13.05.04- O Período Pós-socráticos ou Moral

A Era da Sabedoria
5 de outubro de 2018 Pamam

Com a desencarnação de Alexandre, o Grande, a Grécia Helenística não considerou esse acontecimento como sendo o fim de uma época, mas apenas o início da sua modernidade, digamos assim, como se estivesse em sua maturidade, e não em decadência. Os gregos, então, emigravam aos milhares para a Ásia, o Egito, a Fenícia e a Palestina, abriram caminho através da Síria e da Babilônia, atravessaram o Eufrates e o Tigre e chegaram até a Bátria e a Índia. Tudo indica que este seja o motivo pelo qual os historiadores resolvem terminar as suas histórias da Grécia com Alexandre, já que depois dele tanto essa expansão como a complexidade do mundo grego passam então a desorientar a visão unificada ou mesmo a narrativa contínua. Porém, toda essa debandada grega obedecia ao plano de espiritualização da nossa humanidade.

E toda essa debandada grega ocorreu, principalmente, em decorrência dos sucessores de Alexandre, que passaram a se denominar de Diadodochi, haverem sido generais macedônios, portanto, habituados a governar com a espada. Em consequência, a democracia jamais lhes passara pela mente, a não ser na forma de um grotesco arremedo, através de ocasionais consultas aos seus assessores. Em 321 a.C., esses homens dividiram entre si o império alexandrino em cinco partes: Antípater tomou a Macedônia e a Grécia; Lisímaco tomou a Trácia; Antígono tomou a Ásia Menor; Seleuco tomou a Babilônia; e Ptolomeu tomou o Egito. Desse momento em diante a monarquia governou a Europa até a Revolução Francesa, à exceção de intermitentes interlúdios na Grécia e na aristocrática república de Roma.

Ocorreu na Grécia um grande desequilíbrio entre as classes populacionais, os pobres tentavam se organizar em sociedades de auxílio mútuo, que pouco ou quase nada podiam fazer contra a força, a ganância e a matreirice dos ricos, contra o conservantismo dos proprietários de terras e contra a presteza com que os governos e as ligas se auxiliavam na supressão das revoltas. Sem homens que possuíssem a capacidade de distribuir equitativamente a riqueza, pelo menos em parte, ocorria a livre e desigual capacidade de enriquecimento demonstrada por uns, ocasionando uma extrema concentração de riqueza, e, como tal, a incapacidade demonstrada pela maioria, em que a pobreza imperava, com muitos passando fome. Nesse ambiente de total desequilíbrio, os pobres mais e mais passavam a dar ouvidos às doutrinas socialistas como uma forma de atenuar aos seus sofrimentos, pois esses doutrinadores clamavam pela anulação das dívidas, pela redivisão das terras e pelo confisco das grandes fortunas, com os mais intrépidos propondo, inclusive, até a libertação dos escravos.

Houve um acentuado relaxamento da moralidade sexual, ultrapassando, inclusive, aos baixos padrões da época de Péricles. O homossexualismo aumentou a sua popularidade, o que comprova o dizer de Simaeta de Teócrito, ao afirmar que o jovem Delfis estava apaixonado, mas acrescentando a seguir, “mas se por uma mulher ou se por um homem, não o sei dizer”. As cortesãs continuavam a proliferar em todas as classes, notadamente nas altas, como se comprova através de Demétrio Poliorcete, que lançou sobre os atenienses um imposto de 250 talentos, quantia bastante elevada, e entregou o produto à sua amante Lâmia, para a aquisição de sabonetes, o que levou os revoltados atenienses a se manifestarem com bastante ironia, dizendo que ela devia estar bastante suja para necessitar de tantos sabonetes. Também as danças de mulheres nuas eram aceitas nos costumes e foram realizadas até diante de um rei macedônio. A própria vida devassa dos atenienses se retrata nas peças de Menandro tal como um círculo vicioso, em que imperam a sedução de todos os gêneros e o adultério.

Além do mais, o fracasso da cidade-Estado acelerara a decadência do credo ortodoxo, com os deuses da cidade se mostrando incapazes de defendê-la, deste modo se desacreditando. A Grécia, então, precisava de um movimento moral altamente severo, exacerbado que fosse, mas que fosse capaz de regenerar a cultura deteriorada que estava instalada em sua nação. Era a luta constante contra o atraso mental da maioria de uma nação e contra a tremenda ignorância que ainda hoje reina no seio da nossa humanidade, em prol da evolução espiritual de todos os seres humanos, já que esse movimento iria se espalhar pelo mundo, vibrando, radiando e radiovibrando em direção aos outros povos.

Foi nessa Grécia moralmente decaída que se iniciou o Período Pós-socrático ou Moral.

Nós vimos anteriormente que em todas as épocas os seres humanos sempre foram afeitos ao devaneio do sobrenatural, mas que os veritólogos do Período Doutrinário, essas grandes mentalidades, não se deixaram levar pelo ambiente asfixiante do sobrenaturalismo, tendo se voltado para o âmbito da natureza, considerando que somente ela poderia expressar a realidade que podia ser percebida, original e fundamentalmente, tendo também como escopo o problema cosmológico, com eles procurando sempre o conhecimento natural acerca das coisas, dos fatos e dos fenômenos universais, sendo por isso que alguns estudiosos costumam denominar a esse período de naturalista.

Mas que, infelizmente, nenhuma obra completa desses veritólogos sobreviveu à atualidade, mas que Platão e Aristóteles tiveram acesso a muitas delas e talvez algumas tenham chegado à Biblioteca de Alexandria, em que lá circulavam compilações que ficaram posteriormente conhecidas como doxografias, palavra derivada do grego doxa, que significa opinião, e grafé, que significa escrito ou conversação. E que, em particular, era atribuída a Teofrasto uma doxografia intitulada de Opiniões dos Físicos, que seria uma compilação e comentários de fragmentos dos veritólogos do Período Doutrinário, em que Hermann Alexander Diels realizou uma edição dessas fontes veritológicas com o título de Doxografia Grega.

Vimos anteriormente também que os saperólogos, estando cientes acerca dos conhecimentos metafísicos que foram transmitidos pelos veritólogos das quatro escolas pré-socráticas do Período Doutrinário, cujos conhecimentos tratam acerca da natureza e da Cosmologia, em que por seus intermédios tentam buscar as causas e as origens de todas as coisas, fatos e fenômenos universais, voltam os seus interesses, de preferência, em torno do homem, da alma e do espírito, em face da importância e do lugar central destinado ao homem e ao espírito no sistema formado pelo mundo. Que assim, como os veritólogos trataram, sobretudo, da moral, os saperólogos trataram, sobretudo, da ética, podendo-se assim constatar que a Veritologia trata da moral, enquanto que a Saperologia trata da ética, sendo, portanto, por intermédio dos dois tratados superiores que os seres humanos se tornam realmente educados.

Que foi esse Período Sistemático que floresceu na Grécia, tendo uma duração relativamente curta em seu apogeu, já que prevaleceu primordialmente no século IV a.C., compreendendo um número referencialmente reduzido de grandes pensadores, por isso eu tive que me ater apenas a Sócrates, Platão e Aristóteles, para não tornar extensa a esta explanação acerca de A Filosofia da Administração, uma vez que a derivação para as escolas menores, a cínica e a cirenaica, que foram as precursoras do epicurismo e do estoicismo, respectivamente, referentes ao período seguinte, além de outras, deveriam ser estudadas em obras mais especializadas.

Em resumo: no Período Doutrinário, os veritólogos da Escola Jônica, da Escola Itálica, da Escola Eleática e da Escola Atomista fizeram valer os seus criptoscópios, mas não conseguiram perceber e captar a verdade, embora tenham contribuído na percepção e captação de alguns dos seus fragmentos e, também, alguns conhecimentos religiosos, conseguindo se afastar do sobrenaturalismo e do misticismo, ao focar os seus estudos e pesquisas na natureza e no cosmos. No Período Sofista é o intelecto que se faz valer, preparando o ambiente para o surgimento da Saperologia, tal como se fôra um Renascimento grego. No Período Sistemático ou Socrático a Saperologia, que antes já surgira com algum vigor na cultura de outras nações, notadamente através das encarnações do espírito que se deslocou da humanidade que seguimos na esteira evolutiva do Universo para a nossa, nas pessoas de Hermes, Krishna e Confúcio, é estabelecida definitivamente no seio da nossa humanidade, através de Sócrates, Platão e Aristóteles, sendo que este último deu início às investigações e pesquisas que determinaram estabelecer o método relativo às experimentações científicas, em muitas parcelas do Saber.

Mas como o estudo que diz respeito aos três tratados superiores não devem deixar margens para quaisquer dúvidas, eu vou aqui fornecer uma rápida pincelada acerca dessas escolas menores, que os estudiosos acerca do assunto consideram como se os seus integrantes fossem filósofos, em que esta denominação é decorrente da mescla que sempre existiu entre a Veritologia e a Saperologia, mas o fato é que de modo algum eles detinham a sabedoria em si, pelo contrário, faziam trabalhar os seus criptoscópios em níveis bastante inferiores aos veritólogos do Período Doutrinário, por conseguinte, os seus intelectos eram também inferiores nos mesmos níveis.

Esse período do sentimento e do pensamento gregos, denominado de Período Pós-socrático ou Moral, abrange os três séculos que decorrem principalmente da desencarnação de Sócrates até o advento de uma Nova Era, com a encarnação de Jesus, o Cristo, estendendo-se ainda mais. Mas na história desta nossa civilização, que evidentemente trata também da nossa cultura, este período é denominado de helenismo, em virtude da expansão da cultura grega no mundo civilizado. Sabe-se, conforme já exposto anteriormente, que tal denominação é proveniente de Helen, filho de Deucalião, do qual se originaram todas as tribos gregas, que por isso adotaram o nome de helênicas, sendo em virtude disso que os gregos são também denominados de helenos. Mas na história da Filosofia, assim denominada, este período é denominado pelos estudiosos de Pós-socrático ou Ético, considerado assim como ético, equivocadamente, em virtude desses estudiosos ainda ignorarem a existência da Veritologia, daí a razão da mescla que sempre existiu entre ambas, na qual os veritólogos são confundidos com os saperólogos. A denominação deste período de Pós-socrático está até apropriada, mas de Ético não está nada apropriada, porquanto o interesse é veritológico, já que é voltado para a verdade e para a moral, e não saperológico, já que o seu interesse da Saperologia é mais voltado para a sabedoria e para a ética.

O grande predicado dessas mentalidades do Período Pós-socrático ou Moral, é que eles buscavam a virtude a todo custo, e nessa busca pela virtude a todo custo, eles passavam a esquecer da vida a ser vivida como seres humanos, como espíritos encarnados que se encontravam neste mundo para evoluir espiritualmente. E assim, como seguidores da verdade, eles detinham o poder para partir em busca da virtude, mas como sendo alheios à sabedoria, eles geralmente não detinham a ação para viver normalmente em sociedade, desempenhando os seus papéis que haviam sido estabelecidos em plano astral, quando em seus Mundos de Luz.

Vejamos, pois, a cada uma dessas denominadas escolas menores que marcaram o Período Pós-Socrático, que abrange os três séculos que decorrem da desencarnação de Sócrates, que os estudiosos da história da civilização denominam de helenismo, com o significado de expansão da cultura grega, e que os estudiosos da história da filosofia, sob esta denominação, denominam de Período Ético, embora não venha a ser propriamente ético, pois que voltado para a moral, embora se encontre mesclada entre elas o ecletismo. Essas escolas menores são a seguintes:

  1. A Escola Cínica ou Cinismo;
  2. A Escola Cirenaica;
  3. O Epicurismo;
  4. A Escola Estoica ou o Estoicismo;
  5. O Ceticismo;
  6. O Ecletismo.

 

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