15.03.01.07- O protestantismo

Prolegômenos
28 de junho de 2018 Pamam

O protestantismo se desenvolveu tanto neste mundo que se tornou um dos principais ramos credulários do falso cristianismo, juntamente com a Igreja Católica e a Igreja Ortodoxa. O movimento protestante teve o seu início na Europa Central, no começo do século XV, como uma reação contra as doutrinas e as práticas do catolicismo romano medieval. Os protestantes são também conhecidos pela denominação de evangélicos, juntamente com os pentecostais e os neopentecostais, que são oriundos de Igrejas Protestantes.

No contexto brasileiro, o termo protestante é utilizado para se referir às igrejas oriundas direta e contemporaneamente da Reforma Protestante, como a Luterana, a Presbiteriana, a Anglicana, a Metodista e a Congregacional. Já o termo evangélico é utilizado para se referir a todas elas, com a exceção da Anglicana e as indiretamente posteriores que são oriundas da Reforma, que são as Pentecostais e as Neopentecostais, embora popularmente o termo também seja utilizado para elas. Mas por preferência de nomenclatura, muitos costumam utilizar o termo protestante, e outros o termo evangélico. No entanto, todo protestante é evangélico, mas nem todo evangélico é protestante, mas popularmente todos são a mesma coisa, pois que que todos seguem as seitas oriundas do catolicismo.

As doutrinas das inúmeras denominações das seitas protestantes variam entre si, mas muitas incluem a justificação por graça mediante somente da fé credulária, conhecida como Sola fide, o sacerdócio de todos os crentes, e a Bíblia como sendo a única regra em matéria de fé credulária e de ordem, conhecida como Sola scriptura. No entanto, dado o intenso comércio que sempre existiu no meio de todos os credos e seitas, através dos dízimos, das ofertas, das mensalidades, das caridades, das contribuições, ou de outros nomes inventados pelos sacerdotes com o fim arrecadatório, muitos seres humanos se considerando espertos se propõem a fundar as suas próprias igrejas, praticando um verdadeiro estelionato, com a única finalidade de enriquecer. Por isso, é muito comum hoje em dia, as pessoas observando o enriquecimento ilícito desses seres humanos que se fazem a si mesmos de sacerdotes, em tons de brincadeira e de gozação, assim se expressarem:

Eu vou fundar uma igreja protestante para mim, que é a única maneira de eu ficar rico bem depressa”.

No século XVI, os seguidores de Martinho Lutero fundaram igrejas luteranas na Alemanha e na Escandinávia. As igrejas reformadas, ou presbiterianas, na Suíça e na França foram fundadas por João Calvino e também por reformadores como Ulrico Zuínglio. Thomas Cranmer reformou a Igreja da Inglaterra e depois John Knox fundou uma comunhão calvinista na Igreja da Escócia.

O termo protestante é derivado do latim protestari, que tem o significado de declaração pública, ou protesto, referindo-se à carta de protesto por príncipes luteranos contra a decisão da Dieta de Speyer, de 1529, que reafirmou o Édito de Worms, de 1521, banindo as 95 teses de Martinho Lutero do protesto contra algumas crenças e práticas da Igreja Católica do século XVI. O termo protestante não foi inicialmente aplicado aos reformadores, mas foi utilizado posteriormente para descrever todos os grupos que protestavam contra a Igreja Católica. Desde aquele tempo, o termo protestante tem sido utilizado em diversos sentidos, muitas vezes como um termo geral para significar apenas os falsos cristãos que não pertencem à Igreja Católica Ortodoxa ou Ortodoxa Oriental.

Os reformadores eram seres humanos detentores de uma vasta cultura, sendo eles versados em Teologia e tidos como humanistas, como Lutero, que foi monge e professor universitário da Bíblia, Calvino, que estudou em Sorbonne e o seu pai era bispo, e Ulrico Zuínglio, que era sacerdote e humanista. De acordo com o programa dos humanistas, eles buscaram nas fontes da antiguidade dita cristã as bases para uma renovação credulária. Lendo a Bíblia e retornando aos Pais da Igreja, descobriram uma nova visão da fé credulária e uma doutrina bíblica tida como sendo centrada em Jesus, o Cristo.

Além da Alemanha, na Suíça de fala alemã, Ulrico Zuínglio, Johannes Oekolampad e outros começaram também uma tentativa de Reforma da Igreja Católica de caráter mais urbano e enriquecida pelo humanismo de Erasmo de Roterdã. A Igreja da Inglaterra não se deixou influenciar pelo protestantismo, pelo menos no primeiro momento, mas depois da sua quebra com a Igreja de Roma, começou uma aproximação com os ideais reformadores. Atualmente, a maior parte das Igrejas da Comunhão Anglicana se declara Reformada.

Apesar da sua grande diversidade, o protestantismo apresenta elementos em comum. A Bíblia é considerada como sendo a única fonte de autoridade doutrinal e deve ser interpretada de acordo com as regras históricas e linguísticas, observando-se o seu significado dentro de um contexto histórico. A salvação é entendida como sendo um dom gratuito do deus bíblico alcançado mediante a fé credulária. No entanto, as boas obras não são causas da salvação, pois que são resultados da fé credulária e não da salvação. Os cultos sempre são no idioma vernáculo e em sua grande maioria são simples, tendo como base as escrituras ditas sagradas. O protestantismo histórico conserva as crenças ditas cristãs, sendo todas elas ortodoxas, tais como a doutrina trinitária, a cristologia clássica, o credo niceno-constantinopolitano, entre outros.

Os protestantes expressam as suas posições doutrinais por meio de confissões de fé e breves documentos apologéticos. A Confissão de Augsburgo expressa a doutrina luterana. As confissões reformadas incluem a Confissão Escocesa, de 1560, a segunda Confissão Helvética, de 1531, a Confissão de Fé de Westminster, de 1647, os 39 Artigos de Religião da Igreja da Inglaterra, de 1562, e outras. As Declarações de Barmen contra o regime nazista e a Breve Declaração de Fé da Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos, são exemplos de declarações de fé credulária mais recentes.

O ensino credulário tem como base o estudo de catecismos. No luteranismo se faz uso do Catecismo Maior e Menor de Lutero. O Catecismo de Heidelberg e o Catecismo Maior e Menor de Westminster são utilizados pelas Igrejas Reformadas, como a presbiteriana. O protestantismo rejeita partes das doutrinas que caracterizam o catolicismo, tais como o purgatório, a supremacia papal, as orações pelos mortos, a intercessão dos santos, a Assunção de Maria e a sua virgindade perpétua, a veneração dos santos, a transubstanciação, o sacrifício da missa, o culto às imagens, e outras.

Mas o protestantismo segue a doutrina agostiniana da eleição, em sua maior parte. Estabelece que a salvação é pela graça de Jeová, o deus bíblico, ignorando completamente que o local de salvação para onde eles vão é o astral inferior. Para eles, a autoridade das suas igrejas está vinculada à obediência da palavra desse mesmo deus bíblico e não à sucessão apostólica. Em assim sendo, a igreja dita cristã existe onde se escuta e obedece a palavra do seus deus. A difusão das representações imaginativas protestantes foi facilitada pela invenção da imprensa, que tornou possível a divulgação e a tradução da Bíblia nas línguas vernáculas. Desde então, as doutrinas ditas cristãs passaram a necessitar do aval bíblico.

No Concílio de Trento, os bispos católicos partidários de Roma optaram por limitar o acesso laico às escrituras, proibindo a tradução da Bíblia para o vernáculo e impondo a Vulgata — a tradução em latim da Bíblia aprovada pela Igreja, feita no século IV, segundo a versão grega dos Setenta e em grande parte obra de São Jerônimo — como sendo a única Bíblia autorizada e aumentando o índice de livros proibidos aos fiéis.

A Reforma Protestante alcançou êxito em muitas áreas da Europa. Em sua forma Luterana é predominante no norte da Alemanha e em toda a península Escandinava. Na Escócia, surgiu a Igreja Presbiteriana. As Igrejas Reformadas também frutificaram nos Países Baixos, na Suíça e no oriente da Hungria. Com os desenvolvimentos dos impérios europeus, principalmente o Império Britânico, nos séculos XIX e XX, o protestantismo continuou a se expandir, tornando-se uma fé credulária de escala mundial. Atualmente mais de 970 milhões de pessoas professam alguma das diferentes manifestações do protestantismo no mundo.

Em suas diferentes manifestações pelo mundo, o protestantismo assumiu três formas básicas: a luterana; a calvinista e a zwingliana; tidas como reformadas; além da forma anglicana. Diferentemente do catolicismo, o protestantismo não possui organização centralizadora, mas as suas igrejas estão organizadas em igrejas nacionais e em concílios internacionais como a Federação Luterana Mundial, a Aliança Mundial de Igrejas Reformadas e a Comunhão Anglicana.

O trabalho missionário do século XIX levou a uma cooperação interdenominacional e, consequentemente, ao movimento ecumênico do qual surgiu o Conselho Mundial de Igrejas. Além desse protestantismo, que vários estudiosos denominam de protestantismo magisterial, surgiu outro ramo que se distinguiu tanto do catolicismo como das igrejas protestantes de caráter histórico nacionalista. Este ramo recebe a denominação de Reforma Radical. Dentro desta reforma radical, o historiador George Williams distingue as seguintes correntes: espiritualistas, racionalistas e anabatistas. Estas últimas correntes rechaçaram a união da Igreja com o Estado e repudiaram o batismo infantil, constituindo-se em igrejas independentes ou segregadas. A maior aportação à modernidade descansaria em sua persistente promoção da separação entre a igreja e o Estado, a liberdade credulária pessoal e o exercício de um governo plenamente democrático em suas congregações.

Os cinco princípios fundamentais do protestantismo são os seguintes:

  1. Sola Scriptura (Somente a Escritura):
    1. É o princípio pelo qual a Bíblia tem primazia em relação à tradição legada pelo magistério da Igreja, quando os princípios doutrinários estre uma e outra forem conflitantes, assim como Martinho Lutero afirmou quando a ele foi pedido para que voltasse atrás em seus ensinamentos: “portanto, a menos que eu seja convencido pelo testemunho das Escrituras ou pelo mais claro raciocínio; a menos que eu seja persuadido por meio das passagens que citei; a menos que assim submetam a minha consciência pela Palavra de Deus, não posso me retratar e não me retratarei, pois é perigoso a um cristão falar contra a consciência. Aqui permaneço, não posso fazer outra coisa; Deus queira me ajudar. Amém”. O protestantismo defende também a interpretação privada ou o juízo privado dos textos bíblicos, cujo conceito foi posto por Lutero em outubro de 1520, quando enviou o seu escrito A Liberdade de um Cristão ao papa, acrescentando a significativa frase “eu não me submeto a leis ao interpretar a palavra de Deus”. Em outra ocasião, Lutero também disse que “é sempre melhor ver com os nossos próprios olhos do que com os olhos de outras pessoas”. O historiador William Sweet sugeriu que isso originou posteriormente o direito fundamental de liberdade credulária, bem como a própria ideia de democracia, esquecendo-se que esta já era praticada na Grécia há quase um milênio antes;
  2. Sola Gratia (Somente a Graça ou a Salvação Pela Graça):
    1. Este princípio afirma que a salvação é alcançada apenas pela graça do deus bíblico, e que os seres humanos são resgatados da sua ira apenas pela sua graça. A graça desse deus em Jesus, o Cristo, não é meramente necessária, mas é a única causa eficiente da salvação. Esta graça é a obra sobrenatural do Espírito Santo, que traz Jesus, o Cristo, à humanidade e a faz soltar da servidão do pecado e levantar da morte espiritual para a vida espiritual;
  3. Sola Fide (Somente a Fé ou a Salvação Somente Pela Fé):
    1. Este princípio afirma que a justificação é pela graça que se realiza somente através da fé credulária, somente por causa de Jesus, o Cristo. É pela fé em Jesus, o Cristo, que a sua justiça é imputada aos seres humanos como a única satisfação possível da perfeita justiça do seu deus;
  4. Solus Christus (Somente Cristo):
    1. Este princípio afirma que a salvação é encontrada somente em Jesus, o Cristo, e que unicamente a sua vida sem pecado e expiação substitutiva são suficientes para a justificação e a reconciliação dos seres humanos com o deus bíblico. O evangelho não foi pregado se a obra substitutiva de Jesus, o Cristo, não foi declarada, assim como também a fé credulária em Jesus, o Cristo, e a sua obra não forem propostas;
  5. Soli Deo Gloria (Gloria Somente a Deus):
    1. Este princípio afirma que a salvação é fornecida pelo deus bíblico, e que somente pode ser alcançada por esse deus, apenas para a sua glória.

São marcantes as diferenças entre a doutrina católica e as doutrinas da maioria dos grupos protestantes. De uma maneira geral, as suas divergências mais significativas dizem respeito ao papel das preces, das indulgências, da comunhão dos santos, do pecado original, da graça, da predestinação, da necessidade e natureza da penitência e do modo de se obter a salvação. Como os protestantes defendem que a salvação somente pode ser auferida através da fé credulária, que é o seu ponto de apoio para arrecadar cada vez mais dos seus prosélitos, em detrimento da crença católica de que a fé credulária deve também ser expressa através de boas obras, essa grande divergência levou a um conflito sobre a doutrina da justificação, que em Teologia é a ação ou o efeito da graça que torna os homens justos, tal como se fosse uma restituição à graça divina.

Há também diferenças marcantes na doutrina da eucaristia e dos outros sacramentos, uma vez que os protestantes somente professam o batismo e a eucaristia, além do rito sacramental da confirmação, que também é conhecido como catecumenato, ou seja, o estado do catecúmeno, no tempo em que os neófitos se instruem nos princípios das suas seitas, antes de receberem o batismo.

No entanto, como entre as denominações protestantes há diferenças consideráveis, existem alguns setores do anglicanismo que se aproximam do catolicismo, por isso eles são denominados de anglo-católicos. Em 1999, o diálogo ecumênico moderno ocasionou alguns consensos sobre a doutrina da justificação entre os católicos e os luteranos, através da Declaração Conjunta Sobre a Doutrina da Justificação. Além disso, esse diálogo trouxe também vários consensos sobre outras questões doutrinárias tidas como importantes, nomeadamente entre os católicos e os anglicanos.

Entre cerca de 2,6 bilhões de credulários que se dizem cristãos atualmente no mundo, sem que ninguém tenha a mínima ideia do que seja realmente ser cristão, já que todos vão encontrar uma tremenda dificuldade até para serem antecristãos, estima-se que atualmente exista cerca de 970 milhões de protestantes. Os Estados Unidos é o país com o maior número de protestantes, já que a maior parte dos estadunidenses pertence a alguma seita protestante. Em segundo lugar, encontra-se o Reino Unido, que é de clara maioria protestante, estando divididos entre anglicanos, com maioria na Inglaterra, e presbiterianos, com maioria na Escócia.

Na América do Sul, os principais grupos começaram a se estabelecer no século XIX. Os luteranos estabeleceram a primeira congregação no Brasil, em 1824. Os presbiterianos se instalaram no Brasil, em 1859, na Argentina, em 1836, no México, em 1872, e na Guatemala, em 1882. Os metodistas seguem um itinerário parecido, tendo se instalado no Brasil, em 1886, no México, em 1871, nas Antilhas, em 1890, na Costa Rica, no Panamá e na Bolivia nos últimos anos do século XX.

 

Continue lendo sobre o assunto:

Romae