13.05.04.05.05- Enesidemo

A Era da Sabedoria
10 de outubro de 2018 Pamam

Pouco se sabe acerca de Enesidemo, apenas que foi um saperólogo cético grego nascido em Cnossos, um grande sítio arqueológico, na ilha de Creta, e que viveu durante o século I a.C., tendo lecionado em Alexandria, no Egito.

Foi um dos membros da lendária Academia fundada por Platão, mas diante da sua rejeição aos seus ensinamentos, resolveu reviver o princípio da epoché, que significa colocar entre parênteses, como que se referindo a atitude de não aceitar e nem negar a uma determinada proposição, opondo-se ao dogmatismo, no qual se aceita uma proposição, por isso a epoché assume o significado de “julgamento suspenso”, que foram propostos originalmente por Pirro e Timon, como solução para o que Enesidemo considerava o problema insolúvel da epistemologia. O seu pensamento é comumente conhecido como pirronismo, além da Terceira Escola Cética.

Nenhuma de suas obras sobreviveu aos dias de hoje, embora ele tenha sido mencionado e discutido extensivamente por Fócio e Sexto Empírico, além de Diógenes Laércio e Filo de Alexandria. A sua principal obra intitulada de Pirroneia, discutiu quatro assuntos principais, com o primeiro sendo o mais significante, quais sejam:

  1. As razões para o ceticismo e a dúvida;
  2. Os argumentos contra a causalidade e a verdade;
  3. Uma teoria “a posteriori” física;
  4. Uma teoria “a posteriori” ética.

Como sendo detentor de uma grande mentalidade, obviamente que o saperólogo passou a levantar a dúvida se existiam ou não os conhecimentos metafísicos acerca da verdade, fossem quais fossem esses conhecimentos, afirmando simplesmente que nada sabia a respeito. Mas, mesmo assim, resolveu se aventurar a investigar incessantemente o assunto, dispondo-se a examinar a todos os argumentos que fossem surgindo em qualquer assunto, até que algum impasse o impedisse de continuar a sua investigação, mas esperando que algum outro argumento o impelisse a sair desse impasse em relação ao assunto investigado, enquanto também se dispunha a investigar a outros assuntos. No entanto, para o saperólogo, sair de um impasse em relação a um determinado assunto, não significava que ele havia encontrado uma resposta condizente com o seu intelecto, mas sim retomar as investigações sobre esse determinado assunto.

Deve aqui ser ressaltado que os conhecimentos metafísicos acerca da verdade devem ser transmitidos, necessária e obrigatoriamente, com as inserções de algumas experiências físicas acerca da sabedoria por parte dos veritólogos, formando desta maneira um corpo de doutrina, para que assim eles possam fazer eco na compreensão do saperólogo, para que este, por sua vez, tomando a esses conhecimentos como as suas fontes, possam então formar um corpo de sistema, por intermédio das experiências físicas acerca da sabedoria, tendo sido este o procedimento de Aristóteles em relação aos veritólogos do Período Doutrinário, que através desse seu procedimento deu início às ciências, daí a razão da incidência de tantos erros em que incidiu o saperólogo, pois que a verdade não havia sido transmitida por esses veritólogos.

Nota-se aqui claramente o grande desenvolvimento intelectual de Enesidemo, pois como os conhecimentos metafísicos acerca da verdade não haviam ainda sido transmitidos até a sua época, tendo sido dogmatizados aqueles que haviam sido transmitidos, ele se recusou a aceitá-los como sendo verdadeiros, mas, contudo, sem se recusar a investigá-los.

Mas por que retomar as investigações sobre um determinado assunto por ocasião do surgimento de um outro argumento?

Simplesmente porque a função da Saperologia é explanar tudo aquilo que foi transmitido pela Veritologia, assim como também é função das ciências explanar tudo aquilo que foi transmitido pelas religiões. Nota-se aqui a esperança por parte do saperólogo em se defrontar com um argumento plausível que viesse a fazer eco em seu intelecto. Porém, como todos os seus exames acerca dos assuntos investigados não chegaram a fazer eco no seu intelecto, mais propriamente na sua compreensão, ele passou a ser tomado pelo ceticismo, demonstrando assim a consciência de que não cabia a ele perceber e captar os conhecimentos metafísicos acerca da verdade, apenas examiná-los, para que depois pudesse então explaná-los.

 

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