13.05.04.05.06- Sexto Empírico

A Era da Sabedoria
10 de outubro de 2018 Pamam

Sexto Empírico encarnou no ano 160 a.C., mas a História não sabe de onde era originário, apenas que viveu em Atenas, Alexandria e Roma, tendo desencarnado em Alexandria, não se sabe em que ano. Foi um médico e saperólogo grego. Recebeu o apelido de Empírico em virtude das suas concepções saperológicas, porém, especialmente, pela sua prática médica. Foi muito influenciado por Pirro de Élida e Enesidemo, pois se dedicou contra a defesa dogmática da pretensão de se conhecer a verdade absoluta, tanto na moral como nas ciências.

Os seus trabalhos saperológicos são uns dos melhores exemplos do ceticismo pirrônico e as fontes da maioria dos dados referentes a essa corrente saperológica que vigorou na Grécia, opondo-se à Astrologia e a outras magias da época. Os seus escritos foram publicados em latim pela primeira vez em 1562, por Henricus Stephanus, uma tradução das suas Hipotiposes Pirrônicas, tendo os seus ensinamentos influenciado intensamente tanto a Montaigne como a David Hume. Logo em seguida, em 1569, surgiu uma tradução latina da obra intitulada de Contra os Matemáticos, realizada por Gentien Hervert.

Foram essas obras que mais contribuíram para o surgimento do pensamento cético nos estudos do sentimento e do pensamento gregos modernos, especialmente com Montaigne, que viveu no período de 1533 a 1592, tendo sido um jurista, político, intelectual cético e humanista francês, considerado pelos estudiosos como tendo sido o criador do ensaio pessoal, sabendo-se que o ensaio é um breve texto literário, situado entre o poético e o didático, expondo ideias, críticas e reflexões morais, éticas e outras a respeito de um certo tema, sendo menos formal e mais flexível do que o tratado, em que o ensaio pessoal consiste também na defesa de um ponto de vista subjetivo sobre um tema qualquer, podendo ser humanístico, veritológico, saperológico, político ou social, daí a razão pela qual em suas obras Montaigne analisou as instituições, as opiniões e os costumes, analisando os dogmas da sua época e tomando a generalidade da nossa humanidade como sendo o seu objeto de estudo.

Foi tão intensa a impressão causada pela leitura das obras de Sexto Empírico, que Montaigne, além de retomar os seus pensamentos e desenvolver os principais argumentos do saperólogo acerca do pensamento cético, como também daqueles que por ele haviam sido compilados, mandou gravar nas vigas da sua biblioteca várias sentenças retiradas das Hipotiposes Pirrônicas, mandando gravar também em uma medalha a famosa frase divisória entre o conhecimento e o não conhecimento, em que indagava: “Que sais-je?”; que em português significa: que sei eu?; cuja frase figurava do outro lado de uma balança com dois pratos em equilíbrio, representando o símbolo da suspensão do juízo e do tema central das Hipotiposes Pirrônicas, demonstrando assim a equipolência dos diferentes pontos de vista, que representavam na balança uma igualdade de pesos.

Mas foram as obras de David Hume, que encarnou na Escócia em 1711 e lá desencarnou em 1776, que levaram o pensamento cético encontrado em Sexto Empírico às suas conclusões mais extremas, pois que o seu pensamento é essencialmente crítico ao conhecimento, como também é crítico em relação à religião, mas a religião tal como credo. Para ele, todo o nosso conhecimento é essencialmente empírico, sendo a combinação de sensações, e, além da experiência, nada sabemos a respeito de Deus, da alma e das coisas, não existindo a metafísica, portanto, os conhecimentos metafísicos acerca das coisas, dos fatos e dos fenômenos universais.

Essa corrente de pensamentos advinda do Ceticismo, que influenciou intensamente às grandes mentalidades, foi posteriormente dividida em duas outras correntes: uma pró ceticismo, que eram os que trabalhavam mais com o intelecto e menos com o criptoscópio, como demonstrada por Montaigne e por David Hume; outra contra, em cuja corrente se situaram aqueles que trabalhavam mais com o criptoscópio e menos com o intelecto, que eram os veritólogos, os que buscam os conhecimentos metafísicos acerca da verdade, como foram os casos de Descartes e Berkeley. A força do impacto do pensamento cético foi de uma intensidade tal na cultura mundial, que abalou a essas grandes mentalidades, em que a refutação do Ceticismo por parte dos veritólogos se tornou um dos principais desafios da Veritologia moderna, ainda submersa no oceano da ignorância das grandes mentalidades, em razão do enfoque cético se pondo contra as pretensões da metafísica ser um tanto radical.

As três obras conhecidas de Sexto Empírico são as seguintes:

HIPOTIPOSES PIRRÔNICAS

No início dessa obra, Sexto Empírico caracteriza o ceticismo pirrônico, apresentando as características próprias dessa corrente de pensamentos, os seus propósitos, os seus princípios, os seus argumentos, o seu critério e os seus objetivos.

Nesta obra, o saperólogo define o Ceticismo como sendo a faculdade de opor de todas as maneiras possíveis os fenômenos e os noúmenos, que são objetos postulados sem a ajuda dos sentidos; e daí, pelo equilíbrio das coisas e das razões opostas, a isostenia, chega-se primeiro à suspensão do julgamento, a epokhé, e, depois, à indiferença, a ataraxia.

CONTRA OS MATEMÁTICOS

Esta obra, também conhecida como Contra os Professores, é composta em seis livros, que são os seguintes:

  • Livro I: Contra os Gramáticos;
  • Livro II: Contra os Retóricos;
  • Livro III: Contra os Geômetras;
  • Livro IV: Contra os Aritméticos;
  • Livro V: Contra os Astrólogos;
  • Livro VI: Contra os Músicos.

Com as exceções de alguns estudiosos da obra de Sexto Empírico, acredita-se geralmente que esses livros compõem a obra madura e tardia do saperólogo.

CONTRA OS DOGMÁTICOS

Esta obra é composta de cinco livro, que são os seguintes:

  • Livros VII e VIII: Contra os Lógicos;
  • Livros IX e X: Contra os Físicos;
  • Livro XI: Contra os Éticos.

Os livros VII e VIII formam um todo incompleto. Os estudiosos acreditam que possivelmente todos os cinco livros, ou pelo menos um, não compunham a obra inicial que foi intitulada de Tratados Céticos.

Sendo adepto ao Ceticismo, Sexto Empírico defende uma posição relativista e fenomenalista a partir de uma posição cética contrária à metafísica e empirista, afirmando que as coisas existem, mas somente podemos saber e dizer sobre elas em relação àquilo que nos afetam, não o que são as coisas em si mesmas, embora a sua epokhé não venha a ser tão radical como a de Pirro de Élida.

Em relação às soluções que sejam de cunho moral, o saperólogo passa a reivindicar a importância do empírico, pois que sendo mais afeito à experiência física e contrário ao conhecimento metafísico, passa a defender a vida prática, em que a vida prática deve ser regida por quatro guias, que são as seguintes:

  1. A experiência da vida;
  2. As indicações que a natureza nos dá através dos sentidos;
  3. As necessidades do corpo material;
  4. As regras das artes.

Sexto Empírico faz uma crítica ao silogismo, que considera como sendo um círculo vicioso, e coloca sob suspeita a noção de signo, especialmente tal como o entendiam os estoicos. Faz também uma crítica à teologia estoica, assinalando as contradições da noção da divindade, pois como para os estoicos tudo quanto existe é corpóreo, portanto, assim identifica Sexto Empírico, também o há de ser a divindade. No entanto, um corpo pode ser simples ou composto. Se é composto pode se decompor e, portanto, é mortal. Se for simples, é um dos elementos terra, ar, água ou fogo, e então é inerte e inanimado. Daí se segue que a divindade é mortal, ou é inanimada, o que, em ambos os casos, é absurdo. Além deste argumento, Sexto Empírico atacava com vigor a noção de divindade apelando a outros raciocínios, e em todos esses raciocínios reforçava a concepção cética da necessidade da epokhé ou da suspensão do julgamento. Por sua vez, destacou também a noção de causa.

Em geral, toda a sua obra se reveste de um caráter bastante importante, porquanto é uma das fontes para podermos nos cientificar do pensamento grego, em sua tentativa inútil em captar os conhecimentos metafísicos acerca da verdade por intermédio do intelecto. Concretamente, a sua obra Contra os Matemáticos aporta dados importantes para o conhecimento da história da Astronomia, da gramática e da ciência antiga, assim como da teologia estoica.

De acordo com Sexto Empírico, a finalidade do ceticismo consiste em obter tanto a tranquilidade em questões de opinião como a sensação moderada quanto ao inevitável, assim:

Pois o cético, tendo começado a filosofar com o objetivo de decidir acerca da verdade ou da falsidade das impressões sensíveis de modo a alcançar com isso a tranquilidade, encontrou-se diante da equipolência nas controvérsias, e sem poder decidir sobre isto, adotou a suspensão, e, em consequência da suspensão, seguiu-se, como que fortuitamente, a tranquilidade em relação às questões de opinião. Pois aqueles que mantêm uma opinião sobre se algo é por natureza bom ou mau estão sempre perturbados. Quando se encontram privados daquilo que consideram bom, sentem-se afligidos por algo naturalmente mau e passam a buscar aquilo que pensam ser bom. E ao obter isso se sentem ainda mais perturbados, já que ficam contentes de forma irracional e imoderada e passam a recear que as coisas mudem e percam aquilo que pensam ser bom. Mas, ao contrário, aqueles que não determinam serem as coisas naturalmente boas ou más, não as evitam nem as buscam avidamente, e, por isso, não se perturbam”.

 

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