13.05.06- O legado da Grécia

A Era da Sabedoria
11 de outubro de 2018 Pamam

A Grécia legou à posteridade uma salutar cultura que logo iria influenciar profundamente Roma e as demais nações do Oriente Próximo, bem como no futuro aquelas em formação na Europa e as que se formaram em definitivo muito tempo depois neste continente, inclusive nas Américas, pois todas as colônias gregas estabeleceram os sentimentos veritológicos — tendo por base a natureza e o cosmos, apesar de não haverem alcançado realmente a verdade, mas deixaram os rastros positivos a respeito dos seus conhecimentos metafísicos — e os pensamentos saperológicos, estes em definitivo no seio da nossa humanidade, já que que conseguiram realmente alcançar a sabedoria em sua plenitude, bem como estabeleceram as religiões — as verdadeiras, que são diferentes dos credos e das suas seitas — e as ciências, com tudo isso formando a base primordial da verdadeira cultura elevada neste planeta, que nos serve de mundo-escola, a fim de que nele nós possamos encarnar.

Como as religiões e as ciências nasceram indubitavelmente da Veritologia e da Saperologia gregas, respectivamente, vamos neste contexto encontrar esse tão destemido desafio à lenda e aos mistérios sobrenaturais, como esse amor ainda juvenil à investigação que durante séculos filiou as religiões à Veritologia, e esse amor já maduro à pesquisa que durante séculos filiou as ciências à Saperologia, mesmo sem os estudiosos atentarem para o fato dessas filiações, em uma venturosa união, irmanação, congregação, dos dois tratados superiores com as suas respectivas frutificações. Nunca, antes, os seres humanos haviam examinado a natureza e o cosmos de modo tão direto e crítico, ao mesmo tempo com tanto amor à verdade e a sabedoria. Os gregos honraram esta nossa civilização ao conceberem o mundo como sendo um cosmos de ordem e suscetível a apreensão da nossa percepção criptoscópica e da nossa compreensão intelectual, mesmo com o surgimento de uma corrente do ceticismo, como agora está a demonstrar esta obra intitulada de A Filosofia da Administração, em sua categoria intitulada de A Era da Sabedoria.

A nossa literatura teria sérias dificuldades em ser estabelecida nos moldes atuais sem o legado do sentimento e do pensamentos gregos, já que o nosso alfabeto nos vem da Grécia, através principalmente de Roma, em que Cícero teve um papel preponderante, pois a nossa linguagem está repleta de palavras gregas, e não somente isto, a nossa gramática e retórica, até mesmo a pontuação e os parágrafos, os quais este saperólogo, ou ratiólogo, como queiram, ora utiliza nestas páginas, são invenções gregas. Os nossos gêneros literários são gregos, tais como o lirismo, a ode, o idílio, a novela, o ensaio, a oração literária, a biografia, o drama e até a própria História. Os termos e as formas do drama moderno, tais como a tragédia, a comédia e a pantomima, com esta última sendo a arte de exprimir as paixões e os pensamentos por meio de gestos e atitudes, sem recorrer às palavras, são gregos.

Se considerarmos nesse legado não somente aquilo que os gregos inventaram, mas também aquilo que eles desenvolveram adaptado das culturas mais antigas ou não, encontraremos todo esse patrimônio cultural em cada um dos aspectos particulares apresentados pela vida moderna. E tanto isso é verdade que a nossa manufatura, as técnicas de mineração, o básico da Engenharia, os processos de finanças, a expansão do comércio e da indústria com as suas regulamentações governamentais, a organização do trabalho, as diversas formas de governo, o desenvolvimento do Direito, ainda mais aperfeiçoado em Roma, etc., tudo isso nos chegou trazido pela corrente histórica que da Grécia passou para Roma, e desta até nós, revelando a devida execução do plano de espiritualização da nossa humanidade.

E até a primeira experiência democrática do mundo é grega, pois que foi realizada por Péricles, em decorrência, as diversas formas de governo, através das quais se administram as vidas dos povos, vemos que todas elas se originam dos exemplos gregos, inclusive a ditadura. E embora a maior ampliação dos Estados, proveniente da formação das nações, em sua natural evolução, tenha criado um sistema representativo desconhecido na Grécia, a ideia principal de um governo democrático responsável perante os governados, a criação de um julgamento pelo júri e das liberdades civis de pensamento e de manifestação através de reunião e a tolerância aos credos, foram profundamente estimulados pela cultura grega. As nossas escolas e universidades, inclusive o uso da beca nas formaturas, os nossos ginásios e estádios, o nosso atletismo e os nossos jogos olímpicos, todos nasceram na Grécia.

A Teologia e as práticas ditas cristãs, das quais até as palavras são gregas, filiam-se em larga escala aos credos de mistérios da Grécia e do Egito; aos ritos eleusianos, provenientes de Elêusis, uma antiga cidade grega da Ática, célebre pelos seus mistérios de Ceres, órficos e osirianos; às doutrinas gregas do divino filho que morre pela nossa humanidade e ressuscita; aos ritos gregos das procissões credulárias, as cerimônias purificadoras, dos sacrifícios sagrados e das sagradas refeições em comum; às concepções gregas do inferno, dos demônios, do purgatório, das indulgências e do céu; e às doutrinas estoica e neoplatônica do Logos, que enseja a imaginação do criacionismo e da conflagração final do mundo.

Até as nossas superstições as devemos aos espectros, bruxas, pragas, maus agouros e dias aziagos, os quais anunciam azar ou fazem recear infortúnio ou calamidade, que vieram dos gregos. Daí a indagação dos estudiosos: quem seria capaz de compreender a literatura inglesa, ou uma ode de Keats, sem possuir alguma noção da mitologia grega? Mas que, na realidade, não era mitologia, pois que os deuses não passavam de espíritos obsessores quedados no astral inferior.

Se a cultura grega nos parece a mais moderna e a mais afim à nossa atual do que a de qualquer outra cultura dos séculos seguintes, é porque os gregos já em sua época buscavam o valioso templo da razão, por intermédio da verdade e da sabedoria, únicas vias realmente capazes de alcançá-la, por isso os seus expoentes, devidamente alumiados pelas intuições do Astral Superior, procuraram de todas as maneiras, através de um esforço supremo, em detrimento da própria vida, como foi o caso de Sócrates, explicar a própria natureza à luz do natural, sem a interferência nociva e prejudicial do sobrenatural.

Nesta nossa civilização atual as nações não morrem, pois isto ocorre apenas aparentemente, já que elas se transformam em outras nações, tais como as modificações dos corpos fluídicos dos seres exigem as transformações dos seus corpos materiais em outros mais condizentes, em atendimento às exigências impostas pelo processo da evolução, por isso elas emigram, mudam de habitat, mas persistem na sua existência, em que as suas transformações são também determinadas pela evolução espiritual, através do remanejamento de agrupamentos humanos determinado pelo espírito que se deslocou da sua humanidade para a nossa, com o fim de nos espiritualizar, consoante os critérios determinantes para o desempenho de cada uma no contexto de toda a nossa humanidade, em inteira conformidade com a evolução espiritual adquirida pelos seus integrantes. Por isso os gregos ainda existem, mais dispersos nas várias nações que iriam se formar e nas que hoje já estão formadas.

É com base neste contexto que a Sociologia e a História deve concentrar os seus estudos, investigações e pesquisas, caso contrário, elas jamais conseguirão alcançar os âmagos das suas questões de natureza humana, pois tudo que existe tem por base a evolução, pelo fato dela exprimir o preceito maior que existe por todo o Universo, em inteira conformidade com o princípio da nossa existência eterna e universal, relativo ao progresso de todos os seres, no caso o dos seres humanos, em demanda de Deus.

Daí a razão da existência da Carta Magna que rege todas as nações, que são as suas Constituições, estarem esteadas em bases completamente equivocadas, não condizentes com as suas naturezas espirituais, portanto, em desobediência aos ditames provenientes dos páramos da espiritualidade, os quais devem regular as suas formações, sendo por isso que hoje em dia, praticamente, todas as nações já estão constituídas em definitivo, que é o fundamento maior para que se estabeleça uma Constituição realmente espiritualizada, devendo caber ao Brasil o pioneirismo da sua primeira elaboração, para que assim as demais nações sigam o exemplo da nação brasileira, em que todos os seus integrantes firmaram compromisso em plano astral, antes de encarnarem, em estabelecê-la e em seguir as suas determinações como sendo verdadeiros patriotas, sendo este o maior passo já dado pela nossa humanidade para o estabelecimento posterior de uma única nação neste nosso mundo-escola, um Estado Mundial, por intermédio da confraternização de todas as nações, estando todos convictos acerca da espiritualidade, em cumprimento ao plano de espiritualização da nossa humanidade formulado por Jesus, o Cristo, ainda na condição do Antecristo da sua humanidade.

É por isso que também conhecemos a todos os defeitos gregos, como as guerras insanas e impiedosas, a repugnante escravidão, a sujeição imposta coercitivamente à mulher no âmbito do próprio lar, a falta de compromisso com a moral e a ética, a corrupção dos políticos e dos servidores públicos, e o trágico fracasso na união da liberdade e da paz.

Mas os que hoje em dia encarnam com amor à liberdade, somente adquirida com o estabelecimento da verdade em nosso seio, para que assim ela possa ser explanada pela sabedoria, por conseguinte serem ambas alcançada pela razão, podem enfim constatar como irá prevalecer a beleza em nosso seio, pela produção da amizade espiritual, que antecede à produção do amor espiritual, quando então poderá realmente haver a solidariedade fraternal e a confraternização entre todos os seres humanos, que por isso não se deterão diante do compromisso de romper com todas essas barreiras, que os mantêm cativos da ignorância, o maior mal da nossa humanidade, como o próprio Cristo assim revelou.

E tudo isso, querido leitor, é a nossa própria evolução neste mundo-escola!

 

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