15.03.02.07- Os métodos de tortura da Inquisição

Prolegômenos
2 de julho de 2018 Pamam

De acordo com o publicado em Ad Tenebras / Mistérios Antigos / Occult Portal Medieval and Mythological Area / Adaptado por Spectrum, durante a atuação da Inquisição, que se iniciou na Idade das Trevas e se prolongou por praticamente mil anos, a tortura era o meio empregado pelos inquisidores para extrair à força dos acusados as confissões de todos os tipos de crimes, dos pequenos delitos aos mais graves. Fazendo aflorar todo o sadismo contido nas almas dos inquisidores, foram desenvolvidos diversos métodos de tortura ao longo dos anos, sendo que os métodos mais dolorosos eram reservados àqueles que se consideravam seriam condenados à morte na fogueira. Além dos aparelhos mais sofisticados e de alto custo, utilizavam-se também instrumentos simples, como tesouras, alicates, garras metálicas para destroçar os seios das mulheres e mutilar os seus órgãos genitais, chicotes, instrumentos de carpintaria adaptados e barras de ferro aquecidas ou mesmo brasas, além de instrumentos que eram utilizados para a imobilização da vítima. No caso específico da Inquisição, os acusados eram torturados até que admitissem ligações com o Satanás e práticas obscenas, e caso um acusado denunciasse a outras pessoas, poderia ter uma execução menos cruel.

Os inquisidores se utilizavam de diversos recursos para extrair confissões ou comprovar que o acusado era feiticeiro. Segundo os registros históricos, as vítimas do sexo feminino eram totalmente depiladas pelos torturadores, que nelas procuravam um suposto sinal de Satã, vejam só, que podia ser uma verruga, uma mancha na pele, mamilos excessivamente enrugados, neste caso, os mamilos representariam a prova de que a bruxa “amamentava” os demônios, etc. Mas este sinal poderia ser invisível aos olhos dos torturadores. Neste caso, o “sinal” seria uma parte insensível do corpo, ou uma parte que se ferida, não verteria sangue. Assim, os torturadores espetavam todo o corpo da vítima usando pregos e lâminas, à procura do suposto sinal.

No Liber Sententiarum Inquisitionis, ou Livro das Sentenças da Inquisição, o padre dominicano Bernardo Guy, 1261-1331, descreveu vários métodos para obter confissões dos acusados, inclusive o enfraquecimento das forças físicas do prisioneiro. Dentre os descritos na obra e utilizados comumente, encontra-se a tortura física através de aparelhos, como a Virgem de Ferro e a Roda do Despedaçamento; através de humilhação pública, como as Máscaras do Escárnio, além de torturas psicológicas como obrigar a vítima a ingerir urina e excrementos.

De uma forma geral, as execuções eram realizadas em praças públicas e se tornava um evento onde nobres e plebeus se deliciavam com a súplica das torturas e, consequentemente, a execução das vítimas. Atualmente há dispostos em diversos museus do mundo ferramentas e aparelhos utilizados para a tortura, que eram os seguintes:

RODA DE DESPEDAÇAMENTO

A Roda de Despedaçamento era uma roda onde o acusado era fortemente amarrado na parte externa. Abaixo da roda havia uma bandeja metálica na qual ficavam depositadas as brasas. À medida que a roda se movimentava em torno do seu próprio eixo, o acusado era lentamente queimado pelo calor produzido pelas brasas. Por vezes, as brasas eram substituídas por agulhas metálicas bem afiadas.

Este método foi utilizado no período compreendido entre 1100 e 1700, em países como a Inglaterra, a Holanda e a Alemanha.

DAMA DE FERRO

A Dama de Ferro era uma espécie de sarcófago com espinhos metálicos na face interna das portas. Estes espinhos não atingiam aos órgãos vitais da vítima, mas feriam gravemente. Mesmo sendo um método de tortura, era comum que as vítimas fossem deixadas lá por vários dias, até que morressem lenta e dolorosamente.

A primeira referência confiável de uma execução com a Dama de Ferro, data de 14 de Agosto de 1515. A vítima era um falsificador de moedas.

BERÇO DE JUDAS

O Berço de Judas era uma peça metálica em forma de pirâmide sustentada por hastes. Ao ser sustentada por correntes, a vítima era colocada “sentada” sobre a ponta da pirâmide. O afrouxamento gradual ou brusco da corrente manejada pelo executor fazia com que o peso do corpo pressionasse e ferisse o ânus, a vagina, o cóccix ou o saco escrotal da vítima.

GARFO

O Garfo era uma haste metálica com duas pontas em cada extremidade semelhantes a um garfo. Ao ser preso por uma tira de couro ao pescoço da vítima, o garfo pressionava e perfurava a região abaixo do maxilar e acima do tórax, limitando os movimentos. Este instrumento era usado como penitência para o herege.

GARRAS DE GATO

As Garras de Gato eram uma espécie de rastelo, ferramenta de jardinagem utilizada para recolher folhas, detritos e dar acabamento à terra, o qual pode ser denominado também de ancinho, que eram utilizadas para açoitar a carne dos prisioneiros.

PERA

A Pera era um instrumento metálico em formato semelhante ao da fruta. O instrumento era introduzido na boca, no ânus ou na vagina da vítima, que se expandia gradativamente. Esse instrumento de tortura era utilizado para punir principalmente aos condenados por adultério, homossexualismo, incesto ou “relação sexual com Satã”.

MÁSCARAS

As Máscaras de metal eram utilizadas para punir os delitos de menor porte. As vítimas eram obrigadas a se exporem publicamente usando máscaras de metal. Neste caso, o incômodo físico era bem menor do que a execração pública.

CADEIRA

A Cadeira era uma peça coberta por pregos, na qual a vítima era obrigada a se sentar completamente despida. Além do próprio peso do corpo, cintos de couro pressionavam a vítima contra os pregos, intensificando o sofrimento. Em outras versões, a Cadeira possuía uma bandeja na parte inferior, onde se depositavam brasas. Assim, além da perfuração pelos pregos, a vítima sofria também com queimaduras provocadas pelo calor das brasas.

CADEIRA DAS BRUXAS

A Cadeira das Bruxas era uma espécie de cadeira na qual a vítima era presa de costas no acento e com as pernas voltadas para cima, no encosto. Este recurso era utilizado para imobilizar a vítima e intimidá-la com outros métodos de tortura.

CAVALETE

O Cavalete era uma peça que posicionava a vítima de modo que as suas costas ficassem apoiadas sobre o fio cortante do bloco. Os braços eram presos aos furos da parte superior e os pés eram presos às correntes da outra extremidade. O peso do corpo pressionava as costas do condenado sobre o fio cortante.

Estando a vítima nessa posição, o torturador a obrigava a ingerir água através de um funil ou de um chifre oco introduzido em sua boca, ao mesmo tempo em que tapava o seu nariz, impedindo o fluxo de ar e provocando o sufocamento. Há ainda registros de que o torturador golpeava o abdômen da vítima, danificando os seus órgãos internos.

ESMAGA-CABEÇA

O Esmaga-cabeça era tipo um capacete, em que a parte superior desse mecanismo pressionava a cabeça da vítima de encontro a uma base na qual era encaixado o maxilar, através de uma rosca girada pelo torturador.

Apesar de ser um instrumento de tortura, há registros de que vítimas fatais tiveram os crânios literalmente esmagados por esse processo. Neste caso, por ser menos resistente, o maxilar era destruído em primeiro lugar, para logo após o crânio se romper, deixando fluir a massa cerebral por todos os lados.

QUEBRADOR DE JOELHOS

O Quebrador de Joelhos era um aparelho relativamente simples, composto por placas paralelas de madeira unidas por duas roscas. À medida que as roscas eram apertadas pelo torturador, as placas pressionavam os joelhos progressivamente, até esmagar a carne, músculos e ossos, cujas placas podiam conter ainda pequenos cones metálicos pontiagudos,.

Esse tipo de tortura era feito usualmente por sessões. Após algumas horas, a vítima já com os joelhos bastante debilitados, era submetida a novas sessões.

MESA DE EVISCERAÇÃO

A Mesa de Evisceração era um tipo de mesa em que a vítima era presa sobre ela, de modo que as mãos e os pés ficassem totalmente imobilizados. O torturador, então, produzia manualmente uma incisão sobre o abdômen da vítima. Através desta incisão, era inserido um pequeno gancho feito um anzol preso a uma corrente no eixo, que extraía, aos poucos, os órgãos internos da vítima à medida que o torturador girava o eixo.

PÊNDULO

O Pêndulo era um dos instrumentos mais simples e comuns utilizados na Idade Média. A vítima era posta com os braços para traz, os seus pulsos eram amarrados como algemas por uma corda que se estendia até uma roldana e um eixo. A corda, então, era puxada violentamente pelo torturador através deste eixo, deslocando os ombros e provocando diversos ferimentos nas costas e nos braços da vítima.

Era também comum que o torturador elevasse a vítima a certa altura e a soltasse repentinamente, interrompendo a queda logo em seguida. Deste modo, o impacto produzido provocava ruptura das articulações e fraturas dos ossos. E para que o suplício fosse ainda mais intensificado, amarrava-se alguns pesos às pernas da vítima, provocando ferimentos também nos membros inferiores. O Pêndulo era utilizado como sendo uma forma de pré-tortura, antes mesmo do julgamento.

POTRO

O Potro era uma espécie de mesa com orifícios laterais. A vítima era deitada sobre a mesa e os seus membros, constantes das partes mais resistentes das pernas e dos braços, como panturrilha e antebraço, eram presos por cordas através dos orifícios. As cordas eram giradas como uma manivela, produzindo um efeito tipo torniquete, pressionando progressivamente os membros da vítima.

Na legislação espanhola, por exemplo, havia uma lei que regulamentava um número máximo de cinco voltas na manivela, a fim de que a vítima não sofresse sequelas irreversíveis, caso fosse considerada inocente. Mas, mesmo assim, era comum os torturadores excederem em muito a esse limite, incitados pelos interrogadores, com a vítima tendo a carne e os ossos esmagados por esse meio de tortura.

 

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