13.05.04.05.03- Arcesilau

A Era da Sabedoria
9 de outubro de 2018 Pamam

Arcesilau encarnou no ano 316 a.C., em Pitane, Eólida, uma região histórica da Grécia Antiga que compreendia o oeste e o noroeste da Ásia Menor, especialmente a sua costa, assim como diversas ilhas do mar Egeu, notadamente Lesbos, onde estavam localizadas as cidades-Estados da Grécia, tendo desencarnado no ano 241 a.C., em Atenas, aos setenta e cinco anos de idade. Ele não preservou os seus pensamentos por escrito, por isso os seus ensinamentos só podem ser colhidos indiretamente daquilo que foi preservado por escritores posteriores. Destes escritos posteriores, podemos deduzir que ele realmente adotou uma posição seguidora do Ceticismo, mas um tanto quanto diferente, pois ele duvidava da capacidade dos sentidos para captar a verdade sobre a natureza, mas acreditando na existência da própria verdade. Por esta razão, os seus principais oponentes foram os estoicos, os quais eram partidários de que a realidade podia ser compreendida com toda a certeza. E aqui se pode constatar claramente a diferença entre aqueles que trabalham mais com os intelectos em relação aqueles que trabalham mais com os seus criptoscópios.

A sua educação primária foi ministrada por Autólico, que era matemático, com quem migrou para Sárdis. Posteriormente, estudou retórica em Atenas, mas adotou a Saperologia e se tornou discípulo primeiro de Teofrasto e depois de Crântor. Em seguida, tornou-se íntimo de Polemo e Crates, tendo sucedido a este como sendo o sexto diretor da Academia platônica.

Diógenes Laércio, que nem em tudo estava certo, diz que, assim como o seu sucessor Lácides, Arcesilau desencarnou de tanto beber, mas o testemunho de outras pessoas, tal como Cleantes de Assos, assim como os seus próprios preceitos desacreditam a essa história, tanto que ele ficou conhecido por ter sido muito respeitado pelos atenienses, quando um beberrão qualquer perde praticamente todo o respeito da comunidade em que vive.

Assim como Pirro de Élida, Arcesilau não deixou nada escrito, os seus ensinamentos foram imperfeitamente conhecidos pelos seus contemporâneos, e agora só podem ser obtidos por intermédio de declarações confusas dos seus adversários. Isto torna o seu sistema difícil de ser avaliado, por se revelar parcialmente inconsistente. Este fato levou os estudiosos a revelarem o seu ceticismo de várias maneiras, com alguns vendo o seu sistema como completamente negativo ou destrutivo em todos os aspectos saperológicos, enquanto outros o consideram como tendo a posição de que nada pode ser conhecido com base em seus argumentos, e ainda outros afirmam que ele mesmo não tinha opiniões positivas sobre qualquer tema saperológico, incluindo obviamente a possibilidade do conhecimento.

Alguns estudiosos afirmam que ele conseguiu restaurar o sistema de Platão — ressalte-se aqui, o sistema, pois que Platão era um saperólogo, e não doutrina, pois que Platão não era um veritólogo — de uma forma incorrupta, o que não é de se duvidar; enquanto que, por outro lado, de acordo com Cícero, o cético resumiu as suas opiniões na fórmula propagada por Sócrates, afirmando que de nada sabia, nem mesmo acerca da sua própria ignorância, o que é realmente de se acreditar.

Os estudiosos consideram duas maneiras de conciliar a dificuldade a respeito do seu pensamento,  ou podemos supor que ele lançou tais aforismos como um exercício para os seus alunos, tal como considera Sexto Empírico, que o denomina de cético; ou ele pode ter realmente duvidado do pensamento de Platão e ter suposto que as suas obras tenham origem nas fantasias dos dogmáticos, que neste caso são os veritólogos do Período Doutrinário, enquanto, na realidade, o grande saperólogo estava lhes tirando todos os princípios determinados.

Na verdade, tendo Arcesilau os seus pendores voltados para o lado da sabedoria, e não para o lado da verdade, torna-se óbvio que ele fazia valer mais a sua compreensão, e não a sua percepção. E como Platão era também voltado mais para os pendores da sabedoria e da razão, ele logrou compreender um tanto o pensamento do notável saperólogo, mas discordando daquilo que se referia diretamente à verdade, uma vez que os seus conhecimentos metafísicos não haviam sido transmitidos, deixando-o um tanto confuso, daí a razão de todo o seu ceticismo.

Como os estoicos tinham a convicção plena de que os conhecimentos metafísicos acerca da verdade poderiam ser realmente conhecidos, eles passaram a ser os seus principais oponentes. Em razão disso, ele passou a atacar a doutrina estoica, por intermédio de uma argumentação intelectual considerada por muitos como sendo convincente, a kataleptikê phantasia, entendida pelos estudiosos como sendo um meio entre a ciência e a opinião, cujo meio ele afirmou não existir, sendo apenas a interpolação de um nome. Assim, o termo passou a envolver uma contradição em seu significado, já que o próprio entendimento de phantasia implicava a possibilidade de falsidade, bem como as verdadeiras concepções do mesmo objeto.

A sua ascensão à direção da Academia marcou a fundação da Academia Média. Durante a sua administração, no período de 265 a 240 a.C., a Academia entrou na fase de um ceticismo considerado como sendo fundamental, estabelecendo assim o seu sistema oficial. Neste período, os céticos passam a dirigir a academia fundada por Platão introduzindo um vocabulário próprio, já distante do senso comum do pirronismo. Foi quando começou a polemizar com os estoicos, ressaltando o caráter aporético, ou seja, igualitário de conclusões contraditórias, na obra de Platão, atacando o que denominou de dogmatismo, ao seu ver contra a interpretação do legado saperológico platônico, defendendo a inexistência de um critério de verdade, negando a possibilidade do conhecimento e argumentando que o homem sábio não deve emitir juízos, justificando-se na esteira da condenação platônica da fiabilidade dos sentidos. Essa corrente se manteve na Academia e atingiu o seu auge com o sucessor Carnéades. Contudo, nenhum deles descreveu o próprio sistema como sendo cético, ainda que as suas posições correspondam ao que hoje se convencionou denominar de Ceticismo.

 

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