13.05.04.04- A Escola Estoica ou o Estoicismo

A Era da Sabedoria
8 de outubro de 2018 Pamam

Foi nessa Grécia Antiga, agora já moralmente decaída, que o Estoicismo teve o seu início por volta do ano 301 a.C., com a encarnação de vários espíritos moralizadores promovida pelo Astral Superior, em obediência ao plano de espiritualização da nossa humanidade, como Zenão de Cítium e outros, que também buscavam a verdade ensinando a sua doutrina em um pórtico, em grego stoa, mais precisamente na Stoá Poikile, lugar a partir do qual o nome da sua doutrina se originou. Ao contrário das outras escolas, como a dos epicuristas, Zenão de Cítium resolveu ensinar a sua doutrina em um espaço público, que era uma colunata, uma série de colunas enfileiradas com simetria para adornar um edifício, com vista para o local central de manifestação da opinião pública, a Ágora de Atenas.

As concepções de Zenão de Cítium se desenvolveram a partir do Cinismo, cujo fundador, Antístenes, era ouvinte de Górgias e discípulo de Sócrates. O seu seguidor mais influente foi Crisipo de Sólis, o grande responsável pela moldagem do que atualmente é denominado de Estoicismo. Os estudiosos dividem a história do Estoicismo em três fases:

  1. Estoicismo Antigo: esta primeira fase se desenvolveu no século III a.C., com Zenão de Cítium, Cleantes de Asso, Crisipo de Sólis e Antíprato de Tarso, que deste último pouco se sabe;
  2. Estoicismo Médio: esta segunda fase se desenvolveu no período de 135 a 51 a.C., quando o seu sentimento se combinou com o espírito romano, com Panécio de Rhodes e Possidônio;
  3. Estoicismo Novo: esta terceira fase se desenvolveu no período de 50 a.C. a 529 d.C., com Caio Musônio Rufo, Sêneca, Epiteto e Marco Aurélio, sendo este último imperador romano em 161 d.C. As obras de Sêneca, Epiteto e Marco Aurélio propagaram o Estoicismo no mundo ocidental, até que todos os seus sentimentos foram encerrados em 529, por ordem do imperador romano Justiniano I, que considerou as suas doutrinas como sendo de características pagãs, contrárias à fé credulária dita cristã.

As obras completas   de qualquer veritólogo estoico das duas primeiras fases não sobreviveram até a época atual, apenas os textos romanos da terceira fase conseguiram sobreviver e nos chegaram completos.

Sendo natural que ignorassem completamente a existência dos órgãos mentais que formam a nossa inteligência, que são o criptoscópio, que tem a função de perceber e a finalidade de captar os conhecimentos metafísicos acerca da verdade; o intelecto, que tem a função de compreender e a finalidade de criar as experiências físicas acerca da sabedoria;  e a consciência, que tem a função de coordenação e a finalidade de coordenar o criptoscópio e o intelecto; os quais devem ser devidamente acompanhados pelos atributos morais e éticos com o fim na educação, respectivamente, para que assim a inteligência possa realmente se fazer valer para o bem da nossa humanidade, os estoicos, altamente moralistas, acreditavam que a verdade podia ser alcançada através da razão, ou seja, da consciência, podendo ela ser distinguida da falácia, mesmo que, nessa prática, apenas uma aproximação pudesse ser efetuada.

De acordo com os estoicos, os sentidos recebem constantemente as sensações, através de pulsações, as quais eles designavam de phantasma. Quando o certo é através de radiações elétricas, que passam das coisas através dos sentidos aos pensamentos, enquanto que as vibrações magnéticas passam das coisas através das sensibilidades aos sentimentos, tudo isso em direção ao corpo mental, o qual é composto do criptoscópio, do intelecto e da consciência, onde deixam uma impressão da realidade exposta pela natureza, quando tudo é dirigido corretamente pelo raciocínio.

Mas se fixando apenas no sentimento estoico, eles tinham a concepção de que a mente humana tem a capacidade de julgar, aprovar ou rejeitar uma impressão, permitindo assim que possa ser feita uma distinção entre uma verdadeira representação da realidade de uma outra que seja falsa. Algumas impressões podem ter um assentimento imediato, enquanto que outras podem apenas atingir diferentes graus de aprovação, em que se agrega a hesitação, as quais podem ser denominadas de crenças ou opiniões. Assim, apenas através da razão é que podemos atingir uma clara percepção e, por conseguinte, a convicção. Como se pode claramente constatar, os conhecimentos metafísicos acerca da verdade ainda não se encontravam ao alcance dos veritólogos estoicos.

Saindo da Grécia, mas permanecendo na doutrina estoica, vamos encontrar em Roma uma pérola veritológica no sentimento de Marco Aurélio, em que ele apresenta uma leve noção acerca da existência das substâncias, que são compostas de Essência e Propriedades, formadoras de todas as coisas, inclusive da Coisa Total, que é Deus, quando ele diz o seguinte:

Produz para ti próprio uma definição ou descrição da coisa que te é apresentada, de modo a veres de maneira distintiva que tipo de coisa é na sua substância, na sua nudez, na sua completa totalidade, e diz a ti próprio qual é o seu nome apropriado, e os nomes das coisas de que foi composta, e nas quais irá resultar. Pois nada é mais produtivo para a elevação da alma, como se ser capaz de examinar metódica e verdadeiramente cada objeto que te é apresentado na tua vida, e sempre observar as coisas de modo a ver ao mesmo tempo que universo é este, e que tipo de uso tudo nele realiza, e que valor todas as coisas têm em relação como o todo”.

Os estoicos ensinavam que as emoções destrutivas, que abalam a nossa atividade psíquica, são provenientes dos erros de julgamento, e que somente aquele que é sábio, entendendo-se aqui como sábio o ser humano com elevação moral, que também tenha o intelecto elevado, não é passível de sofrer com essas emoções. O Estoicismo afirma que todo o Universo é físico e governado por um Logos Divino, noção esta ao que parece herdada de Heráclito e por eles desenvolvida. Assim, a alma está identificada com esse Logos Divino como sendo parte de um todo ao qual pertence. Esse Logos Divino, ou Razão Universal, ordena todas as coisas, pois tudo se inicia a partir dele e de acordo com ele, sendo graças a ele que o mundo é um cosmos, cujo termo em grego significa harmonia. Em outras palavras, os estoicos querem, mas não sabem dizer, que todas as coisas que existem vieram da Coisa Total, que por Ela são ordenadas no infalível processo da evolução, e para Ela retornam quando aptas para tal desiderato.

A proposta do Estoicismo é para o ser humano viver de acordo com as leis racionais da natureza, aconselhando a indiferença em relação a tudo aquilo que a ela venha a ser externo, pois o homem sábio obedece às leis naturais, reconhecendo-se como sendo uma peça na grande ordem e propósito do Universo, devendo, neste contexto, manter a serenidade tanto perante os fatos agradáveis como perante as tragédias. A partir desta proposta, surgem dois quesitos de natureza moral:

  1. Viver conforme a natureza;
  2. Viver de acordo com a razão.

Sendo a natureza essencialmente o Logos Divino, ou Deus, esta máxima é a prescrição para se viver conforme a razão. E sendo a razão para o Estoicismo aquilo por intermédio do qual o ser humano se torna livre e feliz, o homem sábio não irá encontrar a sua liberdade e a sua felicidade nos objetos externos, devendo apenas utilizar racionalmente esses objetos através de uma sabedoria de vida pela qual não se deixa escravizar por tais objetos, e então se tornar infeliz pelas paixões surgidas por esses próprios objetos externos.

Já nessa época, os estoicos tinham alguma noção acerca do determinismo, pois se preocupavam com a relação existente entre o determinismo e a liberdade humana, acrescentando que é virtuoso manter uma vontade que esteja de acordo com a natureza, o que implica em afirmar que eles apresentaram a sua doutrina como um modo de vida, com base na moral, já que a melhor indicação que faziam de um ser humano não dizia respeito apenas ao que ele dizia, mas também em relação ao seu comportamento.

Os estoicos posteriores, como Sêneca e Epiteto, enfatizaram o porquê de a virtude ser suficiente para se alcançar a felicidade, afirmando que o sábio, por ser virtuoso, é imune aos infortúnios da vida. Tal concepção nos conduz ao significado da calma estoica, de que apenas o sábio pode ser considerado verdadeiramente livre, já que as degradações morais são todas igualmente viciosas.

Mesmo considerando equivocadamente a Veritologia como sendo Filosofia, o Estoicismo estabeleceu os seus princípios neste mundo. É o que se constata posteriormente através de Epiteto, quando ele assim se expressa:

A filosofia não visa a assegurar qualquer coisa externa ao homem. Isto seria admitir algo que está além do seu próprio objeto. Pois assim como o material do carpinteiro é a madeira, e o do estatuário é o bronze, a matéria-prima da arte de viver é a própria vida de cada pessoa”.

O Estoicismo nos ensina com acerto o desenvolvimento da firmeza moral e do autocontrole como um meio de superar as emoções destrutivas. Como os estoicos, além dos seus criptoscópios, desenvolveram também os seus intelectos em níveis elevados, defendem que os pensamentos claros e imparciais permitem compreender o Logos Divino, a Razão Universal. Neste contexto intelectual, um aspecto fundamental do Estoicismo envolve a melhoria da ética do ser humano, além do seu bem-estar moral, pois partindo do princípio de que a virtude consiste em uma vontade que está de acordo com a natureza, libertando-se da raiva, da inveja, do ciúme e de outros atributos individuais inferiores mais, o mesmo também se aplica ao contexto das relações interpessoais, já que se deve aceitar até mesmo os escravos iguais aos outros homens, porque todos os homens são igualmente produtos da natureza.

Com relação àqueles que não têm a virtude estoica, que são escravos dos sentimentos inferiores e dos pensamentos negativos, portanto, escravos das paixões, Cleantes de Assos certa vez afirmou que o homem ímpio é “como um cão amarrado a uma carroça, obrigado a ir para onde ela vai”, como a querer dizer que o homem fraco é conduzido pelo meio ambiente em que vive, em conformidade com as suas paixões, sendo um escravo dos espíritos obsessores quedados no astral inferior. Ao contrário, um estoico de virtude, por sua vez, saberia se utilizar da sua vontade para se adequar ao mundo, e, tal como nas palavras de Epiteto, permanecer “doente e ainda assim feliz, em perigo e ainda assim feliz, morrendo e ainda assim feliz, no exílio e ainda assim feliz, na desgraça e ainda assim feliz”. Então ele afirma com a mais absoluta convicção a existência de uma vontade individual para que o homem se torne completamente autônomo em um universo que é totalmente determinista.

Uma característica distintiva do Estoicismo é o seu cosmopolitismo, por isso ele se tornou uma doutrina muito popular entre os seres humanos mais evoluídos do mundo helenístico e do Império Romano, ao ponto de Gilbert Murray declarar que “quase todos os sucessores de Alexandre se declararam estoicos”, já que os mais evoluídos conseguiram apreender a correta concepção estoica de que todos os seres seriam manifestações do Espírito Universal, o Logos Divino, portanto, do Ser Total, do verdadeiro Deus, que é o Todo, não de um espírito trevoso que tem a pretensão de ser amado acima de tudo e, ao mesmo tempo, ser temido e adorado, como esse tal de Jeová, o deus bíblico, por isso deveriam produzir um amor fraternal, sendo todos solidários uns com os outros, ajudando-se mutuamente de maneira eficaz.

E esse cosmopolitismo é claramente evidenciado em Epiteto, que em sua obra intitulada de Discursos, comenta sobre a relação entre o ser humano e o mundo, quando diz que “cada ser humano é, primeiro, um cidadão da sua comunidade; mas também é membro da grande cidade dos homens e deuses”. Este elevado sentimento é também refletido em Diógenes de Sínope, que disse “eu não sou nem ateniense e nem coríntio, mas um cidadão do mundo”, mas que esse cosmopolitismo foi primeiro evidenciado por Sócrates.

Os estoicos apoiavam a ideia de que as diferenças externas, como a riqueza e o status, compreendendo-se este último como mera saliência social, não são importantes nas relações sociais. Ao invés disso, defendiam ardorosamente a tão sonhada irmandade da nossa humanidade, através da natural igualdade que deve existir entre os seres humanos. Tais sentimentos e pensamentos de naturezas tão elevadas proporcionou a que o Estoicismo se tornasse a mais influente escola do mundo greco-romano, produzindo uma boa quantidade de escritores e personalidades de renome mundial, que não esqueciam de se manifestar em prol da liberdade humana, em decorrência, pela defesa à clemência aos escravos, tal como se comprova na exortação de Sêneca:

Lembra-te com simpatia de que aquele a quem chamas de escravo veio da mesma origem, os mesmos céus lhe sorriem, e, em iguais termos, contigo respira, vive e morre”.

Qualquer ser humano que não se encontre encabrestado pela classe sacerdotal e que possua um mínimo de intelectualidade, reúne todas as condições necessárias para compreender a grande diferença de sentimentos e pensamentos que existe entre os seres humanos.

E isso, querido leitor, chama-se de evolução espiritual!

Indiscutivelmente, todos os estoicos merecem uma atenção especial em relação à explanação dos seus sentimentos. No entanto, por razões de espaço e de tempo, vamos explanar aqui apenas os de Zenão de Cítium, Cleantes de Assos, Crisipo de Sólis, Sêneca, Epiteto e Marco Aurélio, os quais suprem com largueza a compreensão do que representou o Estoicismo para a evolução espiritual da nossa humanidade.

 

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