13.05.04.04.01- Zenão de Cítio

A Era da Sabedoria
8 de outubro de 2018 Pamam

Zenão de Cítio encarnou no ano 333 a.C., em Cítio, na ilha de Chipre, e desencarnou no ano 263 a.C., em Atenas, com a idade de 70 anos. Lecionou em Atenas, onde por volta do ano 300 a.C. fundou a escola veritológica estoica, com base na doutrina dos cínicos, em que enfatizava a paz de espírito através de uma vida plena de virtude, em conformidade com as leis da natureza, sem qualquer alusão ao sobrenaturalismo irracional, florescendo como a doutrina predominante no mundo greco-romano até o advento do falso cristianismo.

A maioria dos detalhes que se sabe acerca da sua vida foi preservada por Diógenes Laércio, em sua obra intitulada Vidas e Opiniões de Filósofos Eminentes, em que o historiador relata que Zenão de Cítio seria um comerciante que, após sobreviver a um naufrágio na costa da Ática, teria sido atraído por alguns escritos sobre Sócrates a um local de compra de livros em Atenas, para onde teria se transferido por volta do ano 312 a.C. Em lá chegando, teria perguntado como poderia encontrar tal homem, em resposta o livreiro teria indicado Crates de Tebas, o mais famoso cínico vivo naquela época na Grécia.

Zenão de Cítio é descrito como tendo uma aparência desgastada e bronzeada, levando uma vida simples e ascética, a qual coincide com os ensinamentos do cinismo, que foram incorporados em sua doutrina, pelo menos em parte.

Em Atenas, ele foi discípulo de Crates de Tebas, tendo estudado os antigos veritólogos e saperólogos, dentre eles o veritólogo Heráclito de Éfeso, que muito o influenciou. Teve também certa influência da escola megárica, incluindo Estílpon, e dos dialéticos Diodoro Cronos e Filo. É também referido ter estudado a sabedoria platônica, sob a direção de Xenócrates e Polemão.

Zenão de Cítio deu início aos seus ensinamentos nos pórticos cobertos da Ágora de Atenas, conhecidos como Stoá Poikile, em 301 a.C. Os seus discípulos foram conhecidos inicialmente como zenonianos, mas, eventualmente, começaram a ser denominados de estoicos, denominação esta previamente aplicada aos poetas que se congregavam na Stoá Poikile.

Entre os seus admiradores se encontrava Antígono II, da Macedônia, que sempre quando vinha a Atenas o visitava. É referido que Zenão de Cítio teria recusado um convite para visitar Antígono II na Macedônia, apesar da sua correspondência preservada por Laércio Diógenes ter sido uma invenção de um retórico posterior. No entanto, ele teria enviado o seu amigo e discípulo Perseu de Cítio, que viveu em sua casa. Entre outros discípulos se encontravam Aristo de Cítio, Sphaerus e Cleantes de Assos, que o sucedeu como escolarca da escola estoica de Atenas, ou líder da Academia.

Infelizmente, nenhuma das suas obras sobreviveu aos dias de hoje, exceto algumas citações fragmentárias preservadas por escritores posteriores. No entanto, os títulos de muitas delas são conhecidos, tais como: A República, Ética, Sobre o Acordo Com a Natureza, Sobre o Impulso ou Sobre a Natureza dos Humanos, Sobre as Paixões, Sobre o Dever, Sobre a Lei, Sobre a Educação Grega, A Arte do Amor, Sobre o Universo, Sobre o Ser, Sobre os Símbolos, Sobre a Visão, Sobre o Logos, Discursos, Sobre o Estilo Verbal, Soluções e Refutações, Sobre Leituras Poéticas, Problemas Homéricos, Assuntos Gerais e Reminiscências de Crates.

A mais famosa destas obras foi A República, ao que parece escrita em imitação ou oposição a Platão. Apesar desta obra não ter sobrevivido aos dias de hoje, há mais conhecimentos acerca desta obra do que sobre qualquer outra de sua autoria, pois que ela apresenta a sua visão sobre a sociedade estoica ideal, construída sob leis e princípios de igualdade entre os seres humanos.

Seguindo as ideias oriundas da Academia platônica, Zenão de Cítio, apesar de ser veritólogo, mas naturalmente ignorando a existência da Veritologia, tinha também o seu intelecto bastante desenvolvido, já que propôs uma tripartição na Filosofia, até então assim denominada, mas que agora é mais propriamente denominada de Saperologia, que é a seguinte:

  1. Lógica: incluindo retórica, gramática e as teorias “a priori” acerca da percepção e do pensamento;
  2. Física: não apenas do ponto de vista religioso e científico, mas incluindo a natureza divina do Universo, já que este tanto é metafísico como físico;
  3. Ética: sendo esta mais considerada sob o ponto de vista da moral, e não propriamente da ética.

Nessa sua proposta, a lógica fornece um critério de verdade; a Física constitui uma fisiografia monista, ou seja, que o Universo é constituído de um só princípio, sendo então panteísta; a ética regula as ações humanas, cujo objetivo é a conquista da felicidade, a qual deve ser seguida segundo a natureza, apesar dele se voltar mais para o aspecto moral.

A doutrina de Zenão de Cítio afirma que o ser humano atinge a plenitude e a felicidade quando abandona a todas as paixões terrenas, sendo este aspecto puramente moral, já que a ética é totalmente voltada para a arte do relacionamento humano. Então a única forma de viver sem essas paixões é viver em ataraxia, ou seja, a serenidade da alma, quer dizer, entregue passivamente ao determinismo, nada receando nessa entrega, cujo termo foi utilizado pela primeira vez por Demócrito. Mas nada receando nessa entrega, por conceber que a virtude, e não o prazer material, constitui o bem supremo. Além disso, considera que o princípio chave do Universo é a lei racional da natureza, ou seja, as leis espaciais, já que ele lidava mais com o espaço do que com o tempo.

Como se pode constatar claramente, desde a antiguidade que os espíritos mais evoluídos lutam por implantar as leis espaciais, os princípios temporais e os preceitos universais neste mundo, os quais devem reger a vida de todos os seres humanos, o que certamente deverá ocorrer com o evoluir da nossa humanidade, certamente quando adentrarmos na Era da Razão, quando todos os seres humanos deverão estar esclarecidos acerca da espiritualidade, estando já cientes acerca dos segredos da vida e dos enigmas do Universo, esforçando-se por evoluir com mais consciência.

Como as suas concepções foram desdobradas posteriormente por Crisipo de Sólis e outros estoicos, torna-se um tanto quanto árdua a tarefa de determinar, em algumas temáticas, os seus sentimentos com mais precisão, mas a sua visão geral pode ser discriminada se levarmos em conta os escritos posteriores ao seu respeito.

Na concepção de Zenão de Cítium, o Universo é constituído por uma entidade divina racional, onde todas as partes pertencem a esse Todo. Nesta doutrina panteísta, ele incorpora a física de Heráclito, na qual o Universo contém um fogo-artesão divino, que controla todas as coisas, na qual está imerso o Universo, e que por isso deve produzir todas as coisas que existem. Esse fogo divino, mais precisamente os fluidos, que os estudiosos denominam de éter, é a base de toda a atividade do Universo, a qual nem aumenta e nem diminui. A substância primária do Universo vem do fogo, passa pelo estado de ar, e depois se torna água, a parte mais concentrada se torna terra e a menos concentrada se torna ar novamente, rarefazendo-se novamente em fogo. As almas individuais fazem parte do mesmo fogo, assim como a alma-mundo do Universo. Seguindo a concepção de Heráclito, Zenão de Cítium adotou a visão de que o Universo passou por ciclos regulares tanto de formação como de destruição.

Tal como os cínicos, Zenão de Cítium reconhecia um bem único e simples, que seria o único motivo a ser atingido. Assim, ele dizia que a felicidade é um fluxo bom de vida, e isto apenas pode ser atingido através do uso da razão, devendo tudo ser corretamente coincidente com a Razão Universal, ou Logos Divino, que a tudo governa. Os maus sentimentos e pensamentos são distúrbios da mente repugnantes à razão e contra a natureza. A essência da vida, a partir da qual as ações moralmente boas emergem é a virtude, consequentemente, o verdadeiro bem pode apenas consistir em virtude.

 

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