15.03.01.02- O maniqueísmo

Prolegômenos
28 de junho de 2018 Pamam

O maniqueísmo é o credo dos maniqueus, podendo ser também qualquer doutrina que opõe os dois princípios do bem e do mal. O maniqueísmo foi fundado por Mani, que muitos estudiosos consideram que foi um saperólogo, quando, na realidade, não o era, mas sim um misto de candidato a veritólogo com resquícios sacerdotais, que em seus estudos dividiu o mundo entre o bem, Deus, e o mau, o Diabo, não conseguindo perceber que Deus é a Inteligência Universal, o Todo, e que o bem e o mau obviamente se encontra no Todo, com o bem sendo praticado pelo Astral Superior e o mal sendo praticado pelo astral inferior e pelos seus instrumentos encarnados, daí a mistura da sua origem criptoscopial com o sacerdotismo, uma vez que em seus estudos se encontra o sobrenaturalismo. Para ele, o espírito é intrinsecamente bom, enquanto que a matéria é intrinsecamente má. Visto por um determinado ângulo, ele tem uma certa razão, pois quando encarnado o ser humano se apega fortemente à ilusória matéria e passa a pautar as suas ações com base em seus atrativos, esquecendo-se de que é espírito, por natureza, e que a sua alma está em formação, quer dizer, em evolução.

Quando o gnosticismo primitivo perdia a sua influência no mundo greco-romano, surgiu na Babilônia e na Pérsia, no século III, uma nova vertente, o maniqueísmo. O seu fundador, como dito, foi o persa Mani, considerado também por muitos como sendo profeta, o qual sincretizou elementos do zoroastrismo, do hinduísmo, do budismo, do judaísmo e do falso cristianismo. Considerando Zoroastro, Buda e Jesus, o Cristo, como sendo os pais da justiça, através de uma revelação divina, Mani pretendeu purificar e superar as mensagens individuais de cada um deles, anunciando uma verdade como se fosse completa, daí o fato dele ser candidato a veritólogo com uma mistura sacerdotal.

Em conformidade com a sua percepção, a fusão dos dois elementos primordiais, o bem e o mal, ou seja, o reino das luzes e o reino das trevas, teriam originado o mundo espiritual e o mundo material, respectivamente. Para poder redimir o ser humano da sua existência imperfeita, os pais da justiça haviam vindo à Terra, mas como a mensagem deles havia sido corrompida, o que tem a sua real procedência, Mani viera a este mundo a fim de completar a missão deles, como o paráclito prometido por Jesus, o Cristo, quer dizer, o Espírito Santo, o ajudador, o espírito da verdade, que hoje sabemos perfeitamente ser Luiz de Mattos, e com ele trouxera os segredos para a purificação da luz, apenas destinados aos eleitos que praticassem uma rigorosa vida ascética. Os impuros podiam no máximo vir a ser catecúmenos, ou seja, aqueles que se andam instruindo nos princípios do credo, sem auferirem a uma condição superior, ou, então, ouvintes, obrigados apenas à observância dos dez mandamentos.

As ideias maniqueístas se espalharam desde as fronteiras com a China até ao norte da África. No entanto, no final do século III, Mani acabou sendo crucificado, com os seus seguidores sofrendo perseguições na Babilônia e no Império Romano, neste último mais precisamente sob o governo do imperador Diocleciano, e, posteriormente, sob os governos dos imperadores ditos cristãos. Apesar da Igreja Católica ter condenado esta doutrina como sendo herética em diversos sínodos, desde o século IV, ela permaneceu viva até à Idade Média, tendo Santo Agostinho sido adepto do maniqueísmo até haver se decidido de vez pelo falso cristianismo católico.

Segundo os estudiosos, o dualismo maniqueísta tem a sua origem proveniente do elcasaísmo, do século II, os quais têm como prova dessa origem o fato de extratos do apocalipse de Elkasai se encontrarem no codex de Mani, conhecido como Vita Mani. No entanto, diferencia-se do dualismo gnóstico, uma vez que para este a divindade é superior ao demiurgo criador, enquanto que para aquele se trata de dois princípios igualmente poderosos, sem que haja subordinação, apenas igualdade de origens.

 

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