13.05.04.06- O Ecletismo

A Era da Sabedoria
10 de outubro de 2018 Pamam

O Ecletismo é um pensamento saperológico em que não se segue nenhuma doutrina e nenhum sistema, escolhendo-se de cada um aquilo que se julga melhor. Pode ser considerado também como sendo a liberdade de escolher aquilo que se reputa melhor na política, na literatura e nas artes, sem preferência exclusiva em relação a qualquer doutrina ou sistema.

Eclético é tudo aquilo pertencente ou relativo ao Ecletismo, ou aquele que segue ao pensamento eclético. Pode ser considerado também o que não segue a qualquer partido político ou que não é partidário de qualquer doutrina ou sistema, literário ou outro, mas se reserva a escolha do que julga melhor em todos. Em resumo: aquele que escolhe aquilo que há de melhor em todas as manifestações dos sentimentos e dos pensamentos humanos. Assim, podemos considerar o ecletismo como sendo de natureza intelectual, então os ecléticos eram saperólogos, e o Ecletismo uma manifestação da Saperologia.

O Ecletismo foi um pensamento que vigorou na Grécia Antiga e em Roma. Ele foi assim denominado porque selecionava de cada sentimento veritológico e de cada pensamento saperológico as concepções que para ele pareciam ser as mais prováveis. Foi fundado, ao que parece, por Antíoco de Ascalon, que era médico, como também por outros médicos, daí a razão dela ser também denominada de Escola Eclética de Medicina. Algumas das concepções destes médicos são encontradas nos fragmentos preservados por Galeno, Oribásio, Aécio Amideno e outros, mas o sistema que elaboraram permanece desconhecido.

Há que se ressaltar a existência de uma corrente do Ecletismo no budismo tibetano moderno, cuja escola eclética, a ris-med, refere-se ao movimento que procura combinar os sistemas saperológicos aos credos de diferentes linhagens, a fim de desenvolver os melhores ensinos de toda a tradição, demonstrando um caráter sincrético, aberto a sínteses com o grego clássico e o pensamento ocidental.

O primeiro a empregar o termo Ecletismo foi Diógenes Laércio, referindo-se a Potamão de Alexandria, afirmando que este, ao selecionar o melhor de cada pensamento com os quais tivera contato, iniciou o pensamento eclético. Então o nome ficou incorporado à tendência de selecionar dentre as concepções de várias doutrinas veritológicas e sistemas saperológicos, aqueles que se consideram verdadeiros, de modo a incorporá-los na elaboração de um sistema próprio.

Tomando este termo em sentido amplo, podemos encontrar algumas noções comuns a todos os pensadores denominados de ecléticos. Em primeiro lugar, a oposição deste pensamento às noções de caráter dogmático, na busca de possibilidades consensuais e conciliatórias. Em segundo lugar, a busca efetuada por estes pensadores, no sentido de encontrar um critério de verdade e de sabedoria que permita justificar as suas próprias posições, bem como eleger, entre as várias correntes de sentimentos e pensamentos, as noções que se apresentem em conformidade com este critério. Neste sentido, o Ecletismo deve ser diferenciado do sincretismo, com este sendo entendido como sendo a mera fusão ou combinação de elementos discordantes ou não, uma vez que aquele pretende possuir um princípio desde o qual se pode harmonizar teorias “a priori” e “a posteriori”, aparentemente diversas umas das outras. Em sendo assim, podemos caracterizar o Ecletismo como sendo uma tentativa, embora tênue, de se explanar a verdade através da sabedoria.

E isto se explica, em virtude de os ecléticos salientarem que não tinham um critério que os levasse à verdade, logicamente pelo fato desta ainda não haver sido alcançada, mas que podiam alcançar pelo menos a probabilidade, ou seja, podiam se aproximar da verdade com a evidência da probabilidade. O provável podia permitir ao ser humano elaborar uma memória, valorizar uma determinada experiência, cumprir uma determinada ação, propor algum tipo de argumento. As várias colocações dos grandes sentimentalizadores e pensadores devem ser devidamente analisadas, caso forem encontrados argumentos prováveis para sustentar os nossos pensamentos e as nossas ações. Então o ser humano deve reunir o que existe de melhor segundo a sua própria concepção e elaborar uma visão do mundo, consciente de que a sua representação é apenas uma probabilidade.

 

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