13.05.04.05.04- Carnéades

A Era da Sabedoria
10 de outubro de 2018 Pamam

Carnéades encarnou no ano 214 a.C., em Cirene, uma antiga colônia grega situada na atual Líbia, que era a mais antiga e a mais importante das cinco cidades gregas da região, tendo desencarnado em 129 a.C., com a idade de oitenta e cinco anos. Foi escolarca da Academia platônica. As suas concepções saperológicas iam contra vários preceitos mais antigos, tendo sido um crítico ferrenho do estoicismo, criando as bases do ceticismo. De fato, ele foi um cético radical e o primeiro saperólogo a apontar o fracasso dos metafísicos, que pretendiam encontrar um significado racional nas crenças credulárias.

Chegando a Atenas, em 193 a.C., tirou da rotina a vida de Crisipo e os seus outros mestres, argumentando com irritante sutileza contra todas as doutrinas que eles pregavam. Como esses mestres tivessem procurado fazer de Carnéades um lógico, ele costumava lhes dizer: “Se o meu raciocínio é exato, tanto melhor; se está errado, devolvam-me a taxa de admissão”.

Quando se estabeleceu por sua própria conta, pregava um dia uma opinião e no dia seguinte a contrária, provando tão bem cada uma, que acabava destruindo a ambas. Enquanto isso, os seus alunos, e mesmo o seu biógrafo, buscavam em vão descobrir quais eram as suas verdadeiras conclusões.

Carnéades empreendeu refutar o materialismo realista dos estoicos por meio de uma crítica baseada na sensação e na razão. Atacou a todas as conclusões como sendo intelectualmente indefensáveis e advertiu aos seus discípulos a se contentarem com a probabilidade e com os costumes da época. Sendo um crítico radical de todas as formas de dogmatismo. O seu ensino antecipou discussões modernas sobre a natureza do conhecimento empírico, distinguindo três graus principais de probabilidade, quais sejam:

  1. A convicção sem apoio de outras representações;
  2. A convicção compatível com outras representações;
  3. E a representação confirmada.

Em 155 a.C., juntamente com Critolau, o peripatético, e Diógenes, o estoico, foram levados em missão diplomática de Atenas a Roma, onde fizeram conferências. Em uma delas, Carnéades escandalizou o senado, falando um dia em defesa da justiça e no dia seguinte a motejando como sendo um sonho impraticável, quando então disse que se Roma desejava praticar a justiça, teria que restituir às nações do Mediterrâneo tudo aquilo que lhes tirara pela força. No terceiro dia Catão fez a embaixada regressar para Atenas, acusando-a de perigosa para a moral pública. Políbio, que estava como refém, expressa-se da seguinte maneira contra esse discurso de Carnéades:

“… que nos debates da Academia se haviam exercitado esgrima verbal. Pois alguns deles, em seus esforços para confundir o espírito de quem os ouve, recorrem a paradoxos, e são tão férteis na invenção de plausibilidades, que não sabem se é possível ou não aos de Atenas sentirem o cheiro de ovos fritos em Éfeso, e ficam em dúvida se, durante o tempo que passam a discutir tais problemas na Academia, não estão realmente na cama em suas casas, discursando em sonhos. Com esse excessivo amor ao paradoxo lançaram em descrédito todas as filosofias. De tal forma perverteram o espírito dos nossos rapazes, que estes não dedicam um único pensamento às questões de ética ou política realmente benéficas aos estudantes de Filosofia, dissipando a existência em vãs tentativas de inventar absurdos inúteis”.

 

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