que a S. Majestade não devia se preocupar com a donzela, portanto, que queimassem e esquartejassem a grande redentora da nação francesa. Que importava a um Valois de sangue azul o que pudesse acontecer a uma donzela rude de Lorena? Assim, Carlos VII bebia vinho e passeava pelos bosques, ia caçar javalis e se refrescar à sombra protetora do gordo La Trémouille.

Entretanto, à noite, na quietude sombria do seu quarto, quando a rainha já dormia e a lenha crepitava na lareira, o rei se tornava pensativo. Esta era a ocasião propícia para que o Astral Superior dele se aproximasse e o intuísse para as coisas sérias da vida, não com a intenção de remediar a situação, posto que ela já estava bem definida, mas para que as palavras proféticas de Joana pudessem lhe soar aos ouvidos, confirmando que ela veio de Deus, ou do Astral Superior, já que somente ela era sabedora de um segredo que somente Deus, ou a alta espiritualidade, podiam conhecer. Então, com os mínimos detalhes acodem à memória de Carlos de Valois todas as cenas daquela noite, em que a donzela, vestida como um pajem, entrou resoluta no grande salão do castelo de Chinon, indo diretamente a ele e o reconhecendo, mesmo estando ele disfarçado, como realmente estava, no meio de outros cortesões, e o levou para um canto lhe dizendo aos ouvidos o espantoso segredo. Com essa aproximação do Astral Superior o rei se inquietava, perdia o sono, fazia conjecturas, elaborava planos, então certa vez decidiu que quando o dia raiasse mandaria emissários a Bedford, dando ordens para levantar altos impostos com o fim de resgatar a donzela, ou então organizaria um grande exército para arrebatá-la à força das mãos dos ingleses.

Mas tudo isso foi apenas fogo de palha, como se diz comumente por aí, pois quando o dia clareou todas as intuições recebidas do Astral Superior se sumiram pelo ar. O rei retornou à sua vidinha cotidiana de festas e cavalgadas, banquetes e intrigas, viagens e novos amores. Meu Deus, como é linda a espiritualidade! Quanta diferença evolutiva nós podemos contemplar neste mundo-escola entre uma simples donzela e um rei!

Enquanto isso, João de Luxemburgo, revelando claramente todo o temor que a donzela lhe causava, dirigindo-se diretamente a ela, pergunta-lhe:

— Se eu te prometesse a liberdade, tu serias capaz de jurar que não pegarias mais em armas contra nós?

Percebendo claramente que a intenção do seu interlocutor era somente a de sondar a sua capacidade realizadora em prol da sua pátria, sem que houvesse a mínima intenção de realizar tal promessa, e muito menos cumpri-la, o semblante de Joana se transfigura, como se a guerreira ressurgisse por um instante, e assim, com os olhos brilhando de indignação por aquela insinceridade, ela responde com a sua firmeza característica:

— Em nome de Deus! Estás troçando comigo. Eu sei que não tens a mínima pretensão, que não  tens a mínima vontade e nem também podes fazer o que dizes.

Mas João de Luxemburgo insiste:

— Pensas na tua liberdade, avalias o perigo da tua condenação, se tu te visses solta, tornarias a pegar em armas?

Joana se põe de pé, sem mais sentir o peso das correntes que a prendem, ergue os braços para o alto, o seu rosto se contrai, e nesse estado de total envolvimento pelos espíritos de luz, a sua voz ressoa alto, enchendo o ambiente da prisão:

— Eu sei perfeitamente que esses ingleses vão me matar, pensando que com a minha morte vão ganhar o reino da França. Mas mesmo que eles fossem cem mil vezes mais numerosos do que são não haveriam de conquistar a minha pátria!

Os olhos incrédulos e revoltados de João de Luxemburgo chispam de ódio, e ele ergue para Joana o seu braço rijo, em cuja extremidade lampeja a lâmina de um punhal. O conde de Warwick segura o seu braço armado e apara o golpe mortal, com outros dois homens correndo em seu auxílio.

O duque de Bedford, que dominava a Universidade de Paris, induziu aos lentes a aconselhar Filipe de Borgonha a entregar Joana a Perre Cauchon, na qualidade de chefe eclesiástico da região em que ela fôra capturada. E não somente isso, mas na qualidade de feiticeira e herética. Agora imaginem o seguinte: um espírito de luz integrante da plêiade do Astral Superior, proveniente das regiões mais excelsas do Universo, que coroou o rei da França, impedindo que esta nação se tornasse uma colônia da Inglaterra, ser acusado imbecilmente de feitiçaria e heresia por um credo estúpido e ignorante como o credo católico. É ou não é para serem extintos todos os credos que existem neste mundo e procedermos também a regeneração desse deus bíblico metido a exterminador dos seres humanos tidos como ímpios ou pecadores?

Esses argumentos foram devidamente rejeitados.  Mas o sacerdote católico Pierre Cauchon, que não possuía qualquer valor moral, assim como todos os sacerdotes que pululam por esse mundo afora de meu Deus, com raríssimas exceções, ofereceu a Filipe de Borgonha e a João de Luxemburgo um suborno de 10.000 coroas de ouro, que de início foi rejeitado, mas como a Inglaterra lançou um embargo sobre todas as exportações para os Países-Baixos, Flandres, que era a mais rica fonte de renda do duque, viu-se na iminência da bancarrota. Então Filipe de Borgonha, a despeito da alcunha de Bom, e João de Luxemburgo, apesar dos rogos da esposa, resolveram aceitar o suborno e entregaram a donzela a Pierre Cauchon, que a levou para Ruão. Ali, embora formalmente prisioneira da Inquisição, Joana foi posta sob a guarda inglesa na torre de um castelo ocupado pelo conde de Warwick, como governador de Ruão. Puseram-lhe grilhões nos pés e lhe passaram uma corrente pela cintura, prendendo-a a uma trave. O seu fim estava próximo.

Estando a donzela presa com grilhões, os guardas tiveram a falsa ideia de que a donzela se encontrava totalmente indefesa. Ledo engano. Ela estava mais do que protegida, pois que estava protegida pelo Astral Superior. Então tentaram de todas as maneiras praticar o estupro. Mas todas as tentativas foram em vão, pois a alta espiritualidade não poderia permitir que atos desta natureza pudessem ser praticados em detrimento de um espírito da superioridade de Joana. Ela havia nascido donzela, não estava destinada a ser mãe de família, mas sim a uma outra missão específica, fundamental para a nação francesa, então o seu hímen teria que ser preservado, tal como a sublime natureza a havia feito em sua sapientíssima constituição. Não que a virgindade torne a mulher menos pura, desde que ela seja desvirginada no seio da família, coabitando com o seu legítimo esposo e companheiro, assim como fizeram a mãe do Cristo, a mãe do Antecristo, e tantas outras mulheres que souberam honrar a pureza do corpo feminino com que resolveram encarnar neste mundo. A vinda da donzela dos páramos da espiritualidade tem também como objetivo alertar ao sexo feminino para que retomem as suas obrigações e os seus deveres inerentes ao sexo. Vejamos o que Luiz de Mattos, em sua obra Cartas ao Cardeal Arcoverde, a página 208, diz-nos sobre o assunto:

Joana D’Arc, essa heroica libertadora da França, essa pura e varonil donzela de Orléans — se os inimigos da sua Pátria que tentaram violentá-la na prisão, conseguissem seus fins libidinosos, deixaria de ser, porventura, a varonil, a pura e incomparável donzela de Orléans?

Não, decerto; porque além de estar encarcerada, não podia fisicamente se defender, e só se livrou desse ultraje com o auxílio dos bons espíritos, dos quais era instrumento e que a assistiam, e lhe deram força e vigor para afastar as feras humanas cobiçosas do seu corpo carnal”.

Que as mulheres de hoje, que se julgam modernas, considerando que os tempos estão avançados, e que não ligam mais para a suas castidades, preservando-se para os seus futuros maridos e companheiros, que consigam tomar os exemplos de pureza da donzela de Domrémy e das outras citadas mais acima, para que assim possam obter o devido respeito aos seus próprios corpos carnais, pois que esses seus corpos têm as suas funções específicas, consoante os ditames da natureza, não devendo servir para os simples prazeres avulsos, que são totalmente contrários à moral que deve ser praticada neste mundo-escola. Caso contrário, irão sentir arder em suas almas as dores da desmoralização, da falta de pudor, da tremenda falta de vergonha, que deveriam ser os alicerces das suas ações, as bases dos seus recatamentos femininos, que são próprios e específicos das mulheres que procuram se preservar puras, fazendo sobressair as suas honras, que são essenciais para o acesso à alta espiritualidade, para a ascenção à plêiade dos espíritos de luz que integram o Astral Superior, e que por isso comandam os destinos de toda a nossa humanidade.

O julgamento teve o seu início em 21 de fevereiro de 1431, e perdurou até 30 de maio. O sacerdote católico Pierre Cauchon assumiu a presidência da corte, um dos seus cônegos servia de acusador, um monge dominicano representava a Inquisição, e uns quarenta homens tidos como entendidos em Teologia e leis foram acrescentados ao triste e lamentável quadro armado pela Igreja Católica, em obediência aos ingleses. A acusação era de heresia. Para deter o imenso regimento de magias que infestava a Europa, a Igreja fizera da inspiração superior, realizada pelos espíritos de luz ao serviço do Astral Superior, uma heresia punível com a morte. Ignorantes de que muitas mulheres eram intuídas pelo astral inferior, queimavam-nas como sendo feiticeiras por pretenderem ter poderes sobrenaturais, quando o próprio credo católico sempre foi sobrenaturalista, e era opinião muito comum entre os homens da Igreja e os leigos, que aqueles que faziam tais afirmativas podiam realmente ter recebido poderes sobrenaturais do diabo. Daí o fato de alguns dos jurados de Joana haverem acreditado em tal baboseira.

Vejamos agora como a alta espiritualidade pode se manifestar mesmo sem o esclarecimento acerca da verdade, como agora o Racionalismo Cristão está transmitindo para toda a nossa humanidade. Durante o julgamento, a firme recusa de Joana em admitir que a autoridade da Igreja Católica como representante do deus bíblico podia suplantar a autoridade real das suas “vozes”, enfureceu aos estúpidos sacerdotes católicos e aos credulários, os quais consideraram que assim estava provado que ela era também feiticeira. Foi a decisão da maioria dos componentes do tribunal. Embora todos estivessem maravilhados pela luz que raiava desse espírito angélico, mas enérgico, que havia encarnado em corpo feminino, e ainda tocados pela simplicidade sem embustes que emanava das suas respostas sinceras, além da sua piedade e castidade evidentes. Eles eram homens, e apesar de por um momento haverem sentido as vibrações magnéticas, as radiações elétricas e as radiovibrações eletromagnéticas, superiores e positivas, advindas da alma da donzela, que havia causado tanto medo aos ingleses, não houve contemplações.

O conde de Warwick, tocado pela postura altiva de Joana, declarou o seguinte: “O rei da Inglaterra pagou muito caro por ela, sob pretexto algum haveria de fazê-la morrer de morte natural”. Alguns jurados ainda alvitraram que o assunto poderia ser apresentado ao papa, que poderia libertar tanto a ela como ao tribunal do poder inglês, como se a Inquisição não fosse oriunda do próprio papado. Joana exprimiu o desejo de ser enviada ao papa, mas em sua elevadíssima grandeza espiritual, que nos faz vir lágrimas aos olhos, estabeleceu a diferença primordial entre a fé credulária papal, reconhecendo a sua autoridade sob este aspecto, mas no que concernia ao que ela havia realizado em obediência às suas “vozes”, não reconheceria outro juiz senão o próprio Deus, que no caso era o Astral Superior.

E agora onde ficam as baboseiras dos psiquiatras em relação às “vozes” da donzela? Ou será que ainda vão continuar nas suas pirrônicas baboseiras de que as visões e as vozes dos médiuns são oriundas de um cérebro doentio, que cria, inexplicavelmente, tais fatos? Espiritualizem-se, senhores psicalistas, e poderão ser cientes das causas das nevroses e de tantos outros desvios mentais que atormentam aos seus pacientes, para que assim possam exercer com honra as suas profissões, saindo desse fosso profundo da ignorância proporcionada pela ilusória matéria, que tolda os seus raciocínios, fazendo com que todos vocês não passem de meros charlatães.

Chocados com a firmeza de Joana, os juízes concordaram que isso era heresia. Mesmo sendo um espírito de elevadíssima superioridade, o fato é que a donzela se encontrava um tanto quanto enfraquecida pela má alimentação, cansada pelos vários meses de interrogatório e pelas longas horas sem dormir, levando-se ainda em consideração que ela estava encarnada, portanto, sujeita às vicissitudes da vida. Então, estando assim vulnerável, a donzela foi persuadida a assinar uma retratação, mas logo após decidiu retirar a retratação. Os soldados ingleses, que haviam sentido em seus âmagos a força espiritual de Joana, ainda temerosos de tudo aquilo que ela havia realizado em prol da sua pátria, rodearam o tribunal e ameaçaram a vida dos juízes, caso a donzela escapasse de ser queimada viva. Em 31 de maio, os juízes concordaram e a condenaram à morte na fogueira.

O Astral Superior teve então que intervir nos últimos instantes de vida da donzela.

— Assinaste a cédula porque tiveste medo da fogueira?

— Eu queria ainda viver!

— Tu não pertences ao mundo, tu pertences a Deus!

— Mas a minha França ainda precisa de mim.

— Não. A tua missão já está cumprida.

Joana esconde o rosto nas mãos. Mas o Astral Superior prossegue:

— Se os teus companheiros de armas te vissem fraquejar?

Joana pensa nessas palavras. Torna a olhar para as roupas de homem que estão em cima do catre. E a voz advinda da alta espiritualidade continua:

— Ainda é tempo. Veste essa roupa. Sê fiel à tua missão até o fim para fechá-la com chave de ouro. Pensas que Deus vai te abandonar?

A donzela se volta e no mesmo instante tira as roupas de mulher e veste as roupas de pajem. No dia seguinte, a notícia se espalha pelo castelo, pela cidade, pelos campos, por todos os recantos: Joana tornou a vestir o hábito de homem. Pierre Cauchon, o sacerdote católico, fica enfurecido. Os doutores se reúnem. Confabulam. Descem à prisão. Interrogam a donzela.

— Por que tornaste a vestir roupas masculinas?

— Porque o hábito do homem me agrada mais.

Ela agora está sorrindo. E o seu sorriso estampado no rosto pálido e machucado é tão perturbadoramente sereno que os doutores estremecem.

— Prometeste e juraste que que não vestirias mais roupas de homem.

— Vós prometestes também que me levaríeis para uma prisão de mulheres. No entanto, voltei para esta masmorra horrível. Como posso ficar vestida de mulher no meio de homens?

— Relapsa!

— Vós prometestes ainda que me deixaríeis ouvir missa e tomar a comunhão. Tudo mentira. Com que direito me acusais agora?

Os doutores se retiram do recinto. Cada um deles condecora a donzela com o seu próprio adjetivo. Perjura. Relapsa. Herege. Feiticeira. Impúdica. Até que um deles, o mais grave de todos, ao cabo de uma longa discussão, ergue-se para dizer:

— Ela deve ser entregue ao braço secular!

No meio da noite Joana é despertada pelas suas vozes, que lhe dizem palavras de amor e de consolo. A prisão se enche de uma luz intensa e suave. Um perfume de um aroma muito doce se espalha pelo ambiente do seu cativeiro, alterando e substituindo o seu odor pestilento. As figuras mal assistidas dos guardas desaparecem. Joana está envolvida pela luz astral das suas santas, e nesse ambiente espiritualizado sorri para elas. O novo dia que nasce a encontra ainda com o sorriso estampado em seu semblante.

De repente, um grupo de homens entra na prisão, vindo da parte do bispo para fazer um novo interrogatório. O Astral Superior enche o ambiente de luz, no que Joana é tomada de uma imensa coragem, porque ela vê a presença das suas santas.

— Achas que as tuas vozes e aparições vêm de bons ou de maus espíritos? — pergunta um dos doutores.

Joana apenas sorri, pois sabe que eles são totalmente ignorantes acerca da espiritualidade, pois não conseguem ver o que ela consegue contemplar, caso conseguissem ao menos sentir a luz do ambiente, saberiam que ali se encontravam presentes Santa Catarina e Santa Margarida pairando no meio de uma nuvem de luz, podendo ouvir as suas vozes suavíssimas pronunciando as palavras do verdadeiro amor, que é o amor espiritual. Mas eles são cegos e insensíveis à luz espiritual. Têm as suas almas enrijecidas pelo atraso espiritual e pela má assistência do astral inferior. Vivem lendo pergaminhos antigos e vetustos, ultrapassados em relação ao tempo, por isso os seus olhos estão de tal maneira encobertos pelo véu da ilusória matéria que não conseguem observar as maravilhas vindas da alta espiritualidade. Os seus ouvidos estão de tal modo obstruídos que não conseguem ouvir as palavras celestiais. Pobre doutores que de nada sabem! Que Deus tenha piedade das suas pobres almas!

Assim contemplativa, Joana logo se recobra e passa a responder à pergunta:

— As minhas visões e as vozes que escuto são provenientes do céu.

Novamente a porta da masmorra se abre. Pierre Cauchon entra. Nesse momento, Joana aponta para ele um dedo acusador e exclama:

— Bispo, morro por tua causa!

Pierre Cauchon é tomado de um imenso tremor. Estaca. Franze a testa. E a sua covardia, acompanhada de cinismo e dissimulação, manifesta-se pelo tom da sua voz e das suas palavras, quando ele diz:

— Oh, Joana, tem paciência. Morres porque não cumpriste o que nos prometeste.

Poucos minutos depois a donzela se encontra só. Uma ideia lhe vem à mente. Então ela corre para a porta e começa a bater nela com os punhos. Um guarda aparece.

— Tragam-me um padre! Eu quero um confessor!

Ela é atendida. Após ser administrado o sacramento da eucaristia, no exato momento de engolir a hóstia, o padre lhe pergunta:

— Crês que este é o corpo de Cristo?

— Sim. E somente ele pode me libertar.

Em seguida, sendo intuída pelo Astral Superior, para que esse seu momento possa ficar registrado por todo o sempre em nossa humanidade, ela indaga:

— Padre, onde estarei eu esta noite?

— Não tens esperanças no Senhor? — pergunta o padre Pedro Maurício.

A donzela se ergue com o rosto resplandescendo pela mais pura luz espiritual, e de mãos postas, olhando para o céu, sem qualquer vestígio de fé credulária, com a mais firme convicção, exclama para toda a nossa humanidade:

— Ainda hoje estarei com Jesus, o Cristo, no paraíso!

Acusando o impacto da força dessas palavras, carregadas da convicção advinda da mais alta espiritualidade, o padre Pedro Maurício baixa respeitosamente a cabeça ante aquele espírito superior, e se retira vagarosamente, em silêncio, com a alma em agonia.

Às nove horas vêm buscá-la. Vestem-lhe uma longa camisola branca. Cortam-lhe os cabelos. Pôem-lhe na cabeça nua uma carapuça de papel onde estão escritas as seguintes palavras: “Herética, relapsa, apóstata idólatra”. Fazem-na subir para a carreta. Os quatro cavalos negros ficam inquietos. Na frente do castelo uma multidão se agita freneticamente e promove uma imensa algazarra. Mas quando a donzela surge à sua frente, faz-se um silêncio sepulcral, carregado aparentemente de um profundo medo, que nada mais era do que um profundo respeito por um espírito superior, que viera dos páramos da espiritualidade para encarnar com uma nobre missão, em favor da sua pátria.

Então ela eleva os seus pensamentos e murmura docemente:

— Oh, Deus! Faze com que tudo passe depressa para que eu possa estar em breve no paraíso.

De repente, como que fulminado pelos raios de luz da donzela, um sacerdote sai da multidão, sobe para a carreta, ajoelha-se aos pés de Joana e soluçando lhe pede perdão. Era o mestre Loiselleur, um dos membros do tribunal que a condenou. As dores do remorso se estampa em seu semblante, retorcendo-lhe a face. As lágrimas lhe escorrem pelo rosto. Ele beija a camisola branca da donzela.  A prisioneira baixa os olhos para ele e sorri: ele estava perdoado. O padre desce da carreta e cego de dor sai a correr sem rumo pelas ruas da cidade, perdendo-se no meio da mutidão.

Os olhos da donzela se enchem de lágrimas e ela se sente repentinamente invadida por uma onda inexplicável de amor e ternura. Ajoelha-se. Eleva os seus pensamentos para as suas santas. Pronuncia o nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Em seguida, em um gesto que somente pode ser compreendido por quem detém na alma uma noção da alta espiritualidade, com uma meiga ternura pede humildemente desculpas aos juízes, aos doutores, aos soldados, ao povo em geral, por qualquer mal que porventura lhes tenha causado, quando da sua estadia na Terra. Com os gestos carregados de amor, por entre lágrimas, ela sorri tristemente.

Arrastam a donzela para o cadafalso central, onde se ergue um poste, emergindo de um monte de feixes. Amarram-na ao poste. Mas ela quer morrer contemplando uma cruz. Alça o olhar inquieto para a torre da igreja, mas a cruz não está visível. Então ela suplica:

— Pelo amor de Deus, tragam-me uma cruz.

Um soldado inglês faz uma cruz com dois pedaços de madeira e a entrega à donzela, Joana a recebe com ambas as mãos, leva-a aos lábios e a beija, pronunciando o nome do nosso Redentor. Em seguida, guarda-a com tanto amor junto ao seio, que dá a impressão de que estava a guardar o mais valioso dos tesouros.

Muitos dos juízes não conseguem conter as lágrimas. O conde de Warwick com muito esforço consegue reter as lágrimas. O cardeal de Winchester morde os lábios e cerra os olhos, deveras penalizado. Os membros do tribunal descem apressados do cadafalso e fogem apressados, com alguns deles escondendo os rostos entre as mãos. E todos eles levam a morte da donzela em suas almas.

Tudo isso é fruto do ambiente formado pela donzela, já que aqueles pobres homens guardavam em suas almas algo que se voltava para o bem, e se assim eles procederam foi em razão da estúpida ignorância provocada pelo credo católico. Além do mais, estando aqui neste mundo-escola encarnados, é óbvio que somente se manifestam em função do ambiente em que vivem, segundo as tendências das suas almas.

A chama da fogueira vai crescendo com rapidez, e logo passa a queimar os membros inferiores da valorosa donzela, que se retorce e grita de dor. O Astral Superior lhe aparece nas figuras de Santa Catarina e Santa Margarida por trás de uma cruz, que a animam com os seus sorrisos de amor, e ela continua a pronunciar o nome de Jesus, o Cristo.

Reina pavor na multidão. Muitos querem afastar os olhos do espetáculo macabro e não conseguem, permanecendo com os olhos fixos, vidrados no vulto branco, que se retorce com desespero no meio das chamas, com o rosto sendo iluminado pela luz vermelha das labaredas, por esse fogo sinistro que lembra o inferno, e como este não existe, assim faz lembrar o ambiente imundo e pestilento do Vaticano, na pessoas do papa e de Jeová, o deus bíblico.

Assim como apareceu a Afonso Henriques, Jesus, o Cristo, também apareceu à donzela por ocasião da sua desencarnação, conduzindo-a pessoalmente ao seu elevado Mundo de Luz. A explicação para isso vamos encontrar no alto da torre da Igreja do Santo Salvador, quando um observador mais arrojado que lá se encontrava a observar a queimação na fogueira da heroína francesa, no meio do silêncio em que se encontrava a praça, ouve nitidamente um grito de alegria que faz o seu sangue gelar, um grito que era de alegria, mas ao mesmo tempo de dor e desespero, porém, principalmente, de triunfo, quando a donzela ergue os olhos para os céus e solta finalmente esse seu último grito:

— Jesus Cristo!

Há que se ressaltar o lampejo de consciência que teve João Alespée, que chorando perdidamente, murmura para todos com a voz trêmula:

— Eu quisera que a minha alma estivesse onde creio que está a alma dessa mulher.

É óbvio que esse ser humano que murmurou essas palavras em breve estaria em seu próprio Mundo de Luz, que é diretamente proporcional ao estágio evolutivo da sua alma, quando da sua desencarnação. No entanto, com toda certeza, não poderia estar em um Mundo de Luz tão elevado quanto o da evoluída donzela.

Os historiadores, ignorantes da vida espiritual, desconhecendo completamente o plano de espiritualização da nossa humanidade, portanto, todo o contexto histórico desta nossa civilização, o qual tem que ser reformulado em novas bases, em conformidade com os objetivos desse plano, embora sejam cientes dos fatos históricos, afirmam que não devemos exagerar a importância militar de Joana D’Arc, considerando provável que Dunois e La Hire tivessem salvo Orleãs sem a sua presença, no que estão completamente equivocados.

Em 1435, Filipe de Borgonha, aliado da Inglaterra, cansou-se de lutar e fez a paz em separado com a França. Essa falta de apoio enfraqueceu o poder dos ingleses nas cidades conquistadas no sul, quando elas então, uma após a outra, foram expulsando as suas guarnições aliadas. Em 1436, a própria Paris, que se encontrava cativa durante dezessete anos, expulsou os britânicos, e, finalmente, Carlos VII governou em sua capital.

O curioso é que, por estranho que pareça, ele, que fôra uma verdadeira nulidade como rei, a essa altura havia aprendido a governar bem o seu país, escolhendo ministros competentes, reorganizando o exército, disciplinando os barões turbulentos, e fazendo tudo o que fosse necessário para o bem da sua nação.

Em 1455, por ordem de Carlos VII, o papa Calisto III determinou um reexame das provas sobre as quais Joana fôra condenada. Em 1456, estando a França agora vitoriosa, o veredito pela corte eclesiástica de 1431 foi declarado injusto e nulo. Em 1920, o papa Bento XV incluiu a donzela entre os santos da Igreja Católica.

Como se pode observar com a mais extrema clareza, a Igreja Católica primeiramente assassinou a donzela, queimando-a na fogueira, posteriormente a santificou, na mais absurda das absurdas decisões de toda a sua história repleta de crimes e de contradições, além da devassidão que sempre ocorreu no Vaticano, em todos os tempos. No entanto, sendo ela santa, e comprovado estando de que ela era uma médium vidente e ouvinte, já que via e ouvia os espíritos, inclusive conversando com eles, é de se indagar: por que a Igreja Católica não reconhece também a mediunidade, as manifestações espiríticas e as ações do Astral Superior? A resposta é simples: caso ela reconheça assim a espiritualidade, tem que também reconhecer a evolução, por força desse preceito universal, e reconhecendo a evolução cai por terra essa baboseira de salvação, por conseguinte, a existência de qualquer superioridade desse seu deus bíblico, por conseguinte, a existência do temido Satanás, que pode ser comparado a Jeová, o que inclui toda essa doutrina irracional do seu credo sobrenatural.

 

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