15.03.01.05- A iconoclastia

Prolegômenos
28 de junho de 2018 Pamam

O termo iconoclasta é proveniente do grego eikon, imagem, e klasmos, ação de quebrar, sendo, pois, os seus seguidores os destruidores de imagens ou de ídolos, e, por extensão, aqueles que não respeitam os monumentos, que os derrubam e os destroem. A iconoclastia foi um movimento credulário contra a veneração de ícones e imagens credulárias no Império Bizantino, que começou no início do século VIII e perdurou até o século IX. Os iconoclastas acreditavam que as imagens sacras seriam ídolos, e a veneração e o culto de ícones, em consequência, seriam uma idolatria.

No entanto, em oposição à iconoclastia, existe a iconofilia, termo proveniente do grego eikon, imagem, e philos, amigo, que são os veneradores de imagens credulárias, tendo por base a Bíblia, por intermédio do seguinte pensamento:

Não por crer que lhes seja inerente alguma divindade ou poder que justifique tal culto, ou porque se deva pedir alguma coisa a essas imagens ou depositar confiança nelas como antigamente faziam os pagãos, que punham sua esperança nos ídolos, mas porque a honra prestada a elas se refere aos protótipos que representam, de modo que, por meio das imagens que beijamos e diante das quais nos descobrimos e prostramos, adoramos a Cristo e veneramos os santos cuja semelhança apresentam”.

Em 730, o imperador Leão III, o Isáurio, proibiu a veneração de ícones. Como resultado dessa proibição, ocorreu a destruição de milhares e milhares de ícones pelos iconoclastas, bem como mosaicos, afrescos, estátuas de santos, pinturas, ornamentos no altares das igrejas, livros com gravuras e inumeráveis obras de arte. A iconoclastia foi oficialmente reconhecida pelo Concílio de Hieria, em 754, apoiado pelo imperador Constantino V, com os iconoclastas sendo severamente combatidos, especialmente os monges. O concílio não teve a participação da Igreja Ocidental, tendo sido desaprovado pelos papas, o que provocou um novo cisma. Posteriormente, a imperatriz Irene, viúva de Leão IV, o Cazar, em 787, convocou o Segundo Concílio de Niceia, que aprovou o dogma da veneração dos ícones e recuperou a união com a Igreja Ocidental. Após ela, os imperadores Nicéforo I e Miguel I seguiram com a veneração. No entanto, a derrota de Miguel I na guerra contra os búlgaros, em 813, levou ao trono Leão V, o Armênio, que renovou a iconoclastia.

Durante a regência da imperatriz Teodora, João VII, o iconoclasta patriarca de Constantinopla, foi deposto, e em seu lugar assumiu o defensor da veneração Metódio I. Em 843, sob a sua presidência, ocorreu outro concílio, que aprovou e subscreveu todas as definições do Segundo Concílio de Niceia, então excomungou novamente aos iconoclastas. Em 843, foi definido ao mesmo tempo a proclamação da memória eterna da ortodoxia e o anatematismo contra os hereges, que são as bulas, os cânones e os escritos que contêm anátemas, as sentenças de excomunhão ou execração, ainda por intermédio da Igreja Ortodoxa, atualmente o Domingo da Ortodoxia, ou o Triunfo da Ortodoxia.

Os registros das comunidades ditas cristãs mais primitivas, especialmente das catacumbas, indicam que eles representavam Jesus, o Cristo, com imagens e iconografias, como um peixe, cenas bíblicas e outros ícones mais representando santos e anjos. Nos dois primeiros séculos, há poucas esculturas e estátuas, uma vez que elas eram mais difíceis de serem elaboradas, além de custarem muito caro. Mas a partir do século II, surgem diversos exemplos do seu uso pelos fiéis. Os falsos cristãos também oravam pelos mortos e acreditavam na intercessão dos santos, sendo que essas práticas já eram conhecidas por alguns antigos grupos judeus, o que se especula que o falso cristianismo pode ter tomado a sua prática similar.

Diversos sacerdotes da Igreja atestam essa doutrina. No século IV, as basílicas e os demais templos ditos cristãos eram comumente decorados com ícones e mosaicos nas paredes. Nessa mesma época, Basílio, o Grande, bispo de Cesareia, atual Kayseri, referindo-se ao mártir Barlaam, incentiva aos artistas a retratarem a vida de um santo. São João Crisóstemo também sobre a distribuição de imagens de São Melécio de Antioquia e Teodoreto de Ciro, relata que retratos de São Simeão eram vendidos em Roma.

Mas apesar desse apoio a representação de pessoas santas e acontecimentos da história bíblica e eclesiástica, nesse mesmo período surgem as primeiras objeções contra o uso de ícones, como é o caso de Eusébio de Cesareia, o qual fala negativamente sobre o desejo da irmã do imperador ter um ícone de Jesus, o Cristo. Ao ver na igreja um véu com a imagem de um homem, Epifânio o rasgou e o deu para cobrir o caixão de um mendigo. Na Espanha, o Concílio de Elvira ocorrido no início do século IV, aprovou uma resolução contra as pinturas murais em todas as igrejas.

Até o início do século VI, surgiram outras posições iconoclastas, devido a expansão do monofisismo, uma doutrina que tinha a crença em Jesus, o Cristo, como tendo uma só natureza, a divina. Severo de Antioquia, o líder monofisista, era contra os ícones de Jesus, o Cristo, da Virgem Maria, dos santos e até mesmo da imagem do Espírito Santo como uma pomba, cuja imagem de pomba foi inventada pelo astral inferior, como mostrarei através de imagens, no site pamam.com.br. Apesar da amplitude desse movimento, surgiram diversos santos e outras personalidades em favor da veneração de ícones, como Anastácio do Sinai, que escreveu em defesa dos ícones, e Simeão Estilita, o Moço, queixou-se ao imperador Justiniano II de ofender os ícones do filho de Deus e da Santíssima e Gloriosa Virgem. No final do século VI e início do século VII, houve em algumas regiões o fortalecimento da iconoclastia, como em Marselha, em que o bispo Soren, em 598, destruiu todos os ícones da igreja, o que fez com que o papa Gregório Magno escrevesse a ele sobre o acontecido, elogiando o zelo para a luta contra a superstição, mas exigiu que os ícones fossem restaurados, uma vez que os fiéis eram pessoas comuns, por isso, ao invés de livros, eles compreendiam o verdadeiros caminho através dos ícones. E aqui se pode claramente constatar o pensamento dos sacerdotes em relação aos seus arrebanhados.

O crescimento da iconoclastia surgiu especialmente em áreas do império que faziam fronteiras com os territórios dos árabes do Islã, que eram hostis a imagens. Nesses locais, o sincretismo também originou diversas outras heresias ditas cristãs, tais como o montanismo e o marcionismo. Uma vez que os seguidores do Islã consideravam os ícones como sendo ilegais, os imperadores bizantinos fizeram concessões iconoclastas, buscando uma convivência pacífica com os muçulmanos. Assim, o imperador Filípico, antes da sua expulsão, em 713, aprovou uma lei contra a veneração dos ícones.

Os estudiosos do assunto apontam as principais causas da iconoclastia por intermédio de dois grupos, que são os seguintes:

  1. A associação com o judaísmo e o Islã:
    1. Através da iconoclastia, os imperadores bizantinos desejam destruir um dos principais obstáculos para a aproximação dos falsos cristãos com os judeus e os muçulmanos, os quais possuem uma atitude negativa para com os ícones, facilitando assim a subordinação dos povos do império que professavam a esses credos.
  2. A luta da influência da Igreja:
    1. Até o século VIII, a influência da Igreja no império cresceu substancialmente, havendo um aumento significativo na quantidade de propriedades da Igreja e dos mosteiros. Por essa razão, os imperadores iconoclastas desejavam desviar os recursos humanos e o dinheiro da Igreja para o Estado. E como a influência econômica dos mosteiros provinha principalmente da confecção de imagens, a sua fabricação foi proibida, como também a sua veneração, assim como muitas propriedades e mosteiros foram confiscados.

Em muitas regiões, os iconoclastas queimaram os ícones nas paredes dos templos, destruindo mosaicos e afrescos, bem como livros com temas ditos cristãos. Um dos casos mais conhecidos desse vandalismo foi a destruição da decoração da Igreja de Santa Maria de Blaquerna, com uma obra da época sobre o assunto relatando que “os ícones foram jogados uns no pântano, outros no mar, e outros no fogo”.

O assédio dos iconoclastas afetou, sobremaneira, o monarquismo bizantino, já que Constantino V publicamente tomou partido em favor da iconoclastia, por isso os seus partidários maltrataram e perseguiram monges, com muitos deles perecendo golpeados por chicotes e até por espadas, com vários ficando cegos, e, em outros casos, sendo jogados cera e óleo na barba, para depois nela atearem fogo, queimando o rosto e a cabeça. Depois de muitas torturas, um grande número foi mandado para o exílio. Em uma das perseguições contra os iconófilos, antes das suas execuções, os monges eram forçados a comparar os seus templos com o templo de Diocleciano. Em 25 de agosto de 766, vários iconófilos foram publicamente ridicularizados e 19 dignatários foram punidos. No entanto, várias das vítimas da perseguição foram mais tarde canonizados, como André de Creta e outros.

Agora vejam só o que a imaginação não é capaz de fazer. Enquanto uns são afeitos a imagens, para que possam ver com os olhos da cara os seus próprios ídolos nelas representados, outros são totalmente contrários, considerando que a imagens feitas com materiais denigrem as imagens que têm dos seus ídolos, cujas imagens se encontram representadas em seus corpos mentais, mais propriamente na imaginação, com ambos os lados sendo afeitos aos ídolos, portanto, ao sobrenatural.

 

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