15.03.01.01- O gnosticismo

Prolegômenos
27 de junho de 2018 Pamam

O gnosticismo tanto pode ser encontrado no âmbito da Veritologia, através de uma doutrina, como no âmbito da Saperologia, através de um sistema, em que os veritólogos e os saperólogos adquirem um conhecimento e uma experiência profundos e verdadeiros acerca da natureza de Deus, quando conseguem passar por uma gnosiologia. No entanto, somente após ingressar no âmbito da Ratiologia, como foi o caso de Jesus, o Cristo, que forneceu os seus primeiros fundamentos, e também o meu, pois que sendo o seu maior seguidor eu também consegui adentrar nesse tratado de âmbito universal, procurando seguir o mais perto possível os seus rastros luminosos, sem me deixar jamais ofuscar com tanta luz, o espírito pode retirar de si mesmo tudo aquilo que se refere ao Criador, em função desse elevadíssimo estágio evolutivo, o qual com um esforço inaudito eu consegui alcançar, pelo fato dos espíritos e de Deus terem a mesma natureza, ou seja, serem compostos das mesmas Substâncias, quando então se pode conseguir identificar tudo aquilo que nos diferencia do Criador, já que somos inteligências em demanda da Inteligência Universal, mas em razão de Jesus, o Cristo, haver alcançado os limites da perfeição, ele pôde assim conseguir chamá-Lo de Pai, algo que também espero conseguir daqui a vinte séculos, aproximadamente.

No âmbito da Veritologia, todos podem comprovar até com certa facilidade o conhecimento que Luiz de Mattos, o veritólogo maior, o Ajudador, o Espírito Santo, o agora chefe da nossa humanidade, tinha acerca de Deus, para tanto, basta apenas ler a sua obra Vibrações da Inteligência Universal, em que ele revela tudo o que sabe a respeito do Criador, ao contemplar diretamente a natureza, que é o verdadeiro livro sagrado, por onde evoluem todos os seres, o qual foi escrito pelo verdadeiro Deus, não essa Bíblia mentirosa que foi inspirada pelo astral inferior, assim como também os demais livros tidos como sendo sagrados.

No âmbito da Saperologia, todos podem também comprovar, até com certa facilidade, o conhecimento e a experiência que demonstrei acerca de Deus, razão pela qual eu irei me deslocar da nossa humanidade para a outra que nos segue na esteira evolutiva do Universo, em atendimento ao estabelecimento do instituto do Cristo nessa humanidade, através da fundação do seu embrião, que é o Racionalismo Cristão, para que assim possa espiritualizá-la, através de um plano previamente por mim elaborado neste sentido. Tudo isso porque eu sei que Deus se encontra em mim mesmo, em conformidade com o meu atual estágio evolutivo, para esta comprovação basta apenas ler o capítulo mais acima denominado de A Realidade de Deus de Acordo com a Razão, em que eu revelo tudo o que sei a respeito do Criador, tirando tudo de mim mesmo, contemplando diretamente a minha própria alma, como assim não poderia jamais ser diferente, embora eu esteja apenas ainda engatinhando no tratado da Ratiologia.

E no âmbito da Ratiologia propriamente dita, já bem avançada, que ainda não me compete explanar em sua maior profundidade, pelo fato de ainda ser mais saperólogo do que ratiólogo, todos já são cientes de que Jesus, o Cristo, contemplou diretamente a Deus, e O chamou de Pai, por qual razão eu ainda não sei, mas que no futuro saberei.

A gnose, portanto, trata-se de um conhecimento ou de uma experiência de natureza transcendental, incomparavelmente superior aos conhecimentos e às experiências de natureza terrena, pelo fato dela provir da alta espiritualidade, estando diretamente ligada ao Saber, por excelência, por isso ela não pode ser de modo algum comparada às crenças vulgares, notadamente às crenças sobrenaturais inseridas nos credos e nas seitas em forma doutrinária pela classe sacerdotal, cuja classe é sempre intuída pelo astral inferior, que todos  denominam, equivocadamente, de religiões, pelo fato dessa classe malfeitora haver se apropriado indevidamente do termo, sabendo-se agora que as religiões são as legítimas fontes das ciências, com estas se encarregando de criar as experiências físicas com base nos conhecimentos metafísicos percebidos e captados por aquelas.

Por isso, os gnosímacos, já no século VII, que representavam os seres humanos que mais se destacaram no âmbito da inteligência, por serem os mais raciocinadores, repeliam com toda a veemência os conhecimentos provenientes dos credos e das suas seitas, que eram conhecidos como religiões, assim como também das experiências provenientes das ciências materialísticas, tachando-os de inúteis, no que estavam cobertos de razão, com menos ênfase para as ciências, que apesar de considerarem tudo como sendo matéria, pelos menos criam algo que seja útil para a nossa humanidade.

Sabendo-se agora o que seja realmente o gnosticismo, somente revelado em toda a sua profundidade por intermédio do espírito de Jesus, o Cristo, como também pelos espíritos de Luiz de Mattos e dos seus seguidores, e este explanador do Racionalismo Cristão, sendo Luiz de Mattos e este que ora se encontra explanando, apenas dois simples escribas, por obedecermos estritamente às ordens emanadas do Astral Superior, por isso somos os dois expoentes da nossa humanidade, em plena conformidade com o processo da evolução. No entanto, os nossos conhecimentos e as nossas experiências se encontram postos em escalas bem menores em relação aos conhecimentos e às experiências revelados por Jesus, o Cristo, o que implica em dizer que todos poderão agora compreender o gnosticismo que aflorou no seio deste nosso mundo-escola, em todas as escalas, tendo ocorrido também por intermédio de outros espíritos encarnados integrantes da nossa humanidade.

Assim, já se encontra inserido na compreensão dos seres humanos mais estudiosos e mais raciocinadores, que o gnosticismo se refere realmente ao conhecimento, àquele que tem o conhecimento, bastando incluir apenas as experiências.

Entretanto, o gnosticismo é considerado pelos estudiosos como sendo um conjunto de correntes filosófico-religiosas sincréticas que chegaram a se mimetizar com o dito cristianismo nos primeiros séculos desta Grande Era, que todos ignoram ser a Era da Veritologia, ou a Era da Verdade, sendo ele muitas vezes referenciado como sendo Alta Teologia, vindo então a ser declarado como sendo um pensamento herético, após uma etapa em que conheceu o prestígio entre os criptoscopiais e os intelectuais ditos cristãos. Em função disso, todos falam em um gnosticismo pagão e em um gnosticismo dito cristão, uma vez que esses pensamentos gnósticos mais significativos tenham sido alcançados como uma vertente heterodoxa do considerado cristianismo primitivo.

O gnosticismo foi inicialmente definido no contexto dito cristão, embora alguns estudiosos tenham suposto que ele se desenvolveu antes ou foram contemporâneos do dito cristianismo, mas não existem textos gnósticos até hoje descobertos que sejam anteriores a essecristianismo. No entanto, o estudo do gnosticismo e do falso cristianismo primitivo de Alexandria receberam um forte impulso a partir da descoberta da Biblioteca de Naq Hammadi, no ano de 1945.

O termo gnosticismo não aparece em fontes antigas, tendo sido ele cunhado por Henry More, em um comentário sobre os Sete Selos do Apocalipse. Henry More utilizou o termo gnosticisme para descrever a heresia em Tiatira, cuja cidade foi um importante centro comercial da Ásia Menor, conforme consta em Apocalipse 2:18-29, que diz o seguinte:

Conheço as tuas ações, e teu amor, e fé, e ministério, e perseverança, e que as tuas ações mais recentes são mais do que as anteriores… Quem tem ouvido ouça o que o espírito diz às congregações”.

Henry More utilizou esse termo gnosticisme no mesmo sentido em que o seu contemporâneo Henry Hammond utilizou a expressão gnostick-heresi. Esta última expressão vem da literatura heresiológica do início do falso cristianismo, especialmente de Irineu de Lyon. Isto ocorreu no contexto da obra de Irineu de Lyon, que é denominada de Contra Heresias, em que o termo utilizado para o conhecimento abrange vários grupos, não apenas ao grupo de Valentim de Alexandria — que por algum tempo foi o teólogo gnóstico do período do falso cristianismo primitivo de maior sucesso, e que, segundo Tertuliano, foi candidato a bispo, tendo iniciado o seu grupo quando outro candidato foi eleito em seu lugar —, e é uma citação do aviso do apóstolo Paulo contra o que ele considerava como objeções de uma falsa ciência, conforme Timóteo 6:20-21, que diz o seguinte:

Ó Timóteo, guarda o que te foi confiado, desviando-te dos falatórios vãos, que violam o que é santo, e das contradições do falsamente chamado ‘conhecimento’. Por ostentarem tal conhecimento, alguns se desviaram da fé”.

O termo comum de gnostikos em textos gregos clássicos tem o significado de aprendido ou de intelectual, como utilizado na comparação de praktikos, prático, e gnostikos, intelectual, no diálogo entre Platão, Sócrates e o jovem estrangeiro em Político. No entanto, o termo intelectual fica mais adequado, uma vez que o intelecto faz sobressair a compreensão, a qual não se coaduna em nenhuma hipótese com as crenças sobrenaturais, todas elas repletas de dogmas.

Durante o período helenístico, o termo passou também a ser associado a mistérios greco-romanos, tornando-se sinônimo do termo grego musterion. O adjetivo não é utilizado no Novo Testamento, mas Clemente de Alexandria, no livro 7 do seu Stromata, fala do culto dito cristão, gnostikos, em outros termos. No entanto, a utilização de gnostikos em relação à heresia tem a sua origem com as interpretações de Irineu de Lyon. Alguns estudiosos e pesquisadores, como A. Rousseau e L. Doutreleau, tradutores da edição francesa de 1974, consideram que Irineu de Lyon às vezes utiliza gnostikos para significar simplesmente intelectual.

A opção da utilização de Irineu de Lyon por um adjetivo comparativo mais aprendido, ou mais conhecedor, gnostikeron, não pode, evidentemente, significar mais gnóstico, assim como um nome. Entre os grupos que Irineu de Lyon identificou como intelectual, gnostikos, os seguidores das Marcellinas, os setianos, ou barbelo gnósticos, utilizam esse termo gnostikos a si mesmos. Mais tarde, Hipólito utilizou o termo aprendeu, com o significado de gnostikos, advindos do judeu Cerinto e dos ebionistas, enquanto Epifânio utiliza o mesmo termo somente para os grupos específicos.

Como os seres humanos ignoravam completamente a utilização correta do termo gnosticismo, a utilização do termo como uma categoria geral se tornou problemática, uma vez que o próprio Irineu de Lyon e os seus sucessores construíram uma única tipologia para os vários grupos hoje existentes e cobertos por este termo. E como o ensino de tudo vai evoluindo constantemente, sem que os seres humanos estejam esclarecidos, o gnosticismo passou a admitir muitas exceções, inclusive a ser aplicado em muitas seitas credulárias modernas, que julgam ter acesso aos conhecimentos ocultos, secretos e até misteriosos, quando, na realidade, nada disso existe. Assim, longe de trazer uma autêntica compreensão do seu real significado, o seu conceito foi se tornando cada vez mais impreciso, deturpando inclusive a sua compreensão através dos fatos históricos.

Em relação aos fatos históricos, como eles não traduzem a realidade apresentada pelo gnosticismo, obviamente que não existe um sistema gnóstico único e uniforme, como o apresentado atualmente pelo Racionalismo Cristão. No entanto, esses fatos históricos possibilitam características semelhantes suficientes para que se possa apresentar uma caracterização geral. Essas características são particulares ao gnosticismo dito cristão, que tanto podem ser favoráveis como antagônicas ao espírito de Jesus, o Cristo, sendo sabido que somente agora, através do Racionalismo Cristão, o nosso Redentor está sendo compreendido pela nossa humanidade, após esta minha explanação de A Filosofia da Administração e da minha explanação do Racionalismo Cristão, contida no site pamam.com.br. Essas características são as seguintes:

  • A concepção do mundo, em relação aos seus estudos precedentes, pode ser às vezes considerada como sendo decorrente de uma falha ou de um erro, mas podendo ser também benévola à medida em que a compreensão da matéria assim o permitir;
  • A introdução de um Deus Criador, ou demiurgo, que é o nome por que os platônicos designavam ao verdadeiro Deus, que no início é uma ilusão e depois emanação, que é a ação de nascer, provir, originar-se todos os seres, a partir da única mônada, que é o Ser Total, com os seres sendo cada uma das unidades substanciais, pois que temos as mesmas Substâncias de Deus, as quais são os pontos físicos individualizados, como os seres atômicos de Epicuro, mas também pontos metafísicos, podendo ser compreendido como sendo as aquisições das parcelas das propriedades da Força e da Energia, os quais, agregando-se uns aos outros pela lei da continuidade, formam, segundo Leibnitz, todos os seres. Esse Deus Criador é comumente referido como o demiurgo. O demiurgo gnóstico apresenta semelhanças com as figuras de Platão em Timeu e em A República, sendo uma figura central, um Criador benevolente do Universo que trabalha para tornar o Universo tão benevolente quanto possível, dentro do que as limitações físicas permitirem. Há também um outro demiurgo que tem a ver com esta conotação, com a descrição de um desejo arrebatador no modelo da psiquê de Sócrates, que tem semelhança com as descrições de um demiurgo como tendo a forma de um leão, mas que aqui tem o significado de coragem, em que a passagem relevante de A República foi encontrada dentro da Biblioteca de Naq Hammadi;
  • Jesus, o Cristo, é identificado por alguns gnósticos como sendo uma encarnação de Deus — como se o Todo viesse a encarnar, apenas o fazendo através das suas partículas —, para trazer a gnosis para a Terra. Entre os mandeus, seita da região do Tigre e do Eufrates, também denominada dos nasoreus ou cristãos de S. João, cuja palavra é proveniente do persa mandayya, que significa aquele que tem conhecimento, Jesus, o Cristo, tendo sido considerado como sendo um falso messias, que perverteu os ensinamentos que lhe foram confiados por João Batista. Mas o que João Batista ensinou de útil? Outras tradições identificam Maniqueu e Sete, este como o terceiro filho de Adão e Eva, como as figuras da salvação;
  • O desejo do conhecimento especial e íntimo dos segredos do Universo. A salvação gnóstica era da ignorância e não do pecado. O conhecimento não era apenas o meio da salvação, era a única real salvação. O conhecimento era o conhecimento do verdadeiro “eu”, o seu lugar no pleroma, a plenitude divina da qual são emanações os seres espirituais, e um retorno de lá.

Geralmente as doutrinas gnósticas são vagamente descritas como sendo de natureza dualista, o que significa que elas ainda detêm em si a visão de que o mundo é composto ou passível de se explicar através de duas entidades fundamentais: Deus e o mundo. Hans Jonas afirma que “A característica fundamental do pensamento gnóstico é o dualismo radical que rege a relação de Deus e do mundo, e, correspondentemente, a do homem e do mundo”. E isto se explica simplesmente a partir do princípio fundamental a ser compreendido de que Deus se encontra em nós mesmos, por conseguinte, em todos os seres, e como os mundos são formados por seres, há, pois, uma relação direta.

Já o dualismo tido como se fosse absoluto, considerado como sendo radical, postula duas forças tidas como divinas sendo extremamente poderosas e contrárias em suas naturezas distintas. O maniqueísmo concebe dois reinos anteriormente coexistentes de luz e de trevas, que se encontram em constante conflito, devido as ações caóticas deste último, sendo tudo isso o retrato fiel da luta do bem contra o mal, tal como sendo a luta do Astral Superior contra o astral inferior, com este praticando todos os tipos de crimes, e aquele seguindo rigorosamente as leis espaciais, os princípios temporais e os preceitos universais, notadamente que respeitando o livre arbítrio desses espíritos que se encontram decaídos no astral inferior.

Posteriormente, alguns elementos de luz se tornaram presos dentro das trevas, sendo o propósito da criação material decretar o lento processo de extração desses elementos individuais, ao final do qual o reino da luz deva prevalecer sobre reino das trevas. No caso, trata-se de alguns seres humanos com relativa luz em seus espíritos, que sendo ignorantes acerca da espiritualidade, portanto, das existências do Astral Superior e do astral inferior, deixam-se levar pelas correntes malignas que cruzam a atmosfera terrena em todas as direções, acabando por sucumbir aos apelos materialísticos deste mundo, mas que sendo detentores da boa vontade, poderão passar da corrente negra para a corrente de luz, ao ingressarem no Racionalismo Cristão, passando a produzir vibrações magnéticas, radiações elétricas e radiovibrações eletromagnéticas a Deus e ao Astral Superior.

No monismo considerado pelos estudiosos como sendo qualificado, discute-se se a segunda entidade é divina ou semidivina. Os elementos das versões do mito gnóstico valentiniano — sabendo-se que o valentianismo é uma doutrina herética do século II, fundada pelo agnóstico Valentim de Alexandria, que sustentava a existência de um demiurgo entre a natureza divina e o mundo exterior —, sugerindo para alguns que a sua compreensão do Universo pode ter sido monista, em vez de dualista. Em relação a isso, Elaine Pagels vem afirmar que “o gnosticismo valentiniano difere essencialmente do dualismo”, enquanto que de acordo com Schoedel “um elemento padrão na interpretação do valentianismo e formas semelhantes de gnosticismo é o reconhecimento de que eles são fundamentalmente monistas”.

Mas tudo isso representa apenas o esforço da imaginação humana em penetrar no âmbito da espiritualidade, por desvendar os segredos da vida e os enigmas do Universo, em que tudo isso tem que ser concebido, jamais imaginado, uma vez que os seres humanos sempre souberam da existência do bem e do mal, apenas não conseguiam conceber que o bem se encontrava no Astral Superior, e que o mal se encontrava no astral inferior, mas com todos sendo espíritos, já que todos somos partículas de Deus, que sendo a Inteligência Universal, o Tudo, o Todo, Nele tem que estar contido tanto o bem como o mal, pois que cumpre a nós, os espíritos, levar para o nosso Criador todo esse acervo que levamos conosco, ao nos reintegrarmos a Ele.

Daí a razão pela qual se fala também da malevolência do demiurgo sendo mitigada, que se trata do astral inferior, em que a sua criação através de uma materialidade falha não é devido a falta de qualquer moral da sua parte, mas devido à sua imperfeição em contraste com as entidades superiores que ele não tem conhecimento, que se trata do Astral Superior. Como tal, os valentinianos já têm menos motivos para falar acerca da realidade física com o igual desprezo que os gnósticos setianos, os membros de uma seita gnóstica egípcia do século II, a qual prestava culto a Sete, filho de Adão e Eva, como sendo este o Messias. A tradição valentiniana concebe materialidade, não como sendo uma substância separada do divino, mas atribuída a um erro de percepção que foi simbolizado mítica e poeticamente como o ato da criação material.

No caso de alguém se dispor a elaborar um resumo das várias interpretações gnósticas reunidas, poderá constatar que os papéis exercidos por alguns seres que foram mais destacados, como Jesus, o Cristo, Sophia e o Demiurgo, este último assim em maiúsculo, geralmente compartilham os temas principais centrais entre as várias doutrinas. Mas pode haver algumas diferentes funções ou identidades atribuídas a eles em cada uma delas, que são frutos da imaginação. Vejamos alguns deles e aquilo que a imaginação dos seres humanos nos revela, e a seguir aquilo que nos diz a razão, da seguinte maneira:

  • Aeon:
    • Segundo os estudiosos, em muitas doutrinas gnósticas, os Aeons são as várias emanações de um deus superior, que também é conhecido por outros nomes, tais como Mônada, Aion Teleos, o perfeito Aeon; e alguns outros. Deste ser inicial, também um Aeon, uma série de diferentes emanações ocorreram, começando em alguns textos gnósticos com o hermafrodita Barbelo, de quem sucessivos pares de aeons emanam frequentemente em pares masculino-feminino, denominados de sizígias, em que o número desses pares varia de texto para texto, embora alguns identifiquem o seu número como sendo trinta.
      • Note-se aqui a imaginação em pleno vapor, pois todo esse contexto imaginativo pode ser interpretado como se a Aeon, ou a Mônada, fosse o Ser Total, cujos seres individualizados são as suas emanações, em que as encarnações com o sexo masculino ou com o sexo masculino seriam partes dessas emanações, que não tem nada de hermafroditismo. Por outro lado, o aeon pode ser também um espírito obsessor, que aparece para os médiuns videntes e ouvintes afirmando ser ele deus, o criador de tudo quanto existe, tal como Jeová, o deus bíblico.
  • Arconte:
    • Segundo os estudiosos, o arconte representa cada um dos magistrados que compunham o arcontado. Os arcônticos eram os hereges que supunham ser o mundo constituído por sete céus e governado cada um deles por um arconte, porque os gnósticos dos séculos II e III, geralmente originados dentro do falso cristianismo, consideravam o mundo material como sendo definitivamente mal ou como sendo o produto de um erro, em que os arcontes eram vistos como sendo forças maléficas.
      • Pode-se aqui claramente comprovar que esses arcontes eram chefes de falanges de espíritos obsessores decaídos no astral inferior, cada um sendo o soberano de uma parte da atmosfera da Terra, daí a razão pela qual os arcônticos consideravam a existência de sete céus.
  • Abraxas:
    • Segundo os estudiosos, abraxas eram os amuletos de pedras preciosas gravadas com caracteres que se tomavam numericamente para simbolizar os 365 dias do ano, e cuja leitura dava a palavra mágica abraxas, criada por Basílides. No entanto, segundo os compêndios, Abraxas é o nome gnóstico para o semideus que governa o 365º aeon, a esfera final e mais alta. Os demonologistas, os que tratam da natureza e da influência dos demônios, que se diziam cristãos, colocavam Abraxas no mesmo patamar dos demônios. Jung chamou Abraxas de terrível por sua habilidade em gerar a verdade e a falsidade, o bem e o mal, a luz e a sombra, com as mesmas palavras e o mesmo empenho.
      • É sabido que os espíritos obsessores se encontram decaídos no astral inferior e que alguns desses espíritos obsessores podem se transladar para o espaço mais alto, mas sem que consigam abandonar a atmosfera terrena. Portanto, Abraxas era um desses espíritos obsessores que conseguia se transladar mais para o alto, daí a razão pela qual ele era considerado no mesmo patamar dos demônios, e daí a razão pela qual Jung o considerou terrível, por sua habilidade em gerar a verdade e a falsidade, o bem e o mal, a luz e a sombra, com as mesmas palavras e o mesmo empenho. Como se pode claramente constatar, Abraxas é um espírito obsessor semelhante a Jeová, que gerou a verdade bíblica, agora tida como falsa, afirmando que faz o bem, mas que só pratica o mal, afirmando ser a luz, mas que vive nas sombras, nas trevas do astral inferior.
  • Demiurgo:
    • Segundo os estudiosos, a palavra demiurgo era utilizada na literatura saperológica para designar o nome pelo qual os platônicos designavam a Deus, o Criador. No entanto, no âmbito da literatura, essa mesma palavra pode também designar a qualquer deus, como podemos constatar em Aquiles Ribeiro, em sua obra, O Homem que Matou o Diabo, a página 100, quando ele diz: “Talhe hercúleo, como rezava a fábula dos demiurgos e os livros de cavalaria”. Segundo ainda os estudiosos, o termo demiurgo deriva da forma latinizada do termo grego demiourgos, que literalmente significa artesão, alguém com habilidade específica, de demios, do povo ou popular, e ourgos, que significa trabalhador, mas que é melhor utilizada como o significado de criador. No gnosticismo, o demiurgo não é Deus, ou o Criador, mas o arconte ou o chefe da ordem dos espíritos inferiores ou aeons. De acordo com os gnósticos, o demiurgo era capaz de dotar o homem apenas com a psiquê, a alma sensível, sendo que o pneuma, a alma racional, seria adicionada por Deus. Em suas crenças, os gnósticos identificaram o demiurgo com Jeová dos hebreus.
      • Na realidade, Platão utilizava o termo demiurgo quando se referia tanto ao Astral Superior como ao astral inferior, uma vez que todos são espíritos, e como Deus se encontra em todos nós, por extensão o termo também se aplica a Deus. Daí a razão pela qual no gnosticismo o demiurgo não é considerado como sendo Deus, mas como sendo o arconte chefe dos espíritos inferiores, também denominados de aeons, como se fosse capaz de dotar o ser humano com a alma, mas não do espírito, que seria adicionada por Deus. E como no Velho Testamento já vinha a crença antiga de que Jeová havia dado a alma a Adão, soprando-lhe nas narinas, os gnósticos passaram a identificar o demiurgo com o próprio Jeová.
  • Gnose:
    • Os estudiosos da Igreja entendem a gnose como sendo o conhecimento direto sobre o divino que por si só provê a salvação, conquistando assim o codinome de Alta Teologia, estendendo esse entendimento para os gnósticos antigos, ao afirmarem que a gnosis existia no âmbito da cosmologia, do mito, da antropologia e da prática usada dentro dos grupos gnósticos. Assim, a gnose não era apenas a iluminação, mas viria acompanhada por uma compreensão, como expressada nos Resumos de Teódoto de Bizâncio, sobre “quem éramos, o que nos tornamos, onde estávamos, para onde fomos lançados, para onde estamos indo, do que estamos libertos, o que é o nascimento e o que é o renascimento”.
      • Na realidade, o termo gnose é proveniente do grego gnosis, relativo a conhecimento, mas significando o conhecimento superior às crenças vulgares, o Saber, por excelência, sem qualquer referência ao sobrenatural. O cerne da questão posta por esses estudiosos é o seguinte: a gnose não é apenas iluminação, tendo que vir acompanhada por uma compreensão. Sabe-se que os conhecimentos metafísicos acerca da verdade são percebidos e captados por intermédio do criptoscópio, e que as experiências físicas acerca da sabedoria são compreendidas e criadas por intermédio do intelecto. No entanto, os conhecimentos metafísicos acerca da verdade têm que ser unidos, irmanados, congregados, com as experiências físicas acerca da sabedoria, para que assim, e somente assim, possa se fazer valer a consciência, alcançando então a razão. Então, quando o ser humano adquire um determinado conhecimento metafísico acerca da verdade, o qual transcende a este mundo, em que aqui se faz valer a percepção do criptoscópio, o Astral Superior age no sentido de que ele passe por uma determinada experiência física acerca da sabedoria, em que aqui se faz valer a compreensão do intelecto, que deve corresponder a esse conhecimento, devendo ambos corresponder um ao outro, em que aqui se faz valer a luz da consciência, portanto, a razão. Mas pode ser que o Astral Superior venha a agir no sentido de ressaltar algum atributo individual superior ou relacional positivo, fazendo trabalhar mais acelerado os três órgãos mentais, os quais trabalham em estrita obediência aos atributos individuais superiores e relacionais positivos.
  • Mônada:
    • Segundo os estudiosos, em muitas doutrinas gnósticas o Ser Supremo é conhecido como Mônade; o Uno, a fonte principal primal do Pleroma, a região da Luz, em que as suas várias emanações são chamados de aeons; o Absoluto Aiõn Teleos, o Perfeito Aeon; Bythos, a Profundidade; Proarche, Antes do início; He Arche, o Início; e também o Pai inefável. Dentro das diversas variações do gnosticismo, a Mônade era o mais alto Deus, que criou todos os elementos similares aos aeons e as demais divindades inferiores. Algumas versões mais antigas do gnosticismo, especialmente as da escola valentiana, uma divindade inferior chamada de Demiurgo teve um papel central na criação do mundo material, complementar ao papel da Mônade. Nestas tradições, o deus do Antigo Testamento é frequentemente considerado como sendo o Demiurgo e não a Mônade, sendo que em algumas passagens ele pode se referir a ambos.
      • Pode-se aqui claramente compreender que os gnósticos buscavam a todo custo identificar as Substâncias de Deus, primeiramente reconhecendo a existência de um Ser Supremo, ao qual davam vários nomes, conseguindo até identificar o Astral Superior como sendo a região da Luz, e até nas suas variações o Mônade era o mais alto Deus, o Criador de tudo, dos aeons, que podem ser concebidos com os espíritos que se encontram nos seus Mundos de Luz, às divindades inferiores, que são os espíritos obsessores decaídos no astral inferior, somente não conseguiam identificar com clareza a tudo isso. E aqui entra Jeová, o deus bíblico, atrapalhando a tudo, pois que ele aparece como sendo aqui o Demiurgo, como se tivesse tido algum papel central na criação do mundo tido como sendo material, complementar ao da Mônade. E tudo isso é claramente explicitado, pois que Jeová, o deus bíblico do Antigo Testamento, é frequentemente considerado como sendo o Demiurgo, e, nessa confusão, agora esclarecida, em algumas passagens se refere a ambos, com Jeová conseguindo se firmar como se fosse o próprio Deus pelos credulários afeitos ao sobrenatural.
  • Pleroma:
    • A palavra pleroma é proveniente do grego pleroma, que significa plenitude, cujo termo entre os gnósticos significa plenitude divina da qual são emanações todos os seres espirituais. Em vários textos teológicos ditos cristãos é utilizado como plenitude, como podemos observar em Colossenses 2:9, que diz o seguinte: “Pois nele habita corporalmente toda a plenitude da Divindade”.
      • Isto se se explica porque do Ser Total vem todos os seres, que evoluem por intermédio das propriedades da Força e da Energia, até que consigam evoluir também por intermédio da propriedade da Luz, quando então alcançam a espiritualidade, que no caso em questão são os espíritos emanações do Pleroma, que significando a Plenitude, assume também o significado do Todo.
  • Sofia:
    • A palavra sofia é proveniente do grego sophia, que significa sabedoria, aquilo que detém o sábio, assim como também ciência. É utilizada como elemento com que terminam certas palavras e que indica se referirem as mesmas a determinada ciência. Na tradição gnóstica, sophia é uma figura feminina análoga à alma humana e simultaneamente um dos aspectos femininos de um deus. Os gnósticos afirmam que ela é a sizígia de Jesus Cristo e o Espírito Santo da Trindade. Nos textos da Biblioteca de Naq Hammadi, sophia é o mais baixo dos aeons ou a expressão antrópica da emanação da Luz de Deus.
      • Como explicar a isso? Não é tão difícil assim, basta apenas atentar para o fato de que os agósticos buscam os conhecimentos metafísicos acerca da verdade, portanto, o poder, não sendo tão afeitos às experiências físicas acerca da sabedoria, portanto, a ação. Está posto mais acima que os aeons seriam os seres individualizados, com as encarnações dos sexo masculino ou do sexo feminino, que eles confundiram com o hermafroditismo. Assim, como eles julgavam que Jesus, o Cristo, priorizava em sua evolução espiritual, sobremaneira, o poder, os gnósticos imaginaram que deveria haver uma sigízia do nosso Redentor, tanto que na Biblioteca de Naq Hammadi, sophia é considerado o mais baixo dos aeons, que no caso seria a expressão antrópica da emanação da Luz de Deus. Ora, a palavra antrópico significa tudo aquilo que é decorrente da ação do homem, que assim seria inferior ao poder, ao qual eles consideravam superior às ações.

As escolas gnósticas podem ser definidas como sendo membros de duas vertentes: a da Escola Persa ou do Leste e da Escola Sírio-egípcia.

A Escola Persa possui tendências dualistas mais fáceis de serem demonstradas e que refletem a influência das crenças dos zoroastras persas, que são os seguidores de Zoroastro. Aparecendo na Babilônia, os seus escritos foram produzidos originalmente em dialetos aramaicos locais e são representativos das crenças e formas mais antigas do gnosticismo. Esses movimentos são considerados pela maioria dos estudiosos como credos, e não apenas emanações do falso cristianismo ou do judaísmo, tais como:

  • Mandeísmo:
    • Um credo que ainda é praticado por pequenos grupos no sul do Iraque e na província iraniana do Cuzistão. O nome do grupo deriva do termo Manda d-Heyyi, que significa conhecimento da vida. Embora a origem exata deste movimento não seja conhecida, João Batista eventualmente se tornaria uma figura chave neste credo, assim como a ênfase no batismo se tornou parte do cerne das suas crenças. Assim como no maniqueísmo, apesar de certos laços com o falso cristianismo, os mandeanos não acreditam em Moisés, Jesus, o Cristo, ou Maomé. As suas crenças e práticas também têm poucas sobreposições com os credos fundados por eles. Uma quantidade significativa das escrituras originais mandeanas sobreviveram até a era moderna. O texto principal é conhecido como Genza Rabba e tem trechos identificados pelos estudiosos como tendo sido copiados já no século II. Existe também o Qolasta, ou Livro Canônico de Oração, e o Sidra-iahia, o Livro de João Batista.
  • Maniqueismo:
    • Representa toda uma tradição credulária e que agora está quase extinto, tendo sido fundado pelo profeta Manees, período de 216 a 276. Embora se acredite que a maior parte das escrituras dos maniqueistas tenha se perdido, a descoberta de uma série de documentos originais ajudou a lançar alguma luz sobre o assunto. Estando preservados agora em Colônia, na Alemanha, o Codex Manichaicus Coloniensis contém principalmente informações biográficas sobre o profeta e alguns detalhes sobre os seus ensinamentos. Manees disse que “O Deus verdadeiro não tem nada a ver com o mundo material e o cosmos”, assim como também que “O Príncipe das Trevas que falou com Moisés, os judeus e os seus sacerdotes”, como que se referindo a Jeová, o deus bíblico, e o seus anjos negros decaídos no astral inferior que os assediava, mas ignorando as suas mediunidades, e que então os falsos cristãos, os judeus e os pagãos estão envolvidos no mesmo erro quando adoram algum deus, pois ele os levam para a perdição através dos desejos que lhes ensinou, e isto realmente tem procedência.

A Escola Sírio-egípcia tem a sua doutrina mais voltada para o monoteísmo, estando entre as exceções os movimentos relativamente modernos que incluem os elementos de ambas as categorias, como os cátaros, os bogomilos e os carpocrarcianos. Eles são derivados das influências platônicas que geralmente retratam a criação como uma série de emanações de uma força única primal. Como resultado desta crença, há uma tendência em enxergar o mal em termos materiais e desprovido de intenções benévolas, algo oposto à ideia mais comum de que o mal seria uma força equivalente ao bem. Essas escolas usam os termos bem e mal como relativos e autodescritivos. Os vários credos e seitas dos grupos gnósticos são os seguintes:

  • Simoníacos:
    • Simão, o Mago, e Marcião de Sinope tinham tendências gnósticas, mas as ideias que eles apresentaram estavam ainda em formação, por isso eles podem ser descritos como pseudoagnósticos. Ambos desenvolveram um considerável conjunto de seguidores, com o seu principal seguidor, Menandro de Antioquia, podendo ser incluído neste grupo. Marcião de Sinope é identificado como gnóstico por muitos estudiosos, porém em sua maior parte não é assim identificado.
  • Herisiarcas:
    • Cerinto foi o fundador de uma escola herética com elementos gnósticos. Como gnóstico, tentou demonstrar o Cristo como sendo um espírito celeste separado do homem Jesus, embora estivesse ainda muito longe de poder explanar o estabelecimento do instituto do Cristo em cada humanidade, na época adequada para a sua espiritualização, já que citou o demiurgo como sendo o criador do mundo material. No entanto, ao contrário dos gnósticos, Cerinto ensinava aos falsos cristãos a observar a lei judaica, com o seu demiurgo sendo sagrado e não inferior, acreditando na segunda vinda do Cristo. A sua gnose era um ensinamento secreto atribuído a um apóstolo. Alguns estudiosos acreditam que a Primeira Epístola de João foi escrita em resposta a Cerinto.
  • Ofitas:
    • Era uma seita herege do século II na Síria, em que a serpente desempenhava um importante papel, uma vez que eles reverenciavam a serpente do Gênesis como uma fonte de conhecimento, em que aqui se pode observar claramente que a serpente representava a corrente formada pelo astral inferior, e que essa fonte de conhecimentos eram as intuições advindas dos espíritos obsessores;
  • Cainitas:
    • Em conformidade com o nome, eles veneravam a Caim, assim como a Esaú, Coré e os sodomitas. Não há muitas evidências sobre a natureza deste grupo, mas é possível inferir que eles acreditavam que a indulgência no pecado era a chave para a salvação, pois dado que o corpo é intrinsecamente mau, é preciso denegri-lo com atitudes imorais. O termo cainita não é utilizado aqui no sentido bíblico de descendentes de Caim, que segundo a Bíblia foram exterminados no Dilúvio.
  • Carpocracianos:
    • Eram os seguidores de Carpócrates, um habitante de Alexandria, ou à sua doutrina, que era uma seita libertina que acreditava unicamente no Evangelho dos Hebreus.
  • Borboritas:
    • Era uma seita libertina gnóstica que se acreditava ser uma derivação dos nicolaítas, os seguidores do nicolaismo, uma seita herética do século I, cujos adeptos praticavam a comunidade das mulheres;
  • Paulicianos:
    • Os membros de uma seita herege do século IX fundada na Armênia por Paulo e João e florescida nas províncias do Império bizantino, que eram opostos à adoração da cruz, rejeitavam a encarnação, o culto da Virgem e dos santos, sendo considerados por fontes medievais como sendo gnósticos e voltados para o maniqueísmo.
  • Bogomilos:
    • Eram considerados a sincretização do paulicanismo armênio e do movimento reformista da Igreja Ortodoxa Búlgara, que emergiu durante o Primeiro Império Búlgaro, entre 927 e 970, tendo se espalhado por toda a Europa.
  • Cátaros:
    • Era o termo comum utilizado para várias seitas, todas condenadas pela Igreja, cuja doutrina era o dualismo maniqueista. Eram vistos tipicamente como sendo os imitadores do gnosticismo. Mas se os cátaros possuíam ou não uma influência histórica direta do antigo gnosticismo ainda é um tema muito disputado, embora alguns acreditem em uma transferência de conhecimentos dos bogomilos.

As primeiras origens do gnosticismo são obscuras e ainda muito contestadas. Em virtude disso, muitos estudiosos preferem utilizar o termo gnose ao se referir aos pensamentos do século I, que mais tarde evoluíram para o gnosticismo, e reservar o termo gnosticismo para a síntese desses pensamentos em um movimento mais coerente, no século II.

As influências prováveis incluem Platão, o considerado Médio Platonismo e as escolas ou academias de pensamentos neopitagóricos, com tudo isso sendo procedente em relação aos gnósticos do setianismo e do valentianismo. Além disso, caso comparemos os diferentes textos setianistas uns com os outros, em uma tentativa de criar uma cronologia do desenvolvimento do setianismo durante os primeiros séculos, as evidências indicam que os textos posteriores continuam a interagir com o platonismo. Textos anteriores, como o Apocalipse de Adão, mostram sinais de serem anteriores ao falso cristianismo e se concentram em Sete, o terceiro filho de Adão e Eva. Estes primeiros setianistas podem ser idênticos ou relacionados com os nazarenos, os ofitas, ou aos grupos sectários denominados de heréticos por Fílon de Alexandria.

Textos setianos tardios como Zostrianos e Alógenes criam sobre as imagens de textos setianos mais antigos, mas utilizam um grande fundo de conceituação tido como saperológico derivado do platonismo contemporâneo, denominado pelos estudiosos de médio platonismo tardio, com vestígios de conteúdo do falso cristianismo. Mas o certo é que a doutrina de um único que é formado por três, a Santíssima Trindade, já é encontrada no texto de alógenes, como o descoberto na Biblioteca de Nag Hammadi, e é a mesma doutrina encontrada  nos comentários anônimos em Parmênides, no Fragmento XIV, que são atribuídos por Hardot a Porfírio, e também a encontramos na Enéadas de Plotino, 6.7, 17, 13-26.

No entanto, os neoplatônicos do século III, como Plotino, Porfírio e Amélio da Toscana, atacam os setianistas. Ao que tudo indica, o setianismo começou como sendo uma tradição anterior ao falso cristianismo, possivelmente tendo se sincretizado, incorporando elementos do platonismo e do falso cristianismo à medida que tomava corpo, apenas para que ambos o rejeitassem e se voltassem contra ele. O professor John Turner acredita que este duplo ataque levou à fragmentação do setianismo em numerosos grupos menores, como os arcônticos, os audianos, os borboritas, os fibionitas e outros.

Os estudos sobre o gnosticismo têm progredido muito desde a descoberta e a tradução dos textos da Biblioteca de Nag Hammadi, os quais lançam alguma luz sobre alguns dos comentários mais intrigantes feitos por Plotino e Porfírio sobre os gnósticos, sendo também importantes as versões que ajudam a distinguir os diferentes tipos dos primeiros gnósticos. Parece claro que os setianistas e os valentinianos gnósticos tentaram se esforçar no sentido de uma conciliação, a fim de auferirem uma mesma filiação com a saperologia antiga, mas foram rejeitados por alguns neoplatônicos, incluindo Plotino.

Os gnósticos tomaram emprestado vários pensamentos e termos do platonismo, por isso eles demonstram uma profunda compreensão dos termos saperológicos gregos e do idioma koiné em geral, utilizando-se de conceitos filosóficos gregos em todo o seu texto, incluindo conceitos como hipóstase, que significa a realidade ou a existência, ousia, que significa essência, além de substância, ser, e Demiurgo, o Deus Criador. Os bons exemplos incluem textos como A Hipóstase dos Arcontes, que significa A Realidade dos Governantes, ou Protenoia Trimórfica, que significa o primeiro pensamento em três formas.

Em sua obra A Vida de Plotino, Porfírio estabelece uma diferença entre o que ele considerava os genuínos seguidores de Jesus, o Cristo, e um outro grupo que mesclava a Saperologia, tida como se fosse gnose, com os elementos dito cristãos, com Plotino sendo antagônico a esta situação, quando diz “Eles, os gnósticos, tiraram algumas ideias de Platão, mas todas as novidades que acrescentaram para criar uma filosofia original, são fora da verdade”. No mesmo tratado, Plotino critica o elitismo, ao dizer que os gnósticos “visam à formação de uma doutrina especial”. Plotino repreende os gnósticos por desfigurarem a sabedoria de Platão, e, embora seja sempre sereno em suas exposições, fala de modo um tanto quanto áspero quando diz: “Quando esses gnósticos afirmam que desprezam a beleza terrena, fariam melhor se desprezassem a dos meninos e das mulheres, para não sucumbirem à incontinência”. No entanto, é preciso observar que se os gnósticos tivessem sido libertinos, Plotino nunca os teria admitido, já que levava uma vida de virtudes.

Outro epíteto dado por Plotino aos gnósticos é o de charlatões, quando diz que eles “se vangloriaram em poder expulsar doenças com fórmulas”, e ainda, segundo Plotino, que as doenças eram consideradas seres ou obras de entidades demoníacas pelos gnósticos da sua época, que em sua tentativa de corrigir a esse pensamento dizia que “só a plebe ignara se deixa iludir, pois as doenças não são algo demoníaco”. Mas eles não eram charlatões coisa nenhuma, pois que todas as doenças são causadas pelo astral inferior, que figurativamente podem ser considerados como se fossem demônios. Plotino assevera que a moral dos gnósticos é inferior à de Epicuro, o qual aconselha sempre procurar a satisfação no prazer, e ainda adverte que a doutrina gnóstica é temerária, porque ridiculariza a virtude e só pensa em interesses próprios. Ao que tudo indica, Plotino levou algum tempo para que pudesse revelar todas as suas críticas ao gnosticismo, pois ao chegar em Roma ele encontrou entre os seus ouvintes os sectários do gnosticismo, com os quais discutia os seus pensamentos.

Torna-se um tanto quanto difícil obter informações sociais sobre os gnósticos, pois a maior parte da literatura gnóstica consiste de pseudoepígrafos, ou seja, obras atribuídas a figuras do passado, tais como Adão, Sete ou o apóstolo João, uma vez que essa convenção literária não deixa muito espaço para a descrição sobre as atividades sectárias. Os outros registros são descrições breves e preconceituosas da doutrina e da prática gnósticas feitas por adversários ditos cristãos. Por isso, o estudo do gnosticismo requer muito cuidado com a precisão e a origem das fontes sobre o assunto, que são na maior parte heresiólogos. Irineu, Clemente de alexandria e Hipólito de Roma são os exemplos de descrições francas e constantemente hostis, com os estilos sendo geralmente irônicos, uma vez que os seus objetivos não se limitam apenas a descrever, mas em destruir.

Até 1945, antes da descoberta da Biblioteca de Nag Hammadi, a evidência de movimentos gnósticos era vista apenas através do testemunho dos heresiologistas da Igreja primitiva. Adolf von Harnack, dentre outros, que representou o modelo histórico da Igreja, viu o gnosticismo como um desenvolvimento interno da Igreja, sob a influência da Veritologia e da Saperologia gregas, apesar de ignorar a existência da primeira. O estudo do gnosticismo atualmente se torna praticamente impossível sem a consideração dos conhecimentos constantes dos escritos da Biblioteca de Nag Hammadi.

Em 1966, em Messina, na Itália, foi realizada uma conferência sobre o sistema da gnose. A proposta tida como cautelosa alcançada na conferência sobre o gnosticismo foi descrita por Markschies, da seguinte maneira:

No documento final de Messina a proposta foi pela aplicação simultânea dos métodos históricos e tipológicos para designar um determinado grupo de sistemas do segundo século depois de Cristo como gnosticismo, e o uso gnose para definir uma concepção de conhecimento que transcende os tempos, que foi descrito como o conhecimento dos mistérios divinos para uma elite”.

Segundo os estudiosos, em resumo, foi decidido que o gnosticismo seria um termo historicamente específico, restrito a significar os movimentos gnósticos prevalentes no século III, enquanto que a gnose seria um termo universal de um sistema de conhecimento retido, mas que é de uma doutrina, para uma elite privilegiada. No entanto, este esforço no sentido de dar clareza à verdade criou ainda mais confusão conceitual, já que o termo histórico gnosticismo era uma construção inteiramente moderna, enquanto que o novo termo universal gnose foi um termo histórico, pois algo estava sendo denominado de gnosticismo que os teólogos antigos haviam denominado de gnose, assim um conceito de gnose havia sido criado em Messina e este era quase inutilizável em sentido histórico. Na antiguidade, todos concordaram que o conhecimento era centralmente importante para a vida, mas poucos entraram em acordo sobre o que exatamente constituía o conhecimento, já que a concepção unitária que a proposta de Messina pressupôs não existiu. Estas falhas por parte dos estudiosos significam que os problemas relativos a uma explanação detalhada acerca do conhecimento, portanto, do gnosticismo, somente foram solucionadas por intermédio do Racionalismo Cristão, através desta minha explanação. Porém, como todos ainda ignoram as minhas obras explanatórias acerca do Racionalismo Cristão, ainda permanece como convenção atual utilizar o gnosticismo em um sentido histórico e a gnose universalmente.

Deixando de lado estas questões, a utilização de gnosticismo para designar uma categoria de credos do século III foi recentemente também questionado. A obra de autoria de Michael Allen Williams, intitulada Rethin Gnosticism: An Argument for Dismantling a Dubious Category, em que o autor examina os termos pelos quais o gnosticismo está definido como categoria e compara estas suposições com o conteúdo dos textos gnósticos reais da Biblioteca Nag Hammadi, foi de importância central para o seu argumento, em que as bases conceituais sobre as quais a categoria gnosticismo se apoia são os restos da agenda dos heresiologistas. Muita ênfase tem sido colocada sobre as percepções do dualismo corpo e matéria, ódio e anticosmismo, sem que essas suposições tenham sido devidamente testadas. Em síntese, a definição interpretativa do gnosticismo que foi criada pelos esforços antagônicos dos heresiologistas da Igreja primitiva foi retomada pelos estudiosos modernos e refletida em uma definição categórica, apesar de hoje existirem meios de se verificar a sua precisão. Ao tentar fazer isso, Michael Allen Williams revela a natureza dúbia da categoria gnosticismo e conclui que o termo precisa ser substituído, a fim de refletir com mais precisão os movimentos que o compõem.

O gnosticismo do século XXI, o denominado gnosticismo moderno, desenvolveu-se a partir das origens do ocultismo do século XX, onde Eliphas Levy trás todo o espectro dos assuntos do gnosticismo à tona por meio da discussão da cabala judaica. Vários estudiosos do século XIX, como William Blake, Arthur Schopenhauer e Albert Pike, estudaram os pensamentos gnósticos extensivamente e foram influenciados por ele, inclusive Herman Melville e W. B. Yeats foram ainda mais influenciados. Em 1875, a fundação da Sociedade Teosófica, por Blavatsky, e o trabalho do seu aluno G. R. S. Mead, que era tradutor especializado em textos gnósticos e herméticos, tornou o gnosticismo acessível ao público fora da academia, o que preparou o caminho para o gnosticismo para as massas no século seguinte. Em 1890, Jules Doinel restabeleceu uma Igreja Gnóstica, na França, o que alterou a forma como o gnosticismo passou por vários sucessores diretos e que ainda se encontra atuante hoje em dia.

 

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