15.03.01.04- O pelagianismo

Prolegômenos
28 de junho de 2018 Pamam

O termo pelagianismo é proveniente de Pelágio, nascido na Bretanha, com a seita tendo surgida no século V. O pelagianismo foi uma seita herética que negava o pecado original, a corrupção da natureza humana e a necessidade da graça divina para a salvação, afirmando que somente pelos méritos pode o ser humano alcançá-la, e o servo arbítrio, que para eles era o arbítrio escravizado, o arbítrio cativo.

Os pelagianos acreditavam que todo ser humano era totalmente responsável pela sua própria salvação, portanto, não necessitava da graça divina. Para eles todo ser humano nasce moralmente neutro, sendo capaz de por si mesmo se salvar quando assim o desejar, sem qualquer influência divina. Tal pensamento proporcionou uma das grandes disputas durante a Reforma Protestante, que versou sobre a natureza e a extensão do pecado original.

No século V, Pelágio havia debatido acirradamente com Agostinho de Hipona sobre esse seu pensamento. Agostinho de Hipona mantinha o pensamento de que o pecado original de Adão foi herdado por toda a humanidade, e que mesmo que o homem caído retenha a habilidade para escolher, ele ainda assim está escravizado ao pecado e não pode não pecar. Pelágio, pelo seu lado, insistia no pensamento de que a queda de Adão afetara apenas a Adão, e que se Deus exige das pessoas que vivam vidas perfeitas, Ele também dá a habilidade moral para que elas possam fazê-lo, e embora considerasse a Adão como sendo um mau exemplo para toda a sua descendência, as suas ações não teriam consequências para a mesma, sendo o papel de Jesus, o Cristo, definido pelos pelagianos como sendo um bom exemplo fixo para o resto da humanidade, contrariando assim o mau exemplo de Adão, bem como proporcionando uma expiação pelos seus pecados, tendo a humanidade, em suma, o total controle pelas suas ações. Posteriormente, Pelágio reivindicou que a graça divina era desnecessária para a salvação, embora facilitasse a obediência. Em decorrência, as sentenças pronunciadas contra essa imaginação pelo papa Inocêncio I, acabaram por classificá-la como sendo heresia.

O pelagianismo considerava que a situação da não salvação do homem seria apenas uma questão moral. Em sendo assim, Adão deu um mau exemplo que pode ou não ser seguido, como do mesmo modo Jesus, o Cristo, dá o bom exemplo, que também pode ou não ser seguido. Pelágio foi ainda contestado por Agostinho de Hipona e Jerônimo ao rejeitar o conceito agostiniano da graça.

As duas décadas da polêmica causada pelos pensamentos de Pelágio são divididas pelos estudiosos em três períodos, que são os seguintes:

  1. Período até 411: o período mais sugestivo proporcionado pela escassez de material, quando ele escreveu De Induratione Cordis Pharaonis, contendo o manifesto para a hermenêutica do seu falso cristianismo;
  2. Período de 414 a 418: o período em que se desencadeia a polêmica com tomadas de posições por parte dos concílios e dos sínodos, em que ele foi condenado pelo Concílio de Éfeso;
  3. Período de 418 a 430: o período em que vai até a desencarnação de Agostinho de Hipona, que polemiza com Juliano sobre o traducionismo, cujo termo é proveniente do latim traducere, que significa transmitir a doutrina de Tertuliano, segundo a qual seria a alma da criança gerada pela dos pais, da mesma forma que os corpos deles geram o corpo do filho, opondo-se ao criacionismo, que se ensina nos colégios credulários, ainda que a Igreja ainda não tenha se pronunciado contra o traducionismo, ao qual se inclinou Santo Agostinho, e que Lutero adotou. O confronto permitiu Santo Agostinho a produzir as suas obras sobre a liberdade humana, enquanto que o pelagianismo deixa de ser uma heresia para ser considerado como sendo uma visão do mundo pela humanidade.

 

Continue lendo sobre o assunto:

Romae