15.03.01.08- O anglicanismo

Prolegômenos
28 de junho de 2018 Pamam

O termo anglicano tem a sua origem em ecclesia anglicana, uma expressão medieval latina que remonta ao ano de 1246, aproximadamente, e que significa Igreja Inglesa, por isso é a designação de uma tradição dentro do falso cristianismo que inclui a Igreja da Inglaterra, assim como também outras igrejas que são historicamente ligadas a ela, ou ainda que tenham crenças, práticas e estruturas semelhantes. Os adeptos do anglicanismo são denominados de anglicanos, os quais fazem parte da Comunhão Anglicana, de âmbito internacional. No entanto, existem algumas igrejas alheias à Comunhão Anglicana, mas que se consideram também anglicanas, mais particularmente aquelas que se designam por igrejas do Movimento Anglicano Contínuo.

A fé credulária dos anglicanos tem por base as escrituras, as tradições da Igreja apostólica, da sucessão apostólica, que é o episcopado histórico, e dos pais iniciais da Igreja. O anglicanismo é um dos ramos do falso cristianismo ocidental, tendo declarado a sua independência do pontificado romano no período da regulamentação credulária de Isabel I, que é designada por monastismo britânico. Muitos dos formulários anglicanos dos meados do século XVI são semelhantes àqueles do protestantismo reformado contemporâneo. Estas reformas na Igreja da Inglaterra foram vistas pelo arcebispo da Cantuária, Thomas Cranmer, como um meio termo entre duas das tradições protestantes emergentes, nomeadamente o luterismo e o calvinismo. No final do século, a manutenção no anglicanismo de muitas formas litúrgicas tradicionais e o episcopado eram vistos como inaceitáveis por aqueles que divulgavam os princípios do protestantismo.

Na primeira metade do século XVII, a Igreja da Inglaterra e outras igrejas episcopais associadas na Irlanda e nas colônias inglesas na América, foram apresentadas por teólogos anglicanos como tendo uma tradição diferente, com teologias, estruturas e formas de preces que representavam um meio termo diferente entre a Reforma Protestante e o Catolicismo Romano, em uma perspectiva que se tornaria muito influente nas teorias da identidade anglicana, tendo sido expressa na descrição Catholic and Reformed. No seguimento da Revolução Americana, as congregações anglicanas nos Estados Unidos e no Canadá foram ambas reorganizadas em igrejas autônomas, com os seus próprios bispos e estruturas autônomas, tendo sido estas adaptadas como modelo a muitas recém-criadas igrejas, em particular na África e nas regiões do Pacífico, com a expansão do Império Britânico e a atividade das missões ditas cristãs. No século XIX, o termo anglicanismo era utilizado para descrever a tradição credulária comum dessas igrejas com a Igreja Episcopal Escocesa, embora com origem na Igreja da Escócia, acabando por ser reconhecida como também partilhando da mesma identidade comum.

O grau de distinção entre as tendências reformistas e o catolicismo ocidental dentro da tradição anglicana, habitualmente, é uma matéria de debate tanto no seio das igrejas anglicanas como na Comunhão Anglicana. Há séculos que o Book of Common Prayer é o livro de preces utilizado na maioria das igrejas anglicanas, embora tenha passado por várias revisões e tenham sido elaborados outros livros de preces em diversos países, ele continua a ser reconhecido como sendo um elo na Comunhão Anglicana.

Não existe uma única igreja anglicana com autoridade jurídica universal, pois cada igreja nacional, ou regional, tem autonomia total. Como o nome sugere, as Igrejas da Comunhão Anglicana estão ligadas por laços afetivos e por lealdade. Estão em comunhão total com a Sé da Cantuária e, por conseguinte, com o arcebispo da Cantuária, pessoalmente, sendo um ponto de convergência da unidade anglicana. Com um total estimado de 80 milhões de membros, a Comunhão Anglicana é a terceira maior comunhão dita cristã no mundo, atrás da Igreja Católica Apostólica Romana e da Igreja Ortodoxa. O anglicanismo apresenta uma fusão de elementos católicos com elementos calvinistas.

 

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