13.05.04.04.05- Epiteto

A Era da Sabedoria
8 de outubro de 2018 Pamam

Seguindo a mesma linha de raciocínio do que foi convencionado com Sêneca, mesmo sendo gregos praticamente a explanação dos sentimentos e dos pensamentos, não devemos deixar de nos reportar ao sentimento de Epiteto transmitido fora da Grécia, uma vez que ele representa a continuação do estoicismo, que é originariamente grego, sendo importante a sua contribuição no rol dos estoicos, apesar de ele ter vivido em Roma e em Nicópolis.

Epiteto encarnou por volta do ano 50, em Hierópolis, na Frígia, e desencarnou por volta do ano 130, em Nicópolis, aos oitenta anos de idade. Por haver nascido de uma escrava, era também escravo, o que implica em dizer que quando um espírito é realmente evoluído, ele pode encarnar em qualquer condição, que a sua alma se eleva acima do meio, deixando o seu nome gravado para a posteridade. Como passava das mãos de um senhor para as de outros, ele não foi criado em um meio propício a adquirir instruções. Era fraco de saúde e aleijado, ao que parece em virtude das brutalidades de um dos seus donos, o que não o impediu de viver por cerca de oitenta anos. Até que caiu nas mãos do bondoso Epafródito, poderoso liberto da corte de Nero, o qual lhe permitiu assistir às preleções do estoico Caio Musônio Rufo, para logo em seguida o libertar. Ele deve ter ficado morando em Roma, trabalhando como professor, porque quando Domiciano baniu os que se davam aos estudos da Veritologia e da Saperologia, sob a denominação imprópria de Filosofia, o seu nome figurava entre os que fugiram.

Daí foi se estabelecer em Nicópolis, onde era procurado por estudantes de várias partes do Império. Um desses estudantes foi Arriano da Nicomédia, que mais tarde foi governador da Capadócia, tendo anotado as palavras de Epiteto, provavelmente em estenografia, e as tendo publicado como Cópia, hoje consta na lista dos melhores livros do mundo, sob o título de Discursos, tendo ainda mais tarde publicado um manual sinóptico de Epiteto.

O veritólogo se casou mais tarde para ter quem cuidasse de uma criança enjeitada que recolheu aos seus cuidados. Nesse tempo, a sua fama já corria por todo o Império Romano e Adriano o contava entre os seus amigos.

O principal objetivo dos seus ensinamentos consistia na busca da vida perfeita, obviamente que tendo por base a moral, não lhe importando se todas as coisas fossem formadas de átomos, de água, de fogo, de ar ou de terra, bastava apenas que se soubesse a natureza do bem e do mal. Logicamente que sem ter a consciência das suas qualidades veritológicas, em que tentava pôr em prática a sua natureza moralista, considerava que a Veritologia, que ele realmente seguia, não se limitava apenas em ler livros sobre a sabedoria, mas sim no treino e na prática da sabedoria. Assim, sem sair da concepção um tanto ascética do estoicismo, dizia que o homem deve moldar a sua vida e a sua conduta de modo que a sua felicidade dependa o menos possível das coisas externas, assim como todos os estoicos. Mas que isto não requer a solidão do eremita, pelo contrário, pois os estoicos não devem ser condenados por afastarem os homens indecentes dos serviços públicos, uma vez que os homens, à medida que tendem à perfeição, devem tomar parte na vida cívica. No entanto, devem aceitar com equanimidade todas as vicissitudes da fortuna, da pobreza, das privações, das humilhações, da escravidão, da dor e da desencarnação.

Para Epiteto, o escravo pode ser espiritualmente livre, como Diógenes; o preso pode ser livre, como Sócrates; o imperador pode ser escravo, como Nero. A própria desencarnação é um incidente mínimo na vida do homem perfeito, e ele pode apressar a vinda da desencarnação, caso ache que o mal está em proporção com o bem. Em qualquer hipótese, o homem perfeito deverá recebê-las calmamente, como parte da secreta sabedoria da natureza. Eis logo abaixo as suas palavras a respeito:

Se os grãos de trigo pensassem, deviam rezar para que não fossem colhidos? Quero que saibais que não desencarnar é um castigo. O navio naufraga. Que tenho de fazer? No quanto me seja possível, devo me afogar sem medo, sem me abater nem clamar contra Deus, mas reconhecendo que o que nasceu deve também perecer. Sou parte do todo, como uma hora é parte do dia. Tenho de vir como a hora vem, tenho de ir como a hora vai. Olha-te como um fio de tantos que formam a tua roupa. Não procures que as coisas que te acontecem sejam como as desejas, e sim deseja que as coisas que te acontecem sejam como são, e encontrarás a tranquilidade”.

Epiteto disserta com eloquência sobre a divina ordem natural do espaço e do tempo que evidenciam os desígnios da natureza, mas ressalta que Deus criou alguns animais para serem comidos, outros para trabalharem nos campos e outros para produzirem queijo, sem, contudo, conseguir perceber que tudo isso faz parte do aprendizado de todos os seres, ao evoluírem antes da aquisição das faculdades do raciocínio e do livre arbítrio.

Ele diz que a mente humana é um instrumento tão maravilhoso, embora ignorasse a existência dos três órgãos mentais, os quais são de natureza espiritual, que somente um Criador Divino poderia concebê-la, e pelo fato de possuirmos a razão, somos parte do mundo razão. No entanto, apesar de glorificar a mente humana, não julgou que ela fosse capaz de conceber a formação do nosso planeta e o surgimento do ser humano desde os seus primórdios, mas ela é capaz sim, pois que somos as inteligências da Inteligência Universal, e isso tudo consta no site pamam.com.br, já que diz que se pudéssemos traçar a nossa ascendência até ao primeiro homem, nós certamente os encontraríamos criados por Deus, no que está absolutamente correto, embora não haja mencionado o infalível processo da evolução pelo qual ascendem todos os seres. Então ele continua dizendo que Deus é o Pai de todos nós, como que querendo contemplar ao Ser Total, e que todos os seres são irmãos, no que se encontra absolutamente correto. E arremata quando afirma o seguinte:

O homem que uma vez observou atentamente a administração do mundo, e viu que a maior e a mais compreensiva comunidade são representadas pelo sistema de manter coesos os homens a Deus, e que de Deus veio a semente de que saem todas as coisas e especialmente os seres racionais: por que não há desse homem se chamar cidadão do mundo? Mais ainda: filho de Deus? Se um homem pudesse dar de corpo e alma a esta doutrina, penso que não abrigaria nenhum pensamento ignóbil ou nada mau dentro de si. Quando comeis, atentai, pois, em quem é que come e a quem estais nutrindo; quando coabitais com uma mulher, atentai em quem é que faz isso. Trazeis Deus convosco, pobres desgraçados, e não o sabeis!”.

Ao afirmar que de Deus veio a semente de que saem todas as coisas e que todos trazem Deus consigo e não sabem, o veritólogo assume a elevada pretensão em afirmar que somos partículas ou seres do Ser Total, e que evoluímos por intermédio das Suas Propriedades, que são a Força, a Energia e a Luz, e que sendo assim, como realmente é assim, e como jamais poderia ser diferente, Deus se encontra realmente em cada um de nós, dos seres atômicos aos seres humanos, portanto, consoante o estágio evolutivo em que nos encontramos.

Epiteto se sente cheio de respeito e gratidão em face dos segredos da vida e dos enigmas do Universo, os quais revelam todo o esplendor que existe nas coisas, nos fatos e nos fenômenos universais, o que o faz proferir as seguintes palavras um tanto indevidas, posto que elas são próprias da classe sacerdotal, no intuito escuso de acretinar cada vez mais aos seus arrebanhados, caracterizando-se como um grande paralelismo com as atitudes do falso cristianismo, tanto católico como protestante, embora ele as tenha proferido de boa-fé, assim:

Que língua será adequada para cantar o louvor de todas as obras da Providência? Se tivéssemos senso, que estaríamos nós fazendo em público e em particular, senão louvando a Deidade e proclamando os seus benefícios? Acaso não devemos quando cavamos ou aramos ou comemos cantar hinos de louvor a Deus? Desde que a maior parte de vós está cega, não deve surgir alguém para fazer isso por vós, e por amor de todos cantar hinos de louvor a Deus?”.

E se pode reafirmar que tais palavras são indevidas, em virtude do fato de não podermos personificar a Deus, tornando-O igual a uma pessoa, atribuindo-Lhe qualidades pessoais, assim como todos os povos personificaram aos seus deuses, pois que isso não passa de um mero antropomorfismo, posto que sem a personificação podemos considerá-Lo como sendo a Coisa Total, de onde provém todas as coisas. Então, para que cantarmos hinos de louvor a Deus se ainda não obtivemos maiores conhecimentos ao Seu respeito? Ora, nada de perdermos tempo com glorificações inúteis, uma vez que até os Espíritos Superiores se sentem incomodados com o fato, avaliem o próprio Deus, caso julguem possível. E não podemos perder tempo com tais louvores, em virtude do fato da nossa evolução ter prioridade em todos os aspectos das nossas vidas, preenchendo todo o nosso espaço e todo o nosso tempo de que dispomos, já que o espaço e o tempo são os formadores do Universo, onde nele vivemos espiritualmente, e onde nele nós podemos nos locomover em suas coordenadas, em conformidade com o estágio evolutivo em que nos encontramos.

Mas o fato é que esse grande veritólogo, que de a condição de escravo passou para os anais da História, vai bem mais além do que os louvores que são provenientes do falso cristianismo e de outros credos e seitas que pululam por esse mundo afora de meu Deus, pois ele condena a escravidão, denuncia a pena de morte e defende a causa de que os criminosos sejam tratados como doentes. Estes, na realidade, são doentes mentais, que possuem a suas mentes fracas, pois que obsedados pelos espíritos inferiores que se encontram quedados na atmosfera da Terra, os quais fazem parte integrante do astral inferior, esse astral inferior que é o grande responsável por intuir aqueles que têm propensão para a prática de crimes, levando-os a cometer as mais graves infrações da lei, em que as violações das naturezas moral e ética não são refreadas e nem reprovadas pelas suas consciências, tornando-os verdadeiramente uns doentes mentais, cujo remédio único que existe para a cura é o esclarecimento espiritual, devidamente acompanhado da prática salutar de vibrar sentimentos, radiar pensamentos e radiovibrar ambos ao mesmo tempo, em direção a Deus e ao Astral Superior.

Epiteto incorporou em seu acervo veritológico e saperológico muito do que disseram os mais antigos, já que defende um exame diário da consciência e proclama uma regra já antes estabelecida em outras palavras, quando assim diz:

O que não queres sofrer não faças sofrer aos outros”.

Mas ele também tem pérolas da sua própria lavra, tais como a que trata da maledicência, ao assim afirmar:

Se te contam que um homem falou mal de ti, não te ofendas, mas dize: ele não conhece todos os meus defeitos, do contrário não teria mencionado só esse”.

Isso tudo o coloca como sendo um verdadeiro instrumento do Astral Superior, o que o submete aos desígnios de Deus, principalmente através das suas seguintes palavras:

Usa-me daqui por diante como quiseres, ó Deus; estou integrado em ti. Sou teu. Não quero ser isento de nada que aos teus olhos pareça bom. Leva-me para onde quiseres; veste-me do tecido que quiseres”.

Tal como Jesus, o Cristo, Epiteto exorta aos seus discípulos a não pensarem no dia de amanhã, o que levou alguns falsos cristãos a louvá-lo, tais como São João Crisóstomo e Santo Agostinho, embora fossem bem-intencionados, já que adotaram a sua Encheiridion, com pequenas mudanças, como guia e regra da vida monástica. É o que se comprova através das suas seguintes palavras:

Ter Deus como o nosso Pai, o nosso Criador, o nosso Guardião: não bastará isto para nos livrar da aflição e do temor? E onde está o dinheiro que preciso para me alimentar, se não tenho nada? Perguntará alguém. Mas não vês os animais? Não tem cada um o suficiente para viver, sem que lhe falte o alimento próprio e os meios de vida adequados, e ainda em harmonia com a natureza?”.

Mas se quisermos saber o contexto central dos sentimentos de Epiteto, basta apenas formularmos as seguintes perguntas: Como se deve proceder para viver uma vida plena de realizações? Como se deve proceder para viver uma vida realmente feliz? Como alguém pode se tornar uma pessoa com boas qualidades morais? Nas respostas destas perguntas fundamentais se encontra o contexto central dos ensinamentos do grande veritólogo.

As suas obras tiveram enorme repercussão e influência sobre as ideias dos grandes espíritos que tentaram ensinar a arte de viver durante quase dois mil anos. Mas hoje em dia, infelizmente, em virtude do declínio do ensino da cultura clássica, as suas obras são praticamente desconhecidas, permanecendo vivas apenas nas mentes de alguns raros estudiosos, que persistem heroicamente em manter acesas as luzes de um viver com base nas leis morais, que devem ser complementadas pelos princípios éticos, para que assim, e somente assim, os seres humanos possam se tornar verdadeiramente educados.

 

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