13.05.04.06.01- Antíoco de Ascalon

A Era da Sabedoria
10 de outubro de 2018 Pamam

Embora as datas exatas da encarnação e desencarnação de Antíoco de Ascalon sejam desconhecidas, presume-se que ele encarnou no ano 130 a.C., em Ascalon, uma cidade antiga do Oriente Médio, que ainda hoje existe em Israel, embora tenha sido anteriormente na Síria, e desencarnou no ano 68 a.C., na Síria. Ele foi o último saperólogo da Academia fundada por Platão, tendo ensinado pela primeira vez em Atenas e depois foi para Alexandria.

Ele foi discípulo de Filon, Mnesarchus, Marcus Terêncio Varro e Philo de Larissa, mas tinha um pensamento diferente dos seus mestres. Foi também professor de Cícero. Na realidade, ele estava mais interessado na revitalização do sistema de Platão, em superar o Ceticismo. Influenciado pelas diferentes correntes veritológicas e, também, pelo pensamento saperológico, idealizou uma abordagem puramente eclética, que alguns estudiosos consideram como sendo ecletismo dogmático. Nessa sua idealização, ele tentou conciliar o pensamento transmitido por Platão e por Aristóteles, tendo por base o Estoicismo, buscando um núcleo de verdade na convergência dos ensinamentos desses grandes saperólogos e veritólogos.

Enquanto Filon se limitava a afirmar a existência da verdade objetiva, mas sem ter uma disposição criptoscópica de declará-la cognoscível pelo ser humano, colocando no lugar da certeza a probabilidade positiva, Antíoco de Ascalon deu o grande passo com o qual se encerra definitivamente a história da Academia em seu ceticismo, declarando a verdade não somente existente, mas também cognoscível e substituindo a probabilidade pela certeza.

Com base em tais afirmativas, ele podia muito bem se apresentar como sendo o restaurador do verdadeiro espírito da Academia. No entanto, os ideais apresentados por Antíoco de Ascalon não corresponderam aos resultados efetivos. Na Academia por ele dirigida, não são as ideias de Platão que renascem, mas sim um amontoado eclético de doutrinas e sistemas mais ou menos acéfalos, pois ele estava convencido de que o platonismo e o aristotelismo eram pensamentos idênticos, que expressavam simplesmente os mesmos conceitos com nomes e linguagens diferentes. Mas o que é altamente equivocado é o fato dele declarar que a doutrina dos estoicos era idêntica aos sistemas de Platão e Aristóteles, diferindo apenas na forma, e de que certas novidades inegáveis dos estoicos foram por ele consideradas apenas nada mais que melhoramentos, complementações e aprofundamentos de Platão, ao ponto de Cícero assim poder escrever:

Antíoco, que era chamado de acadêmico, era, na verdade, um verdadeiro estoico, bastando mudar pouquíssimas coisas”.

Ele assinala substancialmente que os dois objetos fundamentais, cuja possibilidade de alcançar todos os céticos haviam contestado, ou seja, os conhecimentos metafísicos acerca da verdade em que se agrega a doutrina do sumo bem, onde se alcança a realidade da vida, são irrenunciáveis por quem quer que pretenda se apresentar como saperólogo e pretenda ter algo a dizer aos seres humanos.

O saperólogo considera que com as suas dúvidas sobre as representações humanas, ou seja, sobre o critério da verdade, os céticos arruínam aquilo em que se baseia a existência humana. Por um lado, negado o valor das representações humanas, fica comprometida a própria possibilidade das diversas artes, que nascem da memória e da experiência. Por outro lado, negado o valor do critério, exclui-se qualquer possibilidade de estabelecer o que seja o bem, exclui-se também a possibilidade de determinar o que seja a virtude e, assim, exclui-se ainda a possibilidade de fundamentar uma autêntica vida moral. Sem uma sólida certeza e uma sólida convicção acerca da finalidade da existência humana, da encarnação e da desencarnação, e acerca das funções essenciais a cumprir neste mundo, o empenho moral se torna vão.

Como estava certo esse saperólogo!

 

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